sexta-feira, 10 de outubro de 2008

OS BURGUESES "INTELECTUAIS"

Ele chegou com mais de uma hora de atraso no show, sentou no banquinho com seu violão, reclamou do som (sua marca registrada), falou uma besteira qualquer e, no final, o povo o aplaudiu de pé por cinco minutos. Depois do show, cujos ingressos foram vendidos pelos cambistas a preço de ouro para a burguesia "intelectual", embolsou sua bela grana e se internou no hotel mais luxuoso da cidade, sem ninguém saber, nem os mais amigos e íntimos(se existe).
É o nosso aplaudidíssimo, consagrado e idolatrado João Gilberto, pai da Bossa Nova, de canto soletrado, desafinado e balançado(não precisa ter muita voz) de uma nota só. Não tem nada do simples João brasileiro mortal. Ele é unanimidade imortal da imprensa e do público de pensamento único e submisso. Quem fizer crítica e oposição pode ser massacrado e linchado. O nosso povo adora mesmo ser enganado.
Mas, como ele é unanimidade geral, sem contestação, a mídia faz campana dentro do hotel para flagrar pelo menos um vulto do homem. Alguma impressão digital serve para publicar na imprensa. O homem menospreza e não dá bola para a mídia que lhe bajula. Será que não existem fatos e acontecimentos mais importantes lá fora, para essa imprensa informar e denunciar ao seu público?
Se deram a ele o diploma de unanimidade e intocável, tem mais é que reclamar e chegar atrasado nos shows. Já perceberam que no mundo artístico não existem mais críticos literários, musicais, de teatro, dança, de artes plásticas e de cinema, e sim, meros bajuladores? Só sabem fazer elogios e inventar historinhas. Que pobreza andam o nosso pensamento e o nosso senso crítico! Não existem mais embates, críticos de verdade e discordâncias de idéias. Se nosso ensino é deficitário, o resto é uma manada, Maria vai com as outras..

CAPITALISMO PODRE

Ativos e papéis podres, créditos podres, carteiras podres, hipotecas podres, ciranda financeira, especulação, injeção de bilhões de dólares, cadeia falimentar, socialização das perdas, quebradeira geral, bolsas despencam, dólar sobe, commodities caem, depressão, recessão, falta de liquidez no mercado, são, entre outras, as palavras mais lidas e ouvidas nos últimos dias no cenário do economês, no mundo em polvorosa. É típico de um capitalismo podre, fedorento e bolorento.
Do lado de cá do Atlântico, num país chamado Brasil, o presidente Lula não se cansa de rir e emetir tratamento jocoso sobre a crise, afirmando que o Tufão dos Estados Unidos vai virar um ventozinho quando chegar por aqui. Se derrete em otimismo onde não existe, pois o estrago das hipotecas americanas já bateu em nossas portas. Só não vê quem é cego. O crédito, as prestações a perder de vistas estão bem mais próximas do consumidor aloprado, os produtos importados, inclusive o trigo, estão mais caros, as exportações se restringem, o deficit em transações correntes cresce, as reservas cambiais vão minguar e os produtos primários(agrícolas e industrializados) se desvalorizaram no mercado internacional.
Só neste ano, as bolsas já caíram 42%, enquanto o dólar subiu mais de 50%, e já está perto de valer R$2,50 como falei aqui há alguns dias. Vem mais coisa feia por aí, e o dólar pode beirar os R$3,00. As medidas do Banco Central servem mais para tapar os buracos do barco. Mais reservas vão ser queimadas, e o governo já faz planos para reduzir os investimentos. Já tenho tempo e experiência bastante para avaliar que essa tempestade vai fazer mais estragos nessa terra de Cabral, especialmente entre a classe média. Engavetem seus cartões e apertem os cintos, pois o pilôto sumiu. Dá nisso viver escravo desse capitalismo que nos seduz para um paraíso ilusório.
Depois da farra vem a ressaca. Nosso capitalismo sofre de transtornos de personalidade e de surtos psicóticos. Agora, o mundo está num divâ e nem os analistas conseguem normalizar sua personalidade. Nos apoiamos em pilastras de barro, enfeitadas de papéis de aparência brilhante, mas que se derretem com a primeira tempestade.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

