quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

MENINO GOLDMAN E O NATAL TORTO


Não tinha idéia de como iniciar este comentário diante do enchimento de notícias mercenárias da mídia burguesa que todo final de ano repete a passagem voluptuosa e dionisíaca dos deuses sagrados e santificados do consumismo. Meu cérebro começou a ferver e ficou empacado no caso do menino americano-brasileiro Goldman e nos atos de doações a crianças que vivem na penúria, transmitidos incessantemente pelas emissoras de televisão do país.

Já não gosto mesmo da Festa de Natal que se tornou ao longo dos anos numa data enviesada, oblíqua e torta onde o Papai Noel tomou o lugar de Jesus Cristo e as pessoas se matam nas lojas e shoppings para comprar presentes. A mídia segue os passos dos enlouquecidos, e como num jogo de futebol, narra até as paradas nas lojas para carregar as energias com um lanche. Depois segue a corrida desenfreada do Papai Noel.

Talvez por esta aversão, nas noites de Natal sempre acontecem coisas esquisitas e inusitadas comigo que terminam me deixando aborrecido e a indagar se é um carma de outra encarnação. Durante o ano, muitos fazem malvadezas e conspiram, mas quando chega o Natal, falsamente essas pessoas ficam boazinhas e dóceis.

Para completar, as emissoras de televisão caíram de pau no caso do menino Goldman, chupando todo o sangue da criança e do pai, com seus dentes vampiréscos e mortais que deixam qualquer drácula parecido com um anjo dos mais meigos vindo do céu.

O menino vestiu a roupa; está saindo da casa dos parentes; subiu com o pai nas escadas do avião (imagem no ar); chegou aos Estados Unidos (lá estava uma equipe de plantão, filmando a casa); e tome um monte de sensacionalismo barato. Os pobres e excluídos acompanham de seus aparelhos todo roteiro, nos mínimos detalhes, da família capitalista.

O menino rico e burguês roubou a cena dos noticiários do menino miserável da Bahia (Ibotirama) que foi espetado com mais de 40 agulhas pelo padrasto, vítima também de uma sociedade pagã, egoísta e hipócrita. É essa mesma sociedade suja e fedorenta que todos os anos se levanta para dar roupas, um pouco de comida e brinquedos às famílias famintas e às criancinhas sujas e esmolambadas das favelas e das ruas.

Para essa gente que já se acomodou de vez com a situação política e social do assistencialismo, essa atitude de caridade basta para deixar suas consciências tranqüilas, com a certeza da conquista de um lote no reino dos céus. Não importa saber que essas pessoas depois daquelas doações vão continuar na miséria e na ignorância por mais um ano. No próximo Natal as cenas se repetem e a mídia faz sua refeição, cada vez mais recheada de capitalismo e lucratividade.

Bem, vocês sabem que sempre faço uma mistura dos fatos que no frigimento terminam dando o mesmo sabor de indignação e revolta por todo esse quadro de acomodação e alienação coletiva. Agora mesmo, nossa geração está aderindo à leitura e aos filmes de terror urbano do pensamento do ser.

Parece que a juventude do planeta foi contaminada pelo deleite profano dos monstros, dos zumbis, magos, vampiros, corvos e frankensteins. Ainda estamos na série dos livros e filmes de vampiros. Aristóteles dizia que as imagens que vemos com repulsa na vida real, quando transpostas para a ficção, se tornam fonte de prazer.

Só que esses personagens de monstros se adaptam muito bem com os existentes hoje em Brasília no Congresso Nacional que, segundo pesquisas, tem o pior conceito, mas estão aí para renovar seus cadáveres nas próximas eleições.

O Supremo Tribunal de Justiça suspende a Operação Satiagraha e livra o banqueiro Daniel Dantas da punição. Os prefeitos e políticos da máfia com o dinheiro público não são condenados. As torturas e os mortos da ditadura do regime militar permanecem sem revelação, mesmo com a promessa feita pela esquerda do Governo do PT. Os arquivos são queimados e a memória da história desaparece.

É uma Nação covarde que prefere esquecer o passado. A Internet virou uma cultura do descartável, tornando as relações humanas mais difíceis. Na cultura ainda não conseguimos sair das conferências de mais de quatro anos. A nossa sociedade perdeu a capacidade de se indignar e se acomodou às práticas assistencialistas da humilhação das esmolas.

A miséria é só olhada com compaixão, mas não como uma luta constante para que essa gente conquiste a cidadania e seja inserida na igualdade de direitos, com oportunidades para todos. O socialismo foi banido e excomungado. O capitalismo triunfa mortalmente.

Para os estudantes, a contestação contra o mensalão do DEM (Demônio) é válida, mas o mensalão do PT não existiu como o holocausto é negado pelo presidente do Irã. As centrais sindicais estão quietas em seus ninhos de mordomia e aceitam os decretos do Governo de aumentos salariais e dos aposentados. Acima do salário mínimo, o cara desfalece e vira classe média.

Em nome de uma fé aos orixás do candomblé sujam as águas e o meio ambiente com cestos de flores, pentes, espelhos e outros objetos poluidores. Isso acontece muito no mar e no Dique do Itororó, em Salvador, mas os ambientalistas de plantão se calam. Um encarregado de limpar as sujeiras disfarça e devolve às águas boa parte desses presentes que ficam boiando nas margens.

Como em todo país, aqui em Vitória da Conquista fatos de profunda humilhação não provocam a ira da imprensa e nem dos segmentos da sociedade. Pessoas chegam com colchões às 17 e às 18 horas do dia em frente ao prédio do SAC e dormem ao relento para pegar uma ficha no outro dia às 8 horas para terem direito a uma Carteira de Identidade ou a um Seguro-Desemprego. O número de fichas é limitado e não dá para todos.

Não dá para acreditar nisso, mas é uma verdade lastimável que está acontecendo. As “autoridades” não tomam nenhuma providência para mudar esse quadro. A imprensa não denuncia nada, e as pessoas continuam a sofrer para conseguir um documento. No Fórum João Mangabeira ocorre a mesma coisa. Para a sociedade, o bom mesmo é dar esmolas e votar nos corruptos de sempre.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

OS MASCATES DA CORRUPÇÃO




Tem corrupção pra todo mundo, com embalagens, marcas, siglas, formatos, com gostos, sabores e conteúdos diferentes. Dá pra todo mundo. Aproveitem a liquidação e os descontos promocionais. Tem falsificada, contrabandeada, pirateada, tipo paraguaia, chinesa e até original que é mais cara. Tem corrupção nas cuecas, nas meias, na bunda....

Em todos os cantos tem um mascate da corrupção oferecendo facilidades e vantagens. As imagens flagram o espetáculo e a destreza das mãos hábeis recebendo pacotes de dinheiro e fazendo sumir a dinheirama. A propina é para comprar pão e panetone para os pobres. É tempo de Natal. É tempo de sentimentos e caridade.

Os banqueiros estão satisfeitos contando seus lucros e navegando na usura do capital; os empreiteiros investem no “produtopina”, engordam suas doações eleitorais e aumentam suas apostas no superfaturamento; as bolsas de valores vendem papéis, especulam e ensinam como ganhar fácil; as grandes empresas recebem isenções fiscais, exploram seus empregados e fazem malabarismos sociais; os políticos estão se lixando para a opinião pública; as ONGs com caras de mães são nutridas pelo Estado e loteiam a pobreza; e a imprensa é a culpada de toda bandalheira.

Tem uma banda que se locupleta e aplaude o sistema, e outra que cala e fica quieta na moita. O MST recebe muita grana para fazer barulho e não cobrar a reforma agrária prometida; a União Nacional dos Estudantes (UNE) recebe recursos do Governo para fazer documentário (não realiza o projeto) e congressos em troca do apóio aos coronéis; 50 milhões de almas recebem o Bolsa Família para permanecerem na submissão da miséria e votarem no rei; os sindicatos se enroscam nos cargos públicos e se enfileiram nas patrulhas do linchamento ideológico cego e idiota com rótulos de marxistas; e tem os intelectuais que arrotam sabedoria acadêmica, mas, covardemente, fazem o voto do silêncio.

O proletariado forma a cauda cometa capitalista e se conforma com a ordem social existente. Ela gosta de ser tratada como coitada e alimenta o ego da esquerda burguesa. Os negros recebem umas cotas e umas políticas afirmativas de reservas de mercado e não se importam em ser tratados como incompetentes. Criam políticas racistas que se dividem em cores. Os professores viram provocadores de nada e os alunos continuam burros.

As multidões incham as cidades e esganam uns aos outros na corrida desenfreada da competição para adorar o deus dinheiro. O Natal começa a bombar e todos recebem a ordem suprema da propaganda capitalista para consumir cada vez mais. Os shoppings se entopem de porcarias inúteis e descartáveis. É fim de ano e todos correm desembestados para pagar dívidas e fazer outras. Ninguém se importa com as mortes e sofrimento nos corredores dos hospitais.

Todos vãos às compras e fazem filas nas máquinas registradoras. Os banquetes têm que ser fartos, e a luxúria é disputada a tapa. As roupas têm que ser brilhantes na passagem de ano. Os bares e restaurantes respiram a embriaguez e comelanças. Todos fazem planos para o carnaval e já falam da Copa de 2014. Muitos atendem ao apelo da doação e fazem uma caridade para salvar sua alma do inferno e enganar a consciência. Os carros travam os trânsitos e deixam a terra mais suja, mas continua sendo o desejo de cada um.

As operadoras de telefonia nos fazem de bestas e nos entopem de protocolos. Os concursos públicos são viciados, mas todos participam, mesmo sabendo que existem maracutaias. Não existem mais protestos. Lá se foram os direitos. Está tudo contaminado nesse céu de lixo do Brasil. O povo já se habituou com os contos e golpes dos vigaristas, sem reclamar.

Ninguém se importa se o planeta está pegando fogo quando se está em disputa o desfrute dos bens materiais. Os projetos adquirem o carimbo de economia sustentável e invadem as florestas. O povo não faz mais história.

A indiferença é a mãe do comodismo e ninguém quer saber de protestar contra a corrupção e os desmandos dos políticos. Todos fazem de conta que nada está acontecendo de horrível e hediondo na nossa terra. É o gesto de virar a cara e fazer de conta que não está vendo, nem havendo nada em seu redor.

