terça-feira, 13 de dezembro de 2011

TEATRO DAS ENTREVISTAS

Confesso que não estou muito disposto para escrever hoje. Pode ser a síndrome de final de ano que nos deixa um tanto abatido com essas tais gastanças e presentes. Gente correndo como louco por todos os lados com pacotes e sacolas nas mãos. Vitrines decoradas e luzes piscando. Vazio que bate no peito, ou na alma, pela repetição constante de “Boas Festas” e muita comida.

Você pode nem acreditar e ser contra esse sentimento, mas muita gente por aí entra em depressão e pede logo para a carruagem passar, se possível bem distante. É tempo de falar em solidariedade e ajuda, mas vem outro ano (não acho nada de novo) e se esquece dos excluídos, dos famintos, das injustiças sociais e dos desgarrados pelo mundo. As pessoas retornam para seus casulos da individualidade. Só pensam em competição e no ter.

Oi aí eu mudando de assunto! Dia desses estava refletindo sobre os “teatrinhos das entrevistas” para se conseguir um emprego. Os departamentos de recursos humanos e os homens responsáveis por contratações ensinam, nos mínimos detalhes, (tem até uma cartilha) como o indivíduo deve se comportar diante de um entrevistador.

Tem até a técnica do olhar e do aperto de mão. Não pode piscar muito as sobrancelhas, e sentar-se bem sem cruzar as pernas são as formas corretas. A roupa, nem se fala. Tem que ser combinando, e nem pensar de se apresentar com cabelo um pouco grande. É uma técnica burguesa toda especial da “linda aparência”. Tem outras regras e sutilizas que as pessoas devem decorar na ponta da língua. É o endeusamento da etiqueta acima de tudo.

Aí o candidato passa um tempão diante de um espelho, empostando a voz e fazendo macaquices as mais variadas. Ele é obrigado a mudar totalmente sua personalidade e até a maneira de caminhar, pelo menos até ganhar a vaga pretendida. Tem que ficar todo “metido” como se diz por aí.

Dentro da empresa ou do órgão, depois de todas essas formalidades, o funcionário passa verdadeiramente a revelar sua personalidade. Com o tempo começa a relaxar e chega a ir ao trabalho com qualquer roupa, cabelos sem pentear, e fala com o chefe e seus colegas totalmente diferente de quando se apresentou na entrevista.

Tem gente que até se veste escandalosamente. Teve um caso recente de uma recepcionista negra de um determinado colégio que estava indo ao trabalho com um vestido que chamava a atenção para seus quadris, de tão apertado que era. Seus cabelos não estavam condizentes para sua função.

Foi só a coordenadora chamar a atenção dos seus trajes, para a funcionária apelar de que a diretoria estava praticando racismo, preconceito e discriminação. Só faço uma pergunta: Será que ela se apresentaria assim em sua primeira entrevista para emprego? Claro que não. Iria decorar todo receituário, sem contestar.

Só estou tocando no assunto para dizer como essa sociedade burguesa é nojenta, hipócrita e superficial; feita de papel que se dissolve logo nos primeiros pingos d´água. Constrói uma aparência que se desfaz em pouco tempo. O conteúdo, a qualidade, a competência e a personalidade não deveriam estar acima dessas baboseiras? Não quer dizer com isso que o pretendente ao emprego apareça na entrevista nu, com palavrões e outros modos inadequados.

Pulando para outra questão que nunca deixo de falar, e entendo que deveria estar presente no nosso dia-a-dia, volto a tratar dos casos de corrupção, ou malfeitos, como queira a presidente.

Sobre este assunto, lembrei das palavras do Procurador da República, Vladimir Aras em entrevista à imprensa, ao dizer que a indignação do povo em relação à corrupção não consegue levar gente às ruas quanto levaria um trio elétrico. O pior é que quando se fala nisso numa roda, alguém dá uma cutucada do lado: Que cara mais chato!

Recentemente a caminhada do samba arrastou 600 mil pessoas pelas ruas de Salvador. Imagina agora o carnaval e as partidas de futebol! É muita energia para pouca causa! Pena que os estudantes e os trabalhadores ficaram no meio do caminho, enquanto avançou a barbárie capitalista. Mas isso já é outra história. Corra que eles estão atrás de nós!

No Governo, a figura da vez é o ministro Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, blindado pela presidência amiga. Fico a pensar que esses caras são os “gênios da raça”. Com apenas poucas consultorias ganham milhões de clientes anônimos. Olha o caso de Palocci!

O homem da vez está na cúpula do poder (pense na outra coisa), e passa de boca uma informação privilegiada. Recebe pelo serviço (não precisa ser em seu escritório) R$400, R$500 mil. É que o QI do povo é baixo demais e só têm burros e idiotas nessa terra. Essa imprensa é mesmo golpista. É tudo coisa da elite. Lá vai a caravana dos sabidos!

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