Alô! Alô! Meu amigo e colega de Seminário da década de 60, Paulo Machado, prefeito de Senhor do Bonfim, cuidado com os “arrastões” dos carros de barulhos estridentes e ensurdecedores dos tipos “trios elétricos”, com pagodes e axé music de péssima qualidade que invadem sua cidade na época do São João! A maioria vinda de Salvador chega destruindo o clima da festa e descaracterizando uma tradição que deixou a cidade famosa por valorizar a cultura nordestina.
Fui bem recebido pelo prefeito que se fez presente todos os dias na área de shows, recebendo de braços abertos os visitantes, mas fiquei assustado com a descaracterização do legítimo São João “PÉ-de-Serra”, legado que nos deixou Luiz Gonzaga, o “Gonzagão”. A Prefeitura tem procurado preservar a tradição com suas quadrilhas e apresentações, mas senti que a festa está perdendo forças para o rebolado dos sons infernais e mecânicos que vêem de fora.
Mesmo nos palcos da Prefeitura numa imensa área de 20 mil metros quadrados, com capacidade para mais de 50 mil pessoas, as bandas misturam o ritmo com lambadas e outras batidas do rock das guitarras e das baterias, incluindo o rebolado das bundas das mulheres de pernas grossas e homens musculosos de pouco cérebro.
O próprio show de Ademário Coelho e sua banda não é mais autêntico, a não ser pelas letras de algumas músicas tradicionais do tempo. O “São João” dele já está “suingado” e misturado com outros ritmos. Algumas bandas da região ainda procuram conservar a cultura com a sanfona, o zabumba e o triângulo.
As comidas e bebidas típicas como a canjica, o mingau de milho, a pamonha, o amendoim, o “quentão” e o licor desapareceram para dar lugar ao cachorro-quente, o sanduíche, o hambúrguer e outros preparados artificiais americanos com gosto de papel e plástico como as músicas que querem introduzir no nosso São João.
Além de tudo isso, a exploração nos preços é outro fator negativo. O pessoal do interior incorporou a cultura de Salvador de explorar o visitante, cobrando preços exorbitantes nos produtos, que nem juninos são. Pra começar, a pessoa paga R$10,00 para estacionar o carro.
Para agradar e atrair público e dinheiro, as prefeituras procuraram contratar grupos de “músicos” comerciais atrelados ao mercado que nada têm a ver com o São João, só porque são considerados famosos. Cada vez mais os jovens vão se distanciando da nossa cultura e se alienando no que existe de mais superficial e degradante em termos de letras e composições musicais.
O que mais vi e observei nas ruas e praças de Senhor do Bonfim durante os festejos juninos foi uma invasão de “bárbaros” (poluidores sonoros) com carros adaptados em “trios elétricos”, soltando fumaça e agredindo o meio ambiente com sujeira. Não ouvi um som de forró tocando nesses trios. Nem isso. Eles não querem nem saber de forró, mas só perturbar pelas ruas e exibir seus “troféus” musculosos, num clima carnavalesco do axé music.
A grande maioria dos jovens (homens e mulheres) não foi curtir o São João, mas um tal “Forro do Esfrega”. O restante do tempo foi dedicado a desfilar nas ruas e portas de bares com seus carros de som, exibindo o lixo musical. E tome rebolado. Vi grupos que contratam carroceiros para agredir os animais com suas bebedeiras. Muita gente nem vai para a área dos shows públicos da Prefeitura.
Presenciei e fiquei horrorizado com um grupo que dava cachaça para um burro, e cada um deles mais pesado se revezava montando no lombo do animal, totalmente estressado e irritado. Não dava para distinguir quem era mais animal e burro. As autoridades e a Justiça precisam ficar atentas a estes fatos macabros e punir os agressores, conforme a lei.
Por falar em agressão, a “guerra de espadas” durante toda noite de quinta-feira (dia 23) nas ruas e praças da cidade foi outra que provocou terror aos visitantes. A Justiça tentou impedir na véspera, mas recuou diante dos falsos argumentos de que a “guerra” faz parte da cultura e da tradição da festa. Só se for cultura da violência. E eles falam em paz e amor.
O que observei foi muita gente, principalmente turistas, fugindo e correndo para se livrar das espadas. Eu mesmo fui vítima quando transitava de carro numa das ruas. Por duas vezes tive que mudar o veículo do estacionamento para não ser incendiado ou ter vidros e portas estouradas, causando uma explosão.
Até os blocos locais, voltados para o período junino, como o “Jegue Elétrico”, estão contaminados pelos trios, com a mistura de ritmos de pagode, arrocha e lambadas. Alguns grupos estão mais para batucadas.
Apesar de tudo, o prefeito Paulo Machado tem procurado manter a tradição da festa com um palco de forró numa praça do centro e uma feira de artesanato, além dos shows, bandas de pífanos e quadrilhas na área do São João. No entanto, os “arrastões” poluidores estão desfigurando o verdadeiro São João.
As prefeituras não podem ceder a essa contaminação e têm que ficar atentas, não pensando somente na arrecadação, optando pela quantidade, ao invés da qualidade. A Prefeitura é a responsável direta e representante do povo na preservação da cultura. Não pode ceder aos caprichos do mercado artificial do vazio cultural.
Por sua vez, o Governo Estadual através de seus órgãos só deve liberar recursos para a festa com a condição de o prefeito aplicar tão somente em atividades que dizem respeito à tradição cultural. Como está, em pouco tempo vamos ter 417 micaretas de São João no interior do Estado, verdadeiras aberrações e transgressões aos festejos juninos nordestinos.
Está de parabéns a Prefeitura de Vitória da Conquista que está sabendo resgatar a verdadeira tradição do São João, com o “forró pé-de-serra”, com as quadrilhas, com as casas de taipa, com as exposições de materiais e objetos do interior nordestino, com comidas e bebidas típicas e um conjunto de apresentações culturais da terra.
