terça-feira, 24 de abril de 2012
SECA E DESTRUIÇÃO NO SUDOESTE
SECA, LIXO, FOGO, ENERGIA E
DESTRUIÇÃO NO SUDOESTE
Em “O Sertão Chora”, canta meu companheiro e amigo Wilson Aragão, lá das terras da minha querida Piritiba. Na canção, ele diz que as mulheres morrem de parto na mão de uma parteira. Vem a chuva e nada melhora. As escolas desmoronam... As criancinhas engrossam o exército da ignorância...
Lembrei da sua canção de lamento e protesto quando viajava semana passada para Guanambi, numa visita ao meu amigo jornalista catingueiro João Martins, da revista “Integração”, que logo completará 20 anos de circulação. Denuncia o cantor e compositor, que o povo é escravizado no açoite do couro cru.
No sofrimento, os sertanejos nutrem a esperança de um milagre de Jesus. A seca que abate a gente e tira a comida da mesa... O sertanejo resiste como pau Pereira. Na seca politicagem, os homens são tratados como se fossem boiada, e a vida nada vale – brada a voz de Aragão.
Fala ainda o cancioneiro, de um seio sem leite, mucho, e reclama que o governo nega a semente para semear, e o latifundiário nega a terra para plantar. O canto de Aragão é triste e penoso. Mais de mil municípios nordestinos perderam suas safras e, na Bahia, dos 417, mais de 200 estão em situação de calamidade.
Seu Olinto José Fiel, da região de Baixa das Flores, município de Rio do Antônio, é um personagem desse canto. Fiel em sua persistência de enfrentar sozinho o castigo da seca. Em seu semblante está estampado o flagelo de quem vive abaixo da linha da pobreza absoluta.
Num sol de “rachar”, trazendo à sua cabeça um grande chapéu de palha para se proteger do braseiro dos raios solares, seu Olinto e o seu “compadre” catavam as últimas espigas de milho que sobraram da seca. Sem ajuda dos governos, Fiel plantou um hectare de milho, na esperança de colher umas 40 sacas.
Depois de muita luta e sacrifício, seu Olinto acredita apanhar umas 10 sacas, o equivalente a cerca de R$100,00. Ele gastou na roça uns R$200,00, mas não esbraveja, e nem incluía aí o custo do seu trabalho. Seguia em frente, proseando com seu compadre, na confiança da chuva chegar.
Olinto não teve a mesma “sorte” na roça de feijão. Perdeu tudo. Nada de flores na Baixa das Flores. Só pedregulho no riacho seco. A pior seca dos últimos 36 anos já deixou uma rastro de destruição, fome e miséria. “A pior seca que eu vi, seu moço, foi em 1976” – desabafa seu Olinto, confundindo-se com a palha seca do “milharal”.
A paisagem cinzenta e árida dos tanques, poços e açudes estorricados do sertão do sudoeste baiano se mistura também com o lixo despejado às margens das rodovias BA-030 e BA-262, nos municípios de Aracatu e Brumado (contorno da cidade). Tudo parece contribuir para a imagem de uma terra arrasada.
Como se não bastassem a estiagem e o lixo, o fogo se espalha como fogueiras lambendo o chão, transformando o resto de vida em cinzas. Só a chuva renova a natureza que brota o verde em fartura e criação, mas o sertanejo não sabe quando ela virá. “Só Deus saberá”
Quando cair, por uns tempos os carros-pipa vão parar de rodar. As medidas paliativas e burocráticas, à base da conta-gota, voltarão a ser acionadas na outra temporada de seca. Os homens de lá demoram de se reunir, e o pouco dinheiro chega devagar.
No chamado “triângulo da miséria” (Caetanos, Mirante e Bom Jesus da Serra), o povo aguarda o dia do sorteio do carro-pipa passar. Um pouco de água barrenta fica a 100 quilômetros de distância. O jeito é rezar para ser sorteado. Muita gente disputa com os animais o pouco do líquido que resta.
Depois da calamidade instalada (não é mais situação de emergência), o governo federal se reúne para anunciar um “pacote” de R$2,7 bilhões, divididos entre nove estados nordestinos e norte de Minas Gerais (mais de 160 milhões para o carro-pipa). Nesse “pacote” vamos ter até o Bolsa Estiagem, e tome bolsa. Ninguém sabe quando o dinheiro virá.
Mas, o sertão do sudoeste não é somente destruição. Como disse o jornalista João Martins, vai soprar energia, que virá dos ventos dos morros de Guanambi, Caetité e Igaporã. Como foguetes eólicos, os aerogeradores da empresa “Renova Energia”, transportados em grandes carretas, começam a formar os 14 parques que vão produzir 393,6 MW de energia limpa.
