terça-feira, 30 de outubro de 2007

ESGOTOS MATAM O RIO DO ANTÔNIO

FOTO DE JOSÉ SILVA
“O Pequeno Nilo” do sudoeste como é considerado o Rio do Antônio pelo coordenador do Modera-Movimento pela Despoluição e Conservação do Rio do Antônio, Aderbaldo Silveira, mais conhecido como “Deba”, está morrendo lentamente pela ação dos esgotos e lixo despejados pelas cidades onde passa, sem contar os desmatamentos em suas margens e a extração de areia para a utilização na construção de moradias e prédios comerciais. Depois de muitas lutas e recuos de juízes, uma liminar da Justiça determinou entre 2000/01 o tratamento dos esgotos e a despoluição do rio nas cidades de Caculé, Guajeru, Rio do Antônio, Malhada de Pedras e Brumado, mas até agora a lei não foi cumprida, o que só fez piorar mais ainda a situação.

Como o Modera continuou exigindo o cumprimento da lei e denunciando as ações agressivas contra o rio, a entidade e seus membros passaram a sofrer retaliações como a não participação no Conselho Municipal do Meio Ambiente de Brumado e a não inclusão na Câmara Setorial do Rio do Antônio, conforme aponta Jorge Valério Rocha Gomes, um dos fundadores do Movimento e atual membro da diretoria. Ele acusa de que o Modera vem sofrendo todos os tipos de retaliações por parte das prefeituras da região. Contra sua pessoa como funcionário da Prefeitura de Brumado, disse que quase foi colocado em disponibilidade por defender o cumprimento das leis. Sobre a questão, a chefe do Departamento do Meio Ambiente da Prefeitura Municipal de Brumado e do Conselho do Meio Ambiente, Suzana Aparecida não quis entrar em detalhes sobre o assunto e se limitou a dizer que não é obrigatório que o Modera faça parte do Colegiado. Enquanto isso, os esgotos continuam sendo despejados no leito do Rio do Antônio que nasce entre os municípios de Jacaraci e Licínio de Almeida a partir da formação dos rios do Salto e Paiol, abrigando em toda sua extensão, até despejar suas águas no rio Brumado com o Rio das Contas, uma população de mais de 200 mil habitantes que vivem da agricultura de subsistência, do comércio e da pesca em alguns barramentos

A SITUAÇÃO SÓ FAZ PIORAR

FOTO DE JOSÉ SILVA
Com relação aos últimos seis ou sete anos quando uma liminar da Justiça determinou o tratamento dos esgotos nas cidades cortadas pelo rio, o coordenador do Modera, Aderbaldo Silveira, ou “Deba”, afirmou que a situação piorou. O Rio do Antônio é vítima da degradação a partir da década de 40, “e de lá para cá não se teve mais respeito”. Segundo ele, antes disso existia a agricultura de subsistência em suas margens através do plantio de cana-de-açúcar que foi substituída pela pecuária, exigindo maiores extensões de desmatamento. Essa atividade, na sua opinião, concorreu para a verdadeira degradação do rio e, consequentemente, o assoreamento. Outro fator, de acordo com “Deba”, que contribuiu para sua degradação, foi o desmatamento provocado pela estrada de ferro cujos trens a vapor consumiam uma quantidade enorme de madeira. Na atualidade, as mais de 200 cerâmicas da região que consomem lenha em seus fornos agravam o quadro de degradação.


Com os tempos, as cidades ribeirinhas cresceram e aí veio o lançamento de esgotos, como aconteceu em Caculé, uma das que mais prosperou em toda região. “Em Caculé, todo seu esgoto é jogado in natura no rio” – destacou. Quanto a cidade de Rio do Antônio, para “Deba”, menos mal porque os esgotos são jogados na Lagoa do Cunha que já morreu. Segundo o coordenador do Movimento, o que está mais matando o rio são esgotos e o problema ainda não foi resolvido porque o tratamento demanda altos recursos. Só com relação ao tratamento dos esgotos na cidade do Rio do Antônio se gastaria mais de R$1 milhão e R$42 milhões em Brumado. Provocado pelo Modera, há sete anos uma ação civil pública levou a Justiça a dar uma sentença obrigando o tratamento dos esgotos. No entanto, o juiz foi salomônico porque não houve uma punição maior para os municípios, conforme avalia “Deba”, acrescentando que isso concorreu para que as prefeituras continuassem poluindo o rio.


