quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

6a FEIRA COOPMAC-SEBRAE






Vem aí a 6a Edição da Feira Coopmac-Sebrae com 136 estandes que será realizada dentro da Exposição Nacional Agropecuária, Industrial e Comercial de Vitória da Conquista – a Expoconquista 2010 - no período de 20 a 28 de março. Tudo já está sendo preparado para receber cerca de 300 mil pessoas que vão circular durante os oito dias do evento.







A exposição de produtos da região sudoeste, da Bahia e de outros estados; a cultura; o Som no Parque; os rodeios; os animais bovinos, equinos, caprinos e ovinos; os leilões; os lançamentos de veículos das concessionárias; o Parque de Diversão; e muitas outras novidades vão movimentar a terceira maior cidade do Estado e pólo de desenvolvimento regional mais dinâmico do Nordeste.






SUPERAR AS EXPECTATIVAS






A festa é patrocinada todos os anos pela Cooperativa Mista Agropecuária Conquistense-Coopmac em parceria com o Sebrae, Prefeitura Municipal e outras entidades e empresas. Segundo o presidente da Cooperativa, Claudionor Dutra Neto, a Expoconquista deve ter movimentado cerca de R$50 milhões em negócios no ano passado, bem acima dos R$40 milhões previstos, mesmo com a crise econômica.







Para os visitantes que estiveram na Feira passada, a estrutura organizacional, a diversificação de itens e as atividades oferecidas durante os eventos foram os pontos de destaque. A intenção dos organizadores que contam também com a participação dos bancos do Nordeste, do Brasil e do Bradesco é superar as expectativas e melhorar ainda mais a estrutura da Exposição de 2010.







Sobre a Feira Coopmac-Sebrae, Claudionor disse, ao final da edição de 2009, que “todo empresário quer participar dessa iniciativa e esperamos que a de 2010, prevista para o período de 20 a 28 de março, se mantenha no mesmo nível porque já chegamos ao máximo da expansão”.







Nas estimativas dos expositores de produtos industriais, comerciais e de serviços em geral, a Coopmac-Sebrae ultrapassou em 2009 os R$10 milhões de negócios esperados. Na análise do coordenador regional do Sebrae/Conquista, Cláudio Cardoso, o evento superou o desempenho dos anos anteriores, sobretudo, quanto a participação dos empresários, da visitação e das vendas realizadas.








Dividindo um espaço multissetorial, com produtos e serviços de qualidade, as ações apoiadas pelo Sebrae, na região, a exemplo dos projetos Madeira e Móveis Planalto Sudoeste, Mandiocultura, Floricultura e Negócios da Cachaça fizeram muito sucesso, agradando a todos.







Além da mostra de produtos, como confecções, informática, bijuterias, destilados de bebidas, café, artesanato e artigos de couro, Cláudio apontou ainda como grande marco do evento a crescente demanda, no stand do Sebrae, por informações e esclarecimentos por parte dos pequenos empresários.







Serão realizadas palestras e cursos sobre empreendedorismo, franquias, marketing, excelência no atendimento, promoção da cachaça, movelaria, tecnologia, entre vários outros temas oferecidos, gratuitamente, ao publico.







No espaço da Coopmac-Sebrae, como aconteceu nos outros anos, vai funcionar também, na Praça da Alimentação, o Som no Parque com apresentação de músicas para os diversos gostos como o reggae, pop, rock, forró, MPB e sertanejo. O projeto deverá ter neste ano a participação de mais de 20 atrações de artistas da terra e de fora, facilitando a divulgação de cantores e compositores regionais.







A Feira, uma das melhores do interior baiano, confere visibilidade a diversas empresas da região e, na 6ª Edição, já figura como excelente opção de investimentos para os empresários que querem mostrar suas marcas.







Neste ano, o Sebrae vai ter um espaço de 270 metros quadrados. Os outros estandes vão dispor de 936 metros quadrados, sem contar a Praça de Alimentação com 60 metros quadrados e o palco de 48 metros para os artistas.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

FALSOS PROFETAS

Uma verdadeira covardia o governo federal do PT se curvar e se dobrar diante da cavalaria dos militares que ainda ecoam o som dos tambores da ditadura. Um recuo diante da inquisição implacável da Igreja que ainda mantém a sua caveira do temor. As baionetas continuam a nos degolar.



Foi assim com o Programa Nacional de Direitos Humanos, o PNDH 3 que se derreteu como neve ao sol e sal na água. Além de corrupto, nosso país também é um covarde quando se fala em abrir os arquivos da ditadura e punir os torturadores como fizeram o Uruguai, a Argentina e o Chile.



A elite coronelista capitalista, os retrógrados e os conservadores do Brasil que financiaram o regime passado continuam de armas em punho para golpear qualquer um que tente invadir sua propriedade privada. Temos doutores pintados de democratas e com pele de direitos humanos, mas que em suas entranhas incorporam o satanás do conservadorismo.



Se o PNDH 3 (já houve duas versões) foi elaborado com a participação da sociedade como alegou o próprio Governo, então, pela lógica e coerência, só poderia ser modificado e extirpado depois que novamente fosse ouvida essa sociedade. Teria que ter o consentimento dela.



Pros diabos com a verdade! O Governo preferiu cortar os dedos e ficar com os anéis do poder, mesmo sendo submisso a uma força maligna que nos atormenta por anos e suga nossas pobres almas. Se o presidente Lula é o comandante maior das Forças Armadas, os generais não poderiam se sublevar e fazer o chefe recuar vergonhosamente. Mas, essa de comandante não saiu ainda do nível teórico. Não passa de uma ilusão revelada na hora de segurar o poder.



Não vou mais ficar aqui dando murro em ponta de faca ou engolindo sapos para entender como as coisas funcionam para eles. Os fatos comprovam que de ambos os lados, tanto da dita esquerda que fala em socialização como da direita conservadora, existem falsos profetas dos direitos humanos. Existe uma moeda com duas faces malditas.



O ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, em guerra retórica com os militares, ameaçou renunciar ao cargo, mas ficou. Prevaleceu o murro mais forte na mesa dado pela elite que não quis saber da liberação do aborto, da taxação sobre grandes fortunas, retirar símbolos religiosos, acelerar a reforma agrária, criar a Comissão da Verdade para punir torturadores, entre outras questões que mexem com os coronéis.



Com quatro anos no Governo, Vannuchi não conseguiu dar desfecho ao processo de identificação de dez conjuntos de fragmentos ósseos retirados do Araguaia onde o exército executou guerrilheiros nos anos 70. No ano passado, o Governo chegou a pedir arquivamento na Organização dos Estados Americanos (OEA) da ação dos parentes das vítimas.



Em artigo no jornal A Tarde, edição de 18/01/2010, o deputado e jornalista Emiliano José desseca com propriedade como conhecedor profundo do assunto e como vítima que foi da brutalidade do regime o que aconteceu nos porões da ditadura e defende abertura dos arquivos e punição aos torturadores. Ao citar a decisão argentina, por exemplo, Emiliano diz não entender o barulho que se está fazendo no Brasil diante da possibilidade de criação da Comissão da Verdade.



Concordo quando diz que se uma pessoa desembarcasse no Brasil e não soubesse nada da nossa história, iria imaginar que não houve ditadura por aqui e que ela não torturou, matou e seqüestrou. Ele defende que a Comissão quer apurar todas as violações dos direitos humanos e não deixar que essa memória se apague. Para o jornalista, a tortura é crime imprescritível e não pode permanecer impune. Muitos foram mortos de forma covarde. Aponta ainda que 10 mil cidadãos assinaram um manifesto defendendo que os envolvidos em crimes de tortura sejam julgados e punidos.



Pois bem, o que mais me estranhou em seu artigo é que em nenhum momento, o deputado cita que o Governo do PT, que veio com mensagem inovadora e corajosa nessa área, nesses oito anos só fez recuar e se calar. Não aponta o recuo do presidente Lula diante das ameaças dos quartéis.



Mas, nós sabemos os verdadeiros motivos desse comportamento silencioso e cego diante dos fatos. É só olhar ao redor e observar o posicionamento das centrais sindicais e dos estudantes. Aliás, não existe posição, nem críticas. Nunca na história do Brasil se jogou tanta sujeira por debaixo do tapete. A esquerda se faz de cega quando o chefe diz que nada está vendo.



Na outra ponta tem o artigo do doutor em Comunicação Carlos Alberto di Franco, edição de 25/01/2010, que travestido de liberal e defensor dos direitos humanos se arma até os dentes e usa a língua para blindar a elite conservadora. Condena o PNDH em todas suas linhas e diz que o presidente teve sua imagem estilhaçada porque retirou o bode da sala, mas deixou cobras venenosas. Digo que o recuo sim, foi vergonhoso e covarde.



O doutor defende com unhas e dentes o direito de propriedade. Que propriedade privada é essa conseguida na base da exploração, do roubo e da submissão a ferro imposto ao nosso sofrido povo? Condena ainda a regulação dos meios de comunicação.



