terça-feira, 8 de maio de 2012
"PÉS GRANDES" DE FORA
“Língua Afiada” dos “peles vermelhas” não quer que seus “pés grandes” sejam levados à presença dos “Mãos grandes” dos “peles amarelas” na “Comunidade dos Poderosos Imortais”, que terminou virando Comunidade dos Poderosos Misturados Imortais, ou seja, a CPMI da pizza "Cachoeira". Uma delícia!
“Lua Cheia” só balança a cabeça de um lado e do outro. O boato corre que as tribos estão em “pé de guerra”, mas é só “um faz de conta” para divertir a nação dos desmemoriados e desviar a atenção dos malfeitos.
Na “taba grande” dos caciques, prenderam os espíritos de uns caboclos todos sujos e enlameados numa “oca”, dizendo que eles vão ser julgados e sentenciados. Só poucos podem entrar para ver e examinar os caboclos dos “pés grandes” e dos “mãos grandes”. São fantasmas perigosos.
Dizem que eles estão com uma doença contagiosa e incurável e precisam de muito tempo para arrancar a peste maligna de dentro deles. Foram chamados uns “pajés” astutos e espertos para livrar os espíritos dos caboclos. Eles usam informações cruzadas para decifrar os “mistérios” do além.
A pajelança só está começando com o mesmo teatro de sempre, dividido em vários atos dramáticos e de suspense. Os “pés grandes” dos “peles vermelhas” se recusam a comparecer. Os caboclos vão continuar trancados, mas sempre alguns “vazam” pela fechadura da “oca”, que só pode ser filmada de fora. Suspense, ou terror?
Toda essa trama de atores treinados e com seus scripts decorados para criar mais expectativa, não está em nada empolgando a platéia que está mais atenta e torcendo por seus times de futebol. Não quer nem saber desse negócio de pajelança na “taba grande” dos caciques. Eles que se danem com seus cachimbos da paz e com seus balangandãs de feitiçarias.
Nação dos desmemoriados quer mais é consumir, com juros baixos, e ganhar umas cestinhas de caramelos, recheados de promessas e umas pitadas de um pó mágico de uma pretensa “felicidade”.
Os habitantes dessa nação estão mais ligados no forró que logo vem aí. Adoram mesmo é uma cervejada nos finais de semana. Logo depois vão votar nas urnas dos caciques, para serem chamados de “cidadãos”. Todos ficam contentes com seus “títulos” nas mãos, e serão felizes para sempre.
Não precisa de educação e saúde. Bastam umas batidas barulhentas de pagodes, arrochas e axé musics, inventados por uns “carapálidas” de bundas de fora e com muitos músculos. Mandam bater palmas e tirar os pés do chão. Todos obedecem às ordens dos “carapálidas”.
Todos entram na farra e ninguém quer saber de pajelanças de “pés grandes” e “mãos grandes”. Caciques gostam disso e animam sua nação. Aliás, eles são exímios animadores de público.
Andam bem vestidos e falam bem, numa língua enrolada, cheia de códigos, quando planejam um assalto grande da carruagem. Sempre tem uma diligência passando para os “pés grandes” e os “mãos grandes” entrarem em ação. É isso aí gente! Volto na próxima semana com o nosso “forró da seca”.
terça-feira, 1 de maio de 2012
OS "PÉS GRANDES" DO "DELTA"
O “Longa Cachoeira” derrama suas águas até a embocadura do “Delta”, ramificado de “torres” por todos os lados. “Cachorro Louco”, “Mão Grande” e “Cabeça de Monstros” estão sempre na espreita para atacar o reino desprotegido, rico em fortunas incalculáveis. A tática é fazer alianças com outros bichos menores e dividir a caça entre eles.
O povo desse reino só quer saber de festa e não está nem aí para os predadores. Gosta de ser comido e até aprendeu a devorar carne humana. Canibais! Se esbalda nos shows que seus chefes dão em homenagem ao “seu dia”, por passar um ano inteiro carregando pedras para edificar seus palácios. Os súditos dançam eufóricos ao som dos ritmos de pagodes e sertanejos. Nos outros reinos, só protestos contra os “Pés Grandes”.
É apenas o trecho de um conto de ficção de uma terra imaginária onde sua gente, há séculos, insiste em chamar de paraíso. Dramático para uns, romântico e surrealista para outros. Muitos vêm de outros recantos longínquos para conhecer e se divertir com essa gente diferente do outro mundo. Único lugar de gente resignada com o sofrimento que, humildemente, diz amém aos maltratos.
Esse povo adora mesmo é assistir a um “espetáculo” no “Circo dos Adestrados”, com ilusionistas que fazem trapaças com dinheiro público, trapezistas engravatados de ternos de luxo e motoqueiros do “Globo da Morte” que combinam roubar tudo pelos celulares. Bonito mesmo são as “torres” iluminadas do alto e os domadores de “feras” estranhas, que acalmam os “bichos” apenas abrindo uma mala cheia de papel. De longe sentem o cheiro. Umas raposas e uns lobos, disfarçados de cordeiros, não param de uivar.
O bom mesmo é que no final do “espetáculo” todos recebem um pedacinho de uma pizza feia, distribuída pelos malabaristas. A platéia já treinada, sempre faz o papel de “palhaço”. Eles riem da “barriga doer” com a performance do público. Sempre tem uma cena inusitada que passa despercebida, inclusive de uma turma que faz a cobertura dos eventos. Dessa vez, apareceu no palco um animal engomadinho com uma pastinha na mão, escrito “Delta” em seu verso. Não estava em grego.
Era uma pasta em papelão em plena era das mídias eletrônicas. Nela, como foi dito, estava toda estória de uma capitania que prosperou fazendo obras suspeitas para o reino. O “bicho gordo”, chamado de “testa de ferro”, ou capataz, foi encarregado de entregar a pasta para um dos chefes do reinado. Tudo um disfarce para despistar os rastros do “Pés Grandes”.
Aplausos para a encenação da “pasta mágica”! Tudo saiu conforme o combinado. As máquinas filmaram tudo direitinho. Ouvi dizer que ela contém receitas de como transformar lama em ouro. Mais uma vez, aplausos da platéia que adora ser iludida. Coisa séria leva vaias.
O “Longo Cachoeira”, que não é nada bobo, mandou sua bicharada montar armadilhas para pegar “os peles vermelhas” e depois cobrar pelos resgates. É, mas o grande chefe cacique de “língua afiada” dos “peles vermelhas” deu ordem para reunir seus homens numa cúpula de iniciais enigmáticas para derrubar a tribo inimiga.
Muito esperto! O grupo recebeu o código de CPI. Deve ser alguma coisa como Comunidade de Poderosos Imortais. Coisa secreta, de bode chifrudo da meia-noite. O acerto é atacar sem ser atacado, sem sair do roteiro dos ensaios, e com estratégias e limites programados. Chefe branco não é besta não!
O final do “espetáculo” já é conhecido, mas tem muito espectador na expectativa de surpresas no embate. Uns até falam em limpeza da área, para acabar de vez com os “Mãos Grandes” e os “Pés Grandes”. Apostam em novo divisor das águas da cachoeira, ou coisa assim, mas tudo deve mesmo é terminar em acordo e aperto de mãos. O grande cacique só quer, na verdade, desviar a atenção dos “malfeitos” do passado. Ninguém lembra mais de nada mesmo! Hoje tem “espetáculo”? Tem, sim senhor!
terça-feira, 24 de abril de 2012
SECA E DESTRUIÇÃO NO SUDOESTE
SECA, LIXO, FOGO, ENERGIA E
DESTRUIÇÃO NO SUDOESTE
Em “O Sertão Chora”, canta meu companheiro e amigo Wilson Aragão, lá das terras da minha querida Piritiba. Na canção, ele diz que as mulheres morrem de parto na mão de uma parteira. Vem a chuva e nada melhora. As escolas desmoronam... As criancinhas engrossam o exército da ignorância...
Lembrei da sua canção de lamento e protesto quando viajava semana passada para Guanambi, numa visita ao meu amigo jornalista catingueiro João Martins, da revista “Integração”, que logo completará 20 anos de circulação. Denuncia o cantor e compositor, que o povo é escravizado no açoite do couro cru.
No sofrimento, os sertanejos nutrem a esperança de um milagre de Jesus. A seca que abate a gente e tira a comida da mesa... O sertanejo resiste como pau Pereira. Na seca politicagem, os homens são tratados como se fossem boiada, e a vida nada vale – brada a voz de Aragão.
Fala ainda o cancioneiro, de um seio sem leite, mucho, e reclama que o governo nega a semente para semear, e o latifundiário nega a terra para plantar. O canto de Aragão é triste e penoso. Mais de mil municípios nordestinos perderam suas safras e, na Bahia, dos 417, mais de 200 estão em situação de calamidade.
Seu Olinto José Fiel, da região de Baixa das Flores, município de Rio do Antônio, é um personagem desse canto. Fiel em sua persistência de enfrentar sozinho o castigo da seca. Em seu semblante está estampado o flagelo de quem vive abaixo da linha da pobreza absoluta.
Num sol de “rachar”, trazendo à sua cabeça um grande chapéu de palha para se proteger do braseiro dos raios solares, seu Olinto e o seu “compadre” catavam as últimas espigas de milho que sobraram da seca. Sem ajuda dos governos, Fiel plantou um hectare de milho, na esperança de colher umas 40 sacas.
Depois de muita luta e sacrifício, seu Olinto acredita apanhar umas 10 sacas, o equivalente a cerca de R$100,00. Ele gastou na roça uns R$200,00, mas não esbraveja, e nem incluía aí o custo do seu trabalho. Seguia em frente, proseando com seu compadre, na confiança da chuva chegar.
Olinto não teve a mesma “sorte” na roça de feijão. Perdeu tudo. Nada de flores na Baixa das Flores. Só pedregulho no riacho seco. A pior seca dos últimos 36 anos já deixou uma rastro de destruição, fome e miséria. “A pior seca que eu vi, seu moço, foi em 1976” – desabafa seu Olinto, confundindo-se com a palha seca do “milharal”.
A paisagem cinzenta e árida dos tanques, poços e açudes estorricados do sertão do sudoeste baiano se mistura também com o lixo despejado às margens das rodovias BA-030 e BA-262, nos municípios de Aracatu e Brumado (contorno da cidade). Tudo parece contribuir para a imagem de uma terra arrasada.
Como se não bastassem a estiagem e o lixo, o fogo se espalha como fogueiras lambendo o chão, transformando o resto de vida em cinzas. Só a chuva renova a natureza que brota o verde em fartura e criação, mas o sertanejo não sabe quando ela virá. “Só Deus saberá”
Quando cair, por uns tempos os carros-pipa vão parar de rodar. As medidas paliativas e burocráticas, à base da conta-gota, voltarão a ser acionadas na outra temporada de seca. Os homens de lá demoram de se reunir, e o pouco dinheiro chega devagar.
No chamado “triângulo da miséria” (Caetanos, Mirante e Bom Jesus da Serra), o povo aguarda o dia do sorteio do carro-pipa passar. Um pouco de água barrenta fica a 100 quilômetros de distância. O jeito é rezar para ser sorteado. Muita gente disputa com os animais o pouco do líquido que resta.
Depois da calamidade instalada (não é mais situação de emergência), o governo federal se reúne para anunciar um “pacote” de R$2,7 bilhões, divididos entre nove estados nordestinos e norte de Minas Gerais (mais de 160 milhões para o carro-pipa). Nesse “pacote” vamos ter até o Bolsa Estiagem, e tome bolsa. Ninguém sabe quando o dinheiro virá.
Mas, o sertão do sudoeste não é somente destruição. Como disse o jornalista João Martins, vai soprar energia, que virá dos ventos dos morros de Guanambi, Caetité e Igaporã. Como foguetes eólicos, os aerogeradores da empresa “Renova Energia”, transportados em grandes carretas, começam a formar os 14 parques que vão produzir 393,6 MW de energia limpa.
As serras estão sendo retalhadas, como está fazendo a Bahia Mineração para implantar sua mina de ferro. Do outro lado, as Indústrias Nucleares do Brasil (INB), com sua Unidade de Concentrado de Urânio (URA), rasga o subterrâneo para produzir mais energia. A estrada de ferro Oeste Leste coloca os trilhos para transportar a produção e levar progresso ao sertão.
Só que todo este desenvolvimento de bilhões de reais industriais e públicos não satisfaz o sertanejo agricultor, se não houver água suficiente para matar a sua sede e a de seus animais. Nada disso servirá se não houver água nos açudes e poços para criar e plantar.
Estes projetos bilionários em nada adiantarão, se o homem do semiárido continuar passando fome e fugindo da sua terra natal todas as vezes que a seca bater em sua porta. Vem aí o São João, e o governo quer fazer mais fogueiras no sertão, para mostrar seca para o turista.
Há séculos que o sertanejo espera por medidas efetivas de convívio com a seca, prevista pelos serviços da meteorologia, mas industrializada pelos governantes para angariar votos como nos tempos do coronelismo de cabresto, com um prato de comida numa mão e o chicote na outra.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
A SECA E AS JÓIAS
Matérias de seca sempre rendem “bonitas” fotos para os fotógrafos e manchetes para os jornais. É o olhar perdido do sertanejo do semiárido, que se confunde com o chão estorricado e a paisagem cinzenta. É a foto dos animais esqueléticos famintos, estirados na capoeira queimada pelo sol de “pegar fogo”. São crianças de olhos fundos e barrigudos à beira de um fogão, onde a mãe chorosa tenta cozinhar os últimos caroços de feijão numa panela de barro, com água barrenta. Casas fechadas e abandonadas nas cidades e nos povoados-fantasmas retratam a fuga do homem para outras terras em busca de sobrevivência. Açudes vazios e a terra rachada.
Governos passam e os quadros dantescos se repetem e se renovam, com expressões ainda mais tristes e desoladas, quando a estiagem é mais duradoura e inclemente como a deste ano. Há 21 anos, quando assumi a chefia da sucursal A Tarde de Vitória da Conquista, venho arquivando reportagens de seca, muitas das quais feitas por mim e o fotógrafo José Silva. Vejo nelas o mesmo lamento e as histórias dos “carros-pipas eleitoreiros”, cortando o agreste para saciar a sede do agricultor, que neste tempo vira zumbi procurando raízes para comer. O arquivo não para, só faz aumentar.
Fora as enganosas cestas básicas e o Bolsa Família, o sertanejo acuado pela seca, sem água para beber e para plantar suas lavouras, apela para os santos, fazendo simpatias e promessas. Uns carregam pedras, se penitenciam, e outros rezam para que Jesus e São Pedro mandem a chuva. “Lá vai a procissão se arrastando como cobra pelo chão”, como canta o poeta cancioneiro, ou faz a “Triste Partida”, de Patativa de Assaré, na voz de Luiz Gonzaga. O padre faz uma “reza cumprida” para a vida melhorar. “Menino de pés no chão” vive ao Deus dará, e a mulher “viúva” de seu marido não sabe se ele um dia voltará.
A esmola só faz deixar o trabalhador honesto com mais vergonha. Ele só quer uma solução que nunca chega. Há quase 40 anos como repórter (completo no próximo ano) só tenho visto promessas e alguns serviços de poços e pequenas barragens, que não resolvem, em definitivo, o problema.
Agora mesmo, são mais de 200 municípios baianos (quase três milhões de pessoas) que decretaram situação de calamidade pública, mas o pouco dinheiro fica no meio do caminho da burocracia e, às vezes, é tragado pela corrupção. Lembram das chamadas “frentes de serviços” que criaram para tapiar o sertanejo? Colocavam homens, mulheres e crianças para capinar o mato às margens das estradas.
Para cada município cabe cerca de R$50 mil que mal dá para pagar os “pipeiros”, que entregam água em algumas áreas, e tome algumas cestas básicas para amenizar a situação e enganar a fome. Naquele tempo, lá pelos meados de 1850/60, o imperador D. Pedro II prometeu vender todas as jóias da coroa, se necessário fosse, para acabar com a seca do sertão.
Passados mais de 150 anos, o Brasil cresceu e os governos arrecadaram impostos aviltantes, suficientes o bastante para anular de vez as intempéries da seca e fazer o homem do campo conviver com as piores estiagens. Mas, ao longo desses anos, os “gafanhotos” (governantes, políticos e outros corruptos tais) só fizeram roubar nossas jóias, desviando recursos para obras faraônicas de interesse deles, como a transposição do “Velho Chico”, estádios, pontes e monumentos.
Nossas jóias, adquiridas com muito suor e sacrifício, são partilhadas entre eles, como fizeram os soldados romanos com as vestes de Cristo, só que no nosso caso são valiosos tesouros materiais que poderiam ser investidos na educação e saúde de qualidade, incluindo também os serviços de combate à seca. Até funcionários fantasmas, e os que já morreram de verdade, recebem sua parte neste latifúndio.
Todos negam e todos são inocentes. É de “dar pena” quando falam. Coitadinhos! Passam de vilões a vítimas e ainda são elogiados e aplaudidos pela matilha. As imagens e as conversas telefônicas não provam mais nada. Quando pipocam as denúncias, escondem em seus palácios e depois aparecem, alegando que não tiveram direito de defesa. Fazem manobras e, quando presos, logo são soltos pela lei que diz que eles não representam perigo à sociedade, nem cometeram crimes hediondos.
Se a igreja católica quer aumentar sua lista de santos para maior fervor dos seus fiéis, no Brasil encontrará uma relação enorme de “santos inocentes”, que todos os dias, coitados, são caluniados e injuriados como ladrões, e por terem cometido crimes de desvios de dinheiro dos cofres públicos. São injustiçados e merecem ser canonizados. Tudo não passa de invenção de uma mídia a serviço das forças ocultas.
Os castigados duramente pelas secas, estes sim, são os maiores culpados porque permitiram a estiagem e não fizeram obras suficientes para reservar água para beber e irrigar suas terras. Desperdiçaram dinheiro enviado pelos governos e políticos, e ainda mentiram, vergonhosamente. Como sentença, pelo resto de suas vidas, vão continuar sem educação, saúde e votando nos “homens” em todas as eleições.
Governos passam e os quadros dantescos se repetem e se renovam, com expressões ainda mais tristes e desoladas, quando a estiagem é mais duradoura e inclemente como a deste ano. Há 21 anos, quando assumi a chefia da sucursal A Tarde de Vitória da Conquista, venho arquivando reportagens de seca, muitas das quais feitas por mim e o fotógrafo José Silva. Vejo nelas o mesmo lamento e as histórias dos “carros-pipas eleitoreiros”, cortando o agreste para saciar a sede do agricultor, que neste tempo vira zumbi procurando raízes para comer. O arquivo não para, só faz aumentar.
Fora as enganosas cestas básicas e o Bolsa Família, o sertanejo acuado pela seca, sem água para beber e para plantar suas lavouras, apela para os santos, fazendo simpatias e promessas. Uns carregam pedras, se penitenciam, e outros rezam para que Jesus e São Pedro mandem a chuva. “Lá vai a procissão se arrastando como cobra pelo chão”, como canta o poeta cancioneiro, ou faz a “Triste Partida”, de Patativa de Assaré, na voz de Luiz Gonzaga. O padre faz uma “reza cumprida” para a vida melhorar. “Menino de pés no chão” vive ao Deus dará, e a mulher “viúva” de seu marido não sabe se ele um dia voltará.
A esmola só faz deixar o trabalhador honesto com mais vergonha. Ele só quer uma solução que nunca chega. Há quase 40 anos como repórter (completo no próximo ano) só tenho visto promessas e alguns serviços de poços e pequenas barragens, que não resolvem, em definitivo, o problema.
Agora mesmo, são mais de 200 municípios baianos (quase três milhões de pessoas) que decretaram situação de calamidade pública, mas o pouco dinheiro fica no meio do caminho da burocracia e, às vezes, é tragado pela corrupção. Lembram das chamadas “frentes de serviços” que criaram para tapiar o sertanejo? Colocavam homens, mulheres e crianças para capinar o mato às margens das estradas.
Para cada município cabe cerca de R$50 mil que mal dá para pagar os “pipeiros”, que entregam água em algumas áreas, e tome algumas cestas básicas para amenizar a situação e enganar a fome. Naquele tempo, lá pelos meados de 1850/60, o imperador D. Pedro II prometeu vender todas as jóias da coroa, se necessário fosse, para acabar com a seca do sertão.
Passados mais de 150 anos, o Brasil cresceu e os governos arrecadaram impostos aviltantes, suficientes o bastante para anular de vez as intempéries da seca e fazer o homem do campo conviver com as piores estiagens. Mas, ao longo desses anos, os “gafanhotos” (governantes, políticos e outros corruptos tais) só fizeram roubar nossas jóias, desviando recursos para obras faraônicas de interesse deles, como a transposição do “Velho Chico”, estádios, pontes e monumentos.
Nossas jóias, adquiridas com muito suor e sacrifício, são partilhadas entre eles, como fizeram os soldados romanos com as vestes de Cristo, só que no nosso caso são valiosos tesouros materiais que poderiam ser investidos na educação e saúde de qualidade, incluindo também os serviços de combate à seca. Até funcionários fantasmas, e os que já morreram de verdade, recebem sua parte neste latifúndio.
Todos negam e todos são inocentes. É de “dar pena” quando falam. Coitadinhos! Passam de vilões a vítimas e ainda são elogiados e aplaudidos pela matilha. As imagens e as conversas telefônicas não provam mais nada. Quando pipocam as denúncias, escondem em seus palácios e depois aparecem, alegando que não tiveram direito de defesa. Fazem manobras e, quando presos, logo são soltos pela lei que diz que eles não representam perigo à sociedade, nem cometeram crimes hediondos.
Se a igreja católica quer aumentar sua lista de santos para maior fervor dos seus fiéis, no Brasil encontrará uma relação enorme de “santos inocentes”, que todos os dias, coitados, são caluniados e injuriados como ladrões, e por terem cometido crimes de desvios de dinheiro dos cofres públicos. São injustiçados e merecem ser canonizados. Tudo não passa de invenção de uma mídia a serviço das forças ocultas.
