domingo, 17 de fevereiro de 2008

DIA DO REPÓRTER

Não recebi nenhum parabéns, nem ao menos do meu sindicato. Também confesso que não enviei nenhuma mensagem para meus colegas de profissão. O dia 16 de fevereiro – Dia do Repórter – passou praticamente despercebido pelos organismos da sociedade e pelos veículos de comunicação. Infelizmente, a nossa categoria de operários da notícia continua enfraquecida e sem a merecida representação. Também, é tanto dia para se homenagear profissionais que a coisa ficou banalizada.

No dicionário Houaiss, a definição de repórter é a de jornalista que recolhe informações, notícia de qualquer natureza, para transformá-la em matéria de noticiário. Noticiarista de periódico, rádio, televisão, sites, blogs, etc. Na prática é muito mais que isso. É o profissional da informação que deve dirigir seu trabalho com ética e responsabilidade. Não pode ser omisso e tem a obrigação de investigar os fatos, se pautando no contraditório como regra básica. Não pode ser tendencioso e sempre lutar pela liberdade de expressão.

O Dia do Repórter está mais para reflexão que homenagens, pois a profissão tem muito o que conquistar, especialmente a unidade da sua categoria. A classe precisa exigir respeitabilidade por parte da empresa jornalística que hoje ainda remunera mal o profissional e o sobrecarrega de funções, com o engodo de que ele precisa ser versátil e polivalente. Os grandes grupos de comunicação, principalmente, exploram a mão-de-obra do repórter que muitas vezes faz reportagens para o jornal, rádio, a televisão e o sistema on-line da empresa, recebendo por tudo apenas um baixo salário.

Outro problema grave é que a obrigatoriedade do diploma para exercer a profissão está até hoje suspensa na Justiça, o que significa que a categoria está sem regulamentação. Enquanto isso, escolas de jornalismo se espalharam por todo país, sem o devido critério, e muitas empresas não priorizam o diploma. Nos últimos anos, em decorrência da falta de um conselho ou órgão fiscalizador, aventureiros tomaram o mercado e não primam pela qualidade e o conteúdo ético da informação.

A nossa Lei de Imprensa é do tempo da ditadura militar, que limita a liberdade de expressão e penaliza repórteres que procuram cumprir com seu dever. A comunicação virou um latifúndio de poucos neste Brasil, e os barões da notícia manipulam a informação de acordo com seus interesses capitalistas. As concessões das emissoras de rádio e televisão são feitas automaticamente, sem a devida transparência e o conhecimento da sociedade.

No meio de tudo isso, lá está o repórter imprensado entre um baixo salário e a força das empresas de comunicação que exercem a censura quando a informação não é conveniente para seu grupo. No imediatismo para dar a notícia, cheio de pautas para cumprir no dia-a-dia, corre o repórter contra o tempo e, muitas vezes, termina cometendo pecados, mesmo cheio de boas intenções. Diante de tudo isso, quem mais perde é a sociedade que não recebe uma informação de qualidade e isenta como deveria ser.

Para completar, temos um sindicato e uma federação dos jornalistas que deixam muito a desejar em termos de atuação, no sentido de conquistar espaços e fortalecer a profissão. O profissional precisa de um sindicato forte para defender e valorizar a categoria, que está desprestigiada. Apesar de tudo, cabe ao repórter entender que não é Deus; ser consciente do seu dever, com humildade; e deixar de ser arrogante como se fosse o dono da verdade. O repórter não é juiz para dar veredicto algum dos fatos. A sua função é noticiar e denunciar, sem parcialidade, sem partidarismo.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

CORRUPÇÃO NEGOCIADA

A abertura de uma CPI para apurar os desvios de dinheiro em benefício próprio dos cartões corporativos do governo está sendo negociada entre eles(deputados e senadores governistas e da oposição) para confundir a cabeça do povo. A CPI já começa em pizza e não está nem aí para a opinião pública. É um desrespeito total com o dinheiro público que, segundo os corruptos, não é de ninguém.

A discussão agora gira em torno de quem gastou mais, se FHC, Lula ou José Serra, além do papo furado de que os gastos dos presidentes são sigilosos, coisa de segurança nacional. Ainda não saímos da ditadura militar. Isso tudo cheira com esgoto. Aliás, o Brasil é um esgoto a céu aberto. Não interessa aqui questionar se os desvios foram no governo de FHC ou de Lula. Se fosse um país sério, os culpados seriam severamente punidos, não importando o governo, ou partido.

