domingo, 27 de março de 2011

CONQUISTA FICA DE FORA

Estou agora ficando viciado em entrar com um assunto para comentar sobre outro. Ia falar mesmo do “general do metrô”. A apresentação do general para resolver o problema do metrô de Salvador pelo deputado federal João Leão, com cara sisuda de militar linha dura, deixou a impressão de uma intervenção militar para acabar com a imagem folclórica da obra contaminada pela corrupção dos civis.


O metrô de Salvador virou mais um dos absurdos da Bahia como dizia o ex-governador Otávio Mangabeira. Não é mais um metrô calça curta ou bermuda, mas uma sunga puída pelo tempo, depois de mais de 10 anos de roubalheiras. O pior é que o povo assiste a tudo como se nada estivesse acontecendo. A obra até que poderia virar um filme de ficção baseado em realidade. Como dizia o poeta Gregório de Matos (1636-1695) “Que falta nesta cidade? Verdade. Que mais por sua desonra? Honra. Falta mais que lhe ponha? Vergonha”. ”Triste Bahia”!


Mas, peço licença para falar de Vitória da Conquista e indagar por que o município tem ficado de fora de projetos importantes nas áreas industriais e de infraestrutura nos últimos anos? Para não perder o embalo faço outra pergunta: Cadê os nossos representantes políticos? Cadê as lideranças empresariais e classistas da terra? Cadê a força entre poder público e privado?


É certo que Conquista experimentou um grande crescimento a partir do final dos anos 90 e início dos anos 2000, principalmente com a chegada de novas faculdades particulares, da unidade da UFBA na área da saúde e da expansão da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-UESB. A educação de ensino superior levantou a economia de Conquista que contou também com a evolução no setor de saúde (municipalização do SUS) pública e privada. Lamentavelmente decaiu muito.


Tanto foi visível esta mudança que Conquista se transformou num dos municípios mais dinâmicos do Nordeste e pólo de desenvolvimento da sexta maior economia baiana. Com as novas faculdades privadas e com o nível de atendimento na saúde, passando de baixa para alta complexidade, para aqui vieram milhares de estudantes e pessoas. A demanda por esses serviços aumentou consideravelmente, resultando num boom da construção civil, sem contar o crescimento do comércio com novas lojas de médio e grande porte, como no caso do Shopping Conquista.


Acontece que nos recentes anos vem se percebendo a tendência de estagnação porque essas fontes já deram o que tinham de dar, e agora Conquista precisa de projetos mais arrojados de infraestrutura, principalmente, para atrair industriais e empresas de maior porte que ofereçam mais empregos.


Conversando há pouco tempo com um empresário da construção civil ele me dizia que desde o ano passado esse segmento da educação não está mais rendendo como antes, tanto que o setor não vem mais lançando projetos no formato anterior. No ano passado e ainda neste, que vem sustentando a construção civil é o programa “Minha Casa, Minha Vida” do governo federal. Não é só isso, para deslanchar, Conquista precisa de um novo aeroporto cujo projeto está parado e não se sabe quando será concretizado. Sobre o projeto do Shopping a Céu Aberto não se fala mais nele, bem como do Centro de Cultura do Banco do Nordeste e a criação da zona turística “Caminhos do Sudoeste”.


A via ferroviária Oeste-Leste que vem da região de Barreiras vai passar por fora de Conquista. Os projetos de mineração e até siderúrgica vão ficar em Caetité e Urandi. Até Jussiape vai ter uma exploração de minério. As agroindústrias estão todas ficando no oeste, sul e lá no norte de Juazeiro. Ilhéus está com seu pólo de informática crescendo e vai ter o Porto Sul. Do programa de energia eólica do Governo do Estado, também lá em Caetité e Guanambi, várias empresas fabricantes de peças vão se instalar na Bahia. Até agora em Camaçari, Feira de Santana e Ilhéus.


Venho observando que Conquista sempre fica de fora desses projetos. Está faltando maior representação política para brigar? O empresário José Maria Caires que tem aberto várias frentes de lutas por projetos para Conquista, afirmou que a iniciativa privada vem fazendo sua parte, mas não tem tido a contrapartida do poder público.


Empresários alertam que se não forem implantados novos programas de infraestrutura, como um moderno aeroporto, e que se os principais pontos de atração da cidade não forem revitalizados e urbanizados haverá, em pouco tempo, um estrangulamento no setor de transportes, por exemplo, e uma estagnação como um todo no processo desenvolvimentista.