Os castigados duramente pelas secas, estes sim, são os maiores culpados porque permitiram a estiagem e não fizeram obras suficientes para reservar água para beber e irrigar suas terras. Desperdiçaram dinheiro enviado pelos governos e políticos, e ainda mentiram, vergonhosamente. Como sentença, pelo resto de suas vidas, vão continuar sem educação, saúde e votando nos “homens” em todas as eleições.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
ARAPUCAS E "BRUCUTUS"
Há séculos, e em todos os instantes de suas vidas, os brasileiros são enganados e, pacientemente, se conformam com todo tipo de judiação e humilhação. Não são somente os políticos corruptos que nos fazem de otários e cordeiros. Trazemos na ponta da língua a resposta: fazer o quê?
É um povo que tudo suporta e tudo aceita calado, mesmo sabendo que está sendo levado para o sacrifício da morte. Obedecemos a ordem do patrão para pegar o chicote que nos vai surrar. O desrespeito vem da crença de que não haverá reação, por mais afronta que seja.
Veja o caso mais recente da privatização dos cartórios. A princípio nos disseram que os serviços iriam melhorar, com mais agilidade no atendimento e conforto para os usuários. Passaram-se três meses da medida, e o que vimos em Vitória da Conquista foi a abertura de arapucas, sem nenhuma estrutura.
Depois de tanto tempo ainda têm a cara de pau de pedir paciência à população até o sistema de adaptar. Além dos aumentos extorsivos, de mais de 100%, a privatização alugou salas apertadas (até debaixo de escadas de prédios) e as filas continuam irritantes e estressantes.
Pelo menos em Conquista não houve informatização total dos processos e, em muitos casos, os funcionários têm que folhear papéis no “dedão”. Devido à total falta de preparo, o “novo sistema” (não houve nada de novo) obrigou de todos a abertura de nova firma, com a cobrança de R$3,00.
Na semana passada senti na pele o calvário para reconhecer a firma de um documento meu. Depois de três horas de espera, paguei os R$3,00 para abertura de nova firma, mais R$4,00 para reconhecer. Cadeiras duras e apertadas num estreito de uma sala, sem nenhum aviso de prioridade aos idosos. Eles não temem mais a reação do povo.
A situação continua caótica, e a nossa imprensa, que deveria ser a voz defensora dos cidadãos, denunciando e criticando esses absurdos, infelizmente, quase nada fala, cala-se. Como se não bastasse o tempo de espera, o usuário ainda tem que aturar os “documentos por fora”, furando sua vez.
Definitivamente, o povo neste país é tratado como gado, como dizia Geraldo Vandré na sua canção “Disparada”. O filósofo Marcuse dizia que o primeiro passo para um escravo conquistar sua liberdade é ele tomar consciência de que é um escravo. Só a educação de qualidade liberta.
Outro assunto que me traz aqui, aliás, existem muitos outros, como os fantasmas do Congresso Nacional, das assembléias e das câmaras de vereadores, é a nova moda da UFC (Ultimate Fighting Championship), que coloca nos ringues verdadeiros “brutucus” musculosos, chupando sangue uns dos outros.
São cenas primitivas de “porradas” e pancadarias que já deixaram muitos com sequelas graves, levando outros a perderem a vida. Faz lembrar os gladiadores romanos dos tempos do imperador Nero. A propaganda televisiva se espalhou por todo país, e jovens estão caindo nessa arena de brutalidades e violência, com apoio dos pais, tudo por uma fama e dinheiro. É a bola da vez. Ainda dizem que somos civilizados.
Estamos vivendo numa era onde os cérebros estão cada vez mais “murchos e mirrados” por falta de exercícios mentais, enquanto os corpos ganham músculos deformados e as bundas abundam com fartura e fortuna. É a decadência do ser humano. Já em épocas passadas, os mais velhos diziam que “é o fim do mundo”.
Outra estupidez que temos que engolir a seco é a tal “verba indenizatória” (nunca entendi esse verbete político) dos parlamentares que criam fantasmas nos legislativos com o uso do dinheiro público. A Assembléia Legislativa calou-se com o caso do deputado estadual Carlos Roberto. Só tu?
È mais uma aberração e “um ponta pé no traseiro” do eleitor. Há muito tempo que a moralização foi desmoralizada. Como qualquer outro servidor, parlamentar tinha que ter seu salário, e mais nada. Criaram uma fábrica de monstros de fazer fantasmas, desvirtuando a função do legislador. A verba indenizatória é uma máquina de fazer votos.
As máfias italianas, japonesas e russas precisam fazer um estágio no Brasil, para tomar umas aulas com o bicheiro “Carlinhos Cachoeira” e seus comparsas. El Capone do tempo da “lei seca” dos Estados Unidos é um bom moço comportado diante dos nossos briosos mafiosos.
Contam que os vídeos do diretor dos Correios e do chefe de Gabinete da Casa Civil, recebendo subornos, há mais de cinco anos, foram feitos a mando do próprio “Cachoeira”, para incriminar o ministro José Dirceu que negou ao hoje senador Demóstenes Torres uma pretensão de cargo no Ministério da Justiça. Agora o PT estaria cobrando a dívida. Bestas somos nós, descartáveis eleitores. Vamos pra frente que atrás vem mais gente com instinto canibal.
É um povo que tudo suporta e tudo aceita calado, mesmo sabendo que está sendo levado para o sacrifício da morte. Obedecemos a ordem do patrão para pegar o chicote que nos vai surrar. O desrespeito vem da crença de que não haverá reação, por mais afronta que seja.
Veja o caso mais recente da privatização dos cartórios. A princípio nos disseram que os serviços iriam melhorar, com mais agilidade no atendimento e conforto para os usuários. Passaram-se três meses da medida, e o que vimos em Vitória da Conquista foi a abertura de arapucas, sem nenhuma estrutura.
Depois de tanto tempo ainda têm a cara de pau de pedir paciência à população até o sistema de adaptar. Além dos aumentos extorsivos, de mais de 100%, a privatização alugou salas apertadas (até debaixo de escadas de prédios) e as filas continuam irritantes e estressantes.
Pelo menos em Conquista não houve informatização total dos processos e, em muitos casos, os funcionários têm que folhear papéis no “dedão”. Devido à total falta de preparo, o “novo sistema” (não houve nada de novo) obrigou de todos a abertura de nova firma, com a cobrança de R$3,00.
Na semana passada senti na pele o calvário para reconhecer a firma de um documento meu. Depois de três horas de espera, paguei os R$3,00 para abertura de nova firma, mais R$4,00 para reconhecer. Cadeiras duras e apertadas num estreito de uma sala, sem nenhum aviso de prioridade aos idosos. Eles não temem mais a reação do povo.
A situação continua caótica, e a nossa imprensa, que deveria ser a voz defensora dos cidadãos, denunciando e criticando esses absurdos, infelizmente, quase nada fala, cala-se. Como se não bastasse o tempo de espera, o usuário ainda tem que aturar os “documentos por fora”, furando sua vez.
Definitivamente, o povo neste país é tratado como gado, como dizia Geraldo Vandré na sua canção “Disparada”. O filósofo Marcuse dizia que o primeiro passo para um escravo conquistar sua liberdade é ele tomar consciência de que é um escravo. Só a educação de qualidade liberta.
Outro assunto que me traz aqui, aliás, existem muitos outros, como os fantasmas do Congresso Nacional, das assembléias e das câmaras de vereadores, é a nova moda da UFC (Ultimate Fighting Championship), que coloca nos ringues verdadeiros “brutucus” musculosos, chupando sangue uns dos outros.
São cenas primitivas de “porradas” e pancadarias que já deixaram muitos com sequelas graves, levando outros a perderem a vida. Faz lembrar os gladiadores romanos dos tempos do imperador Nero. A propaganda televisiva se espalhou por todo país, e jovens estão caindo nessa arena de brutalidades e violência, com apoio dos pais, tudo por uma fama e dinheiro. É a bola da vez. Ainda dizem que somos civilizados.
Estamos vivendo numa era onde os cérebros estão cada vez mais “murchos e mirrados” por falta de exercícios mentais, enquanto os corpos ganham músculos deformados e as bundas abundam com fartura e fortuna. É a decadência do ser humano. Já em épocas passadas, os mais velhos diziam que “é o fim do mundo”.
Outra estupidez que temos que engolir a seco é a tal “verba indenizatória” (nunca entendi esse verbete político) dos parlamentares que criam fantasmas nos legislativos com o uso do dinheiro público. A Assembléia Legislativa calou-se com o caso do deputado estadual Carlos Roberto. Só tu?
È mais uma aberração e “um ponta pé no traseiro” do eleitor. Há muito tempo que a moralização foi desmoralizada. Como qualquer outro servidor, parlamentar tinha que ter seu salário, e mais nada. Criaram uma fábrica de monstros de fazer fantasmas, desvirtuando a função do legislador. A verba indenizatória é uma máquina de fazer votos.
As máfias italianas, japonesas e russas precisam fazer um estágio no Brasil, para tomar umas aulas com o bicheiro “Carlinhos Cachoeira” e seus comparsas. El Capone do tempo da “lei seca” dos Estados Unidos é um bom moço comportado diante dos nossos briosos mafiosos.
Contam que os vídeos do diretor dos Correios e do chefe de Gabinete da Casa Civil, recebendo subornos, há mais de cinco anos, foram feitos a mando do próprio “Cachoeira”, para incriminar o ministro José Dirceu que negou ao hoje senador Demóstenes Torres uma pretensão de cargo no Ministério da Justiça. Agora o PT estaria cobrando a dívida. Bestas somos nós, descartáveis eleitores. Vamos pra frente que atrás vem mais gente com instinto canibal.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
REMEMORANDO O "DIA DA MENTIRA"
A intenção dos generais era que o golpe civil-militar ocorresse no dia 2 de abril, mas por ironia se deu mesmo em 1º de abril, o “Dia da Mentira”. Para não serem alvos de chacotas, os militares (Clube Militar), desobedecendo a ordem presidencial, “comemoram” no dia 31 de março, quando de forma precipitada, o general Olímpio Mourão Filho desceu com sua “tropa” de Juiz de Fora (Minas Gerais) até o Rio de Janeiro, sem dar um tiro (os armamentos não tinham munição).
Contam os historiadores que antes disso, um grupo das Forças Armadas se reuniu secretamente numa corveta com o ex-governador da Guanabara, Carlos Lacerda, onde nas conversas ficou decidida a deposição do presidente João Goulart em outubro de 1964. A notícia terminou sendo vazada por um marinheiro que servia os oficiais. De qualquer forma, era tempo demais de espera. A elite burguesa, setores da classe média e a Igreja Católica tinham pressa. Treze dias antes, a Marcha da Família com Deus pela Liberdade convocou o Exército a se levantar.
Rememorando a ditadura, que os generais de pijama insistem até hoje em denominar de “revolução democrática”, logo após o golpe, há 48 anos, assumiu o comando do país, o general Alencar de Castelo Branco, com a promessa de eleições em 1965, mas não foi isso o que aconteceu. Em nove de abril de 1964 foi decretado o primeiro Ato Institucional, falando em “autêntica revolução”, e que as classes armadas não tinham intenção de radicalizar o processo. No entanto, o Ato deu poderes de suspensão dos direitos políticos e cassação de mandatos.
Em outubro de 1965 veio o AI-2, que decretou, entre outras coisas, o recesso parlamentar e modificou o poder judiciário. O Supremo Tribunal Federal passou a ter 16 ministros, sendo cinco nomeados por Castelo Branco. O presidente podia suspender os direitos políticos de qualquer cidadão por 10 anos. Foram estabelecidas eleições indiretas para presidente e o vice, extinguindo todos os partidos políticos.
Em fevereiro de 1966, o AI-2 foi ampliado com a decretação do AI-3, fixando eleições indiretas também para governador, vice e prefeitos das capitais. Em dezembro do mesmo ano foi a vez do AI-4, convocando o Congresso para a promulgação do Projeto de Constituição. Os generais diziam que a Constituição de 1946 já não atendia as exigências nacionais. Em Janeiro de 1967 foi promulgada uma nova Constituição, a deles.
O cerco se fechava contra os opositores do regime (estudantes, sindicatos e organizações de esquerda) e aí nasceu o golpe dentro do golpe com a decretação do temível AI-5, em 13 de dezembro de 1968, numa sexta-feira treze. Sem diálogo, muitos passaram a viver na clandestinidade da luta armada, num enfrentamento desigual e “suicida”, mas corajoso. A repressão bateu forte e o país entrou numa longa noite de trevas no chamado período dos anos de chumbo. Ao todo foram 17 Atos Institucionais.
Foi suspensa a garantia do habeas corpus, e um Estado de torturas, execuções e desaparecimento de corpos se implantou dentro de outro Estado. Mais de 30 organizações de esquerda, originárias do velho PCB (Partido Comunista Brasileiro - antigo PC do B), das mais variadas tendências socialistas (marxista, leninista, trotskista, maoísta, castrista) partiram para a luta urbana e rural, mas foram massacradas pelas forças da repressão.
Bem, a história é longa, mas precisa ser conhecida, lida e relida por todos os cidadãos, principalmente os mais jovens, para que não seja nunca mais repetida. A verdade, embora mutilada ao longo desses anos, precisa ser contada. Infelizmente, os governos eleitos democraticamente vêm adiando esse processo, dando lugar a que generais aposentados da linha dura reajam, com ameaças de retorno aos tempos ditatoriais.
Chegou ao ponto do general Rocha Paiva propor a convocação da presidente Dilma para depor sobre seus atos de resistência. Ora, ela já depôs e foi torturada. E o general já depôs? Em desobediência à ordem presidencial (chefe maior do Estado), continuam comemorando o que eles chamam de “revolução democrática de 31 de março”.
Em 2004, o general Francisco Albuquerque divulgou nota onde justifica a prática de tortura como forma de luta contra os opositores. As ameaças partem do Clube Militar. Destratam até hoje os ministros da Defesa, como aconteceu com Waldir Pires, Nelson Jobim e o agora Celso Amorim.
Com intuito de agredir a Comissão da Verdade, que pretende resgatar a memória, os oficiais, que outrora assumiram postos importantes na ditadura, sem dar conta de seus atos, como Augusto Heleno Ribeiro Pereira, Renato César Tibau da Costa, Ricardo Antônio Veiga Cabral e Carlos de Almeida Baptista, lançaram um manifesto desaforado, dizendo “eles que venham, por aqui não passarão”. O mais triste e preocupante é que o manifesto é também assinado por civis.
Naqueles tempos, as Forças Armadas chegaram a ter 23% do orçamento do país, sacrificando a educação, a saúde e outros setores que até hoje sentem os efeitos maléficos da ditadura. É bom que se diga que a Anistia de 1979 não foi um entendimento nacional (a OAB e ABI, por exemplo, não concordaram). Foi feita para salvar os torturadores.
Sobre aquela época, o cineasta Silvio Tendler afirma que as forças conservadoras continuam mandando no Brasil, lamentando que os “canalhas” continuem em liberdade. O país ainda não se livrou da herança do golpe, pois ainda temos uma educação e uma saúde privatizadas e elitizadas. Para a filósofa e professora Marilena Chauí, a privatização e a reforma universitária são cicatrizes da ditadura.
Grupos de teatro, artistas e sambistas, em passeata pelas ruas de São Paulo, deixaram a pergunta: Quando vai acabar a ditadura? Não podemos deixar toda uma memória ser deletada como aconteceu com a ditadura de Getúlio Vargas, no Estado Novo (1937-1945).
A OEA (Organização dos Estados Americanos) quer uma resposta do Brasil sobre o caso do jornalista Valdimir Herzog encontrado "enforcado" numa cela do Dops. Na versão dos militares, o interrogado e torturado se suicidou. Mas, não foi somente Herzog, em 1975.Um ano depois, o operário Manoel Fiel Filho e o oficial militar Paulo José Ferreira Almeida também foram mortos na mesma circunstância. Houve outros tantos crimes graves, sem resposta.
Contam os historiadores que antes disso, um grupo das Forças Armadas se reuniu secretamente numa corveta com o ex-governador da Guanabara, Carlos Lacerda, onde nas conversas ficou decidida a deposição do presidente João Goulart em outubro de 1964. A notícia terminou sendo vazada por um marinheiro que servia os oficiais. De qualquer forma, era tempo demais de espera. A elite burguesa, setores da classe média e a Igreja Católica tinham pressa. Treze dias antes, a Marcha da Família com Deus pela Liberdade convocou o Exército a se levantar.
Rememorando a ditadura, que os generais de pijama insistem até hoje em denominar de “revolução democrática”, logo após o golpe, há 48 anos, assumiu o comando do país, o general Alencar de Castelo Branco, com a promessa de eleições em 1965, mas não foi isso o que aconteceu. Em nove de abril de 1964 foi decretado o primeiro Ato Institucional, falando em “autêntica revolução”, e que as classes armadas não tinham intenção de radicalizar o processo. No entanto, o Ato deu poderes de suspensão dos direitos políticos e cassação de mandatos.
Em outubro de 1965 veio o AI-2, que decretou, entre outras coisas, o recesso parlamentar e modificou o poder judiciário. O Supremo Tribunal Federal passou a ter 16 ministros, sendo cinco nomeados por Castelo Branco. O presidente podia suspender os direitos políticos de qualquer cidadão por 10 anos. Foram estabelecidas eleições indiretas para presidente e o vice, extinguindo todos os partidos políticos.
Em fevereiro de 1966, o AI-2 foi ampliado com a decretação do AI-3, fixando eleições indiretas também para governador, vice e prefeitos das capitais. Em dezembro do mesmo ano foi a vez do AI-4, convocando o Congresso para a promulgação do Projeto de Constituição. Os generais diziam que a Constituição de 1946 já não atendia as exigências nacionais. Em Janeiro de 1967 foi promulgada uma nova Constituição, a deles.
O cerco se fechava contra os opositores do regime (estudantes, sindicatos e organizações de esquerda) e aí nasceu o golpe dentro do golpe com a decretação do temível AI-5, em 13 de dezembro de 1968, numa sexta-feira treze. Sem diálogo, muitos passaram a viver na clandestinidade da luta armada, num enfrentamento desigual e “suicida”, mas corajoso. A repressão bateu forte e o país entrou numa longa noite de trevas no chamado período dos anos de chumbo. Ao todo foram 17 Atos Institucionais.
Foi suspensa a garantia do habeas corpus, e um Estado de torturas, execuções e desaparecimento de corpos se implantou dentro de outro Estado. Mais de 30 organizações de esquerda, originárias do velho PCB (Partido Comunista Brasileiro - antigo PC do B), das mais variadas tendências socialistas (marxista, leninista, trotskista, maoísta, castrista) partiram para a luta urbana e rural, mas foram massacradas pelas forças da repressão.
Bem, a história é longa, mas precisa ser conhecida, lida e relida por todos os cidadãos, principalmente os mais jovens, para que não seja nunca mais repetida. A verdade, embora mutilada ao longo desses anos, precisa ser contada. Infelizmente, os governos eleitos democraticamente vêm adiando esse processo, dando lugar a que generais aposentados da linha dura reajam, com ameaças de retorno aos tempos ditatoriais.
Chegou ao ponto do general Rocha Paiva propor a convocação da presidente Dilma para depor sobre seus atos de resistência. Ora, ela já depôs e foi torturada. E o general já depôs? Em desobediência à ordem presidencial (chefe maior do Estado), continuam comemorando o que eles chamam de “revolução democrática de 31 de março”.
Em 2004, o general Francisco Albuquerque divulgou nota onde justifica a prática de tortura como forma de luta contra os opositores. As ameaças partem do Clube Militar. Destratam até hoje os ministros da Defesa, como aconteceu com Waldir Pires, Nelson Jobim e o agora Celso Amorim.
Com intuito de agredir a Comissão da Verdade, que pretende resgatar a memória, os oficiais, que outrora assumiram postos importantes na ditadura, sem dar conta de seus atos, como Augusto Heleno Ribeiro Pereira, Renato César Tibau da Costa, Ricardo Antônio Veiga Cabral e Carlos de Almeida Baptista, lançaram um manifesto desaforado, dizendo “eles que venham, por aqui não passarão”. O mais triste e preocupante é que o manifesto é também assinado por civis.
Naqueles tempos, as Forças Armadas chegaram a ter 23% do orçamento do país, sacrificando a educação, a saúde e outros setores que até hoje sentem os efeitos maléficos da ditadura. É bom que se diga que a Anistia de 1979 não foi um entendimento nacional (a OAB e ABI, por exemplo, não concordaram). Foi feita para salvar os torturadores.
Sobre aquela época, o cineasta Silvio Tendler afirma que as forças conservadoras continuam mandando no Brasil, lamentando que os “canalhas” continuem em liberdade. O país ainda não se livrou da herança do golpe, pois ainda temos uma educação e uma saúde privatizadas e elitizadas. Para a filósofa e professora Marilena Chauí, a privatização e a reforma universitária são cicatrizes da ditadura.
Grupos de teatro, artistas e sambistas, em passeata pelas ruas de São Paulo, deixaram a pergunta: Quando vai acabar a ditadura? Não podemos deixar toda uma memória ser deletada como aconteceu com a ditadura de Getúlio Vargas, no Estado Novo (1937-1945).
A OEA (Organização dos Estados Americanos) quer uma resposta do Brasil sobre o caso do jornalista Valdimir Herzog encontrado "enforcado" numa cela do Dops. Na versão dos militares, o interrogado e torturado se suicidou. Mas, não foi somente Herzog, em 1975.Um ano depois, o operário Manoel Fiel Filho e o oficial militar Paulo José Ferreira Almeida também foram mortos na mesma circunstância. Houve outros tantos crimes graves, sem resposta.
quinta-feira, 29 de março de 2012
VIGILANTES
Volto ao comentário anterior sobre a ditadura civil-militar quando disse que tem saído coisas desencontradas na imprensa (intencional ou por ignorância) que têm me deixado estupefato. Esses apoios à ditadura requerem da nossa parte vigilância permanente em defesa da liberdade, informando corretamente às novas gerações o que realmente ocorreu naqueles tenebrosos anos de chumbo que, a meu ver, foram de 1964 a 1988(última Constituição).
