domingo, 31 de outubro de 2010

SEM OPOSIÇÃO

Não sou cientista político, cirurgião plásticon de programas de candidatos,nem marqueteiro de salão de beleza, mas vou aqui dar meus pitacos e meus petelecos. Quem quiser que pegue-os, amasse-os e façam o que bem quiserem. Podem cuspir fogo ou dar dentadas raivosas.
Além de uma equipe fraca e um programa sonolento (Serra parecia mais um frade de voz mansa e medrosa), o candidato do PSDB errou desde o primeiro turno das eleições em não bater em Lula. Bater que eu falo é mostrar os erros do Governo, especialmente no âmbito internacional e sua ligação estreita com o chavismo do venezuelano.
Mostrar que no início, o Programa do PT dizia e prometia uma coisa e fez outra totalmente diferente. Mostrar que o governo está alinhado com as elites e o capitalismo, embora faça o Bolsa Família dos pobres. É subserviente aos banqueiros e aos empreiteiros - as categorias que mais foram e vão continuar sendo beneficiadas no Brasil. Cadê a reforma agrária e a abertura dos arquivos da ditadura?. Cadê a punição aos torturadores do regime militar? Promessas em vão.
Mostrar que o país já está no rumo da unanimidade e quem for contra apanha, é execrado e excomungado. Mostrar o patrulhamento a que estamos sujeitos e que a imprensa já está nas garras da mordaça e da censura.
Sem essa desses tais cientistas políticos de meia tijela de que bater só leva ferro no final da campanha. No bom sentido, quem não bate apanha. Não estou me referindo a agressões de qualquer jeito ou pessoais. Estou me referindo a fazer críticas com fundamento, com base e argumentos sustentáveis. É isso que acontece em elições de outros países, inclusive Estados Unidos e na Europa.
É triste ver um país sem oposição. No início da campanha, ainda no primeiro turno, José Serra chegou a elogiar Lula. Aonde se vê isso! Serviu de chacota e piadas. Ele e sua equipe fraca ficaram com medo de mostrar o outro lado.
No lugar da firmeza nas críticas como oposição, passou a falar de aborto e casamento de homossexuais. Sua preocupação foi dizer que era católico e a Igreja ficou no armário. O que tem a ver religião e Deus com essa política de políticos alejados?
Por outro lado, se não existe oposição, também não existe partidos. Boa gente do PSDB, inclusive candidatos a governador, ficou o tempo todo fazendo o jogo da situação, do governo. Aecio Neves, do Minas Gerais, só veio aparecer no segundo turno e de forma bem tímida, fazendo corpo mole.
Apesar de um programa também fraco, Dilma se amarrou a Lula que ficou o tempo todo intocável, só falando e mandando suas "porradas", inclusive na imprensa. O candidato José Serra perdeu e pecou por omissão.
Nenhum dos dois tinham programas de governo, mas Serra era mais preparados. Já vão dizer que sou machista e preconceituoso. Vou fazer o quê? Posso ainda usar o meu direito de expressão? Patrulhamento é coisa da ditadura. Vão dizer que sou de direita e conservador.
Você também tem o direito de falar isso, mas não tente tolir a liberdade do outro.

Esses programas eleitorais já ultrapassaram a linha da chatice. As campanhas dos marqueteiros são horríveis,defasadas e esclerosadas. Os debates mais parecem teatros de última categoria. Pastelões de péssima qualidade. O pior de tudo é ver entrevistados dizerem que os debates são importantes e vão servir para tirar suas dúvidas.
Basta de tanta hipocrisia, principalmente da mídia amarelenta e remelenta. Basta de tanta mentira e faz de conta. O cidadão, coitado, entra nessa e vai dizendo que está exercendo plenamente sua cidadania. É tudo uma faz de conta.

ANDAR PARA CONHECER

È verdade que a riqueza de um território é o seu povo. Sem dúvida, é a maior riqueza cultural de um Estado. Mas, o que dizer de um povo que não dá valor ao seu próprio povo, à sua gente e ao que ela produz e faz? Um povo que não preserva sua história, ao contrário depreda o que tem e não valoriza seu passado, é um povo sem identidade.