Há cinco anos que se vem falando no Shopping a Céu Aberto, mas o plano esbarra na falta de recursos. No início do ano passado, com a presença de entidades de classe e técnicos do Sebrae que elaboraram o projeto (2006) houve uma reunião na Câmara de Vereadores onde se discutiu a questão e os caminhos para sua viabilização. Não se fala mais nisso.


Quanto a criação da zona turística foi realizado há quase dois anos o seminário “Potencialidades Turísticas da Região Sudoeste”, em Vitória da Conquista. Como alardearam seus organizadores, foi o primeiro passo para a consolidação definitiva da décima terceira Zona Turística da Bahia, denominada de “Caminhos do Sudoeste”. Não se fala mais nisso. Para José Maria, está faltando mais sintonia e decisão política para que as coisas aconteçam e Conquista tome outros rumos no processo evolutivo. Caso isso não ocorra, entende que o crescimento do município tende a entrar numa fase de estagnação.


Como pontos de atração para visitantes e moradores que fortaleceriam a economia, José Maria aponta a urbanização com segurança do monumento do Cristo; revitalização do Poço Escuro; treinamento de pessoal; e criação de um roteiro ecoturístico com destino à Chapada Diamantina, partindo de Vitória da Conquista. Na sua concepção, o Cristo, por exemplo, precisa ser transformado num cartão postal da cidade onde o visitante encontraria ali um restaurante panorâmico para fazer seu passeio com segurança.


O empresário lamenta que muitas indústrias e empresas de fora, por falta de estrutura e incentivo do poder público, terminam se instalando em outras cidades. Cita como exemplo, uma unidade de fabricação de móveis do Sul do País que terminou indo para Itambé, empregando hoje 100 pessoas. Esse mesmo empreendimento está montando uma indústria de pias e acessórios para banheiros em Cândido Sales.


Para que os projetos nas áreas turísticas e industriais se tornem viáveis e se concretizem, o coordenador do Movimento Conquista Pode Voar mais Alto, José Maria aponta que o essencial é a construção de um novo aeroporto. O projeto executivo ainda não foi definitivamente concluído porque a Anac (Agência Nacional de Aviação) e a Infraero exigem que nele sejam incluídos os padrões obrigatórios para o funcionamento de um aeroporto, como não ter residências e construções próximos.


O projeto do aeroporto, de responsabilidade do Estado, está sendo concluído pela empresa Concremate, do Rio de Janeiro, devendo ser entregue ainda neste primeiro semestre. Para a construção já existe uma emenda parlamentar de R$40 milhões.


A questão da água é outro problema que entrava a vinda de indústrias para a cidade. José Maria defende a construção de uma adutora da Barragem de Anagé que dispõe de 363 milhões de metros cúbicos. Para ele, mais viável que fazer uma barragem no rio Pardo.

segunda-feira, 21 de março de 2011

NÃO É COISA DO PASSADO


Com tantos assuntos roendo meus miolos e dando um nó nos neurônios, ia falar sobre o milionário blog de poemas de Maria Betânia no valor de R$1,3 milhão através da Lei Rounet (captação de recursos com desconto do Imposto de Renda) e da nossa pobre-rica cultura brasileira. Será que o Ministério da Cultura aprovaria um projeto dessa ordem para uma pessoa desconhecida como eu? E o livro “Sonhos Elétricos”, de Morais Moreira que custou R$276 mil pagos pelo Banco do Nordeste! O presidente da instituição disse que o projeto tem a cara do banco. Não dariam para imprimir e distribuir 20 ou 30 livros bons de novos talentos da literatura pelo interior do nosso sertão?

Ia ainda falar sobre a última catástrofe do terremoto ocorrido no Japão, culminando com a tragédia da radiação nuclear da usina de Fukushima. Lembram do terremoto no Haiti no início do ano passado? Pois é, a fúria da natureza não está mais tendo cor social. Lá os pobres foram duramente castigados. Dessa vez foram os ricos os escolhidos do outro lado do mundo, cheios de tecnologias sofisticadas. Ia ainda falar sobre a baixa competitividade das universidades baianas. O Brasil ficou fora da lista das 200 melhores universidades do mundo. Nossa educação é mesmo uma vergonha nacional, enquanto falam por aí que o país já é a sexta maior economia do mundo.

Mas, estava querendo falar mesmo sobre a visita do presidente Barack Obama ao Brasil no último final de semana. Conversando com um professor da UESB-Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia ele relembrava tempos passados quando um mandatário imperialista dos Estados Unidos era recebido com protestos nas ruas, repudiando seu belicismo e dominação.