O DRAGÃO DE PAPEL

O mundo capitalista é movido a papéis que se desfazem nas primeiras trovoadas que batem. É um sistema volátil e ilusório que se desfaz nas fogueiras das vaidades e nas aparências dos salários milionários dos executivos. As bolsas vendem papéis, e os bancos negociam lucros que passam para outras instituição que rolam para terceiros. O capitalismo, capitaneado pelos Estados Unidos, é um dragão de papel que agora está se queimando com suas próprias chamas hipinóticas que fazem as pessoas consumirem coisas superficiais.
Essa história sempre se repete no passar dos anos, e o maior débacle aconteceu em 1929 quando muita gente se suicidou como papéis picados nos altos dos edifícios luxuosos. A ganência do ganhar mais e mais com facilidade, como no conto do vigário, não se acaba. É um mundo que vive mais do papel do que da produção e do trabalho. A situação ficou tão feia que na Alemanha dos anos 30, o cidadão saia com um carrinho-de-mão cheio de dinheiro para comprar um produto no supermercado.
Dessa vez, ela começou pelo setor imobiliário nos Estados Unidos. O indivíduo adquire uma casa através de empréstimo bancário, e o banco que a financiou passa o papel para um fundo de investimento ou de pensão. Em pouco tempo o imóvel já vale o dobro. Aí o cara vai à instituição financeira e hipoteca a casa pelo dobro ou o triplo do preço que foi comprada. Logo, logo a casa já duplicou o valor daquela hipoteca. Ele, novamente, faz outra hipoteca, e assim vai girando. No fim, ninguém tem mais condições de pagar as prestações e os papéis não valem mais nada. Um vai aplicando o calote no outro, e assim sucessivamente.
Com o estouro, as instituições vão falindo em cadeia, e a crise se alastra pelo mundo, pegando os mais pobres. Nessa brincadeira, sobra sempre para os mais fracos. É sempre assim na vida: o pobre é quem mais sofre. Na previsão do aquecimento global, os países mais pobres e as regiões mais secas tendem a ser mais castigados.
Os produtos primários vendidos pelos países emergentes, como o Brasil, se desvalorizam, o dólar sobe e o consumo se reduz na falta do dinheiro na praça. O Brasil também esta nessa ciranda do papel que entra nas carteiras das bolsas e depois retorna para o vigarista que fez a aplicação.
Se a crise perdurar por mais tempo, o país vai ter que queimar suas reservas cambiais de U$200 bilhões. Aliás, já está queimando e, como já disse aqui, o dólar vai atingir os R$2,50. Já está bem perto. Na embalagem do presente de grego vem o desemprego e o endividamento das pessoas que foram iludidas pelos paraíso do consumismo.
A crise passa e aí se começa tudo de novo. Um dia desses vi uma reportagem de um jovem que fica o dia todo grudado no computador vendendo e comprando papéis. Como ele, outros tantos "produzem papéis". Senhores! façam seus jogos!

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

QUE DEMOCRACIA É ESSA?

A mídia não se cansa de divulgar nos jornais, e a colocar no ar entrevistas com os eleitores quando vão votar, dizendo sempre que estão exercendo a democracia. Fico a indagar comigo mesmo, que democracia é essa onde o voto é obrigatório? Que democracia é essa onde a maioria sem instrução e dependente de favores dos políticos nos grotões do interior, decide pela minoria mais esclarecida? Que democracia é essa que ainda se negocia o voto por dinheiro, ou se troca por bens materiais? Que democracia é essa com um sistema eleitoral arcaico e coronelistas? Que democracia é essa onde os debates são mais embalagens de marketing do que exposição de idéis e pensamentos? Que democracia é essa onde candidatos sujos na Justiça ainda se elegem?
Nos ensinam que a eleição no Brasil é democrática, mas não é verdade, pois ela continua atrasada e está cheia de vícios. Entra eleição, e sai eleição, e as reformas são sempre adiadas, justamente para favorecer aos mais fortes, aos interesses dos políticos que detém o poder. Não basta realizar uma eleição para dizer que existe uma democracia. Nos enganam o tempo todo, e nas escolas ensinam para as crianças que o sistema eleitoral é democrático.
A imprensa, com sua superficialidade e falta de qualidade jornalística, passa por cima e não interpreta a realidade. É uma macacada só de repetição de palavras, sem a devida reflexão de pensamento. Nos fazem de otários e substimam nossa inteligência. A maioria dos candidatos que já passaram pelas prefeituras e nada fizeram pelos seus municípios, estão retornando pela quarta ou quinta vez. Muitos deles com fichas sujas.
Nas câmaras, ocorreu uma troca dos antigos vereadores por outros antigos que já exerceram mandatos legislativos e tiveram fraco desempenho. Na verdade, houve pouca renovação, e muitos foram eleitos na base de doações e do assistencialismo barato. Nessa democracia de que tanto falam por aí, o povo ainda não aprendeu a votar.

