Volto ao comentário anterior sobre a ditadura civil-militar quando disse que tem saído coisas desencontradas na imprensa (intencional ou por ignorância) que têm me deixado estupefato. Esses apoios à ditadura requerem da nossa parte vigilância permanente em defesa da liberdade, informando corretamente às novas gerações o que realmente ocorreu naqueles tenebrosos anos de chumbo que, a meu ver, foram de 1964 a 1988(última Constituição).
Um moço, cujo nome não merece ser citado, porque seria dar visibilidade, escreveu, no Espaço do Leitor, do jornal A Tarde, que “o que foi feito em 1964 só se pode louvar”. Se for um militar linha dura, dá até para entender, mas se é civil, nos envergonha. Aliás, para dizer tal asneira, deveria glorificar a democracia, plena ou relativa, conquistada por aqueles que lutaram por ela. É o tipo de gente que acha que não existiram torturas, estupros e mortes nos porões da ditadura. Tudo não passou de uma mentira.
O escrevente destilou toda sua raiva contra o ex-deputado Emiliano José, incomodado por sempre falar sobre o período dos governos militares. A mídia deveria reservar um espaço todos os dias para comentar o assunto. Se por acaso me ler, serei picado pelo seu veneno, mas a esta altura da vida seus ferrões não vão mais penetrar no meu couro enrijecido. Entre outras besteiras, o moço sapecou que 64 ocorreu devido a um movimento “popular” liderado pela mulher brasileira. Talvez ele esteja se referindo à Marcha pela Família e pela Pátria, mas não foram somente as mulheres que participaram do movimento.
O golpe de 64 começou a ser ensaiado pelos generais desde o suicídio de Getúlio Vargas (1954). No início dos anos 60, os militares foram impulsionados pela burguesia capitalista que temia perder seus privilégios, tendo à frente a Igreja Católica, a classe média e outras instituições, como a própria OAB. Depois esses segmentos passaram a combater as atrocidades quando o regime endureceu.
Perdoai, Senhor, porque não sabem o que dizem! Por essas e outras é que defendo vigilância constante e que a questão da ditadura burguesa-militar se torne disciplina específica da nossa história a ser ensinada aos jovens nas escolas públicas e privadas. É uma pena, mas as novas gerações pouco sabem sobre esse período de trevas vivido pelo nosso país.
Mas, nem tudo está perdido. Recentemente, vem ocorrendo em várias capitais, o Levante Popular da Juventude em defesa da Comissão da Verdade, que visa não deixar que se apague o resto de memória que ainda existe sobre o que foi aquela dura repressão. Povo sem história é povo sem identidade. O Levante pede, em suas ações, que os torturadores sejam denunciados.
Nos últimos cinco anos tenho me debruçado sobre o assunto através de pesquisas e leituras. É um passado que nos envergonha e, por isso, exige de nós permanente vigilância em defesa da liberdade, mesmo numa democracia que não é a ideal. Dentro deste contexto do golpe, estou concluindo o livro “Uma Conquista Cassada”, com muito sacrifício devido, sobretudo, à falta de recursos financeiros.
Tenho contado com ajuda de amigos, mas vou precisar de muito mais para sua publicação. Estou consciente o quanto vai ser difícil, mas esperançoso. Uma das idéias é transformar o projeto numa obra colaborativa, com a participação de pessoas, entidades, órgãos e empresas interessadas na preservação da nossa história. Está aberta a temporada de apoios e sugestões.
quinta-feira, 29 de março de 2012
segunda-feira, 26 de março de 2012
SERÁ MENTIRA?
Tem gente que ouve o galo cantar, mas não sabe aonde. Tem gente que ainda acha que é mentira que o homem pisou na lua, como não acredita que houve torturas e horrores nos porões da ditadura civil-militar. Por falta de leitura e pesquisa, essa gente sai por aí falando e escrevendo coisas deturpadas que simplesmente ouviu da boca de outras pessoas que também não se aprofundaram no assunto.
Nos últimos tempos tenho acompanhado e lido na imprensa escrita, principalmente, uma enxurrada de “comentários” desinformados da parte de leitores sobre os anos de chumbo da ditadura civil-militar. Usam a raiva para combater os que defendem a comissão da verdade e ainda acham que os pesquisadores estão enganados e nada sabem.
