quarta-feira, 21 de julho de 2010

O URÂNIO TEM RISCOS?

A radiação faz bem ou mal à saúde? A verdade, as meias verdades e os mitos são explicados pelo médico especialista Nelson Valverde. A radiação pode causar danos e benefícios, como a ionizante. Somente a partir de 1895 o homem foi dar conta da radiação e hoje as pessoas associam o perigo dela ao câncer, à dor e à morte.
Com estilo didático e esclarecedor sobre a história da Radiação Ionizante, o médico, especializado há 33 anos em radiobiologia e radiopatologia, assegurou durante sua palestra no auditório da Casa Anísio Teixeira, em Caetité, que as pessoas que vivem em torno da mina e da usina de urânio das Indústrias Nucleares do Brasil-INB e consomem a água na área do projeto não correm risco de serem contaminadas pela radiação do urânio.
Em entrevista à nossa reportagem pouco antes da sua explanação, o médico formado em Saúde Ocupacional e Radiopatologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro foi categórico em suas afirmações, ponderando, no entanto, ser possível que em alguns bolsões exista maior concentração de urânio natural. Mesmo assim, segundo ele, isso não coloca em risco a vida das pessoas. “Não se pode atribuir a operação da URA/INB qualquer contribuição para aumentar a concentração de urânio na água”.
Prosseguindo, o médico que é colaborador permanente da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) declarou que mesmo o urânio na forma yellow cake não provoca riscos radiológicos porque o produto não é enriquecido. De acordo com o especialista, o risco radiológico é a partir dos 10 a 15% de enriquecimento.

AS QUESTÕES DO PÚBLICO

Nelson Valverde não se furtou a responder às questões da platéia e da nossa reportagem sobre os alardes da mídia e dos movimentos ambientalistas, inclusive do Granpeecce quanto, especialmente, a contaminação da água pelo urânio natural e extraído em Caetité.
Na sua avaliação, pode ser que essas pessoas tenham outras informações que não sejam do meu conhecimento. “Se souberem mais, é interessante que tragam essas informações a público como forma de cidadania”. No entanto, destacou que precisa haver fundamento científico. No mais, na sua análise, é criar pânico e desserviço à população, acrescentando que ninguém pode ser absolutista. Nesse aspecto, o médico lembrou o filósofo grego Platão que foi o pai da epistemologia, o que significa a ciência da verdade.
Na sua palestra bastante interativa para um público de cerca de 120 pessoas, com foco no urânio de Caetité, um participante chegou a abordar o problema da divulgação dessas notícias que deixaram a comunidade em pânico, inclusive visitantes que na época se recusavam a beber água e a consumir produtos oriundos da cidade.
O público presente endossou a iniciativa das palestras, inclusive cobrou mais resposta da INB com relação às informações desencontradas. O coordenador Administrativo da Empresa, Jorge Luis Carvalho Almeida e a coordenadora de Comunicação Social, Gabriela Marchesin explicaram o trabalho que a INB vem fazendo para esclarecer todas as dúvidas quanto às informações distorcidas e convidaram as pessoas a visitarem a usina.
O médico que também é colaborador da Organização Mundial de Saúde disse que a INB está no caminho certo com esta programação e que é a obrigação dela se abrir e ser transparente com os trabalhadores e com a comunidade. “Temos o direito de saber o que nos afeta ou não, e cabe aos cidadãos decidirem”.
Na ocasião, Valverde lembrou que a INB contratou serviços da Fundação Fiocruz para realizar estudo epidemiológico da área do urânio. Na primeira etapa do trabalho, a Fiocruz constatou que o nível de mortalidade de câncer em Caetité e Lagoa Real, comparado com os municípios de Botuporã e Maragojipe, na Bahia, é igual, inclusive também com relação a outras localidades do Brasil.
Indagado se a INB segue as normas e exigências recomendadas pelas agências internacionais, o especialista que já foi condecorado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) pelos serviços em prol das aplicações pacíficas da energia nuclear, respondeu que a empresa é auditada pela própria CNEN, pela AIEA, pelo Ibama e outros organismos e está atuando com total segurança. “Temos normas e regulamentos que não podem ser desobedecidos”.
Sobre os efeitos que a radiação ionizante pode causar no organismo humano, durante sua palestra, pontuada com ilustrações históricas referentes ao tema, Nelson Valverde disse que existem as verdades, as meias verdades e os mitos. Um dos mitos, segundo ele, é que a radiação ionizante causa câncer e impotência sexual. Assinalou, sem seguida, que a história da radioatividade do átomo é traumática, lembrando a catástrofe nuclear de Hiroxima e Nagasaki. “A percepção do risco é hoje hiperdimensionada”.
A palestra faz parte da programação chamada “Palestras sobre urânio, mineração e energia nuclear” que a INB começou a desenvolver no ano passado quando especialistas falaram sobre o assunto como a hidrologia da região, o ciclo do combustível e o funcionamento de uma usina. O objetivo do programa é levar mais informações ao público formador de opinião, como prefeitos, vereadores, lojistas, professores, estudantes e representantes das comunidades urbana e rural.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

COPA E CARCARÁS


Deu para perceber que na chamada Operação Caracará (podia se chamar Carcará) do Ministério Público Estadual, da Secretaria da Fazenda e da Secretaria de Segurança do Estado, Vitória da Conquista é o foco da sonegação fiscal na Bahia! Com a concentração de 15 a 16 presos entre empresários e policiais, lamentavelmente, aqui mais parece ser o paraíso das trambicagens.