As serras estão sendo retalhadas, como está fazendo a Bahia Mineração para implantar sua mina de ferro. Do outro lado, as Indústrias Nucleares do Brasil (INB), com sua Unidade de Concentrado de Urânio (URA), rasga o subterrâneo para produzir mais energia. A estrada de ferro Oeste Leste coloca os trilhos para transportar a produção e levar progresso ao sertão.
Só que todo este desenvolvimento de bilhões de reais industriais e públicos não satisfaz o sertanejo agricultor, se não houver água suficiente para matar a sua sede e a de seus animais. Nada disso servirá se não houver água nos açudes e poços para criar e plantar.
Estes projetos bilionários em nada adiantarão, se o homem do semiárido continuar passando fome e fugindo da sua terra natal todas as vezes que a seca bater em sua porta. Vem aí o São João, e o governo quer fazer mais fogueiras no sertão, para mostrar seca para o turista.
Há séculos que o sertanejo espera por medidas efetivas de convívio com a seca, prevista pelos serviços da meteorologia, mas industrializada pelos governantes para angariar votos como nos tempos do coronelismo de cabresto, com um prato de comida numa mão e o chicote na outra.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
A SECA E AS JÓIAS
Matérias de seca sempre rendem “bonitas” fotos para os fotógrafos e manchetes para os jornais. É o olhar perdido do sertanejo do semiárido, que se confunde com o chão estorricado e a paisagem cinzenta. É a foto dos animais esqueléticos famintos, estirados na capoeira queimada pelo sol de “pegar fogo”. São crianças de olhos fundos e barrigudos à beira de um fogão, onde a mãe chorosa tenta cozinhar os últimos caroços de feijão numa panela de barro, com água barrenta. Casas fechadas e abandonadas nas cidades e nos povoados-fantasmas retratam a fuga do homem para outras terras em busca de sobrevivência. Açudes vazios e a terra rachada.
Governos passam e os quadros dantescos se repetem e se renovam, com expressões ainda mais tristes e desoladas, quando a estiagem é mais duradoura e inclemente como a deste ano. Há 21 anos, quando assumi a chefia da sucursal A Tarde de Vitória da Conquista, venho arquivando reportagens de seca, muitas das quais feitas por mim e o fotógrafo José Silva. Vejo nelas o mesmo lamento e as histórias dos “carros-pipas eleitoreiros”, cortando o agreste para saciar a sede do agricultor, que neste tempo vira zumbi procurando raízes para comer. O arquivo não para, só faz aumentar.
Fora as enganosas cestas básicas e o Bolsa Família, o sertanejo acuado pela seca, sem água para beber e para plantar suas lavouras, apela para os santos, fazendo simpatias e promessas. Uns carregam pedras, se penitenciam, e outros rezam para que Jesus e São Pedro mandem a chuva. “Lá vai a procissão se arrastando como cobra pelo chão”, como canta o poeta cancioneiro, ou faz a “Triste Partida”, de Patativa de Assaré, na voz de Luiz Gonzaga. O padre faz uma “reza cumprida” para a vida melhorar. “Menino de pés no chão” vive ao Deus dará, e a mulher “viúva” de seu marido não sabe se ele um dia voltará.
A esmola só faz deixar o trabalhador honesto com mais vergonha. Ele só quer uma solução que nunca chega. Há quase 40 anos como repórter (completo no próximo ano) só tenho visto promessas e alguns serviços de poços e pequenas barragens, que não resolvem, em definitivo, o problema.
Agora mesmo, são mais de 200 municípios baianos (quase três milhões de pessoas) que decretaram situação de calamidade pública, mas o pouco dinheiro fica no meio do caminho da burocracia e, às vezes, é tragado pela corrupção. Lembram das chamadas “frentes de serviços” que criaram para tapiar o sertanejo? Colocavam homens, mulheres e crianças para capinar o mato às margens das estradas.
Para cada município cabe cerca de R$50 mil que mal dá para pagar os “pipeiros”, que entregam água em algumas áreas, e tome algumas cestas básicas para amenizar a situação e enganar a fome. Naquele tempo, lá pelos meados de 1850/60, o imperador D. Pedro II prometeu vender todas as jóias da coroa, se necessário fosse, para acabar com a seca do sertão.
Passados mais de 150 anos, o Brasil cresceu e os governos arrecadaram impostos aviltantes, suficientes o bastante para anular de vez as intempéries da seca e fazer o homem do campo conviver com as piores estiagens. Mas, ao longo desses anos, os “gafanhotos” (governantes, políticos e outros corruptos tais) só fizeram roubar nossas jóias, desviando recursos para obras faraônicas de interesse deles, como a transposição do “Velho Chico”, estádios, pontes e monumentos.
