sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

TEMPO DE CLICHÊS

É final de ano e o começo do outro. É tempo dos clichês e dos bordões, comandados pela mídia que só faz repetir as mesmas coisas de sempre. Os termos mudanças, balanço, retrospectiva e perspectivas são os mais usados, sem falar do aparecimento de novas tecnologias que vão mudar a vida das pessoas, democratizar e incluir socialmente. Ah, tem ainda as "profecias" e previsões dos babalorixás, videntes, cartomantes, búzios, pais-de-santo e mais um monte de babozeiras de periferia, para enganar os leitores, os telespectadores, ouvintes e internautas de plantão.

Não suporto o papo de que as novas tecnologias vão mudar sua vida. Só sei que as novas tecnologias estão aí para aguçar o consumismo desenfreado, e levar todo mundo para a mesma vala. As pautas são as mesmas e as matérias enfadonhas, com análises e perspectivas auspiciosos. Os acadêmicos, sociólogos, antropólogos, filósofos e cientistas dão suas opiniões e levantam teorias para impressionar. Cada um arrota mais sabedoria que o outro. As linguagens são confusas e poucos entendem o que dizem.

Os políticos e governantes contam vantagens e fazem suas promessas encantadoras. Falam sempre em mudanças como se dependessem de uma simples passagem de ano. Como se tudo fosse uma mágica. Não é o ano novo que faz mudar as coisas. A cada dia, cada um tem que fazer sua mudança interior. Mas, paciência, vivemos no faz de conta, comendo clichês e acreditando em tudo.

Na análise do cenário econômico e político, talvez o "guru" dos tempos da ditadura militar, Delfim Neto, tenha dito algo interessante quando avaliou que "Lula está salvando o capitalismo". Uma cientista-política manda que esperemos dez anos para que novos valores se imponham. Já vi gente falar em 20. E o povo brasileiro continua esperando.

O antropólogo Alberto Albergaria confessa que não vê mudanças. Para ele, o que existe é uma continuidade de longa duração do que já havia sido modificado. Na Bahia, segundo Albergaria, as mudanças demoram mais tempo.

O sociólogo Gey Espinheira acredita que a TV Digital e a TV Pública vão influenciar as programações das TVs abertas. Acha que seremos afetados, inclusive com a possibilidade de quebra de hegemonia da Rede Globo. Conversa, TV Digital é só o nome. TV Pública é uma incógnita e não passa de mais uma estatal. Nada adianta tudo isso se não houver conteúdo nas programações. Não existe mídia democrática e universal.

O publicitário baiano Alexandre Augusto acertou em cheio quando afirmou que não dá mais para tolerar os clichês que se repetem a cada entrevista. Quer ver um clichê bonito: "O mundo está mudando numa velocidade vertiginosa". Alguma coisa tem que ser feita para quebrar a torturante monotonia de final de ano. Lembro agora da história contada pelo escritor e jornalista Heitor Cony sobre o vidente cego de Londres. Ele só dava entrevista a um único jornalista e fazia questão de que suas previsões ficassem no terreno da periferia, sem denominações, como pão-pão, queijo-queijo. Aquela coisa de dizer que um grande escritor vai morrer neste ano.

Agarrados aos símbolos, vivemos o tempo todo acreditando nas cores das roupas, tomar banho de mar na entrada de no novo, comer determinadas frutas e mais num monte de baboseiras. Acredite só em você e no Deus Supremo. Livre-se dos clichês, dessa propaganda enganosa, e condene a mídia burguesa repetitiva. Introduzem tecnologias "avançadas", novos visuais de artes coloridas, mas sem imaginação e criatividade nas mensagens.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

NÚMEROS GRANDIOSOS

Neste ano, até o último dia 14, a Polícia Federal realizou 188 operações especiais, que resultaram na prisão de 2.876 pessoas e na abertura de 75.628 inquéritos. Prendeu 203 pessoas a mais do que no ano anterior. São números grandiosos que impressionam, não fosse a triste realidade de que ninguém foi julgado e condenado á prisão. Nas operações de nomes os mais diversos como "Navalha", "Jaleco Branco", "Sanguessugas", dentre outros engraçados e ilariantes, todos foram soltos depois pela Justiça. Para 2008, segundo o ministro da Justiça, Tarso Genro, a PF promete intensificar o combate aos criminosos. Para decepcionar o povo mais uma vez? Esse negócio de que a lei é igual para todos é conversa fiada e só funciona na teoria. Aliás, não existe igualdade. Nascemos e somos desiguais perante a Justiça do Brasil.
CORPORATIVISMO
E por falar em Justiça, o nosso Judiciário é um dos poderes mais corporativistas, sem falar no Legislativo. A aposentadoria remunerada é o prêmio dado aos juízes processados criminalmente. É a punição disciplinar para os sabotadores das leis que recebem propinas por fora. É um dos privilégios mais antigos da toga. Provoca perplexidade que aquele que usurpou de suas competências seja agraciado com a concessão de um benefício. Além do mais, a punição remunerada tem amparo numa lei editada durante o regime militar, em 1979. O privilégio aos senhores absolutos, com poderes majestáticos de que fala o escritor Nelson Werneck Sodré, existente desde o início de 1900, no seu livro "A Coluna Prestes", não acabou. E os salários polpudos são uma afronta aos brasileiros que ainda vivem no sistema escravocrata de todas as cores, branca, negra, parda ou morena. Continuamos sustentando esses senhores oligárquicos que ainda mantém o lixo da ditadura militar.
OPERAÇÃO CONDOR
E como uma coisa puxa outra: A Justiça da Itália está pedindo a extradição e a prisão de 140 sul-americanos, entre eles 13 brasileiros envolvidos em crimes de tortura e assassinato durante a ditadura militar na denominada Operação Condor, tramada pelo Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai e Bolívia. Muitos cidadãos italianos foram mortos. A Operação Condor, que mais poderia se chamar "Com Dor", foi montada por estes países para coordenar serviços de inteligência, ou brutalidade, para perseguir oponentes dos regimes militares. Morreu muita gente. O governo brasileiro, dito de esquerda, não tem coragem de bulir nos torturadores e vai logo dizendo que não tem extradição, ou que os crimes prescreveram. É isso aí... A queima de documentos sigilosos na Base Aérea de Salvador não deu em nada mesmo! Falam ainda na tal anistia que, se houvesse Justiça limpa nesse país, já teria acabado com isso. Os torturadores têm que ser punidos, como estão sendo na Argentina, Chile e Uruguai. É uma vergonha o nosso país. Se o Congresso fosse sério e quisesse mudar alguma coisa, já teria tirado esse lixo.
RECUPERAÇÃO
E como no Brasil, uma sujeira sempre está ligada a outra, depois de inocentar um senador trapaceiro(0 Renan Calheiros), agora o Senado fala em priorizar o resgate ético. Mas, como fazer isso, se o senador continua lá armando suas maracutaias e vendendo bois a peso de ouro? Agora os senadores falam em recuperar a credibilidade e dizem que o episódio foi superado. Eles dizem isso porque conhecem muito bem o povo brasileiro, que é acomodado e esquece os crimes do dia anterior. Aliás, o Congresso vai continuar dando uma banana à opinião pública e metendo o pau na imprensa, como faz o executivo que monta uma TV Pública e decreta censura quando se faz críticas ao governo.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

CONTRADIÇÃO

Pregam que Natal é festa de amor, paz e adoração
Dizem que Natal é sonho, saudade e felicidade
É dia de acolhimento, de festa e encanto
É também contradição
entre a fartura e a fome
Natal é lembranças e nascimento
É doação
para acalentar a consciência
É dia de comidas exóticas nas novelas
ligadas nas televisões
das mansões e dos barracos
É dia de alegria e de tristeza
É noite de trocar presentes
para não se ficar
de fora da ilusão
É tempo de correria
do consumo devorador
de olhos fitos nos caixas
dos cartões devedor
Não é mais um Natal com contrição
É um cometa que todo ano passa
no espaço mecânico
Um retorno à festa pagã
É muito luxo
cada menos cristã

AS CANÇÕES DE AMOR



O amor é o seu mastro de salvação, é um veleiro que navega em rios e mares, aportando em terras longínquas para conhecer gentes diferentes e levar a mensagem de conforto em forma de oração e louvação para os mais carentes. Seu amor é reconciliação, é uma estrela de esperança. Assim cantam as letras na voz do compositor e poeta nordestino, baiano e conquistense Evandro Correia, que abre seu baú da vida para falar um pouco da sua carreira, de cultura, das dificuldades para vencer, de artistas que admira, de seus projetos e da sua terra natal onde nasceu e a tem como mãe.



O menino que aprendeu a cantar, acompanhando as missas nas igrejas das Graças(rua Otávio Santos) e na São Miguel(bairro Alto Maron), em Vitória da Conquista, seguiu seu caminho musical e há 19 anos vive fazendo sua arte com dedicação e profissionalismo. Na verdade, pode-se dizer que seu trabalho está completando 27 anos de duração já que em 1980 fez sua primeira aparição no Festival Estudantil da Bahia, no Ginásio Raul Ferraz de Vitória da Conquista, arrancando o primeiro lugar na classificação, com a música “Rosa Flor”.



A partir daí, Evandro Correia foi cantando suas melodias em festivais de Conquista e de outras cidades até cravar seu sucesso com a música “Menino da Vida”, cujo clip foi lançado pela TV Sudoeste logo que se instalou na região há 17 anos. Evandro não parou mais de cantar e suas obras são verdadeiras apologias ao amor e bálsamo para o espírito. Tímido, calmo e de voz pausada, o artista vai falando das dificuldades que existem para se produzir cultura neste país, mas acredita na vitória quando se esforça e se quer vencer.