Vejamos, por exemplo, o caso de Salvador que está mais próximo de nós. A grande maioria, principalmente, os soteropolitanos natos, é mal-educada e não atende e trata bem os visitantes. Destrói os bens que possui. Quando se fala isso você é execrado, excomungado e dizem logo que o cara é preconceituoso. A mídia e os entrevistados descem elogios para ficarem bem na fita. Escondem a verdade e preferem a hipocrisia. A maioria prefere fazer folclore a abrir as veias e deixar escorrer o sangue.


Então, digo que o povo pode ser a maior riqueza como também ser a pobreza de uma nação. Prédios, marcas, equipamentos, registros e monumentos são símbolos fortes de um patrimônio cultural de uma nação. Neles estão também as marcas identificáveis de um povo. Não quero aqui me enveredar nessa discussão. É bom que cada um tenha seus conceitos para o engrandecimento da cultura.


Não estou aqui me referido, especificamente, da cultura popular que é, sem dúvida, um patrimônio que precisa ser preservado, mas vem sendo destruído ao longo dos anos pelo próprio povo por falta de conhecimento e saber. Será que o brasileiro preserva sua história, sua memória como deveria?


Bem, não é dessa questão que quero falar, mas um pouco das minhas observações pela Europa. Sei que muita gente aqui já esteve por lá e foi mais ávido para conhecer o patrimônio histórico e cultural de um passado de mais de dois mil anos.


Quem vai a Paris, por exemplo, pela primeira vez, quer logo conhecer os pontos destacados como Tour Eiffel (subir nela até o alto), ao Centre Pompidou, Palais de Versailles, Chateau de Vincennes; dar um passeio de barco pelo rio Sena (certas áreas estão poluídas); e visitar os principais museus como o Louvre, D´Orsay, Musée de L´Ármée, dentre outros importantes e famosos. Ah! Tem ainda as igrejas como a de Notre Dame, Santo Eustáquio, Sagrado Coração e o lado profano onde está o Mulin Ruge que já foi cenário de filme.


Mas, existe o outro lado de Paris, especialmente no Qartier Latin, onde estão concentradas lojas de doces, vinhos e cafés, além de prédios históricos do departamento governamental (universidades). Para conhecer bem a cidade em pouco tempo, o visitante tem que ter disposição para andar muito e ir observando as cenas pitorescas e os costumes do povo que não é bem cordial com o turista. Caminhe bastante pelas avenidas que margeiam o rio Sena e descobrirá coisas importantes. O bom é andar até se perder. Lá também tem morador de rua como em toda parte.


Nunca andei tanto em minha vida como nesta última vez que estive lá. Nas ruas de Paris o que mais se vê são africanos na informalidade vendendo produtos de lembrança nos principais pontos turísticos. A polícia, ou a guarda municipal, sempre está perseguindo aquela gente pobre e miserável que só está tentando sobreviver naquela metrópole. A grande maioria vive clandestinamente e está sempre de olha na polícia que passa. È o mundo capitalista cheio de fronteiras e barreiras sociais e políticas.


Nos metrôs e nas principais avenidas e centros existem pedintes que se comportam de uma maneira diferente dos nossos mendigos. Eles ficam humildemente encolhidos num canto ou numa esquina de rua, prostrados em posição islâmica quando está orando e, dificilmente, levantam a cabeça.


Um fato que me chamou a atenção é o costume das pessoas comemorarem os casamentos nas praças, jardins e parques. Em trajes a rigor, os casais tiram fotos e se beijam num clima de alegria e festividade. Eles estão sempre acompanhados dos parentes e amigos em grupos de não mais que 20 ou 30 pessoas. Esse costume existe em vários países da Europa e da Ásia, como na Rússia.


Fora os belos museus como o Louvre, dos Inválidos e a grandeza do Palais de Versailles, tanto em Paris como em outras capitais e cidades, se percebe um clima de que a Europa, principalmente, em Portugal, atravessa uma situação de dificuldades na economia e, em conseqüência, no âmbito social. O povo se queixa da retração do consumo ainda em decorrência da crise financeira internacional instalada em 2008. Os protestos nas ruas acontecem quase que diariamente. Nem é preciso dizer que a pior situação é de Portugal.