Nossas jóias, adquiridas com muito suor e sacrifício, são partilhadas entre eles, como fizeram os soldados romanos com as vestes de Cristo, só que no nosso caso são valiosos tesouros materiais que poderiam ser investidos na educação e saúde de qualidade, incluindo também os serviços de combate à seca. Até funcionários fantasmas, e os que já morreram de verdade, recebem sua parte neste latifúndio.
Todos negam e todos são inocentes. É de “dar pena” quando falam. Coitadinhos! Passam de vilões a vítimas e ainda são elogiados e aplaudidos pela matilha. As imagens e as conversas telefônicas não provam mais nada. Quando pipocam as denúncias, escondem em seus palácios e depois aparecem, alegando que não tiveram direito de defesa. Fazem manobras e, quando presos, logo são soltos pela lei que diz que eles não representam perigo à sociedade, nem cometeram crimes hediondos.
Se a igreja católica quer aumentar sua lista de santos para maior fervor dos seus fiéis, no Brasil encontrará uma relação enorme de “santos inocentes”, que todos os dias, coitados, são caluniados e injuriados como ladrões, e por terem cometido crimes de desvios de dinheiro dos cofres públicos. São injustiçados e merecem ser canonizados. Tudo não passa de invenção de uma mídia a serviço das forças ocultas.
Os castigados duramente pelas secas, estes sim, são os maiores culpados porque permitiram a estiagem e não fizeram obras suficientes para reservar água para beber e irrigar suas terras. Desperdiçaram dinheiro enviado pelos governos e políticos, e ainda mentiram, vergonhosamente. Como sentença, pelo resto de suas vidas, vão continuar sem educação, saúde e votando nos “homens” em todas as eleições.
Governos passam e os quadros dantescos se repetem e se renovam, com expressões ainda mais tristes e desoladas, quando a estiagem é mais duradoura e inclemente como a deste ano. Há 21 anos, quando assumi a chefia da sucursal A Tarde de Vitória da Conquista, venho arquivando reportagens de seca, muitas das quais feitas por mim e o fotógrafo José Silva. Vejo nelas o mesmo lamento e as histórias dos “carros-pipas eleitoreiros”, cortando o agreste para saciar a sede do agricultor, que neste tempo vira zumbi procurando raízes para comer. O arquivo não para, só faz aumentar.
Fora as enganosas cestas básicas e o Bolsa Família, o sertanejo acuado pela seca, sem água para beber e para plantar suas lavouras, apela para os santos, fazendo simpatias e promessas. Uns carregam pedras, se penitenciam, e outros rezam para que Jesus e São Pedro mandem a chuva. “Lá vai a procissão se arrastando como cobra pelo chão”, como canta o poeta cancioneiro, ou faz a “Triste Partida”, de Patativa de Assaré, na voz de Luiz Gonzaga. O padre faz uma “reza cumprida” para a vida melhorar. “Menino de pés no chão” vive ao Deus dará, e a mulher “viúva” de seu marido não sabe se ele um dia voltará.
A esmola só faz deixar o trabalhador honesto com mais vergonha. Ele só quer uma solução que nunca chega. Há quase 40 anos como repórter (completo no próximo ano) só tenho visto promessas e alguns serviços de poços e pequenas barragens, que não resolvem, em definitivo, o problema.
Agora mesmo, são mais de 200 municípios baianos (quase três milhões de pessoas) que decretaram situação de calamidade pública, mas o pouco dinheiro fica no meio do caminho da burocracia e, às vezes, é tragado pela corrupção. Lembram das chamadas “frentes de serviços” que criaram para tapiar o sertanejo? Colocavam homens, mulheres e crianças para capinar o mato às margens das estradas.
Para cada município cabe cerca de R$50 mil que mal dá para pagar os “pipeiros”, que entregam água em algumas áreas, e tome algumas cestas básicas para amenizar a situação e enganar a fome. Naquele tempo, lá pelos meados de 1850/60, o imperador D. Pedro II prometeu vender todas as jóias da coroa, se necessário fosse, para acabar com a seca do sertão.
Passados mais de 150 anos, o Brasil cresceu e os governos arrecadaram impostos aviltantes, suficientes o bastante para anular de vez as intempéries da seca e fazer o homem do campo conviver com as piores estiagens. Mas, ao longo desses anos, os “gafanhotos” (governantes, políticos e outros corruptos tais) só fizeram roubar nossas jóias, desviando recursos para obras faraônicas de interesse deles, como a transposição do “Velho Chico”, estádios, pontes e monumentos.
