segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

ATRELADOS AO PODER

Final de ano nas ruas mais parece uma “operação de guerra” onde todos correm apressados para comprar e armazenar diante de uma previsível catástrofe de escassez de produtos. Mas, calma, não é nada disso. É apenas o Natal onde o “Papai Noel” roubou a cena do Menino Jesus. Esse só se vê escondido em presépios nas igrejas e algumas casas mais católicas.

Não quero ser “espírito de porco” e melar as festas. A economia vai bem e pode-se comprar até um carro, ou fazer uma farrinha no final de semana. Por que se indignar com a cruel situação na saúde? Uma mulher chora sua dor na televisão porque seu marido teve um enfarto na frente de um hospital e não foi socorrido a tempo de salvar sua vida.

Nos corredores sujos dos hospitais, ratos e baratas passeiam enquanto se faz um parto ou se dá um socorro a um paciente com quadro clínico precário. Posso estar sendo mórbido nesse período natalino e de Ano Novo, mas é a pura verdade. É isso aí, os ricos e poderosos vão para o Sírio Libanês. Já os pobres mortais não sabem qual destino. Sou mesmo atrevido.

Todas às vezes na história do Brasil que o aparelho sindical se atrelou ao Governo, a sociedade ficou marginalizada sem forças para reivindicar seus direitos constitucionais. Aí, aumentou o aparato das injustiças perpetradas pela burguesia e pela elite reacionária. Estão todos atrelados aos cargos e às benesses do poder.

O que temos hoje no proletariado (não se pronuncia mais esse termo, mas trabalhador ou colaborador) são meras reivindicações econômicas dentro da luta política. As categorias mais fracas (caso do fechamento das fábricas da Azaléia/Vulcabrás em Itapetinga) estão abandonadas. No avanço do capitalismo, os sindicatos ficaram no meio do caminho.

Em 1963 a POLOP (Política Operária) criticava, em seu segundo Congresso, o domínio dos sindicatos pelo Ministério do Trabalho; pedia a abolição do Fundo Sindical; e fim do reconhecimento e dissolução das entidades proletárias pelo Ministério.

A luta era pela formação de sindicatos independentes. No entanto, até hoje continuam amarrados ao MT, mesmo depois da ditadura militar. Hoje as centrais, como o “Paulinho da Força Sindical” consentem essa dependência facciosa ao capital e até brigam ferozmente pela fatia no bolo do Imposto Único e Obrigatório.

É por essas e outras que propagam por aí que a idéias de Marx estão desatualizadas e velhas. Não se fala mais nisso. Dizem que as coisas mudaram, e ficam por aí. É mais cômodo ser atrelado ao poder, e o coletivo que se dane. Quem não se deixa cooptar pela mediocridade é execrado. Isso acontece hoje em todos os meios, inclusive na arte e na cultura. De olho nos cargos vendem até a alma, preferindo a mediocridade ao talento.

O Jader Barbalho, o ficha suja, volta ao Senado e é recebido em seu estado, no Pará, com confetes e muita festa por uma multidão. Do Conselho Nacional de Justiça tira-se todo poder de investigar e punir os magistrados bandidos escondidos atrás das togas. As ouvidorias corporativistas vão fazer esse papel. Acredite se quiser.

Se o Brasil fosse um país sério e o sistema político não estivesse falido, seria exigida conduta ilibada para se exercer um cargo público, principalmente de ministro, não importando se sua traquinagem e trambicagem foram praticadas no setor privado antes de assumir sua função.

A educação é calça curta, mas assim é bom porque os políticos sempre vão estar livres das cabeças pensantes para se indignarem com os malfeitos e com a corrupção. É por isso que sempre ouço por aí que as coisas estão melhorando. É só fazer algumas políticas pontuais de inclusão social e tudo fica atrelado. Nada a reclamar. Somos mesmo pobres de espírito. Contentamos-nos com o pouco quando merecemos muito mais respeito.

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