sexta-feira, 29 de junho de 2007

O TEMPO CONSOME A ARTE DE CAJAÍBA





Os deuses do Olimpo da Grécia antiga dos filósofos Sócrates e Platão certamente lançariam sua ira contra os homens que abandonassem a arte ao peso do próprio tempo, debaixo de sol e chuva. Principalmente se foi um artista que procurou um ponto do Olimpo para se refugiar e dedicar sua vida a fazer esculturas em homenagem a personalidades históricas.
Pois é, do alto da Serra do Periperi, em Vitória da Conquista, distante 500 quilômetros de Salvador, entre as marcas dos escombros e depredação deixadas pelas agressões dos homens ao longo dos anos contra a natureza, um conjunto de esculturas de 150 a 200 peças do artista Aurino Cajáiba da Silva, o “Cajaiba”, denominadas de “Vultos Históricos”, está no mato e se deteriorando com o tempo. Ninguém vê, ninguém liga. Nem o poder público, nem as empresas privadas e outras instituições se sensibilizem para recuperar e salvar as obras, criando um museu como era o maior sonho do mestre falecido em 1997. Quem conheceu de perto o artista e visitava suas esculturas no alto da Serra, ao lado da torre da Telemar, às margens da BR-116(Rio-Bahia), fica sem acreditar no que está acontecendo na terra de Glauber Rocha e Elomar. Simplesmente, todo um trabalho artístico de 40 anos está se perdendo por falta de um local com estrutura para proteger as esculturas.
Já dura dez anos a luta da viúva Getrudes Francelina Oliveira, de 73 anos, e de seus oito filhos(o Antônio fazia esculturas, mas desistiu da arte) para que a obra de “Cajáiba” não se acabe e seja implantado um museu aberto á visitação pública dos moradores e turistas. O filho que está à frente desta empreitada, Edivaldo Cajaíba, se mostra cansado e desiludido na busca de apoio, mas disposto a sacrificar suas poucas economias para, pelo menos, restaurar a obra e montar uma pequena estrutura no alto da Serra onde mora com sua família. Lembra que por volta de 1998, logo após a morte de seu pai, procurou o prefeito municipal, hoje deputado federal Guilherme Menezes, solicitando ajuda para proteger as peças. “O prefeito recomendou que eu entrasse em contato como o Ministério da Cultura” – declarou Edivaldo.

“Morreu revoltado e a míngua”

Durante quase 40 anos, o velho e incansável “Cajáiba”, também músico, poeta e fotógrafo, retratou diversas personalidades históricas nacionais e internacionais com suas esculturas de cimento, ferro e areia, em forma de bustos e estátuas de tamanhos naturais. Além do seu auto-retrato, esculpiu com perfeição os bustos de Juscelino Kubischek, os ex-presidente Médici, Castelo Branco, Tancredo Neves e Getúlio Vargas, o cantor Roberto Carlos, Maria Quitéria, Joana D’Arc, cenas do Cristo curando um doente, presidente John Kenned, escritores renomados, a evolução do homem desde o pré-histórico, a camponesa e o camponês, o vaqueiro, o caminhoneiro, um Cristo de tamanho natural de braços abertos, estátua de uma mulher nua em estilo greco-romano(braço está cortado), Castro Alves, Rui Barbosa, dentre muitos outros vultos da nossa história. Em frente do Tiro de Guerra, “Cajaíba” ergueu um monumento em homenagem aos combatentes brasileiros da Segunda Guerra Mundial.
A maior parte das suas obras foi realizada com muito sacrifício durante a noite e, às vezes varava a madrugada com a luz de um fifo que sua esposa, dona Getrudes Francelina segurava. “Eu ficava cansada vendo ele fazer as esculturas e só parávamos quando o pavio, ou o gás do fifó acabava – conta dona Getrudes, lembrando ainda que “Cajaíba” acreditava que se fizesse as esculturas de Castro Alves e Rui Barbosa, construiria seu museu de que tanto falava em vida. Mas, nada disso adiantou. Não vendo seu maior sonho ser concretizado, sua esposa afirmou que o mestre morreu revoltado pela falta de apoio dos poderes públicos e da comunidade conquistense. Seu filho, Edivaldo Cajaíba reforça as palavras da mãe, dizendo que seu pai morreu à mingua. De fato, o artista que costumava passear todos os dias(vestia branco nas sextas-feiras) pelas principais ruas de Conquista com a sua tradicional boina, expressava sua dor com os amigos por ver sua obra sendo perdida por falta de reconhecimento. Num certo dia do ano 1997, Cajaíba se sentiu mal em frente da Farmácia 24 Horas, vindo logo após a falecer aos 80 anos. Morreu pobre, recebendo um pequeno salário da Prefeitura Municipal.
Mas, “Cajaíba” já teve seus momentos de glória na Bahia, no Brasil e no exterior através de sua arte. Viveu bons momentos, inclusive quando foi convidado a dar entrevistas no programa da apresentadora Hebe Camargo. Chegou a ser convidado para trabalhar e expor suas esculturas em São Paulo e Brasília. No exterior, a crítica francesa o considerou fenômeno mundial. Preferiu ficar em Conquista e, a partir dos anos 60, se refugiou no topo da Serra do Periperi, nas proximidades do Cruzeiro onde instalou seu atelier a céu aberto. Do alto, tinha uma vista privilegiada de Conquista e era muito visitado por turistas, artistas e intelectuais. Uma vez, Cajaíba pediu para fazer um Cristo Vivo na Serra onde hoje tem a escultura de Mário Cravo, mas os poderes públicos não atenderem seu desejo. Lá no alto, além das esculturas, está sua casa de cimento onde passou o resto de sua vida e que ainda guarda seus objetos pessoais, como dois relógios de despertar, máquina de costura, um painel de um violão na parede, plaina, o fifó que lhe ajudou a fazer suas esculturas, sua cama, uma máquina fotográfica antiga(Cajaíba também era fotógrafo), entre outros utensílios.
“Cajaíba” nasceu em 19 de novembro de 1917 no município de Itaquara, distante pouco mais de 300 quilômetros de Salvador e próximo a Jaguaquara. Quando menino, passava o tempo fazendo pequenas esculturas e tinha vocação para a arte, mas seus pais não gostavam do seu trabalho e tentaram dissuadi-lo do ofício. Se mudou para Vitória da Conquista em 1950 depois de passar por municípios do sul da Bahia.