Em 1990, com a carreira mais sedimentada, grava o CD “Menino da Vida”. Foi seu primeiro disco oficial/solo com produção de João Leme e Waltinho Amorim. Depois veio “Gema”, em 1993, com produção de Marcos Ferreira. Passou uma temporada no Rio de Janeiro nas noites cariocas; esteve em São Paulo e norte de Minas Gerais; e em 97 gravou “Divindade”. O artista continuou cantando em casas de shows pela Bahia a fora e fazendo suas composições nas horas vagas e de inspiração. Em 2001 lançou o disco “Garimpeiro do Sonho.”



Além das suas baladas misturadas a outros ritmos, Evandro sabe cativar o público também com o forró como nos dois discos que gravou em homenagem ao rei Luiz Gonzaga e ao Trio Nordestino(há três anos que ele faz São João). Ao todo são oito trabalhos elaborados com dedicação e amor, tema que ele mais aborda nas suas cantorias, acompanhadas de uma banda formada por violões, violino, violoncelo e bateria. Com seu jeito de ser simples e profundo, o artista lançou no início deste ano o seu primeiro DVD, o “Pulo do Gato”.



“Meu público gosta de uma mensagem mais direta, limpa, com um romantismo social, consciente e politizado” – foi assim que Evandro definiu o seu produto musical, e a forma como as pessoas apreciam suas obras. Suas canções são urbanas e populares, com um forte tempero romântico, sem pieguices. “O povo gosta desse lado romântico que luta pelas conquistas e briga para prosseguir com as coisas”.



Sobre as dificuldades, o compositor conquistense encara os problemas com otimismo e garra, apesar de reconhecer que viver de arte no mundo é uma tarefa quase impossível. “Quanto a mim, que não tenho gravadora e sou independente, sempre procurei buscar meu espaço, com coerência, dignidade, transparência e respeito aos outros”. A cultura de um modo geral no Brasil, na sua visão, não tem sido prestigiada como deveria, mas não coloca toda culpa no governo. Para ele, o artista tem que se impor e produzir mais, independente do poder público.




Para o músico, Conquista é sua terra natal que muito preza, pela personalidade e inteligência de seu povo a quem muito deve, “pois aqui sempre tive um espaço aberto e foi onde tudo começou”. Ele promete para 2008, novos projetos, novas canções em CD e DVD, com violão e orquestra de cordas. Como letrista e compositor, Evandro se identifica como dono do circo que faz de tudo, desde a comida para o leão, a varrer a área e tomar conta da bilheteria.

"PULO DO GATO"


O seu primeiro DVD “Pulo do Gato” é recheado de romantismo como toda sua obra, mas sem ser meloso. Nas suas definições de amor, está sempre lembrando do sertão como seu parceiro na vida. É um romantismo com conteúdo, como a primeira canção “Eu e Ela” que fala da procura e da doação. “O amor é jóia rara” – canta Evandro que sabe ser inconfundível na sua mensagem. A canção “Gema”, muito conhecida, faz uma declaração de amor à sua gema da vida. Não tem vergonha de dizer que quer o teu amor. “É assim que sempre quis”. “Menino da Vida” é o diamante da sua carreira e uma melodia dedicada à natureza e à vida. Seus passos pisam em pedras, mas encontram também o sorriso e a vida para navegar – diz Evandro.


“Estrela Guia” fala do amor à primeira vez. Nela, ele é um amante da vida e do amor. Derrama um amor que encanta, e canta numa linguagem sem pieguices. Na canção “Roxo”, em violão e violino, compara a chegada das águas com as lágrimas que caem por amor. Em “Eternamente”, o artista, com seu jeito tímido, diz que sem você não há luz no infinito, não há mundo, não há lugar. Eternamente é como um viajante solitário que sem amor não tem histórias para contar.


Trago flores para você para que o amor não morra nas trevas – é a mensagem do artista na canção “Canôro”. Já “Marcéu”, “Marlua” e “Lis” são baladas dedicadas aos seus três filhos adorados. Sobre “Marlua”, canta ser ela o filme mais bonito que já viu. “É o livro mais profundo que já li”. Em “Lis” é verde tua visão; é chuva no sertão. Pede ao seu filho “Marcéu” para que lhe abrace forte quando chegar e dê sua mão.


Evandro canta ainda a “Lua de Agosto” que é puro amor e roga para seus olhos encontrar os olhos dela; “Sanha” diz que o amor é o pai, é a mãe; “O Tango da Onça” fala do amor selvagem que lambuza, rainha das grutas de dentes macios, me usa, abusa para comer mais tarde; “Na Mira”, o artista quer fugir da solidão e se revela ao afirmar que salve, salve o que vier do amor. Completa seu trabalho com “Canção Serenata”, “Duas Bandas” que narra o sofrimento de quem foi embora, das carências, das recordações(quando olho para a lua vejo teu rosto); “Devoção”, que de forma clássica na letra e na música, faz uma louvação ao amor e compara a falta dele ao sertão sem chuva; “Saudade de Endoidecer”, que dói noite e dia sem te ver; “Branca” e “Cadê My Love” encerram o DVD.


HISTÓRIAS MANCHADAS

Com sete tiros a "queima-roupa", executaram o brasileiro Jean Charles de Menezes, no metrô de Lobdrers em 2005. Nada acnteceu de lá para cá. Ah, sim, aconteceu: a polícia foi promovida.
Já aqui no Brasil, estrangeiro é bem tratado quando comete arruaças e crimes. Temos um medo danado de "gringo" e lhe damos uma importância de superioridade. Para o brasileiro falta emprego, mas para o estrangeiro, o trabalho é certo, especialmente se for americano dos Estados Unidos.
É uma vergonha. Denota que temos complexo de inferioridade. O "gringo" já nasce sabendo. O brasiliero tem que aprender e muito. Mesmo assim, não fica competente.
Para mostrar como funcionam as coisas por aqui quando envolve estrangeiro, veja esta observação de um brasileiro sobre a questão, enviada pelo nosso jo0rnalista Juscelino Souza:

Excelentíssimos(as) e Ilustres:


Estranhei três reportagens que assisti semana passada, na primeira, um grupo de americanos era preso por crime de pedofilia. Não foram algemados mesmo demonstrando agressividade com a policia. Sobre o mais agressivo a reportagem citou que era das forças armadas americanas.

Numa segunda já não ouvi menção ao tal militar americano, e na terceira, entendi que ele está foragido e é suspeito de um crime. Como se deu essa fuga?

Lembrei de dois episódios totalmente subalternos que mancham nossa história:

1 - Um honesto cidadão brasileiro em Recife, emprestou dinheiro a um embaixador frances. Não tendo recebido, resolveu bater na Embaixada e cobrar. Prontamente recebeu como resposta que aquela atitude era um displante, uma ofensa à França! O dito embaixador, não satisfeito, exigiu
das autoridades brasileiras uma enérgica resposta e...PRONTAMENTE FOI ATENDIDO: Autoridades" subservientes mandaram perfilar a guarda e dar uma salva de tiros.

2 - Três oficiais da marinha inglesa que estava ancorada no porto do Rio de Janeiro, tomaram quantas quiseram e resolveram fazer o que mais lhes apeteciam: destratar os brasileiros(as) e passaram a espancar mulheres e escravos que encontravam. Chamada, a policia prontamente prendeu os delinquentes> Ocorre que o embaixador inglês entrou na história e fez disso um embate diplomático, sendo atendido no pleito e logo vendo seus compatriotas delinquentes liberados.

É uma lástima, a memória de Jean Charles sofre com tais diferenças e submissão.

Alírio Cavalcanti

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

FESTA DE ANIVERSÁRIO DA APAE

VEJA OS 30 ANOS DE ANIVERSÁRIO DA APAE PELAS LENTES DO FOTÓGRAFO JOSÉ SILVA QUE CAPTOU TODOS OS LANCES E OS MOMENTOS MAIS EMOCIONANTES. A FESTA FOI REALIZADA NO ÚLTIMO DIA 19/12 NO CENTRO DE CULTURA CAMILO DE JESUS LIMA. PAIS, ALUNOS E FUNCIONÁRIOS ESTIVERAM LÁ E FIZERAM SUAS HOMENAGENS AOS 30 ANOS DA INSTITUIÇÃO. FUNDADA EM 1977, A APAE HOJE JÁ CONTA COM 300 ALUNOS PORTADORES DE DEFICIÊNCIA QUE ESTUDAM, PRATICAM OFICINAS DE TRABALHO, ESPORTES E LAZER. A COMUNIDADE DE CONQUISTA TEM DADO SEU APOIO, MAS PRECISAMOS DE MUITO MAIS PARA FORTALECER A INSTITUIÇÃO.
OS ALUNOS FIZERAM UMA BELA APRESENTAÇÃO DE TEATRO COM CONOTAÇÕES SOBRE A QUESTÃO DO PRECONCEITO E CONTRA A DISCRIMINAÇÃO. O BALÉ TAMBÉM FEZ PARTE DA PEÇA, BASTANTE APLAUDIDA.
O PRESIDENTE DA APAE, CARLOS REZENDE FOI UM DOS HOMENAGEADOS PELOS ALUNOS E FUNCIONÁRIO DA INSTITUIÇÃO.



PRESIDENTE FAZ SAUDAÇÃO PELA PASSAGEM DOS 30 ANOS





O BOLO COMEMORATIVO DOS 30 ANOS DA APAE DE VITÓRIA DA CONQUISTA








BOLO HOMENAGEIA OS 30 ANOS
UM ALUNO CANTA O HINO NACIONAL
. ALUNOS FAZEM APRESENTAÇÕES DE CANTO NAS HOMENAGENS AOS 30 ANOS DA APAE DE CONQUISTA






UMA DAS FUNCIONÁRIAS HOMENAGEADAS NA FESTA DOS 30 ANOS DA INSTITUIÇÃO. GRATIDÃO DA DIRETORIA E RECONHECIMENTO PELOS TRABALHOS PRESTADOS. OS ALUNOS MAIS ANTIGOS TAMBÉM FORAM LEMBRADOS.



















































































quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

OS MAIS POBRES


O maior número de municípios com os piores Índices de Desenvolvimento Social(IDS), segundo estudos da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais(SEI), da Secretaria de Planejamento do Estado, está concentrado na região sudoeste, o que revela estado de pobreza. O IDS é composto dos índices de saúde, educação, oferta de serviços básicos e renda média dos chefes das famílias.