Apesar de tudo, o hábito da leitura, especificamente em Paris, é constante. Nos metrôs, nos bancos de jardins (conheça o Jardim de Luxemburgo) e nos cafés sempre tem gente lendo um livro ou jornal. Já aqui as pessoas vivem grudadas com um celular no ouvido, em todos os lugares. Mas, como aqui, lá também se nota o individualismo e a indiferença por onde trilha a humanidade.


Só para terminar, se for a Paris, não deixe de visitar o Museu dos Inválidos, ou Musée De L´Armée onde está o túmulo de Napoleão. Além de armas de todos os tipos, desde as mais antigas e modernas, armaduras e quadros de pintores famosos, existem grandes painéis com áudio-visual, retratando as guerras francesas desde os tempos das cavalarias e infantarias até a Segunda Guerra Mundial.


Em três línguas (espanhol, francês e inglês) você pode acompanhar, com o fone no ouvido, todos os movimentos das tropas com total perfeição de sons até o relinchar dos cavalos. São demonstrados nos painéis, as táticas de guerras, recuos e estratégias, inclusive a guerra com a Prússia onde a França com mais soldados foi encurralada e derrotada.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

IMPRESSÕES DE VIAGEM

Prometi aqui dar minhas impressões sobre a recente viagem que fiz a alguns países da Europa, ou do Velho Mundo, como é mais denominado em razão dos séculos de história, mesmo antes da dominação romana. Não gosto do termo de “povo civilizado”.

De alguma forma, o que se observa é que esses países conseguiram preservar seu patrimônio cultural, no meu entender, o maior patrimônio que uma nação pode ter e exibir, muito além do seu PIB ou de suas riquezas naturais e econômicas, coisa que o Brasil ainda não conseguiu atingir.

Com destino a Orly, na França, a minha primeira parada foi em Lisboa (só para Conexão), mas retornaremos lá para falar algumas coisas da nossa terra mãe colonizadora como todos já sabem muito bem.

Depois de uma longa viagem cansativa, ainda tive fôlego para retornar ao Velho Mundo e sentir a evolução tecnológica e, até mesmo, em alguns aspectos, a decadência da humanidade na questão da falta de solidariedade e na indiferença com as pessoas.

Do aeroporto, na companhia do meu filho Caio Macário, rumamos para Paris num ônibus e depois de metrô até o hotel, em Saint Paul. Pelo fluir do trânsito, fui logo percebendo as mudanças em termos de alternativas de transporte. Os trens correm velozes por debaixo da terra como cobras nos horários certos, transportando todo tipo de gente e classes.

Erradamente, aqui tudo gira em torno dos ônibus como grandes gafanhotos, soltando fumaças por todos os lados, congestionando e poluindo. É verdade que nos horários de pique os metrôs ficam superlotados, mas em questão de minutos aparecem outros para desafogar.

Só para citar, fico a lembrar de Salvador do infernal trânsito e de um pedaço de projeto de metrô “calça curta” que há 10 anos está sendo construído. Nem é preciso fazer comparações para perceber o nosso atraso por ter optado pelas estradas de rodagem e abandonado outras alternativas no transporte de passageiros.

Quando retornei a Europa já tinha consciência que não era tanto o povo de lá que me interessava, pois já sabia que não havia mais calor humano e receptividade como ainda se tem por aqui, se bem que no Brasil também esse valor está se evaporando com o individualismo.

Uma das coisas fundamentais que deduzi e terminou me convencendo de uma vez é que o nível menor ou maior de educação e cultura nem sempre é fator preponderante para que a pessoa seja bem educada e trate as outras com atenção e gentileza.

Em Paris, principalmente e, lamentavelmente, o que se percebe em muitas ocasiões é que o turista não é bem vindo, embora o turismo seja a maior sobrevivência econômica e política da capital. Com raras exceções, as ruas são bem tratadas, arborizadas (muitos jardins) e bem asfaltadas.

Mas, meu maior foco foi o conhecimento e a cultura, e disso não abri mão, tendo que “paletar” muito para visitar os museus, monumentos históricos, palácios, castelos, livrarias, bibliotecas públicas e igrejas suntuosas, sem falar nas “zonas de perdição” como muitos preferem assim chamar. Nunca andei tanto em minha vida em tão pouco tempo.

