domingo, 31 de agosto de 2008

SEM LEI SECA

A lei que proibe o consumo de qualquer dose de álcool ao dirigir (por sinal já se fala pouco no assunto) não passou por Vitória da Conquista. Por aqui, nos finais de semana, o que mais se vê são motoristas embriagados, fazendo besteiras no volante. É só dar uma observada nos bares e restaurantes com maiores movimentos, como Kina do Massu, nos botecos da avenida Frei Benjamim e Olívia Flores.
Não existem blites para fiscalizar e fazer cumprir a Lei Seca que, pouco a pouco, está caindo no esquecimento e no desuso como todas leis, códigos e estatutos no Brasil. Em Conquista não passou nem o bafo da lei, quanto mais o tal bafômetro. Não sabia que a Lei Seca era só para ser aplicada nas capitais.
Um dia desses vi um motorista entrar com toda velocidade na rua ao lado do bar Kina do Massu e quase pega a baiana do acarajé. Chamou a atenção de todo mundo. Ele parou o carro de forma errada e foi tomar mais umas na mesa. Depois de muito tempo, saiu novamente arrancando o veículo em disparada, colocando os outros em risco de vida.
Além de motoristas embriagados dirigindo em Conquista, menores bebem cerveja e doses de uisque, vinho e conhaque, tranquiulamente nos bares. O pior ainda é ver crianças servindo as mesas. Cadê o Juizado e o Comissariado da Infãncia? O que está acontecendo nos finais de semana em Conquista é muito sério, sem falar no tráfico de drogas. Cadê a Delegacia da Polícia Federal que seria implantada na cidade? É só conversa pra boi dormir.

RAPOSA NO GALINHEIRO

Em futuro próximo vamos ter um território independente indígena na fronteira entre o Brasil e a Venezuela, no Estado de Roraima. Aí, qualquer problema, os índios só vão se reportar ou dar satisfação aos comitês internacionais com base na Declaração Universal dos Diretos dos Índios, assinada pelo Brasil.
A Raposa Terra do Sol, em Roraima, já é um território onde brasileiro só entra com permissão, (passaport), depois de uma série de exigências burocráticas. No entanto, o "gringo" entra e sae quando quer. São centenas de ONGs estrangeiras controlando as atividades dos habitantes. Lá já está a raposa no galinheiro.
Nas ruas da capital Bela Vista só circula carros importados, ostentando placas estrangeiras. Do francês ao inglês, as limguas são as mais diversas. Na área residem, há muito tempo, os arrozeiros com plantações e máquinas de beneficiamento do produto. Todos estão armados, inclusive com índios que trabalham nas lavouras, prontos para qualquer confronto.
Agora o Supremo Tribunal Federal está com esse abacaxi para descascar. Tudo isso poderia ter sido evitado, se não tivessemos um Estado tão culturalmente paternalista. Hoje, 14% do território brasiliero pertencem aos índios. Aí aparecem os defensores demagógicos e dizem que a terra é deles por direito, desde quando aqui chegou Pedro Álvares Cabral.
Se for seguir esse raciocínio, para sermos coerentes, todo Brasil hoje deveria pertencer aos índios. A Bahia, por exemplo, seria toda, com bens e tudo dentro, dos Tupinambás, Kariris, Imborés, Pataxós e demais tribos.
Não pode ser assim. Não sou contra dar terra para os índios, como deveria já ter sido feita a reforma agrária verdadeira. Depois da abolição da escravatura, os negros deveriam ter recibido lotes do governo, mas, equivocamente, quem receberam foram os imigrantes estrangeiro que para aqui veiram, com todos privilégios.
Aquela área não só é fértil como é rica em minérios. Muitos países, como Estados Unidos, estão de olho nela. Mas, o negócio é seguir a intuição do paternalismo e do populismo barato. Quem vai explorar aquele território são os brancos e os gringos esrangeiros.

ROBÔS DO EMPREGO

Depois dos cursos profissionalizantes, técnico e de nivel superior(terceiro grau), o jovem passa à etapa mais difícil que é fazer cursinhos para concursos e aprender como se apresentar diante de um enrevistador. Hoje existe um tipo de cartilha e normas padrões de como se sentar diante de uma diretoria, como se vestir, qual roupa usar, como olhar, como pegar na mão, como abir a porta e como pentear o cabelo cortado, se possível no estilo militar.
O cara vira um robô na caça ao emprego. É uma linha de ensinamentos e estratégias que passam pelos livros de auto-ajuda, que vendem como água, até procedimentos superticiosos. Procure saber como pular obstáculos na hora de conseguir uma vaga. Tem obras sugestivas, como conquistar trabalho, vencer na vida e até ganhar, ganhar muito dinheiro.
Na hora da apresentação seja educado, use vestimentas adequadas, não seja pavio curto e tenha bon senso. Ah, finja o máximo que puder e mude sua personalidade para atender e impressionar os novos patrões. É um esquema com rituais padronizados, e não caia na besteira de sair daquelas regras.
É um sistema que rouba a autenticidade do indivíduo que só é mostrada mesmo depois que ele passa a trabalhar na empresa. Aí o patrão vai descobrir que não era aquela peça que idealizava. Mas, para chegar lá, treine as normas exigidas e ensaia bem antes da entrevista. Não se esqueça de pesquisar sobre a empresa e demonstre gostar dela, mesmo que não seja assim que funciona. No emprego, o que conta mesmo é a sobrevivência.

sábado, 30 de agosto de 2008

OURO DE TOLO E DECEPÇÃO

Parafraseando o colunista Jânio Ferreira Soares, inspirado na música do nosso baiano “maluco beleza” Raul Seixas, eu deveria estar contente pelo Brasil ter ganhado três medalhas de ouro nas Olimpíadas de Pequim, mas confesso abestalhado que estou decepcionado. Não consigo ficar vibrando com a boca escancarada cheia de dentes, esperando a morte chegar, enquanto nosso esporte é elitizado, nossos deputados embolsam polpudas indenizações e predadores com suas garras ferozes rondam o nosso quintal.

Eu posso até ser um grande idiota, ridículo e limitado que só usa dez por cento da cabeça animal, mas aturar os berros ufanistas e escandalosos de Galvão Bueno, que quer me convencer de que somos uma potência Olímpica, e que algo diferente esteja acontecendo, é demais. Tem uma mosca na minha sopa que me faz embrulhar o estômago. Fosse na ditadura militar, Galvão Bueno seria promovido a general cinco estrelas.

A Globo mandou para a China um batalhão de repórteres e ex-atletas que só falaram abobrinhas e encheram a nossa paciência de otimismo. Quase R$700 milhões foram gastos para ficarmos atrás da Etiópia, Quênia e Jamaica. Não é querer menosprezar essas nações, mas comparadas como o potencial econômico do Brasil e o tamanho da nossa delegação, existe uma diferença muito grande.