OS ENCANTOS DA NATUREZA

AS FOTOS NOS FAZEM ENTENDER COMO PARTICIPANTES DO REINO ANIMAL

quinta-feira, 28 de junho de 2007

RIA PARA NÃO CHORAR

Curiosidades da Prova do ENEM!

O que estiver entre parênteses é comentário de professores e outros.
"O sero mano tem uma missão...." ( A minha, por exemplo, é ter que ler isso! )
"O Euninho já provocou secas e enchentes calamitosas..." ( Levei uns minutos para identificar El Niño...)
"O problema ainda é maior se tratando da camada Diozanio!" ( Eu não sabia que a camada tinha esse nome bonito )
"Enquanto isso os Zoutros...
tudo baixo nive..." ( Deus...!! )
"A situação tende a piorar: os madeireiros da Amazônia destroem a Mata Atlântica da região". ( E além de tudo, viajam prá caramba, não? )
"O que é de interesse coletivo de todos nem sempre interessa a ninguém individualmente". ( Entendeu??? Como que não????? )
"Não preserve apenas o meio ambiente e sim todo ele". ( Faz sentido...)
"O grande problema do Rio Amazonas é a pesca dos peixes." ( Puxa, achei que fosse a pesca dos pássaros )
"É um problema de muita gravidez." ( Com certeza... se seu pai usasse camisinha, não leríamos isso! )
"A AIDS é transmitida pelo mosquito AIDES EGIPSIO." ( Vai levar o Oscar essa...)
"Já está muito difícel de achar os pandas na Amazônia." ( Que pena. Também ursos e elefantes sumiram de lá.)
"A natureza brasileira tem 500 anos e já está quase se acabando". ( Foi trazida nas caravelas, certo? )
"O cerumano no mesmo tempo que constrói, também destrói, pois nós temos que nos unir para realizarmos parcerias juntos". ( Me esqueça, não conte comigo! )
"Na verdade, nem todo desmatamento é tão ruim. Por exemplo, o do Aeds Egipte seria um bom beneficácio para o Brasil". ( Vamos trocar as fumaças pelas moto-serras ) "Vamos mostrar que somos semelhantemente iguais uns aos outros". ( Nem tão iguais assim, percebe? )
".... menos desmatamentos , mais florestas arborizadas." ( Concordo! De florestas não arborizadas, basta o Saara! Socorro...)
"... provocando assim a desolamento de grandes expecies raras". ( Vocês não sabiam que os animais também tem depressão?)
"Nesta terra ensi plantando tudo dá". ( Isto deve ser o português arcaico que Caminha escrevia...)
"Isso tudo é devido ao raios ultra-violentos que recebemos todo dia". ( Meu Deus... Haja pára-raio! )
"Tudo isso colaborou com a estinção do micro-leão dourado" ( Quem teria sido o fabricante? Compac? Apple? IBM?)
"Imaginem a bandeira do Brasil. O azul representa o céu, o verde representa as matas, e o amarelo o ouro. O ouro foi roubado e as matas estão quase se indo. No dia em que roubarem nosso céu, ficaremos sem bandeira". ( Ainda bem que temos aquela faixinha onde está escrito "Ordem e Progresso")
"Ultimamente não se fala em outro assunto anonser sobre o araras azuls que ficam sob voando as matas". ( Talvez por terem complexo de urubus!!!! )
"... são formados pelas bacias esfereográficas". ( Imaginem as bacias da BIC ) "Eu concordo em gênero e número igual". ( Eu discordo )
Anterior Próxima Voltar às mensagens Salvar texto da mensagem