Um moço, cujo nome não merece ser citado, porque seria dar visibilidade, escreveu, no Espaço do Leitor, do jornal A Tarde, que “o que foi feito em 1964 só se pode louvar”. Se for um militar linha dura, dá até para entender, mas se é civil, nos envergonha. Aliás, para dizer tal asneira, deveria glorificar a democracia, plena ou relativa, conquistada por aqueles que lutaram por ela. É o tipo de gente que acha que não existiram torturas, estupros e mortes nos porões da ditadura. Tudo não passou de uma mentira.
O escrevente destilou toda sua raiva contra o ex-deputado Emiliano José, incomodado por sempre falar sobre o período dos governos militares. A mídia deveria reservar um espaço todos os dias para comentar o assunto. Se por acaso me ler, serei picado pelo seu veneno, mas a esta altura da vida seus ferrões não vão mais penetrar no meu couro enrijecido. Entre outras besteiras, o moço sapecou que 64 ocorreu devido a um movimento “popular” liderado pela mulher brasileira. Talvez ele esteja se referindo à Marcha pela Família e pela Pátria, mas não foram somente as mulheres que participaram do movimento.
O golpe de 64 começou a ser ensaiado pelos generais desde o suicídio de Getúlio Vargas (1954). No início dos anos 60, os militares foram impulsionados pela burguesia capitalista que temia perder seus privilégios, tendo à frente a Igreja Católica, a classe média e outras instituições, como a própria OAB. Depois esses segmentos passaram a combater as atrocidades quando o regime endureceu.
Perdoai, Senhor, porque não sabem o que dizem! Por essas e outras é que defendo vigilância constante e que a questão da ditadura burguesa-militar se torne disciplina específica da nossa história a ser ensinada aos jovens nas escolas públicas e privadas. É uma pena, mas as novas gerações pouco sabem sobre esse período de trevas vivido pelo nosso país.
Mas, nem tudo está perdido. Recentemente, vem ocorrendo em várias capitais, o Levante Popular da Juventude em defesa da Comissão da Verdade, que visa não deixar que se apague o resto de memória que ainda existe sobre o que foi aquela dura repressão. Povo sem história é povo sem identidade. O Levante pede, em suas ações, que os torturadores sejam denunciados.
Nos últimos cinco anos tenho me debruçado sobre o assunto através de pesquisas e leituras. É um passado que nos envergonha e, por isso, exige de nós permanente vigilância em defesa da liberdade, mesmo numa democracia que não é a ideal. Dentro deste contexto do golpe, estou concluindo o livro “Uma Conquista Cassada”, com muito sacrifício devido, sobretudo, à falta de recursos financeiros.
Tenho contado com ajuda de amigos, mas vou precisar de muito mais para sua publicação. Estou consciente o quanto vai ser difícil, mas esperançoso. Uma das idéias é transformar o projeto numa obra colaborativa, com a participação de pessoas, entidades, órgãos e empresas interessadas na preservação da nossa história. Está aberta a temporada de apoios e sugestões.
Um moço, cujo nome não merece ser citado, porque seria dar visibilidade, escreveu, no Espaço do Leitor, do jornal A Tarde, que “o que foi feito em 1964 só se pode louvar”. Se for um militar linha dura, dá até para entender, mas se é civil, nos envergonha. Aliás, para dizer tal asneira, deveria glorificar a democracia, plena ou relativa, conquistada por aqueles que lutaram por ela. É o tipo de gente que acha que não existiram torturas, estupros e mortes nos porões da ditadura. Tudo não passou de uma mentira.
O escrevente destilou toda sua raiva contra o ex-deputado Emiliano José, incomodado por sempre falar sobre o período dos governos militares. A mídia deveria reservar um espaço todos os dias para comentar o assunto. Se por acaso me ler, serei picado pelo seu veneno, mas a esta altura da vida seus ferrões não vão mais penetrar no meu couro enrijecido. Entre outras besteiras, o moço sapecou que 64 ocorreu devido a um movimento “popular” liderado pela mulher brasileira. Talvez ele esteja se referindo à Marcha pela Família e pela Pátria, mas não foram somente as mulheres que participaram do movimento.
O golpe de 64 começou a ser ensaiado pelos generais desde o suicídio de Getúlio Vargas (1954). No início dos anos 60, os militares foram impulsionados pela burguesia capitalista que temia perder seus privilégios, tendo à frente a Igreja Católica, a classe média e outras instituições, como a própria OAB. Depois esses segmentos passaram a combater as atrocidades quando o regime endureceu.
Perdoai, Senhor, porque não sabem o que dizem! Por essas e outras é que defendo vigilância constante e que a questão da ditadura burguesa-militar se torne disciplina específica da nossa história a ser ensinada aos jovens nas escolas públicas e privadas. É uma pena, mas as novas gerações pouco sabem sobre esse período de trevas vivido pelo nosso país.
Mas, nem tudo está perdido. Recentemente, vem ocorrendo em várias capitais, o Levante Popular da Juventude em defesa da Comissão da Verdade, que visa não deixar que se apague o resto de memória que ainda existe sobre o que foi aquela dura repressão. Povo sem história é povo sem identidade. O Levante pede, em suas ações, que os torturadores sejam denunciados.
Nos últimos cinco anos tenho me debruçado sobre o assunto através de pesquisas e leituras. É um passado que nos envergonha e, por isso, exige de nós permanente vigilância em defesa da liberdade, mesmo numa democracia que não é a ideal. Dentro deste contexto do golpe, estou concluindo o livro “Uma Conquista Cassada”, com muito sacrifício devido, sobretudo, à falta de recursos financeiros.
Tenho contado com ajuda de amigos, mas vou precisar de muito mais para sua publicação. Estou consciente o quanto vai ser difícil, mas esperançoso. Uma das idéias é transformar o projeto numa obra colaborativa, com a participação de pessoas, entidades, órgãos e empresas interessadas na preservação da nossa história. Está aberta a temporada de apoios e sugestões.
segunda-feira, 26 de março de 2012
SERÁ MENTIRA?
Tem gente que ouve o galo cantar, mas não sabe aonde. Tem gente que ainda acha que é mentira que o homem pisou na lua, como não acredita que houve torturas e horrores nos porões da ditadura civil-militar. Por falta de leitura e pesquisa, essa gente sai por aí falando e escrevendo coisas deturpadas que simplesmente ouviu da boca de outras pessoas que também não se aprofundaram no assunto.
Nos últimos tempos tenho acompanhado e lido na imprensa escrita, principalmente, uma enxurrada de “comentários” desinformados da parte de leitores sobre os anos de chumbo da ditadura civil-militar. Usam a raiva para combater os que defendem a comissão da verdade e ainda acham que os pesquisadores estão enganados e nada sabem.
A primeira impressão que dá é que se trata de uma campanha orquestrada da direita conservadora para apagar a luta da esquerda no Brasil contra o regime da época (1964-1985, ou até 1988 ou 1990 para alguns estudiosos). A outra impressão que fica é que se trata mesmo da falta de conhecimento (a pessoa não sabe aonde o galo cantou). É um quadro perigoso e preocupante.
Ainda tem gente que não acredita nas denúncias de corrupção e sai dizendo por aí que é tudo mentira da mídia elitizada contra o governo. Tem gente que ainda acha que comunista come criancinhas e mata os idosos para fazer sabão.
No caso da ditadura, que teve total apoio da classe média e até foi financiada pela burguesia, tenho lido afirmações e ouvido opiniões a favor dos torturadores criminosos, que me deixam estarrecido e assustado. São posições contrárias ao levantamento da memória, repetindo o formato dos militares da linha dura de que o movimento não passa de revanchismo da esquerda “terrorista”.
Ao se referir à situação atual de violência, aos desmandos das “autoridades” e ao quadro de impunidade, infelizmente, ainda tem gente que sai por aí pregando que se fosse na ditadura as coisas seriam diferentes. Essa gente não tem nenhuma noção do que foi a repressão militar e a falta total de liberdade e dos direitos civis.
Sobre declarações ameaçadoras de generais contra a comissão da verdade (boa parte dos arquivos já foi queimada e destruída), um estudioso afirmou num artigo no jornal que não existe mais ambiente para quaisquer tentativas ilegais das Forças Armadas. Completou que apenas existem manifestações aqui e ali do pijamato militar, que não conta.
Em parte, discordo dessa análise, mesmo porque a ditadura de 1964 começou com esse tipo de ensaio a partir do suicídio de Getúlio Vargas, em 1954. Engrossou no final dos anos 50 e início dos anos 60, e foi deflagrada por um general de pijama, Olímpio de Mourão Filho.
Portanto, devemos continuar sempre vigilantes. Até hoje, depois de quase 30 anos, os militares linha dura continuam mandando ameaças. A culpa maior disso está nos governos eleitos democraticamente, inclusive de esquerda, que por falta de coragem, optaram por não investigar e punir os crimes cometidos durante o regime. Não fizeram como os governos do Uruguai, Argentina e do Chile. Enquanto o tempo vai passando, a memória vai se apagando e ficando mais difícil eliminar de vez essa sombra que nos aterroriza.
Um exemplo de retrocesso foi a decisão lamentável do Superior Tribunal Federal, ratificando a Lei da Anistia tal como foi concebida em 1979, isto é, beneficiando também os torturadores e executores que praticaram crimes e não ação política de guerra.
Como esses criminosos e sequestradores podem ser anistiados, se nem foram julgados como foram as organizações de esquerda? Se era uma guerra, os presos políticos deveriam ser tratados como tal, isto é, conforme reza as convenções internacionais, e não esquartejados, estuprados e torturados barbaramente nas casas dos horrores. A anistia foi imposta quando o regime estava dividido e apodrecendo.
“Conquista Cassada.”
Mas, para muita gente, tudo não passa de mentira e invencionice. Desaparecimento de corpos é mentira, e nem mesmo a ditadura existiu. Para essas pessoas, recomendo ler e pesquisar profundamente sobre o assunto como venho fazendo há quase cinco anos na elaboração do livro “Uma Conquista Cassada”, sobre como se deu a ditadura em nossa cidade.
A obra está praticamente concluída para ser publicada, mas, infelizmente, depois de tanto sacrifício, sofreu solução de continuidade por falta de recursos e apoio. A luta é enorme, mas não vou desistir do objetivo porque tenho certeza de que é uma trabalho valioso para nossa história, apesar da pouca leitura, principalmente da nova geração, o que é muito triste.
Para essa gente que ainda sabe onde o galo cantou, recomendo ler os livros “Brasil: Nunca Mais”, organizado pelo Conselho Mundial das Igrejas, “O Baú do Guerrilheiro”, Ottoni Fernandes, “Combate nas Trevas”, Jacob Gorender, “1968: O Ano que não Terminou”, de Zuenir Ventura, “Os Carbonários”, Alfredo Sirkis,”...dos filhos deste solo...”, Nilmário Miranda,” Operação Araguaia”, Taís Morais e Eumano Silva, “Caparaó”, de José Carlos Costa, “Autópsia do Medo”, Percival Souza, a coleção de Hélio Gaspari, as obras de Emiliano José e tantas outras.
O assunto é muito amplo, mas só uma observação para finalizar. Infelizmente, as novas gerações não têm noção sobre o que foi a ditadura. Para reavivar nossa memória e prevenir a juventude para que ditadura nunca mais no nosso país, deveria haver nas escolas públicas e particulares uma disciplina específica sobre o tema.
Lamentavelmente, esse episódio de terror está se diluindo aos poucos, não passando hoje de uma simples menção dentro dos livros de História do Brasil.
Nos últimos tempos tenho acompanhado e lido na imprensa escrita, principalmente, uma enxurrada de “comentários” desinformados da parte de leitores sobre os anos de chumbo da ditadura civil-militar. Usam a raiva para combater os que defendem a comissão da verdade e ainda acham que os pesquisadores estão enganados e nada sabem.
A primeira impressão que dá é que se trata de uma campanha orquestrada da direita conservadora para apagar a luta da esquerda no Brasil contra o regime da época (1964-1985, ou até 1988 ou 1990 para alguns estudiosos). A outra impressão que fica é que se trata mesmo da falta de conhecimento (a pessoa não sabe aonde o galo cantou). É um quadro perigoso e preocupante.
Ainda tem gente que não acredita nas denúncias de corrupção e sai dizendo por aí que é tudo mentira da mídia elitizada contra o governo. Tem gente que ainda acha que comunista come criancinhas e mata os idosos para fazer sabão.
No caso da ditadura, que teve total apoio da classe média e até foi financiada pela burguesia, tenho lido afirmações e ouvido opiniões a favor dos torturadores criminosos, que me deixam estarrecido e assustado. São posições contrárias ao levantamento da memória, repetindo o formato dos militares da linha dura de que o movimento não passa de revanchismo da esquerda “terrorista”.
Ao se referir à situação atual de violência, aos desmandos das “autoridades” e ao quadro de impunidade, infelizmente, ainda tem gente que sai por aí pregando que se fosse na ditadura as coisas seriam diferentes. Essa gente não tem nenhuma noção do que foi a repressão militar e a falta total de liberdade e dos direitos civis.
Sobre declarações ameaçadoras de generais contra a comissão da verdade (boa parte dos arquivos já foi queimada e destruída), um estudioso afirmou num artigo no jornal que não existe mais ambiente para quaisquer tentativas ilegais das Forças Armadas. Completou que apenas existem manifestações aqui e ali do pijamato militar, que não conta.
Em parte, discordo dessa análise, mesmo porque a ditadura de 1964 começou com esse tipo de ensaio a partir do suicídio de Getúlio Vargas, em 1954. Engrossou no final dos anos 50 e início dos anos 60, e foi deflagrada por um general de pijama, Olímpio de Mourão Filho.
Portanto, devemos continuar sempre vigilantes. Até hoje, depois de quase 30 anos, os militares linha dura continuam mandando ameaças. A culpa maior disso está nos governos eleitos democraticamente, inclusive de esquerda, que por falta de coragem, optaram por não investigar e punir os crimes cometidos durante o regime. Não fizeram como os governos do Uruguai, Argentina e do Chile. Enquanto o tempo vai passando, a memória vai se apagando e ficando mais difícil eliminar de vez essa sombra que nos aterroriza.
Um exemplo de retrocesso foi a decisão lamentável do Superior Tribunal Federal, ratificando a Lei da Anistia tal como foi concebida em 1979, isto é, beneficiando também os torturadores e executores que praticaram crimes e não ação política de guerra.
Como esses criminosos e sequestradores podem ser anistiados, se nem foram julgados como foram as organizações de esquerda? Se era uma guerra, os presos políticos deveriam ser tratados como tal, isto é, conforme reza as convenções internacionais, e não esquartejados, estuprados e torturados barbaramente nas casas dos horrores. A anistia foi imposta quando o regime estava dividido e apodrecendo.
“Conquista Cassada.”
Mas, para muita gente, tudo não passa de mentira e invencionice. Desaparecimento de corpos é mentira, e nem mesmo a ditadura existiu. Para essas pessoas, recomendo ler e pesquisar profundamente sobre o assunto como venho fazendo há quase cinco anos na elaboração do livro “Uma Conquista Cassada”, sobre como se deu a ditadura em nossa cidade.
A obra está praticamente concluída para ser publicada, mas, infelizmente, depois de tanto sacrifício, sofreu solução de continuidade por falta de recursos e apoio. A luta é enorme, mas não vou desistir do objetivo porque tenho certeza de que é uma trabalho valioso para nossa história, apesar da pouca leitura, principalmente da nova geração, o que é muito triste.
Para essa gente que ainda sabe onde o galo cantou, recomendo ler os livros “Brasil: Nunca Mais”, organizado pelo Conselho Mundial das Igrejas, “O Baú do Guerrilheiro”, Ottoni Fernandes, “Combate nas Trevas”, Jacob Gorender, “1968: O Ano que não Terminou”, de Zuenir Ventura, “Os Carbonários”, Alfredo Sirkis,”...dos filhos deste solo...”, Nilmário Miranda,” Operação Araguaia”, Taís Morais e Eumano Silva, “Caparaó”, de José Carlos Costa, “Autópsia do Medo”, Percival Souza, a coleção de Hélio Gaspari, as obras de Emiliano José e tantas outras.
O assunto é muito amplo, mas só uma observação para finalizar. Infelizmente, as novas gerações não têm noção sobre o que foi a ditadura. Para reavivar nossa memória e prevenir a juventude para que ditadura nunca mais no nosso país, deveria haver nas escolas públicas e particulares uma disciplina específica sobre o tema.
Lamentavelmente, esse episódio de terror está se diluindo aos poucos, não passando hoje de uma simples menção dentro dos livros de História do Brasil.
terça-feira, 20 de março de 2012
EU ME IMPORTO
A China pretende importar todos os jumentos do Nordeste do Brasil (animais em extinção) para sacrificá-los e transformar suas carnes em alimentos e outros produtos. Eu me importo muito com isso porque nasci no campo vendo os jegues servindo os sertanejos na sua lida do dia-a-dia para sustentar as famílias pobres daqueles lavradores.
Alguém pode até achar uma grande bobagem, mas nunca me esqueci, desde quando era menino, da utilidade imprescindível desses animais ao homem pobre do campo. Não fosse seus serviços, transportando cargas pesadas nas roças e para as feiras da cidade, meu pai não conseguiria nos prover do vital alimento.
Por isso, o sertanejo tinha o maior zelo e tratava bem seus jumentos. Lembro muito bem que meu pai deixou um deles de estimação morrer de velhice em seu pasto, apesar da oferta que recebeu de um matadouro. Agora que o jegue foi substituído pela moto, o animal símbolo do Nordeste, que serviu até para compor canções, está com seus dias contados. O jegue também é um patrimônio que deve ser preservado e até tombado.
Eu me importo em ver aqui, em nossa cidade de Vitória da Conquista, os animais sendo maltratados e espancados por carroceiros, sem que os órgãos públicos “fiscalizadores” e as entidades que se dizem protetoras dos bichos tomarem providência para punir os agressores.
O que me incomoda não é só a atitude mesquinha do homem animal falante que usa do seu poder de domínio contra os animais indefesos que não têm como expressar sua indignação, mas também a exploração do homem contra o homem na sua pior falta de caráter e niilismo.
O uso de propinas em contratos e convênios com empresas públicas, inclusive da área de saúde, tornou-se “ética de mercado”. Eu me importo também com isso e com o silêncio dos bons. A prática tornou-se tão normal que essas pessoas não sentem mais remorso e dormem tranquilas com suas consciências.
Aliás, a prática ficou tão banalizada que os corruptos não se sentem mais corruptos, mas pessoas espertas e mais inteligentes que as outras, consideradas por eles de otárias. Quem não consegue mais dormir com tranquilidade são as pessoas que ainda procuram ter um comportamento de seriedade e honestidade com o dinheiro público, isto porque todos os dias elas sentem que estão sendo roubadas descaradamente.
Eu me importo com a adoração da estética no lugar da ética. Com o ser humano que se transformou numa simples marca, como daquela mulher que compara uma modelo magra, com aneroxia, como o marketing de sucesso de um telefone que tem que ser fino para ser bem aceito pelo mercado.
Eu me importo com a matança de moradores de rua por jovens e até adultos da classe média, por acharem que essa gente incomoda e precisa ser retirada do nosso convívio burguês capitalista. Eu me incomodo com essa indiferença de classe social do faz de conta que não existe e passa sem olhar para a cara da miséria. Eu me importo com essa impunidade que não é mais notícia de jornal.
Eu me importo com a polícia quando passa a servir os ricos donos de bancos, empresas e belos condomínios de luxo, deixando o povo pobre entregue à violência dos bandidos e assaltantes. Eu me importo com essa formação policial voltada para reprimir os mais pobres.
Eu me importo quando o próprio povo diz que é isso que o povo adora ouvir quando se refere às baixarias do lixo musical de Salvador, com “letras” preconceituosas que degradam e transformam a mulher ser humano num objeto. No lugar da contracultura, temos que conviver com a anticultura.
Eu me incomodo com tudo isso que está fora de lugar e fora de foco. O enredo está confuso e atravessado. Não dá mais para interpretar o sentido de tudo isso, ou esse mundo não é mais o meu mundo. Aqui não é mais o meu lugar. Esse comodismo e esse medo de falar o que se pensa me incomodam. Já disse alguém que o silêncio dos bons é doloroso, não que me julgue um deles.
Alguém pode até achar uma grande bobagem, mas nunca me esqueci, desde quando era menino, da utilidade imprescindível desses animais ao homem pobre do campo. Não fosse seus serviços, transportando cargas pesadas nas roças e para as feiras da cidade, meu pai não conseguiria nos prover do vital alimento.
Por isso, o sertanejo tinha o maior zelo e tratava bem seus jumentos. Lembro muito bem que meu pai deixou um deles de estimação morrer de velhice em seu pasto, apesar da oferta que recebeu de um matadouro. Agora que o jegue foi substituído pela moto, o animal símbolo do Nordeste, que serviu até para compor canções, está com seus dias contados. O jegue também é um patrimônio que deve ser preservado e até tombado.
Eu me importo em ver aqui, em nossa cidade de Vitória da Conquista, os animais sendo maltratados e espancados por carroceiros, sem que os órgãos públicos “fiscalizadores” e as entidades que se dizem protetoras dos bichos tomarem providência para punir os agressores.
O que me incomoda não é só a atitude mesquinha do homem animal falante que usa do seu poder de domínio contra os animais indefesos que não têm como expressar sua indignação, mas também a exploração do homem contra o homem na sua pior falta de caráter e niilismo.
O uso de propinas em contratos e convênios com empresas públicas, inclusive da área de saúde, tornou-se “ética de mercado”. Eu me importo também com isso e com o silêncio dos bons. A prática tornou-se tão normal que essas pessoas não sentem mais remorso e dormem tranquilas com suas consciências.
Aliás, a prática ficou tão banalizada que os corruptos não se sentem mais corruptos, mas pessoas espertas e mais inteligentes que as outras, consideradas por eles de otárias. Quem não consegue mais dormir com tranquilidade são as pessoas que ainda procuram ter um comportamento de seriedade e honestidade com o dinheiro público, isto porque todos os dias elas sentem que estão sendo roubadas descaradamente.
Eu me importo com a adoração da estética no lugar da ética. Com o ser humano que se transformou numa simples marca, como daquela mulher que compara uma modelo magra, com aneroxia, como o marketing de sucesso de um telefone que tem que ser fino para ser bem aceito pelo mercado.