Entre os 25 piores estão Mirante(o menor PIB do Brasil), Maetinga, Boa Nova, Caetanos, Guajeru, Ribeirão do Largo, Caatiba, Jânio Quadros, Piripá, Encruzilhada, Anagé, Barra do Choça, Lagoa Real e Caraíbas.


Entre os melhores, Vitória da Conquista é o sexto, abaixo de Lauo de Freitas, Salvador, Barreiras, Itabuna e Madre de Deus.


Quanto ao IDE(Índice de Desenvolvimento Ecônomico) que mede o consumo de energia elétrica, terminais telefônicos, estabelecimentos bancários, comerciais, serviços e nível de escolaridade dos trabalhadores formais, Conquista é o sétimo, abaixo de Salvador, Camaçari, São Francisco do Conde, Feira de Santana, Lauro de Freitas e Simões Filho.


Entre os piores, Bom Jesus da Serra é o segundo e está localizado em nossa região. Conquista faz parte do seleto grupo dos 45 municípios acima da média dos dois indicadores e apresenta vantagens competitivas para atrair empreendimentos. Acontece que na prática não é o que tem acontecido. O município precisa brigar por mais investimentos empresariais para reduzir seu alto índice de desemprego.


A redução da população parece refletir o baixo IDE e IDS. Na contagem do IBGE(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Guajeru, na região sudoeste, foi o que mais perdeu na Bahia. Passou de 12.836 habitantes em 2000, para 7.062 em 2007. No nosso território, tivemos ainda quedas significativas de população nos municípios de Maetinga, Caraíbas, Caatiba, Mirante, Encruzilhada, Potiraguá, Ibiassucê, Boa Nova e Barra dom Choça.


Em termos de PIB(Produto Interno Bruto) - soma das riquezas - o município de Salvador é o primeiro, seguido de Camçari, São Francisco do Conde, Feira de Santana e Simões Filho, Os cinco primeiros respondem por 50% do PIB baiano. Vitória da Conquista é o sexto, com R$1,7 bilhões, ou 1,97% do total do Estado. O PIB da Bahia é de R$90,9 bilhões, e o setor de serviços é o que mais se destaca. Em serviços, por exemplo, Salvador é o primeiro e Conquista é o quinto.


No programa Bolsa Família, que no Brasil atinge 45,8 milhões de pessoas, a Bahia congrega 12%. Os municípios do semi-árido são aqueles que têm o maior número de beneficiados. Os dados significam que temos no país 45 milhões de pessoas vivendo em estado de pobreza porque dependem do dinheiro do Bolsa Família para a sobrevivência.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

OS 30 ANOS DA APAE

Foto de José Silva que esteve presente no evento dando sua contribuição através da sua arte de fotografar
Foi em 1977 que a Apae-Associação de Pais e Amigos Excepcionais se instalou em Vitória da Conquista. Localizada na avenida Rosa Cruz, ao lado do Centro de Cultura, a instituição foi enfrentando desafios para sobreviver, com ajuda do poder público e da comunidade. Atravessou momentos difíceis, mas resistiu e ontem foi realizada uma festa em comemoração aos seus 30 anos de fundação.


Houve pronunciamentos de sua diretoria, comandada pelo dedicado presidente Carlos Rezende, mas, mais uma vez os alunos roubaram a cena com apresentações teatrais, cantos e danças. Nessas ocasiões, eles sempre surpreendem, transmitindo carinho e amor. Foi uma festa digna da instituição e bem preparada pelos seus funcionários, pais e professores que deram um toque todo especial. Um vídeo elaborado pela agência Mangalô contou toda história da Apae de Conquista que hoje abriga 300 alunos portadores de deficiência. Na oportunidade, o presidente Carlos Rezende, a ex-presidenta, dona gerusa, fundadores, alunos e funcionários mais antigos foram homenageados.


Os pais, na maioria pobres, que tanto orgulho têm da instituição, estiveram lá, como fazem em todos os chamados. Pena que os chefes do poder público municipal não atenderam ao convite da Apae no seu aniversário. Os dirigentes das entidades privadas, também não. Alguns representantes, mas não faz mal. Os políticos e vereadores não apareceram para prestigiar a festa, mas é bom que eles saibam que a Apae continua crescendo com seus programas, como o da Central de Doações, oficinas para os alunos, o ensino educacional, o projeto contra a violência sexual, o posto do SUS, a inclusão no mercado de trabalho e tantos outros na área social e de saúde.


A Apae de Conquista ainda é jovem, mas já está galgando a fase do amadurecimento e da experiência. Vai continuar precisando do apoio de toda comunidade e de seus representantes. Não basta apenas a doação material em dinheiro, ou produto. A presença talvez seja mais importante. Portanto, as pessoas devem conhecer a instituição e levar um pouco de carinho para seus alunos. E para dizer a verdade, poucos conquistenses conhecem a Apae por dentro e o que ela faz e está fazendo. Acompanhe o seu trabalho.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

DEMOCRACIA MENTIROSA

Com o pedido de asilo político dos músicos cubanos que tocaram em Recife, a Rede Globo estampou uma série de matérias criticando e dando "porrada", como se diz no jargão jornalístico, no regime de Fidel Castro, na ilha onde as pessoas passam fome e não têm liberdade de expressão. Colocaram até a filha de Fidel para falar contra seu pai e se reportaram às equipes de salvamento como heróis daqueles que se aventuram no mar para alcançar a costa dos Estados Unidos.
Já que fez suas suítes e boxes, a emissora deveria falar também do bloqueio político, social e econômico americano que já dura 47 anos e tem deixado a população sem alimentos, e o país sem meios para alavancar seu desenvolvimento. Deveria falar dessa cruel tirania dos Estados Unidos e da invasão à Baía dos Porcos, programada pela CIA e rechaçada pelos cubanos. Deveria falar da opressão e da acirrada propaganda capitalista que o Governo dos Estados Unidos mantém contra Cuba ao longo desses anos.
Só assim a matéria ficaria completa e a emissora cumpriria sua função de fazer um bom jornalismo esclarecedor, para que todos entendessem a situação. Deveria falar do alto nível educacional e da qualidade de saúde que recebem os cubanos, apesar do bloqueio mantido. Falar dos esforços que o país tem feito para superar suas dificuldades.
Que moral temos para falar em democracia em nosso país quando o Brasil é detentor dos piores índices de Desenvolvimento Humano, uma das maiores concentrações de rendas do mundo, os maiores níveis de desigualdades e injustiças sociais? Que democracia é essa onde a lei só é igual para todos na teoria? Onde existem ainda milhões de famílias passando fome, mesmo com o Bolsa Família? Onde a corrupção é uma das maiores do mundo e deixa a população mais pobre e sem assistência social? Onde a maior parte da mídia é elitista e manipula as informações de acordo com seus interesses? Onde o sistema prisional tortura os presos e deixa-os como bixos e animais nas cadeias?
A democracia do Brasil e dos Estados Unidos é mentirosa e falsa. Só nos achamos melhor porque podemos xingar o presidente da República? Só porque votamos, mesmo não sabendo escolher os candidatos certos que estão cada vez mais escassos? As atrocidades cometidas pelos americanos em Quatánamo em sua base em território cubano bem que mereceriam uma série de matérias condenáveis. Esquecemos que os EUA contribuíram para o golpe militar em 1964 e por pouco não invadiu nosso território como fez em várias nações do mundo, espalhando o terrorismo.
Nem é preciso ir muito longe. O Iraque está bem perto de nós. A propaganda capitalista aterroriza as cabeças menos culta, de pouca instrução, de pouca visão sobre o mundo, sobre o que é mesmo democracia plena, Nossa democracia é muito parecida com o consumismo, com o ter individual de cada um, que não importa para o coletivo. Achamos que é só dar uma cesta de Natal, ou um quilo de feijão, e aí estamos redimidos de nossos pecados. É bom que se diga que temos uma democracia muito relativa.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

SEM LEITURA

Em se tratando de qualidade de leitura, o Brasil é um dos piores do planeta Terra(devia se chamar de Água), no mesmo nível dos países mais pobres e atrasados. É lamentável, mas estamos atrás das nações da América Latina.
É triste a notícia confirmada por pesquisa que dá conta que 50% dos estudantes não entendem o que lêem. A situação está piorando a cada ano, e ainda o Ministro da Educação tranquiliza, pedindo mais tempo. Os especialistas dizem que a incapacidade de leitura compromete a capacidade de entendimento dos conteúdos de todas as matérias.
Não se pode dizer que o quadro reflete as deficiências passadas. Não, o Brasil atual, enveredado e enterrado no consumismo, endeusa o espetáculo eletrônico, e "apresenta a ilusão de que as tecnologias digitais asseguram todo acesso ao saber" - disse o professor e escritor Ubiratan Castro.
O governo está mais preocupado em dar a cada aluno um leptop e esquece de que a operação da máquina depende de um boa boa leitura. O sistema educacional neoliberal induz o sujeito, de forma deficiente, a apenas competir no mercado capitalista selvagem, e esquece totalmente a formação humanista.
Como afirma o professor Ubiratan, a leitura é indispensável ao desenvolvimento do país. Não se viu nada ainda da proclamada Aceleração do Crescimento para a área de cultura. Não existe uma política do livro, da biblioteca, da leitura. O que tenho visto por aí é papo furado de que o livro vai se acabar para dar lugar á internet, e tome computador nos analfabetos.