domingo, 5 de outubro de 2008

UMA AVANÇA E OUTRA ATRASA

Tomara, Deus que o sistema eleitoral se modifique. Tomara, Deus que os debates políticos tomem outro formato. Tomara, Deus que a honestidade não seja mais coisa de otário e hipócrita. Tomara, Deus que o povo aprenda a votar, e que a juventude seja mais crítica. Tomara, Deus que o voto não seja mais objeto de compra. Tomara, Deus que nos libertemos do mais arraigado coronelismo, e que a Eleição avance como a sua irmã Constituição que completou 20 anos.

No dia 5 de outubro de 1988 foi promulgada a Constituição Brasileira, rompendo definitivamente com a ditadura do regime militar implantado em 1964. A Carta Magna da Nação avançou, mas o respeito ao cidadão ainda é um dos maiores desafios. O Documento possui 259 artigos divididos em 1.627 dispositivos constitucionais, dentre eles, 367 exigem regulamentação do Congresso Nacional. Apesar do texto já ter sofrido modificações, 142 dispositivos ainda não foram regulamentados.

De acordo com os especialistas em Direito, a sétima Constituição foi a melhor que o país já teve porque contém o maior número de direitos sociais já concebidos. O maior problema é colocar as questões em prática, como o 7º artigo que trata dos direitos dos trabalhadores contra a demissão arbitrária; a licença paternidade de cinco dias; o valor do aviso prévio que deve ser proporcional ao tempo de serviço, entre outras. Dizem os especialistas que são 20 anos de omissão do Congresso sem disciplinar as matérias. Mesmo assim, ainda é a melhor Constituição que o Brasil já teve.

Quanto às eleições, estamos vivendo ainda num sistema atrasado, arcaico e de mais acentuado coronelismo. Numa pesquisa entre jovens de 16 a 29 anos, 48% disseram que a honestidade é o fator que mais pesa numa eleição. É triste ainda termos a honestidade como diferencial. Não existe igualdade nas disputas. Ainda vigoram as malas de dinheiro e as falsas promessas dos candidatos corruptos e sujos.

Nos arcaicos debates políticos, somente para prefeitos, os candidatos dizem o que querem. É um verdadeiro circo de horror. Existe uma democracia de balela, do faz-de-conta para impressionar o telespectador. O circo montado mais parece uma arena de acusações.

O voto, por incrível que pareça, ainda é obrigatório e, com toda essa confusão, nos ensinam que votar nulo é errado. Não existe moral para isso diante da falta de vergonha dos políticos que não respeitam a Constituição. Votar nulo é uma resposta e um direito do cidadão como forma de protesto. Os partidos políticos sobrevivem das benesses do Estado e vivem de costas para a sociedade. A esperteza é celebrada como capacidade, enquanto a boa conduta é comportamento de gente tola e imbecil.

As reformas de verdade nas leis eleitorais sempre são adiantas quando se aproximam os pleitos. As adaptações são meros remendos feitos para atender os interesses eleitorais dos mais fortes. Numa disputa eleitoral, ainda prevalece quem tem mais dinheiro, quem oferece mais e quem mais engana e ilude. Como disse a colunista, Dora Kramer, entra eleição, sai eleição e nada se debate de essencial. Os candidatos desfilam suas performances, trocam uns desaforos e o resto fica por conta das pesquisas malditas e da publicidade enganosa e mentirosa.

Vivemos num tremendo retrocesso quando se fala de eleição. O que vemos é uma total submissão dos políticos ao governismo de resultados, na base do fisiologismo, do nepotismo e do oportunismo. Vivemos na época da reverência ao populismo, do pensamento único e do retorno do coronelismo atuante sob a forma dos currais, do crime organizado, do voto de cabresto e da desvalorização do embate das idéias.

Nada disso reflete a Carta de 1988. A culpa disso tudo, segundo o jurista e constituinte Célio Borja, é dos comportamentos desviantes e das cabeças conduzidas por pensamentos arcaicos. Afirmou ele que nossa cultura política é proporcional ao nível cultural de nossos dirigentes que, incapazes de formular soluções para o povo, partem para a comunicação teatral, com idéias velhas e dogmas superados. Célio Borja identifica na política um fator de atraso. Ele recomenda o desmonte da fonte de alimentação dos partidos, acabando com os cargos de confiança.

