quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O PACIENTE DA CENTRAL


O paciente, como o próprio nome já diz, é paciente, mas tudo tem seu limite de paciência. Tem necessitado que suporta, chora e lamenta, mas outros se revoltam diante de tanta carga de humilhação.

O paciente que sofre de problemas gástricos e já fez tratamento de Hepatite “C” recebe uma requisição, no dia 20 de maio, do seu médico do SUS para realizar uma Colonoscopia. Tem mais de 60 anos e precisa passar por esse procedimento.

Como não tem condições financeiras para bancar um exame desse porte numa clínica particular, se dirige, no mesmo dia, ao Sistema da Central de Marcação da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista. O funcionário anota seu telefone e orienta que espere em casa um comunicado.

Depois de três meses, no dia 24 de agosto, uma atendente liga para que ele se apresente à Central para marcar o exame. O paciente chega às 9 horas e só é atendido às 11horas. O funcionário passa as instruções e marca o procedimento para o dia 5 de setembro, com o Dr, Egmar Nogueira, no Hospital Esaú Matos.

Até ai, tudo bem, apesar do tempo e do sacrifício de espera para fazer a marcação, numa sala quente e desconfortável. O desgaste valeu a pena. Vou, finalmente, fazer meu exame no dia 5 de setembro, às 13 horas –comemora.

Mas, no dia 26 de agosto, aquela mesmo atendente liga para o paciente, dizendo que ele tem que retornar à Central de Marcação para remarcar o procedimento. O médico desmarcou o atendimento, sem muitas explicações. Começo aí o desrespeito total e a falta de consideração.

Mais uma vez, no mesmo dia 26, lá vai o paciente à Central. Chega às 13 horas (orientação da atendente para ser agilizado) e só é recebido às 16 horas. Três horas penando na sala calorenta e desconfortável. Muita agonia. Pensa em desistir, mas aguenta a humilhação da espera e do tratamento.

Às 16 horas, o funcionário lhe chama e passa, novamente, as instruções. O procedimento desta vez foi marcado para o dia 8 de setembro, por volta das 9 horas, com o médico Lafontaine Cunha Santana, ainda no Esaú Matos. Na ficha, o profissional solicitante não é mais o mesmo da requisição anterior do dia 20 de maio.

Bem, agora não tem mais volta, pensa o coitado do paciente, já estressado e revoltado com tanta humilhação e desprezo. Mesmo assim, apesar do sufoco, sai aliviado na certeza que dessa vez vai fazer seu tão esperado e disputado exame.

Que nada. No dia 30 de agosto toca o telefone. Pelo número, o paciente reconhece que é a atendente da Central de Marcação. Identifica-se e recebe mais uma aviso de que ele vai ser obrigado a se apresentar outra vez à Central para fazer a remarcação da remarcação. O Dr. Lafontaine resolve mudar o dia do procedimento.

Não dá mais para suportar. A paciência do paciente se esgotou. Reclama; diz desaforos; quer explicações e argumentos “convincentes”. Como não é culpada, a funcionária manda que o paciente procure o médico para saber o real motivo de ter mudado a data do exame, mais uma vez.

Nessa hora, toda a ira e desabafo do paciente devem ser perdoados. Não dá mais para prosseguir, desiste de fazer a Colonoscopia pedida pelo seu médico que lhe assiste e o acompanha no tratamento há anos.

Ora, se o paciente enfrentou uma batalha para marcar um exame e foi, por várias vezes, interceptado no seu intento, como ele vai ter acesso ao médico para pedir explicações quanto ao desrespeito? A obrigação é do sistema em se organizar e se planejar para que tais fatos não ocorram. A obrigação é da Secretaria da Saúde impedir que um exame seja remarcado tantas vezes.

Para finalizar, o paciente otário e besta que paga impostos para ter um tratamento digno de ser humano, sou eu mesmo, que luto para sobreviver com uma pequena aposentadoria que está sumindo com os reajustes do salário mínimo, depois de tantos anos de trabalho e sofrimento, dando sangue para este país.

Se mais tarde for acometido de um problema grave de saúde porque não consegui fazer um exame de Colonoscopia numa unidade pública do SUS, a culpa é da administração pública da Central de Marcação e da Secretaria de Saúde do Município.

É o meu grito de revolta em nome de todos pacientes de Conquista, da Bahia e de todo Brasil que sofrem barbaridades nas filas de espera para realizar um procedimento de saúde a que todos os cidadãos têm direito pela Constituição.

