quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

MISTÉRIO NO MINISTÉRIO


Os processos correm em sigilo; as reuniões, inquéritos e interrogatórios são feitos a portas fechadas; nomes dos interrogados não são revelados; testemunhas ameaçadas não falam; os policiais criminosos continuam atuando nas ruas; e quase nada de objetivo e do que interessa ao público é divulgado à imprensa.

Muito mistério e pouco esclarecimento. São assim que correm as investigações de mais de uma semana da “força-tarefa” que está em Vitória da Conquista para apurar os fatos de espancamentos, seqüestros e mortes, inclusive de adolescentes, praticados por policiais no final do mês passado, a partir do dia 28 quando foi assassinado o militar Marcelo Márcio Lima.

De lá para cá, as matérias da imprensa escrita e falada (ainda adoto a classificação antiga), inclusive da capital, têm se limitado a registros da chegada da “força-tarefa” e pautas de atividades do dia com poucas entrevistas dos personagens. Por conta do sigilo e do mistério impostos, percebe-se nas informações da mídia uma enorme lacuna em termos de objetividade e de investigação. Mesmo assim, a imprensa ainda é o fio da esperança para pressionar.

A decepção e a frustração perderam suas forças porque foram superadas pelo descrédito da sociedade nas instituições, especialmente em casos dessa natureza. É de se considerar ainda que o aumento da violência e da bandidagem; a impunidade; o vazio deixado pelo Estado na área de segurança, além de outros fatores educacionais, sociais e econômicos negativos ao longo dos anos empurraram o povo para o maior dos absurdos.

Refiro-me ao apoio de expressivas camadas da população, não só a pobre, aos policiais pistoleiros que matam, exterminam e plantam suas próprias leis e justiça na base do gatilho. Já falei aqui e repito outra vez. Em conversas nas ruas e em discussões, a grande maioria acha que a polícia tem que torturar, matar e executar mesmo. Só assim se resolve o problema. Assim pensam. Perderam a fé e a esperança que deram lugar à acomodação. As pessoas ficaram sem perspectivas.

Isso é um reflexo da degradação a que chegou a nossa sociedade por se sentir desprotegida e descrente nas leis de punição. É o reflexo da falência do Estado e de suas instituições que por muitos e muitos anos estiveram e ainda estão a serviço das elites burguesas capitalistas. É a decadência dos princípios da educação que cederam lugar à ignorância e à estupidez da criatura humana.

O Estado, por sua vez, chegou ao estado mínimo, embora cobre o máximo do cidadão, inclusive de impostos. A policia passou a ser temida como se fosse pior que os bandidos. Sem estrutura de proteção digna e segura do Estado, as testemunhas preferem ficar mudas para não serem as próximas vítimas. A lentidão se arrasta nas investigações e decisões, acentuando mais ainda o temor.

Chega de conversa e vamos diretamente aos fatos, mesmo envoltos em mistérios, sigilos e interrogações. Tudo isso deixa no ar o cheiro da impunidade. A corporação militar, (os comandantes) com todo seu aparato disciplinar e normas de plantões de trabalho, sabe os nomes daqueles que participaram das operações de terror.

Mas, mesmo depois de dias de atuação da força-tarefa, os nomes ainda não foram revelados sob alegação de que os autos de reconhecimento são apenas o início das investigações e ainda serão necessárias novas diligências – segundo o secretário de Segurança Pública da Bahia. Fossem bandidos do outro lado os nomes já estariam estampados.

Os números são desencontrados. Enquanto o Ministério Público aponta 14 assassinatos, a Polícia Civil trabalha com apenas quatro, talvez os que já foram reconhecidos por pessoas que testemunharam os assassinatos e seqüestros ocorridos durante a operação da PM em represália à morte do soldado Marcelo Márcio Lima Silva.

Sobre o policial morto não se falou nada na imprensa sobre os motivos relacionados com o crime. Ele e seu companheiro da moto estavam à paisana, subindo o Alto da Conquista. Tinham algum envolvimento? Foi um ato de vingança da parte dos traficantes? O bandido sabia que eram policiais e por que atirou? Existem outras perguntas a fazer para esclarecer.

As autoridades não revelam os nomes dos policiais, nem se vão solicitar prisão cautelar. A imprensa amordaçada, não tem acesso aos autos, nem aos inquéritos. Quatro foram conduzidos para Salvador.

