terça-feira, 28 de agosto de 2007

UM ESPÍRITO FECHADO


Nas décadas de 70 e 80 quando ainda se dava mais valor á cultura e se lia livros de bons autores, Vitória da Conquista chegou a ter seis cinemas. Mas, os tempos foram mudando e se passou a ler mais televisão, internet e vídeos de DVD. As cabeças ficaram menos pensantes e os valores passaram a ser outros de cunho material, como a aparência e a cultura da estética do corpo. As artes foram cedendo lugar e o cinema foi uma das vítimas assassinadas pelo nosso desprezo e indiferença. Conquista já teve os cines Ritz, Glória, Conquista, Eldorado, Riviera, Trianon e, por último, o Madrigal, cuja chama se apagou no final do ano passado e não mais voltou. O Glória é hoje a Igreja Universal, O Eldorado funcionava na Presidente Dutra, O Ritz é a Rádio Clube, O Conquista e Riviera, loja Insinuante, o Trianon ficava na Feirinha e hoje é a Universal. Alguém diria que os tempos mudaram. Coisas da tecnologia e da modernização. Só que em nome do progresso, nossa cultura vem sendo abatida e os pontos fechados sem o renascimento de outras expressões linguísticas em seu lugar.

O Cine Madrigal fechou em 2005, mas o Ferreira que cuidava dele com muita estima e luta, conseguiu reabrí-lo. Poucos estiveram ao seu lado. Cerca de dois anos depois, o Cine fechou definitivamente. O Ferreira foi o "último dos moicanos", mas foi vencido. Contra o fechamento, poucas manifestações de protesto. Uma delas foi do ator Gildásio Leite, como flagrou a lente do fotógrafo José Carlos D´Almeida. Por ironia, o último filme a passar foi "Corpo Fechado". Foi fechado também um espírito que respirava arte e cultura. Na época, há sete ou oito meses, representantes da comunidade, entidades e instituições chegaram a opinar que dalí ressurgiria um centro cultural para a prática de teatro, dança e shows musicais. E olha que a cidade de quase 300 mil habitantes tem uma universidade estadual e mais três faculdades particulares. É considerada pólo comercial, educacional e de saúde da região.

Até agora nada aconteceu e o Cine Madrigal continua fechado. Não se sabe que fim levarão suas instalações e equipamentos. Os comerciantes daquele quarteirão entre as ruas Ernesto Dantas e Sete de Setembro, como Edmundo Quadros, da Edpeças, lamentam a situação com a queda do movimento e perda da valorização da área. As pessoas nem comentam mais sobre o assunto e não se cobra uma solução com relação às propostas feitas quando do fechamento do cinema. Como consolo, o shopping Conquista Sul abriu sua sala de cinema que é pouco frequentado por falta de divulgação dos filmes, sem contar a distância.

Mas, não foi só o fechamento do Cine Madrigal que abalou o centro comercial. O episódio agravou um quadro de decadência que já vem se arrastando com a falta de revitalização do Teatro Carlos Jeovah, do Mercado de Artesanato e outros equipamentos daquela área. Quem visita o local em torno do Teatro, a impressão que se tem é de uma favela com barracas em estado deplorável. A imagem não é nada boa para a uma cidade como Conquista, especialmente para o visitante de fora.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