A extração de areia é outra agressão contra o rio, e a ação é cada vez mais acentuada como forma de renda das famílias pobres. Uma caçamba de areia está custando R$150,00, “uma verdadeira fábrica de dinheiro”, destacou o coordenador do Movimento, esclarecendo que existe areia porque houve o desmatamento. Citou também que a areia despejada através da barragem do Trovisco, em Caculé, vem descendo e matando lentamente o rio. A barragem que abastece a cidade do Rio de Antônio e parte da zona rural, por exemplo, está assoreada pela metade.


Para “Deba”, a irrigação agrícola de subsistência através do Rio do Antônio é pequena e não chega a afetar o consumo humano que é prioritário. Cada proprietário ribeirinho, de acordo com ele, irriga de um a dois hectares de terra nas lavouras de feijão e milho, sobressaindo a horticultura na região da Capivara, em Caculé.


No início, o Rio do Antônio era perene e passou a ser temporário, deixando de existir totalmente durante as épocas de seca. Com a construção da barragem de Trovisco, em Caculé, nos anos 90, o rio voltou a ser perene. No entanto, se Trovisco não estivesse soltando água, o rio estaria seco. “Se o Trovisco fechar suas comportas, em menos de 30 dias o rio pára de correr”.
Para revitalizar o rio, o Modera vem realizando uma campanha de recomposição das matas ciliares, com apoio da Magnesita, de Brumado, e da INB-Indústrias Nucleares do Brasil, em Caetité. Mesmo assim, “Deba” lamenta a tímida cooperação por parte das escolas da região. Para ele, a recuperação das matas ciliares com o plantio de milhões de árvores é a melhor forma de salvar o rio da degradação, começando pelo rio São Domingos no distrito de Jurema, em Licínio de Almeida. Toda bacia abrange os municípios de Licínio de Almeida, Jacaraci, Caculé, parte de Ibiassucê, Guajeru, Rio do Antônio, Malhada de Pedras e Brumado, que é a maior cidade. Para reflorestar suas áreas, o Modera está solicitando ajuda até da empresa Vale do Rio Doce, além das prefeituras, mas divergências políticas, segundo “Deba”, tem dificultado o trabalho de socorro ao rio.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

MENOS VAGAS PARA JORNALISTAS

Estudo realizado pelo governo norte-americano sobre as profissões mais promissoras do século XXI mostra que o mercado jornalístico não é nada promissor. Segundo as projeções, as vagas para repórteres crescerão apenas 5% na próxima década. O estudo, que não explica em que se baseou para apresentar os dados, trabalha com informações referentes aos Estados Unidos, mas parece antecipar o que pode ocorrer em outras partes do mundo, inclusive o Brasil.

"Claro que sempre haverá procura por notícias", diz o estudo, ressaltando o baixo crescimento das vagas apesar da quantidade de informação ser cada vez maior. No Brasil, muitas faculdades têm um crescimento maior do que isso para as vagas no curso de jornalismo e, constantemente, demissões em massa ocorrem. Também já é comum no País a prática da sinergia, obrigando repórteres a escreverem para mais de um veículo da mesma empresa, como impresso e internet.

A tendência é que os jornais cortem ainda mais custos e empregos com o advento das novas mídias e a substituição de veículos impressos pela Internet. A maior parte das oportunidades estará em nichos. "TVs, rádios e jornais de bairro e de cidades pequenas" são indicados como os melhores veículos para trabalhar.

Entre as principais desvantagens da profissão estão o "número irregular de horas de trabalho, pressão constante com os deadlines e concorrência acirrada". Repórteres dos EUA receberão um salário anual de aproximadamente U$S 32 mil, o equivalente a cerca de R$ 56 mil ou aproximadamente R$ 4,6 mil por mês.