Aí entra a força do corporativismo. Colegas e parentes dos militares entram em ação para impedir o trabalho do Ministério Público. Gritam e berram pedindo apoio da população, argumentando que a medida é inconstitucional. Só queria saber se a Constituição manda fazer justiça com as próprias mãos, matando, torturando e executando?

O Ministério alega que não pode pedir a prisão porque eles podem tentar fugir, destruir provas e ameaçar testemunhas. Os dois últimos atos citados já foram feitos desde o início. Fugir não é preciso. O argumento não convence.

O que aconteceu em Conquista foi uma chacina de grandes proporções e pouca comoção da comunidade. Até ontem foram encontrados na localidade de Lagoa das Flores, dois corpos das 14 vítimas executadas. Até quando vão recolher provas materiais como cadáveres e projéteis de armas para esclarecer e dar nomes?

O filósofo francês Voltaire tem um conto onde as pessoas acordam sem memória. Se elas não têm consciência de si mesmas não são nada. Homens sem memória nada sabem; não dizem nada; consentem tudo; e se deixam ser manipulados. São bonecos sem passado, sem presente e futuro. O sistema bruto fez com que a sociedade perdesse a memória.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

POLUIÇÃO SONORA E VIOLÊNCIA

Passado o carnaval do apartheid e do rebolation de Salvador que mais parece a casa dos horrores orgásticos no “vou te comer” do Lobo Mau de Ivete Sangalo, vamos falar de problemas nossos de cada dia que estão contaminando Vitória da Conquista. Um deles é a poluição sonora, e o outro é a violência assassina, inclusive da polícia, retratada no espancamento, arrombamento de casas e mortes de adolescentes.



Antes disso, (não consigo resistir) quero me deter um pouco no carnaval de Salvador e transmito aqui a narrativa do compositor Walter Queiroz Júnior na visão da sua personagem Maria Colombina. Ela se atreveu ir ao circuito e só ouviu músicas medíocres e conversas banais. Presenciou de perto a lamentável perversão da festa que um dia foi de todos, mas hoje é comandada pela elite burguesa e capitalista.



Em meio à multidão, Colombina foi esmagada e imprensada por cidadãos-rubôs embriagados que adoram estrelas fabricadas pela grana, repetindo grotescos refrões que contaminam a inocência das nossas crianças.



Mas, as mães aprovaram e incentivaram os filhos a repetir os refrões e os gestos, achando tudo lindo e sem malícia. Aliás, entraram na onda do quanto mais depravado melhor e até condenaram aqueles que criticaram a porcaria. Não adianta mais. Está tudo “dominado” como diz nossa juventude alienada e sem cultura.



A mídia dá a mão, e a Ivete Sangalo se acha a toda poderosa diva e rainha para chamar todo lixo do axé music de música baiana de maior valor artístico. Na verdade, Ivete e cia estão certos porque eles são mesmo os lobos maus dessa história que estão comendo há muito tempo lá de cima de seus camarotes e trios os pobres pipocas lenhados. Se todos lá em baixo aplaudem como escravos, ela tem mais é que dizer: “Vou te comer”.



Depois de tanta degradação, a impressão que temos é que não existem mais esperanças, nem lugar para uma provável reflexão e conscientização da sociedade. Chegamos ao nível mais alto da contradição. Enquanto o Ministério Público, Juizado e órgãos do governo fazem propaganda de combate à pedofilia e à exploração sexual, o carnaval banaliza e estimula o “vou te comer”, com direito a gestos sexuais da cantora. E ainda diz que não há nenhuma malícia nisso. Nem é mais preciso. Está tudo bem explícito.



Desculpem por ter me alongado demais nesse assunto, mas o nosso é sobre a questão da poluição sonora e da violência. Se Salvador é tida como a capital do barulho (vejam o carnaval), Vitória da Conquista está seguindo seus passos. Primeiro são os carros de som de propaganda que não obedecem ao limite dos decibéis. Aliás, não há vigilância e fiscalização para isso. Tudo corre solto por aqui.



Cada um faz sua propaganda com som mais alto para competir. Os carros param em qualquer lugar e tome barulho. O inferno começa logo cedo, inclusive nos bairros, atanazando a vida das pessoas que querem um pouco de sossego. Quando passam, as portas vibram e as janelas de vidro parecem que vão se partir.



Além dos carros de propaganda, temos que aturar ainda os imbecis frustrados, complexados e recalcados que têm necessidade de chamar a atenção com seus sons de trios de alta potência nos fundos de seus veículos. Depois de perturbarem as pessoas nos bares e restaurantes, saem rodando toda cidade a qualquer hora do dia e da noite, mostrando sua coleção de músicas de péssimo gosto de pagode e do axé music. Olha aí o carnaval de novo!