SAUDADES DAQUELE TEMPO

Vendo as redações dos grandes jornais de hoje, todo limpinho e sem aquela características "zueira" e brincadeiras entre colegas, mais parecendo escritórios de empresas, agências bancárias ou coisa semelhante, sinto saudades daquele tempo do téc-téc-téc-téc da máquina de escrever e o retorno do cilindro no final da margem direita do papel. Quando o lead não se encaixava, se arrancava com força e raiva a lauda da máquina e amassava bem amassado o papel na mão. Depois, era só jogar o papel amassado na cesta de lixo e se começava tudo de novo. Muitos engraçadinhos jogavam aquele bolo amassado na cabeça do colega e lá ficava a sujeira na redação. E ainda tinha aquele perturbado que fazia rolar o cilindro, tirando o papel da margem. No fim de cada turno, lá vinha o boy, ou a fachineira para fazer a limpeza. Logo, logo, estava tudo sujo novamente. E as brincadeiras de se colar frases escritas num pedaço de papel nas costas dos outros? E aquela mania de fazer esporas de papel e pregar com durex atrás dos sapatos dos colegas e até de visitas ilustres quando davam entrevistas? Nem o diretor e o redator-chefe escapavam. Lembro de uma vez que desfilei na chique Rua Chile de esporas. Era aquela gozação e só se descobria quando um chamava o outro de vaqueiro, ou fazendeiro.
Ainda se respirava um jornalismo romântico, e depois de fechar as páginas, íamos para o botequim mais próximo falar de política, cultura, economia e fofocas. Noites memoráveis e etílicas aquelas. Hoje, temos redações comportadas com ar de escritórios movidos a uma tecnologia informatizada e fria. Os colegas pouco se falam e até o foca(repórter iniciante) passa despercebido dos trotes, como o de levar um bilhete para o chefe do setor industrial, mandando que lhe entregasse a calandra ou rotativa, maquina pesada de muitas toneladas. O chefe olhava, ria e apontava a máquina para o foca, mandando que ele a levasse.
A impressão era que o jornalismo tinha mais calor humano e se fazia um trabalho com mais tesão, nem tanto maquinal com agora. Repórter hoje passa o tempo fuçando a internet e, muitas vezes, faz a matéria da redação mesmo. Não se presta mais a "arregaçar as mangas" e colocar os pés na rua, ou ir até o local da sua fonte onde está a matéria-prima da notícia. Saudades daquele tempo das redações com cara de jornalistas.

AS RIQUEZAS DO SUDOESTE

O Brasil está entre os maiores exportadores de mármore e granito do mundo, ficando atrás apenas da Espanha e África do Sul. O mercado nessa área movimenta mais de três bilhões de dólares por ano(cerca de 800 milhões só no comércio de blocos). No Brasil existem mais de 200 empresas ligadas a mármore e granito, distribuídas em 12 estados, a maioria no Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo e Minas Gerais. De acordo com o geofísico Rui Bruno Bacelar, as regiões sul e sudoeste da Bahia são bastante ricas em mármore e granito, com centenas de jazidas de todas as cores, desde o granito Azul Bahia que é um dos mais raros e caros, até os mais comuns e comerciais.
Rui Bacelar revela que a Bahia é o único lugar do mundo onde o granito Azul Bahia é encontrado. Portanto, não há concorrentes internacionais. O mineral está presente principalmente no sul do Estado em intrusões alcalinas. Salvador Brito, explica que o granito Azul Bahia é um dos principais produtos de sua pedreira em Potiraguá. O Granito preto é outra variedade rara encontrada na Bahia, e aparece também nos estados de Espírito Santo e Minas Gerais. O metro cúbico custa acima de 500 dólares.
É provável que hoje existam mais de 20 mil requerimentos junto ao governo do Estado, para a exploração de granito. Bacelar acredita em boas perspectivas para a mineração. “É um mercado que vem crescendo anualmente de maneira extraordinária”. O preço do produto no mercado internacional está estipulado entre 100 e 200 dólares por metro cúbico(blocos de melhor qualidade). O geofísico explica que os custos de produção variam de acordo com as dificuldades operacionais, como o transporte dos pesados blocos nas estradas brasileiras.
Na sua avaliação, há grandes oportunidades de gerar progresso, renda e emprego através da mineração. No sudoeste existem grandes jazidas em Itarantim, Macaraní, Potiraguá, Bom Jesus da Lapa e Guanambi. “A exploração de pedras ornamentais pode substituir a agricultura que fracassou em muitos casos. Fala-se muito na implantação de eucaliptos, mas pouco sobre mineração, que está muito mais ao nosso alcance e traria resultados mais imediatos”. Ele diz que falta uma política local e estadual de incentivo para esse tipo de atividade. “O mercado de pedras ornamentais é uma grande opção para o sudoeste da Bahia”, conclui.
Os bancos não oferecem financiamento para atividades de mineração. Salvador Brito acredita que o granito e o mármore ainda são pouco explorados na região sudoeste, apesar de extrair 300 m³ por mês, o equivalente a mil toneladas. Na Bahia existem poucas indústrias de beneficiamento de mármore e granito. As mais próximas da região sudoeste estão em Teixeira de Freitas e Feira de Santana.
O mercado internacional de granito é amplamente dominado pela Itália, tanto em volume de produção como em comercialização e status. Porém, a Itália não possui grandes jazidas. É uma importadora que beneficia o produto bruto e exporta o acabado. Hoje, a China é o principal comprador das pedras brasileiras. Espanha e Itália também estão entre os mais importantes compradores de blocos, ao lado dos Estados Unidos que só compram o produto em chapas.
O Brasil ainda está atrasado na produção de produtos acabados e em questões tecnológicas. Os grandes problemas enfrentados pelos brasileiros são, a defasagem tecnológica e falta de capacidade de gerenciamento. A maior parte dos teares são antigos e tem baixa capacidade de produção.