quarta-feira, 20 de junho de 2007

NÃO SE CALE COM O ABUSO SEXUAL

O abuso sexual contra crianças e adolescentes com deficiência mental vai ser combatido pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Vitória da Conquista(APAE) através do Projeto “Não á Violência Sexual”, com patrocínio da Petrobrás. Na primeira etapa, o programa está contemplando 80 crianças e adolescentes, bem como suas famílias, por meio da realização de oficinas de orientação sexual e vivência corporal, atendimento psicológico e de assistência social.
O projeto pioneiro partiu da constatação de que estudos demonstram que crianças e adolescentes com deficiência mental estão expostos a maiores condições de risco, tornando-se vítimas fáceis do autor do abuso ou da exploração sexual, que se vale dos laços de confiança facilmente criados, da inocência e falta de educação sexual dos mesmos. De acordo com a APAE, muitos deficientes mentais têm em comum com os normais, os tabus, o sentimento de culpa e o desejo de expressão sexual.
No entanto, são pessoas vulneráveis e muitas vezes incapazes de compreender a fronteira entre uma manifestação de carinho e abuso. Sabendo da importância que a orientação afetivo-sexual representa na vida do adolescente e da dificuldade encontrada por instituições profissionais em lidar com o problema, a APAE/Conquista resolveu criar um espaço que pudesse atender os próprios alunos com histórico de violência, ampliando este atendimento às crianças e adolescentes deficientes da comunidade que estão em situação de risco social.

Espaço educacional preventivo

O projeto “Não á Violência Sexual”, conforme parecer apresentado à Petrobrás, será um espaço educacional preventivo e de atendimento psicossocial onde serão propiciadas vivências nas diferentes modalidades, focando o desenvolvimento harmonioso do corpo, mente e das emoções do aluno e da família. A APAE de Conquista se integrará a outros órgãos representativos da sociedade, como Conselho Tutelar, Secretaria de Assistência Social, poderes executivo, legislativo e judiciário, Procuradoria Geral do Estado, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Militar e Civil, as entidades de defesa das crianças e outras instituições de ações afirmativas, visando atingir o máximo de crianças e adolescentes que necessitam de atendimento especializado.
Conforme o previsto no programa, até julho de 2007, a APAE pretende minimizar a situação de vulnerabilidade em 80%, entre as 80 crianças e adolescentes atendidas pelo projeto, até agosto, possibilitar que 100% dos jovens vítimas de abuso e, ou exploração sexual, estejam recebendo atendimento especializado no Centro Psicossocial e até novembro capacitar 50 pessoas como agentes multiplicadores e realizar o acompanhamento e encaminhamento de 100% das famílias envolvidas no projeto. Entre os objetivos específicos estão selecionar 80 crianças e adolescentes vítimas de violência sexual, realizar psicodiagnóstico às crianças e adolescentes, promover atendimento terapêutico, oficinas de orientação sexual e vivência corporal, e produzir e divulgar material com vistas à prevenção da violência sexual.
Atualmente a APAE atende 310 alunos com faixa etária de três a sessenta anos portadoras de diversas patologias como deficiência mental, síndrome de down, autismo, paralisia cerebral e deficiência múltipla. A maior parte desses alunos, cerca de 95%, são provenientes de famílias carentes, residentes nos bairros periféricos de Vitória da Conquista, tornando-se expostos à violência sexual e social. A APAE de Conquista foi fundada em primeiro de agosto de 1977 e a instituição se mentem com verbas financiadas pelo FNDE-Fundo Nacional de Desenvolvimento Social, Secretaria de Assistência Social, instituições municipais, Direc-20 e contribuições mensais de sócios. A instituição oferece serviços de estimulação precoce, educação precoce, estimulação essencial, pré-escola, alfabetização, oficinas terapêuticas, centro de convivência e educação profissional em auxiliar de limpeza, de costura, de pintura, cozinha e cartonagem. Os alunos são distribuídos em dois turnos matutino(alunos de dois a 14 anos) e vespertino de 15 anos e acima.