A corrupção está sendo negociada entre eles, farinha do mesmo saco. É uma forma de enganar a população. No final, se essa CPI vingar, quem roubou dá cobertura ao outro, e tudo fica como dantes na casa de Abrantes. Todos os governos devem ser apurados e condenados pelos seus atos perversos, sem essa de sigilo e de segurança nacional. As trambicagens são tão sujas que as pessoas honestas neste país e que trabalham duro para ganhar seu sustento, sentem-se com vergonha de comentar os fatos.

A mídia, por sua vez, não sai da discussão partidária e apenas divulga a medição de forças entre governistas e oposicionistas, para colocar suas sujeiras debaixo do tapete. Com raras exceções, não temos uma oposição séria, correta, ética e defensora do povo e da justiça social. Por sua vez, nossa esquerda é torta quando se trata de praticar suas teorias. Temos um socialismo vesgo que se refresca no capitalismo, com algumas ações pontuais de assistencialismo e paternalismo.

Nessa questão de corrupção, desonestidade e improbidade administrativa, o cidadão consciente politicamente não deve ter partido. Colocaram a ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, como bode expiatório, e setores da mídia ainda apelaram para o fato de que ela foi condenada por causa da sua cor negra. É por essas e outras discussões desse tipo que as coisas sérias neste Brasil sobre desvios de recursos descambam para a impunidade e o esquecimento, sem contar o comodismo do nosso povo. Quem comete a ilegalidade deve ser punido, não importando a cor ou partido.

Os gastos dos presidentes devem ser transparentes, caso contrário é um atentado à Constituição que já foi toda retalhada. Que democracia é essa onde os familiares dos presidentes podem gastar como quiserem sem prestar contas? O dinheiro é deles ou é do povo? Para não ficar mais irritado, angustiado e depressivo, é melhor não estender a discussão. Que cada um faça sua reflexão revolucionária contra estes absurdos e abusos. É ou não é para se sentir vergonha de ser brasileiro?

sábado, 9 de fevereiro de 2008

CARTÕES DA ESBÓRNIA

Oh triste Brasil! Quão dessemelhante é sua terra! Quão desigual é sua gente, e quanta corrupção para tanta miséria e injustiças sociais. Quanto é baixo o seu nível educacional e como os humanos são tratados nos corredores dos hospitais! Quanto comodismo que não faz mover as pedras com as quais tropeçamos no caminho! Quanto jogo de interesses e como os exploradores subjugam os explorados! Tiram seus escalpos impiedosamente como troféus e depois dançam nus em orgias e bacanais. Oh triste país, sem vergonha na cara!.


Como se não bastassem os escândalos, agora surgem os cartões da esbórnia, da corrupção. Falam de socialismo e justiça para o povo, mas arrancam dele todo sangue que tem. Com esses cartões chamados de corporativos, que deveriam ser utilizados estritamente para serviços ou manutenção de órgãos, pagam padarias, clube de luxo, tapioca, farmácias, consertos de sinucas, maquiagem, cabeleireiro, produtos em free shop, latas de lixo luxuosos de R$990,00, aparelhos de ginástica e outras “coisitas” safadas pessoais.

Em nome do sigilo e da segurança nacional, em 2007 o presidente Lula teve uma despesa no item sigiloso da ordem de R$35 milhões, contra R$25 milhões do ano passado. A Abin-Agência de Inteligência(ou desinteligência) gastou R$11 milhões, contra R$5,5 milhões em 2006. Os familiares do rei compram seus presentes e se esbaldam em luxo e burguesia das melhores que fazem deixar os magnatas com inveja. Depois o presidente Lula vai para o palanque falar em pobreza, de que ele veio do Nordeste num pau-de-arara para São Paulo. Chora e critica os ricos que não querem abrir espaços para se investir no social. Logo depois elogia os ricos pelos seus fabulosos lucros de suas empresas, especialmente do setor bancário. É uma verdadeira palhaçada e aberração.

Ainda sobre os cartões da esbórnia, o ministro do Planejamento vai para a imprensa e diz que vai orientar seus colegas para que não usem os cartões para pagamento de despesas pessoais. Ora! e é preciso fazer esse aviso. No meu conceito, nem seria necessário fazer esse comunicado. Para completar os desmandos, o servidor privilegiado pode fazer saques em dinheiro, sem ser necessário prestar contas no que usou a verba. É demais para um país acostumado com a impunidade e com os constantes desvios de recursos.