A primeira impressão que dá é que se trata de uma campanha orquestrada da direita conservadora para apagar a luta da esquerda no Brasil contra o regime da época (1964-1985, ou até 1988 ou 1990 para alguns estudiosos). A outra impressão que fica é que se trata mesmo da falta de conhecimento (a pessoa não sabe aonde o galo cantou). É um quadro perigoso e preocupante.
Ainda tem gente que não acredita nas denúncias de corrupção e sai dizendo por aí que é tudo mentira da mídia elitizada contra o governo. Tem gente que ainda acha que comunista come criancinhas e mata os idosos para fazer sabão.
No caso da ditadura, que teve total apoio da classe média e até foi financiada pela burguesia, tenho lido afirmações e ouvido opiniões a favor dos torturadores criminosos, que me deixam estarrecido e assustado. São posições contrárias ao levantamento da memória, repetindo o formato dos militares da linha dura de que o movimento não passa de revanchismo da esquerda “terrorista”.
Ao se referir à situação atual de violência, aos desmandos das “autoridades” e ao quadro de impunidade, infelizmente, ainda tem gente que sai por aí pregando que se fosse na ditadura as coisas seriam diferentes. Essa gente não tem nenhuma noção do que foi a repressão militar e a falta total de liberdade e dos direitos civis.
Sobre declarações ameaçadoras de generais contra a comissão da verdade (boa parte dos arquivos já foi queimada e destruída), um estudioso afirmou num artigo no jornal que não existe mais ambiente para quaisquer tentativas ilegais das Forças Armadas. Completou que apenas existem manifestações aqui e ali do pijamato militar, que não conta.
Em parte, discordo dessa análise, mesmo porque a ditadura de 1964 começou com esse tipo de ensaio a partir do suicídio de Getúlio Vargas, em 1954. Engrossou no final dos anos 50 e início dos anos 60, e foi deflagrada por um general de pijama, Olímpio de Mourão Filho.
Portanto, devemos continuar sempre vigilantes. Até hoje, depois de quase 30 anos, os militares linha dura continuam mandando ameaças. A culpa maior disso está nos governos eleitos democraticamente, inclusive de esquerda, que por falta de coragem, optaram por não investigar e punir os crimes cometidos durante o regime. Não fizeram como os governos do Uruguai, Argentina e do Chile. Enquanto o tempo vai passando, a memória vai se apagando e ficando mais difícil eliminar de vez essa sombra que nos aterroriza.
Um exemplo de retrocesso foi a decisão lamentável do Superior Tribunal Federal, ratificando a Lei da Anistia tal como foi concebida em 1979, isto é, beneficiando também os torturadores e executores que praticaram crimes e não ação política de guerra.
Como esses criminosos e sequestradores podem ser anistiados, se nem foram julgados como foram as organizações de esquerda? Se era uma guerra, os presos políticos deveriam ser tratados como tal, isto é, conforme reza as convenções internacionais, e não esquartejados, estuprados e torturados barbaramente nas casas dos horrores. A anistia foi imposta quando o regime estava dividido e apodrecendo.
“Conquista Cassada.”
Mas, para muita gente, tudo não passa de mentira e invencionice. Desaparecimento de corpos é mentira, e nem mesmo a ditadura existiu. Para essas pessoas, recomendo ler e pesquisar profundamente sobre o assunto como venho fazendo há quase cinco anos na elaboração do livro “Uma Conquista Cassada”, sobre como se deu a ditadura em nossa cidade.
A obra está praticamente concluída para ser publicada, mas, infelizmente, depois de tanto sacrifício, sofreu solução de continuidade por falta de recursos e apoio. A luta é enorme, mas não vou desistir do objetivo porque tenho certeza de que é uma trabalho valioso para nossa história, apesar da pouca leitura, principalmente da nova geração, o que é muito triste.
Para essa gente que ainda sabe onde o galo cantou, recomendo ler os livros “Brasil: Nunca Mais”, organizado pelo Conselho Mundial das Igrejas, “O Baú do Guerrilheiro”, Ottoni Fernandes, “Combate nas Trevas”, Jacob Gorender, “1968: O Ano que não Terminou”, de Zuenir Ventura, “Os Carbonários”, Alfredo Sirkis,”...dos filhos deste solo...”, Nilmário Miranda,” Operação Araguaia”, Taís Morais e Eumano Silva, “Caparaó”, de José Carlos Costa, “Autópsia do Medo”, Percival Souza, a coleção de Hélio Gaspari, as obras de Emiliano José e tantas outras.
