terça-feira, 27 de dezembro de 2011

SEXTA ECONOMIA MAIS DESIGUAL

Comprar virou mesmo uma obrigação em final de ano no país que já é a sexta maior economia do planeta e também uma das mais desiguais em termos de distribuição de renda e com índice de qualidade de vida pior que a de nossos vizinhos da Argentina, Uruguai, Chile e Paraguai. Nem é preciso destacar a contradição nisso tudo.

O ministro da Fazenda diz que em 10 ou 20 anos vamos ter o mesmo padrão de vida de países europeus. Não está sendo otimista demais? Nesse ritmo de roubalheiras nos três poderes e na falta de prioridade para a educação e para a saúde está difícil chegar lá nesse tempo.

Termina mais um ano e o ensino continua precário. O bolo cresce, e só uma pequena parte é dividida em cotas e em algumas políticas pontuais de inclusão. O povo se ilude e é arrastado para mais uma eleição. Fábulas de dinheiro (uma parte é roubada) vão ser destinadas para as obras da Copa de 2014 e às Olimpíadas de 2016. Mais concentração de renda na mão de poucos. Sobra pouco para a outra parte.

As pesquisas do IBGE dão conta de que 11 milhões de brasileiros vivem em favelas e invasões (aglomerados subnormais). Na Bahia, quase um milhão, dos quais 800 mil na capital onde existem 249 favelas. A região metropolitana de Salvador é a segunda mais favelizada, justamente onde está mais concentrado o capital em alianças diretas com as “esquerdas”.

A Bahia é um dos estados mais pobres do país, sendo superado pelo Maranhão do coronel Sarney. Salvador está na sujeira e cercada de cancelas por todos os lados. Os deputados nos fazem de bestas e otários. Quando foi para privatizar as estradas não saíram em defesa dos usuários que já pagam impostos pesados para a manutenção e melhoria delas.

Agora, para aparecerem bem na imagem entraram com ações na justiça contra o aumento das tarifas da concessionária ViaBahia. Só de IPVA paga-se quase um bilhão de reais por ano, e olha que hoje não é somente rico que tem carro, sem contar os custos dos fretes que incidem sobre os mortais consumidores de alimentos e outros produtos que rodam nas rodovias.

Mas, no Brasil, tudo virou normal e ninguém questiona nada, como os atrasos nos vôos aéreos; a falta de pontualidade em reuniões e eventos; a cerimônia de entrega de chaves de imóveis sem as unidades estarem concluídas; a inauguração de hospitais sem equipamentos, médicos e estrutura; e por aí vai.

As comissões de ética se esvaziaram e as corregedorias das instituições judiciárias só servem para acobertar os “malfeitos” dos colegas de toga. As câmaras flagram os corruptos e ainda chamam, com todo cuidado, os caras de suspeitos. Até o mapeamento das bacias hidrográficas vai ser agora feito por entidades privadas. São as raposas cuidando dos galinheiros.

O que temos hoje é uma democracia pequeno-burguesa que reivindica igualdade em termos abstratos. Onde está a conquista das liberdades e a independência para os trabalhadores e para as massas em geral?

A não ser interesses específicos, não temos uma forma de luta, nem legal, nem ilegal. O proletariado tornou-se simples apêndice da “democracia oficial” ao ser arrastado para uma organização partidária que negou suas propostas originais e se aliou à elite que sempre explorou a força do trabalho. A classe que não questiona o poder político da burguesia fica sob a tutela dele.

Só podemos desejar um feliz Ano Novo quando se acabar com essa cultura da corrupção no país e for decretado “tolerância zero para os malfeitos”. Quando os ministérios deixaram de ser os 40 feudos de porteira-fechada dos políticos fisiologistas. Quando o executivo, o legislativo e o judiciário tomarem vergonha na cara.

Feliz Ano Novo só quando os governantes priorizarem de uma vez a educação e não mais haver lamentos, lágrimas e choros nas portas dos hospitais; nem crianças nas ruas pedindo esmolas e fumando crack; nem moradores de praças comendo lixo e dormindo ao relento.

Como vamos desejar um feliz Ano Novo diante de tantas injustiças sociais e desrespeitos aos direitos dos cidadãos? Como vamos desejar feliz Ano Novo diante de milhões de brasileiros vivendo em estado de extrema pobreza? Se um bilhão passa fome e vive em miséria no mundo?

Enquanto isso, os cientistas franco-suíços brincam de descobrir a partícula de Deus no tal ”Bóson de Higgs”. Os americanos gastam trilhões de dólares nas guerras sangrentas e o capitalismo estoura foguetes nas praias e balneários luxuosos para distrair os turistas endinheirados.

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