Tragados e consumidos pela globalização muitos hoje dizem que esse discurso de antiamericanismo está ultrapassado. Será que está mesmo? Não é coisa do passado. O “cara”, foi assim que ele chamou o Lula um dia, vem de lá com sua tropa de segurança e praticamente “invade” nosso país, dando ordens para os militares do Brasil. Com toda prepotência, fecham ruas, pontos turísticos como o Cristo Redentor e decidem o que querem e o que vão fazer. Antes o homem ia falar na Cinelândia, depois mandam os pobres desarmarem tudo.

Como se vê, continuamos mais subservientes ainda, com forte dose de alienação generalizada. Todos dão boas vindas com bandeirinhas dos EUA. Que ufanismo bonito! As centrais sindicais, menos uma, a CTB (Central dos Trabalhadores Brasileiros) que considerou Obama persona non grata, elaboraram uma carta para ser entregue a Obama, pedindo clemência. A UNE, quem diria, apóia e até condena o movimento de 200 pessoas que foram às ruas protestar contra a visita do todo poderoso. Desses, uma dúzia foi presa e suas cabeças raspadas pelo crime de formação de quadrilha.

Sobre o assunto veja o que disse o historiador, professor e cientista político Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira. “O governo dos EUA jamais permitiria que a presidente Dilma Rousseff fizesse um discurso na Times Square em Nova Iorque”. Alguém também perguntou: Será que o presidente Obama mandaria fechar a Estátua da Liberdade para Dilma visitá-la? E por que o antiamericanismo é coisa do passado? Os Estados Unidos querem que o Brasil compre seus aviões, mas se recusam a comprar os da Embraer. Moniz Bandeira afirma ainda que os EUA querem vender, não comprar. “Obama pouco ou nada tem a oferecer para o Brasil”.

Indagado sobre as diferenças entre Obama e Bush, o historiador declarou que nenhuma. Ambos defendem os interesses imperiais dos Estados Unidos. Nossos produtos sofrem elevadas taxas para entrarem lá, sem contar os altos subsídios que os EUA dão aos seus agricultores. “As diferenças consistem na cor, na tonalidade, no estilo” – diz o pesquisador. Continuam belicistas com as guerras no Iraque e no Afeganistão, mantendo a prisão de Guatânamo em Cuba. Para a esquerda dos EUA, Obama foi um enganador.

O homem vem aqui e enche o ego dos brasileiros dizendo que já somos uma potência, falando de igual para igual. Que o Brasil vem tendo um papel de destaque no cenário mundial. Promete apóio para que o Brasil tenha assento permanente na ONU. Tudo conversa fiada, pra boi dormir. Ainda tratam o Brasil como se aqui fosse seu quintal para dar ordens.

Depois da própria Embaixada Americana mandar desarmar o circo na Cinelândia, Obama fala para uma platéia selecionada no Theatro Municipal do Rio de Janeiro e é aplaudido. Quanta ingenuidade! Alguém acha que ele seria vaiado? Falou muito de democracia e até citou Dilma pela sua luta contra a ditadura que eles mesmos (que ironia) ajudaram a montar em 1964.

Pergunto: Qual moral que tem os Estados Unidos para falar de democracia no mundo? Da luta das nações árabes para derrubar as ditaduras de mais de 40 anos que eles mesmos (americanos) ajudaram a implantar para que seus mandatários abrissem os postos de gasolina e deixassem Israel cometer suas atrocidades? Lá os EUA disseram para os ditadores: Nós deixamos vocês fazerem o que bem quiserem contanto que nos vendam o petróleo barato.

Na Cidade de Deus, bairro pobre do Rio, Obama foi recebido com delírio e gritos de “Obama eu te amo, eu te adoro”. Como nosso povo maltratado durante anos, sem educação e saúde de qualidade, é criminosamente usado e manipulado por esses políticos nojentos e aleijados! Na comunidade, o homem ficou menos de meia hora entre o governador Cabral e a menina Milena Aparecida, de 12 anos, convidada por alguém da Casa Branca. Sem mais comentários.

NÃO É COISA DO PASSADO


Com tantos assuntos roendo meus miolos e dando um nó nos neurônios, ia falar sobre o milionário blog de poemas de Maria Betânia no valor de R$1,3 milhão através da Lei Rounet (captação de recursos com desconto do Imposto de Renda) e da nossa pobre-rica cultura brasileira. Será que o Ministério da Cultura aprovaria um projeto dessa ordem para uma pessoa desconhecida como eu? E o livro “Sonhos Elétricos”, de Morais Moreira que custou R$276 mil pagos pelo Banco do Nordeste! O presidente da instituição disse que o projeto tem a cara do banco. Não dariam para imprimir e distribuir 20 ou 30 livros bons de novos talentos da literatura pelo interior do nosso sertão?