domingo, 26 de agosto de 2007

O CINZENTO DA SECA







O verde, o amarelo, o vermelho e até o lilás, com cores vivas da caatinga na época das trovoadas de verão, deram lugar ao cinzento da seca no sertão do nosso sudoeste que mais uma vez sofre com a estiagem e pede socorro. No quadro do pintor da natureza, só algumas pinceladas de verde dos cactos e mandacarus entre árvores retorcidas. Em algum lugar, a fumaça das queimadas, cujo fogo lambe e engole a capoeira seca, aumentando mais ainda o calor. No final da tarde, depois de tocar o gado para beber num poço sujo de lama, o sertanejo reúne seus cabritos e olha no horizonte limpo o pôr-do-sol com ar desesperançoso. Nenhum sinal de água do céu para molhar a terra. Começa a matutar e amadurecer as idéias de que tem que partir para bem distante a procura de trabalho para sustentar a família. Sobre as promessas de melhora dos governantes, aponta com o braço estendido de que os políticos só aparecem nas épocas de eleições. Diz ainda que seu compadre vizinho se foi depois de ter perdido a lavoura e o rebanho. Era seu único cabedal. O homem que ainda ficou, possui umas rezes magras, um facão para cortar os galhos secos e um bornal quase vazio. No rancho, uma mulher e muitos filhos para dar de comer. Ele não recebe a cesta básica e afirma que não é disso que precisa, mas de um programa do governo que faça com que ele possa conviver e sobreviver no semi-árido, com água para matar a sede, dar aos animais e plantar suas lavouras.






Passa ano e entra e ano, e a cena se repete no sertão do sudoeste e em todo semi-árido baiano que ocupa mais de 60% do território do nosso Estado. Nas minhas recentes viagens, vi mais uma vez, a cara da seca nos municípios de Anagé, Brumado, Tanhaçu, Ituaçu, Malhada de Pedras, na região de Belo Campo, Igaporã e no norte da Bahia, entre Senhor do Bonfim e Juazeiro. De tanto serem castigadas pela falta de chuvas, pelos desmatamentos, queimadas e pela extração de carvão para sustentar as siderúrgicas de Minas Gerais, as terras estão ficando desertas e muitos rios desapareceram, como já está acontecendo com o Rio do Antônio, aqui no sudoeste. Até o momento, a desertificação d semi-árido não passou das discussões acadêmicas em auditórios confortáveis, com ar-condicionado e uma boa água gelada para se beber.






A maiora dos municípios do sudoeste já perdeu suas lavouras com a estiagem e o homem do campo está vendo suas forças se esvaírem. As prefeituras já começam a receber levas de sertanejos que procuram por ajuda para manter suas famílias. As pequenas barragens abertas não são suficientes para atender as necessidades da falta de água, e os poços são salgados. Algumas cisternas ainda têm água, mas se a estiagem prolongar por mais dois ou três meses, é certa a escassez do líquido. Em alguns locais, já começam a rodar os carros-pipa, instrumento eleitoreiro de políticos inescrupulosos, degradante e arcaico. Para completar, algumas barragens foram construídas em fazendas particulares, beneficiando o compadrio.






Olhando o sertão cinzento e misterioso, é difícil entender como nele resiste o homem, lutando de todas as maneiras para se livrar da pobreza e da miséria. Não fosse algumas aposentadorias, a fome seria bem maior. Mesmo assim, em muitas casas, ao meio-dia, a mulher só tem uma panela de água com alguns caroços de feijão para dar aos seus pequenos filhos. Lá fora, o sol continua firme; a terra é árida e a única saída é partir para terras langinquas, deixando tudo para trás como no canto de Luiz Gonzaga em "Triste Partida" . Às vezes, ficam as mulheres com os filhos menores que passaram a ser chamadas de "viúvas da seca". Quando o fenômeno aparece, a imprensa se enche de manchetes e os governantes acodem com algum paliativo até passar o sofrimento. Depois tudo é esquecido e nem a imprensa, que ganhou com o espetáculo da miséria, volta a cobrar os projetos para sanar o problema.