Assim como o Raulzito, prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo. Dizia Nelson Rodrigues que toda unanimidade é burra, e é uma verdade. Já observou que quando a mídia endeusa um artista, intelectual, cientista ou um atleta “herói”, ninguém pode se arvorar a tecer críticas contrárias? Continuamos sendo patrulhados pela carneirada imbecil.

Pois é, se o cara tiver opinião diferente, pode ser linchado, ou considerado burro e alienado. Alguém aí pode discordar, nem que seja por um pouco, de Tom Jobim ou João Gilberto? O atraso de duas horas num show de João Gilberto serve como pretexto para aplausos. Qualquer besteira que esses ídolos intocáveis falem, soa como genialidade. Da Bossa Nova só se lê e escuta elogios rasgados. Que sujeito chato sou eu que não acha nada engraçado. E lá vai o nosso Raulzito “maluco” soltando seu verbo. As medalhas não são do Braaaaaaaaaaaaasil. São dos atletas elitizados, sem apoio do país.

As obras de transposição do rio São Francisco avançam, enquanto a revitalização está parada e ninguém sabe responder em Brasília o seu andamento e o órgão responsável. Na outra ponta maldita temos a gastança dos 513 deputados com as tais verbas indenizatórias. Só neste mandato já torraram R$121 milhões. Cada um pode gastar por mês até R$15 mil. Diz o diretor-executivo da Transparência Brasil, Cláudio Abramo, que a existência dessa verba é esdrúxula. Ademais, nesta época, nem estão trabalhando. Os deputados federais baianos Walter Pinheiro e ACM Neto estão no rol dos maiores gastadores. Pinheiro já gastou R$ 257.946 e o neto do ACM, outros R$$254.905. Entre os 81 senadores, as despesas já totalizaram (em cinco meses) R$5,5 milhões. A medalha de ouro nos gastos foi para o senador baiano João Durval.

A Assembléia Legislativa da Bahia só começou a liberar as cifras com as verbas indenizatórias dos 63 deputados há um mês, mesmo assim, não existe transparência total. Cada um tem direito ao mesmo valor (R$15 mil por mês) dado ao deputado federal. A Controladoria Geral da União anunciou que de 2001 a 2008, a corrupção desviou cerca de R$3,3 bilhões em verbas federais. Sabemos muito bem que não foi só isso. Mesmo assim, já imaginou esse dinheiro sendo investido nos esportes!

Mas é tudo muito vergonhoso nesse nosso Brasil varonil. Depois que o Supremo Tribunal Federal cortou o nepotismo nos três poderes, logo apareceram deputados querendo fazer um mimo para os ministros. Estão com proposta de inclusão de reajuste salarial para esse poder Todo Poderoso. Esses ministros já ganham R$24.500,00.

Voltando ao ouro de tolo, Érico Veríssimo dizia em sua coluna que ganham mais medalhas os países mais bem alimentados e ricos, que podem investir mais em esportes e preparação de atletas. No nosso, existe dinheiro, mas é tragado pela corrupção, pelos desvios e a má aplicação. Mas, não precisa lamentar, ganhamos de todos nas categorias choro em equipe.

Agora temos as olimpíadas das eleições e eu acho tudo isso uma grande piada e um tanto quanto perigosa. Estão se matando por aí para se sentar numa cobiçada cadeira de prefeito. Nos grotões do nosso interior, ainda predomina o voto de cabresto, embora contestem os cientistas políticos de gabinetes de ar condicionado. O infanto-juvenil de 16 anos pode votar, mas não pode ser responsável pelos seus atos. Contrariando a Constituição, o analfabeto pode ser eleito, e o pior é se eleger com uma penca de processos na Justiça.

Não posso entender tanta gente acreditando na mentira o tempo todo. O que mais preocupa é o silêncio dos bons. É a Igreja invisível na qual o povo confia cegamente. A gente podia continuar falando um montão de coisas, mas, ainda sim, o maluco sou eu.



terça-feira, 26 de agosto de 2008

PAPÉIS INVERTIDOS

Muitos vereadores no horário eleitoral fazem o papel de candidatos ao executivo, com promessas de obras, pavimentação de ruas, melhoria do ensino, da saúde e até de estradas. Esquecem de lembrar que são postulantes a uma cadeira no legislativo. Tudo bem que o vereador pode intermediar a favor de algum benefício para a comunidade, mas seu principal papel é elaborar leis, projetos, denunciar e fiscalizar a atuação do executivo. Com o tempo, essas ações foram sendo deixadas de lado para dar lugar ao assistencialismo.
O que mais se deveria cobrar de um parlamentar hoje é que ele tenha ética, capacidade e trabalho. No entanto, quando um eleitor se dirige a um vereador ou deputado é para pedir favores, dinheiro, emprego ou bens materiais. Os papéis, infelizmente, se inverteram na política nacional. Muitos criticam os escândalos de corrupção, mas acham certo obter favores particulares, e até concordam que parlamentar é para isso mesmo. Pouco se pensa no coletivo.
A cultura do assistencialismo ficou empregnada no povo de tal forma que pouco se fala sobre o função do legislador. Dos programas eleitorais saem enxurradas de promessas sem viabilidade de serem concretizadas. Os partidos também caíram no descrédito(mais de 80% não confiam neles), tanto que muitos candidatos omitem na propaganda o nome da sua legenda. O horário eleitoral deveria ser uma aula de cidadania e não de inversão de valores onde o parlarmentar tenta assumir o papel do esxecutivo. Por isso é que na Câmara de Vereadores existe um monte de indicações e raros projetos-de-lei em favor da sociedade.

HORÁRIO SEM RECURSOS

De um modo geral, o horário eleitoral dos candidatos a prefeito de Vitória da Conquista demonstra falta de recursos financeiros e humanos. Percebe-se carência no quesito criatividade e na apresentação de propostas concretas de trabalho possíveis de serem realizadas. Sem jogo de imagens, conteúdo e textos mais concisos e claros, navega-se na generalização, e tem candidato perdido caindo na monotonia. Sem dinheiro e profissionalismo, fica difícil fazer programas atrativos que prendam o eleitor.

O horário eleitoral pago pelo contribuinte através da isenção fiscal às emissoras de rádio e televisão precisa ser mais bem aproveitado pelo candidato na hora de dar seu recado. Não se pode desperdiçar o tempo com lengalengas e blábláblás. O único vínculo que o profissional deve ter, além do postulante ao cargo, é com seu trabalho bem remunerado durante o período. Até aqui, quem está mais ganhando com este horário são as emissoras. Por enquanto, tem prevalecido o amadorismo, e a comunicação não perdoa isso.

