quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

MENINO GOLDMAN E O NATAL TORTO


Não tinha idéia de como iniciar este comentário diante do enchimento de notícias mercenárias da mídia burguesa que todo final de ano repete a passagem voluptuosa e dionisíaca dos deuses sagrados e santificados do consumismo. Meu cérebro começou a ferver e ficou empacado no caso do menino americano-brasileiro Goldman e nos atos de doações a crianças que vivem na penúria, transmitidos incessantemente pelas emissoras de televisão do país.

Já não gosto mesmo da Festa de Natal que se tornou ao longo dos anos numa data enviesada, oblíqua e torta onde o Papai Noel tomou o lugar de Jesus Cristo e as pessoas se matam nas lojas e shoppings para comprar presentes. A mídia segue os passos dos enlouquecidos, e como num jogo de futebol, narra até as paradas nas lojas para carregar as energias com um lanche. Depois segue a corrida desenfreada do Papai Noel.

Talvez por esta aversão, nas noites de Natal sempre acontecem coisas esquisitas e inusitadas comigo que terminam me deixando aborrecido e a indagar se é um carma de outra encarnação. Durante o ano, muitos fazem malvadezas e conspiram, mas quando chega o Natal, falsamente essas pessoas ficam boazinhas e dóceis.

Para completar, as emissoras de televisão caíram de pau no caso do menino Goldman, chupando todo o sangue da criança e do pai, com seus dentes vampiréscos e mortais que deixam qualquer drácula parecido com um anjo dos mais meigos vindo do céu.

O menino vestiu a roupa; está saindo da casa dos parentes; subiu com o pai nas escadas do avião (imagem no ar); chegou aos Estados Unidos (lá estava uma equipe de plantão, filmando a casa); e tome um monte de sensacionalismo barato. Os pobres e excluídos acompanham de seus aparelhos todo roteiro, nos mínimos detalhes, da família capitalista.

O menino rico e burguês roubou a cena dos noticiários do menino miserável da Bahia (Ibotirama) que foi espetado com mais de 40 agulhas pelo padrasto, vítima também de uma sociedade pagã, egoísta e hipócrita. É essa mesma sociedade suja e fedorenta que todos os anos se levanta para dar roupas, um pouco de comida e brinquedos às famílias famintas e às criancinhas sujas e esmolambadas das favelas e das ruas.

Para essa gente que já se acomodou de vez com a situação política e social do assistencialismo, essa atitude de caridade basta para deixar suas consciências tranqüilas, com a certeza da conquista de um lote no reino dos céus. Não importa saber que essas pessoas depois daquelas doações vão continuar na miséria e na ignorância por mais um ano. No próximo Natal as cenas se repetem e a mídia faz sua refeição, cada vez mais recheada de capitalismo e lucratividade.

Bem, vocês sabem que sempre faço uma mistura dos fatos que no frigimento terminam dando o mesmo sabor de indignação e revolta por todo esse quadro de acomodação e alienação coletiva. Agora mesmo, nossa geração está aderindo à leitura e aos filmes de terror urbano do pensamento do ser.

Parece que a juventude do planeta foi contaminada pelo deleite profano dos monstros, dos zumbis, magos, vampiros, corvos e frankensteins. Ainda estamos na série dos livros e filmes de vampiros. Aristóteles dizia que as imagens que vemos com repulsa na vida real, quando transpostas para a ficção, se tornam fonte de prazer.

Só que esses personagens de monstros se adaptam muito bem com os existentes hoje em Brasília no Congresso Nacional que, segundo pesquisas, tem o pior conceito, mas estão aí para renovar seus cadáveres nas próximas eleições.

O Supremo Tribunal de Justiça suspende a Operação Satiagraha e livra o banqueiro Daniel Dantas da punição. Os prefeitos e políticos da máfia com o dinheiro público não são condenados. As torturas e os mortos da ditadura do regime militar permanecem sem revelação, mesmo com a promessa feita pela esquerda do Governo do PT. Os arquivos são queimados e a memória da história desaparece.