Com seriedade, tecnologia avançada e muitos investimentos, os israelenses transformaram o Deserto de Neguev numa prosperidade em termos de agricultura e alimentos para o povo. Antes, os mais de 10 mil quilômetros quadrados de areia eram habitados por nômades em busca de água. Depois de 1948, os governos transformaram a área em enormes plantações sistematizadas por tecnologia. A agricultura instalada na região árida permite extrair sustento. Os impérios Otamanos e Britânico consideravam o deserto imbatível. O primeiro grande projeto de abastecimento para os novos agricultores foi a tubulação que transfere 100 milhões de metros cúbicos de água por ano, cobrindo uma distância de 130 quilômetros. Por aqui, ficamos discutindo a Transposição do Rio São Francisco que só vai beneficiar empresários.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

E A NOSSA CULTURA, HEM!

Todos os dias, acompanho pelas imprensa de lá da capital as realizações de eventos que acontecem em Salvador e percebo que está recheada de atividades que envolvem todas as linguagens artísticas, desde exposições de artes(pinturas, esculturas, fotografias), saraus, lançamentos de livros, seminários e simpósios sobre teatro, debates e festivais de cinema, concertos musicais, apresentações de companhias de dança e peças teatrais, entre outras expressões culturais que "dão água na boca". A Secretaria da Cultura do Estado sempre está à frente desses eventos, com apoio de fundações e de grandes empresas privadas e estatais, como Petrobrás e Banco do Brasil.
E para o interior? Ficamos apenas com a passagem de shows musicais fechados, inclusive do axé music, que nem são patrocinados pela Secretaria da Cultura. Ah gente, o interior é o primo pobre. Quando o novo secretário de Cultura, Márcio Meirelles tomou posse, prometeu dividir o bolo com o interior, só que até agora recebemos alguns farelos. Por sua vez, por aqui as empresas só investem naquilo que dá retorno imediato. Foi o que disse um amigo meu, inclusive membro do governo, a respeito da falta de atenção para a realização de eventos para o interior. É só a cultura de massa? Não existe política cultural voltada para o interior.
Muitas atividades poderiam ser fechadas e amarradas com as grandes empresas dentro de um pacote que também o interior fosse beneficiado, principalmente as grandes cidades pólos como Vitória da Conquista. Mas, ninguém importa para isso. Os recursos ficam todos concentrados na capital. E quem está se preocupando com o interior? Por sua vez, muitos acham que bastam os shows musicais, mesmo que sejam algumas vezes por ano e, alguns, de baixa qualidade. Muita gente se acostumou a isso. O que fazer? Quando não se tem shows nos finais de semana, a cidade fica sem opções. Aí, é só ir para os "botecos" das esquinas "jogar conversa fora". E como fica nossa juventude? Bem, é melhor parar por aqui.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

QUEM OLHA PARA NOSSA CULTURA?


Costumam dizer por aí que fazer cultura neste país é um ato de heroísmo, mas entendo que ser herói por aqui é ser medalhista de competições esportivas, ou jogador de futebol que ganha muito dinheiro. Quem faz cultura no Brasil é persistente e teimoso; vive o tempo todo irritado e desgastado com os absurdos. Talvez seja por isso que esse pessoal morre mais cedo, a não ser os apadrinhados famosos de sempre da capital. Nós aqui do interior, penamos e quando chega alguma coisa, é a sobra.


É duro ser pedinte e viver mendigando para realizar um evento cultural, especialmente no campo da literatura. Na maioria das vezes, se recebe um não, e onde se espera mais apoio do poder público, vem alguém e diz que não existem recursos para esse tipo de coisa. Portas se fecham e dá vontade de desistir; largar tudo. Mas, ainda existem pessoas que acreditam e abraçam a causa, o que nos leva a continuar caminhando.


Na semana passada, um grupo de abnegados resolveu realizar uma Noite Cultural, na Livraria Nobel, no Shopping Conquista Sul. Foi muito difícil e sacrificado, mas ao receber o convite do amigo José Maria, proprietário da Livraria Nobel, para lançamento do meu livro "A Imprensa e o Coronelismo" fui em frente. Chamei o amigo fotógrafo José Carlos D´Almeida para ajudar na empreitada de organizarmos uma exposição de fotojornalismo. Convidamos os fotógrafos José Silva, Edna Nolasco, Sabiá e Nilton Gonzaga para se juntar ao grupo. Prontamente tiveram a boa vontade de participar. Na abertura musical, contamos com a presteza do amigo Mano Di Sousa na voz e violão que interpretou belas conções populares brasileiras.