Quanto aos tais cartões, o governo declara que é a forma mais transparente e é o melhor processo administrativo. Pois digo que seriam bem implantados na Finlândia, na Dinamarca, na Suécia ou na Noruega onde é baixo o nível de corrupção. Não no Brasil onde está impregnada a cultura da corrupção e do tirar proveito em tudo, mandando o povo às favas. E lá estão dirigentes sindicais com bons cargos no governo e até gente que lutou contra a ditadura de 64. Entre eles, os ditos esquerdistas de merda.

São todos covardes, capitalistas ianques que defendem o socialismo de Cuba, mas fazem o contrário. Não têm o mínimo de solidariedade para com o povo. Usam o dinheiro do contribuinte desvergonhadamente, sem pejo e criminosamente. Para confundir mais ainda a cabeça do povo de escolaridade baixa, os governistas e a oposição inventam de fazer uma CPI para apurar o uso e abuso dos cartões. Por acaso, perguntaram o que é que o povo quer? Não, eles não estão nem aí para a opinião pública.

O pior de tudo isso é que as fracas e pegajosas instituições nem estão aí para o que está acontecendo. Tudo é esbórnia e orgia como no carnaval. Esses usurpadores do poder são as pragas do Brasil, não ainda as enviadas por Deus no Egito para castigar os faraós que insistiam e não deixar o povo de Moisés partir para a terra prometida.

Aqui, as pragas deveriam ser atiradas contra esses corruptos. Essa laia deveria ser exterminada como fazem os países árabes quando pega um traficante de drogas. Eles estão no mesmo nível dos traficantes, ou pior que isso. Pelos menos, esses corruptos dos cartões tiveram e estão tendo chances de sobrevivência na vida.

È muito comum no Brasil considerar como competentes aqueles que usam do mau caratismo, que fazem os jogos sujos das alianças e coligações. Poderia até se dizer que, na maioria das vezes, só o mau caráter, desonesto e sem ética vence. É um absurdo, mas é a realidade, como está defenida nos escândalos como agora dos cartões onde tudo termina em impunidade. Não acredito mais em CPIs. Não acreditamos mais em nada, a não ser na mobilização popular consciente contra esse bando que saqueia o Brasil todos os dias. Quando falo em bando, quero dizer quadrilha mesmo.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

AÇÃO CAUTELAR DA APAE CONTRA VENDA DO TERRENO

Advogada da Apae, Luzia Helena, entra com Ação Cautelar na Justiça para impedir a venda do terreno

A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Vitória da Conquista- Apae, na pessoa do seu presidente Carlos Rezende Santana, acaba de entrar na Justiça com Ação Cautelar contra a transferência do ex-terreno a terceiros, que foi vendido irregularmente em fevereiro de 1999 pela diretoria daquela época. A medida foi protocolada ao juiz da 2ª Vara Civil da Comarca de Vitória da Conquista pela advogada da instituição, Luzia Helena dos Anjos que, após uma série de argumentos, pede a indisponibilidade do terreno até o final da sentença com o julgamento do processo, para prevenir futura indenização por ato ilícito.



A Ação Cautelar da advogada requer ainda à Justiça que sejam expedidos os editais, com inteiro teor da presente petição, para conhecimento de terceiros a respeito da indisponibilidade do referido imóvel, os quais deverão ser publicados no Diário da Justiça e nos jornais de circulação. A propriedade está situada na avenida Juraci Magalhães, estrada que liga Conquista a Itambé, como uma área de 27.093 metros quadrados, e foi negociada de forma irregular pela diretoria da Apae em 1999. Na época, há nove anos, o Ministério Público questionou a transação, mas em 2005 a juíza da 2ª Vara Civil deferiu o pedido de disponibilidade do terreno.



O processo, uma farta documentação de 13 pesados volumes, ainda se encontra em andamento, visto que a Ação Principal ainda não foi julgada, “inclusive alguns envolvidos nem sequer foram ouvidos”. O imóvel foi cedido pela Prefeitura Municipal, no governo de Raul Ferraz, para o Serrano Tênis Clube que, por sua vez, doou legalmente à Apae, conforme registro de no R1/22089. Através da medida cautelar, a advogada lança forte protesto, defendendo o direito da Apae de proteger seu patrimônio, e requer liminar da Justiça contra a transferência indevida do imóvel para terceiros.

