quarta-feira, 16 de setembro de 2009

CARTA AO BISPO



Sr. Bispo Dom Expedito, da Cidade Eterna, rogo sua interseção junto ao Todo Poderoso para que ilumine nossas mentes, fortaleça nossos espíritos e nos socorra com seu Bastão de ministro divino para que ouçam nosso clamor.



Primeiro, abençoe as criaturas do bem e amaldiçoe os malfeitores que assaltam nossos lares e desonram nosso solo com o veneno do mal. Faça germinar nosso trigo e elimine as pragas que infestam nossos campos e destroem nossas lavouras.



Senhor Bispo, o pouco que colhemos é saqueado por roedores gigantes que saem dos esgotos e dos lugares mais féditos. Permita-me, Senhor Bispo, que eu faça a minha queixa e coloque sua reverendíssima a par do que está ocorrendo com a nossa gente.



Não temos mais a quem apelar. A nossa fé está se apagando como a luz num candeeiro em final de pavio. Confiamos no Senhor para que nos devolva a esperança. O momento é de desespero. Tudo parece perdido.



Aqui, nesta terra de Vera Cruz, está acontecendo coisas monstruosas e horrorosas que vão exigir muita penitência e reza da sua parte para exorcizar rituais macabros do diabo que tomou conta do nosso chão e de nossas almas.



Nossa história é penosa desde a colonização, cheia de tormentos, ditaduras, exploração e trambicagens. Ganhamos uma democracia, depois de quase trinta anos de tortura, que nos dá o direito da liberdade de expressar, até com xingamentos contra os senhores dos desmandos, mas a elite egoísta do poder e do capital faz pouco e debocha de nós.



Muitos, Senhor Bispo, não acreditam mais nessa democracia que foi enxovalhada e pedem o retorno da uma nova ditadura, com fechamento do Congresso que não congrega. Uma ratazana está infernizando planícies e planaltos e se refugia em palácios.



Nossa democracia é como uma moça de família que foi desonrada. Nosso grito de liberdade ficou sem serventia. Os coronéis continuam a cortar nossas carnes com suas chibatadas e ainda bebem do nosso sangue.



O que adianta essa liberdade se eles não nos escuta e estão se lixando com o povo? Nossos clamores são abafados com o cinismo. Corre à boca solta nas esquinas que o povo está preferindo uma ditadura parta acabar com a baderna. A dama foi violentada e estuprada.



Nas cidades, nas fábricas, nas escolas, nos campos e nos lares as pessoas desaprenderam a lição da mobilização e do protesto. Cada um segue sua rota individual na busca monetária para abastecer suas dispensas. Os abastados vivem em fortalezas e nossa dignidade foi esmagada.



A antiga geração se materializou na luxúria do tempo e suas cordas de aço não vibram mais. Só restaram a decepção dos acordes desafinados. A música não tem a mesma letra cheia de ressurreição e renascimento de uma nova terra como prometido. O elo foi quebrado. Partiu-se a aliança. A estrela se apagou.



A nova não toca mais o som e a melodia do despertar das consciências coletivas como fazia antigamente. Ela está sem rumo, vazia e sem guia. Foi iludida pela magia e pelo canto da sereia.



É uma geração sufocada que gera indiferença, conformismo e alienação. Está hipnotizada pelo consumismo das vitrines e pelos shows rebolados com bumbuns e corpos torneados.



Em cena uma Nação macambúzia, bombardeada pelo marketing e deprimida pela falta de perspectivas. Estão cortando nossas gargantas e nos esquartejando.



Os políticos transformaram o Congresso num bordel de prostituição orgística e são ladrões por toda parte. Não é propósito deixar Sua Reverência estupefata e levar a não acreditar no que digo, mas são escândalos que vão além da compreensão e da lógica humana.



Estão nos levando ao inferno real como pregava o Padre Vieira lá pelos idos do século XVII. Eles nos roubam como lobos de dentes afiados e famintos.



O reino virou um exército de ladroeira, não os que cortam bolsas ou furtam alimentos nos supermercados, mas os que saqueiam cidades e províncias. Os ladrões grandes enforcam os pequenos e triunfam.



É uma dor que não pode se calar, e os que silenciam diante do terror são eloquentes mudos, como dizia o pregador Vieira. A sociedade se esconde em suas casas e mansões e não quer ver o que se passa.



Os escândalos escabrosos dariam uma Folha Corrida que se estenderia em volta do Globo Terrestre. Todos ficam impunes com as mentiras. As provas não são mais provas. As assinaturas e as falas são negadas. A punição foi engavetada, e o parlamentar de todas se safa.



O rei não sabe e não vê nada. O real se tornou irreal, e o normal é ser cara de pau e malandro, Senhor Bispo. Ninguém quer ser mais honesto para não passar vergonha em público. Consumou-se a profecia do grande jurista Ruy Barbosa. Roubar é ser inteligente, e burro-otário é ser ético.



Os partidos políticos apagaram as ideologias de suas cartilhas. Um deles até prometeu mudar, reformar, ser sério, mas depois se misturou no chiqueiro com os piores porcos e ladrões de cavalos, comendo as mesmas lavagens e farelos.



Já imaginou, Senhor Bispo, que a Justiça daqui paga férias a magistrados aposentados? Que os deputados e senadores têm vales viagens para curtir o mundo com seus parentes e amigos? Que ainda têm vales refeição, vale telefone, combustível, correios e outras regalias mais, tudo pago pelos bestas eleitores que votam neles?