Encontramos inúmeras dificuldades para preparar o evento, mas não podia decepcionar o convite do promotor de cultura desta cidade, o José Maria que cedeu seu estabelecimento e, como sempre, nos incentivou. Só temos a agradecê-lo mais uma vez. No entanto, confesso que pensei em desistir. Nem tudo está perdido neste cenário capitalista onde só se pensa no lucro imediato e não se dá importância á cultura. Ainda existem visões abertas e contamos com o apoio da Águia Filme, do Sebrae, da Assessoria de Comunicação da Câmara de Vereadores, do artista plástico Sérgio Souto(Squadro), de Anderson com seu blog e do amigo Carlos Moreno. Agradecemos também a imprensa que nos deu cobertura.


No final, tudo deu certo, mesmo com poucas presenças. A exposição de fotos foi um sucesso, especialmente no quesito qualidade, com temas variados, desde as questões do meio ambiente aos problemas sociais. São fotos belíssimas que ainda podem ser vistas durante esta semana, na Livraria Nobel - Conquista Sul. Se houvese mais apoio à cultura nesta cidade, bem que a exposição poderia ser ampliada, mais trabalhada e se transformar numa grande atração, inclusive percorrendo outras cidades baianas.


Tudo isso, me faz voltar ao debate de como a cultura está abandonada no interior. A grande maioria que faz cultura, nas áreas da música, teatro, literatura, dança, artes plásticas sempre se queixa da falta de apoio. O crítico de cinema, André Setaro foi massacrado num seminário só porque afirmou que os cineastas baianos viviam mendigando verbas do governo para realizar um filme, e olha que esses artistas estão na capital onde os acessos são mais fáceis e quase todos recursos ficam por lá.


No interior, a cultura sempre ficou a ver navios. As grandes exposições, apresentações musicais de expressão, concertos e debates culturais chegam até Salvador e retornam de lá mesmo. Recentemente foi feita uma exposição de fotografias em Salvador sobre o período da ditadura militar. Com um pouco de esforço e vontade política do governo, não poderia ter passado também nas principais cidades do interior, para ser visitada por essa geração nova que pouco sabe dessa fase? É um exemplo, mas existem tantos outros.


O novo secretário de Cultura, Márcio Meireles prometeu olhar para o interior, mas ainda não deu para se notar mudanças. Os trâmites para se ter acesso à cultyura continuam burocráticos, especialmente para o artista do interior. É preciso que na prática a Secretaria de Cultura não seja apenas da capital. Como está, o Governo do Estado bem que poderia criar a Secretaria de Cultura do Interior, ou para o Interior. Por aqui, existem muitos talentos adormecidos, e outros com obras engavetadas. A memória da nossa história também está se perdendo. Para resgatar tudo isso e incentivar a cultura, temos que criar nossa cooperativa ou associação de arte, unindo todas as linguagens artísticas, e podemos começar a fazer isso a partir desse grupo que participou da Noite Cultura.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

DISCRIMINAÇÃO NO MERCADO

Poucas empresas de Vitória da Conquista com mais de 100 empregados respeitam o Decreto-Lei do governo federal que determina a abertura de cotas de trabalho para portadores de deficiência. No caso da Apae(Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), somente a Dilly Calçados, Posto Guanabara e a Stefanes Confecções empregam alunos da instituição que há cinco anos vem tentando convencer os empresários a absorver jovens portadores de deficiência no mercado de trabalho. As dificuldades têm sido enormes e os donos das empresas sempre alegam que falta qualificação nesses alunos, mas no fundo existe mesmo é discriminação e medo da experiência não dar certo. Outros argumentam que não dispõem de gente especializada para acompanhar os portadores durante os serviços. No entanto, a Dilly que emprega quatro alunos com carteira assinada, segundo um dos seus diretores, vem obtendo bons resultados e até superam as expectativas. Esses funcionários apresentam um desempenho, muitas vezes, melhor que os outros. O Posto Guanabara também emprega seis deles nas áreas de apoio de seus estabelecimentos. Aqui em Conquista, a maioria das empresas não tem ainda atentado para a questão da responsabilidade social e visa tão somente o capital.
Numa reunião da diretoria da Apae com os pais dos alunos deu para se perceber o entusiasmo deles quando se falou no projeto de inserção de alunos no mercado. Não era para menos, tendo em vista que as famílias desses alunos são carentes e de poder aquisitivo baixo, fora a realização do pai em ver um filho trabalhando. A partir de fatos locais como o nosso de Conquista é que concluimos que a exclusão social no Brasil ainda é gritante e vergonhosa. As outras instituições que cuidam de pessoas portadoras de deficiência devem sentir esse mesmo problema da discriminação, sem contar a dificuldade que tem o deficiente visual em transitar pela cidade. Responsabilidade social não se resume em fazer doações de dinheiro e bens para as instituições. É bem mais dignificante dar um emprego.