Os crimes bárbaros passam e outros surgem com mais requinte de crueldade. O comodismo e o individualismo falam mais alto. A mídia nos diverte com baboseiras e chora lágrimas de sangue. O capitalismo aperta cada vez mais o cerco e as muralhas brotam da terra para dividir as tribos. Cada um se apega num falso deus para se salvar e se safar.

A Internet individualizou e colocou os interesses próprios acima do coletivo. A tecnologia do mais fácil e dos botões alienou gerações inteiras. Pelo menos ela está servindo para que eu diga isso.
Os sindicatos que aí estão não me representam mais. Essas entidades foram cooptadas pelo governo. Os exemplos são inúmeros de atrelamento, mas o mais gritante e revoltante é o caso do reajuste dos aposentados. Negociam dentro da vontade do poder. Antes de emprestar aos pobres, Lula joga uma moeda na cumbuca dos pobres. Condena o suposto golpe em Honduras, mas abraça e ajuda os ditadores e déspotas governantes de nações africanas.

O Lula faz a política de uma oferenda a Deus e outra para o diabo. Se rende às forças armadas e aos torturadores da ditadura, deixando-os impunes. Contraditoriamente do que pregava, se arrasta para agilizar a abertura dos arquivos que ainda restam do regime de chumbo. Faz pose de esquerdista enquanto massageia o capitalismo predador. Consegue a proeza de enganar a todos por muito tempo e jogar a sujeira debaixo do tapete. Continua sem ver nada como agora no caso do Arruda, do Distrito Federal.

Nos dias de hoje quando alguém faz um gesto de bondade é motivo para manchetes na imprensa que aproveita a miséria para angariar simpatias e mais umas boladas com a audiência.

A que ponto chegamos? Veja o caso do bebê encontrado em Salvador numa caixa de papelão. As ações e as atitudes deveriam ser encaradas como atos normais de seres humanos. Aqui e agora quando alguém é honesto vira herói nacional.

Os jovens e adultos histéricos correm aos cinemas do Lua Nova, do Crepúsculo, do Pequeno Príncipe e para os Fantasmas de Scrooge. O filé mignon atual são as obras que atravessam e que seduzem tanto crianças como adultos. Os livros mais vendidos são os de autoajuda. São peças chave do capitalismo contemporâneo.

Por fim, só queria dizer que não compactuou com esses cafajestes e mafiosos que têm a cara-de-pau e o cinismo de falar em diálogo para resolver os problemas de desmandos e usurpação do poder dos coronéis de plantão, como os Sarneys da vida dos quais não se comenta mais. Chega de conversa pra boi dormir. Chega de papo. Como disse Vandré: “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.




MAIS DE 2000 NAS OFICINAS






Todos atentos nas salas, jovens e adultos, para aprender a arte de fazer bolos, lasanhas, biscoitos, ornamentos em flores, bijuterias, pinturas, saladas, refrigeração, maquilagem, drinks e coquetéis, petiscos, processamento de carnes, queijos e produtos da mandioca.







Uns interessados em abrir seu novo negócio e outros em ampliar sua pequena empresa para aumentar a renda, mais de duas mil pessoas participaram neste final de semana, de 27 a 29, do programa “Oficina do Empreendedor” organizada pela Sebrae no Colégio José Neves Teixeira, em Guanambi.







Com essa iniciativa e outras na região, o Sebrae/Bahia e seus parceiros estão preparando os pequenos negócios para atender as necessidades de fornecimentos dos grandes empreendimentos que estão por instalar em Caetité e Urandi, como a Bahia Mineração e uma siderúrgica com capital de chineses, sem contar o projeto da Ferrovia Leste-Oeste.








ALÉM DAS EXPECTATIVAS








O programa do Sebrae/Ponto de Atendimento de Guanambi, em parceria com a Prefeitura Municipal, Câmara de Vereadores, Senac, EBDA, Câmara de Diretores Lojistas e outras empresas, ultrapassou as expectativas. No último dia ainda tinha gente procurando uma vaga para se inscrever num curso como foi o caso da artesã, Aparecida Santana Valente (dona Cida), moradora na Travessa Santa Catarina, 68 – Centro.







A Oficina foi aberta à noite de sábado (dia 27) na Câmara de Vereadores com a palestra do administrador, professor de Marketing e consultor do Sebrae, José Hamilton Sampaio, que abordou o tema “Empresa e Você”. Para um público de mais de 300 pessoas, o palestrante disse que para ser um bom empreendedor é necessário, acima de tudo, ter motivação e ser perseverante.







Entre os dois mil e trezentos participantes da “Oficina do Empreendedor”, nos dias 28 e 29 (sábado e domingo), lá estava pela primeira vez dona Sandra Maria, de mais de 50 anos, moradora no bairro Paraíso, rua Humberto Nunes, 554, para aprender mais alguma coisa na arte de fazer drinks.







Ao seu lado, dona Aparecida Valente (dona Cida) artesã há 32 anos na confecção de bonecos de pano, insistia por uma vaga numa das oficinas. “Quero aprender mais alguma coisa para ampliar minha renda” – disse dona Cida.







Lá dentro de uma das salas do Colégio José Neves Teixeira, o instrutor do Senac/Vitória da Conquista, Ebiner Gomar, ministrava aulas na área de hotelaria para uma turma interessada que chegou no horário marcado das 14 horas. Há 14 anos em Conquista, o Senac atua em 54 municípios da região como desta vez em Guanambi na “Oficina do Empreendedor”, em parceria com o Sebrae.







O professor esclareceu que dentro das oficinas feitas com o Sebrae o tempo é curto, mas a pessoa sai com boas noções para iniciar suas atividades. A sua recomendação é que o aluno tome outros cursos complementares que vão oferecer mais segurança para o negócio. A maioria das pessoas participa com interesse de aprender e já trabalha no ramo.







Outro participante que chegava com sua turma no Colégio foi Amilton Gomes Benevides, residente na rua João Pessoa, 129 (Aeroporto Velho) que optou em se aperfeiçoar em refirgeração. Apressado para não perder um lugar na sala, Amilton já tem experiência de quatro anos no setor, mas foi logo dizendo que sua intenção era se aprimorar para ampliar seu negócio e ganhar mais com isso.







Amilton soube da Oficina através de amigos que foi passando a informação do programa do Sebrae. Disse que o curso vai lhe ajudar no âmbito da estruturação do negócio. “Estou conhecendo novas diretrizes para desenvolver meu trabalho e legalizar minha atividade”.







Adalberto Pereira Alves, de 29 anos, morador no Bairro Brasil, foi um dos primeiros a chegar no Colégio para participar do curso na área de alimentação. Desempregado, afirmou que sua intenção era colocar um pequeno negócio para ajudar sua família.







Já o jovem Vandilson da Silva Santos que tem um bar-restaurante há sete anos no bairro Vomitamel, rua Otacílio Pereira Donato, 245, não está atravessando tantas dificuldades financeiras, mas foi à oficina do Sebrae para participar, principalmente do curso de Drinks e Coquetéis.







Ele já frequentou outros cursos idênticos, inclusive da Vigilância Sanitária da Prefeitura Municipal, mas queria se aperfeiçoar para ampliar seu serviço e atender bem os clientes. Além do curso de Drinks, Vandilson também se inscreveu nas aulas de Petiscos e Telemarketing.








PRIMEIRA OFICINA








A gestora do Ponto de Atendimento do Sebrae de Guanambi, Josinete Viana, informou que mais de duas mil pessoas foram inscritas, registrando uma demanda além das expectativas. Foi a primeira Oficina realizada em Guanambi com 61 minicursos e 35 vagas cada. O mesmo programa foi realizado há duas semanas na cidade vizinha de Caetité.







Muita gente terminou ficando de fora. Na área de culinária, por exemplo, muitos se inscreveram para melhorar a renda familiar. Outros que já têm negócios buscam a parte gerencial, financeira e de marketing. “Como Identificar Oportunidades de Negócios” foi um dos cursos bastante procurados – segundo avaliou a gestora do órgão.







O coordenador regional do Sebrae/Conquista, Cláudio Cardoso destacou que, com a Oficina do Empreendedor, o Sebrae e os diversos parceiros conseguem disponibilizar informações direcionadas para os pequenos empreendedores que desejam abrir uma firma, como para quem quer melhorar o gerenciamento do seu negócio.







Cláudio lembrou que grandes projetos estão chegando à região, como a Mineração Bahia, uma siderúrgica em Urandi, a Ferrovia Leste-Oeste, além da INB que já está implantada. O que o Sebrae vem fazendo é justamente preparar as pequenas empresas, através dessas oficinas, para que tenham condições de fornecer seus produtos e serviços para essas empresas de maior porte. No futuro próximo, esses empreendimentos pequenos estão em melhores condições de competir como supridora de serviços - afirmou.

PALESTRA ABRE OFICINA


Otimismo, motivação, perseverança, persistência, capacidade de assumir riscos, identificação com as oportunidades, busca do conhecimento, dinamismo, organização, independência e liderança foram os pontos chaves abordados, de forma didática e dinâmica, pelo palestrante José Hamilton Sampaio na abertura da “Oficina do Empreendedor” no dia 27 à noite, em Guanambi.

A solenidade de abertura dos trabalhos contou com as presenças do vice-prefeito de Guanambi, Charles Fernandes, do coordenador regional do Sebrae/Vitória da Conquista, Cláudio Cardoso, do secretário de Indústria e Comércio do Município, Hugo Costa, do vereador Adão Oliveira, da diretora da CDL, Alvisa Prates e da primeira-dama municipal, Solange Coelho.


MAIS DE 60 OFICINAS


A “Oficina do Empreendedor” foi organizada pelo Sebrae/Ponto de Atendimento de Guanambi em parceria com a Prefeitura Municipal e diversas entidades e empresas como Senac, EBDA e Câmara de Dirigentes Lojistas. Com um público de mais de 300 pessoas, as atividades foram realizadas na Câmara de Vereadores, e as oficinas nos dias 28 e 29 no Colégio José Neves Teixeira.

Neste ano o Sebrae/Bahia deve realizar mais de 60 oficinas no Estado contra 44 no ano passado. O coordenador regional do Sebrae/Conquista, Cláudio Cardoso, disse na abertura que esses cursos disponibilizam condições para que as pessoas abram seus negócios ou melhorarem a gestão de suas empresas. “É um programa democrático e gratuito que visa preparar a pessoa para enfrentar as dificuldades”.