JORNALISTA ESTRÉIA NA LITERATURA

Com seu estilo simples de homem sertanejo, o jornalista João Martins Pereira estréia na literatura com “Flores e Espinhos”(poesias) e “O Outro Lado da Serra”(contos). Jornalista de longos anos no interior e há 11 como editor e diretor da revista Integração, Martins se lança no mundo literário com duas obras sobre a vida cotidiana dos sertanejos, dando também seu grito de protesto contra a destruição do meio ambiente. Essa luta fica bem definida e clara em seus poemas, de linguagem simples, mas com rimas metrificadas e ricas.
Em “Flores e Espinhos”, o autor canta o sertão e desenha a vida do sertanejo que só ele sabe mostrar como homem do interior. Em “O outro Lado da Serra”, o escritor, através de seus contos, faz relatos históricos que marcaram a vida da comunidade da vila de Mocambo(atual Candiba) nas décadas de 50 e 60. Neste livro, João Martins convida o leitor para conhecer os costumes, as tradições e a realidade sócio-econômica da região da Serra Geral. Denuncia os crimes contra a natureza e fala das mazelas provocadas pelas longas estiagens.
O escritor e historiador Dario Teixeira Cotrim diz que “O Outro Lado da Serra” faz uma viagem de volta às nossas origens, que deve ser realizada em câmara lenta para que possamos nos deliciar de todos os doces momentos de nossa existência. Para ele, o livro é um convite a quem quer relembrar ou conhecer o sertão da serra de Monte Alto. As obras foram editadas pelo próprio jornalista e impressas pela gráfica PapelBom, de Guanambi, contendo belas fotografias de personagens do sertão tiradas pelo autor.

CENTRAL DE DOAÇÕES DA APAE

Para se tornar mais conhecida e participar suas atividades e necessidades à população, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Vitória da Conquista(APAE) acaba de inaugurar a Central de Doações que funciona como um sistema de telemarketing com oito funcionárias que prestam informações diárias sobre a instituição e como as pessoas podem fazer doações parta ajudar os 310 alunos portadores de necessidades especiais que freqüentam suas instalações. Um dos objetivos do mais novo projeto da APAE, além da manutenção dos alunos, é equipar a sala de Fisioterapia que necessita de aparelhos e equipamentos.
A Central de Doações começou a funcionar nesta semana para divulgar as ações da APAE que já existe há 30 anos em nossa cidade, mas ainda é pouco conhecida da comunidade. Além de informar, a Central está aproveitando o contato telefônico para convidar as pessoas a fazerem doações que visam melhorar o atendimento de seus alunos que têm assistência especializada gratuita. Por se tratar de uma instituição sem fins lucrativos, A APAE sobrevive graças aos convênios municipal, estadual e federal, mas os recursos não são suficientes para promover as devidas melhorias. Para quem decidir colaborar, a APAE, que está com os novos telefones 2102-7110 e 2102-7100, irá emitir um recibo com os dados da entidade, e um funcionário vai até o endereço do contribuinte para receber a doação.

APAE TEM POSTO DO SUS

Está funcionando na APAE, desde o dia 7 de maio uma parceria da instituição com o Sistema Único de Saúde ( SUS). Essa é uma ação pioneira na cidade de Vitória da Conquista, já que se trata de um atendimento direcionado para os portadores de deficiências como mental, múltipla, síndrome de Down e do autismo.
Os serviços oferecidos anteriormente não supriam todas as necessidades dos alunos, faltavam profissionais e apoio. Os serviços de fisioterapia, estimulação e educação precoce eram mantidos com recursos próprios, que são resultado de doações e verbas disponibilizadas por órgãos públicos. O de odontologia é mantido pela Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista, que cede material e o profissional.
A equipe que antes era composta por apenas 02 fisioterapeutas, 01 odontologa, 02 assistentes sociais e 02 psicólogas, ganhou reforços de 01 terapeuta ocupacional, 01fonoaudiólgo, 01 psiquiatra, 02 psicólogos e 02 assistentes sociais.
Com esse aumento na equipe os atendimentos vão sanar as necessidades que existiam pela falta dos serviços que só agora foram implantados, como os de fonoaudiologia, terapia ocupacional, e psiquiatria que são essenciais para o desenvolvimento físico e psíquico dos alunos
Os atendimentos são feitos na própria sede da APAE, numa sala especial, e por enquanto são oferecidos apenas para os alunos. A proposta é que futuramente esses atendimentos sejam estendidos a pessoas da comunidade que necessitam, mas não estão matriculados na instituição.