No aspecto da preservação do patrimônio cultural e histórico, do ponto de vista essencial de guardar a memória e o passado, voltei, mais uma vez, meu olhar para o Brasil e senti um grande vazio e destruição. Lembranças tristes, por exemplo, do Pelourinho e de todo centro histórico de Salvador.

Não somente em Paris, mas nos outros lugares por onde andei, em toda parte, nas praças e jardins, nos grandes museus, palácios e órgãos públicos, lá está uma marca viva preservada da história de um povo. Em todos os lugares se depara com um monumento ou estátua em homenagem a uma personalidade, a uma cena de luta, de conquista, de vitória, engrandecendo e enaltecendo a nação. Muitas vezes, até com exageros.

Senti que em pleno século XXI ainda carregamos o peso do complexo de inferioridade e de vira lata de que tanto falou Nelson Rodrigues. Infelizmente, a mentalidade de só valorizar o que é do estrangeiro continua a nos castigar, talvez porque não temos o patrimônio maior que é a cultura.

Não sei se estou errado na minha impressão, mas o que me incomodou é que o brasileiro lá fora nos países mais desenvolvidos se sente menor e mais tímido. Ele tem medo de dar um fora e ser repreendido. Outro fato lastimável e que já tinha conhecimento, é que brasileiro pouco fala com outro brasileiro quando se topam. Muitos viram a cara.

Já me disseram que o motivo é porque brasileiro é cheio de “arte” e costuma aprontar com seu patrício, inclusive dando golpes. Não creio que seja só isso. Pode vir daí o complexo de inferioridade e achar que o que é do Brasil não tem valor.

Conto para vocês uma cena que ocorreu comigo no Zoológico de Lisboa, mas isso fica para o próximo artigo sobre minhas impressões do Velho Mundo. Se me permitem e quiserem vou também dar algumas dicas de visitas aos primeiros viajantes e como economizar para conhecer diversos lugares interessantes. Isso para quem tem pouca grana como eu.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

PASTANDO NA PRAÇA

Este flagrante aconteceu no último domingo (dia 10) na Praça do Gil, em Vitória da Conquista. No jardim já maltratdo, o cavalo pastava tranquilamente, fazendo sua refeição diária. Isso já vem ocorrendo há muito tempo em praças de Conquista que já estão em precário estado de conservação. Por falar nisso, parece que para o poder público só existe na cidade a Praça Tancredo Neves. Nas outras não se vê a presença de funcionários para impedir cenas como esta. Sem uma fiscalização mais rígida, com punição severa, os carroceiros criam seu animais soltos por aí. Só querem tirar proveito e chicotea-los sob pesada carga. As pessoas passam e seguem suas rotinas como se nada estivesse acontecendo.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

OS TIRIRICAS E OS CORONÉIS

Depois de alguns dias no Velho Mundo, voltei a tempo para votar e conferir a velha patifaria na política brasileira. Sem educação de qualidade e cultura (para os políticos é bom permanecer como está), o povo continua sem saber votar, inclusive literalmente. Os Tiriricas da vida e os coronéis donos do voto de cabresto proliferam por todo nosso país, deitados em berço esplêndido de olho nos cofres públicos. Vamos falar mesmo no popular, sem essa de politicamente correto.


Na Bahia, por exemplo, é só dar uma olhada na lista dos eleitos. Em pleno Século XXI e depois de 25 anos de ditadura militar, em nome da democracia a política se tornou um bom negócio mafioso e meio de renda para famílias e gerações passadas das oligarquias. São saúvas resistentes aos venenos.


Os pais se elegem para a Câmara Federal ou Senado e os filhos para a Assembléia Legislativa. É um descarrego (não é macumba) de votos feito com precisão. É uma leitura que dificilmente falha. Estão sempre pontuando os leões, os negromontes, os vieiraslimas, os magalhães, os carneiros, os mendonças e outros clãs com seus filhos, mulheres e parentes. Pode apostar que dá na cabeça.


Peça chave nisso é o domínio fechado de territórios sob o comando dos prefeitos, vereadores e cabos eleitorais que ganham para isso. Nos pequenos municípios, principalmente, é costume na época de eleições o eleitor das grotas indagar para o prefeito: Dr. “Vamo votá em quem dessa vez”?. Aí é só fazer o mapa dos votos e correr para o abraço. Depois entra o “cientista político” e fica com conversa fiada para explicar o fenômeno. É tudo muito simples e claro. Não precisa de cientista e de pesquisa. O mais é “blábláblá” para boi manso dormir.