CENSURA PÚBLICA

Antes da entrevista, a jornalista pediu ao professor de Comunicação, Felipe Pena, que moderasse nas críticas ao governo Lula, porque poderia ser demitida. A gravação foi feita e o professor manteve as críticas. Quando o programa foi ao ar, ele desapareceu.
O fato faz lembrar a época da ditadura militar, mas é recente e aconteceu na nova TV Brasil, denominada de Pública, que está mais para estatal e oficial, como venho dizendo há tempo e durante a gestação do seu formato. Quer dizer que essa TV Pública veio para disputar espaço com a rede privada e cometer os mesmos erros e pecados contra o bom jornalismo e a liberdade de expressão? Que belo exemplo!
A explicação da direção da TV Brasil, nomeada pelo presidente da República(o primeiro equívoco), de que o episódio ocorreu na passagem da TVE para a "nova emissora", por insegurança do pessoal, não convence. Mas, o professor confessou ter notado, nos últimos meses na TVE, sinais de desagrado quando se tecia críticas ao governo.
Editorial do jornal A Tarde(edição do dia 13/12) diz que TV Pública pressupõe independência de pensamento e de expressão, e cita como exemplo a BBC de Londres. Caso contrário, tende a perfilhar os encapuzados propósitos de uma mídia a serviço da propaganda do Estado. Destaca ainda que a ingerência do Estado induz ao estilo do Pravda(dos comunistas soviéticos) de fazer jornalismo. Sem liberdade de criticar o governo, a mídia será mera porta-voz de uma situação, como quis Fidel Castro - rebate o professor da Unicamp, Roberto Romano.
Que domocracia é essa? Depois chamam os veículos privados de tendenciosos e manipuladores quando levantam críticas ao governo. Que moral é essa? Além de expressar idéias conservadoras, a dita esquerda de hoje tem uma visão unilateral de democracia.
Agora mesmo, o governo está impondo a Transposição do Rio São Francisco contra os argumentos mais sérios e técnicos movidos pela sociedade organizada, inclusive de organismo ligados ao Estado. O início das obras pelo Exército faz lembrar, mais uma vez, a ditadura militar, quando Medici mandou tropas para a abertura da Rodovia Transamazônica.
Existem estudos que comprovam que com a metade dos recursos que serão gastos nesta obra(R$6,6 bilhões), é possível levar água e beneficiar quase 40 milhões de pessoas no Nordeste, ao invés de 12 milhões como estimam. O Atlas do Nordeste aponta ser possível beneficiar 1.356 municípios, no lugar de pouco mais de 300 como estão prevendo. Esta obra é um crime, mas o governo diz que crime é o frade fazer greve de fome. O mal do país, é que a população não se levanta contra os absurdos e a maneira de se fazer política na base da censura e do toma lá, dá cá. Está constatado: a obra só beneficia o grande agronegócio.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

O CRIME DO CARVÃO


Há quinze dias, o Diário do Sudoeste publicou comentário feito por mim sobre o tráfico de carvão na região sudoeste, comandado por uma quadrilha organizada e muito perigosa que deve ser combatida pelas autoridades. Há anos que venho chamando a atenção para esta agressão contra a natureza. Existem ainda associações de reflorestamento de fachada que dão cobertura e não cumprem com o que determina a lei do desmatamento.


Agora o jornal A TARDE, Sucursal de Conquista, edição de domingo e de ontem(2 e 3/12) em matéria repetida(erro editorial)publica resultado parcial da operação de Fiscalização Preventiva Integrada(FPI) onde a promotora de Paramirim, Luciana Khoury diz que existem suspeitas de crime organizado na produção de carvão.


Ora, não é nenhuma novidade a descoberta. Esse tipo de ação com notas falsificadas de transporte do produto já perdura há anos na região. Não existem suspeitas. O que existe mesmo são quadrilhas organizadas. É que no Brasil, todos os crimes e criminosos não passam de suspeitos e não saem desse ponto. Até hoje ainda dizem que o mensalão é uma suspeita. É típico do nosso judiciário parar no termo suspeito. O cara é preso com todas as evidências, mas continua suspeito e os processos esbarram nas prateleiras das traças.


Apreenderam, ilegalmente, 14 toneladas de madeira nativa e 300 toretes de pau-d`arco extraídos para produção de carvão. Foi constatado que existe crime organizado, desde o desmatamento, passando pelo transporte e aquisição do produto com falsificação de notas fiscais, e ainda chamam isso de suspeitas! As coisas no Brasil funcionam assim. Depois, esquecem tudo e ninguém fala mais nisso. Agora estamos na Operação Jaleco Branco, e das outras ninguém nem sabe mais a denominação. Todos foram soltos e tudo continua como antes na Casa de Abrantes. É a cultura da impunidade e das suspeitas.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

AO MEU AMIGO RUY BACELAR

FOTO DE JOSÉ SILVA


Não vi, nem ouvi da parte do poder público municipal, da Câmara de Vereadores, da UESB, das entidades de classe de Vitória da Conquista, notas ou menções de pêsames sobre o falecimento do geofísico Ruy Bruno Bacelar de Oliveira, que tantos serviços prestou ao município e à região, além do seu conhecimento e cultura que marcaram sua passagem pela terra. É muita ingratidão pelo trabalho que representou Ruy Bruno Bacelar e seu pai para a cidade.






É isso mesmo caro amigo, nosso sistema é perverso e as pessoas sérias e trabalhadoras não são tão lembradas quanto os políticos manipuladores da gente ignara que conquistam o poder com seus truques ilusionistas, ou na base da força como fazem os coronéis. Nesse esquemão maldito, só conta quem ainda está na ativa. Você vale o quanto pesa.






Ao meu amigo Ruy com quem tanto confabulei sobre esses temas e outros dos seres humanos, fica a recordação dessa foto clicada pelas lentes do fotógrafo José Silva, quando mostrava a capa do jornal 'Avante' do seu pai. Seu nome não só está registrado dentro do meu livro "A Imprensa e o Coronelismo", mas dentro de mim. Ao amigo, a minha admiração por não ter nunca fugido da luta, mesmo com suas críticas contra atitudes do poder, e ter se retraído das badalações sociais.






Ao meu amigo, a minha homenagem como pessoa sensível aos problemas sociais e um crítico ferrenho da corrupção, da malandragem, da destruição da natureza e do capitalismo selvagem. Ao meu amigo, que deve estar nesse momento agradecendo essa simples lembrança do meu coração, o meu abraço e de toda natureza do Sertão da Ressaca que está festivo com as águas que caem na terra árida e rachada pela seca de tantos meses.






Como os céus, você também tinha seu regador e molhava essa terra do seu jeito. Como o beija-flor, ou a abelha que produz o mel, você também deixou sua contribuição. Não foi só uma nuvem passageira sem água e esperança. Plantou suas árvores e colheu seus frutos. Deixou ensinamentos e fórmulas. Deixou marcas por onde passou com seus sapatos e sandálias. Estendeu as mãos por várias vezes para realizar o benefício e se tornou imortal.






Só não gostei de ter partido muito cedo e me deixado aqui para tomar conta da minha solidão interior. Podia, pelo menos, ter se rebelado contra o destino de todos nós, e dado mais um tempo, ou me avisado da sua partida para fazermos uma bela homenagem entre amigos. Podia ter dado um não e seguido em frente. Ter enganado a quem a vida toda nos engana.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

TRISTE PARTIDA

É amigo Rui Bruno Bacelar de Oliveira, você me pegou de surpresa ao partir da terra que tantos serviços prestou com sua inteligência, seus conhecimentos e sua visão de vida; de mundo, de Brasil, da Bahia e de Conquista, sem contar sua ética, honestidade, assiduidade ao trabalho e seriedade. Para mim, seus amigos e familiares, foi uma triste partida.

Quanto a vida aqui na terra e os ministérios que nos separam do outro lado de lá, não posso dizer se foi triste. Só sei dizer que fica dentro de mim a saudade, e nunca vou esquecer dos nossos longos papos produtivos nos finais de tarde e começo da noite quando nos reuniámos no bar Canteiros, do Hotel Livramento, com o fotógrafo D´Almeida e outros. Você pedia sua pequena dose de uisque com água, e eu a minha cervejinha. Chegava sempre com um CD de sua preferência e mandava o garçom colocar para tocar. E a sua gaita, Ruy! Espero que tenha levado consigo. Se esqueceu, você vai conseguir outra aonde estiver. Toque lindas músicas...

No bar, giravam boas discussões sobre política, filosofia, literatura, economia, modo de vida, as aberrações e contradições da vida pública brasileira, entre outros assuntos. Às vezes, o debate esquentava e cada um tinha seu ponto de vista, mas saíamos brincando e gozando um com o outro. Aprendi muito com você nas conversas e nas entrevistas que me deu como jornalista, especialmente sobre temas da geofísica do qual era e ainda é doutor.

Além da sua especialização, o professor Ruy Bruno Bacelar carregou muita coisa do seu pai Bruno Bacelar e foi escritor e historiador, deixando para nós vários livros, teses, depoimentos, comentários e artigos, destacando "De Caldeirão a Pau de Colher: a Guerra dos caceteiros", que faz uma análise das conjunturas política e econômica do Brasil, sobre o misticismo no Nordeste, o bombardeio da Chapada do Araripe onde se escondiam os remanescentes de Caldeirão e a história do beato Severino Tavares. Outro livro importante escrito por ele foi "Canudos: O Assassinato da Liberdade". Em suas análises e pontos de vista sempre foi incisivo e defendia seu pensamento com convicção, coragem e sabedoria.

Eu queria um dia lhe agradecer muito por ter me incentivado a escrever "Terra Rasgada - crônicas, versos e prosas" e " A imprensa e o Coronelismo no Sertão do Sudoeste", inclusive sobre este último me passou muitos subsídios a respeito do jornalista seu pai Bruno Bacelar, e mais informações sobre a mídia escrita na região.