Mas como desmontar toda essa parafernália que fizeram, se os políticos têm nas mãos todo controle sobre a mudança das regras? Eles não têm nenhum interesse em fazer alterações. O interesse maior é a perpetuação no poder por muitos e muitos anos.

Por fim, queria falar sobre a cobertura local da imprensa (é um outro assunto que merece espaço maior) nas eleições de Vitória da Conquista. É uma lacuna lamentável, tendo em vista se tratar do terceiro colégio eleitoral do Estado. A cobertura se resumiu a algumas notas em blogs da cidade, e ao debate padronizado na TV Sudoeste.

Não temos um diário impresso para melhor informar o eleitor sobre o processo. Os periódicos (dois) se limitaram a dar matérias artificiais, oficiais e superficiais sobre o tema, sem nenhum conteúdo crítico da política.

O jornal A TARDE, que deveria ter aberto mais espaço para a política do interior, virou um jornal estritamente da capital. A face do jornal foi toda voltada para a candidatura dos prefeituráveis da capital. Parabéns pela cobertura das eleições de Salvador (muito boa), mas foi um grande erro ter dado as costas para o interior. A TARDE deveria ser uma tribuna do eleitor do interior, mas foi um vazio e uma decepção.

Com relação ainda á política do interior, o jornal A TARDE se preocupou apenas em divulgar algumas notícias pontuais negativas quando se tratavam de brigas internas entre os políticos, geralmente quando aconteciam tiroteios e mortes, além dos casos de cassações. A TARDE está sem espaço para as notícias do interior, e abandonou o leitor ávido por informações de suas comunidades. Durante todo período eleitoral, se não me engano, saíram três ou quatro matérias sobre as eleições de Vitória da Conquista. É lamentável, e só temos a condenar essa visão vesga de centralizar tudo na capital.





sexta-feira, 3 de outubro de 2008

DEBATES DESGASTADOS

Os debates políticos padronizados nas tvs, com espaços curtos e blocos que mais parecem tijolos cerâmicos empilhados no meio de uma bonita sala, estão ficando desgastados e perdendo o sentido de se tornarem em discussão de propostas sérias entre os candidatos. Viraram shows de platéias, com idéias desconexas, patrulhadas e mutiladas pelo tempo. Do meio para o fim, se resvalam em bate-boca, e as perguntas, na maioria das vezes, não são respondidas. Depois de espremidos, pouca coisa fica de proposta de governo.
A formula dessas discussões precisa ser repensada, reinventada e recriada, talvez abrindo mais tempo para o político se expressar, e sem essa de candidato fazer perguntas para candidato. Outra forma seria a imprensa e até o povo sabatinarem um candidato de cada vez, e exigir que ele responda a pergunta como ela foi feita, e não ficar enrolando como faz nos debates atuais. Tem candidato que combina a estratégia com o outro, para massacrar o adversário que está na frente das pesquisas de opinião (aliás, estas também estão desacreditadas).
Tem até o candidato de aluguel. Tem que sair tudo bonitinho como manda o figurino. Vale mais a maquiagem, inclusive da assessoria. Como está, o candidato perde totalmente a sua personalidade, a sua identidade, para servir ao gosto da audiência e da torcida.
Sem essa de que debate hoje serve para tirar dúvidas de eleitor, ou fazer a pessoa mudar seu voto. Isso pode até acontecer em raros casos. Muitas vezes existem candidatos capacitados, com boas intenções e propostas de trabalho, mas se perdem nesses debates por problemas de comunicação e dificuldades de se expressar. Já outros enganadores e com promessa mirabolantes, terminam se saindo muito bem por ter desenvoltura com a palavra, experiência e mais poder de comunicabilidade. Ai é onde o eleitor se engana e termina sendo traído.
Encaro esses debates no modelo como estão montados como shows de torcidas, e pouco proveito tiro deles. No final, se espalha logo a discussão sobre quem perdeu e quem ganhou no bate-boca. Quem foi mais ferino, geralmente leva a melhor. Conta muito o dom da palavra e não a capacidade e as propostas coerentes, sem falsas e ilusórias promessas que ainda pegam o eleitor sem conscientização política.
MALAS DE DINHEIRO
Como estamos falando de política, em pleno século XXI, ainda continua dando de tudo nas eleições, fazendo lembrar os velhos tempos do coronelismo dos senhores de engenho e das fazendas de café. Permanece o voto de cabresto, mesmo com urnas eletrônicas modernas e digitalizadas. Na reta final das campanhas, aparecem sempre as malas de dinheiro para comprar votos e, acima de tudo, com notas falsas. Até nisso, os políticos sujos na Justiça (centenas deles vão se eleitos) são autênticos. Em pleno sertão de Pernambuco, Severino Cavalcanti, aquele que subornou o dono do restaurante do Congresso, disse ser mais popular que o frei Damião. Num comício, Severino, com foto e tudo de Lula, conseguiu reunir 11 mil pessoas.
A corrida pela prefeitura ou, principalmente, por uma cadeira na câmara municipal foi desproporcional em termos de gastança. Teve vereador que gastou os tubos para renovar seu mandato, ou se eleger pela primeira vez. Quem teve mais dinheiro está levando mais vantagem, com maior volume de marketing na confecção de santinhos, panfletos, carros de som, cartazes, pessoal encarregado da divulgação, comitês, etc.
Foram quase dois meses de poluição sonora e as ruas vão continuar sujas por muito tempo. Quem vai pagar para limpá-las são os eleitores-contribuintes. E depois vem o Judiciário e diz que teve o propósito de realizar uma eleição com igualdades de disputa. Conversa para boi dormir.
Num município do Maranhão, houve até candidato perguntando diretamente a juízes se podia comprar votos, ou dar uma ajuda em forma de alimentos ou bens materiais para os mais necessitados. Muitos eleitores entrevistados ainda acham que o político deve pagar pelo voto.
Aqui na Bahia, filho imita pai na política. O candidato de Santa Cruz Cabrália, Ubaldino Alves Pinto, e seu filho Ubaldino Júnior, de Porto Seguro, tiveram a candidaturas negadas pelo Supremo Tribunal Federal pelo mesmos motivos: contas rejeitadas. No entanto, vão ser votados. O mais lamentável é que contam com forte apoio da população.
Também, o nosso intocável Judiciário não dá bons exemplos de conduta para o povo brasileiro! Estão sabendo da "Operação Abafa" no Tribunal de Justiça da Bahia? Processos de desembargadores que negociaram sentenças estão simplesmente sendo engavetados. Um promotor chegou a declarar que é mais fácil acreditar que a terra não é redonda do que dizer que não há desembargador envolvido na venda de sentenças.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