A lista enumera áreas como saúde, educação e mercado financeiro como as mais promissoras. Ao menos, não estamos sozinhos já que existem outras áreas ameaçadas. Locutores de rádio e agentes de viagens também estão entre elas.

TEM ORGULHO DE SER JORNALISTA?


Com tantos problemas, a profissão de jornalista pode ser até considerada um dom: não é qualquer um que agüenta a jornada de plantões e de longas horas de trabalho. Isso somada a baixa remuneração e o mercado de trabalho cada vez mais escasso. Então, vem a pergunta. Afinal, o jornalista tem orgulho da profissão?

Para responder a esta pergunta o Comunique-se realizou uma enquete com seus usuários contendo três perguntas: Você tem orgulho de ser jornalista? Você se sente realizado com a profissão? Você se arrepende de ter escolhido o jornalismo?

O resultado expôs o lado “mais romântico” do jornalista brasileiro: 58,91% dos profissionais têm, sim, orgulho da profissão. Menos de um terço do total, 27,43% tem algum orgulho, 8,64% têm pouco orgulho e apenas 4,99% não tem nenhum orgulho de ser jornalista.

“O resultado reflete as péssimas condições de trabalho, a existência de poucos jornais, e outros meios de comunicação. A última vez que tive acesso a esse tipo de estatística (e este quadro não deve ter mudado muito) havia uma proporção de quatro candidatos para um emprego. O que um jovem formado pode pensar a respeito da profissão diante de um quadro melancólico como esse?”, questiona Milton Coelho da Graça, colunista deste portal.

No entanto, apesar de mais da maioria dos votantes atestar que tem orgulho de ser jornalista, 51,93% dos entrevistados não se sentem realizado com a profissão. Os que se sentem plenamente realizados somaram 31,38% dos votos. “Eu poderia ser melhor remunerado, mas isso não tem a ver com realização. Eu sinto que, com o jornalismo que faço, contribuo de alguma forma com o mundo. Isso é muito bom!”, diz Magela Lima, repórter do Diário do Nordeste. Quase 6% dos usuários deste portal responderam que é impossível se sentir realizado nesta profissão.

A boa surpresa para o jornalismo brasileiro descoberta pela enquête é que, apesar de todos os pesares, 77,46% dos pesquisados não se arrepende de ter optado pelo jornalismo como profissão. É o caso de Fernanda Cunha, que foi coordenadora do site Brasil com Alckmin durante as eleições. “Quando penso no salário, na dificuldade de conseguir um trabalho legal, no dia-a-dia corrido, não ter horário, feriado ou fim de semana, aí me arrependo. Mas, quando penso no que o jornalismo me proporciona, acho que fiz a escolha certa. Embora às vezes eu entre em crise, não consigo me ver sendo outra coisa”, afirma.

Menos de 10% dos entrevistados se arrependem de ter escolhido jornalistas. Destes, 5% responderam que vão procurar outra faculdade.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

"COMO ENDIREITAR UM ESQUERDISTA"

Frei Betto:

Ser de esquerda é, desde que essa classificação surgiu na Revolução Francesa, optar pelos pobres, indignar-se frente à exclusão social, inconformar- se com toda forma de injustiça ou, como dizia Bobbio, considerar aberração a desigualdade social.Por Frei Betto

Ser de direita é tolerar injustiças, considerar os imperativos do mercado acima dos direitos humanos, encarar a pobreza como nódoa incurável, julgar que existem pessoas e povos intrinsecamente superiores a outros

Ser esquerdista - patologia diagnosticada por Lênin como “doença infantil do comunismo” - é ficar contra o poder burguês até fazer parte dele. O esquerdista é um fundamentalista em causa própria.