Só assim podemos, aos poucos, ensinar os jovens a respeitar as tradições culturais e vivenciar o verdadeiro São João, uma festa de todos. A Prefeitura de Conquista está no caminho certo, embora não tenha tido o reconhecimento da mídia como merece. Uma pena que a visão mercadológica esteja acima da preservação do bem cultural, mas só tentando se consegue o objetivo.
segunda-feira, 27 de junho de 2011
segunda-feira, 20 de junho de 2011
OS BANDIDOS DO SERTÃO
Como na época do faroeste nos tempos das diligências em terras de ninguém onde imperava a lei do mais forte nos Estados Unidos, na base do bang-bang, agora a Bahia virou cenário dos bandidos do sertão na era digital ou virtual, com direito a imagens cinematográficas dignas de grandes roteiros de cineastas.
Sem xerifes durões como John Wayne para abater ou dar cabo nos bandidos com seu gatilho rápido e certeiro, os homens descobriram uma mina de ouro, roubando, explodindo e assaltando caixas de bancos nas cidades desguarnecidas do interior. Sem os justiceiros e homens da lei como Zorro ou Roy Roggere com seus cavalos ensinados e ligeiros no encalço, os bandidos fogem em carros velozes e somem como zumbis nas matas ou nos agrestes.
Com armamentos e equipamentos mais sofisticados, contrabandeados e até cedidos por certos “homens da lei”, os bandidos também lembram os cangaceiros dos bandos de Lampião, Jesuíno ou Corisco. É o “Cordel Encantado”, não o novelesco e cheio de magias e sonhos, mas o Cordel realista que apavora gentes simples e cordiais do nosso tão belo e poético sertão.
Essas cenas ao vivo que mostram a impotência e a incapacidade de nossos governantes em cuidar da segurança pública, estão carecendo de um cineasta da envergadura de um John Ford, ou de um Sérgio Leone, estrelando Clint Eastwood. A trilha sonora cairia muito bem com Ennio Marricone. Que tal uma trilogia de “Três Homens em Conflito”, “Quando Explode a Vingança” e “Por uns Dólares (ou Reais) a Mais”.
Ah! Lembrei agora do Western “Sete Homens e um Destino” onde a comunidade de um vilarejo abandonado pelo poder público contrata sete homens, incluindo os astros Charles Bronson, Robert Voughn e James Coburn para proteger seus membros dos saques impiedosos dos bandidos que matam e roubam.
Também lembrei de “Butch Cassidy”, com Paul Newman e Robert Redford que deixam um rastro de fogo por onde passam até fugirem para montanhas da Bolívia. Lá fazem emboscadas e fogem em disparada. Só depois são mortos por uma tropa bem armada.
Aliás, não são das fronteiras abertas dos nossos vizinhos da Bolívia e do Paraguai, principalmente, que entram as armas e as drogas que os bandidos usam para invadir nosso sertão?
Como se não bastassem os saques feitos pelos homens engravatados de paletó, agora são os bandidos de metralhadoras e fuzis que assaltam as cidades. Estes levam os lucros extraídos do nosso suor, e os outros passam a mão desavergonhada nos nossos impostos.
Qualquer semelhança é pura coincidência, mas saindo do faroeste americano para a nossa realidade baiana, “os homens da lei” continuam vacilando, enquanto os bandidos fazem suas arruaças na corrida do ouro fácil.
Confirmam as pesquisas deles mesmos (os homens da lei) que 90% dos roubos e assaltos a bancos na Bahia de 2009 a março de 2011 aconteceram no interior. Para o interior existem 20 mil policiais quando deveria ter 54 mil. Em todo Estado são 31 mil quando deveria ter 68 mil. As cidades pequenas contam com quatro a 10 policiais que são facilmente rendidos pelos bandidos que saem atirando por todos os lados.
A propaganda do Governo diz que na Bahia tem mais. Tem mais o quê? Bandidos soltos por aí, sem xerifes para prendê-los? Tem muita gente à míngua nos corredores dos hospitais? Tem saúde e educação precárias? Tem índices negativos de desenvolvimento humano? Tem mais gente vivendo em extrema pobreza, precisando de uma Bolsa Família? Tem mais atrasos e uma Salvador suja e esburacada?
Como nos filmes do Velho Oeste, as cidades e povoados vão ter que se reunir e partilhar seus bens para contratar homens valentes e corajosos para defender suas populações dos bandidos que depois partem tranquilos em seus cavalos de aço. O Western é aqui na Bahia na terra dos bandidos fora da lei, rápidos no gatilho.
RANCOR E ÓDIO
Os defensores das cotas continuam destilando rancor e ódio, fazendo de tudo para impedir o direito à divergência. Ainda sobre a mediocridade da qual falou o escritor Ruy Espinheira Filho, um leitor indaga: por que execrar um cidadão por expressar seu pensamento?
Basta contestar posições controversas para a pessoa ser logo vista como racista e homofóbica. O preconceito é somente de quem não concorda? Para os cargos importantes na política, não se busca hoje, na grande maioria das vezes, a capacidade técnica, mas subordinados pelos votos e pelo pensamento.
No artigo “Cotas para brancos na universidade”, no jornal A Tarde, a professora Nelma Cristina Silva Barbosa, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia, fala o tempo todo dos brancos que foram sempre os maiores cotistas das instituições públicas de ensino superior.
Concordo em muitas coisas do que ela afirma como a de que o vestibular é uma ferramenta que exclui aqueles que não foram treinados em colégios particulares. Que filhos de governador e desembargador tinham suas reservas de vagas. Ainda têm.
Só que ela esqueceu, talvez por propósito, de dizer que eram brancos ricos - e ainda são – que estudam nas universidades públicas, quando deveriam ser destinadas para os pobres, sem distinção de cor. Falam de Casa Grande e a Senzala referindo-se apenas aos negros, mas esquecem de mostrar que os brancos pobres também eram e ainda são escravos desse sistema que aí está.
O filho de pais brancos, pardos, mestiços ou morenos (não entendo mais esse negócio de etnia) que recebem o Bolsa Família não deveria também ter direito à cota nas universidades? É só por causa de uma cor que se deve fazer reparação política?
Nessa discussão existem muitos argumentos vazios e clichês decadentes como chamar de conservadores racistas os que tentam debater a questão usando do seu direito sagrado de livre expressão e liberdade de pensar, sem agredir e discriminar.