Por ser homem de rádio que lida muito tempo com a comunicação, Herzem Gusmão, candidato da coligação do PSDB, com cerca de seis minutos, está conseguindo fazer um programa mais técnico, dinâmico e com mais cara profissional. O programa tem mais imaginação e plasticidade. Começou batendo forte no candidato do PT, Guilherme Menezes, mas não se sabe até quando. Pode se perder lá na frente. É um risco que se corre.

Herzem, talvez espere com essa tática obter respostas do PT para ganhar dividendos, mas, tudo indica que isso, por vários motivos, não vai ocorrer. É preciso ter muito cuidado com as promessas para não cair no descrédito. É possível colocar mais uma empresa de ônibus na Praça de Conquista? Não seria mais coerente melhorar e aperfeiçoar o sistema atual? As propostas têm que ser comprovadamente viáveis. O eleitor está de olho.

O programa da coligação do PT está muito parecido com o das eleições passadas, talvez por se tratar de um candidato carismático e mais conhecido da população. Mas, não se pode abrir a guarda. É preciso mais dinamismo, congraçamento e força que sempre apresentou o partido em suas transmissões.

Feitos passados são importantes para a comunidade e servem como ponto de referência. Não há dúvidas quanto a isso, mas o candidato deve falar o que vai fazer daqui pra frente. O povo espera propostas e novos compromissos. Tudo indica que o PT, que tem sete minutos no horário, não vá responder as críticas do adversário PSDB. A intenção, ao que tudo indica, é tirar mais tempo do candidato Herzem através de ações na Justiça Eleitoral.

Com duração de 12 minutos, praticamente metade em relação à dos seus adversários, a coligação do PDT-PMDB, de Esmeraldino Correia, não está sabendo aproveitar o tempo. Como já vinha dizendo, não decolou, e o candidato ainda não saiu das apresentações. Profissionalmente, o programa deixa a desejar e carece impor mais imaginação, jogo de imagens, criatividade e dinamismo.

O postulante ao cargo precisa ser mais arrojado e começar a apresentar suas propostas concretas de trabalho, com mais clareza e objetividade. O programa está lento, morno e pobre. Com todo respeito aos feirantes e soldados, com suas importâncias no seio da sociedade, a homenagem num programa eleitoral não rende muito em termos de votos. Existem também outras tantas categorias, e o tempo eleitoral é precioso para o candidato passar sua mensagem como pretendente ao cargo de prefeito.

QUANDO SERÁ CONCRETIZADA?

O Congresso Nacional acaba de aprovar o projeto da Ferrovia Leste-Oeste que liga o país ao Oceano Pacífico. A Bahia será beneficiada com o ramal partindo de Tocantins, passando pelo Oeste (região de Barreiras) até o Porto de Ilhéus. A linha será um corredor de escoamento das produções de grãos e minérios, especialmente de Caetité. Não foi divulgado seu traçado e quais os municípios que serão cortados pelos trilhos. De qualquer forma, Vitória da Conquista, com seu potencial de capital do sudoeste, será beneficiada pelo projeto.

Agora só resta esperar por mais 15 ou 20 anos pela concretização da obra, como acontece com tudo neste país dos absurdos. Anunciam projetos grandiosos com estardalhaço, para capitalizar ganhos políticos em épocas de eleições, que depois se arrastam em burocracias e desvios de dinheiro e outras irregularidades. O risco é a Ferrovia Leste-Oeste entrar para a coleção das obras inacabadas como tantas outras. Se uma simples barragem dura 10 a 15 anos para ser concluída, imagine um projeto de bilhões.

Outro grande perigo é a Ferrovia do PAC não sair do papel, como o Projeto de Irrigação do Vale do Iuiu, aqui mesmo no sudoeste (Guanambi-Malhada), que seria a redenção da região. A irrigação do Vale do Iuiu, com o aproveitamento das águas do Rio São Francisco, foi anunciada há 20 anos, mas nem se fala mais nisso. O projeto não saiu das promessas dos políticos em reuniões realizadas em Guanambi.

Só na Bahia existem outras obras que se arrastam há anos, como, por exemplo, o metrô de Salvador. Voltando ainda ao sudoeste, a ponte Malhada-Carinhanha sobre o Rio São Francisco ainda não foi concluída. Aqui bem perto, em Caetité, lá está no alto do morro a construção inacabada do que seria um hospital de grande porte. A obra está parada há mais de cinco anos, segundo dizem, por intrigar políticas. É o dinheiro do contribuinte indo para o ralo. É duro ver tudo isso e não reagir.


FLASCHES


AS BENDITAS COTAS

O Supremo Tribunal Federal derrubou o nepotismo nos três poderes. Ai aparecem os parlamentares, como sempre, querendo dar um jeitinho brasileiro, com a tal criação de cotas para seus parentes. È uma vergonha nacional. Aliás, como cota virou coisa da moda, a Nação se curva à malandragem. Já temos as cotas nas universidades para negros com as quais me coloco contra por ser discriminatória e racial. É querer menosprezar a capacidade dos negros, e não premia os mais esforçados. A única cota que aprovo é a social, sem distinção de cor, não importando se negra, branca, parda ou amarela. Já se falam também na reserva de mercado. Nesse Brasil se pode tudo. Basta ganhar uma unanimidade, e quem for contra e despedaçado e mutilado.


CAÇA FANTASMAS


Essa história eu já vi em diversos filmes onde os fantasmas sempre levam a melhor. Já estamos vacinados e acostumados com assombrações. O governo do Estado decretou caça aos fantasmas nos serviços públicos. São aqueles sujeitos que ganham uma bolada do contribuinte e não aprecem no trabalho. Quem tem mais QI(Quem Indica) consegue ser fantasma privilegiado. São as mazelas da nossa política ainda coronelista e feudal dos cargos públicos.


DESARMAMENTO


Mais uma vez, vem aí a campanha do desarmamento da população. O governo federal vai gastar R$46 milhões na campanha, sendo R$ 6 milhões em publicidade e outros R$40 milhões para pagamento das indenizações das armas. É a mesma lengalenga de sempre. O cidadão é convidado a se desarmar, enquanto o bandido sai por aí matando com rifles e metralhadoras pesadas. Melhor que esse dinheiro se somasse ao pífio orçamento destinado à Educação. É o país que se dá ao luxo das extravagâncias.


