Estou agora ficando viciado em entrar com um assunto para comentar sobre outro. Ia falar mesmo do “general do metrô”. A apresentação do general para resolver o problema do metrô de Salvador pelo deputado federal João Leão, com cara sisuda de militar linha dura, deixou a impressão de uma intervenção militar para acabar com a imagem folclórica da obra contaminada pela corrupção dos civis.
O metrô de Salvador virou mais um dos absurdos da Bahia como dizia o ex-governador Otávio Mangabeira. Não é mais um metrô calça curta ou bermuda, mas uma sunga puída pelo tempo, depois de mais de 10 anos de roubalheiras. O pior é que o povo assiste a tudo como se nada estivesse acontecendo. A obra até que poderia virar um filme de ficção baseado em realidade. Como dizia o poeta Gregório de Matos (1636-1695) “Que falta nesta cidade? Verdade. Que mais por sua desonra? Honra. Falta mais que lhe ponha? Vergonha”. ”Triste Bahia”!
Mas, peço licença para falar de Vitória da Conquista e indagar por que o município tem ficado de fora de projetos importantes nas áreas industriais e de infraestrutura nos últimos anos? Para não perder o embalo faço outra pergunta: Cadê os nossos representantes políticos? Cadê as lideranças empresariais e classistas da terra? Cadê a força entre poder público e privado?
É certo que Conquista experimentou um grande crescimento a partir do final dos anos 90 e início dos anos 2000, principalmente com a chegada de novas faculdades particulares, da unidade da UFBA na área da saúde e da expansão da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-UESB. A educação de ensino superior levantou a economia de Conquista que contou também com a evolução no setor de saúde (municipalização do SUS) pública e privada. Lamentavelmente decaiu muito.
Tanto foi visível esta mudança que Conquista se transformou num dos municípios mais dinâmicos do Nordeste e pólo de desenvolvimento da sexta maior economia baiana. Com as novas faculdades privadas e com o nível de atendimento na saúde, passando de baixa para alta complexidade, para aqui vieram milhares de estudantes e pessoas. A demanda por esses serviços aumentou consideravelmente, resultando num boom da construção civil, sem contar o crescimento do comércio com novas lojas de médio e grande porte, como no caso do Shopping Conquista.
Acontece que nos recentes anos vem se percebendo a tendência de estagnação porque essas fontes já deram o que tinham de dar, e agora Conquista precisa de projetos mais arrojados de infraestrutura, principalmente, para atrair industriais e empresas de maior porte que ofereçam mais empregos.
Conversando há pouco tempo com um empresário da construção civil ele me dizia que desde o ano passado esse segmento da educação não está mais rendendo como antes, tanto que o setor não vem mais lançando projetos no formato anterior. No ano passado e ainda neste, que vem sustentando a construção civil é o programa “Minha Casa, Minha Vida” do governo federal. Não é só isso, para deslanchar, Conquista precisa de um novo aeroporto cujo projeto está parado e não se sabe quando será concretizado. Sobre o projeto do Shopping a Céu Aberto não se fala mais nele, bem como do Centro de Cultura do Banco do Nordeste e a criação da zona turística “Caminhos do Sudoeste”.
A via ferroviária Oeste-Leste que vem da região de Barreiras vai passar por fora de Conquista. Os projetos de mineração e até siderúrgica vão ficar em Caetité e Urandi. Até Jussiape vai ter uma exploração de minério. As agroindústrias estão todas ficando no oeste, sul e lá no norte de Juazeiro. Ilhéus está com seu pólo de informática crescendo e vai ter o Porto Sul. Do programa de energia eólica do Governo do Estado, também lá em Caetité e Guanambi, várias empresas fabricantes de peças vão se instalar na Bahia. Até agora em Camaçari, Feira de Santana e Ilhéus.
Venho observando que Conquista sempre fica de fora desses projetos. Está faltando maior representação política para brigar? O empresário José Maria Caires que tem aberto várias frentes de lutas por projetos para Conquista, afirmou que a iniciativa privada vem fazendo sua parte, mas não tem tido a contrapartida do poder público.
Empresários alertam que se não forem implantados novos programas de infraestrutura, como um moderno aeroporto, e que se os principais pontos de atração da cidade não forem revitalizados e urbanizados haverá, em pouco tempo, um estrangulamento no setor de transportes, por exemplo, e uma estagnação como um todo no processo desenvolvimentista.
Há cinco anos que se vem falando no Shopping a Céu Aberto, mas o plano esbarra na falta de recursos. No início do ano passado, com a presença de entidades de classe e técnicos do Sebrae que elaboraram o projeto (2006) houve uma reunião na Câmara de Vereadores onde se discutiu a questão e os caminhos para sua viabilização. Não se fala mais nisso.
Quanto a criação da zona turística foi realizado há quase dois anos o seminário “Potencialidades Turísticas da Região Sudoeste”, em Vitória da Conquista. Como alardearam seus organizadores, foi o primeiro passo para a consolidação definitiva da décima terceira Zona Turística da Bahia, denominada de “Caminhos do Sudoeste”. Não se fala mais nisso. Para José Maria, está faltando mais sintonia e decisão política para que as coisas aconteçam e Conquista tome outros rumos no processo evolutivo. Caso isso não ocorra, entende que o crescimento do município tende a entrar numa fase de estagnação.
Como pontos de atração para visitantes e moradores que fortaleceriam a economia, José Maria aponta a urbanização com segurança do monumento do Cristo; revitalização do Poço Escuro; treinamento de pessoal; e criação de um roteiro ecoturístico com destino à Chapada Diamantina, partindo de Vitória da Conquista. Na sua concepção, o Cristo, por exemplo, precisa ser transformado num cartão postal da cidade onde o visitante encontraria ali um restaurante panorâmico para fazer seu passeio com segurança.
O empresário lamenta que muitas indústrias e empresas de fora, por falta de estrutura e incentivo do poder público, terminam se instalando em outras cidades. Cita como exemplo, uma unidade de fabricação de móveis do Sul do País que terminou indo para Itambé, empregando hoje 100 pessoas. Esse mesmo empreendimento está montando uma indústria de pias e acessórios para banheiros em Cândido Sales.
Para que os projetos nas áreas turísticas e industriais se tornem viáveis e se concretizem, o coordenador do Movimento Conquista Pode Voar mais Alto, José Maria aponta que o essencial é a construção de um novo aeroporto. O projeto executivo ainda não foi definitivamente concluído porque a Anac (Agência Nacional de Aviação) e a Infraero exigem que nele sejam incluídos os padrões obrigatórios para o funcionamento de um aeroporto, como não ter residências e construções próximos.
O projeto do aeroporto, de responsabilidade do Estado, está sendo concluído pela empresa Concremate, do Rio de Janeiro, devendo ser entregue ainda neste primeiro semestre. Para a construção já existe uma emenda parlamentar de R$40 milhões.
A questão da água é outro problema que entrava a vinda de indústrias para a cidade. José Maria defende a construção de uma adutora da Barragem de Anagé que dispõe de 363 milhões de metros cúbicos. Para ele, mais viável que fazer uma barragem no rio Pardo.