Para o secretário da Indústria e Comércio, Hugo Costa, a parceria da Prefeitura Municipal com o Sebrae é de suma importância, especialmente em se tratando da “Oficina do Empreendedor”, pois Guanambi tem se tornado num pólo regional de capacitação profissional nos últimos tempos.

De acordo com ele, é mais uma oportunidade dos empresários e de quem quer criar seus negócios, para ampliar e melhorar suas empresas. Esse programa, no seu entendimento, melhora também o nível de empregabilidade no comércio e, consequentemente, a qualidade no atendimento.

Quanto a decadência do algodão no final dos anos 80 que acarretou queda na economia, disse que Guanambi reagiu e passou a adotar outras alternativas de produção na retomada do desenvolvimento. Hugo assinala que o município hoje já é um grande pólo educacional e comercial, atraindo inúmeras cidades da região, para comprar e efetuar negócios.


PROGRAMA SÉRIO


O palestrante e consultor do Sebrae, José Hamilton Sampaio, declarou que a “Oficina do Empreendedor” é um programa sério que está compatível com o objetivo do órgão que é fomentar a pequena e a micro empresa. A Oficina, segundo ele, prepara o indivíduo para o espírito do empreendedorismo de forma prática onde o cidadão em poucas horas tem condições de aplicar sua aprendizagem.

Nas oficinas em que já participou, o administrador José Hamilton garantiu ter observado a qualidade dos profissionais escolhidos para transmitir os conhecimentos, tanto na regional da Mata Atlântica como na de Vitória da Conquista e no Oeste. Na sua análise, a receptividade tem sido muito boa por parte dos inscritos. Destacou ainda que assim que é lançada uma Oficina, as inscrições rapidamente se encerram por falta de vagas, como aconteceu em Guanambi.

Após os cursos, os participantes, de acordo com o professor, já podem praticar o que aprenderam, como fazer um pão, pintar uma unha, um petisco, um drink, corte de cabelo ou um pequeno processo de gestão nas organizações.

Para Hamilton, as oficinas abrem as visões das pessoas, tirando a idéia de que empreendedorismo é algo que tem que nascer com a pessoa. “É cultura de aprendizado e força de vontade e acredito muito nesse programa”. Se continuar como está, em breve, conforme prognosticou, teremos na Bahia uma cultura empreendedora consolidada.

Sobre a nova mentalidade dos jovens, José Hamilton afirmou que no Brasil, anteriormente, o empreendedorismo era encarado para a pessoa que não tinha alternativa de emprego. “Hoje, pelas últimas estatísticas, o empreendedorismo não é mais uma opção para o desemprego, mas uma decisão para o cidadão”.

O aluno que está na faculdade passa a acreditar que no futuro a relação emprego/empregador/empregado, mediante carteira formal, está começando a rarear por causa do custo - advertiu. A opção tem sido a terceirização. Além do mais, ressaltou que na relação do trabalho, o colaborador pode ser um empreendedor dentro da organização. Na cultura do empreendedor, na visão do palestrante, o indivíduo é treinado a perder o medo e descobrir suas potencialidades.

Sobre o nível do ensino superior, José Hamilton adiantou que as faculdades atuais estão em fase de mudança, mas confessou que a mentalidade do professor e do doutor ainda é muito acadêmica. Reconhece que o mestre ainda tem pouca prática de mercado e de gerência empresarial. “Muitas escolas estão optando em fazer um mix de professores para mudar a situação”.

Ele observa que as faculdades mais independentes são mais agressivas no mercado, buscando mais profissionais da área. A tendência, em sua opinião, é unir a cultura e a parte acadêmica ao desenvolvimento da praticidade de mercado. Avalia que as faculdades devem ter em seus cursos a disciplina gestão empreendedora, inclusive na área de saúde, no ramo artístico e da engenharia.

CREDIBAHIA EM CAETITÉ



Caetité é mais um município baiano que passa a contar com uma agência do CrediBahia para atender os microempresário que necessitam de recursos para desenvolver seus negócios. A inauguração da nova sede aconteceu no último sábado (dia 28) com a presença do governador Jaques Wagner que, na ocasião, anunciou várias obras parta a região.

O governador disse que o primeiro empréstimo pode chegar até R$10 mil e destacou que pode parecer pouco, mas é importante para quem está começando a fazer um pequeno negócio. “Estamos trazendo o CrediBahia que deve trabalhar ao lado do Sebrae porque além do dinheiro tem que se dar a orientação de como se monta um negócio, com juros baixos de 1.8%”.




179 AGÊNCIAS NA BAHIA

O chefe de Gabinete da Secretaria do Trabalho, Elias Dourado informou que a agência de Caetité é a de número 179 e já foram investidos no Estado cerca de R$70 milhões no programa.

Explicou que a escolha de Caetité se deveu ao apoio da Prefeitura Municipal que ofereceu toda estrutura física, na Praça da Matriz Nossa Senhora Santana. Para Elias, a agência é positiva para os pequenos negócios, especialmente porque estão em instalação em Caetité e região grandes projetos como a Bahia Mineração, a Ferrovia Leste-Oeste e uma siderúrgica em Urandi. “Isso está gerando a possibilidade de criação de micro e pequenos negócios no município”.

Elias Dourado fez questão de assinalar que a agência chega em parceria com o Sebrae no conjunto do,programa . “Em Caetité já existia um desenho discutido com a Prefeitura Municipal e o Sebrae para focar as ações nos pequenos empreendimentos”. Garante que são muitas oportunidades que vão surgir a partir da Bahia Mineração, além da INB – Indústrias Nucleares do Brasil que já está implantada.

Disse que o programa está em fase de implantação, acrescentando que nos primeiros três ou seis meses a agência comece a se firmar. A partir daí, vamos perceber quais as principais demandas e o perfil social. A agência de Caetité, conforme avisou, não tem limite de recursos, pois é um dinheiro do Fundo de Desenvolvimento Econômico e Social do Estado. Assegurou que existe aporte de recursos para atender a dinâmica do micro e pequeno negócio.


R$17 MILHÕES INVESTIDOS


Neste ano, segundo estimativas de Elias Dourado já foram investido aproximadamente R$17 milhões pelo CrediBahia, com juros de 1.8% no primeiro empréstimo. A partir do segundo crédito o juro passa a ser de 1.5%, com pagamento de seis meses a um ano. Ele recomenda que o microcrédito deve ser oferecido na dose certa para que não haja problemas com a inadimplência.

O chefe de Gabinete afirmou que a Bahia tem avançado muito na legislação que beneficia os microempresários. Citou que a Bahia é o primeiro Estado do Brasil que tem uma lei de apoio ao cooperativismo, ao informar que já existe na Desenbahia, em parceria com o Sebrae, uma ação voltada para ajudar as cooperativas.

Quanto a nova lei de licitações do Estado que prioriza os pequenos empreendimentos, disse ser um grande avanço, ao adiantar que será feito um trabalho com Sebrae e outras organizações para regulamentar o decreto do governador. “Vamos ver como as compras poderão ser viabilizadas dentro do que determina a lei”. Elias Dourado chamou a atenção de que as entidades parceiras devem unir esforços para organizar os micros, especialmente no que diz respeito a documentação, para que essas empresas tenham acesso ao benefício da lei e possam vender seus produtos ao poder público, sem restrições.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

COMO RECLAMAR DAS OPERADORAS


Gostaria de oferecer minha humilde recomendação e passar a minha receita para quem está prestes a fazer uma reclamação numa operadora telefônica, especialmente se for da Oi. Antes de tudo tem que ser corajoso para cometer mais essa loucura. Vai começar a tortura.

Vocês já sabem que hoje é tudo feito através de uma secretária virtual que passa sua queixa para uma atendente de telemarketing, depois de desecar sua vida e entrar na sua privacidade, até sexual. Aí você escuta uma musiquinha torturante por uma ou mais hora.

E olha que existe uma “lei” para você ser atendido em cinco minutos!

Vamos lá. Meu conselho é o seguinte: Antes de partir para a empreitada suada e estafante, contrate um monge bem zen, de preferência um tibetano, para preparar sua mente. Uma secretária também é essencial.

Não deixe também de requisitar um psicólogo ou psiquiatra, para você não ficar maluco. Você pode precisar ser internado numa camisa-de-força e tomar calmantes fortes.

Ah! Ia me esquecendo. Veja também um cardiologista para controlar seus batimentos cardíacos e impedir que seu coração pare de uma vez, depois de passar tantas raivas. E por fim, chame uma ambulância do Samu que você pode precisar ser internado numa UTI de um hospital.

Depois disso tudo, reúna todos os documentos possíveis, inclusive certidão de nascimento, com caneta e papel para as anotações. Tome coragem e faça a primeira ligação. A secretária virtual vai lhe atender depois de alguns minutos (se tiver sorte) e colocar uma lista de opções com números e o que você deseja. Aperte o dois, o três, o quatro, o cinco, o seis e por aí vai.

Preste bem atenção senão ela diz, não entendi, e apaga tudo. Comece tudo de novo. Aí sua equipe entra em prontidão para lhe controlar, física e mentalmente. Os batimentos começam a se alterar. Seu coração bate forte.

Pode dar certo na segunda vez, e aí você passa para outra etapa com o atendente do outro lado. Já é um alívio, mas respire fundo que vem pauleira e bomba. Você vai esperar uns 10 a 15 minutos com um musiquinha zunindo no seu ouvido. Calma! Não entre em pânico!

Pronto! O serviço de telemarketing do outro lado lhe atendeu. Agora o bicho pega mesmo. Você dá todos seus dados novamente e faz sua bendita reclamação: cancelamento, contas a pagar, fatura indevida e outras, de acordo com seu caso, isso após um cansativo interrogatório da sua vida. Só faltam lhe perguntar se você é hetero, bisexual, homo, travesti ou outro bicho qualquer.

Se tiver sorte, o atendente manda você esperar enquanto abre o sistema. Aí, meu amigo, são mais trinta, quarenta e até uma hora com o telefone no ouvido. Você começa a suar e ter vontade de ir ao sanitário. Passe o telefone para a secretária.

Na volta vai continuar a ouvir centenas de vezes a frase: “Espere um momento”. Depois de muito tempo a pessoa do outro lado do além lhe passa um protocolo. A esta altura você já tem uns quatro ou cinco anotados. Não termina aí porque mandam você voltar a ligar dentro de 48 horas para dar “solução” à sua reclamação.