Esses caras de cabeça fútil acham que estão abafando e se sentem os donos do “pedaço”. O esporte predileto deles é exibir seus brinquedos. Na relação deles não existe ordem nem respeito ao direito dos outros. Liberdade para eles é sinônimo de individualismo e de que só eles existem, já que as autoridades e o poder publico não tomam conhecimento.



O som desses trios ambulantes invade nossos ouvidos em nossas casas e estupra nosso sagrado direito do silêncio. Não temos a quem apelar. Nos finais de semana, eles estão em todos os lugares e rodam nas ruas altas horas da madrugada, exibindo suas parafernálias com músicas horríveis.



A poluição sonora desmedida é uma das violências visíveis numa sociedade onde cada um faz o que bem entende e não existe punição e ordenamento. A outra é a violência bruta e estúpida por parte de assaltantes, criminosos e policiais que saem por aí matando, executando e fazendo o mesmo serviço sujo. Não temos proteção nem de quem deveria por lei dar proteção.



Como na degradação do carnaval, nossa sociedade sem educação de qualidade está sendo destruída por ela mesma, ao ponto de apoiar os atos de violência praticados por policiais. Ela perdeu por completo a confiança nas instituições da Justiça e não acredita mais em punição. Ela (sociedade) hoje aceita ser violentada nos seus direitos e acha que tem de ser assim mesmo. Não reage mais. Apenas aceita a matança como solução.



É só fazer uma pesquisa nas ruas e todos vão dizer que essa “força tarefa” para apurar os crimes contra adolescentes não vai dar em nada. Com a força do corporativismo, mais cedo ou mais tarde os processos emperram por falta de evidências dos autores e tudo cai no esquecimento. È a dura, cruel e triste realidade dos comentários que saem das bocas das pessoas nas ruas, nas rodas de bares e locais de encontros.



Não deveria ser assim e não gostaria de estar falando dessa maneira. mas esse é o retrato de uma sociedade que perdeu a confiança nas instituições em geral, tendo em vista os inúmeros casos de crimes engavetados que se tornaram insolúveis, principalmente quando são cometidos por policiais. Não queria dizer isso, mas me sinto enojado de ouvir aquela mesma coisa de que “vamos apurar e punir os culpados” quando o tempo passa e tudo fica na mesma.



Essa situação não acontece só em Vitória da Conquista onde vários crimes ficaram insolúveis como o assassinato do dono de jornal Alberto Oliveira, do prefeito de Manoel Vitorino, do caso da morte do marinheiro numa cela da delegacia regional, do pastor Tobas e tantos outros. Todo esse aparato para dar uma satisfação à sociedade, mas sem resposta punitiva.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

PIORES QUE OS MARGINAIS


Ia falar sobre a poluição sonora e visual em Vitória da Conquista que já está competindo com Salvador, mas a questão da violência em geral me deteve e me intimou para que eu não calasse. Não que a poluição não seja um caso de violência, mas resolvi deixar para o próximo comentário.

Na semana passada, num bairro da periferia de Conquista, policiais que foram chamados para apaziguar a agressão de uma adolescente viciada em drogas contra sua mãe usaram da brutalidade e espancaram a menina, deixando-a com seu corpo todo moído.

Só tenho a dizer que esses elementos são piores que os marginais, a grande maioria vítima de uma sociedade egoísta que virou as costas para não encarar um problema social que se arrasta há anos. Cadê o Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente? Aliás, esta instituição está aqui desaparelhada em termos de acolher o menor infrator.

Por motivos óbvios de represália, não vou citar aqui a rua, o bairro e nem nominar pessoas da família envolvida no caso. O fato é que a polícia que esteve no local se achou no direito de dar um corretivo violento na menina de menor. Enquanto durava a sessão de espancamentos com murros e tapas, os militares diziam para a adolescente que as bofetadas eram a forma dela aprender a não mais bater na mãe.

Passa na mente deles que estão ali com a missão de dar corretivos numa menor na base da pancadaria como se estivessem certos que é o procedimento indicado, e que eles podem fazer o que bem entender. Esse tipo de policial, que nunca deveria ter vestido uma farda, coloca na cabeça que tem toda autoridade para agir como bem quiser e dar “lições exemplares de educação e moral”.