Os países mais desenvolvidos têm suas normas de regulação para que a imprensa seja livre, mas não seja irresponsável e manipuladora. O que temos no Brasil é um monopólio familiar de grandes redes. Sem essa doutor de mídia independente e formadora de opinião. O que temos é uma degradação da opinião. Nem por pensamento, defendo aqui a censura e o assassinato da liberdade de expressão. O Sr. Di Franco ficou enfurecido porque o Programa quis erradicar os símbolos religiosos dos estabelecimentos públicos. Então, só vivemos num Estado laico de mentirinha. Aliás, tudo é uma mentira e os profetas dos direitos humanos são falsos. São coniventes quando se trata de defender seus exclusivos interesses. Não temos que impor religião, nem símbolos a ninguém. Trata-se de constrangimento e lavagem cerebral e ideológica.



Até hoje ainda temos que suportar o cheiro de enxofre vindo dos porões da ditadura. A Operação Bandeirante que financiou a ditadura para matar e torturar todos aqueles que foram contra o regime ainda não se acabou. A armadura da inquisição da Idade Média ainda está presente entre nós.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

FLORES DE CONQUISTA

A qualidade das flores produzidas em Vitória da Conquista já se equipara as de São Paulo e, em alguns casos, chega a superar, tendo uma boa aceitação no mercado, inclusive em termos de competição de preços. A produção mensal de rosas, entre a cooperativa e de independentes, gira em torno de 50 a 60 mil dúzias, o que significa um volume de recursos da ordem de R$500 a R$600 mil por mês que entra na economia local.



Conquista tem ainda o maior produtor individual da Bahia da espécie de Palma de Santa Rita. O produtor José de Santana de Menezes chega a tirar por dia 500 dúzias na localidade de Lagoa das Flores que são vendidas no mercado ao preço de R$12,00 a dúzia, alcançando uma cotação bem superior ao produto oriundo de São Paulo. No geral, o preço da dúzia de rosas no Estado está em torno de R$8,00.



RENDA DA FLORALCOOP



O agrônomo e professor da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb que presta assessoria nessa área, Armínio Santos, garante que já existe profissionalismo dos produtores em Conquista, com qualidade até superior às flores de São Paulo. Essa qualidade, segundo ele, não se restringe apenas aos agricultores individuais, mas também ao cultivo da Cooperativa de Jovens Produtores de Flores – Floralcoop que conta hoje com 12 filiados.



A Floralcoop que há três anos conta com apoio do Sebrae/Bahia na área de gerenciamento de mercado e capacitação dos produtores é um projeto de iniciativa da Prefeitura Municipal que há cinco anos dava uma ajuda de custo mensal de R$30,00 para cada jovem. A produção começou com 12 dúzias por mês, atingindo oito mil dúzias em 2008. No ano passado as chuvas não ajudaram, mas para este ano de 2010 a meta é produzir entre 10 a 15 mil dúzias.



A renda de cada filiado que começou do zero já chegou a R$1.000,00 por mês, mas caiu um pouco no ano passado para cerca de R$700,00 a R$800,00. Em 2008, por exemplo, de acordo com o professor da Uesb, a renda do projeto foi de R$110 mil, devendo experimentar um salto neste ano.



O gestor do Projeto de Flores do Sebrae, Jorge Brito também assegurou que Conquista já está produzindo rosas de boa qualidade. Darlete Oliveira é uma das filiadas da Floralcoop e espera aumenta sua renda neste ano através do crescimento da produção. No ano passado, segundo ela, as chuvas foram escassas, reduzindo a produtividade.



Dentro do Projeto Flores da Bahia, com acompanhamento administrativo do Sebrae/Bahia, Barra do Choça também montou sua cooperativa com 11 associados que estão procurando desenvolver uma produção de rosas com qualidade.



O município de Maracás é hoje o maior pólo produtor de rosas com cerca de 230 famílias cooperadas que no ano passado faturaram mais de R$1 milhão, contra R$22 mil em 2000 quando deu início ao cultivo.



Outro pólo é a Chapada Diamantina (Bonito, Morro do Chapéu, Seabra, Mucugê), se bem que ainda não tem uma qualidade uniforme como em Conquista, conforme atesta o gestor Jorge Brito. Por isso, a maior dificuldade ainda é o acesso ao mercado. Em Bonito, no entanto, a maior produção é de Grisâtamos que têm mercado o ano todo.



MERCADO POTENCIAL



A produção de Conquista já é toda comercializada aqui, no sul da Bahia e em Salvador, mas 60 a 70% do mercado local ainda é abastecido por São Paulo e Minas Gerais, especialmente com as espécies Gerbras. Na Bahia, 90% das rosas ainda são exportadas, o que significa, segundo Armínio Santos, que o Estado tem um mercado potencial para ser conquistado pelos floricultores.



A maior parte das flores de Conquista é cultivada no povoado de Lagoa das Flores, entre cinco a seis agricultores individuais que dominam a produção de folhagens, Palma de Santa Rita, Áster, entre outras variedades de rosas.



A modalidade de planto mais usada é a céu aberto, mas existem produtores que usam o método de estufa. Cada hectare, bem tratado e adubado chega a produzir até 70 mil pés de rosas a um custo de R$25 mil se for a céu aberto. No caso de estufa onde as flores ficam protegidas das intempéries climáticas, esse investimento é mais que o dobro.



O professor da UESB recomenda que o iniciante de flores comece seu projeto com apenas 10 mil pés de rosas, menos que um hectare, no sistema de céu aberto para depois ampliar seu cultivo. Em termos de mão-de-obra, cada hectare chega a empregar 15 a 20 pessoas. Afirmou que as rosas sendo de boa qualidade encontram mercado fácil com preços sempre estáveis.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

TRAPALHADAS JORNALÍSTICAS



O jornalismo “moderno” perdeu a sintonia com o avanço tecnológico moderno e não consegue encontrar o caminho da informação correta e precisa, com conteúdo e qualidade. Logo que surgiram o computador, a internet, o celular e os mecanismo de comunicação instantâneos, os veículos passaram a se preocupar em treinar gente para acompanhar a evolução das máquinas, mas deixaram de lado a preparação contínua dos recursos humanos.

Erros, trapalhadas e atrapalhadas jornalísticas sempre aconteceram desde que se inventou a impressão com Gutemberguer, mas nos tempos atuais, com todo aparato moderno dos meios de comunicação, especialmente de massa dos serviços eletrônicos, os pecados são gritantes. O pior é que são trapalhadas humanas porque se passou a confiar demais e a ser escravo da tecnologia.

A cobertura jornalística do terremoto em Haiti é um prato cheio de distorções e de informações truncadas e desencontradas, sem contar as “barrigas” e o engolir de “moscas” como se diz no jargão da imprensa. É uma boa matéria-prima para os professores de Comunicação. A análise deve ser direcionada no sentido de que o jornalismo, antes de qualquer coisa, precisa ser feito com responsabilidade, ética e compromisso para com o público.

Para começar, as notícias do Haiti só começaram a fluir nas emissoras de televisão um dia depois do terremoto, com informações confusas e capadas dos sites e blogs da internet. A cena mais comum que se viu foi de repórteres descendo dos aviões carregados de máquinas e todo tipo de parafernália, mas sem saber o que fazer, nem como transmitir a informação correta.

Muita gente nem sabia em que parte do Globo estava, mais por falta de conhecimento histórico e geográfico do país. Tivemos que aturar cenas repetidas por diversas vezes na televisão para fechar espaço. Repórter entrevistava repórter que passava o tempo ruminando palavras porque não tinha apuração dos fatos. Percebia-se a enrolação. Pode até ser um pequeno detalhe, mas chutaram a população da capital Porto Príncipe. Num noticiário era de dois milhões. No outro já era de três milhões de habitantes.

A maior parte do tempo foi ocupada com sensacionalismo e com a exploração da tragédia nas lágrimas demoradas de imagens paradas dos parentes dos mortos. O sentimentalismo prevaleceu em busca da audiência desenfreada e desorganizada. O que se observa é que os profissionais da imprensa nos tempos atuais estão contaminados pelo vírus incurável da tecnologia.

A imprensa escrita – é assim que eu ainda a classifico – só fez engolir “moscas” e tomar “barrigadas”. Primeiro, a cobertura deixou a desejar em termos de conteúdo. Segundo, o noticiário só começou a aparecer dois dias depois do terremoto. Não se faz mais edições extras como faziam antigamente, mesmo com todo avanço da tecnologia. Terceiro, os jornais do país (quase todos) deram fotos de manchetes de primeira página que não eram da tragédia do Haiti.

O jornal A Tarde, por exemplo, publicou matérias retificando de que a foto, na verdade, era de um terremoto da China, em 2008. Para completar, dias depois traz outra matéria explicando que a foto era do Chile. Durma com um barulho desses! Isso não é mais nem ruído de comunicação. É uma poluição sonora do tamanho da de Salvador, com 600 decibéis.

O imediatismo não pode falar mais alto que o bom senso humano de procurar passar uma informação correta, comprometida com o público leitor. Não é desculpa argumentar de que ninguém lê legenda de foto. Por isso engoliram a “pegadinha” vinda de um blog ou coisa parecida? Pouco espaço se deu à história do país e do seu povo sofrido desde o colonialismo francês.