Em Salvador, duas mil pessoas formaram a fila dos desvalidos diante do Hospital Ana Nery para rogar por um exame. O responsável culpou o sistema digital que não funcionou, mas a culpa é mesmo do sistema político. Em Belém, no Pará, uma senhora tem o parto numa viatura do Corpo de Bombeiros por falta de atendimento. Estava na frente do hospital e perdeu seus bebês gêmeos.

Só para citar esses casos. Nesse país, nos acostumamos a marchar como soldadinhos de chumbo. “Vamos embora que esperar é não saber. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. É do grande cancioneiro Geraldo Vandré.





domingo, 28 de agosto de 2011

CENÁRIO DE GUERRA NA SAÚDE


Não custa nada lembrar quando o Lula após a fundação do PT e nas suas primeiras campanhas para presidente da República esbravejava contra a família Sarney, donatária da Capitania Hereditária do Maranhão. Taxava Sarney de burguês, conservador, coronel, além de xingamentos com palavrões de todo tipo contra esta figura que continua sugando o sangue do povo como vampiro, agora com aval de Lula e sua gente.

Lula e o PT fizeram um pacto com o diabo para subir ao poder. O chefe passou oito anos no Governo fazendo campanha política, agradando a elite toda poderosa, mas fazendo um agrado aos pobres com sua Bolsa Família e algumas políticas enganosas de ascensão social, que ele não é nada tolo. Cooptou a UNE (União Nacional dos Estudantes) e as centrais sindicais, dando montes de dinheiro sem precisar prestar contas aos tribunais.

Saiu por aí viajando pelo mundo a fora, visitando ditadores, espalhando para os quatro cantos que o Brasil era outro e que a qualidade de vida do povo havia melhorado. Governantes e jornalistas acreditaram e até hoje pintam um país que não é a realidade, só porque conseguiu um pouco avançar no crescimento econômico e conter a inflação, projetos estes herdados do seu antecessor.

Fico sempre indagando para mim mesmo (talvez seja burro demais) que país é esse que fala em ser a 5ª maior economia do mundo onde seus cidadãos morrem todos os dias nos corredores dos hospitais, que mais parecem cenário de guerra? Terra arrasada de doentes por todos os lados.

Que país é esse que diz ter uma economia sólida que favoreceu o acesso ao consumo às classes pobres e apresenta um dos piores índices na qualidade de ensino na América Latina, para não falar em outros países?

Que país é esse que tem mais celulares que habitantes e convive calado diante de uma corrupção devastadora em sua casa, cheia de ratazanas que metem a mão nos cofres públicos e ficam impunes?

Que país é esse que bate recorde na arrecadação de impostos todos os meses, mas não tem recursos para qualificação da educação e deixa seus filhos morrerem nas portas dos hospitais por falta de atendimento e leitos? Os médicos culpam o sistema e os governantes ficam em silêncio.

É realmente culpa desse sistema que está aí podre, corrupto, sem moral e sem ética. É a herança maldita de Lula que nada vê e nada sabe, e passou todo tempo chamando a mídia de golpista, no caso específico do mensalão.

Que país é esse que o custo de um deputado por mês é um dos mais caros do mundo (cerca de 150 mil reais) e deixa uma senhora ter um parto dentro de um carro do Corpo de Bombeiros na porta de um hospital, resultando na morte dos bebês gêmeos?

Que país é esse que vai sediar Copa do Mundo e Olimpíadas onde morre mais gente no trânsito e pessoas assassinadas pela bandidagem que em qualquer guerra no mundo todos os anos? O cidadão vive trancado e quando sai à rua não sabe se volta.

Que país é esse que tem superávit primário para pagar juros da dívida e é elogiado lá fora por suas estatísticas econômicas, mas deixa crianças “estudarem” debaixo de uma árvore ou numa casa de taipa imunda?

Que país é esse que ostenta poder e quer uma cadeira permanente no Conselho da ONU, mas não tem dinheiro para ampliar a rede hospitalar e oferecer saúde digna e respeitável ao seu povo sofrido e violado em seus direitos todos os dias?

Que país é esse onde as leis foram feitas para livrar os ricos e corruptos das cadeias e prender os pobres com algemas, forçando ainda a exposição de suas fotos na mídia? As leis aqui não são iguais para todos, e tampouco somos iguais como dizem por aí.