"A IMPRENSA E O CORONELISMO"

“A IMPRENSA E O CORONELISMO”



A recente obra do jornalista Jeremias Macário de Oliveira, “A Imprensa e o Coronelismo no Sertão do Sudoeste”, que também já escreveu “Terra Rasgada – em Prosa e Verso”, recupera e resgata a memória da imprensa escrita do sudoeste baiano. A história dessa imprensa regional, como de toda Bahia, está sendo perdida com o tempo. Os exemplares dos periódicos estão expostos, sem os cuidados adequados, em arquivos públicos, museus e através de coleções de particulares. São retalhos da vida de um povo, os quais precisam ser reconstituídos.
Dentro desta ótica e preocupado em recuperar este valioso acervo de nossa história, foi que o jornalista Jeremias Macário, mesmo com poucos recursos de que dispunha, resolveu pesquisar e levantar dados que resultaram na publicação do livro que serve de subsídio para escolas, professores, estudantes de jornalismo, pesquisadores e interessados no assunto em geral. A publicação contou com apoio da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-UESB e Associação Bahiana de Imprensa-ABI.
Trata-se de um trabalho inédito na Bahia que levanta a história dos antigos jornais do sudoeste, com depoimentos de jornalistas e historiadores. Foram quatro anos de pesquisas e reportagens do jornalista que atuou no Jornal A TARDE por quase 33 anos, dos quais 14 como chefe da Sucursal de Conquista. Em suas andanças pela região como repórter, colheu dados, observou e analisou a trajetória e as características desta imprensa que muitos a chamam de “Caipira”.

Projeto-pilôto

Em linguagem jornalística, na forma de texto-reportagem, sem pretensões e intenções acadêmicas, “A Imprensa e o Coronelismo no Sertão do Sudoeste” é um projeto-pilôto, cujos estudos deverão ser ampliados e aprofundados, cobrindo todo território baiano, conforme é do interesse da Associação Bahiana de Imprensa, em conjunto com outras instituições. O estudo é o passo inicial de uma longa caminhada para um trabalho de equipe bem mais completo que fará parte das comemorações dos 200 anos da imprensa escrita na Bahia, em 2011 – entende o escritor.
Com prefácio do jornalista Agostinho Muniz, da ABI, o autor abre o livro descrevendo os objetivos e as justificativas que levaram a realizar o projeto e situa o leitor, geograficamente, dentro da região sudoeste, ao abordar as questões socioeconômicas e educacionais de uma população de mais de um milhão de habitantes, envolvendo, principalmente, os municípios de Vitória da Conquista, Jequié, Guanambi, Caetité, Brumado, Condeúba, Rio de Contas, Livramento, Paramirim, entre outros.
A obra faz referências ao surgimento da imprensa escrita no Brasil e na Bahia, antes de focalizar a história do jornalismo impresso no sudoeste, destacando o pioneirismo do jornalista e escritor João Gumes, em Caetité, com o jornal A PENNA, lá pelo final do século XIX. Rio de Contas, portal da Chapada Diamantina, com suas belezas e um rico patrimônio histórico e arquitetônico, também faz parte do cenário da sua obra. No início do século passado, os primeiros periódicos, como o Cinzel, registraram fatos marcantes daquela terra, sempre cobiçada pelos colonizadores portugueses atraídos pelo o ouro. Em Rio de Contas ocorreram os primeiros atos de violência contra a liberdade de imprensa, ao ponto de um jornalista ter sido obrigado a fugir da cidade pela madrugada para não ser morto pelos políticos mandatários.
Em Vitória da Conquista, comandada nos anos 20 e 30 pelos coronéis, o trabalho mostra ainda o relacionamento nada amistoso da imprensa com os chefes políticos. Para se defender das humilhações, um jornalista terminou atirando e matando um coronel. A própria história e o nascimento dos primeiros jornais são marcados por tragédias, intrigas e mortes contra os donos de veículos. A guerra entre Peduros e Meletes, em Conquista, envolveu dois importantes jornais: A Palavra e o Conquistense por volta de 1918.O livro relata toda uma trajetória de violência, opressão e censura, inclusive durante o governo do intendente Juracy Magalhães, a partir de 1930 com a ditadura Vargas.
Também é destaque em “A Imprensa e o Coronelismo”, a violência praticada nos anos 90 e início do atual século XXI. Em sua pesquisa, o escritor faz uma reflexão sobre as características da imprensa no século passado e condena os desvios comportamentais e éticos de donos de jornais que se voltam exclusivamente para interesses particulares e financeiros, em vez de se preocuparem com o público. De lá para cá, o modo de se fazer jornal no interior pouco mudou, conforme analisa o jornalista, criticando a falta de ética e de compromisso para com o leitor. A criação do primeiro curso de Jornalismo do interior, através da UESB, é um divisor na história da imprensa no sudoeste baiano. O livro acompanha todo processo de instalação do curso a partir do final dos anos 90.
Jeremias Macário, que já foi repórter, editor de Economia e chefe da Sucursal A TARDE de Vitória da Conquista, além de ter trabalhado em outros veículos e assessorias de comunicação da capital por muitos anos, sempre argumenta que o direito à liberdade de imprensa acaba quando não se tem ética e responsabilidade, e é isso que ele procura defender em seu livro. No entanto, condena em sua obra, qualquer tipo de abuso e violência contra a imprensa de um modo geral.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