Não temos mais um jornalismo interpretativo, opinativo, crítico e mais profundo dos fatos, com retrospectivas e análises para que o leitor e o telespectador possam se situar melhor e compreender o que está acontecendo. Existe muita tecnologia e pouco conteúdo, profissionalismo e preparo humano. Os repórteres só querem ir pelo caminho mais fácil, sem ter o cuidado de elaborar e publicar uma matéria digna para o seu público.

Com a evolução da internet e com as facilidades de contatos rápidos através das diversas modalidades de comunicação, depois do telex e do fax, os jornalistas hoje são multimídias e passam mais o tempo nas redações, de olho nas máquinas que nas ruas e nos campos onde estão as fontes e os fatos, matérias-primas das matérias.

Boa parte das reportagens é feita por telefone ou via e-mail, para economizar tempo, recursos e esforços. O imediatismo mais acelerado da notícia com a evolução da tecnologia deixou a imprensa, especialmente, a escrita, desnorteada e sem rumo certo para conquistar o seu público e sobreviver frente à internet.

O repórter não arregaça as mangas e as calças como antes. Deixou de, pessoalmente, olhar no olho do entrevistado, para ficar de olho na resposta do e-mail que é transmitida sem emoção e sem sentimento. A entrevista olho no olho, ou no local onde está ocorrendo o fato, contém bem mais profundidade, conteúdo e seriedade.

Diante de toda essa tecnologia, os jornais perderam o caminho e não conseguiram encontrar a saída, qual seja a volta ao jornalismo do contato pessoal com a fonte e com o local dos acontecimentos. Só o conteúdo, a informação correta de qualidade, a responsabilidade e o compromisso sério com o público podem salvar esse jornalismo tragado pela máquina do tempo.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

O LEITE DE LAGOA REAL



Um projeto de sucesso de renda familiar e inclusão social que começou há cerca de cinco anos com uma pequena produção diária de 350 litros de leite e hoje está em torno de quatro mil litros, com perspectivas de aumentar neste ano de 2010.

Trata-se da Cooperativa dos Produtores de Leite e Cereais de Lagoa Real com cerca de 200 filiados que injeta por ano quase R$1 milhão na economia do município, situado na região sudoeste, entre Guanambi e Caetité, com pouco mais de 13 mil habitantes.


AGRICULTURA FAMILIAR


O presidente da Cooperativa, José Ancelmo de Freitas Júnior cita que 99% dos associados estão incluídos na categoria de agricultura familiar com uma média diária de produção de 20 litros, mas tem produtor com 200 e 400 litros, e até uma mulher com apenas dois litros. No entanto, a maior parte dos produtores tira de 10 a 15 litros por dia.

Quem produz 200 litros por dia, ao preço de R$0,60 por litro ao produtor, chega a ter uma renda mensal de R$3.720,00. O de 400 litros percebe o dobro disso. Já a produtora de apenas dois litros recebe R$120,00 que servem para ajudar nas despesas da casa.

As diferenças de produção não importam. Todos têm o direito de entregar o produto para a usina da Cooperativa que tem uma capacidade de processamento diário de seis mil litros. O leite é pasteurizado e parte é transformada em queijo, iogurte e manteiga que são comercializados no mercado interno.

Com toda essa produção avançando através do manejo de pasto e melhoramento genético do rebanho Girolando, a Cooperativa pretende ampliar sua capacidade de processamento para 10 mil litros diários, conforme anunciou o presidente da entidade. Para tanto devem ser investidos R$186 mil no novo projeto.

A fábrica de processamento foi financiada uma parte pela CAR e outra através da Codevasf. Os produtores estão entusiasmados com a viabilidade de expansão da usina e já estão preparando para melhorar a produtividade e ganhar mais com as vendas.

José Ancelmo conta que a Cooperativa foi montado a partir do Programa Fome Zero do governo federal, com a produção inicial de 350 litros por dia, e hoje a iniciativa já é uma realidade. A estruturação administrativa e a capacitação gerencial da entidade são dadas pelo Sebrae/Bahia, inclusive com a realização de cursos na área de comercialização e vendas.

No ano passado o Programa Fome Zero pagou ao produtor o preço de R$0,60 por litro, mas agora em fevereiro o valor vai passar a ser de R$0,70. Ancelmo disse que a partir do melhoramento genético e treinamento técnico aos produtores sobre manejo e utilização balanceada de ração, cada vaca Girolando produz de cinco a 40 litros de leite por dia. “Estamos fazendo um padrão racial e é uma raça que se adapta muito bem ao clima da região”.

O presidente destacou que hoje essa produção de leite dos filiados está movimentando a economia local, com aumento das vendas no comércio da cidade. Além do leite, os produtores contam ainda com a geração de renda do cultivo das lavouras de mandioca, milho e feijão.

Citou que o Programa Fome Zero, por exemplo, paga quinzenal pelo produto recebido e quando atrasa o pagamento percebe-se um reflexo negativo com a queda na movimentação financeira das atividades em geral do município.

TILÁPIAS DO SUDOESTE

A comercialização ainda é um desafio a ser vencido, mas a produção de tilápias das associações de pescadores de Itapetinga, Potiraguá, Floresta Azul, Tremedal e Caraíbas só tem crescido nos últimos anos. A renda média mensal do criador, a maioria trabalhadora da agricultura familiar, também aumentou, passando dos R$200,00, há dois anos, para quase R$400,00 atualmente.



Com apoio da Bahiapesca no fornecimento de alevinos, o projeto de piscicultura das associações compostas de 15 a 18 famílias em cada município, conta ainda com a logística de acesso de mercado do Sebrae/Bahia na região sudoeste e funcionam há três anos, complementando a renda dos pequenos agricultores.




MAIOR GARGALO



O consultor do Sebrae e produtor João Sérgio Carvalho reconhece que a comercialização ainda é o maior gargalo dos projetos, mas é uma etapa que está sendo conquistada aos poucos através, principalmente, do trabalho de estímulo ao consumo de pescado na região. Ele disse que a demanda existe. Para ganhar esse mercado, segundo Sérgio, está sendo montada uma logística de comercialização para fora da região.



Para se ter uma idéia, somente nos municípios de Itapetinga, Potiraguá e Floresta Azul com os métodos utilizados de tanques-redes (Floresta Azul) e tanques escavados, a produção de 50 toneladas em 2008 pulou para 70 toneladas no ano passado e se espera alcançar as 90 toneladas neste ano de 2010.



João Sérgio informou que desde outubro do ano passado estão sendo feitos povoamento nos tanques para atender a demanda durante a Semana Santa quando o consumo aumenta bastante. De toda produção, 70 a 80% são destinados ao mercado interno da região, mas a idéia é expandir as vendas para Salvador e Paulo Afonso.



Esses projetos de piscicultura que dão sustentação de renda a dezenas de famílias estão ativos desde 2003, mas somente a partir de 2005/06 o Sebrae/Bahia passou a atuar, ajudando na formação das associações que trabalham com 15 a 18 famílias cada. O poder aquisitivo dessas famílias participantes do projeto tem crescido entre a 10 a 15% anualmente, conforme assinala João Sérgio.



Os criadores de tilápias de Itapetinga, por exemplo, ainda se queixam do pequeno consumo por habitante, mas o índice vem aumentando. No início, Itapetinga não consumia nem 100 quilos por semana, mas hoje já chega a 1.300 quilos. “São cincos anos de trabalho que está dando bom resultado” – apontou o consultor João Sérgio. Mesmo assim, a produção continua aumentando mais que o consumo.



A alternativa para incrementar a produção é a utilização do tanque-rede, mas depende da abundância de água. No método de tanque escavado, a produção é de 1,5 a 2 peixes por metro cúbico, enquanto no tanque-rede se tem uma média de 150 a 200 por metro cúbico. No primeiro ao segundo ano de cultivo, a produção de 600 a 700 quilos por metro já paga todos os custos. No escavado não dá para tirar dois quilos por metro cúbico.



Também os projetos de Tremedal e Caraíbas, implantados pela Bahiapesca, estão contando com gestão associativa do Sebrae. Nesses municípios, o sistema é de tanque-rede, utilizando a barragem do DNOCS, em Anagé.



Esses projetos são mais recentes, mas a produção já vem registrando acentuado crescimento, especialmente em Caraíbas, cuja associação de pescadores já produziu 10 toneladas no ano passado. Em Tremedal a produtividade foi bem menor devido a escassez de água e a mortalidade de peixes.



Em Jequié, a Bahiapesca montou 40 tanques através da Associação de Pescadores de Canoão, e em 2009 chegou a comercializar aproximadamente 15 toneladas de pescado. São 18 famílias atendidas e cada uma faz uma média de R$300,00 a R$400,00.



Todos esses criadores, até antes dos projetos das associações só tinham como renda o cultivo da agricultura de subsistência, como milho, feijão e mandioca. Agora eles têm o pescado como complemento para o sustento de suas famílias, melhorando a qualidade de vida. O objetivo principal, de acordo com João Sérgio, é a inclusão social dessas pessoas.