Nossas jóias, adquiridas com muito suor e sacrifício, são partilhadas entre eles, como fizeram os soldados romanos com as vestes de Cristo, só que no nosso caso são valiosos tesouros materiais que poderiam ser investidos na educação e saúde de qualidade, incluindo também os serviços de combate à seca. Até funcionários fantasmas, e os que já morreram de verdade, recebem sua parte neste latifúndio.
Todos negam e todos são inocentes. É de “dar pena” quando falam. Coitadinhos! Passam de vilões a vítimas e ainda são elogiados e aplaudidos pela matilha. As imagens e as conversas telefônicas não provam mais nada. Quando pipocam as denúncias, escondem em seus palácios e depois aparecem, alegando que não tiveram direito de defesa. Fazem manobras e, quando presos, logo são soltos pela lei que diz que eles não representam perigo à sociedade, nem cometeram crimes hediondos.
Se a igreja católica quer aumentar sua lista de santos para maior fervor dos seus fiéis, no Brasil encontrará uma relação enorme de “santos inocentes”, que todos os dias, coitados, são caluniados e injuriados como ladrões, e por terem cometido crimes de desvios de dinheiro dos cofres públicos. São injustiçados e merecem ser canonizados. Tudo não passa de invenção de uma mídia a serviço das forças ocultas.
Os castigados duramente pelas secas, estes sim, são os maiores culpados porque permitiram a estiagem e não fizeram obras suficientes para reservar água para beber e irrigar suas terras. Desperdiçaram dinheiro enviado pelos governos e políticos, e ainda mentiram, vergonhosamente. Como sentença, pelo resto de suas vidas, vão continuar sem educação, saúde e votando nos “homens” em todas as eleições.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
ARAPUCAS E "BRUCUTUS"
Há séculos, e em todos os instantes de suas vidas, os brasileiros são enganados e, pacientemente, se conformam com todo tipo de judiação e humilhação. Não são somente os políticos corruptos que nos fazem de otários e cordeiros. Trazemos na ponta da língua a resposta: fazer o quê?
É um povo que tudo suporta e tudo aceita calado, mesmo sabendo que está sendo levado para o sacrifício da morte. Obedecemos a ordem do patrão para pegar o chicote que nos vai surrar. O desrespeito vem da crença de que não haverá reação, por mais afronta que seja.
Veja o caso mais recente da privatização dos cartórios. A princípio nos disseram que os serviços iriam melhorar, com mais agilidade no atendimento e conforto para os usuários. Passaram-se três meses da medida, e o que vimos em Vitória da Conquista foi a abertura de arapucas, sem nenhuma estrutura.
Depois de tanto tempo ainda têm a cara de pau de pedir paciência à população até o sistema de adaptar. Além dos aumentos extorsivos, de mais de 100%, a privatização alugou salas apertadas (até debaixo de escadas de prédios) e as filas continuam irritantes e estressantes.
Pelo menos em Conquista não houve informatização total dos processos e, em muitos casos, os funcionários têm que folhear papéis no “dedão”. Devido à total falta de preparo, o “novo sistema” (não houve nada de novo) obrigou de todos a abertura de nova firma, com a cobrança de R$3,00.
Na semana passada senti na pele o calvário para reconhecer a firma de um documento meu. Depois de três horas de espera, paguei os R$3,00 para abertura de nova firma, mais R$4,00 para reconhecer. Cadeiras duras e apertadas num estreito de uma sala, sem nenhum aviso de prioridade aos idosos. Eles não temem mais a reação do povo.
A situação continua caótica, e a nossa imprensa, que deveria ser a voz defensora dos cidadãos, denunciando e criticando esses absurdos, infelizmente, quase nada fala, cala-se. Como se não bastasse o tempo de espera, o usuário ainda tem que aturar os “documentos por fora”, furando sua vez.
Definitivamente, o povo neste país é tratado como gado, como dizia Geraldo Vandré na sua canção “Disparada”. O filósofo Marcuse dizia que o primeiro passo para um escravo conquistar sua liberdade é ele tomar consciência de que é um escravo. Só a educação de qualidade liberta.
Outro assunto que me traz aqui, aliás, existem muitos outros, como os fantasmas do Congresso Nacional, das assembléias e das câmaras de vereadores, é a nova moda da UFC (Ultimate Fighting Championship), que coloca nos ringues verdadeiros “brutucus” musculosos, chupando sangue uns dos outros.
São cenas primitivas de “porradas” e pancadarias que já deixaram muitos com sequelas graves, levando outros a perderem a vida. Faz lembrar os gladiadores romanos dos tempos do imperador Nero. A propaganda televisiva se espalhou por todo país, e jovens estão caindo nessa arena de brutalidades e violência, com apoio dos pais, tudo por uma fama e dinheiro. É a bola da vez. Ainda dizem que somos civilizados.