Eu me importo com a matança de moradores de rua por jovens e até adultos da classe média, por acharem que essa gente incomoda e precisa ser retirada do nosso convívio burguês capitalista. Eu me incomodo com essa indiferença de classe social do faz de conta que não existe e passa sem olhar para a cara da miséria. Eu me importo com essa impunidade que não é mais notícia de jornal.
Eu me importo com a polícia quando passa a servir os ricos donos de bancos, empresas e belos condomínios de luxo, deixando o povo pobre entregue à violência dos bandidos e assaltantes. Eu me importo com essa formação policial voltada para reprimir os mais pobres.
Eu me importo quando o próprio povo diz que é isso que o povo adora ouvir quando se refere às baixarias do lixo musical de Salvador, com “letras” preconceituosas que degradam e transformam a mulher ser humano num objeto. No lugar da contracultura, temos que conviver com a anticultura.
Eu me incomodo com tudo isso que está fora de lugar e fora de foco. O enredo está confuso e atravessado. Não dá mais para interpretar o sentido de tudo isso, ou esse mundo não é mais o meu mundo. Aqui não é mais o meu lugar. Esse comodismo e esse medo de falar o que se pensa me incomodam. Já disse alguém que o silêncio dos bons é doloroso, não que me julgue um deles.
quarta-feira, 14 de março de 2012
POESIA SEM SEU DIA
Andei ontem por aí por vários lugares da cidade, pelas ruas e nas livrarias, inclusive acompanhei a fraca sessão da Câmara de Vereadores, que tinha 10 cidadãos e poucos parlamentares, falando algumas coisas soltas sobre educação, saúde a asfalto, mas nenhuma referência sobre o Dia Nacional da Poesia, 14 de março, data de nascimento de Antônio de Castro Alves (1847 -1871) e do conquistense cineasta Glauber Rocha (1947 -1981). Que coincidência!
Fiquei atento ao noticiário da mídia, mas para meu desespero e decepção, também não houve comentários sobre o Dia Nacional da Poesia, a não ser uma citação rápida na televisão sobre a data de nascimento de Glauber Rocha. A noite engoliu o dia, que em Vitória da Conquista ficou sem ser homenageado, porque esse era o seu dia da poesia.
Mesmo assim, sem comemoração, a poesia se fez presente no brilho do sol, nas flores, em toda parte e na vida corrida dos escritórios, das calçadas e avenidas concorridas de competição, sonhos e ilusões. Mesmo com toda ingratidão, ela não se ausentou de nós. Ao contrário, nos homenageou, repartindo a felicidade e confortando o espírito nos momentos infelizes.
Bem, vamos deixar de poetizar a poesia para falar mais da nossa falha por não termos prestado ao menos uma singela homenagem em seu dia, como aconteceu no Dia Internacional da Mulher quando houve mais fanfarra e demagogia do que reflexão crítica sobre qual deve ser mesmo seu papel de libertação e emancipação na sociedade.
Na próxima quarta-feira (dia 21) temos um próximo encontro com o Dia Mundial da Poesia. Deixo aqui o aviso para que não nos esqueçamos da data, e assim, quem sabe, vamos poder nos redimir da falta de consideração para com a nossa jovem criança e senhora poesia. Será que a abandonamos porque ela ficou idosa, como fazemos com os nossos idosos do Brasil?
Meu reconhecimento ao poder público local que ultimamente tem prestigiado a música, incentivando o trabalho de seus intérpretes cantores e compositores. O mesmo não posso dizer quanto às outras linguagens artísticas, especialmente a literatura em seus diversos segmentos como da poesia, do romance, dos contos, crônicas e das obras de pesquisas em geral.
Não falo aqui estritamente de espaço físico, mas da realização de eventos, editais municipais, feiras, bienais e outras tantas atividades culturais literárias que promovam potenciais realizadores e produtores. Estou falando de uma política cultural que atenda a todas as expressões artísticas. Cada uma tem a sua particularidade intrínseca.
Mas, voltando ao Dia Nacional da Poesia, só para lembrar, em Salvador foi realizado o Cortejo Poético Performático Dia da Poesia, promovido pela Biblioteca Prometeu Itinerante e o Coletivo Poesia Além das Sete Praças. A Camarata Castro Alves apresentou o espetáculo “O Navio Negreiro aos Olhos do Condor”, no Teatro Barroquinha. No Parque Histórico Castro Alves, na Fazenda Cabaceiras de Paraguaçu, o poeta, autor de “Espumas Flutuantes”, foi homenageado nos seus 165 anos de nascimento.
Poesia é um modo de viver, pensar, olhar e ver. No seu dia, homenageamos também todos os poetas menores e maiores, como João Cabral de Melo Neto, Carlos Drumond de Andrade, Manoel Bandeira, Olavo Bilac, Cassimiro de Abreu, Álvaro de Azevedo, Fernando Pessoa, Victor Hugo, os baianos Sóstenis da Costa, Florisvaldo Matos, meu colega Ruy Espinheira, Camilo de Jesus Lima, Laudionor Brasil, Ruy Bacelar e tantos outros da nossa terra e região, vivos e no além.
Não podemos esquecer também dos cordelistas “Patativa do Assaré”, Leandro Gomes de Barros, o paraibano, pai dos cordelistas, Klévison Viana Manoel D´Almeida Filho, Teodoro dos Santos, Francisco Sales Arêda, o José Gomes, ou “Cuíca de Santo Amaro” (baiano), “Bule Bule”, e por aí vai numa lista infindável.
Desconheço se alguma entidade de Conquista, privada ou pública, tenha prestado alguma homenagem ao Dia Nacional da Poesia. Se ocorreu foi de forma muito tímida e reservada, sem divulgação aberta à comunidade. Arrisco dizer que as escolas nem lembraram. A mídia também tem seu grande quinhão de culpa pelo desconhecimento, ou mesmo falta de interesse pela cultura, o que é lamentável.
Infelizmente, em nosso país, não é só a esquecida e coitada poesia que sofre por falta de leitura e incentivo. Nos rincões mais distantes do nosso território anticultural, especialmente nos tempos atuais da Bahia, a situação ainda é mais grave. Cadê, então, a tão propalada interiorização da cultura propagada pelo governo estadual?
Não deixem morrer a poesia, porque os sentimentos se vão e a humanidade se tornará cada vez mais desumana. Não adianta termos os poetas, se na alma não existe poesia para homenagear pelo menos o seu dia. Aí, não haverá mais sentido a criação do dia da poesia.
Fiquei atento ao noticiário da mídia, mas para meu desespero e decepção, também não houve comentários sobre o Dia Nacional da Poesia, a não ser uma citação rápida na televisão sobre a data de nascimento de Glauber Rocha. A noite engoliu o dia, que em Vitória da Conquista ficou sem ser homenageado, porque esse era o seu dia da poesia.
Mesmo assim, sem comemoração, a poesia se fez presente no brilho do sol, nas flores, em toda parte e na vida corrida dos escritórios, das calçadas e avenidas concorridas de competição, sonhos e ilusões. Mesmo com toda ingratidão, ela não se ausentou de nós. Ao contrário, nos homenageou, repartindo a felicidade e confortando o espírito nos momentos infelizes.
Bem, vamos deixar de poetizar a poesia para falar mais da nossa falha por não termos prestado ao menos uma singela homenagem em seu dia, como aconteceu no Dia Internacional da Mulher quando houve mais fanfarra e demagogia do que reflexão crítica sobre qual deve ser mesmo seu papel de libertação e emancipação na sociedade.
Na próxima quarta-feira (dia 21) temos um próximo encontro com o Dia Mundial da Poesia. Deixo aqui o aviso para que não nos esqueçamos da data, e assim, quem sabe, vamos poder nos redimir da falta de consideração para com a nossa jovem criança e senhora poesia. Será que a abandonamos porque ela ficou idosa, como fazemos com os nossos idosos do Brasil?
Meu reconhecimento ao poder público local que ultimamente tem prestigiado a música, incentivando o trabalho de seus intérpretes cantores e compositores. O mesmo não posso dizer quanto às outras linguagens artísticas, especialmente a literatura em seus diversos segmentos como da poesia, do romance, dos contos, crônicas e das obras de pesquisas em geral.
Não falo aqui estritamente de espaço físico, mas da realização de eventos, editais municipais, feiras, bienais e outras tantas atividades culturais literárias que promovam potenciais realizadores e produtores. Estou falando de uma política cultural que atenda a todas as expressões artísticas. Cada uma tem a sua particularidade intrínseca.
Mas, voltando ao Dia Nacional da Poesia, só para lembrar, em Salvador foi realizado o Cortejo Poético Performático Dia da Poesia, promovido pela Biblioteca Prometeu Itinerante e o Coletivo Poesia Além das Sete Praças. A Camarata Castro Alves apresentou o espetáculo “O Navio Negreiro aos Olhos do Condor”, no Teatro Barroquinha. No Parque Histórico Castro Alves, na Fazenda Cabaceiras de Paraguaçu, o poeta, autor de “Espumas Flutuantes”, foi homenageado nos seus 165 anos de nascimento.
Poesia é um modo de viver, pensar, olhar e ver. No seu dia, homenageamos também todos os poetas menores e maiores, como João Cabral de Melo Neto, Carlos Drumond de Andrade, Manoel Bandeira, Olavo Bilac, Cassimiro de Abreu, Álvaro de Azevedo, Fernando Pessoa, Victor Hugo, os baianos Sóstenis da Costa, Florisvaldo Matos, meu colega Ruy Espinheira, Camilo de Jesus Lima, Laudionor Brasil, Ruy Bacelar e tantos outros da nossa terra e região, vivos e no além.
Não podemos esquecer também dos cordelistas “Patativa do Assaré”, Leandro Gomes de Barros, o paraibano, pai dos cordelistas, Klévison Viana Manoel D´Almeida Filho, Teodoro dos Santos, Francisco Sales Arêda, o José Gomes, ou “Cuíca de Santo Amaro” (baiano), “Bule Bule”, e por aí vai numa lista infindável.
Desconheço se alguma entidade de Conquista, privada ou pública, tenha prestado alguma homenagem ao Dia Nacional da Poesia. Se ocorreu foi de forma muito tímida e reservada, sem divulgação aberta à comunidade. Arrisco dizer que as escolas nem lembraram. A mídia também tem seu grande quinhão de culpa pelo desconhecimento, ou mesmo falta de interesse pela cultura, o que é lamentável.
Infelizmente, em nosso país, não é só a esquecida e coitada poesia que sofre por falta de leitura e incentivo. Nos rincões mais distantes do nosso território anticultural, especialmente nos tempos atuais da Bahia, a situação ainda é mais grave. Cadê, então, a tão propalada interiorização da cultura propagada pelo governo estadual?
Não deixem morrer a poesia, porque os sentimentos se vão e a humanidade se tornará cada vez mais desumana. Não adianta termos os poetas, se na alma não existe poesia para homenagear pelo menos o seu dia. Aí, não haverá mais sentido a criação do dia da poesia.
segunda-feira, 12 de março de 2012
GAMBIARRAS BRASILEIRAS
Um país que ainda se arrasta com uma enorme dívida social para com o seu povo, principalmente na educação e na saúde, e apresenta um dos maiores índices de desigualdade do mundo, embora tenha avançado alguns pontinhos na renda, tem se arvorado a manter um status aparente de gente grande no clube dos países, os quais já têm uma estrutura bem mais avançada para tocar seus projetos, com confiabilidade.
Sem uma gestão confiável, competente e séria, pois as necessidades básicas do povo são relegadas a último plano, quando não armengadas pelas promessas populistas, o Brasil termina fazendo gambiarras e passando uma imagem negativa no cenário internacional.
Um dos exemplos mais recentes aconteceu com a Estação Antártica Comandante Ferraz que não resistiu às gambiarras, por falta de investimentos e até mesmo na concepção tecnológica do projeto, e pegou fogo, sacrificando a vida de duas pessoas. Há quase 30 anos entrou no clube seleto do Tratado Antártico, e o povo se sentiu orgulhoso.
Não estou questionando aqui a importância tecnológica e científica que o projeto proporciona para o conhecimento das transformações climáticas e ambientais da terra e do universo como um todo.
O que me deixa mais intrigado é que a impressão que passa, neste caso, é que ao país o que importa acima de tudo é fazer parte do Tratado, mesmo sem a devida estrutura garantidora da segurança e dos resultados do projeto. É só pura vaidade? Só participar, por participar? Complexo de inferioridade, para não ficar para trás dos outros?
É nisso que dá quando não se tem uma gestão séria, desde o cuidado básico no sentido de antes se construir o desenvolvimento social de que tanto o povo brasileiro precisa. Mesmo com o Bolsa Família e as chamadas “políticas públicas de inclusão”, o Brasil ainda estampa bolsões de pobreza e miséria, sem falar na concentração de renda que não para de bombar. A vida com qualidade não deveria estar acima de tudo?
Muita gente já deve ter se esquecido do que ocorreu há nove anos no Centro de Lançamento de Foguetes de Alcântara, no Maranhão, quando tudo explodiu no incêndio, matando, se não me engano, mais de dez brasileiros. Não se fala mais no assunto. Agora inventamos fazer a Copa e as Olimpíadas.
As gambiarras brasileiras estão por toda parte em nosso território, com desperdícios, desvios de dinheiro, corrupção e falcatruas. Nossos governantes levantam obras que ficam no meio do caminho, e outras tantas irregulares por falta de competência dos dirigentes, e safadeza mesmo.
Bem perto de nós está o metrô de Salvador, o mais curto do mundo, que há 12 anos ainda não foi concluído, e serve de piada na boca do povo. É mais uma obra que desprestigia o Brasil lá fora. Ali, em Itabuna, começaram um Centro de Convenções e os serviços estão parados há sete anos. Por essas e outras é que o nosso país não é confiável, nem é levado a sério no exterior. Não existem culpados pelos desmandos.
Sem primeiro cuidar da nossa casa, oferecendo vida digna e de qualidade à sua população, conforme reza a Constituição, o governo brasileiro e a classe dominante burguesa, que só visa seus interesses, tudo fizeram para sediar a Copa Mundial de Futebol de 2014 e as Olimpíadas de 2016. O povo, que pouco pensa, aplaudiu, com “orgulho”.
Não tardou e as críticas começaram a pipocar por todos os lados, até que um membro da Fifa disse que os organizadores mereciam “levar um ponta pé no traseiro”. Os “responsáveis” espumaram de raiva, mas sem moral, porque estão viciados em fazer gambiarras e não dá em nada. Imediatamente aprovaram uma Lei Geral da Copa onde nos submetemos aos caprichos da Fifa. Que humilhação!
Deveria haver uma norma internacional, determinando em seu primeiro artigo, que um país para sediar um evento mundial teria que apresentar um currículo, comprovando que fez o dever de casa, ou seja, o seu povo goza de uma boa educação e uma saúde de qualidade.
É nisso que dá entrar na festa dos ricos só para aparecer e ganhar status, voto e popularidade. Depois eles nos deixam envergonhados com suas trapalhadas e falta de competência. Como já estão habituados a não assumir os compromissos internos, fazem o mesmo no âmbito externo e deixam o país com uma péssima imagem lá fora. Só querem tirar proveito e manter o poder, dando circo, futebol e carnaval.
Sem uma gestão confiável, competente e séria, pois as necessidades básicas do povo são relegadas a último plano, quando não armengadas pelas promessas populistas, o Brasil termina fazendo gambiarras e passando uma imagem negativa no cenário internacional.
Um dos exemplos mais recentes aconteceu com a Estação Antártica Comandante Ferraz que não resistiu às gambiarras, por falta de investimentos e até mesmo na concepção tecnológica do projeto, e pegou fogo, sacrificando a vida de duas pessoas. Há quase 30 anos entrou no clube seleto do Tratado Antártico, e o povo se sentiu orgulhoso.
Não estou questionando aqui a importância tecnológica e científica que o projeto proporciona para o conhecimento das transformações climáticas e ambientais da terra e do universo como um todo.
O que me deixa mais intrigado é que a impressão que passa, neste caso, é que ao país o que importa acima de tudo é fazer parte do Tratado, mesmo sem a devida estrutura garantidora da segurança e dos resultados do projeto. É só pura vaidade? Só participar, por participar? Complexo de inferioridade, para não ficar para trás dos outros?
É nisso que dá quando não se tem uma gestão séria, desde o cuidado básico no sentido de antes se construir o desenvolvimento social de que tanto o povo brasileiro precisa. Mesmo com o Bolsa Família e as chamadas “políticas públicas de inclusão”, o Brasil ainda estampa bolsões de pobreza e miséria, sem falar na concentração de renda que não para de bombar. A vida com qualidade não deveria estar acima de tudo?
Muita gente já deve ter se esquecido do que ocorreu há nove anos no Centro de Lançamento de Foguetes de Alcântara, no Maranhão, quando tudo explodiu no incêndio, matando, se não me engano, mais de dez brasileiros. Não se fala mais no assunto. Agora inventamos fazer a Copa e as Olimpíadas.
As gambiarras brasileiras estão por toda parte em nosso território, com desperdícios, desvios de dinheiro, corrupção e falcatruas. Nossos governantes levantam obras que ficam no meio do caminho, e outras tantas irregulares por falta de competência dos dirigentes, e safadeza mesmo.
Bem perto de nós está o metrô de Salvador, o mais curto do mundo, que há 12 anos ainda não foi concluído, e serve de piada na boca do povo. É mais uma obra que desprestigia o Brasil lá fora. Ali, em Itabuna, começaram um Centro de Convenções e os serviços estão parados há sete anos. Por essas e outras é que o nosso país não é confiável, nem é levado a sério no exterior. Não existem culpados pelos desmandos.
Sem primeiro cuidar da nossa casa, oferecendo vida digna e de qualidade à sua população, conforme reza a Constituição, o governo brasileiro e a classe dominante burguesa, que só visa seus interesses, tudo fizeram para sediar a Copa Mundial de Futebol de 2014 e as Olimpíadas de 2016. O povo, que pouco pensa, aplaudiu, com “orgulho”.
Não tardou e as críticas começaram a pipocar por todos os lados, até que um membro da Fifa disse que os organizadores mereciam “levar um ponta pé no traseiro”. Os “responsáveis” espumaram de raiva, mas sem moral, porque estão viciados em fazer gambiarras e não dá em nada. Imediatamente aprovaram uma Lei Geral da Copa onde nos submetemos aos caprichos da Fifa. Que humilhação!
Deveria haver uma norma internacional, determinando em seu primeiro artigo, que um país para sediar um evento mundial teria que apresentar um currículo, comprovando que fez o dever de casa, ou seja, o seu povo goza de uma boa educação e uma saúde de qualidade.
É nisso que dá entrar na festa dos ricos só para aparecer e ganhar status, voto e popularidade. Depois eles nos deixam envergonhados com suas trapalhadas e falta de competência. Como já estão habituados a não assumir os compromissos internos, fazem o mesmo no âmbito externo e deixam o país com uma péssima imagem lá fora. Só querem tirar proveito e manter o poder, dando circo, futebol e carnaval.
segunda-feira, 5 de março de 2012
DESVIOS DAS ÁGUAS
De riacho foi “promovido” a rio, formando uma bacia que nela foi construída uma grande barragem com o propósito de irrigar as terras dos ribeirinhos e gerar emprego e renda para as famílias mais necessitadas, castigadas pelas secas do sertão. No entanto, não foi isso o que aconteceu. Das glebas de terras se apropriaram os mais abonados para construir suas casas confortáveis de veraneio e desviar as águas da barragem para suas chácaras e projetos empresariais de lazer.
Muita gente já deve ter sacado do rio ao qual estou me referindo. É isso mesmo, trata-se do rio Gavião, que nasce no município de Jacaraci, no sudoeste baiano, e antes se chamava de riacho das Palmeiras pelo seu descobridor Fernão Dias, no início do século passado. No mesmo local, nasce também o rio Verde (seu irmão gêmeo) que resolveu seguir terras mineiras.
O hoje rio Gavião, que deságua no rio das Contas, alcança os gerais do Ave Maria (localidade de São José), passa por Imbiá (distrito) e atravessa os municípios de Condeúba, Presidente Jânio Quadros, Tremedal, Belo Campo, Caraíbas e Anagé onde forma a barragem que recebe o mesmo nome. Corta ainda Tanhaçú e Mirante até cair no rio das Contas, que derrama suas água no mar, em Itacaré.
É uma pequena descrição para o leitor se situar, mas queremos falar mesmo da Barragem de Anagé, construída no início da década de 1980 pelo DNOCS (Departamento Nacional de Obras contra a Seca). Depois de um bom tempo, estive visitando a barragem na semana passada e tomei um susto diante do esvaziamento do reservatório que deve ter baixado de 5 a 10 metros do ano passado para cá.
Imagina-se de início, como muitos dizem, que a situação é decorrente da falta de chuvas na região. Mas, não é preciso ser especialista para perceber que as principais causas de tudo são o desvio e o desperdício de suas águas por aqueles que se apropriaram dos terrenos em suas margens para construir belas casas com piscinas para curtir seus finais de semana.
Como se não bastasse, de forma descontrolada e irregular, proprietários de classe média alta retiram há muitos anos (cerca de 30) grandes volumes de água para irrigar suas lavouras. Na verdade, não existe e nunca existiu um controle mais rigoroso do consumo de água da barragem, que a permanecer nesse ritmo, vai terminar secando de vez.
É claro que a escassez de chuvas contribui para o quadro, mas o uso descomedido e ganancioso dos sanguessugas da água, sem pensar em seus efeitos e conseqüências ao meio ambiente, foi mais danoso para agravar o problema e baixar o nível da barragem a um ponto tão crítico como o atual.
Árvores secas que antes estavam debaixo d´água estão expostas, sem contar os troncos e o chão estorricado em suas margens. Puxaram e ainda puxam água demais, sem se dar conta que a barragem não suporta tanta exploração. Além do mais, o reservatório abastece as cidades de Anagé a Caraíbas. Existem ainda idéias por aí de que a barragem poderia abastecer parte do consumo de Vitória da Conquista.
