
Há poucos dias estava lendo denúncias num jornal da capital sobre documentos importantes que estão sendo queimados e destruídos por cartórios e prefeituras do interior e, então, veio logo à minha mente o Arquivo Municipal de Vitória da Conquista.
Antes de qualquer interpretação errada, felizmente aqui os documentos não estão sendo literalmente queimados e destruídos, mas, da forma como estão sendo armazenados pela Prefeitura, o Fórum e outros órgãos públicos, o destino deles é o desaparecimento com o passar do tempo.
Não é preciso ser especialista no assunto para dizer que o Arquivo Municipal de Conquista, hoje numa área abafada no térreo de um prédio da Rua do Triunfo, está num local inadequado, não oferecendo condições de conservação dos documentos. Por falta de recursos e uma política planejada de preservação, inclusive a digitalização dos principais registros históricos, muitos papéis estão vulneráveis às traças e aos ácaros.
Um Arquivo não pode ser tratado pelas prefeituras como um simples depósito de papéis, como sempre foi feito ao longo dos últimos séculos. O que se vem fazendo com nossos documentos é um crime de responsabilidade pública por parte dos poderes executivos. O pior é que existe um silêncio em torno da questão, inclusive por parte das camadas mais instruídas, enquanto a memória de um povo vai sendo destruída.
Pelo porte da cidade e pela sua história desde o final do século XVIII, com o desbravamento das terras pelo português João Gonçalves da Costa, Vitória da Conquista merece um Arquivo Municipal à sua altura, com área adequada, espaçosa e arejada, modernizada, informatizada e local amplo para pesquisas dos estudantes, professores e interessados.
O Arquivo Municipal de Conquista, pouco freqüentado por falta de divulgação, tem um acervo valiosíssimo que precisa de maior atenção e cuidado por parte do poder público. Não é só alocar uma área e ir despejando documentos de qualquer forma, sem a estrutura necessária à conservação. Só para ficar no básico, o local não comporta o arquivamento de mais pastas que chegam diariamente das diversas repartições.
Não fosse a boa vontade e dedicação dos funcionários que trabalham no setor, sob a batuta de Genivan, Verônica, Ramon e de todos os outros que ali atuam com afinco, a situação do Arquivo Municipal estaria bem pior e nossos documentos mais comprometidos ainda. Não basta a boa vontade de um chefe para mudar o quadro.
É bom lembrar aqui que pouca gente sabe onde fica o Arquivo Público Municipal. É que ele foi jogado num canto como coisa imprestável para amontoar papéis. Ele está sendo considerado como um simples depósito, sem importância. É como se fosse um peso pesado da administração.
Um arquivo público não deve servir apenas como local de guarda de documentos destinados à pesquisa. Nele pode ser inserida também uma política cultural mais ampla de visitação, exposições de artistas, realização de palestras, seminários, acontecimentos literários e outros eventos em parcerias e convênios com escolas, universidades, fundações e órgãos diversos.
Nos meus trabalhos como jornalista, inclusive na elaboração do livro “A Imprensa e o Coronelismo no Sertão do Sudoeste”, e agora na busca de dados sobre a Ditadura em Vitória da Conquista, o Arquivo Municipal tem sido uma fonte importante. Quando preciso, sempre recorro ao local e tenho sido bem atendido. Isso não quer dizer que a estrutura de trabalho seja ideal. Vejo com tristeza documentos sendo ameaçados pelo tempo.
O MUSEU DA IMPRENSA
Além das atas das sessões da Câmara de Vereadores, projetos, leis, decretos, assembléias e decisões do executivo e legislativo, marcos da nossa história, o Arquivo Municipal tem um razoável volume de jornais que circularam na cidade nos últimos cem anos.
Podia ter muito mais, mas o que ainda resta está sendo destruído pelo tempo devido a falta de recursos para conservação e o próprio local abafado que não é adequado. Volto a repetir que não basta o devotado cuidado por parte dos funcionários. Folheei, por exemplo, todos exemplares do “Combate” e do “Sertanejo”. Com todo esforço, Genivan está digitalizando boa parte desses documentos.
E por falar em jornais impressos, é uma pena que Conquista como pólo de desenvolvimento e capital do sudoeste ainda não tenha erguido um museu da imprensa para contar essa história que agora está completando 100 anos. Boa parte dos periódicos está espalhada entre particulares como Rui Medeiros e Jackson Rangel, principalmente, e no Arquivo Municipal, no Museu Regional e até no Fórum. Muita coisa está sendo perdida por falta de maiores cuidados.
O nosso amigo Rui Medeiros, por exemplo, tem um acervo precioso e bem cuidado, bem como Jackson Rangel. Não seria ideal que se formasse na cidade um grupo de intelectuais e interessados, inclusive a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), com apoio do poder público, e se criasse uma casa ou museu onde concentrariam todos esses jornais da época?
A UESB, por exemplo, tem o curso de Jornalismo, e poderia, em conjunto com esse grupo, fundar o Museu da Imprensa onde não abrigaria apenas coleções dos jornais, mas fotos antigas da cidade, livros, máquinas de linotipo, biografias de jornalistas da época e histórias do passado do nosso jornalismo.
Todo esse patrimônio espalhado por aí pode se tornar de domínio público para pesquisas e visitação. Por essa boa causa, tenho certeza que cada um doaria sua parte que lhe cabe nesse latifúndio.
Fica aqui lançada a idéia de fazermos em Conquista o Museu da Imprensa. Nosso amigo e companheiro Luis Fernandes, com sua boa vontade e esforço, já vem reunindo material valioso para divulgar uma revista sobre a História dos Jornais em Conquista nos últimos 100 anos. Está na hora de concentrarmos esforços visando o resgate dessa memória antes que se acabe com as traças.