Se tiver outra queixa com a mesma Operadora, mas referente a Internet, no caso específico da Oi Velox, a voz do além dá um número e manda você ligar para a Provedora. Aí você acaba aquele tormento e entro em outro.

Acontece que o número é exclusivo da Central de Vendas. Estão querendo lhe empurrar alguma coisa de planos. O sangue sobe e os batimentos cardíacos estouram.

Não pode ser grosso e indelicado, nem soltar palavrão. Tem que ter alto controle e ser bem delicado para, pelo menos, ser atendido.

Não adianta entrar em pânico. Se você for persistente e duro na queda, volta a ligar para o número anterior. Outra pessoa lhe atende e pede tudo de novo. Você procura dizer que já foi atendido e até se arrisca em dar o número do protocolo.

Para seu espanto, a “voz do além” vai lhe dizer que não tem nenhum registro anotado da sua chamada. Sem vestígios, sem rastros. Você está mesmo ferrado, cara, e passa por mentiroso, senil e caduco. Você estava vendo miragem no deserto. A coisa fica feia. Aí mandam você anotar outro protocolo e dão outro número para você ligar.

Uma hora de batalha e como você já se encontra esgotado, no limite máximo suportável, a equipe médica e o monge budista mandam você parar, ou acionam a ambulância de socorro. Não tem final feliz nessa história. Sob tortura, você termina confessando que está errado.

Fui fazer esse trabalho sozinho e por pouco não estaria mais aqui para contar essa proeza maluca. Ninguém para apelar. Ninguém para reclamar. Nem Bispo, nem Papa e nem delegado. E agora José? Pergunta ao poeta.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

MALANDRO OCULTO


Se já estava bom demais, agora ficou bem melhor para os candidatos corruptos e safados das próximas eleições que servem para cevar os gafanhotos malditos destruidores das nossas plantações. Como em todas as minireformas que eles inventam em véspera de campanha, oficializaram dessa vez a figura do doador oculto, ou seja, o malandro oculto.

É ele o sujeito do verbo e dos objetos da frase que faz criar vários caixas que vão parindo nos esgotos como ratos. É ele a bola da vez que vai distribuir as cartas e alargar os latifúndios dos coronéis do velho sertão árido e cansado.

O malandro oculto agora existe de verdade; está registrado e protegido por lei do Congresso que os bestas sustentam, dividindo parte do seu pão. Primeiro o doador introduz a grana e depois o doado fica na obrigação de devolvê-la em dobro, com juros e correção monetária. É o chamado acordo do troca-troca dos fichas-sujas. Tudo feito por nossa conta.

Eles não têm nenhuma vergonha e fazem suas safadezas e sacanagens em público. Fazem xixi, ladroagem explícita e defecam na nossa frente. Não existe mais nenhum pudor. É a chamada promiscuidade eleitoral em grupo como nos tempos das orgias e dos bacanais romanos, acompanhados de vinhos, muita embriaguez e arrotos na cara dos súditos plebeus.

A instituição do malandro oculto rende mensalões; recheia o bolo dos empreiteiros que abrem mais canteiros de obras; agride a natureza com licenças ambientais arranjadas; enche os cofres dos banqueiros; e deixa os pobres mais pobres e os ricos mais ricos.

Mesmo assim, o eleitor anda léguas, enfrenta filas e até briga e se mata para votar no malandro oculto. E o cara ainda se sente altamente orgulhoso, dizendo que está cumprindo com seu papel cívico para eleger seu “legítimo” representante. O malandro oculto só dá para o parceiro que sabe mentir, enrolar e com “muita lábia”. Não é maluco que rasga dinheiro. Nós é que somos animais adestrados.

As nossas eleições seguem as mesmas regras dos jogos de cassino, do bicho ou das máquinas caça-níqueis. Você é atraído a jogar com promessas de lucros, mas quem sempre ganha é o dono da banca que não precisa ter atestado de idoneidade moral. A grande maioria é compulsiva e viciada e sempre está fazendo uma fezinha nos números.

No jogo montado para o próximo ano, o candidato pode ser cafajeste, malfeitor e corrupto. A certidão de quitação eleitoral deve mencionar apenas a apresentação de contas de campanha eleitoral anterior. O Ministério Público está proibido de representar judicialmente contra propaganda irregular ou ilegal. Agora ficou beleza. Só os partidos podem ajuizar ação entre si. Não é uma moqueca! Ou melhor, uma pizza recheada!

Ficou uma mangaba. Os desonestos também podem montar sua banca. Está batido o martelo oficial da pirataria. A transparência está condenada e quem praticar está fora do jogo. O malandro oculto pode ser traficante ou um criminoso qualquer. Justiça não pode registrar irregularidades nas contas anteriores.

O negócio é ajudar os candidatos sujos com problemas na Justiça Eleitoral. Está assim aberta a temporada de caça aos patos que já começam a ser baleados fora do tempo. Nem esperam mais a engorda. Quem tiver mais pontaria e chegar primeiro ganha. Quem abater mais, leva. Nada de moralidade e ética. Quem entrar com essas armas fica de fora. Malandro sempre gosta de aparecer, mas nesse jogo o recomendado é ficar oculto e nada da sociedade saber quem é o indivíduo.

Para disfarçar e trapacear, os donos das bancas estabeleceram o prazo de 30 de abril do ano seguinte para prestação de contas dos mais espertos que se deram bem no esquema. Sendo assim, quem fez sujeira e roubou não pode mais ser ajuizado ou condenado, pois já sentou em sua cadeira de foro privilegiado, o que significa imune e imortal.

E de lá daquela casa de horrores é só mandar uma banana para a macacada, sem ofensa a essa espécie de animais. Eles estão se lixando para a opinião pública? Que nada. Ninguém liga mais para isso. Já viramos saco de pancada. No mais é cair no carnaval e torcer pela Copa do Mundo e para as Olimpíadas. Podem deitar e rolar que não estamos nem aí. Basta o circo, e viva o malandro oculto.

Quando o cerco apertar, esses malandros ocultos fogem pelas portas dos fundos. Fosse no sistema antigo de cédulas, dava para eleger uma Cavalo para o Senado, um Bode para a Câmara, uma Caipora para a presidência e mais umas Hienas, uns Lobos, umas Raposas, uns Coiotes e outros bichos espertos e larápios para nos representar em outros cargos.

E por falar em Senado, viram que tem até defunto trabalhando? Os fantasmas só aparecem à noite e já tem gente que garante ter visto e ouvido assombração de almas penadas dos infernos, com gritos, gemidos, choros, lamentos, vozes do além e correntes se arrastando pelas plenárias, gabinetes e corredores. Votem no malandro oculto, ou, se quiserem no PS – Partido do Satanás.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

GUANAMBI SEM ÁGUA




É grave a situação de Guanambi e municípios vizinhos com relação ao abastecimento de água. É um quadro que já perdura há anos e as ditas autoridades não resolvem o problema que pode ser solucionado através da construção de uma adutora a partir do Rio São Francisco.




Como a situação piorou com a estiagem prolongada e a conseqüente redução de água das barragens de Ceraíma e Poço Magro, o prefeito Nilo Coelho, que retornou ao ninho tucano, decretou estado de emergência por 120 dias.




Por causa da escassez de água, conforme reportagem da revista Integração, do jornalista João Martins, há mais de um ano as comunidades de Guanambi, Pindaí e Candiba vivem momentos de incertezas. Desde o ano passado, por exemplo, os produtores de hortifruticultura do Perímetro Agrícola de Ceraíma tiveram suas irrigações suspensas por ordem da Codevasf.




Como resultado, os pomares estão arrasados, com incalculáveis prejuízos para os agricultores que vivem da atividade. Estive lá há pouco tempo e vi que a situação é grave. As reservas de água das duas barragens não passam de quatro milhões de metros cúbicos quando a capacidade é de 95 milhões de metros cúbicos.




Outro problema é que a barragem de Ceraíma está toda assoreada e vive o seu limite máximo. A barragem virou um tanque sujo e logo vai se transformar num poço de lama.




A única saída é trazer água do Rio São Francisco, distante 140 quilômetros até a Estação de Tratamento de Ceraíma. Embora com recursos assegurados pelo governo, como tudo no Brasil, a obra ainda está em discussão junto aos órgãos ambientais.




Outro projeto que já dura quase 30 anos e não sai do papel é o da Irrigação do Vale do Iuiu. Quando repórter do jornal A Tarde há quase 20 anos, na chefia da Sucursal, acompanhei muitos encontros e reuniões, reivindicando a obra, considerada a salvação da região. Tudo continua nas promessas.




O projeto beneficiaria os municípios de Malhada, Palma de Monte Alto, Sebastião Laranjeiras, Candiba, Pindaí, Guanambi e Iuiu, com uma população superior a 200 mil habitantes.




A revista Integração na sua última edição de número 102 destaca também o recorde de produção da Indústria Nuclear Brasileira-INB, em Caetité. Em setembro registrou uma produção de urânio concentrado da ordem de 51,326 toneladas, superando a marca de 46,52 toneladas em maio passado. Para este ano, a previsão é superar a meta de 400 toneladas da denominada pasta “Yellow Kake”.




Zona Turística “Caminhos do Sudoeste”, mostrando as belezas e atrações da região, é outra reportagem que chama a atenção. Se não for possível se integrar ao roteiro “Caminhos do Sudoeste”, a região da Serra Geral quer também criar sua própria zona. No entanto, entendo que são potenciais que devem se unir em prol do desenvolvimento regional dos municípios.




A revista traz ainda nesta última edição de setembro/outubro as novidades da Feira das Cidades que aconteceu em Guanambi, como o Programa da Palma que é uma questão de sobrevivência do homem do semiárido baiano e de todo Nordeste. Além do alimento para os animais, da palma se faz doces, bolos, tortas, sucos e até picolés. O projeto foi a maior atração da feira.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

ACORDA, BRASIL!


Enquanto o Brasil dá um passo à frente, os outros países do mesmo nível de desenvolvimento dão três passos adiante e encostam mais rápido entre os mais ricos.

A média de escolaridade dos brasileiros de sete anos se equipara aos países pobres. Os sinais de avanço são tímidos e lentos como no ritmo de um cágado pesado, e como da mobilização de uma preguiça.