Sabemos que este é mais um dos casos praticados por militares que, por mais treinamentos que tiveram na corporação, não compreenderam que o trabalho da polícia é cuidar da ordem e passar tranqüilidade e confiança à sociedade. Não assimilaram que são pagos pelo contribuinte desde os cursos de formação que receberam.

É certo que o comandante da tropa passa outra orientação e, na maioria das vezes, não toma conhecimento de um ato dessa natureza. Mas, quando se torna público, o que ouvimos sempre é que o fato será apurado e providências serão tomadas.

Só que depois tudo cai no esquecimento, e o policial que optou a entrar na carreira porque não conseguiu encontrar outra alternativa, volta às ruas. Quando o caso é mais grave, o sistema corporativo entra em ação e se aplica uma medida disciplinar administrativa. Raras vezes é afastado, e o crime segue sem punição. Nesses casos a justiça para julgar deveria ser só uma, a Comum.

O caso da menina espancada é um, mas existem policiais que fazem “parcerias” com traficantes e até chefiam quadrilhas, contribuindo para aumentar ainda mais a violência na cidade. Não estou dizendo que a corporação seja a única culpada, mas esses elementos mancham toda tropa, e as pessoas passam a temer mais a polícia que os marginais. Esses caras são piores que os bandidos porque eles vestem uma farda e são pagos para proteger a população.

Não me venham com o papo de que a polícia é despreparada; não conta com armamentos adequados; trabalha sob pressão; e ganha pouco. A sociedade está cansada de ouvir isso das excelências e dos ilustres representantes do Estado que é a figura mais culpada nesse processo todo.

Esse negócio de salário baixo é conversa fiada e não justifica em lugar nenhum o desvio de conduta. Aliás, um professor hoje está recebendo menos que um militar.

O que é necessário é o aparelho do Estado em geral ter mais rigor na seleção dos soldados, e a Justiça se respeitar e não dar sentença favorável para quem perde psicoteste nos concursos. É preciso mais rigidez nas apurações dos fatos, sem o corporativismo de sempre. É preciso que o Ministério Público seja mais ágil e faça seu papel de defensor da população. Ela precisa ser respeitada e ter voz, sem medo de ser liquidada.

Enfim, é necessário que todos esses segmentos se reúnam e tomem uma solução concreta para reduzir o banditismo, tanto do militar sujo como do marginal que caiu na criminalidade.

A Câmara de Vereadores de Conquista já realizou inúmeras sessões especiais para discutir a violência da cidade e, em todas elas, o papo dos convidados representantes da sociedade é sempre o mesmo. É cada um querendo se aparecer e defender sua instituição. Os argumentos para explicar o aumento da violência mais parecem um disco arranhado, emitindo o mesmo som ou ruído estragado, como os barulhos da axé music e do pagode com letras de péssimo gosto. De concreto mesmo só para inglês ver. Tudo fica na sombra das promessas.

Eu faço um apelo e exorto todos os segmentos da sociedade, inserindo os intelectuais, ara que façam uma reflexão sobre o tema e não se fique apenas no plano teórico da discussão. Está se falando muito em “jararaca” e outras cobras, mas se esquece da estupidez e ignorância de soldados que são a vergonha da corporação militar.

A ditadura passou, mas a tortura e a repressão continuam numa flagrante e escancarada agressão aos direitos humanos. Indivíduos fardados, por conta própria, entendem que estão acima da lei e usam o método troglodita de baixar o pau como se a eles fosse dado todo direito de punir e apagar os erros através da força.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

EM NOME DA SOCIEDADE


“Para evitar críticas, não faça nada, não diga nada, não seja nada“ – do escritor e filósofo americano Elbert Hubbard.

A grande rede familiar monopolista da informação reage contra a regulação e a formação de um Conselho Federal de Jornalismo e aí sai dizendo que é a sociedade que pressionou. Não sabia que os grandes grupos da mídia fossem porta-vozes e avalistas da sociedade. Sabia que eles fazem seu jogo de interesses capitalistas e manipulam de acordo com o nível de instrução do povo.

Assim aconteceu em 2004 quando tentaram criar o Conselho de Jornalismo. Saíram propalando que o povo derrubou o projeto. Do outro lado, grupos do governo realizam conferências montadas e prontas onde todos dizem amém e onde ninguém pode contestar sob pena de ser linchado e execrado. Depois divulgam que o tal documento foi aprovado pela sociedade.

“Não existe conversa mais tediosa do que aquela onde todos concordam” – do escritor francês Michel Montaigne.