DEFICIT NAS CONTAS


O governo fala tanto no desempenho da economia, segundo suas contas, distribuindo mais renda e emprego, e se esquece do déficit nas contas correntes (somatório e diferença entre o que se exporta e importa, mais gastos com turismo, serviços e pagamento de juros). Esse déficit pode comprometer o país numa crise internacional, se não tiver um bom superávit primário. Mesmo assim, se continuar, pode exaurir as forças de suportar desgastes externos. Em julho o déficit nas contas foi de U$2,1 bilhões, e no ano já chega a U$19,5 bilhões. Muito alto (1,41% do PIB). Isso é resultado, principalmente, da contribuição negativa de U$5,7 bilhões na conta de serviços. Em agosto a conta corrente pode ficar negativa em U$ 1 bilhão. Mas, atualmente, não se fala muito em déficit nas contas correntes. Acham coisa sem importância.


domingo, 24 de agosto de 2008

E SÓ CHORADEIRA

Precisou o Volei de Quadra masculino da equipe brasileira perder a final para os Estados Unidos para Galvão Bueno, da Globo, fazer uma leitura mais consciente sobre a participação dos nossos atletas nas Olimpíadas de Pequim. O desempenho dos brazucas foi, mais uma vez, vergonhoso, mas Galvão, que sempre faz estardalhaços e exagera, e bota exagero nisso, comentou que nossos esportes, a começar nas escolas, têm carência de incentivos por parte de nossos governantes.
Na sua análise, e é uma verdade, só nas modalidades tradicionais o Brasil galgou algum destaque, como no futebol e volei. No individual, com exceções da atleta do salto à distãncia e da natação em 50 metros, foi uma decepção. Mas, as emissoras, com toda carga de sensacionalismo, se encerregaram de acobertar o pesadelo com imagens melosas dos heróis de papel.
E por falar em olimpíadas, já que se foram, o Brasil levou 277 atletas e ganhou 15 medalhas, sendo três de ouro, menos que cinco em Atenas. Nessa competição, foram cinco medalhas a mais, só que a maioria, oito, de bronze e quatro de prata. Saímos bronzeados. Foram gastos R$160 milhões. Eh! se não houver incentivo aos esportes, na próxima vamos ter que aturar mais choradeira. Os chorões bateram o recorde.
Além disso, nota-se que o brasileiro não leva a coisa a sério. Está sempre fazendo firulas e sambas. Não consegue se concentrar e não tem disciplina, como os atletas dos outros países. Assim fica difícil conquistar pódios, e só resta chorar e chorar.

sábado, 23 de agosto de 2008

OLIMPÍADAS E ELEIÇÕES


Lá se vão as olimpíadas com tanto pagar de micos dos nossos atletas e locutores das TVs. Lá se vão as quedas, tombos e choros nas perdas e nas vitórias. Lá se vão as decepções de um país que pouco tem dado importância à educação, à cultura e ao esporte com qualidade, mas quer sediar uma competição internacional. O negócio agora é assistir as olimpíadas da caça aos votos no Programa Eleitoral. Essa é até mais divertida e não se sofre tanto, a não ser depois que ela passa e os vencedores mal escolhidos assumem. Essa olimpíada na TV e no rádio pode durar mais tempo de dor de cabeça e ser cheia de trapaças. A ressaca pode ser pesada e sofrida.

A televisão é uma máquina de fazer doido – afirma Sérgio Porto(Stanislaw Ponte Preta). As competições das equipes brasileiras nas Olimpíadas estão aí como prova dessa observação. Basta um salto à distância e umas braçadas a mais na água para o atleta se transformar num herói ou heroína, com direito a desfiles em carro aberto e muito estardalhaço. Em besteirol de perguntas e respostas, o Brasil pode se candidatar a medalha de ouro que ganha. Será que não existem coisas mais importantes nesse país?

Por que as equipes brasileiras nas competições olímpicas nadam, nadam e depois morrem na praia? Por que, com raras exceções, quando chegam às finais, simplesmente amarelam? Vejam os casos do futebol masculino e feminino, da ginástica, do judô, do salto à distância para homem, do pulo em altura com vara e do voleibol de praia.

Sofremos mesmo do complexo de vira-lata e de inferioridade que se referia Nelson Rodrigues? Um somatório de fatores talvez possa explicar tudo isso. Um deles é a falta de incentivos do governo, ou governos, nos esportes. O Estado tem que chamar para si a responsabilidade.

Outra questão é a perpetuação dos donos das federações e do tal COB no poder. Esses donos dos cargos tentam apagar o fracasso com propagandas enganosas. O atleta Pelé, se tivesse mais consciência, não deveria estar contribuindo com essa palhaçada, Mas não, ele também tem seus interesses particulares. Eles fazem de tudo para continuar na mídia esportiva que acoberta as mazelas e não diz a verdade. Talvez a mídia seja a maior culpada.

O marketing ilude o telespectador com esse tal de heroísmo barato, conquistado em poucas competições, e não se diz que eles – os donos do esporte – estão pouco preocupados com o profissionalismo e o aprimoramento da qualidade dos atletas. Vejam o exemplo do judoca que ficou um ano na faixa marron porque não tinha dinheiro para mudar de categoria. É preciso que se dê uma basta nisso tudo.

Nas finais das disputas, percebe-se em nossos atletas o descontrole emocional e psicológico. O nervosismo é dominante, e o ale4ta se sente só, sem o acompanhamento das ditas comissões organizadoras. O que mais se vê é choradeira e lamento. Ainda vamos ganhar um monte de medalhas como os mais chorões do mundo. Nas próximas Olimpíadas vamos ver as mesmas cenas, e os locutores berrando.

Só resta apelar, ou jogar a culpa em Deus. Na derrota do futebol feminino para os Estados Unidos, só restou a jogadora Marta exclamar: Meu Deus ! o que está havendo, o que houve! Não é Deus quem vai dar a resposta. Ela está bem visível e perto de nós. Só não vê a resposta quem não quer. Aliás, Deus não tem nada a ver com isso. Tem problemas mais importantes para cuidar. Não é bom misturar e confundir as coisas.

O mesmo acontece com as olimpíadas das eleições. Ao votar errado não vá depois dizer que foi assim que Deus quis, ou então, culpar o Todo Poderoso. O seu herói escolhido pode ser falso, ou ser descartado em pouco tempo. O marketing da propaganda, todo bonitinho e empacotado, também ilude e engana. Pode ser de papel e encolher nas primeiras chuvas. O medalhista escolhido nas urnas não pode cair no seu esquecimento como o “herói” do ouro nas Olimpíadas esportivas.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

HORÁRIO ELEITORAL

Como era de se esperar, o candidato da coligação do PSDB, Herzem Gusmão, começou a bater no PT, de Guilherme Menezes. É a tática para provocar o adversário e ganhar pontos do eleitorado. Seu programa está mais elaboradco e, tecnicamente, mais profissional. Vamos ver como o eleitorado vai se comportar e como vai ser a reação do representante do PT.