Onde estiver agora, faço o meu agradecimento por ter me ensinado e estimulado a escrever, mesmo sabendo das agruras da arte. Me deu forças também para que eu escrevesse um trabalho sobre a Serra do Periperi, pena que não foi possível a sua publicação por falta de patrocínio. No entanto, guardo comigo sua colaboração como geofísico quando se dispôs subir a Serra comigo e meu filho Caio, para realizar uma análise geofísica da área. Estão aqui comigo todas suas conclusões sobre o terreno, o lençol freático e mais detalhes da Serra, tão agredida nos últimos 50 anos pelo ação pedradora do homem. Você se irritava Rui, e tinha razão, quando se fazia uma agressão á natureza. Me ajudou a denunciar vários fatos contra o meio ambiente.

Além de historiador, escritor e um grande geofísico, Ruy prestou grandes serviços à comunidade de Conquista e da região. Foi ainda durante muitos anos, professor da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb. Pena que foi pouco reconhecido pelos filhos da terra. Aliás, Vitória da Conquista não tem dado o valor merecido às pessoas da terra que se dedicam à cultura, à ciência, ao conhecimento geral e às artes. Como Ruy, tem muita gente aí que foi relegada ao esquecimento, e a sociedade nem se lembra mais dos serviços prestados.

Ah! ia me esquecendo, você viajou muito pelo mundo antes de fazer a última viagem. Ajudou muita gente, como o revolucionário Carlos Mariguella quando se encontrou como ele no Rio Grande do Sul na época da perversa ditadura militar. Que Deus nos livre dessa praga!

Meu adeus ao companheiro e camarada Ruy Bruno Bacelar de Oliveira, e onde estiver, tenho certeza que está em paz e gozando de tranquilidade. Siga em paz, meu amigo batalhador que sempre condenou essa corrupção que se alastrou pelo Brasil afora. Você foi e ainda é um dos companheiros que conheci que tinha vergonha na cara.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

PÉROLAS DO ENEM

- O Brasil não teve mulheres presidentes mas várias primeiras-damas foram do sexo feminino..(denúncia gravíssima: isto significa que vários ex-presidentes casaram-se com travestis ).

- O número de famigerados do MST almenta a cada ano seletivo.(e a burrice não diminói!)

- Os anaufabetos nunca tiveram chance de voltar outra vez para a escola.(nem de ir!)-
Vasilhas de luz refratória podem ser levadas ao forno de microondas sem queimar.(sem comentários)-
O bem star dos abtantes da nossa cidade muito endepende do governo federal capixaba.(vende-se uma máquina de escrever faltando algumas letras!!!)-
Animais vegetarianos comem animais não-vegetarianos.(algumas antas realmente comem mulheres carnívoras, né?)-
Não cei se o presidente está melhorando as insdiferenças sociais ou promovendo o sarneamento dos pobres. Me pré-ocupa o avanço regresssivo da violência urbana.(Esta é 10! Sarneamento deve ser a aplicação das teorias do Zé Sarney. Eu axo, sem me pré-ocupar muito!) -
Fidel Castro liderou a revolução industrial de 1917, que criou o comunismo na Russia(Deve ter sido o avô dele ).-
O Convento da Penha foi construído no céculo 16 mas só no céculo 17 foi levado definitivamente para o alto do morro.(deve ter demorado o céculo inteiro para fazer a mudança).-
A História se divide em 4: Antiga, Média, Momentânea e Futura, a mais estudada hoje. (esqueceu da História em Quadrinhos).-
Os índios sacrificavam os filhos que nasciam mortos matando todos assim que nasciam.(pena que a mãe dessa anta não era índia!)-
Bigamia era uma espécie de carroça dos gladiadores, puchada por dois cavalos.(ou era uma biga macho que tinha duas bigas fêmeas, puxada por uma anta)-
No começo Vila Velha era muito atrazada mas com o tempo foi se sifilizando.(deve ter sido no tempo em que chegaram as primeiras prostitutas lá )-
Os pagãos não gostavam quando Deus pregava suas dotrinas e tiveram a idéia de eliminá-lo da face do céu. (como será que eles tencionavam fazer isto?)-
A capital da Argentina é Buenos Dias.(e de noite, muda o nome para Buenas Noches )-
A prinssipal função da raiz é se enterrar no chão.(E a prinssipal função do gozador é morrer de rir com uma deças)

- As aves tem na boca um dente chamado bico.(Cruz credo!)-
A Previdência Social assegura o direito a enfermidade coletiva.(Quando há uma epidemia, não deixa de ser verdade)-
Respiração anaeróbica é a respiração sem ar, que não deve passar de 3 minutos.(Senão, a anta morre)-
Ateísmo é uma religião anônima praticada escondido. Na época de Nero, os romanos ateus reuniam-se para rezar nas catatumbas cristãs.(hein?)-
Os egipícios dezenvolveram a arte das múmias para os mortos poderem viver mais.(o sérebro desse imbessil não se dezenvolveu!)-
O nervo ótico transmite idéias luminosas para o cérebro.(essa anta não deve ter nervo ótico, senão seu cérebro não seria tão obscuro)-
A Geografia Humana estuda o homem em que vivemos.(esse deve ser gay)- O nordeste é pouco aguado pela chuva das inundações frequentes.(é verdade, de São Paulo até o Nordeste, falta construir aquadutos para levar as inundações )]

- Os Estados Unidos tem mais de 100.000 Km de estradas de ferro asfaltadas.(Nova técnica americana, para substituir o trem-bala )-
As estrelas servem para esclarecer a noite e não existem estrelas de dia porque o calor do sol queimaria elas.(A noite deve ter ficado muito esclarecida com essa idéia luminosa)-
Republica do Minicana e Aiti são países da ilha América Central.(Procura-se urgente um Atlas Geográfico que venha com um Aurélio junto)-
As autoridades estão preocupadas com a ploleferação da pornofonografia na Internet.(Um CD dos Raimundos, por exemplo, é pornofonografia )-
A ciência progrediu tanto que inventou ciclones como a ovelha Dolly.(e deve ter inventado também a Operação Furacão, que colocou alguns juízes no olho do clone!)-
O Papa veio instalar o Vaticano em Vitória mas a Marinha não deixou para construir a Capitania dos Portos no mesmo lugar.(tadinho do Papa)-
A devassa da Inconfidência Mineira foi Marília de Dirceu, a amante de Tiradentes.(misturou tudo!)-
Hormônios são células sexuais dos homens masculinos.(Nos homens femininos, essas células chamam-se frescuromônios)-
Os primeiros emegrantes no ES construiram suas casas de talba.(ao mesmo tempo em que praticavam tiro ao álvaro)

- Onde nasce o sol é o nacente , onde desce é o decente. (E a anta que escreveu isto, é indecente! )

- A terra é um dos planetas mais conhecidos e habitados no mundo. Os outros planetas menos demográficos são: Mercurio, Venus, Marte, Lua e outros 4 que eu sabia mas como esqueci agora e está na hora de entregar a prova, a senhora não vai esperar eu lembrar, vai? Mas tomara que não baixe minha nota por causa disso porque esquecer a memória em casa todo mundo esquece um dia, não esquece? (Quase chorei com essa!)

- O principal matrimônio de um país é a educassão. (matrimônio deve ser a mulher do patrimônio, e educassão deve ser o deputado Edu participando de CPI na Câmara, para cassar algum companheiro!)



sexta-feira, 9 de novembro de 2007

POUCA OBJETIVIDADE

O assunto pode não ser mais atual como fato jornalístico, mas continua em pauta. Leram a Carta de Feira de Santana referente a II Conferência Estadual de Cultura quando lá estiveram os papas da intelectualidade? Pois é, depois de muita lenga-lenga, definicões teóricas sobre o sexo dos anjos, intenções filosóficas de ações dentro da nova política proposta pelo governo e outras considerações platônicas e socráticas, a Carta recomendou apoio à PEC que estabelece percentuais mínimos de 1 a 2% dos orçamentos federal, estadual e municipal para as pastas da cultura; criar planos e mecanismos de incentivo à cultura e determinar orçamentos. Dela participaram 1.295 pessoas de 269 municípios formados por 26 territórios. Durante as conferências, cerca de 40 mil pessoas discutiram o que é a cultura e o que deve ser feito em seu município e em seu território.
A Carta poderia ter mais objetividade, mas esmerou na política. Esperava que depois de tudo saísse um plano ou programa a ser encarado pelo novo governo, especificamente para o interior. Depois de tantas discussões, apresentações de artistas(700), palavriado das bocas dos mestres da cultura, bajulações e floreios, não passamos dos "primeiramentes" e esquecemos dos "finalmentes", como dizia Dias Gomes na novela Bem Amado.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

ESGOTOS MATAM O RIO DO ANTÔNIO

FOTO DE JOSÉ SILVA
“O Pequeno Nilo” do sudoeste como é considerado o Rio do Antônio pelo coordenador do Modera-Movimento pela Despoluição e Conservação do Rio do Antônio, Aderbaldo Silveira, mais conhecido como “Deba”, está morrendo lentamente pela ação dos esgotos e lixo despejados pelas cidades onde passa, sem contar os desmatamentos em suas margens e a extração de areia para a utilização na construção de moradias e prédios comerciais. Depois de muitas lutas e recuos de juízes, uma liminar da Justiça determinou entre 2000/01 o tratamento dos esgotos e a despoluição do rio nas cidades de Caculé, Guajeru, Rio do Antônio, Malhada de Pedras e Brumado, mas até agora a lei não foi cumprida, o que só fez piorar mais ainda a situação.