A multidão se enfurece nos estádios e nos carnavais como nas arenas do tempo de Nero e de Calígula. Sacia-se com o circo, mas emudece diante dos descalabros e prefere não enxergar a realidade. Os socos e os golpes não são mais contestados.



O povo não é mais dono de nada, e o público se tornou privado. As propagandas são todas enganosas. As promessas são vãs, mas a população ainda vota. Confesso, Sr. Bispo, com toda minha ira, que na próxima meu candidato será o “Dr. Nulo.” Não existe mais opção de escolha. Não dá mais para acreditar.



Encontrei um Doutor hoje, Senhor Bispo, que disse ter saudades da ditadura. Não sabemos mais quem somos, nem para aonde vamos. Temos medo que os exércitos arrombem nossas portas e nos arrastem para os porões.



Será Reverendo, que dá para nos salvar? Regenerar os pervertidos hereges e impedir que o Seu Poderoso derreta nossa aldeia com o fogo dos céus, como fez com Sodoma?

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

COMUNICAÇÃO É UMA SÓ

Conclui meu curso de Jornalismo na Facom (Faculdade de Comunicação da UFBA) lá pelos idos da década de 70, mas pelos meus quase 40 anos de profissão, entendo que em si tratando de ética e do esforço pela busca da isenção e da independência (não existem na totalidade), a comunicação é uma só. Comunicação pública e privada de que tanto falam por aí são conceitos de diferenciação de concessões. Uma é montada com recursos particulares e a outra com dinheiro do povo.



Compreendo, no entanto, que ambas, pelo menos teoricamente, devem ser leais com a informação e, acima de tudo, terem compromisso sagrado com a liberdade de expressão, sem vies ideológico e partidário. Nem uma nem outra podem ter o intuito de manipular seu público em direção a uma corrente política, grupo ou a um interesse econômico. Infelizmente, não é isso que vemos no Brasil. A pública não pode ser estatal, nem a privada ser de domínio de um grupo fechado que impeça a democratização da comunicação.



Na verdade terminei fazendo um “nariz de cera”, mas creio de utilidade para o conhecimento e até controvérsias, para provocar a discussão sobre o comentário “Promessas Vãs,” feito pelo professor de Radiojornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb, Dirceu Góes, a respeito da estrutura da TV UESB e do atraso na instalação da Rádio Educadora.



Sobre estas questões, especialmente, tenho certeza que a comunidade conquistense precisa de maiores esclarecimentos, não só através dos veículos de comunicação, mas também através de um debate aberto com a sociedade, incluindo todos seus segmentos. Será que só exigimos transparência lá dos políticos do Congresso que perdeu sua identidade para com o povo?



Aproveitando esse “gancho”, minha opinião é que a Uesb, marco do nosso desenvolvimento regional, não somente na área educacional, mas econômica, política e social, precisa se aproximar mais da população. No mundo de hoje não é mais tolerável que o academicismo seja propriedade apenas de uns. O conhecimento, o saber e as discussões têm que ser compartilhados com todos.



Bem, voltando ao comunicado aberto “Promessas Vãs”, o professor Dirceu levanta uma série de críticas quanto a TV UESB, a Rádio Educadora que ainda não está funcionando, e com relação ao Assessor da Reitoria, professor Francis José Pereira, nomeado pelo Pró-Reitor de Extensão, Paulo Sérgio Cavalcanti.



Sobre a indicação, portaria e outros termos, não quero aqui entrar no mérito da questão, pois poderia cometer um pecado grave de julgamento jornalístico num assunto de competência administrativa da instituição. Mesmo assim, o assunto requer clareza e transparência, pois se trata de uma instituição pública. Por enquanto, prefiro focar minha provocação em aspectos onde o professor Dirceu questiona o problema da ética na comunicação pública e fala de censura.



O ofício circular 013/2009 da Reitoria da Uesb, citado por Dirceu, fala que nos próximos meses o sistema de comunicação da instituição será ampliado com o início das transmissões da Rádio Educadora. O professor rebate que o “autorizo” da Rádio se arrasta há anos em Brasília e insinua falta de competência e disposição para resolver o problema.



Na verdade, como profissional e sindicalista, acompanhei a criação do curso de Jornalismo desde 1998 e há seis ou sete anos, se não me engano, já se anunciava para breve o funcionamento da Rádio. Concordo que precisamos de maior objetividade quanto a instalação do veículo.



Sobre a real situação hoje da Rádio, a Uesb e, talvez o próprio Dirceu Góes, possam detalhar melhor o quadro. Todos os equipamentos, como caixas de som, computadores, ícones sonoros, mesa e outros itens necessários já foram adquiridos? Neste ano já se pode produzir e veicular programações na Rádio e na TV?



No que diz respeito a TV UESB que já opera com seus programas noticiosos desde 2007, não se pode falar mais em fase experimental e de implantação. Quando um meio de comunicação entra no ar ou passa a circular, presume-se que antes tenha sido objeto de planejamento e estudos, inclusive com metas de produção.



No meu entendimento, a informação é como um medicamento que se coloca para uso popular. Os remédios quando entram no mercado para a venda nas farmácias passaram antes por análise de qualidade, obedecendo as indicações. A comunicação também não pode ser feita à base de experiências, pois também lida com vidas humanas.



Por fim, o professor Dirceu toca num ponto grave nos dias de hoje quando aponta arbitrariedades impostas pela Assessoria da Reitoria na televisão educativa e insinua censuras. Condena a submissão da TV à Assessoria de Comunicação da Reitoria. Confesso que não consigo entender esse entrelaçamento.