O SHOW TEM SEUS LIMITES

É preciso muito cuidado, senso crítico e coerência quando se generaliza as críticas contra a imprensa, especialmente por parte do PT que em tudo vê uma intenção de desestruturar o Governo Lula. Sabemos que determinados veículos da grande mídia têm espetacularizado a informação e até com tendência. O sensacionalismo da notícia tem predominado em ocasiões que requer limites ao show, como no caso do acidente aéreo(fato mais recente). No entanto, a imprensa como um todo tem prestado bons serviços. Ela está aí para divulgar, denunciar e mostrar os fatos e não se calar e ser omissa. Pesquisas recentes colocam a imprensa como uma das instituições de maior credibilidade pela população, como também o presidente Lula foi eleito pelo povo. Mas, se o presidente foi vaiado no Maracanã, a imprensa tem por obrigação noticiar. É preciso acabar com essa história de que tudo hoje que acontece no pais é culpa da imprensa. O Congresso quis aplicar a Lei da Mordaça só porque a imprensa fêz seu papel de denunciar as maracutais dos políticos. Não concordo totalmente quando em artigo num grande jornal da capital um membro do PT disse que toda imprensa é partidarizada. Acho essas investidas perigosas, e o próprio presidente Lula tem defendido a liberdade de expressão.
E o que dizer da Carta Capital? Pode ser também cunhada de partidária? Logo após as eleições do ano passado, fiquei assustado com reações agressivas de membros do governo contra setores da imprensa. Não vamos ressucitar o tempo dos coronéis quando mandavam matar jornalistas ou fazer engolir o que escreviam. A imprensa que prima pela espetacularização deve ser condenada e repudiada por outras formas, mas não à generalização.
Temos que reconhecer as deficiências de gerenciamento do Governo em determinados setores da vida brasileira, como no sistema da aviação no geral. Não importa agora se vem de muitos anos. No caso mais recente do acidente aéreo foi trapalhada por todos os lados, inclusive da imprensa. O desrespeito às vítimas foi flagrante, a começar pela condecoração de diretores da Anac(Agência Nacional de Aviação Civil), expressões obnscenas de gente do governo, inclusive da mulher do charuto numa festa depois da tragédia, ausência de autoridades do governo no local, entre outras. Pelo lado da imprensa, houve nas primeiras horas, o chamado efeito manada. O primeirio culpado apontado foi o Governo, tendo como causa a pista que estava sem as ranhuras. Depois apareceu o reverso pinado da aeronave, poucas responsabilidades da empresa TAM, e mais na falha do piloto morto, poupando as autoridades. Não sou especialista em aeronáutica, mas nesse caso acho que a ganância da TAM esteve acima da segurança humana. Não entendo como se deixa voar uma aeronave com defeito, no caso o reverso. É como viajar com um carro com problemas no motor. Aí o mecânico diz: pode fazer a viagem, depois faz o conserto. Não entra em minha cabeça que um piloto de 20 anos de experiência vá cometer erros básicos de aterrissagem, como colocar as manetes em posições diferentes. O piloto morreu e não pode se defender. Já a TAM foi poupada. De 1996 a 2007 seus aviões apresentaram dez acidentes, inclusive com morte de seu dono. Não é a arrogância do ministro Nelson Jobim, detonando Waldir Pires, que vai solucionar a crise no sistema. Como no caso da Escola de Base, em São Paulo, que condenaram um japonês diretor, dessa vez colocaram a culpa num morto.Como disse Luis Nassif, se referindo à imprensa: "Tem que haver limites para o show".