O candidato do PDT, Esmeraldino Correia, precisa ser mais arrojado nas suas proposições. Está faltando mais profissionalismo, texto e impacto ao programa que tem mais tempo no horário eleitoral, mas não está sabendo aproveitar. Ainda não saiu da generalização para as propostas e projetos de trabalho. O programa está morno, sem atrativos, sem plasticidade e criatividade. Tem que colocar a imaginação para funcionar. Ainda não decolou.
A coligação do PT, do candidao Guilherme Menezes, precisa inovar através da apresentação de propostas de trabalho e o que pode ser melhorado na administração. O povo quer mais saber o que vai ser realizado no futuro. Se ficar muito tempo relatando o passado, pode cair na monotonia. Os candidatos têm que apresentar propostas objetivas e claras.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

DEBATES VÃO ESQUENTAR

Engana quem acha que estas eleições vão ser mornas em Vitória da Conquista. Pelo andar da carruagem, os debates vão esquentar logo, logo. Nesta quinta-feira(dia 21) saiu a primeira estocada política para apimentar os programas. A coligação do PSDB, do candidato Herzem Gusmão, alfinetou o adversário do PT, Guilherme Menezes, fazendo alusão de que seu representante tem os pés no chão e não vive viajando na ponte aérea Conquista -Salvador - Brasília. Essa pode ter uma boa resposta, mas não vou dizer.
O programa do candidato Esmeraldino Correia não decolou bem, mas pode pegar impulso numa corrente de vento chamada mais profissionalismo, dinâmica e visual. É preciso muito cuidado no emprego de determinadas expressões para não se tornarem chavões comuns. O texto tem que ser mais lapidado, para chegar mais claro e objetivo em todas camadas. O PT, por exemplo, tem que passar mensagens novas, senão pode ficar cansativo e repetitivo para o eleitorado. Bem, quem sou eu para ensinar Pai Nosso a vigário!
267 Milhões para Emissoras
Para quem não sabe, as emissoras de rádio e televisão recebem da União R$267 milhões por ano para transmitir a propaganda eleitoral. O pagamento é feito através da compensação fiscal no cálculo do Imposto de Renda. O esquema foi criado em 1963 pelo Código Brasileiro de Telecomunicações, mas somente em 1986, depois da ditadura militar, foram instituídas as regras para a propaganda. Nos anos seguintes, o pagamento foi garantiudo. Em 1997, a Lei tornou a compensação perene. Esse pagameno é polêmico na jusrisprudência. Para uns, a União tem sobre as emissoras o exercício do direito de antena como espaço público e não deve pagar nada. Afinal, elas são concessões públicas. Outros interpretam de outra forma e defendem a compensação fiscal. Resumindo: é sempre o contribuinte quem "paga o pato", ou paga tudo.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

APRESENTAÇÕES

No primeiro dia do programa eleitoral na televisão dos candidaos a prefeito de Vitória da Conquista, as cenas elaboradas pela coligação do PSDB e do PDT, encabeçadas por Herzem Gusmão e Esmeraldino Correia, respectivamente, como era de se esperar, se limitaram às formais apresentações pessoais, de seus familiares e suas origens. O PT, do candidato Guilherme Menezes, como já é conhecido da população(ex-prefeito e deputado federal) focou seu programa na juventude e o que essa faixa etária espera do postulante ao cargo. Começou bem.
Esmeraldino Correia, sem muitos recursos visuais, se limitou a apresentar seus pais, irmãos e sua filha, com seus respectivos depoimentos. Após aqpresentação geralda sua pessoa, centrou-se no tema educação, mas sem as devidas particularidades e especificidades. O assunto precisa ser mais desecado e explicado. Não basta citar os mestres Darcy Ribeiro, Cristovam Buaqrque e Anísio Teixeira.
Os programas de Herzem Gusmão e Guilherme Menezes apresentaram mais plasticidade, mais movimento e profisionalismo. Como já é um horário chato para o eleitor, (muitos preferem a novela), os partidos e equipe têm que oferecer programas mais dinâmicos e, acima de tudo, projetos de trabalho, com mais clareza e suibsídios, sem as monótonas generalizações de sempre. Esperamos menos blá-bla-blá e mais objetividade, síntese e pontuação nas mensagens daqui pra frente.

CAÇA AO ELEITOR

Começou a temporada oficial de caça ao eleitor nas emissoras de rádio e televisão através do Programa Eleitoral Gratuito que de gratuito não tem nada. Tudo é pago pelo contribuinte. As empresas de comunicação descontam tudo do Imposto de Renda, e sem intermediação dos 20% das agências de publicidade.



Maquiados pelos marqueteiros de plantão, seguindo um padrão de estética, os candidatos viram mágicos de circo. Com suas apresentações, eles conseguem engolir fogo e espada, entortam garfos, amansam leões e até hipnotizam serpentes venenosas.



Os programas de computação dão o toque de limpeza, sem rugas, sem marcas e saem stress. Eles saem novinhos do forno para as prateleiras, com embalagens atrativas para você levar. Mesmo assim, difícil se evitar o terror e as cenas hilariantes saídas das câmaras, com nomes esquisitos e propostas mirabolantes.



Nessa temporada, é muito comum os políticos aparecerem segurando criancinhas remelentas, ou comendo uma buxada de bode, uma rabada ou um mocotó num boteco da esquina, de preferência, acompanhados de uma cachacinha. Dão risadas e prometem transformar gafanhoto em avião, prato vazio em cheio de alimento.



Cuidado que muitos desses produtos são pirateados e falsificados, com prazos de validade vencida! Mas, infelizmente, o povo brasileiro gosta mesmo de ser enganado e sempre está levando gato por lebre. O barato pode custar muito caro depois e você ficar com um zunido danado na cabeça.



Nas pesquisas de opinião, os eleitores sempre dizem detestar o horário eleitoral, mas o irônico e contraditório é que na mesma verificação apontam que os programas servem de instrumento para decisão dos votos. Não se sabe em que confiar, e quem afirma a verdade.



Pelo menos nas pesquisas, cerca de 80% declaram perda de confiabilidade nos políticos, e os comentários são sempre de que eles são corruptos (com exceções) e passam a mão nos cofres públicos. No entanto, os eleitores, nem todos, demonstram interesses particulares e simpatizam com o candidato assistencialista e até com aqueles que distribuem dinheiro e bens materiais em troca do voto.



Os partidos estão tão desmoralizados - viraram agrupamentos e clubes de donos - que o candidato só cita o nome da sua legenda por força da obrigação. Por sua vez, o eleitor, no geral, não vota no partido, mas na pessoa do candidato.