O assunto é muito amplo, mas só uma observação para finalizar. Infelizmente, as novas gerações não têm noção sobre o que foi a ditadura. Para reavivar nossa memória e prevenir a juventude para que ditadura nunca mais no nosso país, deveria haver nas escolas públicas e particulares uma disciplina específica sobre o tema.
Lamentavelmente, esse episódio de terror está se diluindo aos poucos, não passando hoje de uma simples menção dentro dos livros de História do Brasil.
Nos últimos tempos tenho acompanhado e lido na imprensa escrita, principalmente, uma enxurrada de “comentários” desinformados da parte de leitores sobre os anos de chumbo da ditadura civil-militar. Usam a raiva para combater os que defendem a comissão da verdade e ainda acham que os pesquisadores estão enganados e nada sabem.
A primeira impressão que dá é que se trata de uma campanha orquestrada da direita conservadora para apagar a luta da esquerda no Brasil contra o regime da época (1964-1985, ou até 1988 ou 1990 para alguns estudiosos). A outra impressão que fica é que se trata mesmo da falta de conhecimento (a pessoa não sabe aonde o galo cantou). É um quadro perigoso e preocupante.
Ainda tem gente que não acredita nas denúncias de corrupção e sai dizendo por aí que é tudo mentira da mídia elitizada contra o governo. Tem gente que ainda acha que comunista come criancinhas e mata os idosos para fazer sabão.
No caso da ditadura, que teve total apoio da classe média e até foi financiada pela burguesia, tenho lido afirmações e ouvido opiniões a favor dos torturadores criminosos, que me deixam estarrecido e assustado. São posições contrárias ao levantamento da memória, repetindo o formato dos militares da linha dura de que o movimento não passa de revanchismo da esquerda “terrorista”.
Ao se referir à situação atual de violência, aos desmandos das “autoridades” e ao quadro de impunidade, infelizmente, ainda tem gente que sai por aí pregando que se fosse na ditadura as coisas seriam diferentes. Essa gente não tem nenhuma noção do que foi a repressão militar e a falta total de liberdade e dos direitos civis.
Sobre declarações ameaçadoras de generais contra a comissão da verdade (boa parte dos arquivos já foi queimada e destruída), um estudioso afirmou num artigo no jornal que não existe mais ambiente para quaisquer tentativas ilegais das Forças Armadas. Completou que apenas existem manifestações aqui e ali do pijamato militar, que não conta.
Em parte, discordo dessa análise, mesmo porque a ditadura de 1964 começou com esse tipo de ensaio a partir do suicídio de Getúlio Vargas, em 1954. Engrossou no final dos anos 50 e início dos anos 60, e foi deflagrada por um general de pijama, Olímpio de Mourão Filho.
Portanto, devemos continuar sempre vigilantes. Até hoje, depois de quase 30 anos, os militares linha dura continuam mandando ameaças. A culpa maior disso está nos governos eleitos democraticamente, inclusive de esquerda, que por falta de coragem, optaram por não investigar e punir os crimes cometidos durante o regime. Não fizeram como os governos do Uruguai, Argentina e do Chile. Enquanto o tempo vai passando, a memória vai se apagando e ficando mais difícil eliminar de vez essa sombra que nos aterroriza.
Um exemplo de retrocesso foi a decisão lamentável do Superior Tribunal Federal, ratificando a Lei da Anistia tal como foi concebida em 1979, isto é, beneficiando também os torturadores e executores que praticaram crimes e não ação política de guerra.
Como esses criminosos e sequestradores podem ser anistiados, se nem foram julgados como foram as organizações de esquerda? Se era uma guerra, os presos políticos deveriam ser tratados como tal, isto é, conforme reza as convenções internacionais, e não esquartejados, estuprados e torturados barbaramente nas casas dos horrores. A anistia foi imposta quando o regime estava dividido e apodrecendo.
“Conquista Cassada.”