Estamos vivendo numa era onde os cérebros estão cada vez mais “murchos e mirrados” por falta de exercícios mentais, enquanto os corpos ganham músculos deformados e as bundas abundam com fartura e fortuna. É a decadência do ser humano. Já em épocas passadas, os mais velhos diziam que “é o fim do mundo”.
Outra estupidez que temos que engolir a seco é a tal “verba indenizatória” (nunca entendi esse verbete político) dos parlamentares que criam fantasmas nos legislativos com o uso do dinheiro público. A Assembléia Legislativa calou-se com o caso do deputado estadual Carlos Roberto. Só tu?
È mais uma aberração e “um ponta pé no traseiro” do eleitor. Há muito tempo que a moralização foi desmoralizada. Como qualquer outro servidor, parlamentar tinha que ter seu salário, e mais nada. Criaram uma fábrica de monstros de fazer fantasmas, desvirtuando a função do legislador. A verba indenizatória é uma máquina de fazer votos.
As máfias italianas, japonesas e russas precisam fazer um estágio no Brasil, para tomar umas aulas com o bicheiro “Carlinhos Cachoeira” e seus comparsas. El Capone do tempo da “lei seca” dos Estados Unidos é um bom moço comportado diante dos nossos briosos mafiosos.
Contam que os vídeos do diretor dos Correios e do chefe de Gabinete da Casa Civil, recebendo subornos, há mais de cinco anos, foram feitos a mando do próprio “Cachoeira”, para incriminar o ministro José Dirceu que negou ao hoje senador Demóstenes Torres uma pretensão de cargo no Ministério da Justiça. Agora o PT estaria cobrando a dívida. Bestas somos nós, descartáveis eleitores. Vamos pra frente que atrás vem mais gente com instinto canibal.
É um povo que tudo suporta e tudo aceita calado, mesmo sabendo que está sendo levado para o sacrifício da morte. Obedecemos a ordem do patrão para pegar o chicote que nos vai surrar. O desrespeito vem da crença de que não haverá reação, por mais afronta que seja.
Veja o caso mais recente da privatização dos cartórios. A princípio nos disseram que os serviços iriam melhorar, com mais agilidade no atendimento e conforto para os usuários. Passaram-se três meses da medida, e o que vimos em Vitória da Conquista foi a abertura de arapucas, sem nenhuma estrutura.
Depois de tanto tempo ainda têm a cara de pau de pedir paciência à população até o sistema de adaptar. Além dos aumentos extorsivos, de mais de 100%, a privatização alugou salas apertadas (até debaixo de escadas de prédios) e as filas continuam irritantes e estressantes.
Pelo menos em Conquista não houve informatização total dos processos e, em muitos casos, os funcionários têm que folhear papéis no “dedão”. Devido à total falta de preparo, o “novo sistema” (não houve nada de novo) obrigou de todos a abertura de nova firma, com a cobrança de R$3,00.
Na semana passada senti na pele o calvário para reconhecer a firma de um documento meu. Depois de três horas de espera, paguei os R$3,00 para abertura de nova firma, mais R$4,00 para reconhecer. Cadeiras duras e apertadas num estreito de uma sala, sem nenhum aviso de prioridade aos idosos. Eles não temem mais a reação do povo.
A situação continua caótica, e a nossa imprensa, que deveria ser a voz defensora dos cidadãos, denunciando e criticando esses absurdos, infelizmente, quase nada fala, cala-se. Como se não bastasse o tempo de espera, o usuário ainda tem que aturar os “documentos por fora”, furando sua vez.
Definitivamente, o povo neste país é tratado como gado, como dizia Geraldo Vandré na sua canção “Disparada”. O filósofo Marcuse dizia que o primeiro passo para um escravo conquistar sua liberdade é ele tomar consciência de que é um escravo. Só a educação de qualidade liberta.
Outro assunto que me traz aqui, aliás, existem muitos outros, como os fantasmas do Congresso Nacional, das assembléias e das câmaras de vereadores, é a nova moda da UFC (Ultimate Fighting Championship), que coloca nos ringues verdadeiros “brutucus” musculosos, chupando sangue uns dos outros.
São cenas primitivas de “porradas” e pancadarias que já deixaram muitos com sequelas graves, levando outros a perderem a vida. Faz lembrar os gladiadores romanos dos tempos do imperador Nero. A propaganda televisiva se espalhou por todo país, e jovens estão caindo nessa arena de brutalidades e violência, com apoio dos pais, tudo por uma fama e dinheiro. É a bola da vez. Ainda dizem que somos civilizados.
Estamos vivendo numa era onde os cérebros estão cada vez mais “murchos e mirrados” por falta de exercícios mentais, enquanto os corpos ganham músculos deformados e as bundas abundam com fartura e fortuna. É a decadência do ser humano. Já em épocas passadas, os mais velhos diziam que “é o fim do mundo”.