No Brasil, os fichas sujas tiveram expressiva votação, a exemplo do Jader Barbalho, no Pará, e o Maluf, em São Paulo, que inclusive solta gargalhadas e diz que é o mais limpo do Brasil. Sem conscientização política, o povo entra na onda do deboche e vota nos tiriricas para o país ficar pior.


No Distrito Federal, Joaquim Roriz indica sua mulher como fantoche para ser governadora e ainda elege duas filhas. Uma vergonha para as mulheres que defendem a participação e a seriedade na política. Os eleitos sorriem e dão entrevista declarando que o povo sabe escolher seus candidatos. Eles sabem que assim podem eleger suas mulheres, filhos, netos, irmãos e suas amantes.


Eles aperfeiçoaram muito bem o esquema e não querem jamais uma reforma política. Como está, está muito bom. É só encher o “emborná” e o ego do pobre eleitor de que ele é muito importante (somente neste dia) e que ao votar se torna um cidadão de primeira classe. Se não sabem votar (a grande maioria – mais de 60% - é analfabeta funcional que mal sabe ler e escrever) os coronéis ensinam.


Sobre o Tiririca, de São Paulo, vi na rede Record o comentário político de uma mulher, não sei muito bem se cientista, que dizia que este fenômeno já faz parte da cultura do brasileiro e lembrava casos parecidos como Cacareco, no Rio de Janeiro, dentre outros pelos estados. Dizia ainda que não via insatisfação política no povo e que o Tiririca com essa votação pode acordar e até fazer um bom trabalho como parlamentar. Tudo para ela era normal.


Fiquei horrorizado com sua fala, de certo forma incisiva e impositiva como correta. Ainda mais porque os outros que participavam do programa não questionavam. Ora, estes “fenômenos”, na verdade, traduzem falta de cultura. Considero, por assim dizer, uma ainti-cultura.


A repetição dos tiriricas é mais uma prova de que depois de muitos e muitos anos, não evoluímos. Pelo contrário, é uma mostra da decadência e do fracasso na política. Por sua vez, não se faz um Tiririca da vida ter conteúdo e capacidade política para gerir bem seu mandato de uma noite para o dia.


O esquema Tiririca foi bem montado e calculado por um grupo de aproveitadores que viu nele um grande arrastador de votos daquela banda do povo desiludido que diz que se também estivesse lá faria o mesmo.


Quem votou nele não tinha consciência que estava elegendo mais três desconhecidos além dele. No outro dia da eleição ouvi muita gente na Praça Barão do Rio Branco comentando que se fosse aqui na Bahia também votaria em Tiririca. Não precisa explicar mais nada. Vida longa aos coronéis e aos que estão chegando da escola de seus pais e antepassados.


Nestas eleições quem mais perdeu foi o Lula que saiu arranhado, mesmo com seus 80% de aprovação, tendo o bolsa família como maior cabo eleitoral da história. Êta programa social bom, moço! Não dá para entender como o presidente tem 80% de aprovação e sua candidata fantoche só consegue pontuar 46% na urna. Na verdade, sua indicada é tão fraca que não houve transferência de votos. Tem coisa errada. Existe muito artificialismo nos números.


No mais, tudo continua como Dantes no Quartel de Abrantes. A eleição foi a mesmice piorada, sem alternativas de candidatos, embora digam por aí que Marina Silva era uma. A não ser o Plínio Arruda que fez o discurso do PT de antes e disse ser possível sonhar com um socialismo humano, o que vi foi um grupo falando a mesma linguagem das oligarquias, das elites e da burguesia. É o mesmo que trocar seis por meia dúzia.


Do Velho Mundo li alguma coisa na mídia sobre o escândalo de Eurenice Guerra, da Casa Civil, e o Lula culpando a imprensa por tudo. Estamos andando numa linha perigosa do poder acima de tudso.


Sobre minha viagem a Europa e minhas impressões do Velho Continente de hoje, seu povo e outras coisas mais, eu conto depois. Só para deixar minha opinião, o mundo está cada vez mais desumano e difícil para se viver. No mais, conversamos depois.