AS IRREGULARIDADES

Foto dos 13 volumes do processo do terreno da Apae


Em 22 de fevereiro de 1999, a presidente da Apae, Jandira Braga Rodrigues Velloso, com a conivência da diretoria, vendeu o terreno da instituição para a JMC-Indústria e Comércio de Artefatos de Metais Ltda(METALTEC), sem a devida convocação da Assembléia Geral como reza o Estatuto da entidade. O imóvel foi comercializado por R$50.000,00, divididos em 10 parcelas de R$5.000,00(nem todas foram pagas) quando o mercado imobiliário avaliou em R$150.000,00. Mais tarde, a JMC passou a propriedade para o sr. Antônio Romário Aguiar dos Santos.





A venda à JMC foi considerada irregular pela promotora estadual Joseane Suzart Lopes da Silva, que instaurou, em 21 de junho de 1999, Ação Civil Pública de responsabilidade por atos de improbidade administrativa praticados contra o patrimônio da Apae. No processo, o Ministério Público autoriza a instauração de procedimento administrativo para apurar as irregularidades, em especial quanto à venda do terreno. Foram envolvidos, entre outros, a diretora da Apae, Maria do Carmo Suzart Thomaz e seu esposo Antônio Alexandre Thomaz que, por coincidência, fazia parte do grupo METALTEC.





Em fevereiro de 2004, o promotor Marcelo Pinto de Araújo entrou com uma Ação na Justiça, pedindo a anulação da negociação e a indisponibilidade do imóvel no Cartório. No outro dia, ou seja, 12 de fevereiro de 2004, a juíza da 2ª Vara deferiu o pedido, impedindo a venda do imóvel ou outro qualquer tipo de transação. Só que em 2005, no processo ajuizado pelo sr. Antônio Romário, já de posse do imóvel, a mesma juíza colocou o terreno em disponibilidade, ou seja, dando o direito de vender os lotes.





Depois da JMC, o sr. Antônio Romário vendeu a propriedade, no final do ano passado, para o sr. Ismael Ferreira Silva. A advogada Luzia Helena argumenta que o negócio não podia ter sido feito porque o imóvel encontra-se sub-judice desde 1999, conforme documentos comprobatórios. Portanto, a Ação atual requer que a Justiça decrete a indisponibilidade do terreno junto ao Cartório de Registro de Imóveis e Hipotecas sob registro de número R1-2089, vendido a JMC, representada pelo sr. Galmar Souza de Oliveira.

TRANSGRESSÃO ESTATUTÁRIA

Advogada da Apae, Luzia Helena dos Anjos e os processos do terreno


De acordo com a ata de reunião da diretoria da Apae, de 12 de fevereiro de 1999, a venda do terreno sub-judice deu-se com autorização dos membros integrantes da executiva e do Conselho Deliberativo. Acontece que o artigo 11, alínea “d” do Estatuto da Apae determina que compete à Assembléia Geral autorizar a aquisição e a alienação de imóveis. Mais uma vez, a advogada argumenta que houve transgressão das normas estatutárias, visto que o órgão competente para concretizar a venda seria a Assembléia Geral. “Todos tinham ciência da impossibilidade de vender ou adquirir qualquer patrimônio da instituição”.





O que mais chamou a atenção dessas irregularidades, segundo a advogada, foi que não houve a participação de nenhum sócio da entidade. Portanto, ela reforça que o grupo envolvido incidiu em grave e flagrante violação do Estatuto, sendo a negociação desprovida de validade, e que o ato denota improbidade administrativa. Além desse caráter irregular, a empresa Bira Imóveis, na época, avaliou o terreno em R$150.000,00 quando foi negociado por R$50.000,00. Ocorre que na escritura de compra e venda, a Prefeitura Municipal de Conquista avaliou a mesma propriedade em R$243.837,00. O seu valor atual está estimado entre R$500 a R$800 mil.





Na transação da JMC para o sr. Antônio Romário que, por sua vez, passou para o sr. Ismael Ferreira Santos, a maior surpresa é que o documento expedido pelo Cartório do 1º Ofício de Registro de Imóveis e Hipotecas consta que o imóvel não se encontra no nome do sr. Antônio Romário e sim na quarta pessoa da sra Marli Soares Carvalho, que adquiriu o bem por R$96.811,00. O documento está lavrado no Tabelião do 3º Ofício de Notas, de 8 de fevereiro de 2007. Essa pessoa é desconhecida nos autos do processo do Ministério Público. O estranho nisso tudo é que o sr. Antônio Romário está alienando o terreno ao sr. Ismael Ferreira.