Outra estupidez que temos que engolir a seco é a tal “verba indenizatória” (nunca entendi esse verbete político) dos parlamentares que criam fantasmas nos legislativos com o uso do dinheiro público. A Assembléia Legislativa calou-se com o caso do deputado estadual Carlos Roberto. Só tu?
È mais uma aberração e “um ponta pé no traseiro” do eleitor. Há muito tempo que a moralização foi desmoralizada. Como qualquer outro servidor, parlamentar tinha que ter seu salário, e mais nada. Criaram uma fábrica de monstros de fazer fantasmas, desvirtuando a função do legislador. A verba indenizatória é uma máquina de fazer votos.
As máfias italianas, japonesas e russas precisam fazer um estágio no Brasil, para tomar umas aulas com o bicheiro “Carlinhos Cachoeira” e seus comparsas. El Capone do tempo da “lei seca” dos Estados Unidos é um bom moço comportado diante dos nossos briosos mafiosos.
Contam que os vídeos do diretor dos Correios e do chefe de Gabinete da Casa Civil, recebendo subornos, há mais de cinco anos, foram feitos a mando do próprio “Cachoeira”, para incriminar o ministro José Dirceu que negou ao hoje senador Demóstenes Torres uma pretensão de cargo no Ministério da Justiça. Agora o PT estaria cobrando a dívida. Bestas somos nós, descartáveis eleitores. Vamos pra frente que atrás vem mais gente com instinto canibal.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
REMEMORANDO O "DIA DA MENTIRA"
A intenção dos generais era que o golpe civil-militar ocorresse no dia 2 de abril, mas por ironia se deu mesmo em 1º de abril, o “Dia da Mentira”. Para não serem alvos de chacotas, os militares (Clube Militar), desobedecendo a ordem presidencial, “comemoram” no dia 31 de março, quando de forma precipitada, o general Olímpio Mourão Filho desceu com sua “tropa” de Juiz de Fora (Minas Gerais) até o Rio de Janeiro, sem dar um tiro (os armamentos não tinham munição).
Contam os historiadores que antes disso, um grupo das Forças Armadas se reuniu secretamente numa corveta com o ex-governador da Guanabara, Carlos Lacerda, onde nas conversas ficou decidida a deposição do presidente João Goulart em outubro de 1964. A notícia terminou sendo vazada por um marinheiro que servia os oficiais. De qualquer forma, era tempo demais de espera. A elite burguesa, setores da classe média e a Igreja Católica tinham pressa. Treze dias antes, a Marcha da Família com Deus pela Liberdade convocou o Exército a se levantar.
Rememorando a ditadura, que os generais de pijama insistem até hoje em denominar de “revolução democrática”, logo após o golpe, há 48 anos, assumiu o comando do país, o general Alencar de Castelo Branco, com a promessa de eleições em 1965, mas não foi isso o que aconteceu. Em nove de abril de 1964 foi decretado o primeiro Ato Institucional, falando em “autêntica revolução”, e que as classes armadas não tinham intenção de radicalizar o processo. No entanto, o Ato deu poderes de suspensão dos direitos políticos e cassação de mandatos.
Em outubro de 1965 veio o AI-2, que decretou, entre outras coisas, o recesso parlamentar e modificou o poder judiciário. O Supremo Tribunal Federal passou a ter 16 ministros, sendo cinco nomeados por Castelo Branco. O presidente podia suspender os direitos políticos de qualquer cidadão por 10 anos. Foram estabelecidas eleições indiretas para presidente e o vice, extinguindo todos os partidos políticos.
Em fevereiro de 1966, o AI-2 foi ampliado com a decretação do AI-3, fixando eleições indiretas também para governador, vice e prefeitos das capitais. Em dezembro do mesmo ano foi a vez do AI-4, convocando o Congresso para a promulgação do Projeto de Constituição. Os generais diziam que a Constituição de 1946 já não atendia as exigências nacionais. Em Janeiro de 1967 foi promulgada uma nova Constituição, a deles.
O cerco se fechava contra os opositores do regime (estudantes, sindicatos e organizações de esquerda) e aí nasceu o golpe dentro do golpe com a decretação do temível AI-5, em 13 de dezembro de 1968, numa sexta-feira treze. Sem diálogo, muitos passaram a viver na clandestinidade da luta armada, num enfrentamento desigual e “suicida”, mas corajoso. A repressão bateu forte e o país entrou numa longa noite de trevas no chamado período dos anos de chumbo. Ao todo foram 17 Atos Institucionais.