Ia ainda falar sobre a última catástrofe do terremoto ocorrido no Japão, culminando com a tragédia da radiação nuclear da usina de Fukushima. Lembram do terremoto no Haiti no início do ano passado? Pois é, a fúria da natureza não está mais tendo cor social. Lá os pobres foram duramente castigados. Dessa vez foram os ricos os escolhidos do outro lado do mundo, cheios de tecnologias sofisticadas. Ia ainda falar sobre a baixa competitividade das universidades baianas. O Brasil ficou fora da lista das 200 melhores universidades do mundo. Nossa educação é mesmo uma vergonha nacional, enquanto falam por aí que o país já é a sexta maior economia do mundo.

Mas, estava querendo falar mesmo sobre a visita do presidente Barack Obama ao Brasil no último final de semana. Conversando com um professor da UESB-Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia ele relembrava tempos passados quando um mandatário imperialista dos Estados Unidos era recebido com protestos nas ruas, repudiando seu belicismo e dominação.

Tragados e consumidos pela globalização muitos hoje dizem que esse discurso de antiamericanismo está ultrapassado. Será que está mesmo? Não é coisa do passado. O “cara”, foi assim que ele chamou o Lula um dia, vem de lá com sua tropa de segurança e praticamente “invade” nosso país, dando ordens para os militares do Brasil. Com toda prepotência, fecham ruas, pontos turísticos como o Cristo Redentor e decidem o que querem e o que vão fazer. Antes o homem ia falar na Cinelândia, depois mandam os pobres desarmarem tudo.

Como se vê, continuamos mais subservientes ainda, com forte dose de alienação generalizada. Todos dão boas vindas com bandeirinhas dos EUA. Que ufanismo bonito! As centrais sindicais, menos uma, a CTB (Central dos Trabalhadores Brasileiros) que considerou Obama persona non grata, elaboraram uma carta para ser entregue a Obama, pedindo clemência. A UNE, quem diria, apóia e até condena o movimento de 200 pessoas que foram às ruas protestar contra a visita do todo poderoso. Desses, uma dúzia foi presa e suas cabeças raspadas pelo crime de formação de quadrilha.

Sobre o assunto veja o que disse o historiador, professor e cientista político Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira. “O governo dos EUA jamais permitiria que a presidente Dilma Rousseff fizesse um discurso na Times Square em Nova Iorque”. Alguém também perguntou: Será que o presidente Obama mandaria fechar a Estátua da Liberdade para Dilma visitá-la? E por que o antiamericanismo é coisa do passado? Os Estados Unidos querem que o Brasil compre seus aviões, mas se recusam a comprar os da Embraer. Moniz Bandeira afirma ainda que os EUA querem vender, não comprar. “Obama pouco ou nada tem a oferecer para o Brasil”.

Indagado sobre as diferenças entre Obama e Bush, o historiador declarou que nenhuma. Ambos defendem os interesses imperiais dos Estados Unidos. Nossos produtos sofrem elevadas taxas para entrarem lá, sem contar os altos subsídios que os EUA dão aos seus agricultores. “As diferenças consistem na cor, na tonalidade, no estilo” – diz o pesquisador. Continuam belicistas com as guerras no Iraque e no Afeganistão, mantendo a prisão de Guatânamo em Cuba. Para a esquerda dos EUA, Obama foi um enganador.

O homem vem aqui e enche o ego dos brasileiros dizendo que já somos uma potência, falando de igual para igual. Que o Brasil vem tendo um papel de destaque no cenário mundial. Promete apóio para que o Brasil tenha assento permanente na ONU. Tudo conversa fiada, pra boi dormir. Ainda tratam o Brasil como se aqui fosse seu quintal para dar ordens.

Depois da própria Embaixada Americana mandar desarmar o circo na Cinelândia, Obama fala para uma platéia selecionada no Theatro Municipal do Rio de Janeiro e é aplaudido. Quanta ingenuidade! Alguém acha que ele seria vaiado? Falou muito de democracia e até citou Dilma pela sua luta contra a ditadura que eles mesmos (que ironia) ajudaram a montar em 1964.

Pergunto: Qual moral que tem os Estados Unidos para falar de democracia no mundo? Da luta das nações árabes para derrubar as ditaduras de mais de 40 anos que eles mesmos (americanos) ajudaram a implantar para que seus mandatários abrissem os postos de gasolina e deixassem Israel cometer suas atrocidades? Lá os EUA disseram para os ditadores: Nós deixamos vocês fazerem o que bem quiserem contanto que nos vendam o petróleo barato.