Está lotado o navio dos cooptados com estudantes, cotistas discriminados, MST, centrais sindicais, partidos aliados que só querem tirar proveito, empresários, e até intelectuais e artistas que preferiram o silêncio. Está aí respondida a indagação do jornalista espanhol Juan Arias que quis saber por que o povo brasileiro não expressa sua indignação diante de tanta desgraça.

Que país é esse cheio de ministérios que mais roubam que fazem, e a presidente quer fazer uma faxina da miséria sem antes fazer uma faxina da corrupção, para sobrar recursos para a saúde e para a educação? Dizem por aí que um dia um ministro entrou em seu gabinete e a presidente perguntou: Você é mesmo de que ministério? Qual mesmo seu nome? Teve que conferir a extensa lista.

Que país é esse onde o presidente do Senado, seu Sarney, usa um helicóptero socorrista da polícia militar para ir passear em sua ilha no Maranhão (não estava em missão oficial), deixando um pobre acidentado na espera? Como disse o senador Pedro Simon, o homem é o próprio Papa e está acima do bem e do mal.


domingo, 21 de agosto de 2011

AS BASES CORRUPTAS




Mais uma vez Vitória da Conquista fica de fora de projetos fundamentais para o desenvolvimento do município e da região. Barreiras, no oeste, e Itabuna, no sul, foram as cidades escolhidas para sediar unidades da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Conquista já tem um campus na área da saúde e poderia muito bem ter sido incluída no pacote, com a vantagem de já contar com um núcleo.

Faltou representação das bases aliadas, ou não houve bases técnicas para Conquista entrar na relação? Mas, não é somente na área educacional. Empreendimentos empresariais no setor industrial passam longe e se instalam em outras regiões. Estamos sem representatividade de peso para reivindicar, ou nossa infraestrutura deixa a desejar para receber projetos de médio e grande porte?

Enquanto isso, ficamos horas e horas discutindo uma agenda para a Copa de 2014 que não vai resultar em coisa grandiosa, mesmo que para aqui se disponha a vir uma seleção da África ou da Ásia, sem muita expressão. Para ser direto, acho uma perda de tempo quando temos assuntos bem mais importantes para debater. Vamos deixar a vaidade de lado.

Cadê o projeto do Shopping a Céu Aberto? Cadê a instalação da zona turística “Caminhos do Sudoeste”. O próprio aeroporto ainda não saiu do papel. A questão da água é outro problema, sem falar na melhoria dos transportes públicos e alternativas para o tráfego da cidade que já está travado.

Sobre as novas unidades da UFBA, a Bahia sempre foi injustiçada e carente em termos de ensino público federal de nível superior. Até hoje, a Bahia é o Estado com o pior índice de vagas em universidades federais por mil habitantes. Apenas de 13% dos 213 mil estudantes universitários estão nessas instituições públicas. Tudo isso graças à nossa arcaica e retrógrada política coronelista.

Bem, queria falar mesmo das bases aliadas de Brasília que estão emburradas com a presidente porque ela tentou fazer uma “faxina” da corrupção. Podem me chamar de pessimista, mas, para mim o Brasil é um caso perdido, a não ser que apareça algum líder estadista sério para mudar este sistema deplorável e explorador.

Não se enganem, a presidente não vai muito longe na sua empreitada. A bandidagem vai continuar. As ratazanas estão por todos os lados. A base do PMDB, por exemplo, é onde está o maior foco de roubalheira. A presidente que passa carões em ministros já fala em “faxina da miséria”. Para fazer isso, primeiro ela tem que realizar a “faxina da corrupção”.

As bases não gostaram de ver seus “camaradas” de quadrilha sendo algemados. Ficaram indignados e enfurecidos. Na “Operação Alquimia”, na Bahia, a Polícia Federal já não mostrou mais os bandidos, e os nomes foram ocultados. Censura na mídia, censura no povo. Sobrou para uma favelada em São Paulo que foi presa com truculência. O povo que se dane. Só serve mesmo para votar.

“Eu estou feliz pelos indianos que estão unidos por uma causa que mudará nossas vidas para sempre – comemorou o professor, de 68 anos, K.C.Malhotra. Para endurecer as leis contra a corrupção, o povo se levantou e foi às ruas protestar. Foi só um ativista ameaçar de fazer greve de fome para uma população de 70 mil se concentrar ao monumento “Porta da Índia”, em frente ao Parlamento.