Sem xerifes durões como John Wayne para abater ou dar cabo nos bandidos com seu gatilho rápido e certeiro, os homens descobriram uma mina de ouro, roubando, explodindo e assaltando caixas de bancos nas cidades desguarnecidas do interior. Sem os justiceiros e homens da lei como Zorro ou Roy Roggere com seus cavalos ensinados e ligeiros no encalço, os bandidos fogem em carros velozes e somem como zumbis nas matas ou nos agrestes.
Com armamentos e equipamentos mais sofisticados, contrabandeados e até cedidos por certos “homens da lei”, os bandidos também lembram os cangaceiros dos bandos de Lampião, Jesuíno ou Corisco. É o “Cordel Encantado”, não o novelesco e cheio de magias e sonhos, mas o Cordel realista que apavora gentes simples e cordiais do nosso tão belo e poético sertão.
Essas cenas ao vivo que mostram a impotência e a incapacidade de nossos governantes em cuidar da segurança pública, estão carecendo de um cineasta da envergadura de um John Ford, ou de um Sérgio Leone, estrelando Clint Eastwood. A trilha sonora cairia muito bem com Ennio Marricone. Que tal uma trilogia de “Três Homens em Conflito”, “Quando Explode a Vingança” e “Por uns Dólares (ou Reais) a Mais”.
Ah! Lembrei agora do Western “Sete Homens e um Destino” onde a comunidade de um vilarejo abandonado pelo poder público contrata sete homens, incluindo os astros Charles Bronson, Robert Voughn e James Coburn para proteger seus membros dos saques impiedosos dos bandidos que matam e roubam.
Também lembrei de “Butch Cassidy”, com Paul Newman e Robert Redford que deixam um rastro de fogo por onde passam até fugirem para montanhas da Bolívia. Lá fazem emboscadas e fogem em disparada. Só depois são mortos por uma tropa bem armada.
Aliás, não são das fronteiras abertas dos nossos vizinhos da Bolívia e do Paraguai, principalmente, que entram as armas e as drogas que os bandidos usam para invadir nosso sertão?
Como se não bastassem os saques feitos pelos homens engravatados de paletó, agora são os bandidos de metralhadoras e fuzis que assaltam as cidades. Estes levam os lucros extraídos do nosso suor, e os outros passam a mão desavergonhada nos nossos impostos.
Qualquer semelhança é pura coincidência, mas saindo do faroeste americano para a nossa realidade baiana, “os homens da lei” continuam vacilando, enquanto os bandidos fazem suas arruaças na corrida do ouro fácil.
Confirmam as pesquisas deles mesmos (os homens da lei) que 90% dos roubos e assaltos a bancos na Bahia de 2009 a março de 2011 aconteceram no interior. Para o interior existem 20 mil policiais quando deveria ter 54 mil. Em todo Estado são 31 mil quando deveria ter 68 mil. As cidades pequenas contam com quatro a 10 policiais que são facilmente rendidos pelos bandidos que saem atirando por todos os lados.
A propaganda do Governo diz que na Bahia tem mais. Tem mais o quê? Bandidos soltos por aí, sem xerifes para prendê-los? Tem muita gente à míngua nos corredores dos hospitais? Tem saúde e educação precárias? Tem índices negativos de desenvolvimento humano? Tem mais gente vivendo em extrema pobreza, precisando de uma Bolsa Família? Tem mais atrasos e uma Salvador suja e esburacada?
Como nos filmes do Velho Oeste, as cidades e povoados vão ter que se reunir e partilhar seus bens para contratar homens valentes e corajosos para defender suas populações dos bandidos que depois partem tranquilos em seus cavalos de aço. O Western é aqui na Bahia na terra dos bandidos fora da lei, rápidos no gatilho.
RANCOR E ÓDIO
Os defensores das cotas continuam destilando rancor e ódio, fazendo de tudo para impedir o direito à divergência. Ainda sobre a mediocridade da qual falou o escritor Ruy Espinheira Filho, um leitor indaga: por que execrar um cidadão por expressar seu pensamento?
Basta contestar posições controversas para a pessoa ser logo vista como racista e homofóbica. O preconceito é somente de quem não concorda? Para os cargos importantes na política, não se busca hoje, na grande maioria das vezes, a capacidade técnica, mas subordinados pelos votos e pelo pensamento.
No artigo “Cotas para brancos na universidade”, no jornal A Tarde, a professora Nelma Cristina Silva Barbosa, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia, fala o tempo todo dos brancos que foram sempre os maiores cotistas das instituições públicas de ensino superior.
Concordo em muitas coisas do que ela afirma como a de que o vestibular é uma ferramenta que exclui aqueles que não foram treinados em colégios particulares. Que filhos de governador e desembargador tinham suas reservas de vagas. Ainda têm.
Só que ela esqueceu, talvez por propósito, de dizer que eram brancos ricos - e ainda são – que estudam nas universidades públicas, quando deveriam ser destinadas para os pobres, sem distinção de cor. Falam de Casa Grande e a Senzala referindo-se apenas aos negros, mas esquecem de mostrar que os brancos pobres também eram e ainda são escravos desse sistema que aí está.
O filho de pais brancos, pardos, mestiços ou morenos (não entendo mais esse negócio de etnia) que recebem o Bolsa Família não deveria também ter direito à cota nas universidades? É só por causa de uma cor que se deve fazer reparação política?
Nessa discussão existem muitos argumentos vazios e clichês decadentes como chamar de conservadores racistas os que tentam debater a questão usando do seu direito sagrado de livre expressão e liberdade de pensar, sem agredir e discriminar.
quarta-feira, 15 de junho de 2011
MEDIOCRIDADE E SIGILOS ETERNOS
O artigo “A Era da Mediocridade”, de Ruy Espinheira Filho, ainda rende. No Espaço do Leitor de A Tarde, meu colega, inclusive de sala de aula de Jornalismo, Carlos Eugênio Junqueira Ayres, rebateu o deputado Luiz Alberto, dizendo estar de pleno acordo com tudo o que Ruy escreveu.
Em referência ao artigo, segundo ele, nada mais é do que defender o mérito como critério nas diversas áreas da sociedade. “Estão sim, tentando mediocrizar o povo, em vez de encaminhá-lo à excelência. Em segundo lugar, acho que o preconceituoso foi o deputado Luiz Alberto, ao puxar o discurso para o campo racial, coisa que Ruy Espinheira jamais abordou em seu artigo”.