A obra que foi criada com o intuito primordial de desenvolver a agricultura familiar e servir como fonte de renda, teve seu objetivo desviado para o lazer e conforto dos mais ricos. O local transformou-se num balneário de final de semana, só que está pedindo socorro. O Gavião, assim como a ave, pode ser extinto. Seu bico está secando.
Conheço a Barragem de Anagé há mais de 20 anos e nunca vi com seu nível tão baixo, apesar de ter atravessado secas bem piores neste período. Digo isso porque como repórter, acompanhei várias estiagens bem mais agudas que agora. Depois de cheia, logo após sua construção, suportou por muito tempo a retirada demasiada de água até que veio anunciar seu esgotamento. É como se dissesse: Assim não dá mais seus sanguessugas.
Por outro lado, o leito do rio Gavião, como o rio do Antônio, que nasce no município de Licínio do Almeida, vem há muitos anos sofrendo a ação predatória por parte do homem, principalmente do poder público, com a retirada de areia e o desmatamento em suas margens.
O fotógrafo José Carlos D´Almeida percorreu todo rio Gavião e constatou a sua degradação, inclusive seco em alguns locais quando bate a estiagem. Todos esses fatores fazem com que não exista água suficiente para represar na barragem. Os órgãos (in) competentes são os maiores responsáveis pela atual situação da Barragem de Anagé e ficam agora colocando toda culpa na falta de chuvas.
Muita gente já deve ter sacado do rio ao qual estou me referindo. É isso mesmo, trata-se do rio Gavião, que nasce no município de Jacaraci, no sudoeste baiano, e antes se chamava de riacho das Palmeiras pelo seu descobridor Fernão Dias, no início do século passado. No mesmo local, nasce também o rio Verde (seu irmão gêmeo) que resolveu seguir terras mineiras.
O hoje rio Gavião, que deságua no rio das Contas, alcança os gerais do Ave Maria (localidade de São José), passa por Imbiá (distrito) e atravessa os municípios de Condeúba, Presidente Jânio Quadros, Tremedal, Belo Campo, Caraíbas e Anagé onde forma a barragem que recebe o mesmo nome. Corta ainda Tanhaçú e Mirante até cair no rio das Contas, que derrama suas água no mar, em Itacaré.
É uma pequena descrição para o leitor se situar, mas queremos falar mesmo da Barragem de Anagé, construída no início da década de 1980 pelo DNOCS (Departamento Nacional de Obras contra a Seca). Depois de um bom tempo, estive visitando a barragem na semana passada e tomei um susto diante do esvaziamento do reservatório que deve ter baixado de 5 a 10 metros do ano passado para cá.
Imagina-se de início, como muitos dizem, que a situação é decorrente da falta de chuvas na região. Mas, não é preciso ser especialista para perceber que as principais causas de tudo são o desvio e o desperdício de suas águas por aqueles que se apropriaram dos terrenos em suas margens para construir belas casas com piscinas para curtir seus finais de semana.
Como se não bastasse, de forma descontrolada e irregular, proprietários de classe média alta retiram há muitos anos (cerca de 30) grandes volumes de água para irrigar suas lavouras. Na verdade, não existe e nunca existiu um controle mais rigoroso do consumo de água da barragem, que a permanecer nesse ritmo, vai terminar secando de vez.
É claro que a escassez de chuvas contribui para o quadro, mas o uso descomedido e ganancioso dos sanguessugas da água, sem pensar em seus efeitos e conseqüências ao meio ambiente, foi mais danoso para agravar o problema e baixar o nível da barragem a um ponto tão crítico como o atual.
Árvores secas que antes estavam debaixo d´água estão expostas, sem contar os troncos e o chão estorricado em suas margens. Puxaram e ainda puxam água demais, sem se dar conta que a barragem não suporta tanta exploração. Além do mais, o reservatório abastece as cidades de Anagé a Caraíbas. Existem ainda idéias por aí de que a barragem poderia abastecer parte do consumo de Vitória da Conquista.
A obra que foi criada com o intuito primordial de desenvolver a agricultura familiar e servir como fonte de renda, teve seu objetivo desviado para o lazer e conforto dos mais ricos. O local transformou-se num balneário de final de semana, só que está pedindo socorro. O Gavião, assim como a ave, pode ser extinto. Seu bico está secando.
Conheço a Barragem de Anagé há mais de 20 anos e nunca vi com seu nível tão baixo, apesar de ter atravessado secas bem piores neste período. Digo isso porque como repórter, acompanhei várias estiagens bem mais agudas que agora. Depois de cheia, logo após sua construção, suportou por muito tempo a retirada demasiada de água até que veio anunciar seu esgotamento. É como se dissesse: Assim não dá mais seus sanguessugas.
Por outro lado, o leito do rio Gavião, como o rio do Antônio, que nasce no município de Licínio do Almeida, vem há muitos anos sofrendo a ação predatória por parte do homem, principalmente do poder público, com a retirada de areia e o desmatamento em suas margens.
O fotógrafo José Carlos D´Almeida percorreu todo rio Gavião e constatou a sua degradação, inclusive seco em alguns locais quando bate a estiagem. Todos esses fatores fazem com que não exista água suficiente para represar na barragem. Os órgãos (in) competentes são os maiores responsáveis pela atual situação da Barragem de Anagé e ficam agora colocando toda culpa na falta de chuvas.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
OS CRIMES ABSURDOS
Vamos abordar aqui diversos assuntos que acontecem em nossas vidas e no dia-a-dia do Brasil. São absurdos que dão lugar a outros e logo terminam sendo esquecidos. Pelo visto, não é somente a Bahia que tem o “privilégio” de ser a terra dos absurdos como exclamou estarrecido o ex-governador Otávio Mangabeira.
Para começar, diria que no Brasil temos o sagrado direito à propriedade privada, mas não existe o sagrado direito à dignidade da pessoa humana, a não ser no papel, manchado de tramas escusas. Basta citar a invasão ao bairro Pinheirinho, em São Paulo, onde os moradores foram literalmente esmagados pela máquina público-privada.
Numa praia do litoral paulista, um garoto de 13 anos pilota um Jet Ski, perde o controle, e acaba atingindo uma criança que morre no local. Os pais somem, mas aparece um advogado para dar uma versão cínica e fajuta da tragédia, dando a entender (somos todos burros) que o único culpado foi o Jet Ski que resolveu sair sozinho do barco para dar um passeio. Fez uma ligação em si mesmo e avisou: “Vou ali e volto já”.
Como a coisa ficou tão escancarada, só depois com o depoimento de testemunhas, foi que o advogado mudou de “tática” e instruiu o menino a contar a verdade de que ele estava pilotando, mas não aponta o responsável, ou responsáveis. Assim, o garoto agiu por conta própria porque os pais e os adultos que estavam com ele não aparecem na peça. O menor leva a culpa e os pais se safam. E tome impunidade e injustiça. O resto já se sabe no que vai dar. É o mesmo tipo de pai que dá bebida alcoólica para o filho e acha tudo bonito.
Baderna no julgamento das escolas de samba de São Paulo. Um estúpido com uma camisa e um bracelete de uma escola dá uma “voadeira” na mesa do júri, pega os papéis das notas e rasga tudo. A diretoria da entidade diz que não sabe como o cara entrou no recinto, tampouco que era membro do grupo. O agressor fez tudo por conta própria. Ninguém planejou a confusão. As versões são as mais estapafúrdias.
No dia 2 de fevereiro passado, no Rio de Janeiro ou São Paulo (o local não importa muito), Vitor Suarez Cunha foi defender um mendigo que estava apanhando de uns animais com cara de humanos e foi barbaramente espancado. O rapaz baixou no hospital e nenhuma entidade de defesa dos direitos humanos se pronunciou ou apareceu por lá para apoiar a ação de Vitor. Nem um representante do governo se manifestou. Solidariedade está em extinção.
Queimaram mais mendigos (lembram do índio Galdino) em Brasília. Tudo perpetrado por jovens de cujos pais sempre devem ter recebido cobertura para os malfeitos. Será mais um crime impune, como o do índio Galdino. Dizem que os criminosos daquele ato macabro se formaram e hoje estão “atuando muito bem” em suas profissões. A sociedade cala e espera outro absurdo acontecer.
Temos muito mais absurdos e passaria o resto da minha vida relatando-os. Em todos eles, as “autoridades” sempre dizem o mesmo: “Vamos investigar com profundidade e punir os culpados”. Conversa pra boi dormir. Passa o tempo e tudo cai no esquecimento. Vivemos no paraíso da impunidade.
Saindo de uma ponta a outra, aqui na Bahia a Secretaria de Cultura do Estado abriu um concurso para selecionar representantes territoriais de cultura (êta nome bonito!), cujo edital dava vantagens a militantes políticos e sindicalistas (mais de mil reais de salário). O governador achou um absurdo, e o secretário, Albino Rubim, saiu com esta: Existe vício na política, mas não é só no PT. Está em todos os partidos. Faz lembrar Lula sobre o Caixa 2 das campanhas eleitorais. Boa justificativa! Este esquema está enraizado há muito tempo em todos os setores do governo. É a cota política, sem levar em conta o mérito e a competência.
E por falar em cultura, um produtor da área disse que a atual gestão permanece ancorada na análise conceitual do fenômeno cultural e esqueceu-se do fazer cultura. Continuamos tentando descobrir o sexo dos anjos. Inventaram o território cultural. O que virá depois?
Nenhuma chiada quanto a privatização dos aeroportos. A classe trabalhadora e os estudantes ficaram calados. Fosse antes, havia quebra-quebra. Nesta privatização, 49% dos aeroportos ficaram sob controle da estatal (Infraero), preservando a permanência dos quadros sindicalistas nas diretorias e nos conselhos. Está aí a explicação para a satisfação da militância, sem reação ideológica.
Querem mais um absurdo nosso de cada dia? No ano passado, os gastos em comemorações do governo federal atingiram R$54 milhões, 19,5% a mais que no ano anterior (R$45,4 milhões). Em cinco anos o crescimento é de 314%, bem longe da inflação.
Para 2012, o Tribunal Superior Eleitoral divulgou que os 29 partidos existentes (haja partido) receberão R$286,2 milhões para manter suas estruturas. Em 2011, a dotação foi de R$265 milhões. Só o PT abocanhou R$44 milhões, seguido do PMDB com R$33 milhões; o PSDB com R$30 milhões; e o DEM ficou em quarto, com R$19 milhões. E ainda dizem que no Brasil os partidos não são financiados com dinheiro público.
Os R$286 milhões do fundo partidário acrescentados aos R$851 milhões em descontos de impostos dados às emissoras de rádio e televisão em 2010 (serão R$606 milhões em 2012) somam R$1,13 bilhão. Como disse a colunista Dora Kramer, a militância cega resulta na perda da independência mental. É o estado onde não se tem mais liberdade de dizer as coisas como elas são.
Para começar, diria que no Brasil temos o sagrado direito à propriedade privada, mas não existe o sagrado direito à dignidade da pessoa humana, a não ser no papel, manchado de tramas escusas. Basta citar a invasão ao bairro Pinheirinho, em São Paulo, onde os moradores foram literalmente esmagados pela máquina público-privada.
Numa praia do litoral paulista, um garoto de 13 anos pilota um Jet Ski, perde o controle, e acaba atingindo uma criança que morre no local. Os pais somem, mas aparece um advogado para dar uma versão cínica e fajuta da tragédia, dando a entender (somos todos burros) que o único culpado foi o Jet Ski que resolveu sair sozinho do barco para dar um passeio. Fez uma ligação em si mesmo e avisou: “Vou ali e volto já”.
Como a coisa ficou tão escancarada, só depois com o depoimento de testemunhas, foi que o advogado mudou de “tática” e instruiu o menino a contar a verdade de que ele estava pilotando, mas não aponta o responsável, ou responsáveis. Assim, o garoto agiu por conta própria porque os pais e os adultos que estavam com ele não aparecem na peça. O menor leva a culpa e os pais se safam. E tome impunidade e injustiça. O resto já se sabe no que vai dar. É o mesmo tipo de pai que dá bebida alcoólica para o filho e acha tudo bonito.
Baderna no julgamento das escolas de samba de São Paulo. Um estúpido com uma camisa e um bracelete de uma escola dá uma “voadeira” na mesa do júri, pega os papéis das notas e rasga tudo. A diretoria da entidade diz que não sabe como o cara entrou no recinto, tampouco que era membro do grupo. O agressor fez tudo por conta própria. Ninguém planejou a confusão. As versões são as mais estapafúrdias.
No dia 2 de fevereiro passado, no Rio de Janeiro ou São Paulo (o local não importa muito), Vitor Suarez Cunha foi defender um mendigo que estava apanhando de uns animais com cara de humanos e foi barbaramente espancado. O rapaz baixou no hospital e nenhuma entidade de defesa dos direitos humanos se pronunciou ou apareceu por lá para apoiar a ação de Vitor. Nem um representante do governo se manifestou. Solidariedade está em extinção.
Queimaram mais mendigos (lembram do índio Galdino) em Brasília. Tudo perpetrado por jovens de cujos pais sempre devem ter recebido cobertura para os malfeitos. Será mais um crime impune, como o do índio Galdino. Dizem que os criminosos daquele ato macabro se formaram e hoje estão “atuando muito bem” em suas profissões. A sociedade cala e espera outro absurdo acontecer.
Temos muito mais absurdos e passaria o resto da minha vida relatando-os. Em todos eles, as “autoridades” sempre dizem o mesmo: “Vamos investigar com profundidade e punir os culpados”. Conversa pra boi dormir. Passa o tempo e tudo cai no esquecimento. Vivemos no paraíso da impunidade.
Saindo de uma ponta a outra, aqui na Bahia a Secretaria de Cultura do Estado abriu um concurso para selecionar representantes territoriais de cultura (êta nome bonito!), cujo edital dava vantagens a militantes políticos e sindicalistas (mais de mil reais de salário). O governador achou um absurdo, e o secretário, Albino Rubim, saiu com esta: Existe vício na política, mas não é só no PT. Está em todos os partidos. Faz lembrar Lula sobre o Caixa 2 das campanhas eleitorais. Boa justificativa! Este esquema está enraizado há muito tempo em todos os setores do governo. É a cota política, sem levar em conta o mérito e a competência.
E por falar em cultura, um produtor da área disse que a atual gestão permanece ancorada na análise conceitual do fenômeno cultural e esqueceu-se do fazer cultura. Continuamos tentando descobrir o sexo dos anjos. Inventaram o território cultural. O que virá depois?
Nenhuma chiada quanto a privatização dos aeroportos. A classe trabalhadora e os estudantes ficaram calados. Fosse antes, havia quebra-quebra. Nesta privatização, 49% dos aeroportos ficaram sob controle da estatal (Infraero), preservando a permanência dos quadros sindicalistas nas diretorias e nos conselhos. Está aí a explicação para a satisfação da militância, sem reação ideológica.
Querem mais um absurdo nosso de cada dia? No ano passado, os gastos em comemorações do governo federal atingiram R$54 milhões, 19,5% a mais que no ano anterior (R$45,4 milhões). Em cinco anos o crescimento é de 314%, bem longe da inflação.
Para 2012, o Tribunal Superior Eleitoral divulgou que os 29 partidos existentes (haja partido) receberão R$286,2 milhões para manter suas estruturas. Em 2011, a dotação foi de R$265 milhões. Só o PT abocanhou R$44 milhões, seguido do PMDB com R$33 milhões; o PSDB com R$30 milhões; e o DEM ficou em quarto, com R$19 milhões. E ainda dizem que no Brasil os partidos não são financiados com dinheiro público.
Os R$286 milhões do fundo partidário acrescentados aos R$851 milhões em descontos de impostos dados às emissoras de rádio e televisão em 2010 (serão R$606 milhões em 2012) somam R$1,13 bilhão. Como disse a colunista Dora Kramer, a militância cega resulta na perda da independência mental. É o estado onde não se tem mais liberdade de dizer as coisas como elas são.
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
"CAPITÃES DE AREIA" !
Maravilhoso, lindo, esplêndido, contagiante, empolgante, show emocionante e perfeito! São muitos adjetivos para pouca objetividade dos narradores e “comentaristas” da rede Globo sobre as Escolas de Samba do Rio de Janeiro. A impressão que se tem é que todas vão ser campeãs. Fala-se o óbvio. “Olha as baianas rodando, que lindo”! Para qualquer Escola, todos os enredos são fáceis de cantar.
O pior aconteceu quando entrou a Portela, a primeira Escola a desfilar na Sapucaí. Na Comissão de Frente colocaram a legenda “Capitães de Areia” para fazer referência a um dos livros do escritor baiano Jorge Amado. Esperei que fosse feita a correção, mas até o final, lá se foi repetindo “Capitães de Areia”. Jorge Amado deve ter se revirado do além e dito: Nunca escrevi este livro. Que horror!
No encerramento, o próprio responsável pela montagem da Comissão deu uma entrevista e mandou essa: Jorge Amado foi generoso quando escreveu “Capitães de Areia”. Generoso como? Lamentável cena, testemunha de que o moço também cometeu um grande equívoco de interpretação sobre a obra.
Na verdade, o título do livro é “Capitães da Areia”, que conta a história de meninos “moleques” que viviam soltos nas ruas e perambulavam pelas areias das praias da Cidade Baixa, dormindo num velho trapiche. Não sabia que Jorge Amado também era escultor de capitães feitos de areia. Podia até ser de areia, isto se o autor estivesse se referindo a um determinado lugar, o que não foi o caso.
Tratando-se de uma grande rede de televisão, com maior audiência de público, entende-se que seus repórteres e comunicadores devam ter maior qualificação para passar uma informação correta. Quanto maior o veículo, maior a responsabilidade jornalística. Por sua vez, o erro básico deveria ter sido corrigido imediatamente. Era o que se esperava.
Muito ôba, ôba e enrolação, sem contar as informações desencontradas sobre o escritor. Não se ouviu uma crítica mais abalizada sobre os desfiles das escolas de samba. Aliás, não temos mais críticos neste país, só aplausos e elogios, seja na literatura, no teatro, na música, nas artes plásticas ou até mesmo nos esportes. Existe uma pobreza no Brasil em termos de analise crítica, isto em todos os segmentos.
Como na escolha de cargos políticos, os textos dos enredos, em grande parte, não são selecionados por mérito e conteúdo, mas por apadrinhamento com os donos das escolas, na maioria bicheiros contraventores. Daí se exala a superficialidade e a falta de aprofundamento do tema proposto. A premiação requer uma guerra de foice nos bastidores. É uma máfia.
Não sou crítico de Escola de Samba, mesmo porque entendo pouca coisa, mas queria, como todos os telespectadores, ouvir mais objetividade. Os enredos da Portela e da Leopoldinense passaram uma imagem estereotipada da Bahia onde só existem festas, candomblé e sincretismo religioso. Fez-se apenas uma caricatura que não passa uma boa imagem do Estado lá fora. A Bahia tem muito mais para se mostrar, principalmente suas belezas e o potencial econômico.
Na homenagem a Jorge Amado, além do pecado de “Capitães de Areia”, a “Leopoldinense” mostrou praticamente a mesma coisa do lado festeiro da Bahia, desenhado pelo escritor, e pouco se falou sobre a vida do autor e o enfoque social e político, configurado em seus livros. O texto parecia mais uma cópia da outra.
Passou-se uma mensagem de que Jorge Amado fez uma apologia ao carnaval no seu primeiro livro “O País do Carnaval”, em 1931. Não foi bem assim. Na sua primeira fase como comunista, ele quis dizer que a festa só trazia miséria, com todas suas contradições. Os jovens, que já não têm o hábito de ler, engolem informações erradas e incompletas.
Em Salvador, seus organizadores e artistas passaram na abertura da festa um caldo de cultura no carnaval, mas os ingredientes da receita foram os mesmos. Por dentro, o bolo continuou com o mesmo gosto excludente e separatista. As principais bandas de trios saíram um dia sem cordas, sob o patrocínio polpudo da Petrobrás, que é uma empresa construída e mantida pelo povo.
Foi apenas uma forma de tapiar os foliões “pipocas” para dizer que o carnaval de Salvador voltou à sua forma participativa e tradicional de antes. Que nada! A exclusão permanece rolando forte, com os camarotes de luxo do alto e o povão aplaudindo lá em baixo. É “A Casa Grande e a Senzala”.
A mesmice continua concentrada nos trios elétricos de Ivete Sangalo, Bel Marques, Daniel Mercury, Carlinhos Braw, Cláudia Leite e Durval Lelis. É só ligar um canal qualquer e lá está a mesmice do axé, do pagode e do arrocha, com raras performances de forró e da música popular brasileira com boas letras para se escutar. Mais de 90% são lixo. Salvador teve até a propaganda do xixi. Que beleza!
O Governo do Estado investiu R$60 milhões, sem contar o dinheiro municipal, numa festa onde quem ganha grana mesmo são os ricos donos de hotéis, agências de turismo, de publicidade e artistas “famosos” que comandam trios ensurdecedores há muitos anos. Só fazem receber.
É o carnaval para turista ver porque adora coisa exótica. Passaram uma “garapa” e disseram que organizaram um carnaval cultural neste ano, só porque prestaram homenagem a Jorge Amado. Como diz o ditado popular: “Me engana que eu gosto”
O pior aconteceu quando entrou a Portela, a primeira Escola a desfilar na Sapucaí. Na Comissão de Frente colocaram a legenda “Capitães de Areia” para fazer referência a um dos livros do escritor baiano Jorge Amado. Esperei que fosse feita a correção, mas até o final, lá se foi repetindo “Capitães de Areia”. Jorge Amado deve ter se revirado do além e dito: Nunca escrevi este livro. Que horror!
No encerramento, o próprio responsável pela montagem da Comissão deu uma entrevista e mandou essa: Jorge Amado foi generoso quando escreveu “Capitães de Areia”. Generoso como? Lamentável cena, testemunha de que o moço também cometeu um grande equívoco de interpretação sobre a obra.
Na verdade, o título do livro é “Capitães da Areia”, que conta a história de meninos “moleques” que viviam soltos nas ruas e perambulavam pelas areias das praias da Cidade Baixa, dormindo num velho trapiche. Não sabia que Jorge Amado também era escultor de capitães feitos de areia. Podia até ser de areia, isto se o autor estivesse se referindo a um determinado lugar, o que não foi o caso.