Estudantes uniformizados (cadê os daqui?), empregados de escritório, desempregados, jovens e idosos agitaram suas bandeiras em defesa da moralidade. No Brasil, as bases aliadas engessaram a nação. Eles querem emendas e cargos para se perpetuarem no poder e poder fazer suas maracutaias.

Eu, professor indiano, não posso dizer o mesmo do meu país. Sinto inveja. Estou triste com tamanha falta de vergonha na cara. Estou decepcionado e desiludido. Os políticos da base tiraram nosso direito de ser feliz. Gozam de mordomias e benesses às nossas custas. Curtem com nossa cara. Traíram suas ideologias e, às vezes, se juntam para dar umas migalhas aos pobres. Um cala boco, para disfarçar.

Senhora presidente, não é dando um prato de comida a quem tem fome que o país vai ser feliz, e sua gente ter orgulho de seus representantes. Antes, senhora presidente, tem que se fazer a limpeza dos corruptos e tirar todos os ratos da nossa casa. Mesmo passando fome, os miseráveis são honestos e querem o que lhes pertence por direito, sem bondade e sem caridade. As bases nos negam até um palmo de chão para o enterro.




domingo, 14 de agosto de 2011

PAPÉIS PODRES E GANÂNCIA




A vida dos terráqueos capitalistas gira em torno dos papéis podres que inventaram para saciar a usura da corrida do ouro. Quando os papéis das ações das Bolsas de Valores caem é aquele vexame na economia, e muita gente entra em depressão e até se suicida. São os verdadeiros deuses sagrados criados pelo sistema capitalista.

Como já previa Karl Marx, é incrível como o capitalismo tem capacidade para se endinheirar, concentrando renda e, ao mesmo tempo, conviver com as crises que são sempre cíclicas. Seus gestores injetam mais dinheiro extraído dos seus súditos e reciclam os papéis, recuperando seus valores. Eles apelam para mais consumismo como tábua de salvação. Aí vem a inflação e tudo degenera. Nada de cortar as benesses deles para manter o poder.

Dessa vez, foi só tirar um “A” do crédito dos Estados Unidos para ruir todo castelo de papéis. Há quem questione que o Império esteja caindo, mas especialistas do sistema acreditam que eles ainda têm muito fogo para queimar, a começar pelo seu poderio armamentista e seu patrimônio científico e tecnológico angariado através do conhecimento de outras nações.

Na semana que passamos procurei registrar outros absurdos e contradições vividos pela nossa frágil e superficial humanidade do ter. Vou me reportar, especialmente, aos fatos ocorridos em nosso país. Para não variar, vamos começar pelos políticos e os donos de Brasília que fazem as trovoadas e as tempestades.

O troféu da corrupção foi passado para outro competidor. Os escândalos agora são no Ministério do Turismo. Ninguém fala mais em Palocci e do Ministério dos Transportes. Ladrões também são organizados e unidos. Vozes de indignação caíram de pau porque os homens foram algemados e expostos. Coitadinhos deles, não mereciam isso.

Do outro lado, quando bandidos comuns são presos, os policiais agarram-os pelos cabelos e mandam a mídia fazer suas imagens. Os direitos só para os engravatados de ternos. Os políticos ficaram furiosos e querem agora que a presidente libere suas emendas parlamentares, fontes das corrupções.

As bases ameaçam sabotar os projetos do Governo se não forem liberadas as emendas. Como eles pensam no povo! A grande maioria avalia o nível de relacionamento com o executivo tomando como parâmetro as negociatas de trocas, na base do toma lá, dá cá. São essas as “bases”.

Em forma de procissão, caras tristes e chorosas, o povo, vestido de branco, faz suas passeatas pela paz, enquanto lá em cima sonegam nosso direito de segurança. Essas passeatas pedem paz para quem? Para os bandidos? Falta nesses movimentos o espírito de combate à corrupção, exigindo seriedade das autoridades irresponsáveis. Precisamos ir às ruas para protestar, com espírito de luta e revolta, para cobrar o que é nosso.

Em Salvador nove operários morrem na construção civil e ninguém é responsável. Os donos do prédio mandam um advogado como porta-voz e os fiscais correm para apontar as falhas que eles já deviam ter corrigido se não fizessem vistas grossas. É mais um fruto azedo da ganância e da usura do capitalismo que só ver o ser humano como objeto para extrair seus lucros. Diante deles (empresários) não existe contabilidade humana, só de cifrões. Cortam até gastos na segurança para superfaturar.