Prossegue, afirmando que “o deputado procura, em sua vã imaginação, encontrar cabelo em bola de sinuca, inclusive sendo deselegante, chamando o escritor de racista”. Acrescentaria ainda que são cabeças desse tipo que preferem fazer apologia à mediocridade do que lutar para que o Governo preste serviços de qualidade para o povo.
Sou a favor das cotas sociais e defendo que as universidades federais do nosso país sejam reservadas para os estudantes comprovadamente pobres, sem distinção de cor. Antes das cotas, somente os mais ricos tinham maiores chances de penetrar os portões das universidades públicas.
Agora, tirando a parte que cabe aos cotistas, os ricos que estudam em bons colégios particulares arrebatam as vagas dos pobres que não são negros cotistas. A disputa continua desigual e injusta, mantendo a outra parcela de pobres de fora. Estão vendo racismo em todos os lados. O que houve com a interpretação racional?
Quem mais está sendo sacrificada com esse sistema é a camada de menor poder aquisitivo que tem que procurar as faculdades privadas de nível educacional que deixa a desejar, sofrendo para pagar uma mensalidade e ainda sujeita a ficar fora do mercado por falta de preparação curricular.
Os ricos não foram atingidos porque têm o poder do dinheiro na mão para galgar o ensino público de nível superior. Na história brasileira e do mundo, não foram os pobres quem criaram a escravidão e a exclusão social, mas a política colonizadora das elites burguesas-capitalistas, para manter suas fortunas e a concentração criminosa da renda.
No mesmo espaço do jornal, o leitor Walter Barreto de Alencar escreve que o artigo de Ruy Espinheira provocou urticária em membros da aguerrida facção dos defensores das cotas. Comenta que alguns vieram a público num flagrante desrespeito ao direito de livre expressão do pensamento.
Definitivamente, está proibido se ter senso crítico neste país. A grande maioria se acomoda para não ser fritado na fogueira da inquisição dos radicais. Não se pode mais pensar e questionar. É preciso coragem para defender a sensatez.
Ridículos, por exemplo, os comentários de Galvão Bueno e Casagrande (até chorou) na despedida do jogador Ronaldo dos gramados do futebol no jogo da seleção brasileira contra a Romênia. Entre os exageros e derrames de confetes, o jogador foi recebido aos berros como rei, herói e exemplo de vida a ser seguido por todos.
Herói do quê? Do combate à corrupção? Da luta pela ética? Onde ficam os homens de grande saber científico e cultural, ou daqueles que sempre defenderam a justiça e o bem-estar da Nação? É uma tremenda inversão de valores. Gosto de futebol, mas vivemos sim, na era da mediocridade.
SIGILO ETERNO
Mais uma decepção do Governo do PT que tanto pregou mudanças de esquerda. Para atender aos caprichos reacionários dos ex-presidentes Fernando Collor e José Sarney (vitalício presidente do Senado), o Governo apressou a retirada do Senado (Corte dos Lordes) do projeto sobre o sigilo de documentos públicos (o nome já diz tudo). O projeto estava sob regime de urgência. A explicação esfarrapada para o ato é de que a intenção é receber a colaboração de ex-presidentes.
Os dois ex-presidentes defendem sigilo eterno de documentos ultrassecretos, o que trava de vez a abertura dos arquivos da ditadura e dos torturadores. Para historiadores, sigilo eterno é coisa típica de regimes autoritários.
A retirada da urgência significa que os documentos vão cair nas mãos de Collor, coligado do PT e presidente da Comissão de Relações Exteriores. O crime compensa. Sem a urgência, o projeto tende a cair no esquecimento. Que democracia é essa onde a sociedade é proibida de ter acesso à informação?
Na Câmara ficou definido que documentos com o carimbo de ultrassecretos seriam divulgados no máximo em 50 anos depois de sua elaboração. Nenhum segredo no âmbito do Estado justifica deletar a verdade do povo. Alguns documentos precisam ser guardados por determinado tempo, mas não eternamente.
A militante baiana do Grupo Tortura Nunca Mais. Diva Santana, irmã da guerrilheira Dinaelza, não reconhece a competência de Collor para estudar a questão e defende a abertura imediata dos arquivos da ditadura. Para ela, esses documentos não representam risco à soberania.
Sobre o papo furado de Sarney de que os documentos podem “reabrir feridas”, o presidente do Tortura Nunca Mais da Bahia, Joviniano Neto diz que a maior sequela da tortura é a falta de reconhecimento social desse sofrimento. O Quartel continua nos espiando de longe.
Vamos ver se agora a “República das Mulheres”, ou do “Salto Alto” (Dilma, Gleisi e Salvatti), como já está sendo denominando o Governo, não se deixa dobrar por essas figuras puídas que sempre arrastaram o país para o obscurantismo. Parece que as idéias começam a clarear quando já existe uma posição e disposição para que o sigilo não seja eterno. Que não seja mais uma armação para nos enrolar e nos iludir.
Em referência ao artigo, segundo ele, nada mais é do que defender o mérito como critério nas diversas áreas da sociedade. “Estão sim, tentando mediocrizar o povo, em vez de encaminhá-lo à excelência. Em segundo lugar, acho que o preconceituoso foi o deputado Luiz Alberto, ao puxar o discurso para o campo racial, coisa que Ruy Espinheira jamais abordou em seu artigo”.
Prossegue, afirmando que “o deputado procura, em sua vã imaginação, encontrar cabelo em bola de sinuca, inclusive sendo deselegante, chamando o escritor de racista”. Acrescentaria ainda que são cabeças desse tipo que preferem fazer apologia à mediocridade do que lutar para que o Governo preste serviços de qualidade para o povo.
Sou a favor das cotas sociais e defendo que as universidades federais do nosso país sejam reservadas para os estudantes comprovadamente pobres, sem distinção de cor. Antes das cotas, somente os mais ricos tinham maiores chances de penetrar os portões das universidades públicas.
Agora, tirando a parte que cabe aos cotistas, os ricos que estudam em bons colégios particulares arrebatam as vagas dos pobres que não são negros cotistas. A disputa continua desigual e injusta, mantendo a outra parcela de pobres de fora. Estão vendo racismo em todos os lados. O que houve com a interpretação racional?