Tratando-se de uma grande rede de televisão, com maior audiência de público, entende-se que seus repórteres e comunicadores devam ter maior qualificação para passar uma informação correta. Quanto maior o veículo, maior a responsabilidade jornalística. Por sua vez, o erro básico deveria ter sido corrigido imediatamente. Era o que se esperava.
Muito ôba, ôba e enrolação, sem contar as informações desencontradas sobre o escritor. Não se ouviu uma crítica mais abalizada sobre os desfiles das escolas de samba. Aliás, não temos mais críticos neste país, só aplausos e elogios, seja na literatura, no teatro, na música, nas artes plásticas ou até mesmo nos esportes. Existe uma pobreza no Brasil em termos de analise crítica, isto em todos os segmentos.
Como na escolha de cargos políticos, os textos dos enredos, em grande parte, não são selecionados por mérito e conteúdo, mas por apadrinhamento com os donos das escolas, na maioria bicheiros contraventores. Daí se exala a superficialidade e a falta de aprofundamento do tema proposto. A premiação requer uma guerra de foice nos bastidores. É uma máfia.
Não sou crítico de Escola de Samba, mesmo porque entendo pouca coisa, mas queria, como todos os telespectadores, ouvir mais objetividade. Os enredos da Portela e da Leopoldinense passaram uma imagem estereotipada da Bahia onde só existem festas, candomblé e sincretismo religioso. Fez-se apenas uma caricatura que não passa uma boa imagem do Estado lá fora. A Bahia tem muito mais para se mostrar, principalmente suas belezas e o potencial econômico.
Na homenagem a Jorge Amado, além do pecado de “Capitães de Areia”, a “Leopoldinense” mostrou praticamente a mesma coisa do lado festeiro da Bahia, desenhado pelo escritor, e pouco se falou sobre a vida do autor e o enfoque social e político, configurado em seus livros. O texto parecia mais uma cópia da outra.
Passou-se uma mensagem de que Jorge Amado fez uma apologia ao carnaval no seu primeiro livro “O País do Carnaval”, em 1931. Não foi bem assim. Na sua primeira fase como comunista, ele quis dizer que a festa só trazia miséria, com todas suas contradições. Os jovens, que já não têm o hábito de ler, engolem informações erradas e incompletas.
Em Salvador, seus organizadores e artistas passaram na abertura da festa um caldo de cultura no carnaval, mas os ingredientes da receita foram os mesmos. Por dentro, o bolo continuou com o mesmo gosto excludente e separatista. As principais bandas de trios saíram um dia sem cordas, sob o patrocínio polpudo da Petrobrás, que é uma empresa construída e mantida pelo povo.
Foi apenas uma forma de tapiar os foliões “pipocas” para dizer que o carnaval de Salvador voltou à sua forma participativa e tradicional de antes. Que nada! A exclusão permanece rolando forte, com os camarotes de luxo do alto e o povão aplaudindo lá em baixo. É “A Casa Grande e a Senzala”.
A mesmice continua concentrada nos trios elétricos de Ivete Sangalo, Bel Marques, Daniel Mercury, Carlinhos Braw, Cláudia Leite e Durval Lelis. É só ligar um canal qualquer e lá está a mesmice do axé, do pagode e do arrocha, com raras performances de forró e da música popular brasileira com boas letras para se escutar. Mais de 90% são lixo. Salvador teve até a propaganda do xixi. Que beleza!
O Governo do Estado investiu R$60 milhões, sem contar o dinheiro municipal, numa festa onde quem ganha grana mesmo são os ricos donos de hotéis, agências de turismo, de publicidade e artistas “famosos” que comandam trios ensurdecedores há muitos anos. Só fazem receber.
É o carnaval para turista ver porque adora coisa exótica. Passaram uma “garapa” e disseram que organizaram um carnaval cultural neste ano, só porque prestaram homenagem a Jorge Amado. Como diz o ditado popular: “Me engana que eu gosto”
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
NO TEMPO DA CHIBATA
A questão da polícia militar para que a sociedade também seja beneficiada no quesito segurança e olhe a corporação com simpatia, não se resolve simplesmente com aumento salarial e gratificações. O problema é bem mais histórico e carece de uma reforma profunda em sua estrutura a qual o staff não quer nem saber de falar nisso.
A sua rígida estrutura interna de punição, que leva o nome de disciplina e hierarquia, lembra mais o tempo da chibata que os marinheiros eram submetidos como castigo, resultando na “Revolta da Chibata”, em 1910, no governo do marechal Hermes da Fonseca. Por apanhar tanto, o marinheiro João Cândido, conhecido hoje como o “Almirante Negro”, liderou o movimento contra a chibatada.
Naquela época, o marinheiro não podia se casar e era submetido a outras humilhações degradantes. Posso estar falando besteira por não ser especialista no assunto, mas a hierarquia militar está arcaica e termina refletindo na sociedade que recebe um tratamento desumano como se todos fossem bandidos.
Na corporação militar, o comando ainda usa o medo para impor respeito, quando se pode muito bem, com disciplina e hierarquia, impor respeito, sem medo. Hoje, não é mais admissível que os pais baixem a porrada em seus filhos como forma de disciplina. Até a palmada foi proibida.
O policial que não cumprimenta um oficial, como reza a cartilha, leva “esporro” e é punido com severa advertência, além de ser humilhado diante de todos. As coisas podem ter melhorado, mas a rigidez continua severa em detrimento do bom relacionamento e do respeito mútuo. A seleção, sem o chamado “pistolão”, mesmo com concurso, é que tem que ser rigorosa.
Fala-se pouco da desmilitarização, tornando o policial mais humano, e muito de aumento salarial como se esse ganho a mais fosse resolver o problema de desvio de conduta. A questão é mais de formação e seleção das pessoas. Prepara-se estupidez que é repassada para o cidadão.
O militar de mau caráter não vai se tornar um bom exemplo só porque passou a ganhar mais. Se o cara já é uma marginal, tanto faz receber R$2.000,00 como R$10.000,0 por mês, ele vai continuar sendo corrupto, cobrando propinas e praticando bandidagens. É como o “bandido de toga” que já é bem pago pelo contribuinte.
Quando falo em reforma, refiro-me também ao treinamento militar, na sua maior parte voltado para defesa pessoal (aprendizagem de golpes e manejo de armas), e pouca coisa de conhecimento sobre relações e direitos humanos.
Na sua formação, o soldado aprende mais como bater no cidadão e tratá-lo com brutalidade e medo como se todos fossem bandidos. Geralmente ele desconta no civil o que recebeu de repreensão do seu comando na forma de estupidez. Nem é preciso que o comandante mande o subalterno esbofetear o civil. Na rua ele age como se fosse o comandante que lhe humilhou, e tome pancadaria e agressão.
Da forma como está, a polícia militar é vista como força bruta para reprimir os pobres que não têm condições financeiras para se defender. A raiz de todo o mal dessa truculência está aonde? Vem dos tempos coloniais do coronelismo onde a chibata resolvia tudo.
Alguma coisa está errada em sua estrutura, mas as autoridades e os comandos não querem enxergar. Preferem que o mal continue penalizando a sociedade que recebe a bordoada e ainda vive debaixo da chibata. Hoje, o cidadão tem medo do bandido e também da polícia militar. O medo faz com que ele mantenha distância, com raras exceções.
Outra deformação dentro das corporações é o corporativismo que deixa impunes os militares que agem como bandidos, ao ponto do governo reconhecer que as corregedorias são coniventes com os criminosos e marginais que agiram com arrastões, queima de ônibus e assassinatos durante a greve de 12 dias.
Ninguém fala mais da Chacina do Alto da Conquista que deixou um rastro de barbárie. Agiram como carrascos, executando sumariamente jovens por conta própria. A justiça calou-se, e a própria sociedade desorganizada também, justificando que todos eram bandidos e mereciam ser eliminados. Não está oficializada, mas existe pena de morte no Brasil, sem julgamento e sem sentença, pior que nos Estados Unidos.
Compactuamos também com a violência e com essa deformação da verdadeira função da polícia militar. Tudo isso porque o Estado é falho em sua missão de proteger e dar segurança ao povo. O sistema está todo podre e deformado. Não adianta só aumentar o contingente policial, dar melhores salários e colocar mais carros e armas nas mãos do militar se ele não tiver uma boa formação humana.
Portanto, o cerne da questão não é o aumento salarial. Não adianta dar uma robusta remuneração ao soldado se ele continua recebendo uma formação disciplinar arcaica e de medo dentro dos batalhões e dos quartéis. Não é com simples aumento salarial que o militar vai passar a respeitar os direitos humanos e tratar bem o cidadão.
Em seus discursos, os comandantes e as autoridades falam de uma instituição centenária que tem prestado grandes serviços à nação, mas não refletem e analisam que essa corporação precisa se alinhar e se renovar aos novos tempos, para melhor servir à sociedade que a mantém com tantos sacrifícios. O policial precisa ser respeitado para respeitar, não com chibata.
A sua rígida estrutura interna de punição, que leva o nome de disciplina e hierarquia, lembra mais o tempo da chibata que os marinheiros eram submetidos como castigo, resultando na “Revolta da Chibata”, em 1910, no governo do marechal Hermes da Fonseca. Por apanhar tanto, o marinheiro João Cândido, conhecido hoje como o “Almirante Negro”, liderou o movimento contra a chibatada.
Naquela época, o marinheiro não podia se casar e era submetido a outras humilhações degradantes. Posso estar falando besteira por não ser especialista no assunto, mas a hierarquia militar está arcaica e termina refletindo na sociedade que recebe um tratamento desumano como se todos fossem bandidos.
Na corporação militar, o comando ainda usa o medo para impor respeito, quando se pode muito bem, com disciplina e hierarquia, impor respeito, sem medo. Hoje, não é mais admissível que os pais baixem a porrada em seus filhos como forma de disciplina. Até a palmada foi proibida.
O policial que não cumprimenta um oficial, como reza a cartilha, leva “esporro” e é punido com severa advertência, além de ser humilhado diante de todos. As coisas podem ter melhorado, mas a rigidez continua severa em detrimento do bom relacionamento e do respeito mútuo. A seleção, sem o chamado “pistolão”, mesmo com concurso, é que tem que ser rigorosa.
Fala-se pouco da desmilitarização, tornando o policial mais humano, e muito de aumento salarial como se esse ganho a mais fosse resolver o problema de desvio de conduta. A questão é mais de formação e seleção das pessoas. Prepara-se estupidez que é repassada para o cidadão.
O militar de mau caráter não vai se tornar um bom exemplo só porque passou a ganhar mais. Se o cara já é uma marginal, tanto faz receber R$2.000,00 como R$10.000,0 por mês, ele vai continuar sendo corrupto, cobrando propinas e praticando bandidagens. É como o “bandido de toga” que já é bem pago pelo contribuinte.
Quando falo em reforma, refiro-me também ao treinamento militar, na sua maior parte voltado para defesa pessoal (aprendizagem de golpes e manejo de armas), e pouca coisa de conhecimento sobre relações e direitos humanos.
Na sua formação, o soldado aprende mais como bater no cidadão e tratá-lo com brutalidade e medo como se todos fossem bandidos. Geralmente ele desconta no civil o que recebeu de repreensão do seu comando na forma de estupidez. Nem é preciso que o comandante mande o subalterno esbofetear o civil. Na rua ele age como se fosse o comandante que lhe humilhou, e tome pancadaria e agressão.
Da forma como está, a polícia militar é vista como força bruta para reprimir os pobres que não têm condições financeiras para se defender. A raiz de todo o mal dessa truculência está aonde? Vem dos tempos coloniais do coronelismo onde a chibata resolvia tudo.
Alguma coisa está errada em sua estrutura, mas as autoridades e os comandos não querem enxergar. Preferem que o mal continue penalizando a sociedade que recebe a bordoada e ainda vive debaixo da chibata. Hoje, o cidadão tem medo do bandido e também da polícia militar. O medo faz com que ele mantenha distância, com raras exceções.
Outra deformação dentro das corporações é o corporativismo que deixa impunes os militares que agem como bandidos, ao ponto do governo reconhecer que as corregedorias são coniventes com os criminosos e marginais que agiram com arrastões, queima de ônibus e assassinatos durante a greve de 12 dias.
Ninguém fala mais da Chacina do Alto da Conquista que deixou um rastro de barbárie. Agiram como carrascos, executando sumariamente jovens por conta própria. A justiça calou-se, e a própria sociedade desorganizada também, justificando que todos eram bandidos e mereciam ser eliminados. Não está oficializada, mas existe pena de morte no Brasil, sem julgamento e sem sentença, pior que nos Estados Unidos.
Compactuamos também com a violência e com essa deformação da verdadeira função da polícia militar. Tudo isso porque o Estado é falho em sua missão de proteger e dar segurança ao povo. O sistema está todo podre e deformado. Não adianta só aumentar o contingente policial, dar melhores salários e colocar mais carros e armas nas mãos do militar se ele não tiver uma boa formação humana.
Portanto, o cerne da questão não é o aumento salarial. Não adianta dar uma robusta remuneração ao soldado se ele continua recebendo uma formação disciplinar arcaica e de medo dentro dos batalhões e dos quartéis. Não é com simples aumento salarial que o militar vai passar a respeitar os direitos humanos e tratar bem o cidadão.
Em seus discursos, os comandantes e as autoridades falam de uma instituição centenária que tem prestado grandes serviços à nação, mas não refletem e analisam que essa corporação precisa se alinhar e se renovar aos novos tempos, para melhor servir à sociedade que a mantém com tantos sacrifícios. O policial precisa ser respeitado para respeitar, não com chibata.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
TÁTICAS DE TERROR
Será que os marginais bandidos estão mesmo apoiando a greve dos policiais militares, ao ponto de queimarem e atravessarem ônibus nas ruas e avenidas? Quem agora está fazendo a bandidagem através das táticas de terror? Ladrões e assaltantes têm interresse de publicar panfletos mandando fechar lojas comerciais? Não seria contra seus propósitos, de justamente aproveitarem a total falta de segurança pública com as casas abertas? Loja fechada dificulta e não rende assalto.
Fico aqui pensando e filosofando com meus botões. As perguntas e respostas a essas questões não são colocadas pela mídia para esclarecer à população quem está, na verdade, atrás dessas táticas usadas por traficantes e criminosos para desafiar o Estado, ou diretamente contra a própria polícia quando está de serviço.
A luta armada clandestina de esquerda também utilizou esse método para combater a ditadura militar, por motivos nobres. Pelo visto aprenderam muito bem a lição e as estratégias. É o mesmo modus operandi dos marginais para pressionar o governo, só que sempre é o povo quem paga em ambos os casos.
Não queria voltar ao assunto, mas fico incomodado com a imprensa que não vai além do registro dos fatos. Posso até estar enganado quanto as minhas interpretações, mas é o que fica no ar no meio de toda essa baderna. Sinto nisso tudo a falta de um jornalismo mais investigativo que diga para o povo o que na verdade está acontecendo e desmascare essa farsa. Que não deixe dúvidas no ar e faça uma cobertura mais aprofundada dos fatos, com mais objetividade.
Outro fato é que o motim dos policiais militares feriu princípios constitucionais, e a “oposição política” ficou em silêncio. Aliás, estamos vivendo no país a lamentável falta de oposição, a qual serve para proporcionar equilíbrio em qualquer sistema que se diz democrático, quando bem feita com sabedoria e seriedade.
Como já disse aqui, o PT apoiou, em 2001, esse mesmo tipo de greve. Quem ficou contra o movimento militar naquela época foi classificado de conservador de direita. Qual a resposta que nos dão agora? É diferente, ou as coisas mudaram? Como assim?
Repito também que com os civis em greve a coisa seria bem diferente. A pancadaria teria sido generalizada e os grevistas já teriam sido expulsos da Assembléia Legislativa na base do pau e na bala, com gás de pimenta e lacrimogêneo.
No caso dos militares, a força nacional de segurança está em torno da Assembléia para dar segurança aos grevistas e houve até festa de aniversário do general do Exército que já avisou que não vai haver confronto. Fossem os civis lá dentro, o general ia comemorar seu aniversário arrebentando de uma vez com o movimento. Depois era só festa.
Observo nisso tudo um quadro de ironia e contradição. Agora os militares estampam cartazes pedindo o não derramamento de sangue. A única coisa que ocorreu de mais violento foi o fato de alguns militares terem sido atingidos por tiros de bala de borracha que o povo em manifestações sempre leva dos militares. Sentiram na pele as balas de borracha.
No mais, o Estado não conseguiu cumprir 12 mandados de prisão expedidos pela justiça. Quando se trata de civil, os líderes são presos imediatamente de forma agressiva, e se houver reação leva tiro. A resposta sempre é: “Estamos simplesmente cumprindo ordem judicial”
É bom que as pessoas se lembrem do caso mais recente da expulsão dos moradores do bairro Pinheirinho, em São Paulo. A tropa de militares entrou destruindo tudo pela frente com a maior truculência, não poupando crianças, mulheres e idosos. O comando respondeu que tudo foi feito para cumprir a ordem judicial. Aí eles são ágeis na força bruta. Agora é só camaradagem.
Se houvesse consciência da situação em que vivemos, e isto é muito difícil de acontecer, bem que os militares poderiam expressar seu descontentamento por não terem suas reivindicações atendidas, não cumprindo ordens parta descer o porrete em civis em greve. Seria também uma forma de reivindicar. Mas, o povo que se dane e só serve para saco de pancada.
Aproveitando aqui o gancho, como se diz no jargão jornalístico, por que até hoje policiais em serviço têm que “pedir” a donos de lanchonetes e restaurantes para liberar comida, se o governo diz que oferece tiques refeições e auxílio-alimentação?
Na beira de estrada essa cena é bem rotineira, como presenciei recentemente num restaurante indo para Juazeiro, na Bahia. Tarde à noite desce um grupo armado da Caesg num estabelecimento deste gênero só para merendar. O chefe dirige-se ao gerente e solicita a liberação grátis, no que é prontamente atendido, é claro.
Não seria, nesse caso, uma obrigação do Estado fornecer o alimento e até mesmo ser proibido esse tipo de procedimento, para não criar constrangimento ao dono da casa comercial? Conversei com o gerente e ele disse que se não fizer isso não tem a devida segurança dos homens. Depois do lanche, os policiais entraram no carro e ganharam a estrada.
Fico aqui pensando e filosofando com meus botões. As perguntas e respostas a essas questões não são colocadas pela mídia para esclarecer à população quem está, na verdade, atrás dessas táticas usadas por traficantes e criminosos para desafiar o Estado, ou diretamente contra a própria polícia quando está de serviço.
A luta armada clandestina de esquerda também utilizou esse método para combater a ditadura militar, por motivos nobres. Pelo visto aprenderam muito bem a lição e as estratégias. É o mesmo modus operandi dos marginais para pressionar o governo, só que sempre é o povo quem paga em ambos os casos.
Não queria voltar ao assunto, mas fico incomodado com a imprensa que não vai além do registro dos fatos. Posso até estar enganado quanto as minhas interpretações, mas é o que fica no ar no meio de toda essa baderna. Sinto nisso tudo a falta de um jornalismo mais investigativo que diga para o povo o que na verdade está acontecendo e desmascare essa farsa. Que não deixe dúvidas no ar e faça uma cobertura mais aprofundada dos fatos, com mais objetividade.
Outro fato é que o motim dos policiais militares feriu princípios constitucionais, e a “oposição política” ficou em silêncio. Aliás, estamos vivendo no país a lamentável falta de oposição, a qual serve para proporcionar equilíbrio em qualquer sistema que se diz democrático, quando bem feita com sabedoria e seriedade.
Como já disse aqui, o PT apoiou, em 2001, esse mesmo tipo de greve. Quem ficou contra o movimento militar naquela época foi classificado de conservador de direita. Qual a resposta que nos dão agora? É diferente, ou as coisas mudaram? Como assim?
Repito também que com os civis em greve a coisa seria bem diferente. A pancadaria teria sido generalizada e os grevistas já teriam sido expulsos da Assembléia Legislativa na base do pau e na bala, com gás de pimenta e lacrimogêneo.
No caso dos militares, a força nacional de segurança está em torno da Assembléia para dar segurança aos grevistas e houve até festa de aniversário do general do Exército que já avisou que não vai haver confronto. Fossem os civis lá dentro, o general ia comemorar seu aniversário arrebentando de uma vez com o movimento. Depois era só festa.
Observo nisso tudo um quadro de ironia e contradição. Agora os militares estampam cartazes pedindo o não derramamento de sangue. A única coisa que ocorreu de mais violento foi o fato de alguns militares terem sido atingidos por tiros de bala de borracha que o povo em manifestações sempre leva dos militares. Sentiram na pele as balas de borracha.
No mais, o Estado não conseguiu cumprir 12 mandados de prisão expedidos pela justiça. Quando se trata de civil, os líderes são presos imediatamente de forma agressiva, e se houver reação leva tiro. A resposta sempre é: “Estamos simplesmente cumprindo ordem judicial”
É bom que as pessoas se lembrem do caso mais recente da expulsão dos moradores do bairro Pinheirinho, em São Paulo. A tropa de militares entrou destruindo tudo pela frente com a maior truculência, não poupando crianças, mulheres e idosos. O comando respondeu que tudo foi feito para cumprir a ordem judicial. Aí eles são ágeis na força bruta. Agora é só camaradagem.
Se houvesse consciência da situação em que vivemos, e isto é muito difícil de acontecer, bem que os militares poderiam expressar seu descontentamento por não terem suas reivindicações atendidas, não cumprindo ordens parta descer o porrete em civis em greve. Seria também uma forma de reivindicar. Mas, o povo que se dane e só serve para saco de pancada.
Aproveitando aqui o gancho, como se diz no jargão jornalístico, por que até hoje policiais em serviço têm que “pedir” a donos de lanchonetes e restaurantes para liberar comida, se o governo diz que oferece tiques refeições e auxílio-alimentação?