Está aí mais outra triste contradição do nosso painel político onde os eleitores são os maiores culpados. Mas, voltando à nossa temporada de caça ao voto no rádio e na televisão, no início eles apresentam suas origens pobres e os sacrifícios que fizeram para vencer. São bonzinhos e dóceis, fazendo promessas impossíveis. Depois, lá pelos meados de setembro, a coisa esquenta e descamba para a baixaria e o bate-boca pessoal. Aí, aparece a face da imoralidade, da falta de ética e do “tudo ou nada”.



No geral, os programas começam em português e depois a linguagem fica embolada, mais parecendo com hebraico. Há várias eleições, os marqueteiros obedecem ao mesmo padrão e cada um tem medo de se arriscar e perder seu emprego, ou o mercado. O programa dos ricos, que têm mais dinheiro, é uma beleza, cheio de fantasias e efeitos especiais. O dos pobres, uma tristeza, sem forma e sem conteúdo.



Ensinam os marqueteiros que a propaganda eleitoral decisiva não é o horário em bloco, mas as inserções comerciais distribuídas durante os 40 dias da programação. No período, alguns viram fantasmas.



Por falar nisso, por mais que o Tribunal Superior Eleitoral tenha tentado equilibrar as forças, restringindo a divulgação de certas peças de propaganda, para não prevalecer quem tem mais recursos, na prática, continua ditando quem tem mais bala na agulha.



Pode ser uma chatice, mas é no programa “gratuito” que os políticos apostam suas fichas, vendendo ilusões para os chatos que ficam diante dos televisores. Se a campanha partir para o bate-boca, eles recorrem à Justiça Eleitoral, e surgem até as torcidas. A exposição do político pode decidir uma eleição, mas é preciso ter credibilidade. A temporada também pode servir para separar o joio do trigo.

domingo, 17 de agosto de 2008

HERÓIS BRASILEIROS

A mídia fabrica heróis e devolve para o povo que gosta de ser engando. Bastou o nadador Cielo ganhar a primeira medalha de ouro das Olimpíadas para a imprensa logo tratá-lo como herói. Aliás, nosso país tem muitos reis, imperadores, rainhas, príncipes, princesas e heróis, todos espalhados pela música, pela beleza, pelos esportes(futebol, natação, volei, fórmula 1, atletismo e outras modalidades). Esses ganhadores e astros da música, mesmo que seja de mau gosto, passam a ser idolatrados pela população e até chegam a virar santos.
Já os grandes vultos da nossa história na jusrisprudência, na literatura, na ciência e até na política por terem sido homens honestos e éticos, foram esquecidos. A grande maioria nem se lembra deles. Não vou aqui citar nomes para não deixar personalidades importantes de fora. Na sociedade consumista e liderada pela cultura da estética e da aparência, pouco vale um prêmio de Camões ou um Nobel da Literatura ou da Ciência. Uma medalha nas Olimpiádas, ou uma vitória de uma corrida de carros, conta muito mais.
E por falar em Olimpíadas, não consigo esquecer a imagen de choro e o derramar de lagrimas do judoca brasileiro Eduardo dos Santos, ao perder a medalha para seu adversário. Ele representa a cara do povo brasileiro desasistido nas bases sociais, jurídicas e econômicas. É muito duro quando ele diz que ficou muito empo na faixa maron de judô porque não tinha dinheiro para mudar de categoria. Mais adiante fala que só foi possível dar continuidade ao seu treinamento no COB com uma bolsa de R$1.500,00. Não sabe ele que o COB tem donos vitalícios que comandam a organização com mãos de ferro. Quem são, então, nossos heróis?

sábado, 16 de agosto de 2008

MAIS ELEITORES QUE HABITANTES

Já perceberam que tudo o que não presta está na região sudoeste! De acordo com pesquisas da Supereintência de Estudos Econômicos da Secretaria de Planejamento do Estado(SEI), os municípios mais pobres, com baixo IDH e IDS(Indíces de Desenvolvimento Humano e Social) estão concentrados na região sudoese da Bahia. Por aqui, são poucos os prefeitos em que se pode confiar, mas sempre são reeleitos. Praicamente toda região está no semi-árido, e a população sofre com os períodos de seca, ficando nas mãos dos políticos inescrupulosos.
De acordo com os númros de eleitores do Tribunal Superior Eleitoral, comparados com os de habitanes, 36 municípios baianos registram índices de fraudes nas eleições. Tem município que tem mais eleitores que habitantes, como é o caso de Guareju, no sudoeste. Boa Nova, Belo Campo, Érico Cardoso(Água Quente), Ibiassucê, Manoel Vitorino, Mirante, Potiraguá e Rio de Contas têm eleitores acima de 80% da população. Guajeru bateu o recorde: Tem 6.457 habitantes para 7.090 eleitores. Quem faz isso são os políticos que compram os votos e inscrevem eleitores de outros municípios. Vitória da Conquista, por esxemplo, já poderia ter mais de 200 mil eleitores, mas milhares votam em municípios vizinhos como Anagé, Barra do Choça, Encruzilhada, Belo Campo e outros.

PARAÍSO DA CORRUPÇÃO

Verdadeiramente o Brasil é o paraíso da corrupção, e a porta de entrada é o Congresso Nacional. Para se ter uma idéia, estão lá há 15 anos, nada menos que 67 projetos, segundo o jornal Folha de São Paulo, que poderiam mudar esse quadro vergonhoso. Só no ano passado foram apresentados 37 projetos visando conter a roubalheira nos cofres publicos. Neste ano, cinco foram apresentados, mas os políticos só aprovam o que é de seus interesses. É por essas e por outras que mais de 80% da população reprovam a classe, casta ou seja lá o que for. Mas, o contraditório nas pesquisas é que esse mesmo povo concorda(quase 50%) com o assistencialismo e que o político dê ajuda em forma de dinheiro e outros benefícios materiais. Significa que condena a corrupção, mas aceita desde que se reverta em benefício próprio. Vale o individualismo e não o coletivo.
Mas, vamos ver os faciliadores da corrupção no país. Um deles está na quantidade de cargos gratificados, além da morosidade na Justiça. O maior de todos é a impunidade, especialmente na política com a tal imunidade. Outro é o costume estranho das emendas parlamentares no Orçamento da União. Elas servem como moedas de trocas nas votações. E aí é um toma lá, dá cá danado. A legislação não ajuda, e os candidatos fichas sujas se elegem com o voto de cabresto da turma. A Associação dos Magistrados do Brasil queria impedir que os sujos se candidatassem, mas lá vem a legislação e diz que o cara só é culpado depois da sentença transitada. Tem gente que se elege na cadeia. Por falar nisso, já temos até a bancada dos narcotraficantes e da bandidagem. Um exemplo claro é o legislativo do Rio de Janeiro. É assim no Brasil: uma legião de corruptos soltos fazendo mais estragos que formigas numa roça de mandioca.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

O MINISTRO AMARELOU

Mais de 20 anos se passaram e as feridas da ditadura, sangradas nos porões das torturas, continuam abertas. Para se falar delas, os governos e as instituições da sociedade, muitas delas dirigidas por vítimas do tempo de chumbo, fazem rodeios, se melindram e andam como se estivessem pisando em ovos. Como explicar todo esse temor pela reação dos militares? Seria trauma ou complexo? É como se a espada de Dâmocle ainda estivesse sendo apontada para nossas cabeças. Ou será que ainda está?