Mas, para muita gente, tudo não passa de mentira e invencionice. Desaparecimento de corpos é mentira, e nem mesmo a ditadura existiu. Para essas pessoas, recomendo ler e pesquisar profundamente sobre o assunto como venho fazendo há quase cinco anos na elaboração do livro “Uma Conquista Cassada”, sobre como se deu a ditadura em nossa cidade.
A obra está praticamente concluída para ser publicada, mas, infelizmente, depois de tanto sacrifício, sofreu solução de continuidade por falta de recursos e apoio. A luta é enorme, mas não vou desistir do objetivo porque tenho certeza de que é uma trabalho valioso para nossa história, apesar da pouca leitura, principalmente da nova geração, o que é muito triste.
Para essa gente que ainda sabe onde o galo cantou, recomendo ler os livros “Brasil: Nunca Mais”, organizado pelo Conselho Mundial das Igrejas, “O Baú do Guerrilheiro”, Ottoni Fernandes, “Combate nas Trevas”, Jacob Gorender, “1968: O Ano que não Terminou”, de Zuenir Ventura, “Os Carbonários”, Alfredo Sirkis,”...dos filhos deste solo...”, Nilmário Miranda,” Operação Araguaia”, Taís Morais e Eumano Silva, “Caparaó”, de José Carlos Costa, “Autópsia do Medo”, Percival Souza, a coleção de Hélio Gaspari, as obras de Emiliano José e tantas outras.
O assunto é muito amplo, mas só uma observação para finalizar. Infelizmente, as novas gerações não têm noção sobre o que foi a ditadura. Para reavivar nossa memória e prevenir a juventude para que ditadura nunca mais no nosso país, deveria haver nas escolas públicas e particulares uma disciplina específica sobre o tema.
Lamentavelmente, esse episódio de terror está se diluindo aos poucos, não passando hoje de uma simples menção dentro dos livros de História do Brasil.
terça-feira, 20 de março de 2012
EU ME IMPORTO
A China pretende importar todos os jumentos do Nordeste do Brasil (animais em extinção) para sacrificá-los e transformar suas carnes em alimentos e outros produtos. Eu me importo muito com isso porque nasci no campo vendo os jegues servindo os sertanejos na sua lida do dia-a-dia para sustentar as famílias pobres daqueles lavradores.
Alguém pode até achar uma grande bobagem, mas nunca me esqueci, desde quando era menino, da utilidade imprescindível desses animais ao homem pobre do campo. Não fosse seus serviços, transportando cargas pesadas nas roças e para as feiras da cidade, meu pai não conseguiria nos prover do vital alimento.
Por isso, o sertanejo tinha o maior zelo e tratava bem seus jumentos. Lembro muito bem que meu pai deixou um deles de estimação morrer de velhice em seu pasto, apesar da oferta que recebeu de um matadouro. Agora que o jegue foi substituído pela moto, o animal símbolo do Nordeste, que serviu até para compor canções, está com seus dias contados. O jegue também é um patrimônio que deve ser preservado e até tombado.
Eu me importo em ver aqui, em nossa cidade de Vitória da Conquista, os animais sendo maltratados e espancados por carroceiros, sem que os órgãos públicos “fiscalizadores” e as entidades que se dizem protetoras dos bichos tomarem providência para punir os agressores.
O que me incomoda não é só a atitude mesquinha do homem animal falante que usa do seu poder de domínio contra os animais indefesos que não têm como expressar sua indignação, mas também a exploração do homem contra o homem na sua pior falta de caráter e niilismo.
O uso de propinas em contratos e convênios com empresas públicas, inclusive da área de saúde, tornou-se “ética de mercado”. Eu me importo também com isso e com o silêncio dos bons. A prática tornou-se tão normal que essas pessoas não sentem mais remorso e dormem tranquilas com suas consciências.
Aliás, a prática ficou tão banalizada que os corruptos não se sentem mais corruptos, mas pessoas espertas e mais inteligentes que as outras, consideradas por eles de otárias. Quem não consegue mais dormir com tranquilidade são as pessoas que ainda procuram ter um comportamento de seriedade e honestidade com o dinheiro público, isto porque todos os dias elas sentem que estão sendo roubadas descaradamente.