É muita gente comendo “bola” e se enriquecendo ilicitamente. E por falar nisso, já observou a declaração de renda dos candidatos a cargos políticos nas próximas eleições? Como eles são pobres coitados! Como nas cantorias das emboladas, é cada um fazendo suas pegadas na demonstração de suas destrezas verbais e escritas. Essa Operação, segundo dizem, já vinha sendo investigada há quatro anos e descobriu-se um rombo de R$1,6 bilhão no Estado.

Creio que aqui em Conquista, não apenas na área fiscal, muita coisa precisa ser desbaratada. Infelizmente, nos tempos mais recentes, nosso município tem sido destaque de coisas ruins como a Chacina entre 28 e 29 de janeiro quando policiais executaram 11 pessoas. Alguns deles foram levados para Salvador, mas já retornaram e não se fala mais em inquéritos e prisões. É mais uma fato a ir para o arquivo morto.

Achei fraca a cobertura da imprensa local com relação a Operação Caracará (não me traduziram o significado). Por que não deram os nomes dos presos? Mais uma vez, os noticiários não passaram de registros formais, sucintos e sem profundidade. Com seus mais de 300 mil habitantes e com tantas ocorrências, Conquista já deveria ter um jornal diário feito com seriedade, conteúdo e qualificação profissional.

Falta visão empresarial e jornalística para encarar essa realidade, sem vaidades e pretensões políticas. O povo de Conquista está carente de notícias e matérias locais bem trabalhadas e que não sejam reféns dos órgãos públicos. Muitos questionam por aí que com esse estilo não dá para sobreviver. Tenho opinião diferente e certeza que dá.

Quanto a Operação, fica a sensação de que o ouvinte, o telespectador e o leitor ficaram frustrados com os resumos das notícias. Nas informações, sente-se a falta de um jornalismo mais investigativo por parte da imprensa local. A impressão que se tem é que muito mais coisa deveria ser divulgada e explicada com mais detalhes.

É uma crítica que pode ser rebatida e contestada, mas peço permissão para falar mais uma vez da Copa de Futebol da África e a de 2014 que será no Brasil. No nosso país vai permanecer o arcaico, sujo e podre com o imperador Ricardo Teixeira, da CBF. É de um cinismo agudo quando o homem vai para os meios de comunicação e fala de renovação. Mais triste ainda é o silêncio da imprensa que não questiona a situação.

Vamos continuar comendo “bola” com as obras superfaturadas e engolindo a propaganda enganosa e mentirosa de que a Copa vai oferecer milhões de empregos (temporários) e que por isso justificam os bilhões de reais dos cofres públicos que serão investidos em novos estádios.

No caso do Brasil, faço a mesma pergunta de um articulista com relação a Copa da África do Sul. Dos R$10,5 bilhões equivalentes investidos pelo Governo da África em 10 estádios e mais outros bilhões em infraestrutura, quanto será incorporado como investimento permanente e benéfico para uma população pobre e devastada pela corrupção? No caso do Brasil, tão carente de uma educação de qualidade e de saúde digna para a população.

Lá, dos 47 milhões de habitantes, 20 milhões vivem na extrema pobreza. Aqui, dos 190 milhões, mais de 50 milhões. No Brasil, vão fazer uma limpeza da pobreza em torno dos estádios como foi feito na África. Tanto lá como cá, os menos favorecidos serão barrados da festa da Fifa, considerada vitrine do capitalismo predador mundial.

Como assinala o articulista, o fenômeno da violação dos direitos das comunidades decorrentes dos impactos das Olimpíadas e da Copa do Mundo também foi constado em outras cidades como Pequim e Barcelona. Relatório da ONU denunciou a falta de transparência da Fifa em relação aos preparativos para a Copa da África do Sul. Pelo andar da carruagem, no Brasil não será diferente com os homens vitalícios das Olimpíadas e da Copa.

É uma reflexão que temos que fazer sobre esses eventos no Brasil. Só acho que megaeventos desse tipo só poderiam acontecer em países com índices de educação, saúde e qualidade de vida acima do exigido pelas nações mais desenvolvidas. Sobre a questão da corrupção, não dá nem para se comentar. Se fosse só olhar por este ângulo, o Brasil já estaria fora.