Quem mais está sendo sacrificada com esse sistema é a camada de menor poder aquisitivo que tem que procurar as faculdades privadas de nível educacional que deixa a desejar, sofrendo para pagar uma mensalidade e ainda sujeita a ficar fora do mercado por falta de preparação curricular.
Os ricos não foram atingidos porque têm o poder do dinheiro na mão para galgar o ensino público de nível superior. Na história brasileira e do mundo, não foram os pobres quem criaram a escravidão e a exclusão social, mas a política colonizadora das elites burguesas-capitalistas, para manter suas fortunas e a concentração criminosa da renda.
No mesmo espaço do jornal, o leitor Walter Barreto de Alencar escreve que o artigo de Ruy Espinheira provocou urticária em membros da aguerrida facção dos defensores das cotas. Comenta que alguns vieram a público num flagrante desrespeito ao direito de livre expressão do pensamento.
Definitivamente, está proibido se ter senso crítico neste país. A grande maioria se acomoda para não ser fritado na fogueira da inquisição dos radicais. Não se pode mais pensar e questionar. É preciso coragem para defender a sensatez.
Ridículos, por exemplo, os comentários de Galvão Bueno e Casagrande (até chorou) na despedida do jogador Ronaldo dos gramados do futebol no jogo da seleção brasileira contra a Romênia. Entre os exageros e derrames de confetes, o jogador foi recebido aos berros como rei, herói e exemplo de vida a ser seguido por todos.
Herói do quê? Do combate à corrupção? Da luta pela ética? Onde ficam os homens de grande saber científico e cultural, ou daqueles que sempre defenderam a justiça e o bem-estar da Nação? É uma tremenda inversão de valores. Gosto de futebol, mas vivemos sim, na era da mediocridade.
SIGILO ETERNO
Mais uma decepção do Governo do PT que tanto pregou mudanças de esquerda. Para atender aos caprichos reacionários dos ex-presidentes Fernando Collor e José Sarney (vitalício presidente do Senado), o Governo apressou a retirada do Senado (Corte dos Lordes) do projeto sobre o sigilo de documentos públicos (o nome já diz tudo). O projeto estava sob regime de urgência. A explicação esfarrapada para o ato é de que a intenção é receber a colaboração de ex-presidentes.
Os dois ex-presidentes defendem sigilo eterno de documentos ultrassecretos, o que trava de vez a abertura dos arquivos da ditadura e dos torturadores. Para historiadores, sigilo eterno é coisa típica de regimes autoritários.
A retirada da urgência significa que os documentos vão cair nas mãos de Collor, coligado do PT e presidente da Comissão de Relações Exteriores. O crime compensa. Sem a urgência, o projeto tende a cair no esquecimento. Que democracia é essa onde a sociedade é proibida de ter acesso à informação?
Na Câmara ficou definido que documentos com o carimbo de ultrassecretos seriam divulgados no máximo em 50 anos depois de sua elaboração. Nenhum segredo no âmbito do Estado justifica deletar a verdade do povo. Alguns documentos precisam ser guardados por determinado tempo, mas não eternamente.
A militante baiana do Grupo Tortura Nunca Mais. Diva Santana, irmã da guerrilheira Dinaelza, não reconhece a competência de Collor para estudar a questão e defende a abertura imediata dos arquivos da ditadura. Para ela, esses documentos não representam risco à soberania.
Sobre o papo furado de Sarney de que os documentos podem “reabrir feridas”, o presidente do Tortura Nunca Mais da Bahia, Joviniano Neto diz que a maior sequela da tortura é a falta de reconhecimento social desse sofrimento. O Quartel continua nos espiando de longe.
Vamos ver se agora a “República das Mulheres”, ou do “Salto Alto” (Dilma, Gleisi e Salvatti), como já está sendo denominando o Governo, não se deixa dobrar por essas figuras puídas que sempre arrastaram o país para o obscurantismo. Parece que as idéias começam a clarear quando já existe uma posição e disposição para que o sigilo não seja eterno. Que não seja mais uma armação para nos enrolar e nos iludir.
segunda-feira, 13 de junho de 2011
CRIMINALIZAÇÃO DO TALENTO
Passaram o “sarrafo” no meu colega jornalista e escritor Ruy Espinheira Filho só porque usando do seu direito de se expressar disse que vivemos hoje na era da mediocridade cultural e política onde o talento é criminalizado, menosprezado no lugar da incapacidade. Num artigo em um jornal da capital, o deputado Luiz Alberto foi um dos “carrascos” quando proclamou que hoje qualquer idiota pode escrever qualquer idiotice.
O senhor deputado não seria também um deles? Ou nós outros somos? Não se trata também de uma idiotice, preconceito e rancor quando o deputado classificou de racistas aqueles que são contrários às cotas? Eu mesmo não sou a favor das cotas só para negros, nem ao assistencialismo, mas defendo as cotas sociais. Só suas idéias prevalecem, senhor deputado! Isso não é patrulhamento ideológico?
Como afirmou um leitor que saiu em defesa de Ruy, o deputado gosta tanto de falar das minorias, das cotas somente para negros, mas esquece de observar que os intelectuais neste país de hoje também são minorias. São minorias também os honestos, os éticos e os que trabalham com seriedade e honradez, inclusive uns poucos políticos.
Hoje as pessoas de talento estão sendo vistas como preconceituosas e até com ameaças só porque se esforçam para falar e escrever corretamente. Quem deixou e está deixando de promover a igualdade são os governantes que não dão educação e saúde de qualidade para todos, sem distinção de cor. Com essa política enganosa de “reparação” estão criando outras injustiças e acirrando a discriminação entre o povo.
A escravidão foi um fato abominável da nossa história, mas não me venham dizer que sou o culpado pelo pecado cometido pelos antepassados, pela Igreja, pelos colonizadores e pelos senhores dos canaviais. do café e do poder que se recusaram a dar, pelo menos, um pedaço de terra para os escravos.
Acredito não ser assim que se faz uma correção, cometendo outras injustiças que só a história depois vai condenar. Nasci na roça “pegando no cabo da enxada” debaixo de sol e chuva. Meu pai era pobre e analfabeto. No Seminário estudei com bolsa da Diocese e entre mim tinha pessoas na mesma situação de etnias diferentes, se é que dizer isso. Depois que sai do Seminário, passei fome para me formar. Os pobres em geral neste país sempre foram os mais sofridos e discriminados.