TERRENO DA APAE QUESTIONADO NA JUSTIÇA

A diretoria da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Vitória da Conquista(APAE) está tentando reparar na Justiça uma irregularidade cometida em 1999 quando a presidente daquela época, Jandira Braga Velloso e outras diretoras, sem a convocação da Assembléia Geral, venderam o terreno da instituição, situado na avenida Juracy Magalhães, para a JMC –Indústria e Comércio de Artefatos de Metais Ltda por R$50 mil divididos em dez parcelas.
A venda do terreno, de pouco mais de 27 mil metros quadrados, na margem direita da avenida Juracy Magalhães, no sentido para a cidade de Itambé, foi considerada irregular pela promotora estadual, Joseane Suzart Lopes da Silva, que instaurou processo para apurar o negócio ilegal. Além de não ter tido a autorização da Assembléia Geral, o terreno foi vendido por um preço bem abaixo do mercado. Naquela época, o setor imobiliário e a Prefeitura Municipal avaliaram o seu valor em pouco mais de R$200 mil.
Por conta de uma série de irregularidades cometidas no âmbito interno, a APAE sofreu intervenção da Justiça em 1999. A partir de 2000 assumiu uma nova diretoria e, de lá para cá, não se tomou nenhuma providência para reverter a venda da propriedade e reparar os danos causados à instituição e à comunidade de Conquista. Já em mãos de terceiros, os processos foram se avolumando na Justiça do Forum João Mangabeira até chegar a 13 grandes volumes que pesam mais de 30 quilos de papel.
Somente agora, a nova diretoria, eleita há três anos, resolveu mexer no caso do terreno e a advogada Luzia Helena, num espírito de solidariedade e desprendimento financeiro sem nada cobrar, está tentando, através de uma liminar na Justiça, colocar o terreno em indisponibilidade para a venda. A intenção é que o processo seja revisado e que as perdas da APAE sejam reparadas.
A ação de embargos de terceiros foi julgada pela juíza Simone Soares de Oliveira Chaves que deu liminar favorável ao senhor Antônio Romário Aguiar dos Santos que adquiriu dois lotes do terreno, conforme consta no Registro de Imóvel do 1o Ofício, matrícula 32.604, significando o cancelamento da restrição judicial, ou seja, o terreno fica em disponibilidade para a venda.
É uma luta da APAE que só está começando para reparar o erro cometido pela diretoria de 1999. O imóvel registrado no CRIH, folhas 160, livro 2zz2, número 22.089, foi doado à APAE pelo Serrano Tênis Club. Sem consultar a Assembléia Geral, a propriedade foi vendida para a JMC – Indústria e Comércio de Artefatos de Metais Ltda que passou para terceiros.

