Alguém já disse por aí que “quem não tem essência vive de aparência”. E é disso que vivem alunos de faculdades que plagiam e compram monografias e teses para receberem seus diplomas. Continuam analfabetos e despreparados depois de formados, mas para eles o que importa é o ter.
Quem vende esses trabalhos já prontos pela Internet é um “corpo indecente”, nojento e criminoso formado, na maioria dos casos, pelo corpo docente das escolas de “ensino superior”. O corpo dicente vai pelo caminho mais fácil da tecnologia e nem quer saber do futuro nada promissor em suas vidas.
São esses mesmos professores e alunos, comendo na mesma cuia, que em salas de aulas esbravejam e metem o pau nos políticos ladrões que aumentam seus salários e arrombam os cofres públicos. É tudo festivo e hipocrisia. Fazem parte da mesma lama que cobre este país de vergonha.
Ninguém se importa mais com as sujeiras dos políticos, e a grande maioria até apóia porque com aquela lei de levar vantagem em tudo sabe que faz igual ou pior. “Ser ou não ser”, ou parecer ser. Eis a questão dos nossos tempos alienados de trevas na cultura e no conhecimento.
Chegamos ao ponto mais alto da indecência onde hoje a pirataria digital virou coisa normal e não se julga mais como prática antiética. A ética passou a ter outros conceitos, e professores e pessoas inescrupulosas vendem trabalhos acadêmicos na maior naturalidade.
Por sua vez, tem muito professor que não se dá mais ao trabalho de reprovar ou condenar as atividades acadêmicas plagiadas da Internet. Com isso, esses “mestres” estimulam o crescimento dos falsários da geração Control C, Control V.
Não estão nem aí se contribuem para a decadência do conhecimento. Não pensam mais nos seus filhos e netos. Que se dane o futuro do país. O negócio é fazer valer suas “espertezas e astúcias”, mesmo que uns trocados a mais apurados no final do mês sejam conquistados de forma criminosa.
O mais assustador é que uma pesquisa constatou que mais de 70% dos alunos já admitiram ter praticado alguma forma de trapaça nas salas de aulas como plagiar trabalhos ou colar, com a conivência de muitos professores. A coisa é tão séria que muita gente hoje acha que plagiar não é uma questão “séria”. A tecnologia digital passou a criar uma geração de ladrões do recorta e cola.
Essa prática não está somente disseminada entre escolas e faculdades, mas também nos meios eletrônicos de comunicação, como blogs e sites. È um tal recorta e cola que nem citam mais as fontes, nem dão crédito aos autores dos trabalhos. É como se fosse uma coisa natural e legal.
O direito autoral foi para o “beleléu”, para o espaço. Não há nenhum respeito dessa gente, de ao menos consultar o autor se pode ou não divulgar seu texto. Todo conteúdo na Internet virou uma propriedade comum; um mundo de ninguém; um faroeste de bandidos.
O gato comeu o debate jurídico e ético de citar, dar crédito e mencionar o verdadeiro autor. Se já existem sites que vendem artigos prontos, monografias, dissertações e teses sobre qualquer tema, para que o aluno vai se esforçar e queimar as pestanas para escrever um trabalho acadêmico? Assim ele segue praticando todo tipo de assalto aos direitos dos outros, vivendo sempre da aparência e roubando descaradamente.
Por outro lado, instituições particulares fazem “milagres” para não reprovar o aluno-cliente. O advogado Rodrigues Moraes escreveu um artigo no jornal A Tarde dizendo que ao lado do corpo docente e discente vem surgindo nas universidades brasileiras um perigoso “corpo indecente”, formado por professores e alunos plagiadores.
É verdade que a Internet potencializa esses tipos de crimes, mas o maior responsável por tudo isso é o ser humano que se degradou; se deixou ser consumido e tragado pelo sistema capitalista do ter. O comércio de monografias e teses, de acordo com o advogado, é um problema de ordem ética. Só que houve uma inversão de valores e o que era ilegal e anormal se tornou normal e legal.
É lamentável, mas está triunfando a imoralidade, a desonestidade intelectual, sem nenhum pejo. Essa prática do comércio de trabalhos acadêmicos por professores que se transformaram em “empresários” não está somente nos grandes centros. Está aqui também em Conquista e tem equipes formadas só para isso, com sites e tudo. O campo é aberto e ninguém condena mais.
Bem, passando de um campo ao outro, mas no mesmo pólo, queria passar alguns dados sobre a educação na Bahia e no Brasil que refletem a decadência do nosso ser atual e nas gerações futuras.
Segundo pesquisas, quase 200 mil alunos no Estado da Bahia deixaram a escola pública em 2010. O número de matrículas caiu de 2,9 milhões para 2,7 milhões. A diferença está procurando colégios particulares.
No país, dos 51 milhões de estudantes em geral, 43 milhões são ainda do Estado. No período de 2007/10 houve aumento de 1,1 milhões a mais de matrículas no setor privado. Na pública houve um decréscimo de 2,6 milhões de matrículas. Em 2010, o sistema público encolheu 6% e o privado aumentou 18%. Só 4,5% do PIB são aplicados na educação quando a meta deveria ser de pelo menos 10%.
E por que tanto descrédito na educação pública? É fácil de responder. É só somar a violência, drogas, menos tempo de estudos, salários baixos dos professores e baixa autoestima nas escolas públicas e se chegará ao resultado da resposta.
Com tudo isso e mais a venda dos trabalhos acadêmicos e plágios nas faculdades temos uma mistura venenosa num caldeirão fervente que está transformando essa nova geração do corta e cola, das baladas, dos carnavais e shows de músicas de letras de péssimo nível, para que não dizer porcarias, em simples nanicos e anões do saber intelectual.