Como o Modera continuou exigindo o cumprimento da lei e denunciando as ações agressivas contra o rio, a entidade e seus membros passaram a sofrer retaliações como a não participação no Conselho Municipal do Meio Ambiente de Brumado e a não inclusão na Câmara Setorial do Rio do Antônio, conforme aponta Jorge Valério Rocha Gomes, um dos fundadores do Movimento e atual membro da diretoria. Ele acusa de que o Modera vem sofrendo todos os tipos de retaliações por parte das prefeituras da região. Contra sua pessoa como funcionário da Prefeitura de Brumado, disse que quase foi colocado em disponibilidade por defender o cumprimento das leis. Sobre a questão, a chefe do Departamento do Meio Ambiente da Prefeitura Municipal de Brumado e do Conselho do Meio Ambiente, Suzana Aparecida não quis entrar em detalhes sobre o assunto e se limitou a dizer que não é obrigatório que o Modera faça parte do Colegiado. Enquanto isso, os esgotos continuam sendo despejados no leito do Rio do Antônio que nasce entre os municípios de Jacaraci e Licínio de Almeida a partir da formação dos rios do Salto e Paiol, abrigando em toda sua extensão, até despejar suas águas no rio Brumado com o Rio das Contas, uma população de mais de 200 mil habitantes que vivem da agricultura de subsistência, do comércio e da pesca em alguns barramentos

A SITUAÇÃO SÓ FAZ PIORAR

FOTO DE JOSÉ SILVA
Com relação aos últimos seis ou sete anos quando uma liminar da Justiça determinou o tratamento dos esgotos nas cidades cortadas pelo rio, o coordenador do Modera, Aderbaldo Silveira, ou “Deba”, afirmou que a situação piorou. O Rio do Antônio é vítima da degradação a partir da década de 40, “e de lá para cá não se teve mais respeito”. Segundo ele, antes disso existia a agricultura de subsistência em suas margens através do plantio de cana-de-açúcar que foi substituída pela pecuária, exigindo maiores extensões de desmatamento. Essa atividade, na sua opinião, concorreu para a verdadeira degradação do rio e, consequentemente, o assoreamento. Outro fator, de acordo com “Deba”, que contribuiu para sua degradação, foi o desmatamento provocado pela estrada de ferro cujos trens a vapor consumiam uma quantidade enorme de madeira. Na atualidade, as mais de 200 cerâmicas da região que consomem lenha em seus fornos agravam o quadro de degradação.


Com os tempos, as cidades ribeirinhas cresceram e aí veio o lançamento de esgotos, como aconteceu em Caculé, uma das que mais prosperou em toda região. “Em Caculé, todo seu esgoto é jogado in natura no rio” – destacou. Quanto a cidade de Rio do Antônio, para “Deba”, menos mal porque os esgotos são jogados na Lagoa do Cunha que já morreu. Segundo o coordenador do Movimento, o que está mais matando o rio são esgotos e o problema ainda não foi resolvido porque o tratamento demanda altos recursos. Só com relação ao tratamento dos esgotos na cidade do Rio do Antônio se gastaria mais de R$1 milhão e R$42 milhões em Brumado. Provocado pelo Modera, há sete anos uma ação civil pública levou a Justiça a dar uma sentença obrigando o tratamento dos esgotos. No entanto, o juiz foi salomônico porque não houve uma punição maior para os municípios, conforme avalia “Deba”, acrescentando que isso concorreu para que as prefeituras continuassem poluindo o rio.


A extração de areia é outra agressão contra o rio, e a ação é cada vez mais acentuada como forma de renda das famílias pobres. Uma caçamba de areia está custando R$150,00, “uma verdadeira fábrica de dinheiro”, destacou o coordenador do Movimento, esclarecendo que existe areia porque houve o desmatamento. Citou também que a areia despejada através da barragem do Trovisco, em Caculé, vem descendo e matando lentamente o rio. A barragem que abastece a cidade do Rio de Antônio e parte da zona rural, por exemplo, está assoreada pela metade.


Para “Deba”, a irrigação agrícola de subsistência através do Rio do Antônio é pequena e não chega a afetar o consumo humano que é prioritário. Cada proprietário ribeirinho, de acordo com ele, irriga de um a dois hectares de terra nas lavouras de feijão e milho, sobressaindo a horticultura na região da Capivara, em Caculé.


No início, o Rio do Antônio era perene e passou a ser temporário, deixando de existir totalmente durante as épocas de seca. Com a construção da barragem de Trovisco, em Caculé, nos anos 90, o rio voltou a ser perene. No entanto, se Trovisco não estivesse soltando água, o rio estaria seco. “Se o Trovisco fechar suas comportas, em menos de 30 dias o rio pára de correr”.
Para revitalizar o rio, o Modera vem realizando uma campanha de recomposição das matas ciliares, com apoio da Magnesita, de Brumado, e da INB-Indústrias Nucleares do Brasil, em Caetité. Mesmo assim, “Deba” lamenta a tímida cooperação por parte das escolas da região. Para ele, a recuperação das matas ciliares com o plantio de milhões de árvores é a melhor forma de salvar o rio da degradação, começando pelo rio São Domingos no distrito de Jurema, em Licínio de Almeida. Toda bacia abrange os municípios de Licínio de Almeida, Jacaraci, Caculé, parte de Ibiassucê, Guajeru, Rio do Antônio, Malhada de Pedras e Brumado, que é a maior cidade. Para reflorestar suas áreas, o Modera está solicitando ajuda até da empresa Vale do Rio Doce, além das prefeituras, mas divergências políticas, segundo “Deba”, tem dificultado o trabalho de socorro ao rio.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

MENOS VAGAS PARA JORNALISTAS

Estudo realizado pelo governo norte-americano sobre as profissões mais promissoras do século XXI mostra que o mercado jornalístico não é nada promissor. Segundo as projeções, as vagas para repórteres crescerão apenas 5% na próxima década. O estudo, que não explica em que se baseou para apresentar os dados, trabalha com informações referentes aos Estados Unidos, mas parece antecipar o que pode ocorrer em outras partes do mundo, inclusive o Brasil.

"Claro que sempre haverá procura por notícias", diz o estudo, ressaltando o baixo crescimento das vagas apesar da quantidade de informação ser cada vez maior. No Brasil, muitas faculdades têm um crescimento maior do que isso para as vagas no curso de jornalismo e, constantemente, demissões em massa ocorrem. Também já é comum no País a prática da sinergia, obrigando repórteres a escreverem para mais de um veículo da mesma empresa, como impresso e internet.

A tendência é que os jornais cortem ainda mais custos e empregos com o advento das novas mídias e a substituição de veículos impressos pela Internet. A maior parte das oportunidades estará em nichos. "TVs, rádios e jornais de bairro e de cidades pequenas" são indicados como os melhores veículos para trabalhar.

Entre as principais desvantagens da profissão estão o "número irregular de horas de trabalho, pressão constante com os deadlines e concorrência acirrada". Repórteres dos EUA receberão um salário anual de aproximadamente U$S 32 mil, o equivalente a cerca de R$ 56 mil ou aproximadamente R$ 4,6 mil por mês.

A lista enumera áreas como saúde, educação e mercado financeiro como as mais promissoras. Ao menos, não estamos sozinhos já que existem outras áreas ameaçadas. Locutores de rádio e agentes de viagens também estão entre elas.

TEM ORGULHO DE SER JORNALISTA?


Com tantos problemas, a profissão de jornalista pode ser até considerada um dom: não é qualquer um que agüenta a jornada de plantões e de longas horas de trabalho. Isso somada a baixa remuneração e o mercado de trabalho cada vez mais escasso. Então, vem a pergunta. Afinal, o jornalista tem orgulho da profissão?

Para responder a esta pergunta o Comunique-se realizou uma enquete com seus usuários contendo três perguntas: Você tem orgulho de ser jornalista? Você se sente realizado com a profissão? Você se arrepende de ter escolhido o jornalismo?

O resultado expôs o lado “mais romântico” do jornalista brasileiro: 58,91% dos profissionais têm, sim, orgulho da profissão. Menos de um terço do total, 27,43% tem algum orgulho, 8,64% têm pouco orgulho e apenas 4,99% não tem nenhum orgulho de ser jornalista.

“O resultado reflete as péssimas condições de trabalho, a existência de poucos jornais, e outros meios de comunicação. A última vez que tive acesso a esse tipo de estatística (e este quadro não deve ter mudado muito) havia uma proporção de quatro candidatos para um emprego. O que um jovem formado pode pensar a respeito da profissão diante de um quadro melancólico como esse?”, questiona Milton Coelho da Graça, colunista deste portal.

No entanto, apesar de mais da maioria dos votantes atestar que tem orgulho de ser jornalista, 51,93% dos entrevistados não se sentem realizado com a profissão. Os que se sentem plenamente realizados somaram 31,38% dos votos. “Eu poderia ser melhor remunerado, mas isso não tem a ver com realização. Eu sinto que, com o jornalismo que faço, contribuo de alguma forma com o mundo. Isso é muito bom!”, diz Magela Lima, repórter do Diário do Nordeste. Quase 6% dos usuários deste portal responderam que é impossível se sentir realizado nesta profissão.

A boa surpresa para o jornalismo brasileiro descoberta pela enquête é que, apesar de todos os pesares, 77,46% dos pesquisados não se arrepende de ter optado pelo jornalismo como profissão. É o caso de Fernanda Cunha, que foi coordenadora do site Brasil com Alckmin durante as eleições. “Quando penso no salário, na dificuldade de conseguir um trabalho legal, no dia-a-dia corrido, não ter horário, feriado ou fim de semana, aí me arrependo. Mas, quando penso no que o jornalismo me proporciona, acho que fiz a escolha certa. Embora às vezes eu entre em crise, não consigo me ver sendo outra coisa”, afirma.

Menos de 10% dos entrevistados se arrependem de ter escolhido jornalistas. Destes, 5% responderam que vão procurar outra faculdade.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

"COMO ENDIREITAR UM ESQUERDISTA"

Frei Betto:

Ser de esquerda é, desde que essa classificação surgiu na Revolução Francesa, optar pelos pobres, indignar-se frente à exclusão social, inconformar- se com toda forma de injustiça ou, como dizia Bobbio, considerar aberração a desigualdade social.Por Frei Betto

Ser de direita é tolerar injustiças, considerar os imperativos do mercado acima dos direitos humanos, encarar a pobreza como nódoa incurável, julgar que existem pessoas e povos intrinsecamente superiores a outros

Ser esquerdista - patologia diagnosticada por Lênin como “doença infantil do comunismo” - é ficar contra o poder burguês até fazer parte dele. O esquerdista é um fundamentalista em causa própria.