Diante de tantas irregularidades, a advogada diz que está clara a situação de prejuízo para a Apae. Porém, “se não tivesse sido cancelado em Cartório a indisponibilidade do imóvel em litígio por ordem judicial, estaria o processo aguardando sentença e demais recursos jurídicos cabíveis, sem tantos danos”. Para ela, chega a ser patético e absurdo tal situação com uma entidade filantrópica que luta com dificuldades para oferecer aos excepcionais uma oportunidade de uma vida digna que todo ser humano merece.

GERAÇÃO COPIAR

Um estudo britânico mostra uma triste realidade, mas que não surpreende pelo andar da carruagem dos últimos anos, inclusive no Brasil onde nossos jovens se perdem no comodismo das ondas eletrônicas e se distanciam do universo da pesquisa e na leitura dos livros. Como a internet já dá tudo pronto, é só copiar, sem o esforço da interpretação. De acordo com a pesquisa britânica, 93% dos jovens se satisfazem com os resultados da ferramenta de busca dos sites. Como eles começam sempre pela ferramenta de busca, 89% não sabem interpretar os fatos porque se contentam apenas com uma fonte.

A constatação do estudo é de que falta espírito crítico na geração pós-Google. Mesmo com a internet á mão, a qualidade da informação adquirida pelos jovens não melhorou. Pelo contrário, eles preferem dar uma olhada num site, em vez de ler o texto com o olho da crítica. Como o site dá tudo pronto, os estudantes, de um modo geral, entregam suas pesquisas na última hora e não se preocupam em entender o que está contida nelas. Com as facilidades oferecidas, tem muita gente que compra monografias e teses de mestrado exigidas pelas universidades para a conclusão dos cursos. O saber virou uma mercadoria para adquirir títulos.

Sobre o assunto, vários educadores dão suas opiniões e acham que esse comportamento existe por aqui também no Brasil, mais comum na rede pública. Entendo que não faz diferença entre rede pública e privada. A recomendação de outros especialistas é que os professores exijam dos alunos a bibliografia eletrônica de onde foi tirado um determinado trabalho. Entre as análises, uma delas está de que a sensação de que os dados para um trabalho serão facilmente encontrados, aguça a velha mania de fazer tudo em cima da hora. Tem professor que insiste na busca de sites confiáveis, não procurando apenas informações superficiais, mas a maioria não faz isso.

De acordo com um estudioso do assunto, para adquirir espírito crítico e depurar a informação, o aconselhável é praticar muito. O professor precisa se conscientizar de que seu papel deve ir além da falação nas salas de aulas. Muitos não gostam de ensinar e nem estão aí para estimular os estudantes, nem tampouco criticar seus trabalhos. Segundo um professor, existe hoje uma superficialidade muito grande, não só no meio eletrônico. A maioria copia e poucos se aprofundam no tema. Diante disso, não estamos formando cidadãos autônomos com senso crítico. Desapareceu o hábito da leitura. O reflexo está na baixa conscientização política e social.

E, por falar em leitura, o Brasil tem hoje 2.767 livrarias, numa proporção de 70 mil leitores para cada livraria. Nos Estados Unidos, cuja população está sendo atraída mais pelos computadores quando vão a uma biblioteca, a relação é de 15 mil habitantes por uma livraria, sendo o melhor índice do mundo. Para a UNESCO, o ideal é dez mil habitantes por livraria.

Sobre esta questão, ainda temos números piores. Em 2006, o Brasil editou 22 mil livros, contra 500 mil nos EUA. Temos um problema de escoamento das edições. No ano passado foram comercializados no país, 310 milhões de livros dos quais 185 milhões comprados pelo governo. Não basta informatizar as bibliotecas, o governo e a sociedade têm que criar um espírito de cultura livresca. Ocorre, que esse objetivo está sendo dificultado pelos meios audiovisuais (TV, computador e internet). Por não ser mais o único veículo transmissor de cultura, as pessoas preferem ler televisão que um livro.

Para disseminar a cultura, a Fundação Biblioteca Nacional está pegando a carona no avanço das novas tecnologias, como a internet, e está aderindo ao projeto Biblioteca Digital Mundial, tanto que já enviou milhares de mapas e documentos para o banco de dados mundial. Mas, a primeira biblioteca da América Latina e a oitava maior do mundo está preocupada também em criar novas bibliotecas no país, ofertando computadores e livros. Em 2007 a Fundação inaugurou 404 bibliotecas municipais, e mais 300 estão sendo encaminhadas com um kit de dois mil livros, estandes, computadores, CD players e softwares para catalogação das obras. Uma pena que ainda nossos governantes e prefeitos não tomaram consciência da importância e da prioridade absoluta da educação e da cultura para o desenvolvimento de um país. O negócio deles ainda é calçar ruas e fazer ponte quando não passa a mão no dinheiro do povo.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