Na Cidade de Deus, bairro pobre do Rio, Obama foi recebido com delírio e gritos de “Obama eu te amo, eu te adoro”. Como nosso povo maltratado durante anos, sem educação e saúde de qualidade, é criminosamente usado e manipulado por esses políticos nojentos e aleijados! Na comunidade, o homem ficou menos de meia hora entre o governador Cabral e a menina Milena Aparecida, de 12 anos, convidada por alguém da Casa Branca. Sem mais comentários.

domingo, 13 de março de 2011

NA RESSACA DO CARNAVAL



A ressaca do carnaval exclusão de Salvador não traz só viroses, doenças sexuais e dor de cabeça para quem encheu a cara e gastou suas parcas economias na senzala da Casa Grande. Traz bordoadas e críticas, mas no próximo ano tem mais com as mesmas doses de separação e as mesmas imagens e enquadramentos porque os donos têm maior poder de manobra.

Para não encher mais o saco queria só citar algumas observações e críticas feitas à festa de uma semana (antes eram quatro dias de só alegria e desfiles culturais) por gente de vários níveis, inclusive artistas. Márcio Victor, cantor do Psirico, na madrugada de sábado, disse que seu povo está cansado de sofrer. No Espaço do Leitor do jornal A Tarde, por exemplo, o povo clama por mudanças.

Na pegada do desabafo, um leitor de um jornal da capital escreveu que a maior parte da Bahia sofre com este formato que a festa assumiu e ganhou forças nas últimas décadas, por ter se tornado em uma festa excludente, elitizada, tomada pela mercantilização e sem segurança para quem não pode pagar pelo “passaporte da alegria” (abadá).

Na quinta-feira a imprensa noticiava que das 1.226 ocorrências violentas registradas nos três circuitos do carnaval, 78%, ou 956 aconteceram no percurso Barra-Ondina (Dodô). Houve um crescimento de 22% nos casos de agressão corporal, passando de 138 em 2010 para 220 neste ano. Desses casos, 62% ocorreram no circuito Dodô.

Aí vão dizer que é lá onde tem a maior aglomeração de pessoas, mas é também onde se dá a maior exclusão social no desfile dos poderosos donos de blocos, trios e camarotes. Para variar um pouco, neste ano Daniela Mercury ganhou de Ivete Sangalo em tempo de exposição nas televisões e outras mídias eletrônicas. Em 2012 a coroa pode voltar para Ivete.

Uma das notícias mais comentadas foi a barba de Bel Marques, ou melhor, a falta dela. Dizem que o cara tirou a barba por R$2 milhões e paga R$30,00 a um cordeiro por dia. Teve um ano que foi a filhinha de Ivete. Na mesmice jornalística, ou burrice, Cláudia Leite também é sempre o foco das imagens.

Já ficou comprovado que o Carnaval de Salvador é feito por gente de fora e para gente de fora. Agora os gestores da festa ficam discutindo números grandiosos de que Salvador recebeu 500 mil turistas e achando que os 750 mil do Rio de Janeiro e os 700 mil de Recife e Olinda são falsos. Dá para confiar neles? Que vergonha!

O cantor Gerônimo soltou sua bofetada afirmando que o carnaval do apartheid, ou a folia baiana, é decadente como manifestação popular. Virou um grande negócio. Só brinca bem quem tem dinheiro – segundo ele.

Os donos vêem de lá e dizem que só profissionalizaram a festa, tornando os blocos em empresas. Não revelam seus ganhos, mas cada empresa dessa deve faturar entre R$15 a R$20 milhões por ano. Ainda sonegam impostos e pagam uma mixaria de R$30,00 por dia a um cordeiro.

O próprio secretário de Turismo do Estado, Domingos Leonelli que disse que a festa foi um sucesso, reconhece que o tal do axé deve se mirar nos blocos afros que são os mais bonitos da cidade com suas alas de abertura. “Os abadás são excessivamente simples”.

Falta ser dito também que os blocos afros dos movimentos negros que tanto falam de racismo, preconceito e discriminação adotam procedimento de separação não admitindo a participação de brancos. É, mas o argumento deles sempre são válidos e compreensíveis. Basta de contradições! Basta de anomalias!

terça-feira, 8 de março de 2011

A MÍDIA E O CARNAVAL


Que me perdoem os leitores, mas volto a falar do Carnaval de Salvador, mesmo me arriscando ser enfadonho e chato. Vou procurar ao máximo ser curto, grosso e direto, sem medo de que me joguem pedras e lanças venenosas.