E como vão ser os próximos anos da Copa do Mundo e das Olimpíadas? O que será da nossa educação nas salas de aula e da nossa saúde nos corredores dos hospitais?
O negócio é mesmo comemorar, abrindo vinhos e champagnes e gritando bem alto que não somos mais subdesenvolvidos ou emergentes. Todos estão orgulhosos e vibrando com a vitória contra os Estados Unidos, Japão e Espanha cujas populações estavam frias para sediar as Olimpíadas. A medalha de ouro é nossa, gente! O imbecil sou eu. Sou desprovido de emoção.

Acorda, Brasil! Corra camarada, porque o predador está atrasa de nós! Eu participo, nós participamos e eles lucram. Não é assim que funciona o sistema?

Dos 182 países listados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Humano, o Brasil está no deprimente 75º lugar em qualidade de vida. A expectativa de vida, por sinal, caiu para a 81ª posição.

Nosso povo está anestesiado e não consegue acordar para refletir. Desaprendemos a lição e perdemos a hora. Contentamos-nos com o circo.

Cada vez mais engrossa o arrastão da insensatez, das mazelas, da irresponsabilidade, da incompetência, das vaidades do poder e da mídia sensacionalista e oportunista.

Aliás, a grande mídia está rindo e já está fazendo as contas de quanto vai ganhar nessas competições internacionais. Empurram-nos o grotesco, usando a arma da manipulação já que o conhecimento é uma jóia rara.

Por que as riquezas do Brasil não se traduzem, nem se reproduzem em melhorias de políticas públicas sociais? O crescimento econômico não tem revertido em benefício para tirar os mais pobres do atraso e da exclusão.

A redução das desigualdades sociais é vagarosa, mas as pessoas não estão nem aí para essa tal concentração de renda. É como não se tivesse nada a ver com isso.

Elas estão envolvidas demais com seus prazeres pessoais consumistas em adquirir um celular novo ou um carro zero quilômetro. O resto não importa. É só fazer uma caridade e tudo está resolvido.

Temos exemplos bem perto de nós, do outro lado onde moramos, nas ruas, nos nossos bairros, no nosso quintal, mas recusamos em ver o que se passa.

O município de Vitória da Conquista, o terceiro maior do Estado, não conseguiu apresentar os indicadores necessários para receber a certificação Selo Município Aprovado do Unicef que cuida do bem-estar das crianças. O mesmo ocorreu em Feira de Santana e Jequié.

Já em Brumado, a mortalidade infantil entre 2004 e 2008 caiu de 27,1% para 13,7%. Nesse período ocorreu um aumento de 17,5% no atendimento de mulheres grávidas. A desnutrição, na faixa de até dois anos de idade, baixou de 7,6% para 3%.

Enquanto isso, os políticos e os governantes continuam famintos pelo poder para manter suas mordomias e seus interesses capitalistas coronelistas. Colocam-nos, ilusoriamente, no clube dos grandes para nos fazer sentir orgulhosos. Um povo alienado é um povo dominado. Acorda, Brasil!

terça-feira, 6 de outubro de 2009

OLIMPÍADAS E ALIENAÇÃO

Não quero ser “espírito de porco,” nem tampouco ser do contra, mas fico a pensar cá com “meus botões” sobre a escolha do Rio de Janeiro para sediar as Olimpíadas de 2016. Não me importa que seja visto como negativista.

Fico triste ao ver toda essa população desatenada da realidade política e social que comemora com ufanismo exagerado nas praças e ruas, sendo empurrada pela avalanche de prosperidade ilusória que o evento proporcionará para todo país.

Tudo me faz lembrar o marketing da ditadura militar com a Copa de 1970, com 90 milhões em ação, somente para fazer o povo esquecer das torturas dentro dos porões contra aqueles que defendiam a liberdade.

É certo que não estamos mais numa ditadura e os tempos são outros. No entanto, os governantes e os políticos de hoje usam armas parecidas, dando circo para acobertar suas mazelas.

De um canto ao outro do mapa ninguém ousa com racionalidade argumentar os fatos, com receio de ser olhado como traidor ou imbecil que não quer ver a façanha de termos entrado no clube dos grandes, mesmo que seja com pernas de pau.

O emocional verde-amarelo invadiu nossos parques e bosques, mansões e casebres, bairros luxuosos e favelas, sem se indagar ou questionar as nossas desgraças sociais. Vivemos no país das fantasias megalomaníacas.

Toda essa farra e ainda somos portadores dos piores índices de desenvolvimento humano, abaixo do Chile, Argentina e Uruguai, só para ficarmos aqui mesmo entre nossos vizinhos.

Não queremos ou não conseguimos mais avaliar que as Olimpíadas já estão sendo usadas como moeda de ouro para a perpetuação no poder dos políticos e dos cargos do Comitê Olímpico que há anos se tornaram vitalícios.

Capitalizam em cima da alienação desvairada das multidões que não enxergam que o Brasil de hoje tem 11 milhões de famílias penduradas no Bolsa Família que não conseguem sair da miséria. Que temos outros milhões de pessoas que nem contam com o Bolsa Família.

Não enxergam que o ensino brasileiro está entre os mais deficitários do mundo, em níveis comparados com nações mais atrasadas da África. Não ligam mais para os escombros deixados pela corrupção e nem cobram seriedade e ética dos políticos.

E vivemos assim, um escândalo superando o outro, sem mobilização popular, e uma Copa e uma Olimpíada fazendo nos sentir orgulhosos e desenvolvidos numa terra onde a concentração de renda é uma das maiores do mundo.

Não queremos mais saber se Sarney, Renan Calheiros, Jader Barbalho, Fernando Color e demais coligados coronéis transformam o Congresso numa Casa dos Horrores. Não queremos nem saber do castelo do deputado, construído com o nosso dinheiro.

Além do carnaval, das festas de final de ano e do futebol com torcidas loucas e fanáticas que matam, nossos olhos agora estão voltados para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

Não importa se vão superfaturar os gastos como fizeram com os jogos do Pan do Rio de Janeiro que passaram de uma previsão de R$800 milhões para quase R$4 bilhões. Não importa se esses eventos vão deixar os mais pobres de fora dos espetáculos. As promessas de empregos temporários falam mais alto.

A alienação eufórica impede que os brasileiros cobrem respeito e que não sejam mais tratados como lixo. Será mesmo que as Olimpíadas vão mudar nossa situação social e educacional? Vão melhorar a distribuição de renda e reduzir a violência?

Pelo menos é certo que vão colocar batalhões de policiais militares e civis nas ruas durante os dias da grande festa. Vão expulsar os miseráveis das calçadas e deter os excluídos, impedindo que mostrem suas caras e rostos. Vão esconder a nossa outra realidade debaixo dos tapetes persas.

Confesso que não fiz festa, não gritei, nem comemorei porque não tenho muito do que me orgulhar do meu país. Não posso camuflar as contradições, nem fazer de conta que nada sei e que nada estou vendo. Não posso me empolgar com as safadezas.

Estão colocando luminosos bonitos e encantadores na minha rua toda esburacada e sem esgoto sanitário. A minha casa está cercada de ratos por todos os lados. Contrataram uma banda desafinada para animar os bestas.

Não posso enganar a mim mesmo, nem entrar nesta festa que é somente deles. Sei que como milhões, estou fora desse banquete. Eles se sentam á mesa para depois jogar as migalhas como sempre fazem.

No mundo, mais de um bilhão de habitantes vivem com menos de um dólar por dia. O planeta está poluído. O meio ambiente degradado, terremotos, tufões, tornados, catástrofes e tempestades por todas as partes.

O capitalismo devorando nossas almas e as armas destruindo os mais fracos, enquanto se gasta bilhões no espaço sideral e em arenas luxuosas além da imaginação humana. No nosso mundo virou um manicômio de loucos.

sábado, 3 de outubro de 2009

GESTÃO METAS E ÉTICA DA OAB

As instalações da sede própria da Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Vitória da Conquista já dizem tudo sobre as realizações da Seccional da Bahia durante os últimos dois anos e noves meses de nossa gestão, especialmente no que se refere à ampliação dos serviços prestados à categoria do interior, uma das nossas prioridades.

Assim se expressou o presidente da Seccional da OBA da Bahia, Saul Quadros Filho ao conduzir as solenidades de inauguração da nova unidade de Conquista. Ocuparam ainda a mesa dos trabalhos o presidente e o vice da Subseção de Conquista, Fábio Santos Costa e Anderson Cardoso Moreira, o procurador Geral do Município, Benedito Mamédio, representando o prefeito Guilherme Menezes, o ex-prefeito José Raimundo Fontes e o conselheiro da OAB do Estado, Gilberto Dias Lima.

Com o terceiro lugar em número de advogados no Estado (a Bahia tem 30 mil, sendo 22 mil na ativa), o presidente da OAB, Saul Quadros elogiou o nível de qualidade dos profissionais de Conquista que conta com três faculdades de Direito, e tratou os colegas como família conquistense.

O ato contou com a participação de cerca de 300 pessoas entre advogados, juízes, promotores, autoridades políticas da cidade e demais convidados no auditório da entidade e ocorreu na última sexta-feira (dia 2). Na ocasião foi prestada uma homenagem aos ex-presidentes da Subseção/Conquista que está completando 32 anos de existência, com a entrega de Diplomas de Honra ao Mérito Ernesto de Sá, o primeiro presidente da OAB/Bahia, em 1932.

Foram condecorados os ex-presidentes, Coriolano Sales (primeiro), Eliezer Bispo dos Santos, Rinaldo Luz de Carvalho, Uady Barbosa Bulos, Rui Araújo Medeiros, Ubirajara Godin Ávila (falecido), Jorge Maia, Paulo de Tarso David, Gilberto Dias Lima, Alfredo José da Nova e Ronaldo Soares. Justificaram suas ausências na inauguração o Desembargador Federal do Trabalho, Roberto Pessoa, os ex-presidentes da OAB/Conquista, Eleizer Bispo dos Santos e Rinaldo de Carvalho, e Ari Moreira da Silva, tesoureiro da OAB/Bahia.

Como parte das solenidades foram ainda inaugurados o memorial dos ex-presidentes na sala Nilton Gonçalves e a placa comemorativa das instalações da nova sede, que fica próxima ao Fórum João Mangabeira. Devidamente estruturado para o desenvolvimento das atividades profissionais, o novo espaço conta com uma ampla recepção, auditório para 120 pessoas, salas de atendimento jurídico e ao advogado, sala de reuniões, setor administrativo, sala da Caixa de Assistência ao Advogado, biblioteca, além de sistema de segurança.