CARNAVAL E PROIBIÇÃO ALCOÓLICA

Saudades dos tempos quando todos participavam e brincavam alegremente soltos com os amigos da Praça da Sé ao Campo Grande. Na descida ou na subida, uma parada estratégica na Praça Castro Alves para reverenciar o poeta que tanto clamou e protestou contra as desigualdades sociais; e amou suas musas inspiradoras. Bons tempos quando se podia sair atrás do Trio Elétrico Dodô e Osmar; comer um mingau na barraca de Vavá; e ver as bandas passarem. No fim da noite, lá pela madrugada, você se sentia ter participado por inteiro da festa, sem ser espremido pelos cordeiros dos blocos e empurrado para fora do circuito como um cão fedorento.

Hoje, a festa é para poucos, pois a insegurança é imensa e só ficamos à vontade dentro de um bloco. É a expressão, como de tantos outras, de um internauta para o jornal A Tarde. Este internauta é do Ceará e disse ser frustrante ter saído de tão longe para ficar preso dentro de um bloco. E tem gente que acha que carnaval de Salvador é pura magia, resume outro. “Só se for do alto dos trios e dos camarotes, porque no solo há muita miséria, desigualdade e falta de educação”, responde outro leitor. Para o internauta: a massa continua entre as cordas, onde a elite desfila sem ser incomodada. Outros falam da falta de higiene, e da cultura e tradição, esquecidos pelos organizadores e as autoridades competentes.

É lamentável tudo isso que está e vem ocorrendo, mas a mídia abre a boca para dizer que o Carnaval de Salvador é o maior e o melhor do planeta. Só se for para os mesmos magnatas da burguesia que por ironia ganham os tubos em dinheiro com uma festa mantida pelo povo contribuinte. É isso mesmo, os governos estadual e municipal(nosso dinheiro) investiram mais de R$50 milhões para deixar o povo de fora e ser escrava deles, como os cordeiros que protegem os ricos. A realidade é revoltante e merece muita repulsa.

O meu amigo e colega jornalista Emiliano José reconhece que o carnaval está subordinado à lógica da mercadoria dentro dessa evolução do capitalismo brasileiro. O carnaval transformou-se num vultoso negócio, movimentando quase um bilhão de reais. Para Emiliano, é uma constatação catastrófica, esse modelo de privilegiar o negócio, conferindo às empresas o papel fundamental. Reconhece que o modelo marginaliza a maior parte da população, e enfoca a questão do racismo. Não vejo por este lado racista, tendo em vista que são os pobres em geral que ficam do lado de fora das cordas, ou seja, negros, mestiços e brancos. Não estou vendo avanços como afirma Emiliano, ao apontar as condições de trabalho dos cordeiros que melhoraram. Isso não significa praticamente nada diante de um mar de discriminação e concentração de rendas. Essa lógica fria do mercado é que tem que ser mudada, e conferir espaços aos foliões que não podem entrar nos blocos, Aliás, tem que acabar com as cordas que funcionam como muralhas do apartheid. As ruas têm que ser do povo como o céu é do avião, como já pronunciou o poeta.


PROIBIÇÃO ALCOÓLICA


Outra coisa séria é a violência no trânsito. Aproveitando o período carnavalesco, o governo federal baixou uma séria de medidas, dentre elas a proibição da venda de bebidas alcoólicas na beira das estradas, bem como a redução de 0,6 para 0,3 grama do nível do álcool no sangue do motorista. No pacote está também contido o aumento do valor das multas, passando as infrações de médias para graves, e assim por diante.

Primeiro, a proibição da venda de bebidas alcoólicas nas estradas é inócua, paliativa, e não evita que o indivíduo entre na cidade e tome umas e outras. Fosse assim, os usuários de drogas já teriam deixado de ser consumistas. Proibição não resolve o problema. Só penaliza os donos de bares e restaurantes. Não é por aí.

Bem ridícula ainda é a redução do nível alcoólico. Muita gente que bebe, nem dá conta disso. A questão maior no Brasil é a impunidade. Como sempre, os infratores endinheirados apelam na Justiça e ficam livres das punições. O que tem que acabar no Brasil é a impunidade e se criar leis sem atalhos para os poderosos do dinheiro que constituem advogados, pagam as multas e saem dando risadas.