Em referência à festa baiana, a jornalista Rachel Sheherazade, da TV Tambaú, afiliada paraibana da rede SBT, disse que o carnaval só dá lucro para proprietários de trios elétricos e para uns poucos artistas de Salvador. Fiquei surpreendido de ter sido uns dos assuntos mais produzidos no Twitter.

Digo isso porque a jornalista não falou nada de novo, só o óbvio. As forças que comandam o evento sabem disso e não estão nem aí para as críticas. Faltou acrescentar que os donos de camarotes e de hotéis também saem com os bolsos cheios. Só eles. O resto é resto.

A mídia, especialmente a televisada (termo arcaico para muitos), faz parte ainda desse esquema elitizado que separa ricos dos pobres, colocando estes últimos para esfregarem seus suores nos corredores apertados do asfalto. É a parte que lhe cabe neste latifúndio.

Não acredito nesse negócio de que a mídia é formadora de opinião. É coisa superada. No caso específico do carnaval, ela é moldada, conduzida e formada pela opinião dos poderosos. É arrastada pelas conveniências capitalistas do poder do dinheiro.

Quem manda mesmo são os donos da festa, e a mídia apenas acompanha o processo de cobertura para agradar e também tirar seu quinhão daqueles que usurpam dos espaços públicos para ficarem mais endinheirados ainda.

É uma troca de favores, e a mídia em geral está ali para escrever e falar besteiras e baboseiras. Ela não está nem um pouco preocupada em mostrar a verdade. Ela simplesmente acompanha o jogo do jeito que é jogado. Não está ali para formar opinião e apontar o certo e o errado, nem o outro lado de lá.

No caso das televisões, por exemplo, basta ligar num canal que transmite o carnaval e lá está o foco das câmaras nas “estrelas” de Ivete Sangalo, Cláudia Leite e Daniela Mercury. Não muda. A conversa e o falatório são os mesmos dos anos anteriores.

Quando não sãos as três nos mandam de lá o Béu, do Chiclete, Durval Lelis e o Braw. Muito raramente se mostra Margareth Menezes e algum afoxé. Tanta coisa jornalística para ser apresentada, mas preferem a mesmice.

É uma pobreza jornalística que não tem mais tamanho. Mas, tudo, meu amigo, é proposital e conveniente para atender os interesses deles e daqueles que mandam no carnaval. Vez por outra, no seu corpo editorial, deixa alguém emitir alguma crítica, e não mais que isso. Se o cara insistir, seu nome é logo excluído e execrado.

Sempre disse e repito que no Brasil, o pior e o maior racismo não é o racial, mas sim o social. Este sim, condena todos à escravidão. Um negro com grana consegue freqüentar qualquer camarote de luxo, mas um pobre branco nem chega perto. O negro e o branco sem dinheiro são jogados no aperto do asfalto. Vão arrastar cordas e catar latinhas no chão.

A mídia e o carnaval dos poderosos donos de trios de batucadas de axé, blocos e camarotes são irmandades inseparáveis e bajuladoras um do outro. É uma confraria inexpugnável com os mesmos interesses pecuniários que não quer nem ouvir falar em mudanças para que o carnaval volte a ser uma festa popular com o desfile de suas tradições culturais.

segunda-feira, 7 de março de 2011

O QUE SERÁ DO PSB?



Quando a gente pensa que já viu de tudo, aí, oh! Aparece outro monstro para atormentar nosso juízo. Estava eu lendo o jornal (fico a me perguntar por que ainda faço isso?) e aí me deparei com a notícia de que o prefeito Kassab, de São Paulo, está com a idéia de criar uma nova legenda, já anunciada como Partido Democrático Brasileiro-PDB – mais uma a fazer parte da sopa de siglas partidárias – e depois fundir-se com o PSB-Partido Socialista Brasileiro.

Tenho pena dos socialistas que ainda restam por aí Perdidos na Noite, sem querer parodiar o filme de Jerome Hellman e John Schlesinger, com Dustin Hoffman e Jon Voight. Bom clássico vencedor do Oscar de 1969 quando o Brasil vivia sob a peia e a chibata dos generais. Mas, com essa política os brasileiros estão literalmente Perdidos na Noite. É gigolô para todos os lados querendo se dar bem com a pátria-dama.

Bem, não vamos fugir da raia, ou melhor, do assunto. Sobre a questão, a nossa senadora Lídice da Mata disse que ver a “transação”, ou o “cruzamento”, se assim acharem melhor, com bons olhos porque seria criada uma terceira força ao lado do PT e do PSDB. Talvez seja o motivo de dizer, com todo respeito, que nossa senadora não está enxergando bem e esteja precisando fazer um exame das vistas.