Assim são elaborados planos e programas de cultura, comunicação (TV Pública, ou Estatal do Governo), os “orçamentos participativos”, direitos humanos, educação e outros tantos. Depois é só dizer que a sociedade aprovou. Será que não estão usando o nome da sociedade em vão?

Tudo é feito em nome da sociedade, mas quando mudam pontos ou cortam projetos, se calam. Aí, pras “cucuias” a sociedade. Os donos do poder colocam no programa o nome de comissão governamental. Por que não comissão da sociedade? Ela só serve como escora e para ser usada como testa de ferro. É preciso que se tenha mais respeito.

Com relação a mídia televisiva, os programas são feitos sob medida, a maioria de baixo nível e imoral, porque são esses que rendem bons comerciais e audiência. As novelas ensinam a ereção sexual precoce entre crianças de 10 anos. Os filmes, muitos enlatados, exploram ao máximo a violência. Os direitos humanos são violados quando se exibe e se explora em larga escala os sentimentos e a miséria.

A mídia em geral não dá o direito de resposta como determina a lei (não existe mais Lei de Imprensa). Os jornais, por exemplo, costumam responder num espaço de menor destaque do que a reportagem que caluniou ou difamou a pessoa com notícias mal apuradas e sem a devida investigação. E quando coloca a resposta num espaço menor, o veículo sempre mantém sua versão do caso, confirmando o que escreveu anteriormente.

O direito à liberdade de imprensa acaba quando não se tem ética e responsabilidade. Você perde o direito de liberdade quando apunhala o direito do outro. Nas emissoras de rádio, locutores berram e acusam cidadãos com palavrões. O tratamento entre quem tem poder, fama e muito dinheiro é diferenciado do pobre “zé ninguém”. O “ladrão de galinha” é algemado e logo condenado como criminoso digno de tortura, mas o safado de gravata recebe tratamento de doutor.

O culto á beleza do corpo e ao consumismo em larga escala é enfatizado como deuses supremos porque deles jorram os lucros que sustentam os besteiróis dos shows da vida. Nos canais de televisão, as apelações são autênticos atentados contra a ética e a moralidade, mas a prática se tornou normal e politicamente correto.

Quanto menos conteúdo e qualidade, melhor para o sistema porque assim as programações ficam no mesmo tamanho da educação e da cultura do nosso povo. Tratam-nos como imbecieis e idiotas, forjando e montando entrevistas e reportagens para satisfazer a elite.

Com raras exceções, não existe interesse e preocupação de melhoria de nível nos projetos das emissoras de rádio e televisão. A ótica é comercial no sentido de que se melhorar a qualidade não se vai ter público para consumir e cai a audiência. Fica aqui a indagação que sempre se faz: Quem veio primeiro, o ovo ou a galinha?

A discriminação e o preconceito são tapiados com falsas imagens quando se coloca uma personagem da minoria excluída entre uma grande maioria selecionada que dá maior visibilidade e retorno. Sempre prevalece a estética e a padronização do belo, mesmo que seja fútil. Como numa ilusão de ótica, transmite-se a falsa impressão do politicamente correto.

Pena que nossa sociedade, como costumam falar, também está infestada de sujeiras por todos os lados. Ela retrata o que consome. Os valores entraram em profunda decadência e cada um só quer saber de salvar sua pele, tirar proveito.

É a sociedade do carnaval que dança conforme a música rasteira e de baixo nível, como o lixo agora na figura do chapeuzinho que quer comer a menina. “Vou te comer.... “Vou te comer” arrasta multidões na festa de Ivete Sangalo, Daniela e Béu Maques. É uma sociedade que deixou de decidir e parou de pensar e refletir.

Revestidos de cunho eleitoreiro, o Fórum Social Mundial Temático da Bahia foi cheio de discursos-chavão contra poderosos e a elite. “A culpa pelos problemas sociais é das grandes corporações, dos governos elitistas, dos banqueiros ou até da grande imprensa. São setores que lutam com força para não perderem privilégios.”

Foi o discurso do ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha. Sabem daquele ditado popular que diz que “macaco não olha para o rabo”? Pois é, faltou ser sincero e reconhecer que o governo federal coligou-se com o que há de pior da elite brasileira que é uma sanguessuga da sociedade. Faltou dizer que são os banqueiros e a turma de Sarney os maiores privilegiados. Todos eles são impostores e a assim não dá para processar mudanças e reformas no âmbito da socialização. O resto é mentira em nome da sociedade.