O governo proíbe bebidas alcoólicas nas estradas, mas entra em contradição quando se acovarda em não proibir as propagandas luxuosas de mulheres saradas, anunciando cervejas. O sexo feminino se tornou objeto de incentivo para que as pessoas, especialmente os jovens, encham a cara nas mesas dos bares. Mas, aí entram a mídia, as empresas de propagandas, as indústrias fabricantes e o governo que não querem perder seus polpudos faturamentos. Nesse país, de forma imediata, mais agressiva e hedionda, o álcool mata mais que o cigarro. No entanto, souberam proibir a propaganda de cigarro, e continuam perseguindo os fumantes, mais parecendo com a inquisição da Igreja na idade média. O Brasil, na verdade, é uma fonte de contradições sem fim onde nunca se chega ao fundo do poço.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

MAIS OUTRO EQUÍVOCO

Depois da ministra Matilde Ribeiro, agora é o ministro dos Esportes(não sei para que esse ministério), Orlando Silva(nome de cantor) dizer que se equivocou ao usar indevidamente o cartão corporativo do governo, ou nosso, do povo, e anunciou que vai devolver R$30 mil. Ele usou o cartão numa tapiocaria em Brasília e afirmou que confundiu o cartão corporativo com o pessoal por serem dourados. É mais uma que não dá para engolir.

Em entrevista à imprensa, Orlando Silva entra em contradição quando diz que se equivocou e, mais adiante, assegura estar convicto de que tudo foi totalmente legal. Ora, se foi legal, por que, então, devolver R$30 mil? Como a sua colega da Igualdade Racial, condena a imprensa, achando que ela deve ser mais racional. Por racional, ele entende não divulgar os fatos de desvios de recursos para a população. É sempre assim, todos eles culpam a imprensa pelas mazelas praticadas contra o povo.

Mas, não é somente os dois ministros que têm muito a explicar sobre o uso e abuso dos cartões corporativos. O da Pesca e o dos Portos(outros ministérios desnecessários) também estão encrencados. O Hélio Costa, das Comunicações, diante das repercussões, já disse que não vai usar o cartão, a não ser em casos excepcionais.

Dinheiro na mão é uma tentação. Paulinho da Viola canta que “Dinheiro na mão é vendaval”. Como o cartão é dinheiro e objeto de consumismo do capitalismo desvairado, esse pessoal não consegue fugir do pecado e esquece que está lidando com recursos públicos. Fazem como o safado corrupto que declarou que dinheiro público não é de ninguém.

Agora que é carnaval das elites e da burguesia, o risco é ainda maior desse pessoal sair por aí esbanjando o cartão nos camarotes e nos hotéis, com mulheres e bebidas. Depois é só dizer que tudo não passou de um engano, já que estavam com umas doses a mais na cabeça e confundiram os cartões. Se fosse mesmo um país sério onde os governantes respeitassem a coisa pública, a questão seria mais investigada, e os culpados seriam punidos, não só com perdas de cargos, mas também com cadeia. No entanto, é só colocar alguém como bode expiatório, no caso a ministra Matilde Ribeiro, e tudo se esquece. Logo, logo, não se fala mais nisso, como todos outros escândalos.

O que mais causa indignação de tudo que está acontecendo na esfera das corrupções e dos desvios de recursos, é que esses atos estão ocorrendo justamente num Governo dito de esquerda que pregou durante anos muita lisura e ética. Foi só galgar o poder e tudo caiu como um castelo de areia. A culpa de tudo isso está nas alianças e coligações esdrúxulas que o Governo fez, colocando gente da direita conservadora da pior espécie no comando de cargos importantes(não é o caso específico dos ministros dos Espores e da Igualdade Racial).

O exemplo maior e mais recente das alianças com o diabo está na escolha do Edison Lobão para o ministério das Minas e Energia, só para satisfazer o cacique e coronel do Maranhão, José Sarney, sem contar o corrupto do Jader Barbalho que já meteu a mão num lote da pasta.

Quando a esquerda falou sinceramente ao seu povo, mais distante de suas mãos ficou o poder. Então ela procurou o atalho do discurso da direita, com apelo modernizante, para mais rápido alcançar o poder. Depois da crise com a perda das eleições de 1998, passou a aceitar receitas universais, para avançar. Essa esquerda entendeu que a única forma para ganhar seria virar-se pelo avesso diante do eleitorado e aderir ao catecismo burguês. E foi exatamente isso que aconteceu e continua acontecendo com as adesões absurdas e as escolhas de gente que só fizeram explorar o povo.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

NÃO DÁ PARA ENGOLIR

Certa vez, o escritor, educador e professor Darcy Ribeiro disse que na América Latina só havia dois destinos: ser resignado ou ser indignado. No Brasil, o povo continua mais resignado que indignado, isto se levarmos em conta a indolência das instituições em se manifestarem contra os absurdos. Estava demorando para aparecer outro escândalo sob a autoria da “esquerda” que prega o socialismo e a igualdade(só na teoria).