Para todos os projetos, a Bahiapesca fornece gratuitamente os alevinos para as associações. Somente no ano passado foram doados 350 mil alevinos, devendo aumentar esse volume neste ano de 2010.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

UM INFERNO ESQUECIDO


Centenas de anos e os países mais desenvolvidos do mundo não resolveram o problema de miséria do pequeno Haiti, no Caribe, próximo à ilha de Cuba. Durante todo esse tempo só fizeram invadir como França e Estados Unidos. Agora com a catástrofe do terremoto, dezenas de bondosas nações apressam o passo para socorrer as vítimas que já viviam abandonadas em suas trágicas condições humanas e entregues às intempéries da natureza.

É louvável o mundo todo prestar sua ajuda, mas é lamentável e triste quando se sabe que a humanidade só se solidariza nas tragédias de mortes e dor. Já parou para refletir que em toda sua história, o Haiti só é lembrado nessas épocas e nas invasões de países para mostrarem força e poderio, mudando governos, regimes, sistemas e destinos.

Assim fizeram os Estados Unidos por diversas vezes, principalmente quando sentem qualquer sinal de socialização de governo. Os Estados Unidos temem outra Cuba perto deles e aí usam a força bruta para decidir conflitos contrários aos seus interesses, como fizeram em El Salvador, na Guatemala, em Costa Rica, na Nicarágua, no Panamá e na própria Cuba, só para ficar naquela zona da América Central.

Agora também está lá o Brasil fazendo o mesmo papel de invasor com outras forças da ONU. O Brasil também tem seu interesse particular de ter uma cadeira permanente nas Nações Unidas e, por isso, está vendendo sua alma ao diabo para conquistar essa posição.

A mídia também faz sua parte suja do jogo quando deixa de mostrar a verdadeira história e realidade do Haiti e, principalmente, quando diz que aquele povo tão sofrido adora os brasileiros. Quem gosta de ver invasor e tropas de coturnos forasteiros pesados, pisando em seu território, em sua casa? Não é verdade o que propalam. É mais uma mentira.

Desde 2004 que lá estão tropas estrangeiras de várias partes do mundo, quando durante esse curto espaço de tempo as nações mais ricas, se quisessem, já teriam resolvido boa parte dos problemas econômicos, sociais e de educação do desgastado Haiti. O que o Haiti precisa não é de tropas, mas de infraestrutura e de condições viáveis de desenvolvimento, de aumento de renda e de emprego para reduzir suas desigualdades.

Se o Haiti tivesse tido antes essas condições de sobrevivência, estrutura e segurança, já teria logo minimizado os efeitos horríveis dessa catástrofe, com o salvamento mais rápido de vidas humanas, menos sofrimento e até com perdas econômicas de menores proporções.

De todas os cantos do mundo partem aviões carregados de alimentos e reforços, o que não deixa de ser uma ação emocionante e elogiável. Há anos que o povo haitiano espera atos duradouros dessa natureza, mas nunca chegaram como deviam. A tragédia humana está aí todos os dias, mas eles (os ricos) só se importam em investir em armas e destruir o planeta.

Multidões descem dos céus e delas está a mídia com suas parafernálias para se fartar do sentimentalismo e do espetáculo da miséria. Dentro dos escombros, como nas guerras, já até elegeram um personagem símbolo da tragédia que é uma pobre menina sobrevivente desse inferno do qual esqueceram que existia naquelas bandas do Caribe. Na descida, muitos devem ter indagado: Que país é esse? Onde estamos?

Nessa hora, a mídia, especialmente a televisiva, se foca mais na esfera do sentimentalismo, nas lágrimas derramadas paradas nas imagens, na exploração da miséria, no emocional e esquece de passar as informações jornalísticas corretas e objetivas. Para ocupar o tempo, fica repórter entrevistando repórter que fica mastigando palavras soltas para dar respostas vazias. As informações são desencontradas, mesmo com toda evolução tecnológica dos tempos modernos.

Depois que tudo se acabar e não houver mais notícias; depois que os mortos estiverem enterrados nas valas rasas de um chão amaldiçoado pelos os homens e pelos deuses, todos levantam acampamento; juntam suas tralhas e vão embora, deixando para trás o Haiti do horror que mais uma vez serviu de manchetes para o mundo.

O Haiti é um país destroçado e marcado por contrastes em todos os sentidos. Foi o primeiro país com maioria de população negra a conquistar a independência em 1804, mas continua dependente, oprimido e castigado por invasores e exploradores como nos tempos coloniais.

Antes da independência, libertou os escravos em 1794, mas continua subjugado e escravizado em pleno século XXI. Esse povo continua a estampar aos olhos do mundo os piores níveis de vida na terra. Na verdade, nunca foram donos de si mesmos. Mais de 80% vivem com menos de dois dólares por dia. O grande desafio da população é fazer uma refeição por dia. Não sabem o que é dignidade e cidadania.

Na segunda metade do século XIX e início do século XX, 20 governantes se alternaram no poder. Desses, 16 foram depostos ou mortos. Entre os anos de 1915 e 1934, o pobre e indefeso Haiti foi covardemente invadido por tropas do Tio Sam.

No ano de 1947 foi iniciada a ditadura terrorista de François Duvalier, o chamado Papa Doc. Esse carniceiro utilizava sua tropa para perseguir e matar a oposição. Morreu em 1971 e, seu filho, Jean-Claude Duvalier, conhecido como Baby Doc que sucedeu o pai foi ainda pior. Foi tanta opressão que em 1986 foi obrigado a fugir do país depois de ter decretado estado de sítio.

Novo presidente foi eleito, mas só passou cinco meses no cargo. As patas dos Estados Unidos sempre se fizeram presentes sobre as decisões do povo e sempre acobertaram as ditaduras tiranas. O gigante não pode ser contrariado.

Mas, tudo parecia se acalmar com as eleições de 1990 do padre Jean-Bertrand Aristide. Pressões fizeram com que ele fosse deposto um ano depois. Haitianos tentam se refugiar nos Estados Unidos e em 1994 a ONU decreta bloqueio total na Nação.

Depois da invasão norte-americana, sempre eles no cenário quando percebem sinais de socialização, Aristide retorna ao governo, mas encontra seu país mergulhado em crise. Em 2000 houve novas eleições e Aristide é acusado de fraude no pleito. Estouram conflitos por todos os lados e forças ocultas forçam a renúncia do presidente, até hoje não explicada pela mídia.

Aí entra a missão da ONU, e o Brasil lidera com tropas para patrulhar o povo. Para mostrar sua grandeza, e na onda dos elogios da imprensa lá fora e de pessoas que pouco conhecem sobre nossa realidade, sai na frente. De tacada dá U$15 milhões, bem mais que os U$10 milhões das Nações Unidas e os 3 milhões de euros da União Européia. Afinal de contas, somos os mais ricos invasores imperialistas, e o povo do Haiti adora os brasileiros!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A MESMA TRISTE BAHIA

“Triste Bahia” de Gregório de Mattos, de Castro Alves, de Ruy Barbosa, de Otávio Mangabeira, de Jorge Amado, de Mário Cravo, Calazans, de Raul Seixas, de Tom Zé, de Gil, Caetano, Caymmi, Glauber Rocha, Elomar e tantos outros, que ainda exibe tristes índices de desigualdades sociais, de concentração de renda, de baixa educação, de morosidade no judiciário, de desnutrição, de saúde deficitária, de altos índices de doenças e poluição sonora.



“Triste Bahia” que teve sua música, sua educação, seu saber e sua cultura definhados a uma aparência esquelética pelo axé music, pelo pagode com letras pobres e consumistas, pelo carnaval que continua a criar palanques para gente endinheirada assistir os” pipocas” pularem no asfalto, pelas baianas de acarajé que não se vestem mais a rigor, pela exploração no verão, pelo abandono de Salvador e pela falta de cultura turística.



“Triste Bahia” abençoada por todos os deuses e amaldiçoada pelos primeiros colonizadores que aqui chegaram com suas manias e maracutais, pelo sistema escravista, feudal e capitalista predador, pelo esmagamento das revoltas sociais dos Malês, dos Alfaiates, de Canudos, pela ditadura juracicista, pelo coronelismo carlista e pela herança maldita de aqui se eternizar o absurdo dos absurdos.



È a Bahia da sexta maior economia concentrada no Litoral e no Recôncavo e é também onde está a maior pobreza, campeã do Bolsa Família com mais de um milhão de famílias cadastradas. É a Salvador das belezas naturais com seu rico patrimônio histórico e é também a capital da mais baixa renda per capita de R$8.870,00, só perdendo para Teresina, no Piauí.



É a Bahia de um interior tão desigual onde o semiárido ocupa 64% do seu território. É ainda a Bahia das piores escolas do Brasil. É essa Bahia dos poetas, dos escritores, seresteiros, sambistas e idealistas que não mudou muito em 2009. Infelizmente, ainda é essa Bahia de um metrô superfaturado e o mais curto de 10 anos de obras, de um aeroporto cujo nome histórico da sua independência é trocado por um filho de ACM. É a Bahia dos absurdos. É a Bahia que não termina o metrô, mas lança ponte Salvador-Itaparica.



No ano que passou, o que mais me chocou nesta Triste Bahia foi a introdução de mais de 40 agulhas numa pobre criança em Ibotirama pelo padrasto. A ignorância (falta de educação) e a miséria se misturam diante de um capitalismo insensato que só vê a competição e o lucro. A sociedade não tem nem moral para condenar tão absurda agressão.