Na Bahia, por exemplo, a licitação público-privada para construção da nova Fonte Nova já começa irregular. Como se não bastasse, o governador quer tirar o nome do estádio de Otávio Mangabeira para colocar o nome de “Lulão”. O Governo do PT não moveu nem uma palha para reverter a mudança de nome do Aeroporto Dois de Julho para Luis Eduardo Magalhães. Dá para acreditar?

sexta-feira, 9 de julho de 2010

RENOVAÇÃO A COMEÇAR POR ELE



É engraçado, contraditório e irônico o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira falar em renovação da seleção brasileira, incluindo técnico e comissão, quando ele próprio já tem 21 anos no poder e montou uma máfia na instituição. A renovação tem que ser total e teria que começar por ele, mas a mídia engole; continua omissa; e se cala diante dos fatos.

Aliás, a maior culpa por esse atraso e por esse continuísmo de um futebol feio e indolente é da própria CBF que contratou um Dunga (jogador limitado) inexperiente para comandar a seleção e insistir num grupo despreparado psicologicamente, sem contar a falta de habilidades com a bola.

O pastor “Kaká” que misturou jogo com evangelização nem poderia ter sido contratado porque estava e está lesionado. “Kaká” se comportou mais como um líder evangélico do que um jogador decisivo. Não concordo com essa mistura de Deus e rezas com o futebol como fazem os torcedores e os times. Parece até que o Senhor Todo Poderoso toma partido numa partida. É até uma blasfêmia dizer que foi a mão de Deus.

Na verdade, o que se viu foi uma seleção sem craques e até o Robinho alegre, cheio de dribles e pedaladas, parecia outro a comemorar seus gols de joelhos, olhando para os céus. Essa seleção lembrou muito os atletas brasileiros nas Olimpíadas. Ganham algumas competições, mas na hora da competição mundialmente mais importante amarelam e danam a chorar. Será que voltou o complexo de vira-latas?

E por falar em Olimpíadas, o esporte brasileiro como um todo precisa de uma renovação total a começar pelos dirigentes que se perpetuam no poder através da corrupção, dos conchavos e da corrupção. Olha o caso do presidente do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) que há mais de 30 anos está lá e ninguém diz nada! Estão acabando com nossos esportes.

Vem aí a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas em 2016. Eles estarão lá dando risadas cínicas nas solenidades e praticando suas irregularidades, sem contar a ditadura do poder que proíbe is atletas de se manifestarem. É um vale de lágrimas nas competições. Se o Brasil for campeão em 2014 a corja vai continuar mandando por mais 30 anos. As obras do Pan-Americano foram superfaturadas, mas o homem e seu bando continuam lá dando risadas.

Que moral tem o sr. Ricardo Teixeira para falar em renovação da seleção? O homem que tem um jatinho particular de U$10 milhões sempre é eleito, através de maracutaias e acordos, pelos presidentes das federações. O homem de duas CPIs conseguiu passar incólume através de seus acertos com os congressistas que também são sujos, com raras exceções. A CBF é uma galinha dos ovos de ouro.

Envolvidos num ufanismo exagerado e até diria fundamentalista onde a grande maioria estava mais embriagada pelas festas e em queimar o trabalho, os torcedores não estavam nem aí para discutir essas questões. Aliás, é um vazio total em termos de senso crítico. A única coisa que os torcedores se agarram e se apegam é no título do “Penta” que o Brasil conquistou, mas não se dão conta de que o nosso futebol está uma porcaria, desorganizado e em frangalhos.

É decadência é tanta que os melhores vão logo para o exterior ganhar seus dólares e euros. Aqui ficam os jogadores medianos para disputar o Campeonato Brasileiro, a principal competição nacional. O futebol arte e espetáculo está morrendo. Alguns meninos que são a esperança de reverter esse quadro são desestimulados como aconteceu agora na hora de fazer a lista da seleção.

Por falar em craques e espetáculo, a única seleção dessa Copa que jogou o futebol brasileiro de outrora foi a da Espanha. Com raras exceções, o que vimos em campo foi “jogador” perna-de-pau maltratando a bola e praticando cenas horrorosas. Houve época em que se aplaudia e até se torcia para adversários que jogavam bonito. Hoje, fazemos intrigas.

Perdemos porque nossa seleção não teve competência e o comando está arcaico e ultrapassado. Agora não dá para entender essa birra toda contra a Argentina que tinha bons jogadores, mas uma comissão técnica fraca e também inexperiente. Parece mais coisa de fracassado que só quer ver a desgraça do vizinho. Quando Argentina jogou, torci a favor da sua equipe.

O que está estragando o Brasil é a cultura da corrupção endêmica e generalizada onde as pessoas ficaram cegas e até admitem a desonestidade como coisa normal e justificável como o gol de braços de Luiz Fabiano. Quando, no entanto, o adversário faz gol de mão é criticado e tido como desonesto.

Aqui no Brasil quando um time perde, torcedores raivosos e fanáticos partem para a violência, mas não têm coragem de protestar contra a corrupção e os dirigentes vitalícios do futebol e dos esportes em geral que estão deixando a Nação envergonhada e triste. São energias perdidas.