ESQUECERAM O VALE DO IUIU

PROJETO DE IRRIGAÇÃO DO VALE


Texto de Jeremias Macário

De redenção e salvação da economia da região de mais de um milhão de habitantes no final dos anos 80 e na década de 90, dos movimentos políticos e de toda sociedade visando tirar os municípios da decadência devido ao fracasso do algodão, o Projeto de Irrigação do Vale do Iuiu, localizado a 900 quilômetros de Salvador, caiu no esquecimento, e a área de cerca de 9 mil hectares que seria irrigada teve boa parte desapropriada pelo governo federal, mas logo depois foi invadida e ocupada pelos Sem-Terra.
O Projeto começou a ser cogitado e idealizado por volta de 1986/87 quando Nilo Coelho, atual prefeito de Guanambi, era vice-governador da Bahia, numa área de pouco mais de 50 mil hectares e investimentos superiores a R$600 milhões financiados pelo Banco Mundial. Na década de 90, a euforia era grande na região da Serra Geral, especialmente nos municípios de Iuiu, Sebastião Laranjeiras, Candiba, Palmas de Monte Alto, Malhada e Guanambi. Era a esperança para salvar a economia que havia caído em crise devido a derrocada do algodão.

Codevasf frustra planos

De responsabilidade da Codevasf(Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco e Rio Parnaíba), entre o final dos anos 90 e início dos anos 2000, o projeto chegou a ser dimensionado, licitado e feitos os detalhes técnicos de operação para o plantio de uma enorme quantidade de culturas, como frutas e hortaliças. Centenas de produtores e empresários do comércio e da indústria de mais de 40 municípios até Vitória da Conquista chegaram a fazer planos para aumentar seus negócios em decorrência da comercialização dos produtos, mas a Codevasf frustrou todos eles. O comentário geral era que iria correr muito dinheiro, e os lojistas, inclusive de peças, automóveis e máquinas agrícolas, já se preparavam para expandir seus estabelecimentos.
Mas, o tempo foi passando e o projeto de Irrigação não saiu dos discursos dos políticos e governantes e, a partir do segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, foi caindo no esquecimento e sendo reduzido de 50 mil para 9 mil hectares. Hoje, a superintendência da Codevasf, em Bom Jesus da Lapa, pouco fala sobre o assunto. Nossa reportagem procurou saber sobre o projeto, mas não houve resposta. A Assessoria de Comunicação apenas disse que a empresa não dispõe de recursos e que agora se espera por uma possível iniciativa das Parcerias Públicas Privadas(PPP), ou do PAC-Programa de Aceleração do Crescimento do governo federal. A conversa é que o projeto vai entrar em discussão, mas até o momento só se tem falado da irrigação do Baixio de Irecê e do Salitre, em Juazeiro.
Dentre as lideranças do movimento em prol da implantação do Projeto de Irrigação do Vale do Iuiu, o presidente da Câmara de Vereadores de Guanambi, Elder Guimarães, continua lutando e não perde as esperanças. Ele pretende encaminhar um documento ao Ministério da Integração Nacional pedindo a atenção da Codevasf para o projeto. Ele lembra quando representantes e técnicos(Codevasf e outros órgãos) do governo federal estiveram em Guanambi e disseram que os projetos de Ceraima(Guanambi) e do Vale do Iuiu eram prioridades. “Só que a Codevasf não fez nada para revitalizar e recuperar o projeto de irrigação de Ceraima, nem implantou o do Vale do Iuiu.” A Codevasf, como se comenta em Guanambi, preferiu entregar a área para os Sem-terra.
Dos 9 mil hectares previstos para serem irrigados em Iuiu, segundo Guimarães, 6.300 hectares chegaram a ser desapropriados e pagos aos favorecidos donos das terras por preços além do mercado. No governo de Fernando Henrique, a Câmara de Vereadores enviou ofícios para os ministérios competentes e para o relator do Orçamento, tentando sensibilizá-los quanto a importância do Projeto do Iuiu. Em tom de desabafo, Elder disse que o governo de Lula tem recursos suficientes para fazer a transposição das águas do Rio São Francisco, mas não tem para irrigar 9 mil hectares que gerariam 50 mil empregos para toda região de Guanambi. “Hoje, as terras estão sendo invadidas pelos Sem-Terra, e o Projeto de Irrigação ficou apenas na saudade”.