Encarna todos os esquemas religiosos próprios dos fundamentalistas da fé. Enche a boca de dogmas e venera um líder. Se o líder espirra, ele aplaude; se chora, ele entristece; se muda de opinião, ele rapidinho analisa a conjuntura para tentar demonstrar que na atual correlação de forças…

O esquerdista adora as categorias acadêmicas da esquerda, mas iguala-se ao general Figueiredo num ponto: não suporta cheiro de povo. Para ele, povo é aquele substantivo abstrato que só lhe parece concreto na hora de cabalar votos. Então o esquerdista se acerca dos pobres, não preocupado com a situação deles, e sim com um único intuito: angariar votos para si e/ou sua corriola. Passadas as eleições, adeus trouxas, e até o próximo pleito!

Como o esquerdista não tem princípios, apenas interesses, nada mais fácil do que endireitá-lo. Dê-lhe um bom emprego. Não pode ser trabalho, isso que obriga o comum dos mortais a ganhar o pão com sangue, suor e lágrimas. Tem que ser um desses empregos que pagam bom salário e concedem mais direitos que exige deveres. Sobretudo se for no poder público. Pode ser também na iniciativa privada. O importante é que o esquerdista se sinta aquinhoado com um significativo aumento de sua renda pessoal.

Isso acontece quando ele é eleito ou nomeado para uma função pública ou assume cargo de chefia numa empresa particular. Imediatamente abaixa a guarda. Nem faz autocrítica. Simplesmente o cheiro do dinheiro, combinado com a função de poder, produz a imbatível alquimia capaz de virar a cabeça do mais retórico dos revolucionários.

Bom salário, função de chefia, mordomias, eis os ingredientes para inebriar o esquerdista em seu itinerário rumo à direita envergonhada - a que age como tal mas não se assume. Logo, o esquerdista muda de amizades e caprichos. Troca a cachaça pelo vinho importado, a cerveja pelo uísque escocês, o apartamento pelo condomínio fechado, as rodas de bar pelas recepções e festas suntuosas.

Se um companheiro dos velhos tempos o procura, ele despista, desconversa, delega o caso à secretária, e à boca pequena se queixa do “chato”. Agora todos os seus passos são movidos, com precisão cirúrgica, rumo à escalada do poder. Adora conviver com gente importante, empresários, ricaços, latifundiários. Delicia-se com seus agrados e presentes. Sua maior desgraça seria voltar ao que era, desprovido de afagos e salamaleques, cidadão comum em luta pela sobrevivência.

Adeus ideais, utopias, sonhos! Viva o pragmatismo, a política de resultados, a cooptação, as maracutaias operadas com esperteza (embora ocorram acidentes de percurso. Neste caso, o esquerdista conta com o pronto socorro de seus pares: o silêncio obsequioso, o faz de conta de que nada houve, hoje foi você, amanhã pode ser eu…).

Lembrei-me dessa caracterização porque, dias atrás, encontrei num evento um antigo companheiro de movimentos populares, cúmplice na luta contra a ditadura. Perguntou se eu ainda mexia com essa “gente da periferia”. E pontificou: “Que burrice a sua largar o governo. Lá você poderia fazer muito mais por esse povo.”

Tive vontade de rir diante daquele companheiro que, outrora, faria um Che Guevara sentir-se um pequeno-burguê s, tamanho o seu aguerrido fervor revolucionário. Contive-me, para não ser indelicado com aquela figura ridícula, cabelos engomados, trajes finos, sapatos de calçar anjos. Apenas respondi: “Tornei-me reacionário, fiel aos meus antigos princípios. E prefiro correr o risco de errar com os pobres do que ter a pretensão de acertar sem eles.”

TOMBAMENTO DAS NOSSAS MAZELAS

Como está na moda, bem que o Ministério da Cultura poderia decretar o tombamento da cultura da corrupção, da cultura da malandragem, da esperteza dos brasileiros que não estão nem aí para a vida de seus próprios conterrâneos e colocam solventes nos combustíveis e soda cáustica no leite. Poderia tombar o comodismo do povo, a alienação da estudantada jovem e o peleguismo da CUT. Poderia tombar como patrimônio nacional, a contradição entre o que se pregava antes e o que se pratica ou se deixa de fazer quando se está no poder. Poderia tombar a falta de ética e a inversão de valores que atingiu o país. Poderia tombar o baixo nível de ensino na educação e o besteirol das letras e das "composições" do axe music baiano. Poderia tombar também os caras-de-pau da política e a infestação de gafanhotos em Brasília. Poderia tombar as cestas básicas e os carros-pipa da seca que castiga a caatinga e faz cambalear de fome os sertanejos. Poderia tombar ainda as promessas não cumpridas.
Martin Luther King dizia que o que mais preocupa não é a corrupção, o mau-caráter, ou o cinismo, mas o silêncio dos bons. Em toda história do Brasil, nunca vi um povo tão dominado, acomodado e silencioso. Voltado para o consumismo do capitalismo, para a aparência e para a cultura da estética, nada abala, nem se mobiliza contra as corrupções e desmandos.

O Senado vira uma casa de cafajestes e gangsters, mas o povo “bovino” segue na trilha do curral. Contra os escândalos e a violência, apenas algumas passeatas de "propaganda de alvejante". Todos só querem ganhar, competir de qualquer jeito, ter e cercar suas casas de arame farpado, correntes e dispositivos elétricos.

Na competição, vale tudo e, como no poder, os fins justificam os meios. O que mais está me deixando triste e depressivo neste país é justamente o povo, e dele fazer parte. Está tudo dominado e entorpecido. O que mais existe hoje no Brasil é protesto de internet porque é passa-tempo, divertido e não precisa sair de casa para ir às ruas se manifestar. Nada de botar a cara pra fora.

Nas décadas de 60 e 70 se liam livros. Hoje o povo não sabe nem ler televisão. Poucos sabem e nem querem saber o que aconteceu durante a ditadura militar quando milhares foram torturados, tiveram seus ossos esmagados e espumaram diante dos choques elétricos. Sinto vergonha quando vejo e leio notícias da Argentina, Uruguai e Chile onde o judiciário e os governos estão processando e prendendo os torturadores das ditaduras. Aqui, queimam arquivos sigilosos dos tempos de chumbo e tudo fica por isso mesmo. Nossa história está sendo apagada e não se faz nada. Os militares ficam furiosos quando se lança um livro sobre a memória e a verdade do regime. Nas escolas não se aprende mais as lições, nem se ensina o caminho da construção. A pena não registra mais nossa memória, e das crianças arrancam seus sonhos.

É de se ter vergonha de ser brasileiro. Não temos mais representação sindical para defender nossos interesses e a União Nacional dos Estudantes virou um clube de alienados que só fala em coisas domésticas. A CUT não se manifesta e dentro dela engorda a elite sindical, cevada pelas
benesses do governo.

Este não é o meu povo, não é o meu país. Devíamos nos envergonhar. Ninguém quer saber o que está acontecendo. Nossa imagem é tão desgastada que o próprio brasileiro não confia no outro quando se está no exterior. Não teme o estrangeiro, mas se fica de olho bem aberto quando pinta outro brasileiro na área.

Pode ter mais 10 mandatos de Lula, fecharem o Congresso que ninguém se abala e nem sae de suas casas para agir, a não ser para brigar pelo seu time de futebool, pelo carnaval que vai passar e pela noitada num botequim de muita cachaça e cerveja. Lá se vai a carneirada para a imolação. Nossa dignidade está morrendo lentamente, corroída pela ganância desenfreada e pela malandragem do levar vantagem em tudo, ou do toma lá, dá cá. Fazemos o mesmo no trânsito e nas repartições públicas. Não temos mais moral para reclamar. Maldito o sério e o honesto.

Estamos mais preocupados com o politicamente correto, do que com a escória parida pela burguesia hipócrita e safada. Estamos mais preocupados no que escrevemos e dizemos do que com os políticos que carregam dólares nas cuecas. Por isso que eles já deram uma banana para a tal de opinião pública que nem mais existe mais no Brasil.

A nossa briga gente, não é com a mídia, mas com a mentira de uma democracia que não existe. Nossa briga é contra eles que nos enganam, com os caras-de-pau que tudo fazem para se manter em seus palácios. Qualquer protesto que se faça é visto como de linha conservadora e os ditos de esquerda justificam até roubos e quadrilhas.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

LIVRARIAS EM CONQUISTA




O índice de leitura no Brasil, para ser otimista, está na faixa de dois livros por habitante/ano, mais baixo que países da América do Sul. Segundo estudos, existem 1.500 livrarias e o negócio não tem rendido bons frutos aos seus empreendedores, tanto que muitos estabelecimentos têm fechado suas portas por falta de leitores.

Com relação a Vitória da Conquista, o mercado cresceu bastante nos últimos anos. Até pouco tempo, só o Cairo Center oferecia em seu bazar, opções para a compra de autores brasileiros, mas os títulos eram limitados. Agora, temos em Conquista as livrarias Nobel, Letras e Prosas, a Multicampi e a Futura, além de dois sebos. Essa evolução, puxada pela Nobel, de José Maria, se deveu à criação do pólo educacional.

Acontece que o público das livrarias tem se resumido a estudantes e professores que sempre procuram títulos que se relacionam com seus cursos. Muitos ainda compram um livro por obrigação, isto é, quando a disciplina exige, como ocorre no vestibular. Somente os livros indicados são lidos e, a partir daí, não se tem mais interesse por outros autores. O país hoje tem uma boa produção editorial, mas poucos leitores, o que constitui uma contradição.