Encarna todos os esquemas religiosos próprios dos fundamentalistas da fé. Enche a boca de dogmas e venera um líder. Se o líder espirra, ele aplaude; se chora, ele entristece; se muda de opinião, ele rapidinho analisa a conjuntura para tentar demonstrar que na atual correlação de forças…

O esquerdista adora as categorias acadêmicas da esquerda, mas iguala-se ao general Figueiredo num ponto: não suporta cheiro de povo. Para ele, povo é aquele substantivo abstrato que só lhe parece concreto na hora de cabalar votos. Então o esquerdista se acerca dos pobres, não preocupado com a situação deles, e sim com um único intuito: angariar votos para si e/ou sua corriola. Passadas as eleições, adeus trouxas, e até o próximo pleito!

Como o esquerdista não tem princípios, apenas interesses, nada mais fácil do que endireitá-lo. Dê-lhe um bom emprego. Não pode ser trabalho, isso que obriga o comum dos mortais a ganhar o pão com sangue, suor e lágrimas. Tem que ser um desses empregos que pagam bom salário e concedem mais direitos que exige deveres. Sobretudo se for no poder público. Pode ser também na iniciativa privada. O importante é que o esquerdista se sinta aquinhoado com um significativo aumento de sua renda pessoal.

Isso acontece quando ele é eleito ou nomeado para uma função pública ou assume cargo de chefia numa empresa particular. Imediatamente abaixa a guarda. Nem faz autocrítica. Simplesmente o cheiro do dinheiro, combinado com a função de poder, produz a imbatível alquimia capaz de virar a cabeça do mais retórico dos revolucionários.

Bom salário, função de chefia, mordomias, eis os ingredientes para inebriar o esquerdista em seu itinerário rumo à direita envergonhada - a que age como tal mas não se assume. Logo, o esquerdista muda de amizades e caprichos. Troca a cachaça pelo vinho importado, a cerveja pelo uísque escocês, o apartamento pelo condomínio fechado, as rodas de bar pelas recepções e festas suntuosas.

Se um companheiro dos velhos tempos o procura, ele despista, desconversa, delega o caso à secretária, e à boca pequena se queixa do “chato”. Agora todos os seus passos são movidos, com precisão cirúrgica, rumo à escalada do poder. Adora conviver com gente importante, empresários, ricaços, latifundiários. Delicia-se com seus agrados e presentes. Sua maior desgraça seria voltar ao que era, desprovido de afagos e salamaleques, cidadão comum em luta pela sobrevivência.

Adeus ideais, utopias, sonhos! Viva o pragmatismo, a política de resultados, a cooptação, as maracutaias operadas com esperteza (embora ocorram acidentes de percurso. Neste caso, o esquerdista conta com o pronto socorro de seus pares: o silêncio obsequioso, o faz de conta de que nada houve, hoje foi você, amanhã pode ser eu…).

Lembrei-me dessa caracterização porque, dias atrás, encontrei num evento um antigo companheiro de movimentos populares, cúmplice na luta contra a ditadura. Perguntou se eu ainda mexia com essa “gente da periferia”. E pontificou: “Que burrice a sua largar o governo. Lá você poderia fazer muito mais por esse povo.”

Tive vontade de rir diante daquele companheiro que, outrora, faria um Che Guevara sentir-se um pequeno-burguê s, tamanho o seu aguerrido fervor revolucionário. Contive-me, para não ser indelicado com aquela figura ridícula, cabelos engomados, trajes finos, sapatos de calçar anjos. Apenas respondi: “Tornei-me reacionário, fiel aos meus antigos princípios. E prefiro correr o risco de errar com os pobres do que ter a pretensão de acertar sem eles.”