Antes de qualquer interpretação errada, felizmente aqui os documentos não estão sendo literalmente queimados e destruídos, mas, da forma como estão sendo armazenados pela Prefeitura, o Fórum e outros órgãos públicos, o destino deles é o desaparecimento com o passar do tempo.
Não é preciso ser especialista no assunto para dizer que o Arquivo Municipal de Conquista, hoje numa área abafada no térreo de um prédio da Rua do Triunfo, está num local inadequado, não oferecendo condições de conservação dos documentos. Por falta de recursos e uma política planejada de preservação, inclusive a digitalização dos principais registros históricos, muitos papéis estão vulneráveis às traças e aos ácaros.
Um Arquivo não pode ser tratado pelas prefeituras como um simples depósito de papéis, como sempre foi feito ao longo dos últimos séculos. O que se vem fazendo com nossos documentos é um crime de responsabilidade pública por parte dos poderes executivos. O pior é que existe um silêncio em torno da questão, inclusive por parte das camadas mais instruídas, enquanto a memória de um povo vai sendo destruída.
Pelo porte da cidade e pela sua história desde o final do século XVIII, com o desbravamento das terras pelo português João Gonçalves da Costa, Vitória da Conquista merece um Arquivo Municipal à sua altura, com área adequada, espaçosa e arejada, modernizada, informatizada e local amplo para pesquisas dos estudantes, professores e interessados.
O Arquivo Municipal de Conquista, pouco freqüentado por falta de divulgação, tem um acervo valiosíssimo que precisa de maior atenção e cuidado por parte do poder público. Não é só alocar uma área e ir despejando documentos de qualquer forma, sem a estrutura necessária à conservação. Só para ficar no básico, o local não comporta o arquivamento de mais pastas que chegam diariamente das diversas repartições.
Não fosse a boa vontade e dedicação dos funcionários que trabalham no setor, sob a batuta de Genivan, Verônica, Ramon e de todos os outros que ali atuam com afinco, a situação do Arquivo Municipal estaria bem pior e nossos documentos mais comprometidos ainda. Não basta a boa vontade de um chefe para mudar o quadro.
É bom lembrar aqui que pouca gente sabe onde fica o Arquivo Público Municipal. É que ele foi jogado num canto como coisa imprestável para amontoar papéis. Ele está sendo considerado como um simples depósito, sem importância. É como se fosse um peso pesado da administração.
Um arquivo público não deve servir apenas como local de guarda de documentos destinados à pesquisa. Nele pode ser inserida também uma política cultural mais ampla de visitação, exposições de artistas, realização de palestras, seminários, acontecimentos literários e outros eventos em parcerias e convênios com escolas, universidades, fundações e órgãos diversos.
Nos meus trabalhos como jornalista, inclusive na elaboração do livro “A Imprensa e o Coronelismo no Sertão do Sudoeste”, e agora na busca de dados sobre a Ditadura em Vitória da Conquista, o Arquivo Municipal tem sido uma fonte importante. Quando preciso, sempre recorro ao local e tenho sido bem atendido. Isso não quer dizer que a estrutura de trabalho seja ideal. Vejo com tristeza documentos sendo ameaçados pelo tempo.
O MUSEU DA IMPRENSA
Além das atas das sessões da Câmara de Vereadores, projetos, leis, decretos, assembléias e decisões do executivo e legislativo, marcos da nossa história, o Arquivo Municipal tem um razoável volume de jornais que circularam na cidade nos últimos cem anos.
Podia ter muito mais, mas o que ainda resta está sendo destruído pelo tempo devido a falta de recursos para conservação e o próprio local abafado que não é adequado. Volto a repetir que não basta o devotado cuidado por parte dos funcionários. Folheei, por exemplo, todos exemplares do “Combate” e do “Sertanejo”. Com todo esforço, Genivan está digitalizando boa parte desses documentos.
E por falar em jornais impressos, é uma pena que Conquista como pólo de desenvolvimento e capital do sudoeste ainda não tenha erguido um museu da imprensa para contar essa história que agora está completando 100 anos. Boa parte dos periódicos está espalhada entre particulares como Rui Medeiros e Jackson Rangel, principalmente, e no Arquivo Municipal, no Museu Regional e até no Fórum. Muita coisa está sendo perdida por falta de maiores cuidados.
O nosso amigo Rui Medeiros, por exemplo, tem um acervo precioso e bem cuidado, bem como Jackson Rangel. Não seria ideal que se formasse na cidade um grupo de intelectuais e interessados, inclusive a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), com apoio do poder público, e se criasse uma casa ou museu onde concentrariam todos esses jornais da época?
A UESB, por exemplo, tem o curso de Jornalismo, e poderia, em conjunto com esse grupo, fundar o Museu da Imprensa onde não abrigaria apenas coleções dos jornais, mas fotos antigas da cidade, livros, máquinas de linotipo, biografias de jornalistas da época e histórias do passado do nosso jornalismo.
Todo esse patrimônio espalhado por aí pode se tornar de domínio público para pesquisas e visitação. Por essa boa causa, tenho certeza que cada um doaria sua parte que lhe cabe nesse latifúndio.
Fica aqui lançada a idéia de fazermos em Conquista o Museu da Imprensa. Nosso amigo e companheiro Luis Fernandes, com sua boa vontade e esforço, já vem reunindo material valioso para divulgar uma revista sobre a História dos Jornais em Conquista nos últimos 100 anos. Está na hora de concentrarmos esforços visando o resgate dessa memória antes que se acabe com as traças.