Em nome de um pecado terrível comete-se outro! Os negros não são coitados, incapazes e dignos de pena. O que existe é uma acomodação e uma alienação generalizada para se exigir o que é nosso de direito, para se protestar contra as injustiças sociais. Como se não bastasse, para fazer suas médias demagógicas políticas, governos agora estão abrindo cotas para os concursos públicos.
Ora, pesquisa não detectou que os cotistas das universidades demonstraram níveis de conhecimento iguais aos não cotistas e, em certos casos, até superiores? Como se justifica essa reserva de mercado? Para que, então, essas cotas, se as bases estão niveladas? Não é premiar os incapazes e a mediocridade? Não é uma incoerência? Por que existe uma grande procura de mão-de-obra especializada e de qualidade no país sem preencher as vagas? As empresas vão ser obrigadas a receber uma pessoa mesmo que não esteja qualificada para exercer a função exigida?
É bem mais cômodo para o político fazer isso e se passar como socialista tupiniquim, do que investir pesado na educação para todos. Agora, falar e escrever correto passa a ser preconceituoso e olhado como imbecil e idiota.
A Bahia, ao lado de outros estados nordestinos como Maranhão e Piauí, tem os piores índices nas áreas de desenvolvimento social e humano. São 2,4 milhões no Estado vivendo em situação de pobreza extrema (no Brasil são 16 milhões). Nosso país tem ainda índices de desigualdade comparados com o Zimbábue.
Toda essa situação é fruto das políticas coronelistas e burguesas que ainda perduram enquanto não houver uma prioridade total para a educação. Enquanto houver uma escola debaixo de uma árvore, ou em casebres sem nenhuma condição, a desigualdade vai persistir. Enquanto nossos professores continuarem sendo desvalorizados, as diferenças vão existir. Enquanto perdurarem as políticas assistencialistas sem saídas de trabalho no mercado para as pessoas, a fome pode reduzir e aliviar as barrigas miseráveis, mas não se vai ter autoestima e cidadania plena.
Ainda não descobriram que a maioria são eles que estão no poder político e com os cargos cheios de mordomias e benesses, ao lado dos Sarneys e dos Renans Calheiros da vida. Nós sim, brancos, pardos, morenos, negros e índios pobres sem os direitos de uma escola e uma saúde de qualidade e digna somos minorias.
Depois de tanto tempo ainda continuam matando ambientalistas no Pará, no Acre, em Roraima e em toda Amazonas por negligência dos governantes, mesmo depois das vítimas terem avisado as ameaças. Os fiscais do Ibama e os agentes policiais só foram liberados com suas respectivas diárias e equipamentos, para investigar as denúncias dos ambientalistas, depois da matança. Depois mandam recados de que estão preocupados com as ameaças contra os ambientalistas, e fica nisso mesmo. Não têm recursos para dar proteção a todos.
Enquanto isso, ninguém fala mais em investigar as origens do enriquecimento milagroso de Palocci. Os mensalões vão entrar no rol dos crimes prescritos. Luis Sérgio, das Relações Institucionais, foi mandado para pescar, e Salvatti, da Pesca, para aprender a se relacionar. Um congressista brasileiro é o mais caro do mundo. Enquanto isso, ficamos aqui nos tapiando e chamando uns aos outros de preconceituosos e idiotas, achando que as políticas demagógicas vão nos salvar. Não vou mais me desgastar e me estressar com essas coisas.
O senhor deputado não seria também um deles? Ou nós outros somos? Não se trata também de uma idiotice, preconceito e rancor quando o deputado classificou de racistas aqueles que são contrários às cotas? Eu mesmo não sou a favor das cotas só para negros, nem ao assistencialismo, mas defendo as cotas sociais. Só suas idéias prevalecem, senhor deputado! Isso não é patrulhamento ideológico?
Como afirmou um leitor que saiu em defesa de Ruy, o deputado gosta tanto de falar das minorias, das cotas somente para negros, mas esquece de observar que os intelectuais neste país de hoje também são minorias. São minorias também os honestos, os éticos e os que trabalham com seriedade e honradez, inclusive uns poucos políticos.
Hoje as pessoas de talento estão sendo vistas como preconceituosas e até com ameaças só porque se esforçam para falar e escrever corretamente. Quem deixou e está deixando de promover a igualdade são os governantes que não dão educação e saúde de qualidade para todos, sem distinção de cor. Com essa política enganosa de “reparação” estão criando outras injustiças e acirrando a discriminação entre o povo.
A escravidão foi um fato abominável da nossa história, mas não me venham dizer que sou o culpado pelo pecado cometido pelos antepassados, pela Igreja, pelos colonizadores e pelos senhores dos canaviais. do café e do poder que se recusaram a dar, pelo menos, um pedaço de terra para os escravos.
Acredito não ser assim que se faz uma correção, cometendo outras injustiças que só a história depois vai condenar. Nasci na roça “pegando no cabo da enxada” debaixo de sol e chuva. Meu pai era pobre e analfabeto. No Seminário estudei com bolsa da Diocese e entre mim tinha pessoas na mesma situação de etnias diferentes, se é que dizer isso. Depois que sai do Seminário, passei fome para me formar. Os pobres em geral neste país sempre foram os mais sofridos e discriminados.
Em nome de um pecado terrível comete-se outro! Os negros não são coitados, incapazes e dignos de pena. O que existe é uma acomodação e uma alienação generalizada para se exigir o que é nosso de direito, para se protestar contra as injustiças sociais. Como se não bastasse, para fazer suas médias demagógicas políticas, governos agora estão abrindo cotas para os concursos públicos.
Ora, pesquisa não detectou que os cotistas das universidades demonstraram níveis de conhecimento iguais aos não cotistas e, em certos casos, até superiores? Como se justifica essa reserva de mercado? Para que, então, essas cotas, se as bases estão niveladas? Não é premiar os incapazes e a mediocridade? Não é uma incoerência? Por que existe uma grande procura de mão-de-obra especializada e de qualidade no país sem preencher as vagas? As empresas vão ser obrigadas a receber uma pessoa mesmo que não esteja qualificada para exercer a função exigida?