Basta se falar da anistia, que nos foi empurrada goela abaixo, na base do “é pegar ou larga”, ou da punição para os torturadores do regime, para deixar ouriçada as reservas e as ativas dos quartéis. E aí aparecem as ameaças e as sombras dos fantasmas do delegado Fleury e dos coronéis, para com cassetetes e armas em punho fazerem o frei, o estudante e o operário confessarem seus crimes. Estampam logo nas mentes as imagens dos choques elétricos, dos afogamentos, do arrancar de unhas com alicate, dos paus-de-arara e mais outras cenas de filmes de terror das solitárias e das prisões incomunicáveis.

Ainda que com medo, timidamente a democracia pede passagem, mas as feridas continuam abertas. O sangramento precisa ser estancado e cicatrizado para que ela possa seguir em frente e cumprir sua missão. Quando alguém tenta fechar as feridas, é impedido pelo governo, tantas vezes carimbado de esquerda, mas que teme o reboliço das casernas.

Foi só o ministro da Justiça, Tarso Genro, falar de revisão da Lei de Anistia do final dos anos 70, ou da punição dos torturadores de carteirinha, para as sombras fantasmagóricas dos castelos assombrados e malditos começarem a rondar nossas vidas nas praças, nas ruas, estabelecimentos e lares. Quase ninguém foi em socorro do ministro, que terminou amarelando, a não ser um grupo de advogados e juízes. Mais uma vez, não vai dar em nada.

Cadê nossas instituições, os estudantes, os pedantes acadêmicos intelectuais, os sindicatos e suas centrais? Estão se refestelando e se lambuzando no banquete do capitalismo consumista, individual, superficial e devorador. Outros se deslumbram nos cargos burocráticos e nas benesses do poder. Cadê a nossa mídia dita moralizadora e dona da verdade? Grande parte dela, como fez ao apoiar o regime ditatorial de 64, critica e condena a atitude do ministro, falando e escrevendo frases de impacto para confundir o público, especialmente os jovens que quase nada sabem sobre o que se passou.

Surgem argumentos contra as punições, desde os mais covardes comodistas e sem nexo, até os mais vazios, como a de que a ditadura é uma página virada que deve ser fechada e esquecida. Qualquer crítica é rebatida como revanchismo pela intocável casta militar. É como se fosse um caso mal resolvido. A ditadura será sempre uma história sem esclarecimentos? Aliás, boa parte dela foi destruída e queimada nos porões pelos próprios protagonistas, como fizeram recentemente na Base Aérea de Salvador. Sem punições, sem esclarecimentos. Arquivo incendiado é arquivo morto. Quem apanha nunca esquece.

Um outro argumento, este partindo dos militares, é a de que no caso de punições, também serão penalizados aqueles que fizeram parte da luta armada e cometeram atos “terroristas”. Ora, os que lutaram pela libertação já foram punidos com a morte ou com a tortura. Uma coisa é você matar em combate e outra é torturar a pessoa depois de presa. Assim fizeram com milhares de brasileiros, inclusive com muita gente que não fazia parte da luta armada, como Vladimir Herzog, Rubens Paiva e tantos outros como os freis dominicanos.

Tortura não é crime político e sim crime comum, passível de punição em qualquer parte do mundo como estão fazendo na Argentina, Chile e Uruguai. No Brasil se vira a cara e se prossegue em frente como se nada houvesse acontecido. O reboliço e a reação do militar até é concebível, mas o que causa repugnância e vergonha é o silêncio do civil. Como dizia Martin Lutter King, não é tanto a corrupção, a falta de ética e os desvios que nos preocupa, mas sim, o silêncio dos bons.
O brasileiro sempre se contentou com o pouco e se conforma sem reclamar. Olha o exemplo da participação dos nossos atletas nas Olimpíadas(quase 300) e até agora só três medalhas de bronze. Mesmo assim vibram como se fosse uma glória. O oitavo ou o penúltimo lugar é motivo de festa. A Rede Globo faz um esforço danado para dar ênfase ao desempenho acanhado dos brasileiros. Fica caçando um gancho(jargão jornalístico) aqui e acolá para abrir mais espaço. Muita quantidade e pouca qualidade. Também, o presidente do COB é vitalício e nada muda. Mas, isso é outro assunto.

Voltando ao nosso, o governo de FHC e agora o de Lula, intitulados de esquerda, preferem sepultar a história com polpudas indenizações às vítimas, muitas das quais equivocadas, que abrir uma frente de condenações aos repressores. É como fechar os olhos e abafar os gemidos de uma era de terror.

Enquanto isso, vai se perdendo com o tempo a memória de um passado triste pouco conhecido das novas gerações. Boa parte dos arquivos e documentos foram destruídos e rasgados. Tocaram fogo em papéis para apagar os crimes dos carniceiros, como se uma ideologia e uma luta pela liberdade pudessem ser incinerados. O que não dá para engolir é esse receio cuidadoso em não melindrar as corporações militares. Tudo é feito para não se rasgar o tecido do sistema.

A mídia, por exemplo, fez um alarde e criou-se suspense enorme sobre o que os militares da reserva iriam falar sobre o depoimento do ministro da Justiça com relação aos crimes de tortura. A impressão que se tem é que a qualquer hora podemos voltar ao pesadelo. Depois o governo recua de tocar o dedo na ferida aberta, e só faltou pedir desculpas. Mais uma vez, a discussão é encerrada, mas no futuro a história haverá de apontar os culpados.

FRACASSO NAS OLIMPÍADAS

Em vez de o Brasil ficar brigando para sediar uma Olimpíada, deveria primeiro se estruturar para sair do amadorismo e se profissionalizar nos esportes. A participação brasileira nas Olimpíadas é pífia, vergonhosa e lastimável, se limitando a um punhado de medalhas de bronze que são festejadas com festas e estardalhaços. Estamos bronzeados. O fracasso não é tanto culpa dos atletas, mas desse esquema velho no qual os dirigentes do COB se tornaram vitalícios e se perpetuam no poder há mais de 20 ou 30 anos. Não é o caso de se questionar a falta de alma dos brasileiros.