A ministra da Promoção da Igualdade Racial(mais uma pasta pomposa, sem sentido), Matilde Ribeiro, usou e abusou dos tais cartões corporativos do Governo, ou melhor, do povo, e depois saiu com a desculpa esfarrapada de que se enganou, e que tudo não passou de um erro administrativo. Será que dá para engolir mais essa?

Só no ano passado, ela gastou R$171,000,00, boa parte com a locação de carros(para seus passeios pessoais) e, como se não bastasse, usou o tal cartão durante suas férias. Será que ela não sabia que a pessoa em férias está fora de serviço e, como tal, não pode gastar o dinheiro do contribuinte?

No setor privado, quando o funcionário está de férias, não usa nada da empresa. Pois é, mas a ministra, em poucos dias de férias usou mais de R$3.000,00 do cartão corporativo, inclusive num free shoop, fazendo compras. Depois de tudo ainda vem com essa de que foi um erro dos funcionários. Ela deve ter ouvido aquele papo do cara fraudador que disse que o dinheiro público não é de ninguém.

Depois que o presidente Lula foi obrigado a pedir sua saída, vem o movimento negro com a conversa de que a mídia deu um tratamento diferenciado à ministra porque ela é negra. É muito perigoso o que está acontecendo no Brasil com essa visão mesquinha e raivosa, se levando tudo para o lado racista. Está se criando uma “indústria do racismo”.

Se uma pessoa negra comete um ato de corrupção, ou um movimento pratica irregularidades, e se denuncia, aí quem fez a acusação é logo taxado de racista. Não se pode mais nem pensar. Na visão tacanha de muitos, para ser racista, basta ser contrário a cota para negros nas universidades. Sou contra e tenho meus argumentos. Tenho o direito de pensar.

Os propósitos de muitos movimentos, como eles são colocados, estão promovendo divisão racial entre negros e brancos. Ora, todos nós somos mestiços. O discurso está deixando de fora os morenos e pardos. Não tem sentido a criação de um ministério da Igualdade Racial, a não ser para fazer demagogia com o povo, gastando desnecessariamente o dinheiro do contribuinte. É uma pasta sem função.

Devemos é lutar para acabar com a escravidão social que é imposta pelo capitalismo selvagem e consumista, que só visa lucros. No carnaval, por exemplo, quem fica arrastando sandália no asfalto, aplaudindo os ricos burgueses, são os pobres, brancos e negros. Em vez de tentar dividir com essa pecha de que tudo é racismo, a classe pobre deve é unir forças para combater a exploração e a corrupção.

Os movimentos estão entrando na onda propagandista de uma mídia falsa que se diz defensora da igualdade racial e coloca mais lenha na fogueira. A grande mídia está querendo mesmo é usar os negros em benefício próprio. Ela visa seus interesses para apenas angariar simpatia. Essa mídia que aí está é toda burguesa que faz o jogo do capitalismo imperialista.

Um exemplo claro é a propaganda negativa que muitos veículos de comunicação, inclusive a Rede Globo, fazem sobre Cuba. O povo de lá é mestiço e pobre que não consegue viver com toda dignidade possível por causa das botinas do imperialismo ianque, há 47 anos de bloqueio e pressão. No entanto, com raras exceções, vemos essa grande imprensa fazendo o jogo dos Estados Unidos contra o povo cubano.

No Brasil, o mais vergonhoso e decepcionante é que as pessoas que vieram de baixo e sempre se intitularam de esquerda-socialista, dão péssimo exemplo. Muitos viraram as costa para a honestidade, a coerência e a ética depois que ganharam gabinetes de ar condicionado, ocupando cargos de altos salários. Ficam lá no Planalto falando que se preocupam com o povo, mas, na verdade, estão é defendendo egoisticamente seus interesses particulares. Cometem o pecado da luxúria.

Deixaram ser engolidos pela vaidade do poder e depois saem por aí dizendo que foi engano. Como os da direita, passaram a subestimar a compreensão dos que estão do lado de cá. Como os da direita conservadora, não estão nem aí para o que pensa a opinião pública. Deixaram ser tragados pelo papo modernizante da direita capitalista. Não resistiram aos atrativos petitosos do sistema cavernoso.