Na beira de estrada essa cena é bem rotineira, como presenciei recentemente num restaurante indo para Juazeiro, na Bahia. Tarde à noite desce um grupo armado da Caesg num estabelecimento deste gênero só para merendar. O chefe dirige-se ao gerente e solicita a liberação grátis, no que é prontamente atendido, é claro.
Não seria, nesse caso, uma obrigação do Estado fornecer o alimento e até mesmo ser proibido esse tipo de procedimento, para não criar constrangimento ao dono da casa comercial? Conversei com o gerente e ele disse que se não fizer isso não tem a devida segurança dos homens. Depois do lanche, os policiais entraram no carro e ganharam a estrada.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
OH, QUANTA CONTRADIÇÃO!
“Dois pesos e duas medidas”. Assim pode ser considerada a greve dos policiais militares se comparada com os movimentos dos civis trabalhadores por melhores salários e reivindicações outras. Aliás, neste nosso país, se formos listar as contradições não existem espaços para enumerá-las.
Se o civil faz uma greve e obstrui uma rua ou avenida, é recebido pelas tropas da polícia militar na base da porrada e do cassetete, sem dó e sem compaixão. Já o militar pode, mesmo agredindo a Constituição, fechar ruas, praticar atos de vandalismo e invadir câmaras de vereadores e a Assembléia Legislativa do Estado, além de colocar como escudos humanos as crianças e mulheres, inclusive grávidas.
Se os civis tivessem invadido a Assembléia Legislativa já teriam sido imediatamente expulsos à força e na base da violência, com gás lacrimogêneo e na pancadaria. Somente depois, com sempre acontece, ia se falar em abertura de inquérito para apurar os excessos cometidos.
Como é greve da polícia militar, o governo não consegue nem cumprir mandados de prisão da justiça contra os cabeças da baderna. Não sou contra as manifestações de greve de nenhuma classe trabalhista. Sou totalmente contra a essa injustiça e a essa diferenciação de tratamento.
Desde os tempos coloniais, os civis sempre foram amordaçados, reprimidos e torturados em seus direitos, como ocorreu na última ditadura militar que espancou, matou e cometeu todos os tipos de atrocidades, em nome de uma “segurança nacional”. Cidadão civil de bem aqui é saco de pancada. Se reivindicar apanha na hora e ainda é considerado como criminoso que desobedeceu a lei.
Agora temos que nos submeter a esta humilhação e aturar um Estado impotente e incompetente que deveria ter como responsabilidade o dever e a obrigação de oferecer segurança ao cidadão. Para que serve essa tal força de segurança nacional se não consegue cumprir ordens de prisão, nem desocupar uma casa legislativa?
Outra grande e infame contradição que nos agride é que essa mesma greve, em 2001, foi apoiada pelo PT e PC do B, cujos partidos em coalizão “governam” hoje a Bahia. Estão sendo agora vítimas do próprio veneno que injetou na veia de governos passados. Em nome da coerência, esse governo que aí está deveria então apoiar a greve e atender as reivindicações. Agora não pode, como fez o governo passado.
O pior de tudo é que o próprio povo civil, que em greve é proibido fechar ruas e ocupar prédios públicos, é o mais atingido, correndo em pânico de um lado para o outro e se trancando em suas casas, como ocorreu nesta segunda-feira em Vitória da Conquista. Somos encurralados por todos os lados como no estouro do gado.
Até quando vão continuar nos fazendo de idiotas e nos tratando como massas de manobras que só servem para votar e depois são descartáveis? Aliás, somos tão descartáveis quantos as sacolas, copos plásticos e outros objetos de consumo que depois são jogados no lixo.
As autoridades e as classes dominantes do poder continuam mantendo seus seguranças contra a falta de segurança, enquanto o povo corre desesperado nas cidades, e ônibus são queimados. Será que vivemos mesmo numa democracia, ou numa ditadura burguesa onde os mais fracos são massacrados em seus direitos?
Essa tal “força nacional” de mais de três mil homens não conseguiu afastar o medo e restabelecer a ordem. Mas, se fossem civis em greve que tivessem feito isso, aí sim, o pau já tinha “comido” no lombo dos responsáveis pelos tumultos. Quem é o Estado? E para quem governa?
Existe alguma diferença ou semelhança entre os arrastões dos marginais, que fecham estabelecimentos comerciais e privam as pessoas de saírem às ruas, e a greve dos policiais militares? O civil vive acossado por todos os lados, sofrendo todos os tipos de pressão e ameaças, e ainda acha que vive num país maravilhoso, só porque consome umas bugigangas inúteis.
Nosso sistema está repleto de outras contradições e porcarias com as quais nos acomodamos a conviver e a engolir todos os dias. Afinal, já fazem parte de nossas vidas. A mídia não aprofunda a questão e se contenta com o sensacionalismo e a narrar o pânico e o medo. Nos acovardamos diante das agressões mais terríveis e nada fazemos para mudar.
O Big Brother Brasil Brega (BBBB), por exemplo, faz com que o povo esqueça das mazelas e cada um dá seu palpite como se fosse uma opinião de alta importância para a vida do país. Sair na imagem já é uma glória. Na Bahia acontece fraude nas eleições do Tribunal Regional Eleitoral que vai apurar as eleições municipais neste ano.
E tome contradições. No Grupo dos 20, o Brasil é o segundo país mais desigual de todos e o primeiro na América do Sul. Os EUA facilitam os vistos para entrada de brasileiros e chineses, de olho no dinheiro dos pobres. Como somos manipulados?
Nos países com sistema universal de assistência à saúde (França, Alemanha, Inglaterra, Itália), o gasto do Estado chega a 60% contra 40% do setor privado (tem país com até 80%). No Brasil os investimentos do governo representam 45% contra 55% do particular. Será que vamos esperar que os mortos se levantem de seus túmulos para defender e lutar pelos vivos?
Salvador virou literalmente um lixo, inclusive em termos culturais, mas todo mundo cai na folia e os energúmenos ainda dizem que é o maior carnaval do mundo. Além das estradas com cancelas, o PT agora (era contra) parte para a privatização dos aeroportos e ninguém levanta uma crítica. Oh, quanta contradição!
Se o civil faz uma greve e obstrui uma rua ou avenida, é recebido pelas tropas da polícia militar na base da porrada e do cassetete, sem dó e sem compaixão. Já o militar pode, mesmo agredindo a Constituição, fechar ruas, praticar atos de vandalismo e invadir câmaras de vereadores e a Assembléia Legislativa do Estado, além de colocar como escudos humanos as crianças e mulheres, inclusive grávidas.
Se os civis tivessem invadido a Assembléia Legislativa já teriam sido imediatamente expulsos à força e na base da violência, com gás lacrimogêneo e na pancadaria. Somente depois, com sempre acontece, ia se falar em abertura de inquérito para apurar os excessos cometidos.
Como é greve da polícia militar, o governo não consegue nem cumprir mandados de prisão da justiça contra os cabeças da baderna. Não sou contra as manifestações de greve de nenhuma classe trabalhista. Sou totalmente contra a essa injustiça e a essa diferenciação de tratamento.
Desde os tempos coloniais, os civis sempre foram amordaçados, reprimidos e torturados em seus direitos, como ocorreu na última ditadura militar que espancou, matou e cometeu todos os tipos de atrocidades, em nome de uma “segurança nacional”. Cidadão civil de bem aqui é saco de pancada. Se reivindicar apanha na hora e ainda é considerado como criminoso que desobedeceu a lei.
Agora temos que nos submeter a esta humilhação e aturar um Estado impotente e incompetente que deveria ter como responsabilidade o dever e a obrigação de oferecer segurança ao cidadão. Para que serve essa tal força de segurança nacional se não consegue cumprir ordens de prisão, nem desocupar uma casa legislativa?
Outra grande e infame contradição que nos agride é que essa mesma greve, em 2001, foi apoiada pelo PT e PC do B, cujos partidos em coalizão “governam” hoje a Bahia. Estão sendo agora vítimas do próprio veneno que injetou na veia de governos passados. Em nome da coerência, esse governo que aí está deveria então apoiar a greve e atender as reivindicações. Agora não pode, como fez o governo passado.
O pior de tudo é que o próprio povo civil, que em greve é proibido fechar ruas e ocupar prédios públicos, é o mais atingido, correndo em pânico de um lado para o outro e se trancando em suas casas, como ocorreu nesta segunda-feira em Vitória da Conquista. Somos encurralados por todos os lados como no estouro do gado.
Até quando vão continuar nos fazendo de idiotas e nos tratando como massas de manobras que só servem para votar e depois são descartáveis? Aliás, somos tão descartáveis quantos as sacolas, copos plásticos e outros objetos de consumo que depois são jogados no lixo.
As autoridades e as classes dominantes do poder continuam mantendo seus seguranças contra a falta de segurança, enquanto o povo corre desesperado nas cidades, e ônibus são queimados. Será que vivemos mesmo numa democracia, ou numa ditadura burguesa onde os mais fracos são massacrados em seus direitos?
Essa tal “força nacional” de mais de três mil homens não conseguiu afastar o medo e restabelecer a ordem. Mas, se fossem civis em greve que tivessem feito isso, aí sim, o pau já tinha “comido” no lombo dos responsáveis pelos tumultos. Quem é o Estado? E para quem governa?
Existe alguma diferença ou semelhança entre os arrastões dos marginais, que fecham estabelecimentos comerciais e privam as pessoas de saírem às ruas, e a greve dos policiais militares? O civil vive acossado por todos os lados, sofrendo todos os tipos de pressão e ameaças, e ainda acha que vive num país maravilhoso, só porque consome umas bugigangas inúteis.
Nosso sistema está repleto de outras contradições e porcarias com as quais nos acomodamos a conviver e a engolir todos os dias. Afinal, já fazem parte de nossas vidas. A mídia não aprofunda a questão e se contenta com o sensacionalismo e a narrar o pânico e o medo. Nos acovardamos diante das agressões mais terríveis e nada fazemos para mudar.
O Big Brother Brasil Brega (BBBB), por exemplo, faz com que o povo esqueça das mazelas e cada um dá seu palpite como se fosse uma opinião de alta importância para a vida do país. Sair na imagem já é uma glória. Na Bahia acontece fraude nas eleições do Tribunal Regional Eleitoral que vai apurar as eleições municipais neste ano.
E tome contradições. No Grupo dos 20, o Brasil é o segundo país mais desigual de todos e o primeiro na América do Sul. Os EUA facilitam os vistos para entrada de brasileiros e chineses, de olho no dinheiro dos pobres. Como somos manipulados?
Nos países com sistema universal de assistência à saúde (França, Alemanha, Inglaterra, Itália), o gasto do Estado chega a 60% contra 40% do setor privado (tem país com até 80%). No Brasil os investimentos do governo representam 45% contra 55% do particular. Será que vamos esperar que os mortos se levantem de seus túmulos para defender e lutar pelos vivos?
Salvador virou literalmente um lixo, inclusive em termos culturais, mas todo mundo cai na folia e os energúmenos ainda dizem que é o maior carnaval do mundo. Além das estradas com cancelas, o PT agora (era contra) parte para a privatização dos aeroportos e ninguém levanta uma crítica. Oh, quanta contradição!
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
O VALOR DA HISTÓRIA
Benjamin Nunes Pereira*
História, não é nada mais nada menos do que uma ciência que nos permite conhecer o nosso passado, entender bem o nosso presente, para que possamos transformá-lo em um futuro melhor. A História se interessa por todas as atividades do homem, por tudo aquilo que os homens em grupo fazem durante suas vidas. Assim sendo, a História é o estudo do homem em processo de constante transformação. O que deixa bem claro que todos os homens têm valor para a História.
A palavra “História” é de origem grega, que significa investigação, informação. Ela surge no século VI antes de Cristo. Para nós, homens do Ocidente, a história, como hoje a entendemos, que se iniciou na região mediterrânea, ou seja, nas regiões do Oriente, próximo da costa norte africana e da Europa Ocidental.
A importância da História, desde seu inicio foi a de fornecer à sociedade uma explicação de suas origens (ou seja, uma explicação genética). A História se coloca hoje em dia cada vez mais próxima às outras áreas do conhecimento que estudam o homem, assim como a sociologia, a antropologia, a psicologia, a demografia entre outras. Cada uma dessas áreas tem seu enfoque específico, uma visão mais ampla e mais completa, entretanto, exige a cooperação entre as diversas áreas. Isso tem sido tentado pelos estudiosos com maior ou menor êxito, no chamado trabalho interdisciplinar, pois inclui diferentes disciplinas. Ela procura especificamente ver as transformações pelas quais passaram as sociedades humanas. A transformação é a essência da história; quem olhar para trás, na história de sua própria vida, compreenderá isso facilmente. Nós mudamos constantemente; isso é válido para o individuo e também é válido para a sociedade. Nada permanece igual e é através do tempo que se percebem as mudanças.
Eis por que se diz que o tempo é a dimensão de análise da história. O tempo histórico através do qual se analisam os acontecimentos não correspondem ao tempo cronológico que vivemos e que é definido pelos relógios e calendários. No tempo histórico podemos perceber mudanças que parecem rápidas, como os acontecimentos cotidianos: por exemplo, em um golpe de Estado, cujo desenrolar acompanhamos pelos jornais. Vemos também transformações lentas, como no campo dos valores morais, o machismo, por exemplo, é um valor que impera na maior parte das sociedades que a história estuda, a ponto de se poder dizer que a história que está escrita mostra um processo praticamente só conduzido pelos homens. No Ocidente, aproximadamente de um século para cá surge um questionamento mais constante desse valor milenar. Isso se dá em grande parte devido a uma participação maior da mulher no processo de produção à medida que as mulheres saem da esfera exclusiva do lar e começam a refletir na realidade.
A caminhada que a humanidade fez explica muito sobre a própria humanidade, assim como o que uma pessoa faz explica muito sobre ela. É a caminhada da humanidade que damos o nome de processo histórico. Desde que existem sobre a terra, os homens estão em relação com a natureza (para produzir sua vida) e com os outros homens. Dessa interação é que resultam os fatos, os acontecimentos, os fenômenos que constituem o processo histórico. Desde que existem sobre a terra, os homens estão em relação com a natureza (para produzirem sua vida) e com os outros homens. Dessa interação é que resultam os fatos, os acontecimentos, os fenômenos que constituem o processo histórico.
Na realidade dificilmente o historiador pode tratar ao mesmo tempo, de toda a humanidade. Ao escrever a história, em geral ele se ocupa especificamente de uma determinada realidade concreta situada no tempo e no espaço. Estudam-se uma tribo, como por exemplo, o povo judeu, antes do nascimento de Cristo; a formação do Império Macedônico, a civilização greco-romana, o surgimento da França, entre outros acontecimentos. Mas, a meta de formulação de uma história – síntese (uma explicação global de todo o processo histórico) não deve ser afastada, embora muitos historiadores acreditassem ser ela uma utopia.
O homem é um ser finito, temporal e histórico. Ele tem consciência de sua historicidade, isto é, de seu caráter eminentemente histórico. O homem vive em um determinado período de tempo, em um espaço físico concreto; nesse tempo e nesse lugar ele age sempre em relação à natureza, aos outros homens. É esse o seu caráter histórico. Tudo o que se relaciona com o homem tem sua história; para descobri-la, o historiador vai perguntando: O quê? Quando? Onde? Por quê? e Para quê?
Todos nós percebemos por experiência, a ligação básica implícita dentro da idéia geral do tempo: passado – presente – futuro. Para a história, o tempo só interessa nessa perspectiva tripla. O que é preciso fazer é uma história que mesmo estudando o passado mais remoto, faça-o para explicar a realidade presente. Fazer luma história do presente, mas sobre indagações e problemas contemporâneos ao historiador. É preciso conhecer o presente e, em história nós o fazemos, sobretudo através do passado remoto ou bem próximo. Quando se analisa um passado que nos parece remoto, então seu estudo é feito com indagações, com perguntas que nos interessam hoje, para avaliar a significação desse passado e sua relação conosco. O passado nos interessa, hoje pela sua permanência no mundo atual. A história vista como estudo do passado parece hoje para todos um ponto pacífico. Mas a história também é aceita como o estudo do passado em função de um presente desde os historiadores gregos.
A ligação da história com o futuro, porém, é bem mais sutil: não se pode falar em história do futuro. Qualquer colocação nesse sentido é mera especulação. Pode-se falar em tendências, probabilidades históricas, mas não mais do que isso. Fazê-lo seria impor um esquema pré-fixado de como as coisas se devem passar, o que é impossível. A partir de um diagnóstico do presente, ela pode ajudar a delinear ações futuras. O historiador examina sempre uma determinada realidade, que se passou concretamente em um tempo determinado e em um lugar preciso. Sua primeira tarefa é situar no tempo e no espaço que ele quer estudar exemplo: a Inglaterra no início do capitalismo, os descobrimentos portugueses dos séculos XV e XVI, a revolta dos estudantes parisienses em 1968. Cada realidade histórica é única, não se repetindo nunca de forma igual.
Só se pode conhecer uma realidade do passado através do que ficou registrado e documentado para a posteridade. Todos os registros da presença do homem são chamados “fontes históricas”. A maior parte da documentação utilizada em história é escrita, a ponto de se considerar impropriamente, como “tempos históricos” aqueles tempos que se iniciam com a invenção e a difusão da escrita. Na verdade, isso não é correto. O homem tem história desde que ele existe na terra, mesmo que ela não esteja devidamente documentada para as gerações que vieram depois. O importante e essencial é que o trabalho do historiador se fundamente numa pesquisa dos fatos reais, comprovados concretamente. Em geral é mais comum, sobretudo em realidade históricas mais próximas de nós, que os vestígios dessas realidades sejam inúmeros e que o trabalho do historiador se inicie por uma seleção desses dados. Essa seleção é feita em função dos dados do passado que lhe pareçam mais significativos.
A diversidade dos testemunhos do passado é muito grande. Tudo quanto se diz ou se escreve, tudo quanto se produz e se fabrica pode ser um documento histórico. Uma coisa é certa, a história, como todas as formas de conhecimento, está sempre se reformulando, buscando os caminhos novos e próprios. Em suma, para nada nos servirá a História, se dela não tomarmos as lições que nos oferece. Revendo o passado, estudando os tempos que se foram tornarmos capazes de entender o presente e projetar o futuro.
REFERÊNCIAS:
BARBOSA, Leila Maria A. e MANGABEIRA, Wilma C. A Incrível História dos Homens e suas Relações Sociais, 4ª Ed. Petrópolis, RJ. Vozes, 1981.
BORGES. Vavy P. O que é história. 15ª São Paulo, Ed. Brasiliense, 1990.
*Benjamin Nunes Pereira é licenciado em História, pós-graduado em Antropologia com ênfase na cultura afro-brasileira, pela UESB/Jequié, pós-graduado em Programação e Orçamento Público, pela UFBA, bancário, dirigente sindical dos bancários e membro da Academia Conquistense de Letra de Vitória da Conquista da Bahia.
História, não é nada mais nada menos do que uma ciência que nos permite conhecer o nosso passado, entender bem o nosso presente, para que possamos transformá-lo em um futuro melhor. A História se interessa por todas as atividades do homem, por tudo aquilo que os homens em grupo fazem durante suas vidas. Assim sendo, a História é o estudo do homem em processo de constante transformação. O que deixa bem claro que todos os homens têm valor para a História.
A palavra “História” é de origem grega, que significa investigação, informação. Ela surge no século VI antes de Cristo. Para nós, homens do Ocidente, a história, como hoje a entendemos, que se iniciou na região mediterrânea, ou seja, nas regiões do Oriente, próximo da costa norte africana e da Europa Ocidental.
A importância da História, desde seu inicio foi a de fornecer à sociedade uma explicação de suas origens (ou seja, uma explicação genética). A História se coloca hoje em dia cada vez mais próxima às outras áreas do conhecimento que estudam o homem, assim como a sociologia, a antropologia, a psicologia, a demografia entre outras. Cada uma dessas áreas tem seu enfoque específico, uma visão mais ampla e mais completa, entretanto, exige a cooperação entre as diversas áreas. Isso tem sido tentado pelos estudiosos com maior ou menor êxito, no chamado trabalho interdisciplinar, pois inclui diferentes disciplinas. Ela procura especificamente ver as transformações pelas quais passaram as sociedades humanas. A transformação é a essência da história; quem olhar para trás, na história de sua própria vida, compreenderá isso facilmente. Nós mudamos constantemente; isso é válido para o individuo e também é válido para a sociedade. Nada permanece igual e é através do tempo que se percebem as mudanças.
Eis por que se diz que o tempo é a dimensão de análise da história. O tempo histórico através do qual se analisam os acontecimentos não correspondem ao tempo cronológico que vivemos e que é definido pelos relógios e calendários. No tempo histórico podemos perceber mudanças que parecem rápidas, como os acontecimentos cotidianos: por exemplo, em um golpe de Estado, cujo desenrolar acompanhamos pelos jornais. Vemos também transformações lentas, como no campo dos valores morais, o machismo, por exemplo, é um valor que impera na maior parte das sociedades que a história estuda, a ponto de se poder dizer que a história que está escrita mostra um processo praticamente só conduzido pelos homens. No Ocidente, aproximadamente de um século para cá surge um questionamento mais constante desse valor milenar. Isso se dá em grande parte devido a uma participação maior da mulher no processo de produção à medida que as mulheres saem da esfera exclusiva do lar e começam a refletir na realidade.
A caminhada que a humanidade fez explica muito sobre a própria humanidade, assim como o que uma pessoa faz explica muito sobre ela. É a caminhada da humanidade que damos o nome de processo histórico. Desde que existem sobre a terra, os homens estão em relação com a natureza (para produzir sua vida) e com os outros homens. Dessa interação é que resultam os fatos, os acontecimentos, os fenômenos que constituem o processo histórico. Desde que existem sobre a terra, os homens estão em relação com a natureza (para produzirem sua vida) e com os outros homens. Dessa interação é que resultam os fatos, os acontecimentos, os fenômenos que constituem o processo histórico.