Ao público presente foi apresentada uma exposição de obras dos artistas Adilson dos Santos, Adelson do Prado e J. Murilo. As diversas salas receberam os nomes dos advogados Orlando Leite, Nilton Gonçalves, Emanuel Machado Lopes, além da Biblioteca Iara Cairo.

O presidente da Subseção de Conquista, Fábio Macedo fez um relato detalhado de suas atividades e da aquisição da nova sede que tem um espaço reservado para a prestação de serviços sociais à comunidade. De acordo com ele, Conquista que tem 700 advogados filiados, dos quais 350 na ativa, incluindo os municípios de Anagé, Cândido Sales, Encruzilhada, Planalto e Poções, conta agora com uma das melhores e mais modernas subseções do interior do Estado.


PRESIDENTE DESTACA METAS
E REALIZAÇÕES DA OAB/BAHIA


Em entrevista pouco antes da inauguração da sede da Subseção de Vitória da Conquista, o presidente da OAB/Bahia, Saul Quadros fez um relato das atividades de sua gestão que se encerra neste ano, dizendo que, como não poderia deixar de ser, o foco foi o advogado, especialmente as prerrogativas profissionais.

Nesse aspecto, afirmou que a OAB ajuizou duas ações contra o poder judiciário. Uma estadual e a outra no âmbito do poder judiciário trabalhista para restabelecer o horário de funcionamento pleno dessas duas justiças. Essas pretensões, segundo ele, foram vitoriosas no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O Tribunal de Justiça celebrou um acordo para que o horário voltasse a ser das 8 às 18 horas como era antes.

Além disso, informou que a OAB procurou dar prioridade a uma série de solicitações de advogados que eram desrespeitados por magistrados e delegados de polícia. Outra luta da entidade nesse período, de acordo com Saul, foi travada contra o nepotismo a nível nacional, inclusive com uma resolução no âmbito da própria Ordem dos Advogados onde não há parentes empregados.

Citou também que a Ordem da Bahia tomou posição contra a PEC do Calote Público, para ele, uma desmoralização ao próprio poder judiciário, porque os precatórios seriam pagos em prazos indeterminados. “Desenvolvemos uma ação forte junto ao Conselho Federal no que diz respeito as prerrogativas dos advogados e a valorização da nossa profissão”.

Com relação, particularmente, à Seccional da Bahia, o presidente destacou o trabalho de interiorização com uma série de benefícios, citando a instituição de salas para os advogados em diversas subseções como Conquista, Jequié, Jacobina, Porto Seguro, Valença, Itabuna, Irecê, Itapetinga, Macarani, Itambé, Itororó entre outras comarcas. Lembrou que Vitória da Conquista, por exemplo, além da nova subseção, passou a ser sede do exame de Ordem que era uma antiga reivindicação. O mesmo aconteceu em Barreiras e, posteriormente, em Feira de Santana.

Na sua avaliação, todas as outras gestões não tinham olhado para o interior como fizemos, aproveitando para anunciar que nos próximos dias 7 e 8 serão inauguradas as sedes das subseções de Itamaraju e de Teixeira de Freitas. A Ordem deu ainda continuidade à construção das sedes de Bom Jesus da Lapa e de Santa Maria da Vitória, além da recuperação de diversas unidades no interior, como Barreiras, Ilhéus (totalmente reformulado), Eunápolis, Brumado, Jequié, Ibicaraí e Paulo Afonso.

Para Saul, o advogado do interior é um herói no exercício da profissão e necessita de assistência de seu órgão de classe. Outra ação da OAB foi no sentido da instalação de diversas comarcas do interior, como a de Luis Eduardo Magalhães, bem como a nomeação de juízes para que a justiça funcionasse normalmente.

O presidente reconheceu que o Tribunal de Justiça da Bahia vem se agonizando nos últimos dois anos e, para minimizar os problemas, a OAB está sempre atenta. Nesse sentido, foi elaborado um relatório de todas as dificuldades e entregue ao ministro Gilson Dipp, corregedor do CNJ. Esse trabalho, conforme apontou, foi base para várias sugestões encaminhadas pelo Conselho ao Tribunal de Justiça da Bahia.

Ainda no âmbito interno da OAB, citou a prestação de serviços pessoais aos advogados como o recorte digital eletrônico e o recorte de uma revista especializada em leis. Na capital foi também criado o Centro de Atendimento ao Advogado (CAD) no Fórum Ruy Barbosa, com nove escritórios e salas amplas de biblioteca e de reuniões; salas no Tribunal Regional Eleitoral; e no Juizado de Brotas (Defesa do Consumidor).

A OAB Vai à Escola, em sua opinião, é hoje um dos programas mais extraordinários, que consiste numa cartilha destinada ao jovem que está cursando o ensino médio, mostrando a importância dos direitos humanos e civis. Os serviços de interiorização, segundo ele, implicam em facilitação aos advogados para possam fazer suas audiências em diversos fóruns.

No que diz respeito aos funcionários da Ordem apontou que foram estabelecidos planos de saúde para todos, inclusive do interior. Outra conquista importante foi a recuperação da situação financeira da entidade, sem aumentar a anuidade. Lembrou que na gestão passada, a Ordem chegou a ter mais de 50 títulos protestados e hoje não tem mais nada. “Estamos fazendo uma intervenção no Clube dos Advogados e desenvolvendo atividades da Escola Superior de Advocacia, com cursos de reciclagem em diversas subseções, como agora em Paulo Afonso e Itaberaba”.

TRÊS METAS PRIORITÁRIAS


Como candidato à reeleição para o triênio 2010/12, cujas eleições serão realizadas no dia 25 de novembro, Saul Quadros fez questão de enumerar diversas metas de trabalho, mas citou três prioritárias: Implantação de um Plano de Previdência Privada para os advogados (OAB Prev); realização de Seguro de Responsabilidade Civil, com parcela mínima de R$5,00 dentro da anuidade; e interligação de todas as subseções para efeitos de realização de cursos, palestras e seminários telepresenciais.

A luta pelo aprimoramento da justiça e pela prerrogativa dos advogados terá continuidade na nossa próxima gestão, bem como a ação da igualdade em favor dos afro-descendentes que sofrem discriminação até mesmo no exercício da profissão – garantiu Saul Quadros. “O trabalho vai continuar na mesma linha de valorização e defesa das prerrogativas dos advogados”.


OAB PEDE ÉTICA NO JUDICIÁRIO E CRITICA
NÚMERO DE DESEMBARGADORES DA BAHIA


Durante sua entrevista, pouco antes de inaugurar a nova sede da Subseção de Vitória da Conquista, na última sexta-feira (dia 2), o presidente da OAB/Bahia, Saul Quadros falou, entre outros assuntos, sobre a atual situação do judiciário baiano e os fatos mais recentes.

Concordou que realmente existem problemas graves. O que a Ordem deseja, de acordo com o presidente, é que a verdade seja apurada e que os culpados sejam punidos. “O judiciário é o poder mais importante do país e é preciso que se resgate a sua credibilidade, não só na Bahia, mas em todo Brasil.”

Em seguida, criticou a negligência no cumprimento dos deveres e afirmou que as audiências são marcadas com espaçamento grande e que os processos se eternizam, levando 10 a 15 anos para serem concluídos. Alertou ser urgente que se faça uma faxina ética no poder judiciário baiano para que a credibilidade seja resgatada.

Destacou que a Ordem não tem poder para interferir. O papel nosso, conforme ressaltou, é critico, de fiscalização, cobrança, vigilância e colaboração para que as medidas possam ser adotadas. Saul apontou que o CNJ é fruto desse trabalho da Ordem “e queremos uma ampliação da representação do Conselho, não apenas que seja concentrada na área de magistrados e ministros”.

Quanto a indicação dos desembargadores serem feitas pelos governos, o presidente explicou que se trata de uma questão adotada pela Constituição. Para alteração é necessário que haja uma emenda. No entanto, esclareceu que os tribunais já estão fazendo as indicações, não sendo tão somente do governador e do presidente da República. Defende que os ministros devem ficar nos cargos por um período determinado. Reconhece que o modelo precisa ser cada vez mais aperfeiçoado.

Quanto ao quadro de magistrados da Bahia, Saul Quadros lamentou que o Estado só tenha 35 desembargadores, contra mais de 120 do Rio Grande do Sul e Paraná; mais de 200 no Rio de Janeiro e mais de 300 em São Paulo. Para ele, isso é um absurdo, pois somente um pequeno grupo domina o poder judiciário do Estado. Na sua análise, a Bahia deveria ter 100 a 120 desembargadores, para a agilização dos processos.

Além da ampliação imediata do Tribunal, disse ser preciso que todas as comarcas sejam preenchidas. Como exemplo de deficiência e morosidade, citou que uma vara civil em Brumado foi criada há mais de 12 anos e até hoje não tem juiz titular. “Diversas comarcas se encontram vazias porque não se faz concursos. Se forem criadas todas as varas estabelecidas em lei, com certeza, a justiça se tornaria mais ágil”. Para finalizar, destacou que também faltam servidores para atender a população e apelou para que os poderes executivo e legislativo atuem juntos a fim de que todas reformas sejam implantadas.





quarta-feira, 16 de setembro de 2009

CARTA AO BISPO



Sr. Bispo Dom Expedito, da Cidade Eterna, rogo sua interseção junto ao Todo Poderoso para que ilumine nossas mentes, fortaleça nossos espíritos e nos socorra com seu Bastão de ministro divino para que ouçam nosso clamor.



Primeiro, abençoe as criaturas do bem e amaldiçoe os malfeitores que assaltam nossos lares e desonram nosso solo com o veneno do mal. Faça germinar nosso trigo e elimine as pragas que infestam nossos campos e destroem nossas lavouras.



Senhor Bispo, o pouco que colhemos é saqueado por roedores gigantes que saem dos esgotos e dos lugares mais féditos. Permita-me, Senhor Bispo, que eu faça a minha queixa e coloque sua reverendíssima a par do que está ocorrendo com a nossa gente.



Não temos mais a quem apelar. A nossa fé está se apagando como a luz num candeeiro em final de pavio. Confiamos no Senhor para que nos devolva a esperança. O momento é de desespero. Tudo parece perdido.