O estímulo á leitura não depende apenas de uma boa qualidade da educação. Conta o ambiente familiar, se os pais gostam de ler e incentivam os filhos, o estímulo do poder público e do setor privado através da realização de bienais, redução dos preços com a queda dos impostos e espalhar bibliotecas atualizadas e modernas pelas cidades.

Mas, parece que surge uma luz no final do túnel. As bienais têm atraído muitas crianças e jovens e tomara que voltemos às décadas de 60 e 70 quando se lia muito mais. Atualmente, existem os meios eletrônicos que deixaram as pessoas preguiçosas. Preferem ler televisão, ou ficar o dia todo fuçando na internet.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

BAIXOS ÍNDICES DE LEITURA

O Brasil apresenta um dos mais baixos índices de leitura do continente e do mundo, conforme apuração do Plano Nacional do Livro e Leitura(PNLL). No país, são menos de dois livros lidos por habitante/ano. A Colômbia lê 2,4 livros, a França, 7, a Inglaterra e os Estados Unidos, 5. Com pouco apoio ao acesso do cidadão ao livro, nossas bibliotecas não passam de meros depósitos de livros velhos e obsoletos. Embora em quantidade cheguem a impressionar, como na educação, as bibliotecas estão empoeiradas e defasadas. Os livros não são comprados pelo governo, mas doados pelas editoras e particulares.

Outro dado é que um entre quatro jovens com idade acima de quinze anos consegue ler e compreender textos. O restante é de analfabetos, ou funcionais. A massa de leitores não passa de 26 milhões de pessoas com dificuldades de acesso ao livro. De acordo com os estudos, 61% dos adultos alfabetizados têm pouco contato com o livro; 73% dos livros estão concentrados em apenas 16% da população. De 49 milhões de jovens entre 15 e 28 anos, 60% não trabalham, nem estudam.

Segundo ainda os dados, a produção do livro no Brasil envolve cerca de duas mil editoras e quinze mil gráficas que publicam praticamente livros didáticos e de auto-ajuda. A tiragem média é de três mil exemplares. O país possui apenas 1.500 livrarias(a grande maioria no sudeste). Mesmo assim, os donos desses estabelecimentos estão mudando de ramo e outros fechando as portas por falta de clientes, o que agrava mais ainda a questão do acesso, da distribuição e da divulgação. Apesar do livro ser uma ferramenta do conhecimento, da identidade e da memória de um povo, não existe uma política de fortalecimento e apoio à produção.

sábado, 29 de setembro de 2007

POR UMA CULTURA DESBUROCRATIZADA

Os entreveros da Secretaria de Cultura do Estado contra o Teatro XVIII, Balé Folclórico, Casa Jorge Amado, Academia Bahiana de Letras, em Salvador, pelo menos estão servindo para mostrar quanto a cultura está centralizada num grupo de privilegiados, sempre os mesmos que recebem a maior fatia dos recursos, e quanto os processos são burocráticos, emperrando o acesso dos pequenos à produção de suas atividades. "Os tapas" entre eles, estão servindo para abrir a "caixa preta" da cultura.

No que se refere aos privilégios, parece que o governo Jaques Wagner, através de seu secretário, Marcio Meirelles, está disposto a democratizar a cultura, mas quanto a burocracia não está havendo sinal no sentido de facilitar e simplificar. Como tudo nesse país, as inscrições aos projetos, editais e licitações são cada vez mais burocráticos para tornar mais difícil a entrada do vírus da corrupção e das irregularidades cometidas contra o dinheiro público. Só que a maioria séria e idônea é prejudicada, especialmente os pequenos que não têm estrutura para enfrentar as garras e as "cabeças e chifres de monstros" da burocracia.

Como no setor empresarial e econômico onde o pequeno e o micro de "fundo de quintal" ficam de fora porque não têm estrutura contábil, conhecimento técnológico e humano para competir com os grandes e cumprir todas as exigências e emaranhados de leis do governo, o mesmo acontece com a cultura. Para o ramo empresarial, existe o Estatudo da Micro e Pequena Empresa, com a finalidade de simplificar e tirar as pessoas e as firmas da informalidade. A cultura também precisa de um tipo de Estatuto para amparar e apoiar os produtores de "fundo de quintal" que escrevem, fazem músicas, pintam e desenham. O governo precisa acordar para essa questão, mas parece que quer endurecer mais ainda com seus editais mais complicados, dificultando o caminho dos pequenos que não têm estrutura para chegar lá e atender todos os trâmites burocráticos de acesso aos recursos.

É bom que se veja isso nas conferências estaduais de cultura como a de Vitória da Conquista amanhã(dia 30), no Centro de Cultura, as quais estão sendo realizadas nos municípios com intuito de se formular uma política para o setor. Esse plano tem que ser logo traçado para não se ficar o tempo todo nas discussões e longe das realizações e da prática. No momento, a cultura está precisando de respostas e soluções para os problemas que estão emperrados no atacado por causa de questões de varejo, com bate-boca entre artistas e os titulares da pasta da Secretaria da Cultura.

Os conceitos e as mentalidades carecem de mudanças, como daqueles que acham que a cultura pode andar só com suas pernas e que o governo deve ficar de fora. Entendo sim, que o governo tem a obrigação de apoiar, inclusive financeiramente, para o bem da formação da cidadania. O superintendente de Promoção Cultural da Secretaria, Paulo Henrique Almeida, disse em entrevista num jornal da capital que os produtores não fiquem pendurados no governo. Esse recado deveria ser utilizado para o caso dos carnavais de Salvador. Todos os anos, o governo derrama milhões na festa, sem reclamar. E não são só os carnavais, promove shows abertos de massa da axé music, com muita grana. Paulo Henrique avisa ainda que os recursos do Fundo da Cultura não podem ser usados para manutenção, só para as atividades culturais. Ora, como fazer cultura sem manutenção? Que os contratos aos fundos da Cultura e ao tal Fazcultura sejam revistos, mas para melhorar a cultura e se sair da "panela" dos privilegiados de sempre. Também, que haja uma política diferenciada para o interior, não somente na questão dos recursos.

Os embates entre o Teatro XVIII, por exemplo, serviram para mostrar que 10 preponentes do Fazcultura tinham nas mãos 40% do valor do Fundo. O museu Rodin e Costa Pinto receberam R$4 milhões. O próprio Teatro XVIII, que foi fechado pela diretora Aninha Franco, por conta de uma briga com o secretário, recebeu neste ano mais de R$1 milhão. Na briga deles, que não nos interessa, o superintendente abriu o verbo e revelou dados escabrosos dos desmandos praticados pela a Secretaria do passado, resultado da política de ACM. Segundo o superintendente, a Secretaria privilegiava abertamente um punhado de escolhidos, em uma divisão desigual de recursos.

Sobre isso, todos nós já sabiámos, como a de que o Fazcultura sempre foi um clube de camaradas(não comunistas). Como era um jogo de cartas marcadas e tinha que ser amigo do rei, a maioria dos produtores, escritores e artistas de vergonha na cara nem chegava perto, para não ser mais ainda humilhados. Para se ter uma idéia, dez produtores ficavam com 40% dos recursos. Outros 20 produtores repartiam os 60% restantes. Assim reinava no império a política clientelista e de balcão. Em 2006, quase 41% dos recursos do Fundo de Cultura foram aplicados em instituições vinculadas à própria Secretaria. Neste mesmo ano, 38% do Fundo caíram nos bolsos de apenas seis instituições. É mole ou quer mais.

Promete a nova Secretaria que os recursos serão melhor distribuídos, através de editais para pequenos e médios projetos de várias linguagens. Isso só não basta, se não houver desburocratização dos processos. Só assim, vamos construir um verdadeiro mercado cultural que nunca existiu na Bahia. Vamos abrir também para a cultura de "fundo de quintal", aquele que produz sozinho, tem talento e valor, mas não consegue ir mais longe por falta de recurso.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

O SERTÃO VAI VIRAR DESERTO


A movimentação intensa de caminhões de madeira e carvão para as cerâmicas da região sudoeste e siderúrgicas de Minas Gerais e Espírito Santo; a fumaça das queimadas; o transporte de água em carros-de-boi, por carros-pipa, homens, mulheres e crianças; o calor forte da seca que esvaziou barragens, tanques, cacimbas e cisternas; e gente que abandonou suas casas e partiu para outros estados, dão a impressão de que o sertão vai se acabar e virar deserto. È uma explosão de ações e agressões contra a natureza, causando um impacto de destruição, sem que os poderes públicos tomem providências.
O quadro de degradação do meio ambiente, misturada com a seca que castiga o homem e animais do campo, pode ser visto em todo sertão do sudoeste, especialmente nos municípios de Anagé, Aracatu, Brumado, Caetité, Malhada de Pedras, Rio do Antônio, Caculé, Guanambi, Igaporã, Tanhaçu e Livramento de Nossa Senhora. Ao deixar para trás Vitória da Conquista pela BA-262 com destino a Tanhaçu, Brumado, Guanambi ou Livramento de Nossa Senhora, após percorrer 20 quilômetros, na boca da caatinga, predominam a paisagem cinzenta da seca, a fumaça das queimadas onde a vista alcança e pessoas sapecadas pelo sol às margens da pista arrancando capim seco para dar comida aos animais, ou o ranger de carros-de-boi no chão escaldante, transportando tonéis de água barrenta numa distância de até 10 quilômetros.

ANIMAIS PASSAM FOME


Sem pastos para se alimentar, os animais catam bagaço no chão seco da caatinga do sudoeste, principalmente nos municípios de Aracatu, Brumado, Anagé e Malhada de Pedras. Até os bodes estão sem encontrar comida na paisagem cinzenta do sertão. A natureza seca esculpiu árvores retorcidas em figuras belas e, ao mesmo tempo, triste, na visão do poeta. A água para o consumo humano e dos animais é transporta de longe com distâncias de até 10 quilômetros.