É uma Nação covarde que prefere esquecer o passado. A Internet virou uma cultura do descartável, tornando as relações humanas mais difíceis. Na cultura ainda não conseguimos sair das conferências de mais de quatro anos. A nossa sociedade perdeu a capacidade de se indignar e se acomodou às práticas assistencialistas da humilhação das esmolas.

A miséria é só olhada com compaixão, mas não como uma luta constante para que essa gente conquiste a cidadania e seja inserida na igualdade de direitos, com oportunidades para todos. O socialismo foi banido e excomungado. O capitalismo triunfa mortalmente.

Para os estudantes, a contestação contra o mensalão do DEM (Demônio) é válida, mas o mensalão do PT não existiu como o holocausto é negado pelo presidente do Irã. As centrais sindicais estão quietas em seus ninhos de mordomia e aceitam os decretos do Governo de aumentos salariais e dos aposentados. Acima do salário mínimo, o cara desfalece e vira classe média.

Em nome de uma fé aos orixás do candomblé sujam as águas e o meio ambiente com cestos de flores, pentes, espelhos e outros objetos poluidores. Isso acontece muito no mar e no Dique do Itororó, em Salvador, mas os ambientalistas de plantão se calam. Um encarregado de limpar as sujeiras disfarça e devolve às águas boa parte desses presentes que ficam boiando nas margens.

Como em todo país, aqui em Vitória da Conquista fatos de profunda humilhação não provocam a ira da imprensa e nem dos segmentos da sociedade. Pessoas chegam com colchões às 17 e às 18 horas do dia em frente ao prédio do SAC e dormem ao relento para pegar uma ficha no outro dia às 8 horas para terem direito a uma Carteira de Identidade ou a um Seguro-Desemprego. O número de fichas é limitado e não dá para todos.

Não dá para acreditar nisso, mas é uma verdade lastimável que está acontecendo. As “autoridades” não tomam nenhuma providência para mudar esse quadro. A imprensa não denuncia nada, e as pessoas continuam a sofrer para conseguir um documento. No Fórum João Mangabeira ocorre a mesma coisa. Para a sociedade, o bom mesmo é dar esmolas e votar nos corruptos de sempre.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

OS MASCATES DA CORRUPÇÃO




Tem corrupção pra todo mundo, com embalagens, marcas, siglas, formatos, com gostos, sabores e conteúdos diferentes. Dá pra todo mundo. Aproveitem a liquidação e os descontos promocionais. Tem falsificada, contrabandeada, pirateada, tipo paraguaia, chinesa e até original que é mais cara. Tem corrupção nas cuecas, nas meias, na bunda....

Em todos os cantos tem um mascate da corrupção oferecendo facilidades e vantagens. As imagens flagram o espetáculo e a destreza das mãos hábeis recebendo pacotes de dinheiro e fazendo sumir a dinheirama. A propina é para comprar pão e panetone para os pobres. É tempo de Natal. É tempo de sentimentos e caridade.

Os banqueiros estão satisfeitos contando seus lucros e navegando na usura do capital; os empreiteiros investem no “produtopina”, engordam suas doações eleitorais e aumentam suas apostas no superfaturamento; as bolsas de valores vendem papéis, especulam e ensinam como ganhar fácil; as grandes empresas recebem isenções fiscais, exploram seus empregados e fazem malabarismos sociais; os políticos estão se lixando para a opinião pública; as ONGs com caras de mães são nutridas pelo Estado e loteiam a pobreza; e a imprensa é a culpada de toda bandalheira.

Tem uma banda que se locupleta e aplaude o sistema, e outra que cala e fica quieta na moita. O MST recebe muita grana para fazer barulho e não cobrar a reforma agrária prometida; a União Nacional dos Estudantes (UNE) recebe recursos do Governo para fazer documentário (não realiza o projeto) e congressos em troca do apóio aos coronéis; 50 milhões de almas recebem o Bolsa Família para permanecerem na submissão da miséria e votarem no rei; os sindicatos se enroscam nos cargos públicos e se enfileiram nas patrulhas do linchamento ideológico cego e idiota com rótulos de marxistas; e tem os intelectuais que arrotam sabedoria acadêmica, mas, covardemente, fazem o voto do silêncio.