Estamos com o mal da síndrome do PT. Basta um partido começar a crescer que aí aparecem os oportunistas com intuito de se utilizarem da sigla para a expansão de seus latifúndios. O que diria o ex-governador Otávio Mangabeira se vivo fosse? Essa fusão é boa para o PT que quer ganhar o Governo de São Paulo. Até quando o PSB vai continuar vivendo na sombra dos outros? Ciro Gomes, a pedra bruta foi esmagada, inclusive pelo próprio PSB numa máquina trituradora.

Não vou aqui entrar nesses meandros. Dizem por aí que é coisa de cientista político. Sou apenas um jornalista latino-americano sem dinheiro no banco vindo de lá do interior como dizia o cantor Belchior. E por falar nisso, alguém sabe aonde ele se escondeu? É, cuidado! O PSB pode tomar o mesmo destino do artista e virar pó, se bem que Belchior ainda não se transformou em pó.

Mas, como não temos mesmo partidos no sentido ideológico no Brasil, e sim, agrupamentos tribais, tudo é válido, como as alianças esdrúxulas e vergonhosas do PT com nomes que são repugnantes e dão nojo. Nomes que sempre viveram à custa da grande teta, roubando e formando impérios com o dinheiro público.

Para se ingressar num partido ou fazer uma coligação não se olha mais a cara do sujeito. Sua idoneidade não conta. Se for para aumentar mais a fazenda e o gado, tudo bem. Não importa se é grileiro. Lula não disse certa feita que se Cristo viesse ao mundo, ou melhor, ao Brasil, faria acordos até com Judas e com o Diabo!. Sarney que recebeu votos da esquerda para se perpetuar no trono é o que? Judas ou o Diabo?

A gente entra num partido histórico de esquerda de tradição progressista com boas intenções e rezando na cartilha ideológica. Quer se exercitar e se aprofundar naquela corrente de pensamento para receber e dar sua contribuição teórica e prática para melhoria da sociedade. Acredita nas pessoas que ali estão e nas posições em defesa das camadas desfavorecidas e excluídas. Aí você vai olhando ao seu redor e percebendo que não é aquilo que imaginava. A quase totalidade dos membros não tem nenhuma ideologia. Por todos os lados, oportunistas e aproveitadores de cargos, esperando agarrar a teta grande para mamar. Não dá mais para aturar pessoas em que você confiava votando contra o povo.

Você vai com o tempo observando os comportamentos e concluindo que a maioria não tem nenhum compromisso e ideologia, e muitos nem sabem a história e a origem do partido. Você vai vendo os donos colocarem pessoas de fichas sujas que nada têm a ver com a agremiação política. O pior é que tudo isto é feito à sua revelia pelos proprietários do ajuntamento, sem lhe consultar.
Aí, meu amigo, se você for um sujeito sério de formação e crente em seus princípios, pode ficar pirado e parar no divã de um analista. Sua mente entra em parafuso e você pergunta o que foi fazer ali. Indaga para si mesmo: Como vim parar neste lugar? É frustrante e desestimulante. Não dá para prosseguir. É desilusão pura.

Fora isso, o cara pode ir aceitando as acomodações, empurrando ali e acolá até se transformar parte do podre sistema de concordatas e negociatas. Aí o indivíduo não pensa mais em defender o povo, mas como se especializar em montar as armadilhas para pegar o povo nas urnas.

O caro leitor pode dizer ou recomendar que essa pessoa deve ficar para combater as armações e as imoralidades. Pode até ficar, mas será tragado e expulso como persona não grata. Muitos não têm estômago para isso e resolve cair fora. É um direito, e ninguém tem o direito de chamá-lo de covarde ou coisa assim.

terça-feira, 1 de março de 2011

DOMADOS E CARNAVAL

DOMADORES E DOMADOS

A personalidade do indivíduo é hoje disfarçada e maquiada pelos ditames de um sistema opressor colocado como padrão que só visa a competição do capital a qualquer preço. Foi montado um esquema cruel pelos domadores teóricos do mercado que deve ser seguido à risca pelos domados. As pessoas perdem suas identidades e são grampeadas com o crachá da opressão. Não há alternativa para quem sair da linha do politicamente correto.

No caso de uma entrevista para emprego, por exemplo, existe um modelo ditado cheio de regrinhas para se apresentar na futura empresa que está lhe oferecendo um trabalho. A papagaiada de falsidades começa pelos trajes, cores das roupas, como apertar a mão do chefe ou diretor, como olhar para ele, como abrir a porta, como se sentar, como responder as perguntas e outras baboseiras mais do mundo fútil e artificial que despreza o ser humano. Ele só é visto como produto descartável.