Eu me importo com a adoração da estética no lugar da ética. Com o ser humano que se transformou numa simples marca, como daquela mulher que compara uma modelo magra, com aneroxia, como o marketing de sucesso de um telefone que tem que ser fino para ser bem aceito pelo mercado.
Eu me importo com a matança de moradores de rua por jovens e até adultos da classe média, por acharem que essa gente incomoda e precisa ser retirada do nosso convívio burguês capitalista. Eu me incomodo com essa indiferença de classe social do faz de conta que não existe e passa sem olhar para a cara da miséria. Eu me importo com essa impunidade que não é mais notícia de jornal.
Eu me importo com a polícia quando passa a servir os ricos donos de bancos, empresas e belos condomínios de luxo, deixando o povo pobre entregue à violência dos bandidos e assaltantes. Eu me importo com essa formação policial voltada para reprimir os mais pobres.
Eu me importo quando o próprio povo diz que é isso que o povo adora ouvir quando se refere às baixarias do lixo musical de Salvador, com “letras” preconceituosas que degradam e transformam a mulher ser humano num objeto. No lugar da contracultura, temos que conviver com a anticultura.
Eu me incomodo com tudo isso que está fora de lugar e fora de foco. O enredo está confuso e atravessado. Não dá mais para interpretar o sentido de tudo isso, ou esse mundo não é mais o meu mundo. Aqui não é mais o meu lugar. Esse comodismo e esse medo de falar o que se pensa me incomodam. Já disse alguém que o silêncio dos bons é doloroso, não que me julgue um deles.
Alguém pode até achar uma grande bobagem, mas nunca me esqueci, desde quando era menino, da utilidade imprescindível desses animais ao homem pobre do campo. Não fosse seus serviços, transportando cargas pesadas nas roças e para as feiras da cidade, meu pai não conseguiria nos prover do vital alimento.
Por isso, o sertanejo tinha o maior zelo e tratava bem seus jumentos. Lembro muito bem que meu pai deixou um deles de estimação morrer de velhice em seu pasto, apesar da oferta que recebeu de um matadouro. Agora que o jegue foi substituído pela moto, o animal símbolo do Nordeste, que serviu até para compor canções, está com seus dias contados. O jegue também é um patrimônio que deve ser preservado e até tombado.
Eu me importo em ver aqui, em nossa cidade de Vitória da Conquista, os animais sendo maltratados e espancados por carroceiros, sem que os órgãos públicos “fiscalizadores” e as entidades que se dizem protetoras dos bichos tomarem providência para punir os agressores.
O que me incomoda não é só a atitude mesquinha do homem animal falante que usa do seu poder de domínio contra os animais indefesos que não têm como expressar sua indignação, mas também a exploração do homem contra o homem na sua pior falta de caráter e niilismo.
O uso de propinas em contratos e convênios com empresas públicas, inclusive da área de saúde, tornou-se “ética de mercado”. Eu me importo também com isso e com o silêncio dos bons. A prática tornou-se tão normal que essas pessoas não sentem mais remorso e dormem tranquilas com suas consciências.
Aliás, a prática ficou tão banalizada que os corruptos não se sentem mais corruptos, mas pessoas espertas e mais inteligentes que as outras, consideradas por eles de otárias. Quem não consegue mais dormir com tranquilidade são as pessoas que ainda procuram ter um comportamento de seriedade e honestidade com o dinheiro público, isto porque todos os dias elas sentem que estão sendo roubadas descaradamente.
Eu me importo com a adoração da estética no lugar da ética. Com o ser humano que se transformou numa simples marca, como daquela mulher que compara uma modelo magra, com aneroxia, como o marketing de sucesso de um telefone que tem que ser fino para ser bem aceito pelo mercado.
Eu me importo com a matança de moradores de rua por jovens e até adultos da classe média, por acharem que essa gente incomoda e precisa ser retirada do nosso convívio burguês capitalista. Eu me incomodo com essa indiferença de classe social do faz de conta que não existe e passa sem olhar para a cara da miséria. Eu me importo com essa impunidade que não é mais notícia de jornal.
Eu me importo com a polícia quando passa a servir os ricos donos de bancos, empresas e belos condomínios de luxo, deixando o povo pobre entregue à violência dos bandidos e assaltantes. Eu me importo com essa formação policial voltada para reprimir os mais pobres.