O proletariado forma a cauda cometa capitalista e se conforma com a ordem social existente. Ela gosta de ser tratada como coitada e alimenta o ego da esquerda burguesa. Os negros recebem umas cotas e umas políticas afirmativas de reservas de mercado e não se importam em ser tratados como incompetentes. Criam políticas racistas que se dividem em cores. Os professores viram provocadores de nada e os alunos continuam burros.

As multidões incham as cidades e esganam uns aos outros na corrida desenfreada da competição para adorar o deus dinheiro. O Natal começa a bombar e todos recebem a ordem suprema da propaganda capitalista para consumir cada vez mais. Os shoppings se entopem de porcarias inúteis e descartáveis. É fim de ano e todos correm desembestados para pagar dívidas e fazer outras. Ninguém se importa com as mortes e sofrimento nos corredores dos hospitais.

Todos vãos às compras e fazem filas nas máquinas registradoras. Os banquetes têm que ser fartos, e a luxúria é disputada a tapa. As roupas têm que ser brilhantes na passagem de ano. Os bares e restaurantes respiram a embriaguez e comelanças. Todos fazem planos para o carnaval e já falam da Copa de 2014. Muitos atendem ao apelo da doação e fazem uma caridade para salvar sua alma do inferno e enganar a consciência. Os carros travam os trânsitos e deixam a terra mais suja, mas continua sendo o desejo de cada um.

As operadoras de telefonia nos fazem de bestas e nos entopem de protocolos. Os concursos públicos são viciados, mas todos participam, mesmo sabendo que existem maracutaias. Não existem mais protestos. Lá se foram os direitos. Está tudo contaminado nesse céu de lixo do Brasil. O povo já se habituou com os contos e golpes dos vigaristas, sem reclamar.

Ninguém se importa se o planeta está pegando fogo quando se está em disputa o desfrute dos bens materiais. Os projetos adquirem o carimbo de economia sustentável e invadem as florestas. O povo não faz mais história.

A indiferença é a mãe do comodismo e ninguém quer saber de protestar contra a corrupção e os desmandos dos políticos. Todos fazem de conta que nada está acontecendo de horrível e hediondo na nossa terra. É o gesto de virar a cara e fazer de conta que não está vendo, nem havendo nada em seu redor.

Os crimes bárbaros passam e outros surgem com mais requinte de crueldade. O comodismo e o individualismo falam mais alto. A mídia nos diverte com baboseiras e chora lágrimas de sangue. O capitalismo aperta cada vez mais o cerco e as muralhas brotam da terra para dividir as tribos. Cada um se apega num falso deus para se salvar e se safar.

A Internet individualizou e colocou os interesses próprios acima do coletivo. A tecnologia do mais fácil e dos botões alienou gerações inteiras. Pelo menos ela está servindo para que eu diga isso.
Os sindicatos que aí estão não me representam mais. Essas entidades foram cooptadas pelo governo. Os exemplos são inúmeros de atrelamento, mas o mais gritante e revoltante é o caso do reajuste dos aposentados. Negociam dentro da vontade do poder. Antes de emprestar aos pobres, Lula joga uma moeda na cumbuca dos pobres. Condena o suposto golpe em Honduras, mas abraça e ajuda os ditadores e déspotas governantes de nações africanas.

O Lula faz a política de uma oferenda a Deus e outra para o diabo. Se rende às forças armadas e aos torturadores da ditadura, deixando-os impunes. Contraditoriamente do que pregava, se arrasta para agilizar a abertura dos arquivos que ainda restam do regime de chumbo. Faz pose de esquerdista enquanto massageia o capitalismo predador. Consegue a proeza de enganar a todos por muito tempo e jogar a sujeira debaixo do tapete. Continua sem ver nada como agora no caso do Arruda, do Distrito Federal.

Nos dias de hoje quando alguém faz um gesto de bondade é motivo para manchetes na imprensa que aproveita a miséria para angariar simpatias e mais umas boladas com a audiência.