Aqui, nesta terra de Vera Cruz, está acontecendo coisas monstruosas e horrorosas que vão exigir muita penitência e reza da sua parte para exorcizar rituais macabros do diabo que tomou conta do nosso chão e de nossas almas.



Nossa história é penosa desde a colonização, cheia de tormentos, ditaduras, exploração e trambicagens. Ganhamos uma democracia, depois de quase trinta anos de tortura, que nos dá o direito da liberdade de expressar, até com xingamentos contra os senhores dos desmandos, mas a elite egoísta do poder e do capital faz pouco e debocha de nós.



Muitos, Senhor Bispo, não acreditam mais nessa democracia que foi enxovalhada e pedem o retorno da uma nova ditadura, com fechamento do Congresso que não congrega. Uma ratazana está infernizando planícies e planaltos e se refugia em palácios.



Nossa democracia é como uma moça de família que foi desonrada. Nosso grito de liberdade ficou sem serventia. Os coronéis continuam a cortar nossas carnes com suas chibatadas e ainda bebem do nosso sangue.



O que adianta essa liberdade se eles não nos escuta e estão se lixando com o povo? Nossos clamores são abafados com o cinismo. Corre à boca solta nas esquinas que o povo está preferindo uma ditadura parta acabar com a baderna. A dama foi violentada e estuprada.



Nas cidades, nas fábricas, nas escolas, nos campos e nos lares as pessoas desaprenderam a lição da mobilização e do protesto. Cada um segue sua rota individual na busca monetária para abastecer suas dispensas. Os abastados vivem em fortalezas e nossa dignidade foi esmagada.



A antiga geração se materializou na luxúria do tempo e suas cordas de aço não vibram mais. Só restaram a decepção dos acordes desafinados. A música não tem a mesma letra cheia de ressurreição e renascimento de uma nova terra como prometido. O elo foi quebrado. Partiu-se a aliança. A estrela se apagou.



A nova não toca mais o som e a melodia do despertar das consciências coletivas como fazia antigamente. Ela está sem rumo, vazia e sem guia. Foi iludida pela magia e pelo canto da sereia.



É uma geração sufocada que gera indiferença, conformismo e alienação. Está hipnotizada pelo consumismo das vitrines e pelos shows rebolados com bumbuns e corpos torneados.



Em cena uma Nação macambúzia, bombardeada pelo marketing e deprimida pela falta de perspectivas. Estão cortando nossas gargantas e nos esquartejando.



Os políticos transformaram o Congresso num bordel de prostituição orgística e são ladrões por toda parte. Não é propósito deixar Sua Reverência estupefata e levar a não acreditar no que digo, mas são escândalos que vão além da compreensão e da lógica humana.



Estão nos levando ao inferno real como pregava o Padre Vieira lá pelos idos do século XVII. Eles nos roubam como lobos de dentes afiados e famintos.



O reino virou um exército de ladroeira, não os que cortam bolsas ou furtam alimentos nos supermercados, mas os que saqueiam cidades e províncias. Os ladrões grandes enforcam os pequenos e triunfam.



É uma dor que não pode se calar, e os que silenciam diante do terror são eloquentes mudos, como dizia o pregador Vieira. A sociedade se esconde em suas casas e mansões e não quer ver o que se passa.



Os escândalos escabrosos dariam uma Folha Corrida que se estenderia em volta do Globo Terrestre. Todos ficam impunes com as mentiras. As provas não são mais provas. As assinaturas e as falas são negadas. A punição foi engavetada, e o parlamentar de todas se safa.



O rei não sabe e não vê nada. O real se tornou irreal, e o normal é ser cara de pau e malandro, Senhor Bispo. Ninguém quer ser mais honesto para não passar vergonha em público. Consumou-se a profecia do grande jurista Ruy Barbosa. Roubar é ser inteligente, e burro-otário é ser ético.



Os partidos políticos apagaram as ideologias de suas cartilhas. Um deles até prometeu mudar, reformar, ser sério, mas depois se misturou no chiqueiro com os piores porcos e ladrões de cavalos, comendo as mesmas lavagens e farelos.



Já imaginou, Senhor Bispo, que a Justiça daqui paga férias a magistrados aposentados? Que os deputados e senadores têm vales viagens para curtir o mundo com seus parentes e amigos? Que ainda têm vales refeição, vale telefone, combustível, correios e outras regalias mais, tudo pago pelos bestas eleitores que votam neles?



A multidão se enfurece nos estádios e nos carnavais como nas arenas do tempo de Nero e de Calígula. Sacia-se com o circo, mas emudece diante dos descalabros e prefere não enxergar a realidade. Os socos e os golpes não são mais contestados.



O povo não é mais dono de nada, e o público se tornou privado. As propagandas são todas enganosas. As promessas são vãs, mas a população ainda vota. Confesso, Sr. Bispo, com toda minha ira, que na próxima meu candidato será o “Dr. Nulo.” Não existe mais opção de escolha. Não dá mais para acreditar.



Encontrei um Doutor hoje, Senhor Bispo, que disse ter saudades da ditadura. Não sabemos mais quem somos, nem para aonde vamos. Temos medo que os exércitos arrombem nossas portas e nos arrastem para os porões.



Será Reverendo, que dá para nos salvar? Regenerar os pervertidos hereges e impedir que o Seu Poderoso derreta nossa aldeia com o fogo dos céus, como fez com Sodoma?

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

COMUNICAÇÃO É UMA SÓ

Conclui meu curso de Jornalismo na Facom (Faculdade de Comunicação da UFBA) lá pelos idos da década de 70, mas pelos meus quase 40 anos de profissão, entendo que em si tratando de ética e do esforço pela busca da isenção e da independência (não existem na totalidade), a comunicação é uma só. Comunicação pública e privada de que tanto falam por aí são conceitos de diferenciação de concessões. Uma é montada com recursos particulares e a outra com dinheiro do povo.



Compreendo, no entanto, que ambas, pelo menos teoricamente, devem ser leais com a informação e, acima de tudo, terem compromisso sagrado com a liberdade de expressão, sem vies ideológico e partidário. Nem uma nem outra podem ter o intuito de manipular seu público em direção a uma corrente política, grupo ou a um interesse econômico. Infelizmente, não é isso que vemos no Brasil. A pública não pode ser estatal, nem a privada ser de domínio de um grupo fechado que impeça a democratização da comunicação.



Na verdade terminei fazendo um “nariz de cera”, mas creio de utilidade para o conhecimento e até controvérsias, para provocar a discussão sobre o comentário “Promessas Vãs,” feito pelo professor de Radiojornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb, Dirceu Góes, a respeito da estrutura da TV UESB e do atraso na instalação da Rádio Educadora.



Sobre estas questões, especialmente, tenho certeza que a comunidade conquistense precisa de maiores esclarecimentos, não só através dos veículos de comunicação, mas também através de um debate aberto com a sociedade, incluindo todos seus segmentos. Será que só exigimos transparência lá dos políticos do Congresso que perdeu sua identidade para com o povo?



Aproveitando esse “gancho”, minha opinião é que a Uesb, marco do nosso desenvolvimento regional, não somente na área educacional, mas econômica, política e social, precisa se aproximar mais da população. No mundo de hoje não é mais tolerável que o academicismo seja propriedade apenas de uns. O conhecimento, o saber e as discussões têm que ser compartilhados com todos.



Bem, voltando ao comunicado aberto “Promessas Vãs”, o professor Dirceu levanta uma série de críticas quanto a TV UESB, a Rádio Educadora que ainda não está funcionando, e com relação ao Assessor da Reitoria, professor Francis José Pereira, nomeado pelo Pró-Reitor de Extensão, Paulo Sérgio Cavalcanti.



Sobre a indicação, portaria e outros termos, não quero aqui entrar no mérito da questão, pois poderia cometer um pecado grave de julgamento jornalístico num assunto de competência administrativa da instituição. Mesmo assim, o assunto requer clareza e transparência, pois se trata de uma instituição pública. Por enquanto, prefiro focar minha provocação em aspectos onde o professor Dirceu questiona o problema da ética na comunicação pública e fala de censura.



O ofício circular 013/2009 da Reitoria da Uesb, citado por Dirceu, fala que nos próximos meses o sistema de comunicação da instituição será ampliado com o início das transmissões da Rádio Educadora. O professor rebate que o “autorizo” da Rádio se arrasta há anos em Brasília e insinua falta de competência e disposição para resolver o problema.



Na verdade, como profissional e sindicalista, acompanhei a criação do curso de Jornalismo desde 1998 e há seis ou sete anos, se não me engano, já se anunciava para breve o funcionamento da Rádio. Concordo que precisamos de maior objetividade quanto a instalação do veículo.



Sobre a real situação hoje da Rádio, a Uesb e, talvez o próprio Dirceu Góes, possam detalhar melhor o quadro. Todos os equipamentos, como caixas de som, computadores, ícones sonoros, mesa e outros itens necessários já foram adquiridos? Neste ano já se pode produzir e veicular programações na Rádio e na TV?



No que diz respeito a TV UESB que já opera com seus programas noticiosos desde 2007, não se pode falar mais em fase experimental e de implantação. Quando um meio de comunicação entra no ar ou passa a circular, presume-se que antes tenha sido objeto de planejamento e estudos, inclusive com metas de produção.



No meu entendimento, a informação é como um medicamento que se coloca para uso popular. Os remédios quando entram no mercado para a venda nas farmácias passaram antes por análise de qualidade, obedecendo as indicações. A comunicação também não pode ser feita à base de experiências, pois também lida com vidas humanas.



Por fim, o professor Dirceu toca num ponto grave nos dias de hoje quando aponta arbitrariedades impostas pela Assessoria da Reitoria na televisão educativa e insinua censuras. Condena a submissão da TV à Assessoria de Comunicação da Reitoria. Confesso que não consigo entender esse entrelaçamento.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

EXPOSIÇÃO




Dê uma olhada na Exposição de Fotografia " A LUZ E O TEMPO" que está aberta à visitação pública na Livraria Letras e Prosa -Bar Café Viela, na Siqueira Campos, até o dia 31. São 25 fotos de José Silva, de João Martins, de Gunambi, e de Jeremias Macário que falam da natureza, da pobreza e do ser humano. O evento conta com apoio da Unimed e da Livraria Letras e Prosa. Vale a pena dar uma olhada, julgar, refletir e criticar. Mergulhe na Exposição a LUZ E O TEMPO.