Foi suspensa a garantia do habeas corpus, e um Estado de torturas, execuções e desaparecimento de corpos se implantou dentro de outro Estado. Mais de 30 organizações de esquerda, originárias do velho PCB (Partido Comunista Brasileiro - antigo PC do B), das mais variadas tendências socialistas (marxista, leninista, trotskista, maoísta, castrista) partiram para a luta urbana e rural, mas foram massacradas pelas forças da repressão.
Bem, a história é longa, mas precisa ser conhecida, lida e relida por todos os cidadãos, principalmente os mais jovens, para que não seja nunca mais repetida. A verdade, embora mutilada ao longo desses anos, precisa ser contada. Infelizmente, os governos eleitos democraticamente vêm adiando esse processo, dando lugar a que generais aposentados da linha dura reajam, com ameaças de retorno aos tempos ditatoriais.
Chegou ao ponto do general Rocha Paiva propor a convocação da presidente Dilma para depor sobre seus atos de resistência. Ora, ela já depôs e foi torturada. E o general já depôs? Em desobediência à ordem presidencial (chefe maior do Estado), continuam comemorando o que eles chamam de “revolução democrática de 31 de março”.
Em 2004, o general Francisco Albuquerque divulgou nota onde justifica a prática de tortura como forma de luta contra os opositores. As ameaças partem do Clube Militar. Destratam até hoje os ministros da Defesa, como aconteceu com Waldir Pires, Nelson Jobim e o agora Celso Amorim.
Com intuito de agredir a Comissão da Verdade, que pretende resgatar a memória, os oficiais, que outrora assumiram postos importantes na ditadura, sem dar conta de seus atos, como Augusto Heleno Ribeiro Pereira, Renato César Tibau da Costa, Ricardo Antônio Veiga Cabral e Carlos de Almeida Baptista, lançaram um manifesto desaforado, dizendo “eles que venham, por aqui não passarão”. O mais triste e preocupante é que o manifesto é também assinado por civis.
Naqueles tempos, as Forças Armadas chegaram a ter 23% do orçamento do país, sacrificando a educação, a saúde e outros setores que até hoje sentem os efeitos maléficos da ditadura. É bom que se diga que a Anistia de 1979 não foi um entendimento nacional (a OAB e ABI, por exemplo, não concordaram). Foi feita para salvar os torturadores.
Sobre aquela época, o cineasta Silvio Tendler afirma que as forças conservadoras continuam mandando no Brasil, lamentando que os “canalhas” continuem em liberdade. O país ainda não se livrou da herança do golpe, pois ainda temos uma educação e uma saúde privatizadas e elitizadas. Para a filósofa e professora Marilena Chauí, a privatização e a reforma universitária são cicatrizes da ditadura.
Grupos de teatro, artistas e sambistas, em passeata pelas ruas de São Paulo, deixaram a pergunta: Quando vai acabar a ditadura? Não podemos deixar toda uma memória ser deletada como aconteceu com a ditadura de Getúlio Vargas, no Estado Novo (1937-1945).
A OEA (Organização dos Estados Americanos) quer uma resposta do Brasil sobre o caso do jornalista Valdimir Herzog encontrado "enforcado" numa cela do Dops. Na versão dos militares, o interrogado e torturado se suicidou. Mas, não foi somente Herzog, em 1975.Um ano depois, o operário Manoel Fiel Filho e o oficial militar Paulo José Ferreira Almeida também foram mortos na mesma circunstância. Houve outros tantos crimes graves, sem resposta.
Contam os historiadores que antes disso, um grupo das Forças Armadas se reuniu secretamente numa corveta com o ex-governador da Guanabara, Carlos Lacerda, onde nas conversas ficou decidida a deposição do presidente João Goulart em outubro de 1964. A notícia terminou sendo vazada por um marinheiro que servia os oficiais. De qualquer forma, era tempo demais de espera. A elite burguesa, setores da classe média e a Igreja Católica tinham pressa. Treze dias antes, a Marcha da Família com Deus pela Liberdade convocou o Exército a se levantar.
Rememorando a ditadura, que os generais de pijama insistem até hoje em denominar de “revolução democrática”, logo após o golpe, há 48 anos, assumiu o comando do país, o general Alencar de Castelo Branco, com a promessa de eleições em 1965, mas não foi isso o que aconteceu. Em nove de abril de 1964 foi decretado o primeiro Ato Institucional, falando em “autêntica revolução”, e que as classes armadas não tinham intenção de radicalizar o processo. No entanto, o Ato deu poderes de suspensão dos direitos políticos e cassação de mandatos.