A que ponto chegamos? Veja o caso do bebê encontrado em Salvador numa caixa de papelão. As ações e as atitudes deveriam ser encaradas como atos normais de seres humanos. Aqui e agora quando alguém é honesto vira herói nacional.

Os jovens e adultos histéricos correm aos cinemas do Lua Nova, do Crepúsculo, do Pequeno Príncipe e para os Fantasmas de Scrooge. O filé mignon atual são as obras que atravessam e que seduzem tanto crianças como adultos. Os livros mais vendidos são os de autoajuda. São peças chave do capitalismo contemporâneo.

Por fim, só queria dizer que não compactuou com esses cafajestes e mafiosos que têm a cara-de-pau e o cinismo de falar em diálogo para resolver os problemas de desmandos e usurpação do poder dos coronéis de plantão, como os Sarneys da vida dos quais não se comenta mais. Chega de conversa pra boi dormir. Chega de papo. Como disse Vandré: “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.




MAIS DE 2000 NAS OFICINAS






Todos atentos nas salas, jovens e adultos, para aprender a arte de fazer bolos, lasanhas, biscoitos, ornamentos em flores, bijuterias, pinturas, saladas, refrigeração, maquilagem, drinks e coquetéis, petiscos, processamento de carnes, queijos e produtos da mandioca.







Uns interessados em abrir seu novo negócio e outros em ampliar sua pequena empresa para aumentar a renda, mais de duas mil pessoas participaram neste final de semana, de 27 a 29, do programa “Oficina do Empreendedor” organizada pela Sebrae no Colégio José Neves Teixeira, em Guanambi.







Com essa iniciativa e outras na região, o Sebrae/Bahia e seus parceiros estão preparando os pequenos negócios para atender as necessidades de fornecimentos dos grandes empreendimentos que estão por instalar em Caetité e Urandi, como a Bahia Mineração e uma siderúrgica com capital de chineses, sem contar o projeto da Ferrovia Leste-Oeste.








ALÉM DAS EXPECTATIVAS








O programa do Sebrae/Ponto de Atendimento de Guanambi, em parceria com a Prefeitura Municipal, Câmara de Vereadores, Senac, EBDA, Câmara de Diretores Lojistas e outras empresas, ultrapassou as expectativas. No último dia ainda tinha gente procurando uma vaga para se inscrever num curso como foi o caso da artesã, Aparecida Santana Valente (dona Cida), moradora na Travessa Santa Catarina, 68 – Centro.







A Oficina foi aberta à noite de sábado (dia 27) na Câmara de Vereadores com a palestra do administrador, professor de Marketing e consultor do Sebrae, José Hamilton Sampaio, que abordou o tema “Empresa e Você”. Para um público de mais de 300 pessoas, o palestrante disse que para ser um bom empreendedor é necessário, acima de tudo, ter motivação e ser perseverante.







Entre os dois mil e trezentos participantes da “Oficina do Empreendedor”, nos dias 28 e 29 (sábado e domingo), lá estava pela primeira vez dona Sandra Maria, de mais de 50 anos, moradora no bairro Paraíso, rua Humberto Nunes, 554, para aprender mais alguma coisa na arte de fazer drinks.







Ao seu lado, dona Aparecida Valente (dona Cida) artesã há 32 anos na confecção de bonecos de pano, insistia por uma vaga numa das oficinas. “Quero aprender mais alguma coisa para ampliar minha renda” – disse dona Cida.







Lá dentro de uma das salas do Colégio José Neves Teixeira, o instrutor do Senac/Vitória da Conquista, Ebiner Gomar, ministrava aulas na área de hotelaria para uma turma interessada que chegou no horário marcado das 14 horas. Há 14 anos em Conquista, o Senac atua em 54 municípios da região como desta vez em Guanambi na “Oficina do Empreendedor”, em parceria com o Sebrae.







O professor esclareceu que dentro das oficinas feitas com o Sebrae o tempo é curto, mas a pessoa sai com boas noções para iniciar suas atividades. A sua recomendação é que o aluno tome outros cursos complementares que vão oferecer mais segurança para o negócio. A maioria das pessoas participa com interesse de aprender e já trabalha no ramo.