A ditadura dos esportes, na CBF e no COB, não abre espaço para a crítica e a democracia. Virou uma máfia autoritária e tudo é imposto por eles. Isto não quer dizer disciplina. Quem levanta a voz é imediatamente eliminado e expulso como rebelde. O método leva à prática de injustiças. Sem essa de que o atleta não pode opinar, denunciar, criticar ou fazer seu comentário! O atleta aqui é tratado como um alienado, ou um robô que a tudo tem que dizer amém.
Quando se emite posição contrária, a pessoa é considerada como indisciplinada e se exerce uma forte pressão para expulsá-la. O caso é sempre abafado pela ditadura do COB, e o atleta é execrado, humilhado e expurgado. Os dirigentes sempre têm razão. Falta uma organização do setor para se exigir democracia e o livre pensar e discutir.

Há anos que não existe renovação e mudanças no corpo diretivo dos nossos esportes. Criou-se um grupo fechado, contaminado de vícios e suspeito de desvios e irregularidades de todos os tipos. Nos eventos internacionais, esses diretores aparecem como salvadores da pátria, cheios de vaidades para maquiar suas incompetências. O sr. Ricardo Teixeira, por exemplo, permanece na cadeira da CBF através de manipulações e é acusado de cometer irregularidades.

Para mostrar grandeza e pompa, gastam rios de dinheiro para convencer os comitês a sediar uma Olimpíada, ou uma Copa de Futebol do Mundo no Brasil. Eles pouco importam com o profissionalismo e a qualidade dos atletas, ou se o país tem condições econômicas e sociais para tanto. O negócio deles é com números. Quanto maior a delegação, mais bonito e glorioso. Anunciam os números como recordes. Que beleza!

Para Pequim levaram quase 300, para 10 ou 15 medalhas. É muita quantidade e pouca qualidade. Dá para se sentir como falta controle emocional e psicológico nos participantes. O brasileiro sofre de ataque do complexo de inferioridade. É um chorar e ranger de dentes. É, mas a imprensa faz suas manchetes espetaculosas. Quando não se tem vitória, inventa-se prêmios de consolação paras encher “lingüiça”.

Nas competições de maior peso e mais tradicionais, como ginástica, natação e atletismo em geral dos tempos gregos, o Brasil precisa muito avançar para acompanhar os outros países mais desenvolvidos que priorizam os esportes. Somente no judô e no vôlei de praia e de quadra se sobressai um pouco. No basquete masculino, o time foi desfeito, e os melhores deram desculpas para não irem para Pequim.

Por essas e outras é que o Brasil ainda não saiu da era limitada do bronze nas Olimpíadas. Um penúltimo, décimo, oitavo ou terceiro lugares são motivos de comemorações, com o empurrão falso e omisso da mídia que está mais preocupada em fazer audiência que dizer a verdade como ela é. O brasileiro se contenta com o pouco. É muito triste ver atletas com a cuia na mão pedindo um patrocínio para se preparar e ir a uma Olimpíada. Se ele ainda não é um vencedor, não ganha nada, como no caso do primeiro emprego onde se pede experiência.

O governo poderia evitar essa vergonha, bancando e dando toda assistência ao atleta que quer se dedicar numa modalidade, inclusive com um bom salário para que ele não passe necessidades e apertos na vida. Isso daria mais tranqüilidade psicológica e emocional.

O Estado, como é feito na China, Rússia, Cuba, França, Alemanha, Estados Unidos, tem a obrigação de manter a formação do atleta. Mas, aqui no Brasil o dinheiro público é desperdiçado e diluído para outros fins que rendem votos. Acontece com a educação. Ai o governo sempre alega falta de recursos para investir mais nos esportes. O pior é que temos um Ministério, de fachada.
Sempre faltam verbas para os esportes, mas não faltam para a distribuição de cargos para os políticos e apadrinhados. Não faltam recursos para construir belos estádios e vilas. É o mesmo que instalar luxuosas escolas e hospitais, mas sem equipamentos, professores e médicos de qualidade. Não dá para comprar umas medalhas por aí ou subornar juízes e comissões organizadoras.

É de cortar o coração, e causa revolta e indignação quando se vê um atleta brasileiro chorando e se lamentando porque não conseguiu vencer seu adversário. É vergonhoso para o pais, esse mesmo atleta dizer que foi obrigado a ficar muito tempo na faixa marrom de judô porque não tinha dinheiro para pagar uma inscrição para pular de categoria. Dá um aperto no coração ver as imagens do americano Phelps vencedor de 11 medalhas e do outro lado o nosso chorando e contando seus sacrifícios. Aliás, o que mais fazem nossos atletas é chorar quando têm um desempenho sofrível, ou recebem um bronze. São lágrimas de glória e, ao mesmo tempo, de sentimento por não ter tido condições de ir mais além.

Como tudo funciona como uma máfia de grupos poderosos com seus interesses, prevalecem o rigor, a ditadura e a repressão nas decisões. Para satisfazer o apetite de grandes empresas patrocinadoras, atletas com idades avançadas e há muito tempo nos eventos, continuam indo para as competições, mesmo sem condições. A empresa condiciona seu patrocínio à presença do atleta, como ocorreu na Copa do Mundo na França de 2002 com o jogador Ronaldo. Daí se ver atleta já cansado e até fora do peso. Para que isso não ocorresse, o Estado teria que estar à frente de tudo, custear e ser o único patrocinador.

As redes de televisão, repórteres e locutores exageram na emoção e espetacularizam o fato de um bronze ou um décimo lugar. No entanto, não mostram o outro lado da realidade, que são os dirigentes incrustados em seus cargos. A Rede Globo, por exemplo, faz um esforço danado para dar ênfase à participação brasileira nas Olimpíadas. Fica o tempo todo caçando ganchos(jargão jornalístico) e fazendo entrevistas monótonas para preencher espaços e buracos. Para justificar os patrocínios, os locutores fazem um estardalhaço para transmitir um simples ponto.

Sem renovação dos quadros, sem estrutura logística e investimentos pesados do governo no setor, não dá para forçar a barra. Mas, o negócio do COB e de seus organizadores é só mostrar grandeza e fazer demagogia para se manterem nos cargos. Primeiro temos que cuidar de nossa casa, dos nossos problemas, e não querer se equiparar aos grandes centros. Para eles, não importa que o desempenho dos atletas seja um fracasso. Por enquanto, vamos ficar com os nossos jogos Pan-americanos que nos dão mais vitórias.