TOMBAMENTO DAS NOSSAS MAZELAS

Como está na moda, bem que o Ministério da Cultura poderia decretar o tombamento da cultura da corrupção, da cultura da malandragem, da esperteza dos brasileiros que não estão nem aí para a vida de seus próprios conterrâneos e colocam solventes nos combustíveis e soda cáustica no leite. Poderia tombar o comodismo do povo, a alienação da estudantada jovem e o peleguismo da CUT. Poderia tombar como patrimônio nacional, a contradição entre o que se pregava antes e o que se pratica ou se deixa de fazer quando se está no poder. Poderia tombar a falta de ética e a inversão de valores que atingiu o país. Poderia tombar o baixo nível de ensino na educação e o besteirol das letras e das "composições" do axe music baiano. Poderia tombar também os caras-de-pau da política e a infestação de gafanhotos em Brasília. Poderia tombar as cestas básicas e os carros-pipa da seca que castiga a caatinga e faz cambalear de fome os sertanejos. Poderia tombar ainda as promessas não cumpridas.
Martin Luther King dizia que o que mais preocupa não é a corrupção, o mau-caráter, ou o cinismo, mas o silêncio dos bons. Em toda história do Brasil, nunca vi um povo tão dominado, acomodado e silencioso. Voltado para o consumismo do capitalismo, para a aparência e para a cultura da estética, nada abala, nem se mobiliza contra as corrupções e desmandos.

O Senado vira uma casa de cafajestes e gangsters, mas o povo “bovino” segue na trilha do curral. Contra os escândalos e a violência, apenas algumas passeatas de "propaganda de alvejante". Todos só querem ganhar, competir de qualquer jeito, ter e cercar suas casas de arame farpado, correntes e dispositivos elétricos.

Na competição, vale tudo e, como no poder, os fins justificam os meios. O que mais está me deixando triste e depressivo neste país é justamente o povo, e dele fazer parte. Está tudo dominado e entorpecido. O que mais existe hoje no Brasil é protesto de internet porque é passa-tempo, divertido e não precisa sair de casa para ir às ruas se manifestar. Nada de botar a cara pra fora.

Nas décadas de 60 e 70 se liam livros. Hoje o povo não sabe nem ler televisão. Poucos sabem e nem querem saber o que aconteceu durante a ditadura militar quando milhares foram torturados, tiveram seus ossos esmagados e espumaram diante dos choques elétricos. Sinto vergonha quando vejo e leio notícias da Argentina, Uruguai e Chile onde o judiciário e os governos estão processando e prendendo os torturadores das ditaduras. Aqui, queimam arquivos sigilosos dos tempos de chumbo e tudo fica por isso mesmo. Nossa história está sendo apagada e não se faz nada. Os militares ficam furiosos quando se lança um livro sobre a memória e a verdade do regime. Nas escolas não se aprende mais as lições, nem se ensina o caminho da construção. A pena não registra mais nossa memória, e das crianças arrancam seus sonhos.

É de se ter vergonha de ser brasileiro. Não temos mais representação sindical para defender nossos interesses e a União Nacional dos Estudantes virou um clube de alienados que só fala em coisas domésticas. A CUT não se manifesta e dentro dela engorda a elite sindical, cevada pelas
benesses do governo.

Este não é o meu povo, não é o meu país. Devíamos nos envergonhar. Ninguém quer saber o que está acontecendo. Nossa imagem é tão desgastada que o próprio brasileiro não confia no outro quando se está no exterior. Não teme o estrangeiro, mas se fica de olho bem aberto quando pinta outro brasileiro na área.

Pode ter mais 10 mandatos de Lula, fecharem o Congresso que ninguém se abala e nem sae de suas casas para agir, a não ser para brigar pelo seu time de futebool, pelo carnaval que vai passar e pela noitada num botequim de muita cachaça e cerveja. Lá se vai a carneirada para a imolação. Nossa dignidade está morrendo lentamente, corroída pela ganância desenfreada e pela malandragem do levar vantagem em tudo, ou do toma lá, dá cá. Fazemos o mesmo no trânsito e nas repartições públicas. Não temos mais moral para reclamar. Maldito o sério e o honesto.

Estamos mais preocupados com o politicamente correto, do que com a escória parida pela burguesia hipócrita e safada. Estamos mais preocupados no que escrevemos e dizemos do que com os políticos que carregam dólares nas cuecas. Por isso que eles já deram uma banana para a tal de opinião pública que nem mais existe mais no Brasil.