Em outubro de 1965 veio o AI-2, que decretou, entre outras coisas, o recesso parlamentar e modificou o poder judiciário. O Supremo Tribunal Federal passou a ter 16 ministros, sendo cinco nomeados por Castelo Branco. O presidente podia suspender os direitos políticos de qualquer cidadão por 10 anos. Foram estabelecidas eleições indiretas para presidente e o vice, extinguindo todos os partidos políticos.
Em fevereiro de 1966, o AI-2 foi ampliado com a decretação do AI-3, fixando eleições indiretas também para governador, vice e prefeitos das capitais. Em dezembro do mesmo ano foi a vez do AI-4, convocando o Congresso para a promulgação do Projeto de Constituição. Os generais diziam que a Constituição de 1946 já não atendia as exigências nacionais. Em Janeiro de 1967 foi promulgada uma nova Constituição, a deles.
O cerco se fechava contra os opositores do regime (estudantes, sindicatos e organizações de esquerda) e aí nasceu o golpe dentro do golpe com a decretação do temível AI-5, em 13 de dezembro de 1968, numa sexta-feira treze. Sem diálogo, muitos passaram a viver na clandestinidade da luta armada, num enfrentamento desigual e “suicida”, mas corajoso. A repressão bateu forte e o país entrou numa longa noite de trevas no chamado período dos anos de chumbo. Ao todo foram 17 Atos Institucionais.
Foi suspensa a garantia do habeas corpus, e um Estado de torturas, execuções e desaparecimento de corpos se implantou dentro de outro Estado. Mais de 30 organizações de esquerda, originárias do velho PCB (Partido Comunista Brasileiro - antigo PC do B), das mais variadas tendências socialistas (marxista, leninista, trotskista, maoísta, castrista) partiram para a luta urbana e rural, mas foram massacradas pelas forças da repressão.
Bem, a história é longa, mas precisa ser conhecida, lida e relida por todos os cidadãos, principalmente os mais jovens, para que não seja nunca mais repetida. A verdade, embora mutilada ao longo desses anos, precisa ser contada. Infelizmente, os governos eleitos democraticamente vêm adiando esse processo, dando lugar a que generais aposentados da linha dura reajam, com ameaças de retorno aos tempos ditatoriais.
Chegou ao ponto do general Rocha Paiva propor a convocação da presidente Dilma para depor sobre seus atos de resistência. Ora, ela já depôs e foi torturada. E o general já depôs? Em desobediência à ordem presidencial (chefe maior do Estado), continuam comemorando o que eles chamam de “revolução democrática de 31 de março”.
Em 2004, o general Francisco Albuquerque divulgou nota onde justifica a prática de tortura como forma de luta contra os opositores. As ameaças partem do Clube Militar. Destratam até hoje os ministros da Defesa, como aconteceu com Waldir Pires, Nelson Jobim e o agora Celso Amorim.
Com intuito de agredir a Comissão da Verdade, que pretende resgatar a memória, os oficiais, que outrora assumiram postos importantes na ditadura, sem dar conta de seus atos, como Augusto Heleno Ribeiro Pereira, Renato César Tibau da Costa, Ricardo Antônio Veiga Cabral e Carlos de Almeida Baptista, lançaram um manifesto desaforado, dizendo “eles que venham, por aqui não passarão”. O mais triste e preocupante é que o manifesto é também assinado por civis.
Naqueles tempos, as Forças Armadas chegaram a ter 23% do orçamento do país, sacrificando a educação, a saúde e outros setores que até hoje sentem os efeitos maléficos da ditadura. É bom que se diga que a Anistia de 1979 não foi um entendimento nacional (a OAB e ABI, por exemplo, não concordaram). Foi feita para salvar os torturadores.
Sobre aquela época, o cineasta Silvio Tendler afirma que as forças conservadoras continuam mandando no Brasil, lamentando que os “canalhas” continuem em liberdade. O país ainda não se livrou da herança do golpe, pois ainda temos uma educação e uma saúde privatizadas e elitizadas. Para a filósofa e professora Marilena Chauí, a privatização e a reforma universitária são cicatrizes da ditadura.
Grupos de teatro, artistas e sambistas, em passeata pelas ruas de São Paulo, deixaram a pergunta: Quando vai acabar a ditadura? Não podemos deixar toda uma memória ser deletada como aconteceu com a ditadura de Getúlio Vargas, no Estado Novo (1937-1945).
A OEA (Organização dos Estados Americanos) quer uma resposta do Brasil sobre o caso do jornalista Valdimir Herzog encontrado "enforcado" numa cela do Dops. Na versão dos militares, o interrogado e torturado se suicidou. Mas, não foi somente Herzog, em 1975.Um ano depois, o operário Manoel Fiel Filho e o oficial militar Paulo José Ferreira Almeida também foram mortos na mesma circunstância. Houve outros tantos crimes graves, sem resposta.
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