Diante de tantas normas ensaiadas, o candidato ali, na grande maioria das vezes, não é ele mesmo na sua essência, mas um poço de mentiras, embora lhe diga no treinamento que não pode mentir. O mais robotizado, muitas vezes, ganha a vaga, mas, só tempos depois o patrão descobre que aquela pessoa não é aquela pessoa que foi domada para atender a padronização dos teóricos. São fórmulas manipuladoras do caráter humano.

Vivemos num regime da ditadura das normas, e o ser humano é simplesmente um objeto que pode ser moldado de acordo com os conceitos que viram verdades nas mãos dos domadores. Para não se perder tempo com leitura, o currículo tende a ter o mesmo formato de uma carteira de identidade plastificada.

A única coisa que se ensina hoje é conjugar o verbo competir. O resto é jogado fora. Não vale a pena perder tempo com a valorização humana. Só o cliente é tudo para ganhar dinheiro. O empregado é apenas uma peça que tem por obrigação fazer girar a roda. Não passa de uma engrenagem no inferno capitalista como no filme de Charles Chaplin.

Nunca consegui entender porque os donos do saber da área de gestão empresarial colocam sempre o cliente como a peça mais importante de uma empresa e não o funcionário. Talvez porque pela merreca que ganha já é sua obrigação ser escravo e até sofrer assédio moral. É como se a pessoa passasse a ser dono de alguém como um cachorro domado. Nada de sentimentos e emoções.


CARNAVAL DO APARTHEID


Mudando de assunto, mas que também tem muito a ver com o nosso sistema discriminatório e concentrador de renda, o carnaval de Salvador da divisão de classes entre ricos e pobres, negros e brancos vai tocando seu lixo musical para turista ver. Dos trios ensurdecedores saem as “letras” e gestos pornográficos nos rebolados repetidos pela multidão que segue as coreografias das bundas bombadas e dos músculos cheios de hormônios. Lá embaixo no asfalto suado e apertado, a senzala faz o que mandam os senhores dos casarões. A juventude vai à loucura e obedece aos sinais.

É o carnaval do apartheid descolado da cultura popular. Não é mais a festa popular onde ricos e pobres ocupavam os mesmos espaços. É o carnaval dos camarotes confortáveis e luxuosos de ar condicionado que não exalam odores de mijo e suor. Do alto de seus palácios, os grãfinos assistem a massa se arrastar atrás dos trios no empurra-empurra dos corpos nos corredores estreitos que sobraram das avenidas tomadas pelos donos da capitania.

Os blocos, máquinas de fazer dinheiro, separam o povo com cordas arrastadas e protegidas por gente pobre e humilde feita escrava. Os cordeiros recebem migalhas de um sanduíche e uma mixaria de R$30,00 por dia, enquanto os donos dos abadás se fartam de comida e bebidas caras.

Os puxadores de cordas de mãos calejadas do trabalho braçal são impelidos pelas circunstâncias a expulsar com socos os pobres camaradas para além dos limites do território dos ricos que se divertem.

Por sua vez, os governantes liberam milhões de reais dos contribuintes para a festa, com o argumento de que o carnaval gera bilhões em dinheiro e oferece empregos para centenas. Só não falam que a maior fatia, mais de 80% vão para os bolsos dos donos de blocos, trios, hotéis e empresas de turismo, elevando mais ainda a concentração de renda e a desigualdade social.

O resto fica com os barraqueiros e vendedores ambulantes, e para um grupo de trabalhadores sem qualificação, como cordeiros e montadores de camarotes. Para ganhar uns trocados para ajudar suas famílias, as crianças também entram no serviço escravo, mas as “autoridades” querem impedi-las de trabalhar.

Num Estado com os maiores índices de pobreza no Brasil (o segundo pior IDH) é muita hipocrisia e demagogia querer aplicar leis que deveriam ser feitas para condenar as elites egoístas que há anos controlam o carnaval da maior exclusão social do mundo. Para os excluídos sobra o cassete e a porrada da truculenta polícia militar.

Existe muita conversa para boi dormir e para a mídia que não abre a caixa preta do carnaval, por conveniência e por incapacidade mesmo. O negócio mesmo é todo mundo cair na folia da aberração cultural e do turismo sexual como é visto pelos gringos lá fora nas propagandas das bundas e das popousudas mulheres nuas com suas danças e letras eróticas de bota na boquinha da garrafa, ou vou te comer. É um filme de pornochanchada.