A nossa briga gente, não é com a mídia, mas com a mentira de uma democracia que não existe. Nossa briga é contra eles que nos enganam, com os caras-de-pau que tudo fazem para se manter em seus palácios. Qualquer protesto que se faça é visto como de linha conservadora e os ditos de esquerda justificam até roubos e quadrilhas.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

LIVRARIAS EM CONQUISTA




O índice de leitura no Brasil, para ser otimista, está na faixa de dois livros por habitante/ano, mais baixo que países da América do Sul. Segundo estudos, existem 1.500 livrarias e o negócio não tem rendido bons frutos aos seus empreendedores, tanto que muitos estabelecimentos têm fechado suas portas por falta de leitores.

Com relação a Vitória da Conquista, o mercado cresceu bastante nos últimos anos. Até pouco tempo, só o Cairo Center oferecia em seu bazar, opções para a compra de autores brasileiros, mas os títulos eram limitados. Agora, temos em Conquista as livrarias Nobel, Letras e Prosas, a Multicampi e a Futura, além de dois sebos. Essa evolução, puxada pela Nobel, de José Maria, se deveu à criação do pólo educacional.

Acontece que o público das livrarias tem se resumido a estudantes e professores que sempre procuram títulos que se relacionam com seus cursos. Muitos ainda compram um livro por obrigação, isto é, quando a disciplina exige, como ocorre no vestibular. Somente os livros indicados são lidos e, a partir daí, não se tem mais interesse por outros autores. O país hoje tem uma boa produção editorial, mas poucos leitores, o que constitui uma contradição.

O estímulo á leitura não depende apenas de uma boa qualidade da educação. Conta o ambiente familiar, se os pais gostam de ler e incentivam os filhos, o estímulo do poder público e do setor privado através da realização de bienais, redução dos preços com a queda dos impostos e espalhar bibliotecas atualizadas e modernas pelas cidades.

Mas, parece que surge uma luz no final do túnel. As bienais têm atraído muitas crianças e jovens e tomara que voltemos às décadas de 60 e 70 quando se lia muito mais. Atualmente, existem os meios eletrônicos que deixaram as pessoas preguiçosas. Preferem ler televisão, ou ficar o dia todo fuçando na internet.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

BAIXOS ÍNDICES DE LEITURA

O Brasil apresenta um dos mais baixos índices de leitura do continente e do mundo, conforme apuração do Plano Nacional do Livro e Leitura(PNLL). No país, são menos de dois livros lidos por habitante/ano. A Colômbia lê 2,4 livros, a França, 7, a Inglaterra e os Estados Unidos, 5. Com pouco apoio ao acesso do cidadão ao livro, nossas bibliotecas não passam de meros depósitos de livros velhos e obsoletos. Embora em quantidade cheguem a impressionar, como na educação, as bibliotecas estão empoeiradas e defasadas. Os livros não são comprados pelo governo, mas doados pelas editoras e particulares.

Outro dado é que um entre quatro jovens com idade acima de quinze anos consegue ler e compreender textos. O restante é de analfabetos, ou funcionais. A massa de leitores não passa de 26 milhões de pessoas com dificuldades de acesso ao livro. De acordo com os estudos, 61% dos adultos alfabetizados têm pouco contato com o livro; 73% dos livros estão concentrados em apenas 16% da população. De 49 milhões de jovens entre 15 e 28 anos, 60% não trabalham, nem estudam.

Segundo ainda os dados, a produção do livro no Brasil envolve cerca de duas mil editoras e quinze mil gráficas que publicam praticamente livros didáticos e de auto-ajuda. A tiragem média é de três mil exemplares. O país possui apenas 1.500 livrarias(a grande maioria no sudeste). Mesmo assim, os donos desses estabelecimentos estão mudando de ramo e outros fechando as portas por falta de clientes, o que agrava mais ainda a questão do acesso, da distribuição e da divulgação. Apesar do livro ser uma ferramenta do conhecimento, da identidade e da memória de um povo, não existe uma política de fortalecimento e apoio à produção.