Ainda em Salvador, duas adolescentes burguesas entram num Shopping e furtam produtos caros em lojas sofisticadas. São tratadas como coitadinhas, e uma vendedora fica com pena. “Tão lindinhas e branquinhas”! Aonde vamos chegar com isso? Fossem pobres, feias e lascadas eram logo chamadas de marginais que mereciam cadeia e porrada.

Não, as meninas “bonitinhas” nem foram apresentadas à Casa do Menor Infrator e nem suas iniciais saíram na imprensa. A Justiça escolheu como pena alternativa a prestação de serviços numa comunidade beneficente. Ficamos o tempo discutindo preconceito racial quando o maior é o social. Brigamos entre nós, com xingamentos, enquanto eles riem da nossa cara.

Quem anda muito em shoppings é bom observar que estes estabelecimentos estão sempre cheios de jovens estudantes passeando, sem nada fazer, a qualquer hora do dia e da noite. Não estudam? Os jovens de hoje fazem tudo, menos estudar, isto porque nossa educação é de “boa qualidade”.

Enquanto isso no Chile, onde o ensino é bem melhor que no Brasil, os estudantes vão para as ruas brigar por melhorias no nível da educação. No Brasil, a UNE, cooptada pelo governo, fica calada. Todo mundo está satisfeito com o que tem. Parece até que temos a melhor educação do mundo.

A escolha do sistema modal de transporte de Salvador é uma verdadeira lambança dos políticos para captar votos. O povo que se dane. De um lado os donos de ônibus que financiam as campanhas políticas, do outro lado as empreiteiras poderosas que fazem também o mesmo. Estão de olho na “butique” nossa. Ora se separam, ora se juntam quando o bolo é fatiado.

É uma tremenda picaretagem para se armarem para as próximas eleições. Os donos dos transportes chegaram a oferecer R$600 milhões para bancar os serviços. Sabem que logo vão ter R$600 bilhões de retorno. Depois da safadeza, os governantes ainda têm a cara limpa de anunciar que vão fazer audiências públicas para discutir o que lês já decidiram. É assim que eles tratam nosso povo. E todo mundo engole e tome voto neles.

Para não ficar só aqui, no Rio de Janeiro, em Niterói, uma juíza é morta por bandidos policias do extermínio com 21 tiros. No Brasil, quem é sério é marcado e excluído da sociedade. A juíza prendia os corruptos e exterminadores, e estava sem proteção.

Enquanto isso, as ratazanas continuam roubando nosso queijo e destruindo nossa casa. Eles proliferam, mas o Lula pede moderação à sua afilhada presidente na perseguição aos roedores. Afinal, aprendemos muito bem sua lição. Não ouvimos, nem estamos vendo nada, quanto mais ratos no assoalho e nos porões.


terça-feira, 9 de agosto de 2011

LADRÕES E OS 30 MILHÕES




Os acusados de corrupção e desvios de dinheiro público são os mais indignados neste país. Não sou lixo. Sou inocente. Não admito que tratem meu filho como ladrão. Isso é uma perfídia comigo. Não vou permitir que coloquem o meu nome e o da minha família na lama. Aquela imagem recebendo propina não sou eu. Não é minha assinatura. Sempre fui uma pessoa honrada e não aceito achincalhamentos e impropérios contra meu nome. E por aí vai dando murros em tribunas e mesas, soltando espuma pela boca.

E por falar em imagem, o cinismo é tão grande diante da impunidade, que o acusado nega o que fez e ainda distorce os fatos. Lembra daquela imagem feita por câmaras em Feira de Santana onde policiais espancavam barbaramente um jovem? Depois a imprensa quis saber do comandante qual seria a punição contra os elementos fardados e ele prontamente respondeu que ia investigar. Mas, investigar mais o quê?


Em Itabuna um guarda e outro sujeito esmurraram um homem acusado de furto. As imagens flagraram o momento das torturas. A “autoridade” superior explicou que o guarda estava tentando dominar o rapaz. O cara estava deitado tomando pancadas e chutes.