A LUZ E O TEMPO







DO INFINITO MISTERIOSO, A ESCURIDÃO QUE EXPLODE EM LUZ E SE FAZ TEMPO E ENERGIA EM TODAS AS DIREÇÕES.

COM O TEMPO NASCE A IDÉIA DA FOTOGRAFIA NO OLHAR CURIOSO E CRIATIVO DO UNIVERSO DE ESTRELAS CINTILANTES.

O FIO DE LUZ TEM O SEU TEMPO PARA PENETRAR NA ABERTURA DAS LENTES E, NA CÂMARA ESCURA, SE FORMAR IMAGEM.

O TEMPO NÃO PARA E O PRÊTO E O BRANCO INVADEM A TELA EM CORES COMO UMA MAGIA.

NO CLICAR DA IMAGEM, BROTA A FOTOGRAFIA QUE É POESIA, LITERATURA, JORNALISMO E REPORTAGEM PARA FALAR DO BELO, DO FEIO, DO HOMEM HUMANO E DESUMANO, DOS PALÁCIOS, DOS CASEBRES, DA NATUREZA, DA VIDA, DA GUERRA, DA CRIANÇA, DO JOVEM, DA IDADE, DA LUTA, DA TRISTEZA, DA ALEGRIA E DOS SENTIMENTOS COMO NA EXPOSIÇÃO “A LUZ E O TEMPO”, de Jeremias Macário, José Silva e João Martins.

AS IMAGENS SÃO MAIS FORTES, E NA LEITURA TEM MAIS IMAGENS. É SÓ CAPTÁ-LAS.


CASO DE POLÍCIA

Não temos mesmo a quem apelar para os absurdos e para a exploração desse capitalismo debochado, predatório e predador. Vejam o caso do cartel do gás de cozinha em Vitória da Conquista onde o preço ditado pelos distribuidores é o maior da Bahia. Há poucos dias custava R$38,00 a unidade. Agora é vendido por R$40,00. Esse preço é igual em qualquer lugar. Antigamente o povo apelava para o Bispo que resolvia o problema. Atualmente a população fica como "cego num tiroteio". A questão virou caso de polícia. Mas, cadê a polícia? Cadê as autoridades? Cadê o Procon? Ninguém toma uma providência. Fazem reuniões e tudo continua no mesmo.

COMÉRCIO FEIO



Além do trânsito que sempre foi um caos, já viram como o centro comercial de Vitória da Conquista está feio? As ruas estão infestadas de camelôs, a maioria de CDs e DVDs piratas por todos os lados. As calçadas estreitas estão esburacadas e muitas delas invadidas por veículos. Para se andar é aquela dificuldade. Agora imagine os cadeirantes e pessoas com deficiência visual! Definitivamente, o centro comercial de Conquista não apresenta uma imagem agradável para os moradores quanto mais para os visitantes. Falta um ordenamento. Sabemos que o número cada vez maior de camelôs, principalmente de vendedores de produtos piratas, demosntra um quadro social grave de desemprego na capital do sudoeste que tem quase 300 mil habitantes. No entanto, os poderes públicos e a sociedade em geral não podem ficar de braços cruzados com relação ao que está acontecendo com a imagem da cidade.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

CENTRO DA CACHAÇA EM CONQUISTA

Desde a década de 90 que os produtores de cachaça da Bahia vêm lutando contra todos os obstáculos para melhorar a qualidade do produto e ampliar os mercados, inclusive no exterior. Depois de muitos debates e reuniões com entidades, técnicos e órgãos do governo, a proposta de criação do primeiro Centro de Tecnologia e Negócios de Derivados de Cachaça da Bahia deverá ser concretizada até o final do ano com sede em Vitória da Conquista.

A indicação da unidade tecnológica para oferecer suporte e assessoramento aos produtores, especialmente do sudoeste, ficou definida na última reunião do dia 28, nas instalações do Infet/Conquista (antigo Cefet), entre os segmentos interessados, representantes do Sebrae, do IEL (Instituto Euvaldo Lodi da Federação das Indústrias), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado.


Melhoria da qualidade


Dentro do Projeto Produzir da Secretaria de Ciência e Tecnologia, os parceiros discutiram detalhes e procedimentos do programa para implantação do novo centro que irá passar informações e conhecimentos necessários para que os produtores possam melhorar a qualidade da cachaça através da aprendizagem de novas técnicas de industrialização. A área comercial, visando a conquista de novos mercados, também será reforçada a partir da unidade que irá funcionar nas dependências do Infet/Conquista.

Trata-se de uma unidade de difusão e conhecimento de derivados de cachaça para todo Estado – explicou o representante da Secretaria de Ciência e Tecnologia, Djalma Barbosa. A localização do centro recaiu em Conquista pelo seu potencial econômico como rede de distribuição, contando ainda com a vantagem de ser um pólo de desenvolvimento da região sudoeste onde está concentrada grande parte da produção de cachaça do Estado, conforme análise dos técnicos e produtores.

Na verdade, o centro vai envolver todos os derivados da cana de açúcar, como a cachaça, rapadura e outros produtos, e contará com uma gestão executiva para coordenar os trabalhos de acompanhamento dos produtores no processo de industrialização e incremento de seus negócios.
A idéia do centro é justamente a de criar condições para o crescimento do setor que vem encontrando uma série de dificuldades, como a obtenção do selo de qualidade e a concorrência desleal por parte dos clandestinos com o comércio ilegal da cachaça.

De início, de acordo com Júlio Chompanis, coordenador do Programa de Desenvolvimento das Atividades Empresariais do BID, o centro irá beneficiar um universo de 300 produtores formalizados e informais do sudoeste, abrangendo as regiões de Abaira (Jussiape, Piatã e Mucugê), Caetité e Caculé, Rio de Contas e Livramento de Nossa Senhora, Piripá no Vale do Rio Gavião e Itarantim.

Os últimos detalhes para instalação do centro serão debatidos numa próxima reunião, mas ficou decido que a unidade começará a funcionar ainda neste ano. A aquisição de equipamentos para o projeto será feita pelos parceiros, mas depois o centro, que terá um executivo representante, será mantido pelas associações e cooperativas.


IMPOSTOS E A CONCORÊNCIA


As maiores dificuldades, mesmo com todas as estratégias mercadológicas montadas pelos produtores e parceiros envolvidos com a fabricação de cachaça, têm sido a alta tributação do IPI (mais de 80%) e a pesada concorrência da indústria de outros destilados, como vinhos, uísques e fermentados. A própria Cachaça Industrial ou de Coluna paga menos impostos e apresenta preços mais baixos de seus produtos.

A saída recomendada por Paulo Mesquita, do Sebrae/Bahia, para esses entraves é a participação cada vez mais intensa em feiras e eventos, bem como ações promocionais de campanhas e divulgação na área de marketing que gerem novos negócios.

De acordo com levantamentos, o volume de produção na Bahia é superior a cinco milhões de litros por ano (no Brasil cerca de 1,3 bilhão de litros), mas somente 350 a 500 mil litros no Estado são de alambiques legalizados. A cachaça de qualidade enfrenta a competitividade do produto clandestino e o preconceito do público consumidor que prefere a vodka e o uísque.

Além do mercado interno que absorve a maior parte da produção, uma das saídas é a conquista do comércio exterior. Nessa área a cachaça de Abaira já deu o primeiro passo com a venda, em março do ano passado, de um lote de 21 mil garrafas para a Itália. Existe a expectativa de mais 80 mil litros para o mesmo país neste ano de 2009 como informou Nelson Luz Pereira, membro da Coopama (Cooperativa dos Produtores Associados de Cana e seus Derivados da Microrregião de Abaira) e chefe do escritório local da EBDA). Também, participa do comércio exterior, a cachaça “Serra das Almas”, em Rio de Contas.

Há quatro anos no mercado, a cachaça “Engenho Bahia”, no município de Ibirataia (Extremo Sul), foi a primeira a receber a marca do Inmetro (no Brasil só existem 28 com essa marca) e apenas os estados do Rio Grande do Sul, Pernambuco, Minas Gerais, São Paulo e Bahia têm essa certificação.

Tanto Josafar Rebouças, diretor de Vendas da “Engenho Bahia” como o produtor Nelson Luz, de Abaira, afirmam que, apesar dos problemas, a cachaça tem crescido nos mercados interno e externo, bem como melhorado sua participação em feiras e eventos, como na Feira Coopmac-Sebrae no início do ano, em Conquista.

Além da questão da tributação, Nelson se queixa da burocratização para a Cooperativa de Abaira conseguir o selo, “mesmo com o cumprimento de todas as normas trabalhistas e da legislação”. De acordo com Nelson Luz, a região de Abaira produz hoje cerca de 150 mil litros por ano de cachaça engarrafada que é vendida pela Cooperativa a R$10,00 por unidade. A entidade vai produzir também o açúcar mascavo, o cristal e outros derivados.

Em Rio de Contas funcionam dois alambiques, a Tombad’ Ouro e Serra das Almas. Só a Tombad’Ouro produz 10 mil litros por ano que são destinados ao mercado interno. Mas, o produtor da unidade, Luis Carlos Farias garante que o sonho é conquistar o mercado externo.

Outras marcas que estão lutando pelo mercado são a Matinha (Piripá) e a Taquaril (Licínio de Almeida) da Coodecana (Cooperativa de Produtores de Derivados de Cana do Vale do Rio Gavião). Segundo o presidente da entidade, Jurandir Costa Viana, as duas fábricas produzem por ano cerca de 180 mil litros.

O Brasil possui cerca de 40 mil produtores de cachaça, sendo que mil fazem a chamada aguardente, ou a cachaça industrial. Os demais são produtores de cachaça de alambique, segundo a Federação Nacional de Produtores de Cachaça de Alambique.

A informalidade no país é estimada em mais de 90%. Na Bahia, o segundo Estado maior produtor depois de Minas Gerais, esse índice não é diferente. Existem no Estado cerca de sete mil pontos de produção, sendo 40 formais e apenas 15 de excelência.

O imposto da cachaça no Brasil é definido pelo valor do produto no mercado. Uma boa cachaça chega ao ponto de venda pagando até 83% em tributos. O produtor, então, que faz uma bebida com maior valor agregado, acaba pagando três vezes mais de imposto que a indústria.