É bem mais cômodo para o político fazer isso e se passar como socialista tupiniquim, do que investir pesado na educação para todos. Agora, falar e escrever correto passa a ser preconceituoso e olhado como imbecil e idiota.
A Bahia, ao lado de outros estados nordestinos como Maranhão e Piauí, tem os piores índices nas áreas de desenvolvimento social e humano. São 2,4 milhões no Estado vivendo em situação de pobreza extrema (no Brasil são 16 milhões). Nosso país tem ainda índices de desigualdade comparados com o Zimbábue.
Toda essa situação é fruto das políticas coronelistas e burguesas que ainda perduram enquanto não houver uma prioridade total para a educação. Enquanto houver uma escola debaixo de uma árvore, ou em casebres sem nenhuma condição, a desigualdade vai persistir. Enquanto nossos professores continuarem sendo desvalorizados, as diferenças vão existir. Enquanto perdurarem as políticas assistencialistas sem saídas de trabalho no mercado para as pessoas, a fome pode reduzir e aliviar as barrigas miseráveis, mas não se vai ter autoestima e cidadania plena.
Ainda não descobriram que a maioria são eles que estão no poder político e com os cargos cheios de mordomias e benesses, ao lado dos Sarneys e dos Renans Calheiros da vida. Nós sim, brancos, pardos, morenos, negros e índios pobres sem os direitos de uma escola e uma saúde de qualidade e digna somos minorias.
Depois de tanto tempo ainda continuam matando ambientalistas no Pará, no Acre, em Roraima e em toda Amazonas por negligência dos governantes, mesmo depois das vítimas terem avisado as ameaças. Os fiscais do Ibama e os agentes policiais só foram liberados com suas respectivas diárias e equipamentos, para investigar as denúncias dos ambientalistas, depois da matança. Depois mandam recados de que estão preocupados com as ameaças contra os ambientalistas, e fica nisso mesmo. Não têm recursos para dar proteção a todos.
Enquanto isso, ninguém fala mais em investigar as origens do enriquecimento milagroso de Palocci. Os mensalões vão entrar no rol dos crimes prescritos. Luis Sérgio, das Relações Institucionais, foi mandado para pescar, e Salvatti, da Pesca, para aprender a se relacionar. Um congressista brasileiro é o mais caro do mundo. Enquanto isso, ficamos aqui nos tapiando e chamando uns aos outros de preconceituosos e idiotas, achando que as políticas demagógicas vão nos salvar. Não vou mais me desgastar e me estressar com essas coisas.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
FALA, SENHOR MINISTRO!
Com muitas coisas para falar, não sei por onde começar. Sei que muita gente não gosta do que falo e escrevo, e deve ser assim a liberdade de opinião. Se incomodo e irrito, paciência. Estou exercendo o meu direito de expressão.
O staff do PT sempre criticou a Rede Globo, dizendo ser elitista e outras coisas, mas sempre recorre a ela nas crises do Governo, dando entrevistas coletivas para explicar os deslizes e desvios de seus membros de alto escalão.
Fica sempre aquela imagem de que a Globo, no Jornal Nacional, é a porta-voz oficial do Governo. Não se trata de uma tremenda contradição? Onde fica a coerência de pensamento?
Nada contra o trabalho jornalístico da emissora e suas afiliadas, mas essa atitude do Governo não é uma grande falta de respeito com os outros veículos de comunicação? Onde fica a democratização dos meios de comunicação de que tanto fala e cobra o Governo do PT?
Por que o ministro Palocci não deu uma coletiva para falar de seu enriquecimento milagroso? Nesse episódio, as entidades representativas do jornalismo brasileiro não se pronunciaram a respeito do assunto.
O Governo, por sua vez, deveria respeitar a opinião pública. A informação não deve ser exclusividade de um só veículo quando o assunto se tornou de interesse público, e o Governo deve satisfação para a Nação.
A informação pode ser exclusividade de um veículo quando este, com seus próprios méritos profissionais, busca dar um furo de notícia. Não é o caso de Palocci que se dirigiu exclusivamente a uma emissora para tentar explicar a multiplicação dos seus pães, ou de seus bens.
No meu conceito, ele ainda não falou em público, mas para um repórter de uma emissora, desrespeitando e menosprezando os outros meios. Como jornalista e cidadão, sinto-me triste quando vejo esse tipo de coisa.
Cadê a Federação Nacional dos Jornalistas –Fenaj, a ABI – Associação Brasileira de Imprensa, a Associação Nacional de Jornais e a própria OAB que nada dizem. Nesse caso, resta aos profissionais dos outros veículos o papel de anotarem a entrevista para passarem para seu público. Ficaram privados de fazer suas perguntas, no caso de uma coletiva como deveria ter acontecido.
Será que estou ficando maluco, ou estou delirando? Devo sair de cena? Será que estou vendo fantasmas e almas penadas? Não é de hoje que fico indignado com essa incoerência do Governo que fala em democratização da mídia e, nessa hora, vira as costas para o direito da informação oficial para todos. Não posso dizer amém para essas coisas.
Tinha outros assuntos para comentar, também constrangedores, mas fica para outra vez. São coisas do jornalismo. Muitas vezes na redação temos uma manchete pronta para estampar, mas aí aparece um fato mais importante que nos leva para o outro lado.
Jamais posso concordar e me acomodar com esse tipo de incoerência absurda. O ministro não se dispôs a falar no Congresso Nacional que é e deve ser a Casa do Povo para se explicar. É o local certo para dar satisfação ao povo. Pelo menos convocasse uma coletiva de imprensa.
Achou mais cômodo dar uma exclusiva e desprezou os outros veículos. Tem medo de enfrentar uma coletiva? E não venham me dizer que é a mesma coisa. Pegou mal, senhor ministro. Não é assim que o povo deve ser tratado, com escárnio e desprezo.
Tenho o direito de expor minha indignação, mesmo que os outros milhões de brasileiros não concordem ou divirjam da minha opinião. O que Palocci fez foi uma falta de consideração. É uma humilhação. É subestimar demais a nossa inteligência e nos fazer de trouxas.