Por falar em tortura, hoje a polícia pratica mais torturas nas cadeias e extermínios que no tempo da ditadura. Quase todas as quadrilhas de assaltos e roubos a bancos têm policial infiltrado, com esquemas e armas pesadas até do Exército. Não me venham com essa de salário baixo. È preciso que se faça uma depuração total nas corporações.

O assunto mesmo é a indignação dos políticos, principalmente do PT, que não aceitam críticas e se sentem incomodados. Conversa vai, conversa vem, sapecam os 30 milhões que saíram da pobreza. É uma estatística ilusória. Saíram da miséria por conta do Bolsa Família? Só porque compraram uma televisão, um fogão ou uma geladeira nova com prestações a perder de vista?

Conheço barracos nas periferias de Conquista que têm tudo isso em seus casebres. Continuam morando lá pendurados na Serra do Periperi. Devem fazer parte dos 30 milhões. De acordo com a estatística, mais 30 milhões subiram para a classe média. Mas que classe média é essa? A que ganha um ou dois salários mínimos? Já fui da classe média, mas hoje com minha pequena aposentadoria, não sou mais. Dei muito duro para educar meus filhos.

Basta um pobre qualquer entrar num avião (passagem- promoção, comprada com três meses de antecedência) para os homens do governo abrirem a boca e alarmarem que a situação do povo melhorou. Melhorou para eles que viajam de avião todas as semanas pago com nossos impostos; e comem nos restaurantes mais chiques, sem contar outras mordomias.

Melhorou como senhor deputado? Basta ver como estão nossas escolas ou dar uma passada nos corredores dos hospitais. Até quando as famílias pobres - e não me venham com essa de que já estão na classe média - vão continuar sendo sustentadas pelas esmolas do Bolsa Família?

Um político chegou a dizer que a vida de 60 milhões modificou-se substancialmente. Ele não se atreve a passar um mês na casa de um desses 60 milhões para acompanhar de perto as necessidades, não somente em educação e saúde.

O Brasil ainda está muito longe de um mercado de massa de que tanto apregoam os homens do Governo. Para quem tem uma verba indenizatória é simples sair falando isso. Por mais que se tenha injetado dinheiro na economia, o consumo no Brasil ainda é irrisório em se tratando do básico e do necessário para uma pessoa viver dignamente. Não falo aqui dos supérfluos que estão mais ao alcance de quem ganha acima de 10 ou 15 salários mínimos.

Muitos políticos destilam sua raiva contra aqueles que criticam o comportamento deles que aumentam por conta própria seus salários e não querem fazer uma reforma política. Nem é preciso desqualificá-los, pois eles mesmos cuidam todo dia de sujar suas imagens por conta de seus atos.

Propalam por aí que muita gente só quer demonizar o Legislativo e apelidam estes de ideólogos. Fazem alarme de que os críticos alimentam o autoritarismo. Ainda são poucos os que contestam os desmandos. Não são os chamados ideólogos, mas a própria falta de respeito dos políticos em si que acende a chama do autoritarismo.

A bagunça e a falta de uma reforma política séria é que abrem caminho para uma ditadura. Defendem que existem muitos políticos e muita gente ética lá em cima. Só que esses sérios também estão lá apoiando e votando aumentos absurdos para eles mesmos, com suas montanhas indenizatórias.

É bom que tirem a trava de seus olhas e vejam como anda nossa educação e a saúde onde pessoas morrem todos os dias nos corredores dos hospitais por negligência e falta de médicos e leitos. Há três meses marquei um exame de colonoscopia e não fui chamado pela central de marcação. Tenho medo todos os dias de cair doente. Prefiro morrer em minha casa.

Cadê a reforma agrária tão prometida pelo PT? E as mudanças mais profundas na sociedade? Cadê a punição dos torturadores da ditadura? Será que as mudanças estão nas alianças com Sarney, Renan Calheiros e Fernando Collor de Melo? O mensalão também pode considerado uma forma de mudança estratégica?

Nada de abrir mão das mordomias e fazer uma reforma política que ameace seus mandatos, ou o poder de governar. Ainda querem amordaçar os críticos, achando que estes fazem plataforma para uma ditadura. Temos um Senado inoperante e câmaras de vereadores que em nada representam o povo.

Só para finalizar, o brasileiro tem duas opiniões: uma com a câmara ligada e a outra desligada. Veja as pesquisas sobre homofobia e outras que estão dentro do maldito pacote do politicamente correto. Existe também uma opinião entre quatro paredes e outra fora de casa.