O Governo Jacques Wagner, do PT, imprimiu seu estilo republicano de administrar. Mudou a capa, mas o miolo do seu Governo está impregnado de conservadores e gente execrável do carlismo. Tudo pelo poder. A coligação Gedel Vieira Lima e Wagner se desfez em 2009 quando o ministro da Integração Nacional colocou em agosto à disposição do Governo todos os cargos que a legenda do PMDB detinha na estrutura estadual.



Como em todo Brasil, em 2009 foi denunciado que o Governo do Estado reteve R$30 milhões do repasse constitucional ao Tribunal de Justiça da Bahia para quitar dívidas com fornecedores e folha de pagamento. O Conselho Nacional de Justiça decretou o fim das atividades do Instituto Pedro Ribeiro de Administração Judiciária.



E por falar em Justiça, pesquisas e estudos concluíram que a Bahia tem um judiciário mais moroso do Brasil com o acúmulo de milhares de processos, sem contar as irregularidades no Tribunal, como do desembargador Dario Cunha denunciado por venda de sentenças. Uma vergonha nacional.



O presidente da Assembléia Legislativa, Marcelo Nilo buscou apoio para a PEC da aposentadoria vitalícia a ex-chefes do Executivo. No apagar das luzes do final do ano, a Mesa Diretora aprovou aumento de indenização da verba dos deputados, de R$15 mil para R$29 mil. A sociedade, como sempre, se calou.



O conselheiro do TCM, Pedro Lino, em sem relatório, recomendou a rejeição das contas do governador, referentes a 2008. Jacques Wagner rebateu e no Tribunal, membros da Casa baixaram o nível com palavrões.



Em Salvador, guardas civis ficaram sem fardas para trabalhar devido a licitações fraudulentas. E, por falar em roubalheira, a diretoria da Agerba (a Agência que regula os transportes) foi acusada de atos de ladroagem, inclusive o chefe Leur Lomanto. O ex-comandante da PM, coronel Antônio Jorge Ribeiro de Santana foi preso pela Operação Nêmesis com outros integrantes da corporação por enriquecimento ilícito. Soltos logo depois. Ninguém falou mais nisso.



No dia 7 de setembro, data símbolo da história do país, a capital foi tomada por uma onde de violência de bandidos traficantes de drogas com ataques a módulos policiais, loja da Cesta do Povo e a ônibus coletivos. De um modo geral, o Governo não conseguiu conter a violência na Bahia e a segurança deixa a desejar.



A saúde é outro setor que deixou tristes marcas no ano que passou. Os corredores dos hospitais continuam cheios de macas e doentes amontoados na espera de um atendimento médico. Em abril nasceu na rua, no bairro de Ondina, um bebê prematuro que morreu dias depois.



Surtos de doenças como a dengue, meningite, H1N1 se alastraram na capital e no interior. O mosquito aedes aegypti contaminou 121.267 pessoas em 394 municípios e causou a morte de 84 pacientes até meados de dezembro.



Os problemas do trânsito de Salvador (cerca de 700 mil carros transitando) só fizeram se avolumar e a tendência é piorar com o aumento de veículos e poucos projetos para contornar a situação. O prometido metrô que virou “calça curta” está completando 10 anos sem funcionar.
Na economia, a Bahia conseguiu segurar a crise, devendo registrar um crescimento de 1,5% do seu PIB. Os setores de varejo e construção civil foram os destaques. A indústria, especialmente a química e a metalúrgica, ainda patina.



A boa notícia são os investimentos anunciados de R$3 bilhões pela Ford e pela Braskem. A construção civil comemorou 10 mil unidades comercializadas em 2009. A Bahia foi o primeiro estado a atingir a meta do programa Mina Casa, Minha Vida com 32 mil unidades contratadas. O comércio deverá ter um crescimento de 6% no ano. Até novembro, as exportações recuaram 23% em relação a 2008 num ritmo de queda igual ao do Brasil cujas vendas se concentram em produtos primários.



O consórcio RodoBahia formado por espanhóis e brasileiros arrematou as concessões das BRs -116 e 324. Lá vem pedágio para infernizar nossas vidas. A gigante do varejo Casas Bahia comprou a Romelsa. Entrou em operação no município de Itagiba a maior mina de níquel da América Latina. O grupo francês Alstom confirmou a instalação na Bahia de uma unidade de montagem para exploração de energia eólica.



Em maio, as enchentes voltaram a castigar Salvador e muita gente ficou desabrigada. Salvador foi escolhida para ser uma das sedes da Copa do Mundo de 2014. Mais uma vez, o medo é a roubalheira desenfreada.



A nossa cultura se esbarrou no bate boca e nos quatro anos de conferências pelo interior. Existe muito discurso e pouca ação. Os projetos e os editais esbarram na burocracia e as aprovações continuam centralizadas em Salvador.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

AGRONEGÓCIOS NO SUDOESTE

Mandiocultura, piscicultura, pecuária de leite, fruticultura, apicultura, floricultura e artesanato foram os setores da economia que estiveram na pauta dos projetos de capacitação e gerenciamento da Regional Sudoeste do Sebrae de Vitória da Conquista durante 2009, abrindo mais mercados e proporcionando maior geração de renda e qualidade dos produtos.


A Regional Sudoeste possui a maior área de abrangência territorial de projetos em agronegócios da Bahia, abrangendo as microrregiões de Vitória da Conquista, Guanambi, Jequié, Itapetinga e Brumado através de seus Pontos de Atendimentos.


Em 2009 várias frentes de trabalho foram abertas no âmbito do agronegócio com projetos dentro da metodologia GEOR-Gestão Estratégica Orientada para Resultados e através da Comunidade Empreendedora.


Na área dos projetos de inclusão sócio-produtiva, em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado, a Regional de Conquista vem desenvolvendo atividades através do projeto Comunidade Empreendedora na região sudoeste.


Estão sendo beneficiados mais de 30 municípios dos 105 baianos com menores Índices de Desenvolvimento Humano – IDH, levando a estas comunidades a orientação na gestão de pequenos negócios, com objetivo de diminuir as desigualdades sociais.



I FECULARIA DE MANDIOCA


Na microrregião de Vitória da Conquista, por exemplo, o início das obras da I Fecularia de Mandioca, um dos maiores projetos do país em parceria com a Fundação Banco do Brasil, Governo do Estado, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb, Embrapa, prefeituras de 19 municípios, foi um dos destaques da atuação do Sebrae.



O projeto de acompanhamento gerencial e de capacitação contempla mais de 2.000 associados da Cooperativa Mista Agropecuária de Pequenos Agricultores do Sudoeste – Coopasub, destacando a mandiocultura cujo projeto da primeira fecularia do interior do Estado foi aprovado no início de 2009.



A obra de construção da fábrica, com recursos da ordem de R$4 milhões, da Fundação Banco do Brasil, incluindo módulos administrativos, está em pleno andamento com previsão para ser concluído até meados do segundo semestre. Ainda nesse setor da economia, em conjunto com o Senai, o Sebrae vem prestando consultorias para 14 casas de farinha da Coopasub.



PROJETO DE FLORES DE CONQUISTA


Além da mandiocultura, o Projeto Flores de Conquista contou com a realização da segunda Oficina de Artes Florais quando foram trabalhados todos os atores da cadeia produtiva da microrregião e dos territórios vizinhos. O I Seminário de Flores Temperadas da Bahia foi outra ação em Conquista no final do ano passado, reunindo produtores de regiões diferentes, inclusive da Chapada Diamantina.



No projeto foi criada a base para produzir rosas com a mesma qualidade de São Paulo, através do método de estaquia, que está sendo ampliado gradativamente. Neste ano de 2010, a maior parte dos plantios será feito através deste método.



Também no ano passado foi registrada a presença dos cooperados de flores e produtores individuais do povoado de Lagoa das Flores de Conquista na Central de Comercialização de Flores de Narandiba, em Salvador. O grupo pretende manter um Box para comercialização de sua produção em 2010.



Além da produção e dos serviços de arranjos e decorações, o Grupo de Conquista está treinando novos cooperados de Barra do Choça com vistas ao aperfeiçoamento técnico na produção de rosas.


TILÁPIA NO SUDOESTE


Em 2009, o Sebrae atendeu 42 piscicultores micro e pequenos empreendedores que aturam na produção, beneficiamento e comercialização de peixes (tilápias) cultivados nos municípios de Itapetinga, Potiraguá e Jequié.



Também foram beneficiados com capacitação tecnológica e consultorias os municípios de Tremedal através da Associação do Açude Público de Tremedal, bem como Caraíbas por meio da Associação dos Pescadores. O trabalho foi desenvolvido na Barragem de Anagé, notabilizando-se o alto grau de organização e espírito colaborativo entre os filiados.



A renda média mensal desses piscicultores atendidos passou de R$316,00 em 2008 para R$387,00 em 2009, e foram parceiros do projeto o Banco do Nordeste, Prefeituras, Bahia Pesca, Fundação UESB e associações de produtores dos respectivos municípios envolvidos no projeto. As tilápias são cultivas em tanques redes e em tanques escavados.