Não vou entrar em detalhes aqui se Palocci convenceu ou não. Não me digno falar sobre isso porque ele já me ofendeu e me desrespeitou, me tratando como imbecil que tudo engole e acha normal. Desce de seu pedestal, senhor ministro, e encare um batalhão de repórteres, ou deputados, se for preciso e necessário. Não vou comentar também o desempenho do repórter que o entrevistou. Não é o caso.
O senhor é um homem público. Não é de uma emissora, de um veículo só. Sempre fazem isso conosco e nada acontece. Ninguém protesta, ninguém contesta. Nossas instituições estão mesmo falidas. Perdoe-me o leitor se fui agressivo, mas não tive outra saída para expressar minha revolta.
O ministro continua sem falar para a sociedade e não vai falar. Nem considerou a rede de rádio e televisão que o Governo diz ser pública. Por que não falou para uma cadeia de emissoras? Pelo menos isso. Essa rede, senhor ministro, é do povo, pois é o povo quem paga.
Para mim não deu explicação pública sobre a evolução de seu patrimônio. Durante toda crise fugiu sempre dos repórteres como num ato solene no Palácio, às vésperas da exclusiva.
Para finalizar, o Super-Lula acabou de criar o bipresidencialismo, sem mudar nada da Constituição. Para Sarney, seu aliado, o episódio Fernando Collor quando ele foi cassado, foi um acidente que não merece ser incluído na história. O homem agora é também dono da história. Esqueçam também que houve uma ditadura e que a tortura foi uma miragem dos loucos mentais.
O staff do PT sempre criticou a Rede Globo, dizendo ser elitista e outras coisas, mas sempre recorre a ela nas crises do Governo, dando entrevistas coletivas para explicar os deslizes e desvios de seus membros de alto escalão.
Fica sempre aquela imagem de que a Globo, no Jornal Nacional, é a porta-voz oficial do Governo. Não se trata de uma tremenda contradição? Onde fica a coerência de pensamento?
Nada contra o trabalho jornalístico da emissora e suas afiliadas, mas essa atitude do Governo não é uma grande falta de respeito com os outros veículos de comunicação? Onde fica a democratização dos meios de comunicação de que tanto fala e cobra o Governo do PT?
Por que o ministro Palocci não deu uma coletiva para falar de seu enriquecimento milagroso? Nesse episódio, as entidades representativas do jornalismo brasileiro não se pronunciaram a respeito do assunto.
O Governo, por sua vez, deveria respeitar a opinião pública. A informação não deve ser exclusividade de um só veículo quando o assunto se tornou de interesse público, e o Governo deve satisfação para a Nação.
A informação pode ser exclusividade de um veículo quando este, com seus próprios méritos profissionais, busca dar um furo de notícia. Não é o caso de Palocci que se dirigiu exclusivamente a uma emissora para tentar explicar a multiplicação dos seus pães, ou de seus bens.
No meu conceito, ele ainda não falou em público, mas para um repórter de uma emissora, desrespeitando e menosprezando os outros meios. Como jornalista e cidadão, sinto-me triste quando vejo esse tipo de coisa.
Cadê a Federação Nacional dos Jornalistas –Fenaj, a ABI – Associação Brasileira de Imprensa, a Associação Nacional de Jornais e a própria OAB que nada dizem. Nesse caso, resta aos profissionais dos outros veículos o papel de anotarem a entrevista para passarem para seu público. Ficaram privados de fazer suas perguntas, no caso de uma coletiva como deveria ter acontecido.
Será que estou ficando maluco, ou estou delirando? Devo sair de cena? Será que estou vendo fantasmas e almas penadas? Não é de hoje que fico indignado com essa incoerência do Governo que fala em democratização da mídia e, nessa hora, vira as costas para o direito da informação oficial para todos. Não posso dizer amém para essas coisas.
Tinha outros assuntos para comentar, também constrangedores, mas fica para outra vez. São coisas do jornalismo. Muitas vezes na redação temos uma manchete pronta para estampar, mas aí aparece um fato mais importante que nos leva para o outro lado.
Jamais posso concordar e me acomodar com esse tipo de incoerência absurda. O ministro não se dispôs a falar no Congresso Nacional que é e deve ser a Casa do Povo para se explicar. É o local certo para dar satisfação ao povo. Pelo menos convocasse uma coletiva de imprensa.
Achou mais cômodo dar uma exclusiva e desprezou os outros veículos. Tem medo de enfrentar uma coletiva? E não venham me dizer que é a mesma coisa. Pegou mal, senhor ministro. Não é assim que o povo deve ser tratado, com escárnio e desprezo.
Tenho o direito de expor minha indignação, mesmo que os outros milhões de brasileiros não concordem ou divirjam da minha opinião. O que Palocci fez foi uma falta de consideração. É uma humilhação. É subestimar demais a nossa inteligência e nos fazer de trouxas.
Não vou entrar em detalhes aqui se Palocci convenceu ou não. Não me digno falar sobre isso porque ele já me ofendeu e me desrespeitou, me tratando como imbecil que tudo engole e acha normal. Desce de seu pedestal, senhor ministro, e encare um batalhão de repórteres, ou deputados, se for preciso e necessário. Não vou comentar também o desempenho do repórter que o entrevistou. Não é o caso.
O senhor é um homem público. Não é de uma emissora, de um veículo só. Sempre fazem isso conosco e nada acontece. Ninguém protesta, ninguém contesta. Nossas instituições estão mesmo falidas. Perdoe-me o leitor se fui agressivo, mas não tive outra saída para expressar minha revolta.
O ministro continua sem falar para a sociedade e não vai falar. Nem considerou a rede de rádio e televisão que o Governo diz ser pública. Por que não falou para uma cadeia de emissoras? Pelo menos isso. Essa rede, senhor ministro, é do povo, pois é o povo quem paga.
Para mim não deu explicação pública sobre a evolução de seu patrimônio. Durante toda crise fugiu sempre dos repórteres como num ato solene no Palácio, às vésperas da exclusiva.
Para finalizar, o Super-Lula acabou de criar o bipresidencialismo, sem mudar nada da Constituição. Para Sarney, seu aliado, o episódio Fernando Collor quando ele foi cassado, foi um acidente que não merece ser incluído na história. O homem agora é também dono da história. Esqueçam também que houve uma ditadura e que a tortura foi uma miragem dos loucos mentais.
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