Outro participante que chegava com sua turma no Colégio foi Amilton Gomes Benevides, residente na rua João Pessoa, 129 (Aeroporto Velho) que optou em se aperfeiçoar em refirgeração. Apressado para não perder um lugar na sala, Amilton já tem experiência de quatro anos no setor, mas foi logo dizendo que sua intenção era se aprimorar para ampliar seu negócio e ganhar mais com isso.







Amilton soube da Oficina através de amigos que foi passando a informação do programa do Sebrae. Disse que o curso vai lhe ajudar no âmbito da estruturação do negócio. “Estou conhecendo novas diretrizes para desenvolver meu trabalho e legalizar minha atividade”.







Adalberto Pereira Alves, de 29 anos, morador no Bairro Brasil, foi um dos primeiros a chegar no Colégio para participar do curso na área de alimentação. Desempregado, afirmou que sua intenção era colocar um pequeno negócio para ajudar sua família.







Já o jovem Vandilson da Silva Santos que tem um bar-restaurante há sete anos no bairro Vomitamel, rua Otacílio Pereira Donato, 245, não está atravessando tantas dificuldades financeiras, mas foi à oficina do Sebrae para participar, principalmente do curso de Drinks e Coquetéis.







Ele já frequentou outros cursos idênticos, inclusive da Vigilância Sanitária da Prefeitura Municipal, mas queria se aperfeiçoar para ampliar seu serviço e atender bem os clientes. Além do curso de Drinks, Vandilson também se inscreveu nas aulas de Petiscos e Telemarketing.








PRIMEIRA OFICINA








A gestora do Ponto de Atendimento do Sebrae de Guanambi, Josinete Viana, informou que mais de duas mil pessoas foram inscritas, registrando uma demanda além das expectativas. Foi a primeira Oficina realizada em Guanambi com 61 minicursos e 35 vagas cada. O mesmo programa foi realizado há duas semanas na cidade vizinha de Caetité.







Muita gente terminou ficando de fora. Na área de culinária, por exemplo, muitos se inscreveram para melhorar a renda familiar. Outros que já têm negócios buscam a parte gerencial, financeira e de marketing. “Como Identificar Oportunidades de Negócios” foi um dos cursos bastante procurados – segundo avaliou a gestora do órgão.







O coordenador regional do Sebrae/Conquista, Cláudio Cardoso destacou que, com a Oficina do Empreendedor, o Sebrae e os diversos parceiros conseguem disponibilizar informações direcionadas para os pequenos empreendedores que desejam abrir uma firma, como para quem quer melhorar o gerenciamento do seu negócio.







Cláudio lembrou que grandes projetos estão chegando à região, como a Mineração Bahia, uma siderúrgica em Urandi, a Ferrovia Leste-Oeste, além da INB que já está implantada. O que o Sebrae vem fazendo é justamente preparar as pequenas empresas, através dessas oficinas, para que tenham condições de fornecer seus produtos e serviços para essas empresas de maior porte. No futuro próximo, esses empreendimentos pequenos estão em melhores condições de competir como supridora de serviços - afirmou.

PALESTRA ABRE OFICINA


Otimismo, motivação, perseverança, persistência, capacidade de assumir riscos, identificação com as oportunidades, busca do conhecimento, dinamismo, organização, independência e liderança foram os pontos chaves abordados, de forma didática e dinâmica, pelo palestrante José Hamilton Sampaio na abertura da “Oficina do Empreendedor” no dia 27 à noite, em Guanambi.

A solenidade de abertura dos trabalhos contou com as presenças do vice-prefeito de Guanambi, Charles Fernandes, do coordenador regional do Sebrae/Vitória da Conquista, Cláudio Cardoso, do secretário de Indústria e Comércio do Município, Hugo Costa, do vereador Adão Oliveira, da diretora da CDL, Alvisa Prates e da primeira-dama municipal, Solange Coelho.