COMUNIDADE EMPREENDEDORA


Dentro do Projeto Comunidade Empreendedora, o Sebrae atuou em 32 municípios da região sudoeste, destacando o trabalho de capacitação e organização da Cooperativa de Produtores de Leite e Cereais de Lagoa Real, na microrregião de Guanambi.



A consultoria ocorreu nas propriedades rurais de 25 cooperados, visando a correção das práticas desvantajosas e enfatizando as vantagens na utilização de procedimentos, ferramentas técnicas adequadas e manejo dos animais. O resultado foi a melhoria na qualidade do produto ofertado e aumento da produção de leite do rebanho.



Atualmente a Cooperativa de Lagoa Real beneficia cerca de 30 micros e pequenos produtores que entregam de 10 a 120 litros de leite por dia. A entidade recebe o produto e beneficia os derivados, produzindo leite pasteurizado, iogurte e queijo para o Programa Fome Zero.



Ainda dentro do programa foram também atendidos os municípios de Guajeru, Caetano, Mirante, Dário Meira, Bom Jesus da Serra e Presidente Jânio Quadros.



Nas áreas pré-definidas pela comunidade foi plantada mandioca de diversas formas e ensinadas as técnicas de manejo e plantio. Foram realizados ainda cursos de alimentação humana com derivados de mandioca, como beijus e farinha fina destinados à comercialização em feiras livres, gerando alternativas de renda para as pessoas mais carentes.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

CHEFES DE FAMÍLIA DO BANCO DO POVO

Muitos dos 4.990 clientes que durante os últimos dez anos tomaram empréstimos na Instituição Comunitária de Crédito Conquista Solidária – Banco do Povo – como dona Valdíria Rocha Oliveira, moradora do bairro Alto Maron, começaram do zero e hoje ampliaram suas atividades, faturando até R$5.000,00 por mês.



Mais da metade dos tomadores são de mulheres e muitas delas são chefes de família como dona Dinamerita Rocha Farias, vendedora de confecções e moradora do bairro Kadija que depois do marido sofrer dois AVCs (Acidente Vascular Cerebral) teve que tomar conta da casa. Para ela, como a microempresária Valdíria, o dinheiro do Banco do Povo é tudo e é a saída para conquistar a independência financeira.




Quase 18 mil operações




Bazar, papelaria, bijuterias, vendedor de milho, de confecções, de cereais, de coco, bar e lanchonete, Lan House, fabricante de celas e arreios, pipoqueiro são, entre outros, os principais ramos de atividades atendidos pelo Banco do Povo que já realizou neste período quase 18 mil operações de crédito num volume de pouco mais de R$21 milhões.



As pessoas simples e informais das periferias de Vitória da Conquista falam da instituição como um porto seguro para seus pequenos negócios que não deu o peixe mais ensinou a pescar. Outra satisfação nos rostos das pessoas é a facilidade na hora de tomar o empréstimo e a taxa de juros em torno de 1% ao mês.



“Quando eu preciso vou lá e renovo o meu contrato, sem burocracia” – disse dona Maria Vilma Oliveira Dias, que tem um bar no bairro Patagônia, rua Santa Catarina, 415. Antes de procurar o Banco do Povo, muitos tomavam dinheiro na mão de agiotas e vivia sob pressão constante como bem revelou seu Gilberto Passos Santos, vendedor de milho verde e morador do bairro Ibirapuera, avenida Porto Velho, 102.



O Banco do Povo foi criado pela Prefeitura Municipal em abril de 2000 que doou R$150 mil e trabalha com diversos parceiros como BNDES, Desenbahia, Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), o Sebrae/Bahia que fez um empréstimo de R$300 mil e oferece cursos para pequenos negócios e capacitação gerencial, entre outras entidades do comércio e da indústria.


Chefes de família


Dona Dinamerita Rocha Farias, de 70 anos, vendedora de confecções, no bairro Kadija e na cidade vizinha de Itambé, fez seu primeiro empréstimo de R$500,00 logo que o Banco do Povo foi fundado e todo o ano renova seu contrato. O último foi de R$5.000,00, e em junho deste ano pretende tomar mais para manter seu negócio.



Ela conta que no início tinha uma pequena barraca de confecções e para não fechar sua atividade foi obrigada a tomar dinheiro na mão de agiota, coisa que mais nunca mais dona Dinamerita quer recorrer. Ela faz parte de um grupo solidário de quatro pessoas e lidera a organização para que ninguém deixe de saldar suas prestações.



De 2000 para cá, a vendedora de confecções passou por apertos como a doença do seu marido que sofreu dois AVCs. Há muitos anos que ela é chefe de família e sustenta sua casa com sua atividade. A microempresária recomenda que os clientes sejam corretos e paguem em dia suas dívidas.



Outra que tem caso parecido é dona Valdíria Rocha Oliveira, do bairro Alto Maron, rua Bahia, 77 que também começou como cliente em 2000. Aconteceu a mesma coisa com seu marido e ela hoje é chefe de família. Com a doença de seu esposo foi obrigada a parar sua atividade por uns tempos, mas não se esmoreceu e voltou a tomar dinheiro na instituição.



Hoje dona Valdíria faz bordados, doces e vai ampliar seu negócio com papelaria. Em abril quando o banco está completando dez anos a empresária que tem um bazar pretende tomar R$2.000,00. No seu ramo, ela chega a faturar por mês cerca de R$1.000,00.



Seu Gilberto Passos Santos, de 55 anos, do bairro Ibirapuera, vende milho verde e pamonha desde 1993 e logo que o banco abriu tomou R$500,00 através de um grupo de quatro pessoas. O último empréstimo foi de R$3.500,00.



Com seu pequeno negócio sustenta a família de quatro pessoas e já tem filho fazendo faculdade. Por mês ele chega a faturar entre R$2.000,00 a R$3.000,00. Além dos juros baixos, o vendedor Gilberto Passos aponta a facilidade de lidar com o banco como outra grande vantagem para o pequeno que não tem garantias.



O caso de dona Maria Vilma Oliveira Dias que também já é cliente desde 2000 é parecido com os outros clientes. Ela começou com R$300,00 e o último empréstimo foi de R$4.200,00, mais vai tomar mais R$5.000,00 ainda este ano. Hoje ela tem um bar, mas começou vendendo bijuterias numa barraca no centro da cidade. Sua renda gira em torno de R$5.000,00 e sustenta quatro pessoas.



O sr. Aurino Pereira dos Santos tem uma lanchonete há 11 anos no bairro Patagônia, na avenida Itabuna e é cliente do banco há seis anos. Segundo ele, a partir dos empréstimos sua atividade registrou um crescimento de mais de 80%. Ele já é considerado um cliente especial. Além do dinheiro, ele aproveita a estrutura do Sebrae para freqüentar cursos de pequenos negócios e capacitação gerencial, para melhor administrar seu negócio.



Como seu Aurino, o fabricante de celas e arreios para animais, seu Almiro de Souza Coutinho, da Urbis VI, é outro cliente do banco do Povo há muito tempo. Com mais de 20 anos de ofício, ele se diz satisfeito com o aumento das vendas.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

BABILÔNIA

De tanto ser desprezado e tratado como lixo pelos políticos moloques e safados que nem ligam mais para as denúncias da imprensa, um dia, mesmo com essa acomodação toda, o povo acorda desse sono e se revolta. Até quando eles vão abusar da nossa paciência e escarrar em nossas caras todos os dias?
Babilônia era um reino fortificado e impenetrável pelos inimigos. Existia prosperidade; todos viviam contentes e em harmonia com seus chefes. Foi construída de maneira que soldados de fora não tinham como penetrar e atacar os habitantes.
Aí os poderes constituídos se corromperam e o povo começou a ser maltratado. Tod0 os chefes políticos resolveram roubar e não cumprir com suas obrigações. O rei se sentia protegido e continuava a subjugar e a esmagar seus súditos. Ele não acreditava em revolta e muito menos em invasão de fora.
Mas, o rei Ciro, da Persia, resolveu enfrentar o poder de Babilônia e conseguiu penetrar na fortaleza sem precisar travar uma guerra sangrenta. Com ajuda do povo que não aguentava mais tanta corrupção e sujeira do poder, Ciro conquistou facilmente a Babilônia. Os habitantes preferiram a presença de um forasteiro do que do seu governante.
Em 1941 as tropas de Hitler invadiram as fronteiras da Rússia e os nazistas foram recebidos como salvadores. Soldados russos foram traídos pela sua própria gente que não suportava mais as loucuras de Stalin. Na Letônia, Estônia e Lituânia os oficiais nazistas foram recebidos com flores e festas.
A história está aí para nos ensinar. Os políticos já ultrapassaram todos limites de tolerância. Acompanhando os números do meu comentário anterior, vou acrescentar mais alguns que são nôjo; provocam indignação; e deixam a nossa dignidade em farrapos.
Além do Senado, a Câmara Federal gastou em 2009 mais de 64% com o pagamento de horas extras em relação ao ano anterior. No ano passado, a Casa pagou aos fuincionários R$44,4 milhões pelas sessões deliberativas que passaram das 19 horas, isto é, R$17 milhões a mais do que custou o trabalho extraordinário em 2008 que ficou em R$27 milhões.
Mesmo com 513 deputados contra 81 senadores, o valor fica abaixo do pago pelo Senado em 2009 com seus servidores, num total de R$87,6 milhões. O Senado também registrou um crescimento de 4,4% em relação a 2008. A Câmara possui mais de 15 mil funcionários para servir suas excelências intocáveis. A folha de pagamento da Casa em 2009 foi de R$2,6 bilhões, num orçamento global de R$3,2 bilhões.
Em dezembro o Senado gastou R$6,7 milhões com horas extras. Em Julho (período de recesso), o valor chegou a R$8,5 milhões. Nos últimos cinco anos foram gastos R$510 milhões com horas extras.
Para este ano o Senado prevê cinco toneladas de carne, frango, frutos do mar e linguiça para consumo da residência oficial da presidência da Casa. Nesta cesta entram 360 quilos de filé mignon, 540 de picanha e 240 de camarão. Para se ter uma idéia, as cinco toneladas são suficientes para fazer um churrasco para 12 mil pessoas. Acontece que o presidente Sarney mora em sua residência particular.
É ou não é uma Babilônia? Uma verdadeira orgia, enquanto mais da metade da população brasileira vive na pobreza, sem saúde e educação de qualidade. Até quando tudo isso vai continuar? Será que somos tão idiotas assim? O negócio é não reeleger ninguém.
Enquanto isso, a tropa de choque dos petistas se prepara para vaiar e apedrejar Caetano Veloso NO Carnaval porque disse que opresidente Lula é "grosseiro, analfabeto e cafona". É mole ou quer mais. Dizem que o esquema já está sendo montado. Quando se tratata do Governo, só vale elogios. Nada de críticas e denúncias.
Além da carrupção ainda temos que ser vigiados e patrulhados ideologicamente. Nada de liberdade de expressão e de opinião. Como disse: Quem malha, leva pau. Isso lembra um grupo na Alemanha de 1935/39.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