A HISTÓRIA DE UM PROJETO

Que fim levou o Projeto de Irrigação do Vale do Iuiu? É a pergunta que mais se tem feito na região quando se junta um grupo de produtores, comerciantes, lideranças das entidades de classe, técnicos e até de políticos, para se discutir questões e alternativas para a diversificação da economia. A sua história começou lá pelos meados dos anos 80, portanto, há mais de 20 anos. A imprensa da região e da capital, como A TARDE, sempre deu cobertura e noticiou todos os passos do movimento pela tão almejada e desejada implantação do projeto.
Nos exemplares da revista “Integração”(Guanambi), do jornalista João Martins, por exemplo, o assunto foi bastante divulgado desde a sua iniciativa. O projeto era considerado como a “salvação da lavoura”, eldorado e nova fronteira agrícola em seminários e conferências de técnicos, empresários e políticos. O ex-deputado federal, Prisco Viana, entre os anos de 1996/97, quando o algodão já havia entrado em decadência e a economia atravessava uma grande crise, dizia que a saída era a agropecuária através do projeto de Irrigação do Vale do Iuiu. Em suas entrevistas, destacava que o sucesso do projeto era tão grande que o Banco Mundial se prontificou a financiá-lo. Já naquela época, os políticos da Bahia e do Nordeste chegaram a negociar com o governo federal a transposição do São Francisco em troca da aprovação do projeto. Prisco Viana criticou a renúncia fiscal dada para a Ford se implantar em Camaçari quando se podia negociar a irrigação do Vale do Iuiu. Depois de tantas secas, o também deputado federal Nilo Coelho dizia ser a hora do governo olhar para o projeto.
Nos estudos de viabilidade econômica, o projeto foi dimensionado para pouco mais de 50 mil hectares, mas se falou em 254 e 165 mil, passando depois para 30 mil até chegar a 9 mil hectares. Em 2001 se falou em licitar a obra, mas o tempo passou e hoje o presidente da Câmara de Vereadores de Guanambi, José Elder Guimarães afirma que tudo ficou no discurso. Mas, houve uma época(década de 90 e início dos anos 2000) que os movimentos tiraram o projeto do discurso e parecia que tudo ia dar certo. Chegou a ser assinado um contrato de construção da obra entre a Codevasf e a empresa Ecoplan. Palestras e encontros na região animavam os pequenos produtores que faziam seus planos para ganhar dinheiro e sair da pobreza. Como estava planejado, seria o maior projeto de todo semi-árido baiano.
Em 1991/92, por exemplo, conforme relata a revista “Integração”, foram feitos estudos de campo e reconhecimento da área sul dos municípios de Iuiu, Malhada, Palmas de Monte Alto e Sebastião Laranjeiras. Três sistemas constavam das análises: aproveitamentos das águas do rio São Francisco; construção de barramentos no rio Verde Pequeno e Mandiroba; e aproveitamento das águas subterrâneas. Os técnicos chegaram a dimensionar uma área de 470 mil hectares quando 200 mil foram considerados irrigáveis e em Iuiu seriam construídas duas estações de captação das águas do São Francisco. Das terras, 90 mil hectares apresentavam algum tipo de cultura(algodão, feijão, milho), 130 mil eram cobertos por campos e capoeira e 200 mil de vegetação de caatinga, conforme relatório detalhado enviado o ex-deputado federal Nestor Duarte pelo presidente da Codevasf na época, Airson Bezerra Lócio. Anualmente, seriam implantados seis mil hectares, com uma estação de bombeamento com capacidade para 23,55 metros cúbicos por segundo, e uma tubulação com 3.140 metros de extensão.
Em junho de 1997 chegaram a ser concluídos os estudos de viabilidade econômica, técnico e ambiental para uma área bruta de 50 mil hectares, sendo 30 mil de área útil, 10 mil de reserva legal, 2,2 mil de preservação permanente e 1,6 mil para pecuária e sequeiro. Os pequenos irrigantes receberiam 2.533 lotes de seis hectares cada, as pequenas empresas 69 lotes de 50 hectares, as médias, 69 lotes de 100 hectares e as grandes, nove lotes de 200 hectares para plantar algodão, abacaxi, melão, melancia, coco, banana, goiaba, manga, tangerina, batata-doce, tomate, cenoura, pimentão, abóbora , uva, limão, entre outras culturas. O custo por hectare estava estimado em R$13 mil, devendo gerar 50 mil empregos, com investimentos de R$300 a 600 milhões. Com esta perspectiva de implantação, um movimento em 1997, no entroncamento de Iuiu, na BR-030, chegou a reunir mais de três mil pessoas entre políticos, produtores, empresários e diversas lideranças. Na época foi lançada a campanha “Vale” - Uma Esperança. Foi um marco na história daquele povo, dizia o presidente da União dos Vereadores da Região de Guanambi, Elder Guimarães