MAIS DE 60 OFICINAS


A “Oficina do Empreendedor” foi organizada pelo Sebrae/Ponto de Atendimento de Guanambi em parceria com a Prefeitura Municipal e diversas entidades e empresas como Senac, EBDA e Câmara de Dirigentes Lojistas. Com um público de mais de 300 pessoas, as atividades foram realizadas na Câmara de Vereadores, e as oficinas nos dias 28 e 29 no Colégio José Neves Teixeira.

Neste ano o Sebrae/Bahia deve realizar mais de 60 oficinas no Estado contra 44 no ano passado. O coordenador regional do Sebrae/Conquista, Cláudio Cardoso, disse na abertura que esses cursos disponibilizam condições para que as pessoas abram seus negócios ou melhorarem a gestão de suas empresas. “É um programa democrático e gratuito que visa preparar a pessoa para enfrentar as dificuldades”.

Para o secretário da Indústria e Comércio, Hugo Costa, a parceria da Prefeitura Municipal com o Sebrae é de suma importância, especialmente em se tratando da “Oficina do Empreendedor”, pois Guanambi tem se tornado num pólo regional de capacitação profissional nos últimos tempos.

De acordo com ele, é mais uma oportunidade dos empresários e de quem quer criar seus negócios, para ampliar e melhorar suas empresas. Esse programa, no seu entendimento, melhora também o nível de empregabilidade no comércio e, consequentemente, a qualidade no atendimento.

Quanto a decadência do algodão no final dos anos 80 que acarretou queda na economia, disse que Guanambi reagiu e passou a adotar outras alternativas de produção na retomada do desenvolvimento. Hugo assinala que o município hoje já é um grande pólo educacional e comercial, atraindo inúmeras cidades da região, para comprar e efetuar negócios.


PROGRAMA SÉRIO


O palestrante e consultor do Sebrae, José Hamilton Sampaio, declarou que a “Oficina do Empreendedor” é um programa sério que está compatível com o objetivo do órgão que é fomentar a pequena e a micro empresa. A Oficina, segundo ele, prepara o indivíduo para o espírito do empreendedorismo de forma prática onde o cidadão em poucas horas tem condições de aplicar sua aprendizagem.

Nas oficinas em que já participou, o administrador José Hamilton garantiu ter observado a qualidade dos profissionais escolhidos para transmitir os conhecimentos, tanto na regional da Mata Atlântica como na de Vitória da Conquista e no Oeste. Na sua análise, a receptividade tem sido muito boa por parte dos inscritos. Destacou ainda que assim que é lançada uma Oficina, as inscrições rapidamente se encerram por falta de vagas, como aconteceu em Guanambi.

Após os cursos, os participantes, de acordo com o professor, já podem praticar o que aprenderam, como fazer um pão, pintar uma unha, um petisco, um drink, corte de cabelo ou um pequeno processo de gestão nas organizações.

Para Hamilton, as oficinas abrem as visões das pessoas, tirando a idéia de que empreendedorismo é algo que tem que nascer com a pessoa. “É cultura de aprendizado e força de vontade e acredito muito nesse programa”. Se continuar como está, em breve, conforme prognosticou, teremos na Bahia uma cultura empreendedora consolidada.

Sobre a nova mentalidade dos jovens, José Hamilton afirmou que no Brasil, anteriormente, o empreendedorismo era encarado para a pessoa que não tinha alternativa de emprego. “Hoje, pelas últimas estatísticas, o empreendedorismo não é mais uma opção para o desemprego, mas uma decisão para o cidadão”.

O aluno que está na faculdade passa a acreditar que no futuro a relação emprego/empregador/empregado, mediante carteira formal, está começando a rarear por causa do custo - advertiu. A opção tem sido a terceirização. Além do mais, ressaltou que na relação do trabalho, o colaborador pode ser um empreendedor dentro da organização. Na cultura do empreendedor, na visão do palestrante, o indivíduo é treinado a perder o medo e descobrir suas potencialidades.

Sobre o nível do ensino superior, José Hamilton adiantou que as faculdades atuais estão em fase de mudança, mas confessou que a mentalidade do professor e do doutor ainda é muito acadêmica. Reconhece que o mestre ainda tem pouca prática de mercado e de gerência empresarial. “Muitas escolas estão optando em fazer um mix de professores para mudar a situação”.