E A FARRA CONTINUA

É só acompanhar os números vergonhosos e não reeleger ninguém. O Congresso Nacional paga por ano mais de R$4,3 milhões com subsídios de parlamentares licenciados, sem contar a remuneração dos 594 "representantes do povo", sendo 513 deputados federais e 81 senadores no exercício do mandato.
Antigamente diziam (propaganda do capitalismo ocidental e imperialista) que comunista comia criancinhas depois de jogá-las para o alto e apará-las na ponta da pexeira. Outros que comunista esquartejava idosos e deficientes. Falavam coisas horríveis. Quando uma criança não queria dormir ou chorava, dizem que iam chamar um comunista.
A verdade mesmo temos em nossa Casa onde os políticos corruptos fazem malvadeza com as criancinhas e ainda mamam o leite que devia ser delas. Os políticos corruptos do nosso Brasil estupram velinhas e chupam o sangue dos pobres miseráveis. Os políticos corruptos transformaram os hospitais em corredores da morte. Os políticos corruptos detestam escolas. No Brasil temos "Sena-DOR", "Dotado", "Putado" ou "Adotado" pelo povo.
Depois de todos os escândalos do início do ano, tendo Sarney como chefe da quadrilha ou do bando, contaram para nós que iam fazer uma reforma e acabar com as safadezas. Tomaram algumas medidas paliativas em abril, mas a farra não acabou e as sujeiras continuam. Eles riem dos brasileiros e fazem deboche, nos considerando de idiotas. O pior é que somos mesmo.
Pelas contas atuais, 22 congressistas eleitos para cumprir mandato de confiança exercem cargos em secretarias estaduais, municipais, ministérios e prefeituras e, mesmo assim, recebem subsídios do legislativo. No parlamento eles têm por mês R$16,5 mil. Os suplentes também são remunerados. É o chamado gasto duplo com o dinheiro dos bestas que somos nós.
Quando esses parlamentares em serviço público retornam temporariamente ao Congresso, percebem benefícios vinculados ao exercício pleno do mandato que chegam a R$24 mil. Quer mais safadeza? Estamos sabendo que 11 deputados e dois senadores pagam com verba indenizatória custas de advogados em processos de seus interesses.
Na calada da noite, desde os tempos coloniais, a mesa diretora do Senado concedeu aos senadores em 2010 a possibilidade de usar verba de passagem aérea que não foi usada em 2009. Essa prática foi proibida em abril do ano passado, logo depois dos escândalos. Como se vê, continua a farra das passagens. Essa decisão foi aprovada no dia 22 de dezembro, véspera do recesso parlamentar.
A divulgação na Internet dos gastos com passagens foi outro item aprovado e nunca cumprido. A reforma prometida nunca foi votada. O nepotismo e o execesso de funcionários, inclusive com horas extras no período de recesso, foram mantidos. O Senado prorrogou os contratos sob suspeita e não fez licitações. Os serviços renovados custam mais de R$55 milhões por ano.
Onde está a nossa indignação? Não dá para entender quando a maioria do povo acredita que o presidente da República seja dono da maior credibilidade, inclusive no exterior com prêmios de personalidade do ano, mesmo acobertando e apoiando gente como Sarney, Collor de Melo, Renan Calheiros e Jader Barbalho, só para citar esses nomes. Nosso país continua mesmo atrasado.
Agora vamos falar um pouco da Bahia onde o presidente da Assembléia Legislativa, Marcelo Nilo, aumentou em 95% a verba indenizatória da Casa, passando de R$15 mil para mais de R$29 mil mensais. Ironicamente, o presidente justificou de que poderia ter aumentado em 2009, mas preferiu deixar para 2010 por ser mais econômico para a Assembléia. Que beleza!
Também esse reajuste foi publicado na calada da noite para os 63 deputados. E foi no dia 31 de dezembro. Bom presente de final de ano com o nosso dinheiro. Pior que eles vão se reeleger. Fora isso, o deputado estadual ainda tem direito a uma verba de gabinete de R$60 mil para contratação de assessores, mais R$4 mil para passagens aéreas, R$3 mil para combustível, R$2,35 mil de auxílio-moradia, R$4,8 mil para diárias, fora outras maracutaias.
Cadê os partidos ditos de esquerda como o PT que condenavam e iam para as ruas como feras brigar contra essas práticas e toda essa ladroagem? Que nada! Hoje estão aí batendo palmas e aprovando as mordomias e essas excrescências com o dinheiro público. Ninguém se levanta para defender a moralidade. Cadê os éticos de ontem que bradavam por seriedade e diziam que eram os únicos dee caráter?

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

NÃO É CAUSA NATURAL

Pelo noticiário na imprensa escrita e nas emissoras de televisão, a impressão que se tem é que as causas dos dessastres de deslizamentos de terras em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, são naturais, o que não é verdade . Não é necessário ser geólogo, participar de movimento ambientalista ou ser técnico de órgão ligado ao meio ambiente para saber que tudo não passa de agressão à natureza que há anos vem sendo praticada pelos homens.
Rasgam as serras como a do Mar, no Rio de Janeiro, para construírem casas com vista para o mar e acham que a natureza nunca vai se revoltar contra essa agressão irracional. Não são somente os pobres que invadem, os ricos milionários instalam suas mansões e pousadas luxuosas em lugares impróprios com a conivência, e até suborno, das "autoridades" que nestas tragédias de vidas humanas não são responsabilizadas e ficam impunes.
Cadê que a mídia que não mostra esta face perversa do homem que só visa o lucro e o seu bem-estar individualista, não dando a mínima para a agressão ao meio ambiente? Estive recentemente em Angra dos Reis e fiquei avaliando o absurdo daquelas construções pobres e luxuosas no pé e nas encostas da Serra do Mar, agredindo a floresta e o terreno como fizeram também aqui na nossa devastada Serra do Periperi.
Mas, tudo passa com o jeitinho brasileiro, e os governantes não estão nem aí com o cumprimento das leis do solo e da preservação do meio ambiente. O resultado é que a natureza sempre mostra sua força e sua ira. Dessa vez, o deslizamento de terras não atingiu somente o pobre. Levou o bruguês também, só que as imagens da televisão são diferentes.
Numa, as pessoas se retiram de escunas, barcos de luxo e helicópeteros. As edificações são pomposas e os móveis requintados. Noutra, as pessoas saem de carroças, de caminhões, retirando objetos e pertences que fazem falta em suas vidas. Essas pessoas são desalojadas e a única coisa que o governo oferece é liberar um dinheirinho do FGTS. Nem todas são beneficiadas. As ricas nem sentem a perda de suas mansões. Vão construir nos mesmos lugares.
De qualquer forma, por negligência das "autoridades" e falta de respeito à natureza, tragédias estão ceifando vidas humanas, inclusive de crianças inocentes. A terra não está suportando mais tantas agressões e se rebela através de terremotos, neve e gelo demais, ciclones, inundações de rios que transbordam com as chuvas, entre outros fenômenos que prenunciam o fim da terra.
É preciso que a mídia faça seu papel e denuncie a verdade, não ficando apenas na exploração dos sentimentos e da miséria, provocando lágrimas e consternação nas pessoas que perdem seus bens e seus entes queridos. A natureza está dando seu alerta, mas o capital continua visando unicamente o lucro e fazendo de conta que nada está acontecendo.