ÊTA MISTURA DANADA!

As eleições municipais deste ano foi pautada pela falta de ideologia. A mistura de partidos que nunca se bicaram está mais para mitologia grega. Corpo humano com cabeças de animais diferentes foi o que mais apareceu na lenda política. Mistura de homem com lobisomen, carlismo com comunismo e socialismo com cheiro de enxofre. Êta mistura danada! Os partidos políticos perderam de vez suas identidades, e escancararam. Por sua vez, o eleitor não está nem aí para a questão ideológica de esquerda ou direita. O eleitor não vota no partido, vota na pessoa, não importando qualidade, ideolgia e conteúdo.
Nesta eleição que está se passando, tivemos velhos adversários, como o DEMOCRATAS e o PCdoB lado a lado. Há sete anos, o PCdoB foi uma das legendas a comandar as passeatas na capital baiana a favor da cassação do mandato do senador Antônio Carlos Magalhães devido ao escândalo da violação do painel do Senado. Não existem mais radicais como antigamente. Em Brejões, por exemplo, o candidato a prefeito do PCdoB aceitou o DEM como vice na sua chapa. No mesmo barco estão PRB/PSC/PR/PTC/PV/PSDB, e a coligação se chama UNIDOS POR BREJÕES.
Acontece que Brejões não é o único caso. No Estado existem seis casamentos entre DEM e PCdoB, quatro entre DEM e PV e sete DEM/PSB, todas legendas de apoio de base do governador Jaques Wagner(PT). Já o PMDB, que lançou 280 candidatos, tem no interior 58 coligações com o DEM, mas são inimigos em Salvador. No final da apuração, fica difícil avaliar quem perde e quem ganha nessas eleições. Os interesses são locais, e o eleitor que se dane.
O DEM está disputando 104 prefeituras como cabeça de chapa. Depois da debandada para o PMDB (hoje partido da base), o DEM conta com 70 prefeituras. Pelos grotões da Bahia estão ainda espalhados os traços do coronelismo, inclusive de candidatos da base do Governo do Estado, como é o caso do PMDB. Tem candidato praticando as mesmas truculências de antigamente, e o que é pior, usando as imagens de Lula e Wagner nas campanhas.
O PT estadual que tem hoje 27 prefeituras e espera triplicar o número nessas eleições, proibiu aliança com o DEM, mas filiou gente do partido carlista. Com essa mistura toda de cabeças diferentes, a indagação que fica é como processar as mudanças?