Na realidade dificilmente o historiador pode tratar ao mesmo tempo, de toda a humanidade. Ao escrever a história, em geral ele se ocupa especificamente de uma determinada realidade concreta situada no tempo e no espaço. Estudam-se uma tribo, como por exemplo, o povo judeu, antes do nascimento de Cristo; a formação do Império Macedônico, a civilização greco-romana, o surgimento da França, entre outros acontecimentos. Mas, a meta de formulação de uma história – síntese (uma explicação global de todo o processo histórico) não deve ser afastada, embora muitos historiadores acreditassem ser ela uma utopia.
O homem é um ser finito, temporal e histórico. Ele tem consciência de sua historicidade, isto é, de seu caráter eminentemente histórico. O homem vive em um determinado período de tempo, em um espaço físico concreto; nesse tempo e nesse lugar ele age sempre em relação à natureza, aos outros homens. É esse o seu caráter histórico. Tudo o que se relaciona com o homem tem sua história; para descobri-la, o historiador vai perguntando: O quê? Quando? Onde? Por quê? e Para quê?
Todos nós percebemos por experiência, a ligação básica implícita dentro da idéia geral do tempo: passado – presente – futuro. Para a história, o tempo só interessa nessa perspectiva tripla. O que é preciso fazer é uma história que mesmo estudando o passado mais remoto, faça-o para explicar a realidade presente. Fazer luma história do presente, mas sobre indagações e problemas contemporâneos ao historiador. É preciso conhecer o presente e, em história nós o fazemos, sobretudo através do passado remoto ou bem próximo. Quando se analisa um passado que nos parece remoto, então seu estudo é feito com indagações, com perguntas que nos interessam hoje, para avaliar a significação desse passado e sua relação conosco. O passado nos interessa, hoje pela sua permanência no mundo atual. A história vista como estudo do passado parece hoje para todos um ponto pacífico. Mas a história também é aceita como o estudo do passado em função de um presente desde os historiadores gregos.
A ligação da história com o futuro, porém, é bem mais sutil: não se pode falar em história do futuro. Qualquer colocação nesse sentido é mera especulação. Pode-se falar em tendências, probabilidades históricas, mas não mais do que isso. Fazê-lo seria impor um esquema pré-fixado de como as coisas se devem passar, o que é impossível. A partir de um diagnóstico do presente, ela pode ajudar a delinear ações futuras. O historiador examina sempre uma determinada realidade, que se passou concretamente em um tempo determinado e em um lugar preciso. Sua primeira tarefa é situar no tempo e no espaço que ele quer estudar exemplo: a Inglaterra no início do capitalismo, os descobrimentos portugueses dos séculos XV e XVI, a revolta dos estudantes parisienses em 1968. Cada realidade histórica é única, não se repetindo nunca de forma igual.
Só se pode conhecer uma realidade do passado através do que ficou registrado e documentado para a posteridade. Todos os registros da presença do homem são chamados “fontes históricas”. A maior parte da documentação utilizada em história é escrita, a ponto de se considerar impropriamente, como “tempos históricos” aqueles tempos que se iniciam com a invenção e a difusão da escrita. Na verdade, isso não é correto. O homem tem história desde que ele existe na terra, mesmo que ela não esteja devidamente documentada para as gerações que vieram depois. O importante e essencial é que o trabalho do historiador se fundamente numa pesquisa dos fatos reais, comprovados concretamente. Em geral é mais comum, sobretudo em realidade históricas mais próximas de nós, que os vestígios dessas realidades sejam inúmeros e que o trabalho do historiador se inicie por uma seleção desses dados. Essa seleção é feita em função dos dados do passado que lhe pareçam mais significativos.
A diversidade dos testemunhos do passado é muito grande. Tudo quanto se diz ou se escreve, tudo quanto se produz e se fabrica pode ser um documento histórico. Uma coisa é certa, a história, como todas as formas de conhecimento, está sempre se reformulando, buscando os caminhos novos e próprios. Em suma, para nada nos servirá a História, se dela não tomarmos as lições que nos oferece. Revendo o passado, estudando os tempos que se foram tornarmos capazes de entender o presente e projetar o futuro.
REFERÊNCIAS:
BARBOSA, Leila Maria A. e MANGABEIRA, Wilma C. A Incrível História dos Homens e suas Relações Sociais, 4ª Ed. Petrópolis, RJ. Vozes, 1981.
BORGES. Vavy P. O que é história. 15ª São Paulo, Ed. Brasiliense, 1990.
*Benjamin Nunes Pereira é licenciado em História, pós-graduado em Antropologia com ênfase na cultura afro-brasileira, pela UESB/Jequié, pós-graduado em Programação e Orçamento Público, pela UFBA, bancário, dirigente sindical dos bancários e membro da Academia Conquistense de Letra de Vitória da Conquista da Bahia.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
ATENTADO CONTRA OS APOSENTADOS
A aprovação ao Governo Dilma vai muito bem, mesmo sem a faxina contra os corruptos (ratos no Senado). A inflação subiu para 6,5% e o PIB ficou em 3%. O FGTS do trabalhador só vai ser corrigido em 4,3%. É proibido criticar. Não fica bem reclamar. Tudo é festa quando se tem um trocado para uma farra com os amigos. É proibido pensar.
O aumento do salário mínimo foi superior a 14%, enquanto que os aposentados (os que ganham acima de um mínimo) vão ter míseros 6%. O governo está matando lentamente a categoria que padece nas filas do INSS e dos hospitais. Tudo é uma armação, mas ninguém fala nada, ninguém protesta.
Prometi que só ia tratar de assuntos regionais e coisas banais, mas causa-me revolta o que os governos, inclusive os ditos de “esquerda”, (pior ainda) vêm fazendo há anos contra os idosos da aposentadoria que durante anos deram duro para o progresso deste país, trabalhando com ética e seriedade. É muito cinismo dizer que o Tesouro não tem recursos quando a arrecadação de impostos bateu recorde de 1,4 trilhão de reais.
Esse não é, verdadeiramente, o meu país do qual possa me orgulhar e dizer que vale a pena viver nele. Tenho muita vergonha. Em pouco tempo, o aposentado que percebe entre três a cinco salários mínimos vai passar a receber um mínimo. Quem há cinco anos ganhava cinco está agora com três, e sem assistência à saúde e outros benefícios a que tem direito.
Por tantas injustiças como esta, o Brasil e seus políticos governantes deveriam ser levados aos tribunais internacionais para serem condenados por crimes contra a humanidade. O que o Governo está fazendo contra os aposentados é uma matança, um atentado contra a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
E cadê as instituições e as centrais sindicais que nada falam? Estão sentadas com as “burras” cheias de dinheiro e cargos oficiais. Enquanto isso, no judiciário, quatro brasileiros movimentaram 400 milhões de reais entre 2000 e 2010. As movimentações atípicas chegaram perto de um bilhão (só na Bahia – 145 milhões). No TRT do Rio de Janeiro, uma pessoa movimentou 282,9 milhões em 2002, conforme apurou o Conselho de Controle de Atividades Financeira (Coaf).
No legislativo, com as indenizações (de que eu não sei), auxílios e taxas, um deputado custa por mês ao contribuinte mais de 150 mil reais, inclusive pago pelos aposentados que ganham uma miséria e estão morrendo à míngua, sem direito a ter uma vida digna de cidadão. É muita cara de pau dizer que não tem dinheiro para dar um aumento real.
Bilhões por ano são desviados dos cofres públicos pelos ladrões corruptos. Ministros praticam irregularidades (roubo mesmo) e ainda são aplaudidos quando deixam os cargos.
As eleições estão chegando e todos entram na fila como cordeiros para votar, e ainda nos dizem que é um ato de cidadania, e acreditamos neles. Somos mesmo otários, sem reclamar. A educação continua de baixa qualidade e muitos morrem nos corredores dos hospitais por falta de atendimento médico e leitos.
Os aposentados idosos estão morrendo antes do tempo. Os estatutos de papel servem para eles dizerem que estão preocupados com as categorias mais injustiçadas, que estão fazendo alguma coisa por nós, e acreditamos. Somos felizes nessa república de bananas, cachaça, samba e carnaval.
O aumento do salário mínimo foi superior a 14%, enquanto que os aposentados (os que ganham acima de um mínimo) vão ter míseros 6%. O governo está matando lentamente a categoria que padece nas filas do INSS e dos hospitais. Tudo é uma armação, mas ninguém fala nada, ninguém protesta.
Prometi que só ia tratar de assuntos regionais e coisas banais, mas causa-me revolta o que os governos, inclusive os ditos de “esquerda”, (pior ainda) vêm fazendo há anos contra os idosos da aposentadoria que durante anos deram duro para o progresso deste país, trabalhando com ética e seriedade. É muito cinismo dizer que o Tesouro não tem recursos quando a arrecadação de impostos bateu recorde de 1,4 trilhão de reais.
Esse não é, verdadeiramente, o meu país do qual possa me orgulhar e dizer que vale a pena viver nele. Tenho muita vergonha. Em pouco tempo, o aposentado que percebe entre três a cinco salários mínimos vai passar a receber um mínimo. Quem há cinco anos ganhava cinco está agora com três, e sem assistência à saúde e outros benefícios a que tem direito.
Por tantas injustiças como esta, o Brasil e seus políticos governantes deveriam ser levados aos tribunais internacionais para serem condenados por crimes contra a humanidade. O que o Governo está fazendo contra os aposentados é uma matança, um atentado contra a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
E cadê as instituições e as centrais sindicais que nada falam? Estão sentadas com as “burras” cheias de dinheiro e cargos oficiais. Enquanto isso, no judiciário, quatro brasileiros movimentaram 400 milhões de reais entre 2000 e 2010. As movimentações atípicas chegaram perto de um bilhão (só na Bahia – 145 milhões). No TRT do Rio de Janeiro, uma pessoa movimentou 282,9 milhões em 2002, conforme apurou o Conselho de Controle de Atividades Financeira (Coaf).
No legislativo, com as indenizações (de que eu não sei), auxílios e taxas, um deputado custa por mês ao contribuinte mais de 150 mil reais, inclusive pago pelos aposentados que ganham uma miséria e estão morrendo à míngua, sem direito a ter uma vida digna de cidadão. É muita cara de pau dizer que não tem dinheiro para dar um aumento real.
Bilhões por ano são desviados dos cofres públicos pelos ladrões corruptos. Ministros praticam irregularidades (roubo mesmo) e ainda são aplaudidos quando deixam os cargos.
As eleições estão chegando e todos entram na fila como cordeiros para votar, e ainda nos dizem que é um ato de cidadania, e acreditamos neles. Somos mesmo otários, sem reclamar. A educação continua de baixa qualidade e muitos morrem nos corredores dos hospitais por falta de atendimento médico e leitos.
Os aposentados idosos estão morrendo antes do tempo. Os estatutos de papel servem para eles dizerem que estão preocupados com as categorias mais injustiçadas, que estão fazendo alguma coisa por nós, e acreditamos. Somos felizes nessa república de bananas, cachaça, samba e carnaval.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
FORÇA TAREFA
Quando as enchentes e os deslizamentos de terras matam e deixam milhares de desabrigados, o Governo corre e monta uma Força Tarefa para "socorrer" as vítimas. Anuncia em seguida milhões de reais para obras de prevenção, recuperação e contenção. Libera um dinheirinho "cala-boca" para pagar uma luguel num cubículo. Quando o temporal das águas passa, a verba desaparece no caminho dos corruptos e saqueadores dos cofres públicos.
Aí o tempo passa e ninguém fala mais nisso. A mídia esquece as tragédias e o povo cordeiro, ou ovino, não protesta e continua sofrendo nos lugares destruídos como ocorreu na região serrana do Rio de Janeiro no ano passado. No outro ano vem as chuvas e tudo começa novamente como na tradicional "indústria da seca" que enche as urnas de votos de favores, ou de cabresto. Aí aparece outra Força Tarefa.
Assim, o crescimento econômico nunca vai diminuir as desigualdades sociais no país da sexta maior potência econômica do planeta que ficou na 84a posição entre ps 187 países avaliados pelo Programa das Nações Unidades para o Desenvolvimento, atrás do Chile (44a), Argentina (45a), Uruguai (48a) e Cuba, a pequena ilha, na 51a posição. Nem é preciso dizer que é uma vergonha.
De acordo com a pesquisa "Presença do Estado no Brasil", o Norte e Nordeste têm menos profissionais de saúde qualificados e menos médicos por mil habitantes que a média brasileira.
A Bahia é destaque por ser o estado em que são pagos maior número de benfícios sociais, como o programa Bolsa Família, por exemplo. São 1,7 milhão de famílias beneficiadas, mais de meio milhão a mais que o estado de São Paulo.
O Maranhão tem 1,3 médicos que atendem ao SUS por mil habitantes. Já o Rio Grande do Sul tem 4,1. Parece que o RGS tem mais problemas de saúde que o Maranhão.
As desigualdades são ainda mais gritantes no que se refere à taxa de frequência de crianças e jovens no ensino Fundamental e Médio. Quanto a qualificação de professores, no Norte, 51% deles do Fundamental têm formação superior. No Sul, o percentual é de 82%.
E tome discurso de estatísticas oficiais mentirosas de que tudo vai muito bem. Até quando vão abusar da nossa paciência, oh Catilina?
Aí o tempo passa e ninguém fala mais nisso. A mídia esquece as tragédias e o povo cordeiro, ou ovino, não protesta e continua sofrendo nos lugares destruídos como ocorreu na região serrana do Rio de Janeiro no ano passado. No outro ano vem as chuvas e tudo começa novamente como na tradicional "indústria da seca" que enche as urnas de votos de favores, ou de cabresto. Aí aparece outra Força Tarefa.
Assim, o crescimento econômico nunca vai diminuir as desigualdades sociais no país da sexta maior potência econômica do planeta que ficou na 84a posição entre ps 187 países avaliados pelo Programa das Nações Unidades para o Desenvolvimento, atrás do Chile (44a), Argentina (45a), Uruguai (48a) e Cuba, a pequena ilha, na 51a posição. Nem é preciso dizer que é uma vergonha.
De acordo com a pesquisa "Presença do Estado no Brasil", o Norte e Nordeste têm menos profissionais de saúde qualificados e menos médicos por mil habitantes que a média brasileira.
A Bahia é destaque por ser o estado em que são pagos maior número de benfícios sociais, como o programa Bolsa Família, por exemplo. São 1,7 milhão de famílias beneficiadas, mais de meio milhão a mais que o estado de São Paulo.
O Maranhão tem 1,3 médicos que atendem ao SUS por mil habitantes. Já o Rio Grande do Sul tem 4,1. Parece que o RGS tem mais problemas de saúde que o Maranhão.
As desigualdades são ainda mais gritantes no que se refere à taxa de frequência de crianças e jovens no ensino Fundamental e Médio. Quanto a qualificação de professores, no Norte, 51% deles do Fundamental têm formação superior. No Sul, o percentual é de 82%.
E tome discurso de estatísticas oficiais mentirosas de que tudo vai muito bem. Até quando vão abusar da nossa paciência, oh Catilina?
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
PAÍS RICO/GENTE POBRE
O consumidor paga taxas de juros mais caras da América Latina (quase 300% ao ano); o Imposto de Renda é um dos mais altos do planeta; o IPVA (emplacamento de veículos) é o mais escorchante e não se sabe para aonde vai o dinheiro; as taxas de telefones são as mais elevadas; e o custo de vida e refeições em São Paulo bate recordes entre as principais capitais do mundo.
Por tudo isso, um americano chegou a gozar com um jornalista brasileiro de que somos ricos e eles são (EUA) os pobres. Afinal, já somos a sexta maior economia. Faltou, entretanto, ele apontar as aberrações como a de que pagamos no ano passado 1,5 trilhão de reais de impostos (aumento de 17% em relação a 2010), mas o PIB (Produto Interno Bruto) só deu 3%. O país pagou 240 bilhões de reais em 2011 com os serviços da dívida.
Ricos com uma desigualdade social alarmante onde em termos de desenvolvimento humano, entre mais de 100 países, o Brasil ficou na 84ª posição. Na educação o Brasil ocupa a 88ª posto na desqualificação. Como disse o senador Cristovam Buarque, fazendo um paralelo com o futebol, a escola do rico é redonda, enquanto a do pobre é quadrada.
De acordo com o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), 43,7% dos brasileiros têm dívidas e 36,6% não têm como pagar, mas mesmo assim, esse grupo continua a comprar, seduzidos pelo consumismo. A captação nas cadernetas de poupança caiu 63% no ano passado em relação a 2010.
Além de “ovinos” somos otimistas. Esse grupo, mesmo endividado, continua acreditar que o crédito vai melhorar. É isso aí, o governo permanece empurrando o consumidor para sustentar e bancar a produção. É a elevação do consumo a qualquer custo à revelia da capacidade produtiva, acordando o monstro da inflação de 6,5%.
O nosso PIB é o mais baixo da América do Sul e entre os Brics (Brasil, Rússia, Índia e África do Sul), chamados emergentes ou subdesenvolvidos mesmo. Para citar um exemplo mais próximo, da população de Salvador, 33% vivem na miséria. Existe estado pior ainda que é o Maranhão.
Mesmo assim, somos ricos e tudo vai bem. Ora, o superávit nas exportações bateram recorde, não importando que a pauta ainda se concentre nos produtos primários. Nossa capacidade de agregar tecnologia ainda é ridícula. Prevalece o monopólio das grandes corporações, inclusive na área da comunicação, mas entram montes de dólares no país.
Dizem por aí que somos ricos e acreditamos nisso. O Bolsa Família cresce em recursos para manter milhões na pobreza. Somos ricos, mas o dinheiro não sai para socorrer as vítimas das enchentes no Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais, sem contar as secas no Sul. Não fizeram prevenção; não tiraram as pessoas nos morros e ninguém é culpado por nada.
Os governadores se calaram diante do privilégio dado pelo Ministério da Integração Nacional a Pernambuco (o ministro cara de pau é de lá). Eles estão mais para defender seus interesses dentro do poder. Os desabrigados que se danem e morram nas lamas dos deslizamentos de terras e nas correntezas das águas.
Além da falta de educação, saúde digna e segurança, não temos oposição. Falta crítica ao capitalismo. O PT que antes fazia isso, há muito tempo embarcou no vagão luxuoso do capital.
Olha o que dizia a Organização POLOP (Política Operária) em 1967: O monopólio exercido pela burguesia, pelo seu poder econômico, da mídia e do voto de cabresto, permitiu sempre às classes dominantes eleger um Congresso dócil aos seus interesses e hostil às aspirações dos trabalhadores e das massas mais pobres. Não é somente o legislativo, o executivo e o judiciário viraram as costas para o povo pobre no país rico.
Mas, os ingredientes desse sanduíche vão mudar para proteínas menos gordurosas e de baixo teor calórico. A receita está ficando superada, e muitos já estão querendo outro sabor. Está acontecendo em várias partes do mundo, só o Brasil ainda não percebeu isso.
Por tudo isso, um americano chegou a gozar com um jornalista brasileiro de que somos ricos e eles são (EUA) os pobres. Afinal, já somos a sexta maior economia. Faltou, entretanto, ele apontar as aberrações como a de que pagamos no ano passado 1,5 trilhão de reais de impostos (aumento de 17% em relação a 2010), mas o PIB (Produto Interno Bruto) só deu 3%. O país pagou 240 bilhões de reais em 2011 com os serviços da dívida.
Ricos com uma desigualdade social alarmante onde em termos de desenvolvimento humano, entre mais de 100 países, o Brasil ficou na 84ª posição. Na educação o Brasil ocupa a 88ª posto na desqualificação. Como disse o senador Cristovam Buarque, fazendo um paralelo com o futebol, a escola do rico é redonda, enquanto a do pobre é quadrada.
De acordo com o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), 43,7% dos brasileiros têm dívidas e 36,6% não têm como pagar, mas mesmo assim, esse grupo continua a comprar, seduzidos pelo consumismo. A captação nas cadernetas de poupança caiu 63% no ano passado em relação a 2010.
Além de “ovinos” somos otimistas. Esse grupo, mesmo endividado, continua acreditar que o crédito vai melhorar. É isso aí, o governo permanece empurrando o consumidor para sustentar e bancar a produção. É a elevação do consumo a qualquer custo à revelia da capacidade produtiva, acordando o monstro da inflação de 6,5%.
O nosso PIB é o mais baixo da América do Sul e entre os Brics (Brasil, Rússia, Índia e África do Sul), chamados emergentes ou subdesenvolvidos mesmo. Para citar um exemplo mais próximo, da população de Salvador, 33% vivem na miséria. Existe estado pior ainda que é o Maranhão.
Mesmo assim, somos ricos e tudo vai bem. Ora, o superávit nas exportações bateram recorde, não importando que a pauta ainda se concentre nos produtos primários. Nossa capacidade de agregar tecnologia ainda é ridícula. Prevalece o monopólio das grandes corporações, inclusive na área da comunicação, mas entram montes de dólares no país.
Dizem por aí que somos ricos e acreditamos nisso. O Bolsa Família cresce em recursos para manter milhões na pobreza. Somos ricos, mas o dinheiro não sai para socorrer as vítimas das enchentes no Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais, sem contar as secas no Sul. Não fizeram prevenção; não tiraram as pessoas nos morros e ninguém é culpado por nada.
Os governadores se calaram diante do privilégio dado pelo Ministério da Integração Nacional a Pernambuco (o ministro cara de pau é de lá). Eles estão mais para defender seus interesses dentro do poder. Os desabrigados que se danem e morram nas lamas dos deslizamentos de terras e nas correntezas das águas.
Além da falta de educação, saúde digna e segurança, não temos oposição. Falta crítica ao capitalismo. O PT que antes fazia isso, há muito tempo embarcou no vagão luxuoso do capital.
Olha o que dizia a Organização POLOP (Política Operária) em 1967: O monopólio exercido pela burguesia, pelo seu poder econômico, da mídia e do voto de cabresto, permitiu sempre às classes dominantes eleger um Congresso dócil aos seus interesses e hostil às aspirações dos trabalhadores e das massas mais pobres. Não é somente o legislativo, o executivo e o judiciário viraram as costas para o povo pobre no país rico.
Mas, os ingredientes desse sanduíche vão mudar para proteínas menos gordurosas e de baixo teor calórico. A receita está ficando superada, e muitos já estão querendo outro sabor. Está acontecendo em várias partes do mundo, só o Brasil ainda não percebeu isso.
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