RENDA SEM EDUCAÇÃO

Não acredito muito nesses números oficiais, mas o governo federal anda divulgando por aí que no seu mandato, cerca de 30 milhões de brasileiros foram elevados ao deus olimpo do mercado de consumo, seja através das políticas assistencialistas do Bolsa Família, do aumento do salário mínimo, da oferta de crédito ou de outras formas de inclusão social como queiram chamar.
O certo é que está todo mundo correndo às compras e fazendo viagens. As pessoas estão fascinadas com o consumismo apelativo da mídia, especialmente dos meios eletrônicos. Na nova concepção, basta ganhar um pouco mais de uma salário mínimo para ser incluído como classe média e se endividar. É tudo festa, comemoração e nada de criticar as mazelas.
O mais absurdo de tudo é que essa dita conquista de maior poder aquisitivo não está sendo acompanhada da educação e do saber. É a chamada renda sem educação. O ritmo de compras é frnético, incluidno carros com prestações de 60 meses, geladeiras, televisores, fogões e um monte de superfluos que só servem para emporcalhar mais ainda o planeta. A galera está contente, mas continua na ignorância, sem cultura e sendo domésticada pela maquina eletrônica e pelas músicas de baixo nível.
A escola dessa gente é a pública de nível deficitário, ou a particular que trata o estudante como mercadoria e freguês. Essa turma não briga pelo ensino de qualidade. Prefere permanecer alienada e acomodada, mas se mata, berra e grita se seu time perder o campeonato ou se for rebaixado de categoria para a segundona.
Esse é um quadro de tristeza que não leva país nenhum ao desenvolvimento como já estão falando por aí. Não dá para se enganar por muito tempo. Sem educação e sem conscientização política, o Brasil vai continuar sendo comandado pelos coronéis que metem a mão no dinheiro público e dão um "cala boca" qualquer. É deplorável esse quadro de mediocridade em que vivemos na base do pão e do circo.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

NINGUÉM IMPORTA

A terra começa a dar sinal de que não suporta mais a agressão dos sete bilhões de habitantes e caminha para o seu fim. As bruscas adversidades climáticas da natureza e os fenômenos de destruição em cadeia, neste ano de 2009 que se passou, foram os fatos que mais me impressionaram, deixando um rastro de mortes e uma visão de que o planeta começa a morrer.



Secas, enchentes, deslizamentos de morros, ciclones, tufões e pedras de gelo que caem do céu no sul do país. Cidades ficam inundadas porque os rios não suportam mais as águas das chuvas. Sobe a temperatura nas regiões tropicais. No norte do planeta a neve e gelo param os transportes e a vida de seus habitantes que não param para refletir e pensar.



Tudo isso não importa ao capitalismo que só importa o lucro e os interesses econômicos de produzir mais e mais para consumir cada vez mais e entupir a terra de lixo. Rasgam serras, abrem túneis e cavam nas mais baixas profundezas do planeta com tecnologias mais avançadas para retirar óleo e poluir de fumaça e de produtos químicos sua atmosfera.



O homem continua sujando para ganhar e ninguém aceita parar. A Conferência de Copenhague sobre o clima e a redução de gases poluidores virou uma Torre de Babel como está escrito no Antigo Testamento. Cada um falou sua língua e ninguém entendeu ninguém.



Veja o exemplo em Angra dos Reis onde o capital fala mais alto e os homens de muita grana invadem santuários ecológicos para edificarem suas mansões e pousadas. Compram as licenças – quando existem - pensando apenas no bem-estar do conforto e em ganhar mais dinheiro. Para eles, o que interessa é apreciar do alto a vista do mar até que um dia tudo vem abaixo.



A questão visível da ira da natureza contra o homem irracional foi o que mais me impressionou e me marcou em 2009. No entanto, outros acontecimentos deixaram suas marcas na política, na violência assassina e cruel do ser humano, na falta de educação e saúde de qualidade, sem falar na economia onde o Brasil foi elogiado no mundo lá fora, mas as desigualdades sociais permaneceram gritantes.



A eleição de Barack Obama para presidir os Estados Unidos chamou a atenção do mundo e acabou com a era Busch, mas o Prêmio Nobel da Paz ao vitorioso das urnas me decepcionou. Ele continua a fazer guerra e a enviar mais soldados para o Afeganistão.



A Organização das Nações Unidas não reformou o seu Conselho de Segurança, mas o Governo Brasileiro mandou U$15 bilhões para o Fundo Monetário Internacional, sem contar suas atrapalhadas na diplomacia ao apoiar governos de ditadura.



A morte do cantor e compositor Michael Jackson abalou o mundo, mas pouco se comentou sobre o falecimento da cantora argentina Mercedes Souza, do antropólogo Claude Lévi-Strauss, Zé Rodrix, o ator Miguel Magno, do ex-deputado Marcio Moreira Alves, do senador democrata Edward Kennedy, do ex-presidente argentino, Raul Alfonsin, Neguinho do Samba, Ankito, entre outras personalidades.



A pandemia H1N1, mais conhecida como gripe suína, deixou populações do mundo em pânico. No Brasil e na Bahia foi a dengue e a meningite que mataram também centenas e milhares de pessoas, principalmente crianças e idosos.



Como um terremoto que arrasou o centro das Itália e em outros países, a corrupção no Brasil continua a sangrar as veias do nosso povo, embora, infelizmente, já esteja se tornando numa coisa normal. Esse sistema precisa de controles preventivos, promovendo a participação da sociedade na gestão pública. Não adianta baixar decretos taxando a corrupção como crime hediondo. Até agora só temos falácia, e o nosso presidente continua a dizer que não viu nada.



De acordo com pesquisa da ONG Transparência, 26 das 27 assembléias legislativas e do Distrito Federal ocultam informações sobre verbas e ações dos deputados. O quadro se repete em gestões estaduais, prefeituras e câmaras de vereadores. Predomina no Brasil o monólogo, e os políticos continuam a encher os bolsos, as cuecas e as meias de dinheiro roubado dos cofres públicos, como aconteceu em Brasília.



Dizem que a economia vai bem na visão dos críticos lá fora, mas a educação, a saúde e a cultura são a vergonha da Nação. Não consigo assimilar como o Brasil caminha para ser uma potência econômica se nos últimos anos foi o que menos cresceu entre os subdesenvolvidos. Só a China cresceu mais de 9% em 2009. Os investimentos do Brasil estão em torno de 20% do PIB enquanto Índia, China e Rússia se situam entre 30 e 40%.



O mapeamento entre os 5.564 municípios demonstra fortes carências e desigualdades regionais. Apenas 157 municípios possuem estabelecimentos públicos de ensino superior, dos quais 24% estão em São Paulo. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que existe um grande descompasso entre avanço econômico e a vida urbana do século 21. Em 1.875 municípios não existem estabelecimentos de internação ligados ao SUS.



A verdade é que vivemos ainda num país controverso. O setor de varejo deve ter um incremento de 20% em 2009. Na outra face da moeda, nossa democracia ainda é frágeis, com visíveis desigualdades, sustentadas na base do assistencialismo. A educação não virou plataforma real dos governantes. É um país gigante e pequeno.



Os economistas estão prevendo um crescimento de 5 a 6% na economia para 2010, mas do outro lado existe o demônio do aumento do déficit nas contas com o resto do mundo. O Banco Central estima um déficit nas transações correntes de cerca de U$40 bilhões, mas pode chegar a U$60 bilhões. Em 2009, os gastos do governo dispararam e as receitas caíram.



Além da Copa Mundial de Futebol de 2014, o Brasil foi escolhido para sediar as Olimpíadas de 2016. Gostaria que não tivesse sido assim porque estamos contaminados pela corrupção e pelas desigualdades sociais. Os Jogos Pan-Americanos no Rio de Janeiro em 2009 foi um fracasso em administração e vergonha de irregularidades. Já estão falando que entre a Copa de 2014 e as Olimpíadas, os gastos podem girar em torno de R$150 a R$200 bilhões. E o rombo e a concentração de recursos?



Bastou o Governo Lula, com muito atraso e medo, decidir em abrir os arquivos da ditadura militar com a criação da Comissão da Verdade, para os quartéis começarem a limpar suas armas que estavam nos porões. Os generais de plantão gritaram de que o documento é agressivo. Olha quem fala de agressão! Seus comandados se sentem ofendidos. As Forças Armadas se acham intocáveis. O ano de 2009 passou e não deram respostas sobre a queima de documentos do regime na Base Aérea de Salvador.



Não podemos ficar esperando que os políticos mudem e encarem o povo com seriedade. Nós é que temos que mudar nossa postura e nosso espírito no sentido de pressionar os políticos com protestos e manifestações contra a sujeira deles. Se ficarmos só no esperar, nada vai acontecer. As eleições estão chegando. Não reelejam ninguém.



A nossa mídia em 2009 manteve sua linha sensacionalista e com o foco na audiência a qualquer custo. Basta lembrar o “show” de final de ano com relação a ida do menino Seam Goldman para os Estados Unidos. A imprensa continua se banqueteando dos sentimentos e da miséria alheia, quando deveria se preocupar com o conteúdo e a qualidade em suas informações e investigações. Na próxima falaremos dos acontecimentos da Bahia.