Ele observa que as faculdades mais independentes são mais agressivas no mercado, buscando mais profissionais da área. A tendência, em sua opinião, é unir a cultura e a parte acadêmica ao desenvolvimento da praticidade de mercado. Avalia que as faculdades devem ter em seus cursos a disciplina gestão empreendedora, inclusive na área de saúde, no ramo artístico e da engenharia.

CREDIBAHIA EM CAETITÉ



Caetité é mais um município baiano que passa a contar com uma agência do CrediBahia para atender os microempresário que necessitam de recursos para desenvolver seus negócios. A inauguração da nova sede aconteceu no último sábado (dia 28) com a presença do governador Jaques Wagner que, na ocasião, anunciou várias obras parta a região.

O governador disse que o primeiro empréstimo pode chegar até R$10 mil e destacou que pode parecer pouco, mas é importante para quem está começando a fazer um pequeno negócio. “Estamos trazendo o CrediBahia que deve trabalhar ao lado do Sebrae porque além do dinheiro tem que se dar a orientação de como se monta um negócio, com juros baixos de 1.8%”.




179 AGÊNCIAS NA BAHIA

O chefe de Gabinete da Secretaria do Trabalho, Elias Dourado informou que a agência de Caetité é a de número 179 e já foram investidos no Estado cerca de R$70 milhões no programa.

Explicou que a escolha de Caetité se deveu ao apoio da Prefeitura Municipal que ofereceu toda estrutura física, na Praça da Matriz Nossa Senhora Santana. Para Elias, a agência é positiva para os pequenos negócios, especialmente porque estão em instalação em Caetité e região grandes projetos como a Bahia Mineração, a Ferrovia Leste-Oeste e uma siderúrgica em Urandi. “Isso está gerando a possibilidade de criação de micro e pequenos negócios no município”.

Elias Dourado fez questão de assinalar que a agência chega em parceria com o Sebrae no conjunto do,programa . “Em Caetité já existia um desenho discutido com a Prefeitura Municipal e o Sebrae para focar as ações nos pequenos empreendimentos”. Garante que são muitas oportunidades que vão surgir a partir da Bahia Mineração, além da INB – Indústrias Nucleares do Brasil que já está implantada.

Disse que o programa está em fase de implantação, acrescentando que nos primeiros três ou seis meses a agência comece a se firmar. A partir daí, vamos perceber quais as principais demandas e o perfil social. A agência de Caetité, conforme avisou, não tem limite de recursos, pois é um dinheiro do Fundo de Desenvolvimento Econômico e Social do Estado. Assegurou que existe aporte de recursos para atender a dinâmica do micro e pequeno negócio.


R$17 MILHÕES INVESTIDOS


Neste ano, segundo estimativas de Elias Dourado já foram investido aproximadamente R$17 milhões pelo CrediBahia, com juros de 1.8% no primeiro empréstimo. A partir do segundo crédito o juro passa a ser de 1.5%, com pagamento de seis meses a um ano. Ele recomenda que o microcrédito deve ser oferecido na dose certa para que não haja problemas com a inadimplência.

O chefe de Gabinete afirmou que a Bahia tem avançado muito na legislação que beneficia os microempresários. Citou que a Bahia é o primeiro Estado do Brasil que tem uma lei de apoio ao cooperativismo, ao informar que já existe na Desenbahia, em parceria com o Sebrae, uma ação voltada para ajudar as cooperativas.

Quanto a nova lei de licitações do Estado que prioriza os pequenos empreendimentos, disse ser um grande avanço, ao adiantar que será feito um trabalho com Sebrae e outras organizações para regulamentar o decreto do governador. “Vamos ver como as compras poderão ser viabilizadas dentro do que determina a lei”. Elias Dourado chamou a atenção de que as entidades parceiras devem unir esforços para organizar os micros, especialmente no que diz respeito a documentação, para que essas empresas tenham acesso ao benefício da lei e possam vender seus produtos ao poder público, sem restrições.