Eu me importo quando o próprio povo diz que é isso que o povo adora ouvir quando se refere às baixarias do lixo musical de Salvador, com “letras” preconceituosas que degradam e transformam a mulher ser humano num objeto. No lugar da contracultura, temos que conviver com a anticultura.
Eu me incomodo com tudo isso que está fora de lugar e fora de foco. O enredo está confuso e atravessado. Não dá mais para interpretar o sentido de tudo isso, ou esse mundo não é mais o meu mundo. Aqui não é mais o meu lugar. Esse comodismo e esse medo de falar o que se pensa me incomodam. Já disse alguém que o silêncio dos bons é doloroso, não que me julgue um deles.
quarta-feira, 14 de março de 2012
POESIA SEM SEU DIA
Andei ontem por aí por vários lugares da cidade, pelas ruas e nas livrarias, inclusive acompanhei a fraca sessão da Câmara de Vereadores, que tinha 10 cidadãos e poucos parlamentares, falando algumas coisas soltas sobre educação, saúde a asfalto, mas nenhuma referência sobre o Dia Nacional da Poesia, 14 de março, data de nascimento de Antônio de Castro Alves (1847 -1871) e do conquistense cineasta Glauber Rocha (1947 -1981). Que coincidência!
Fiquei atento ao noticiário da mídia, mas para meu desespero e decepção, também não houve comentários sobre o Dia Nacional da Poesia, a não ser uma citação rápida na televisão sobre a data de nascimento de Glauber Rocha. A noite engoliu o dia, que em Vitória da Conquista ficou sem ser homenageado, porque esse era o seu dia da poesia.
Mesmo assim, sem comemoração, a poesia se fez presente no brilho do sol, nas flores, em toda parte e na vida corrida dos escritórios, das calçadas e avenidas concorridas de competição, sonhos e ilusões. Mesmo com toda ingratidão, ela não se ausentou de nós. Ao contrário, nos homenageou, repartindo a felicidade e confortando o espírito nos momentos infelizes.
Bem, vamos deixar de poetizar a poesia para falar mais da nossa falha por não termos prestado ao menos uma singela homenagem em seu dia, como aconteceu no Dia Internacional da Mulher quando houve mais fanfarra e demagogia do que reflexão crítica sobre qual deve ser mesmo seu papel de libertação e emancipação na sociedade.
Na próxima quarta-feira (dia 21) temos um próximo encontro com o Dia Mundial da Poesia. Deixo aqui o aviso para que não nos esqueçamos da data, e assim, quem sabe, vamos poder nos redimir da falta de consideração para com a nossa jovem criança e senhora poesia. Será que a abandonamos porque ela ficou idosa, como fazemos com os nossos idosos do Brasil?
Meu reconhecimento ao poder público local que ultimamente tem prestigiado a música, incentivando o trabalho de seus intérpretes cantores e compositores. O mesmo não posso dizer quanto às outras linguagens artísticas, especialmente a literatura em seus diversos segmentos como da poesia, do romance, dos contos, crônicas e das obras de pesquisas em geral.
Não falo aqui estritamente de espaço físico, mas da realização de eventos, editais municipais, feiras, bienais e outras tantas atividades culturais literárias que promovam potenciais realizadores e produtores. Estou falando de uma política cultural que atenda a todas as expressões artísticas. Cada uma tem a sua particularidade intrínseca.
Mas, voltando ao Dia Nacional da Poesia, só para lembrar, em Salvador foi realizado o Cortejo Poético Performático Dia da Poesia, promovido pela Biblioteca Prometeu Itinerante e o Coletivo Poesia Além das Sete Praças. A Camarata Castro Alves apresentou o espetáculo “O Navio Negreiro aos Olhos do Condor”, no Teatro Barroquinha. No Parque Histórico Castro Alves, na Fazenda Cabaceiras de Paraguaçu, o poeta, autor de “Espumas Flutuantes”, foi homenageado nos seus 165 anos de nascimento.
Poesia é um modo de viver, pensar, olhar e ver. No seu dia, homenageamos também todos os poetas menores e maiores, como João Cabral de Melo Neto, Carlos Drumond de Andrade, Manoel Bandeira, Olavo Bilac, Cassimiro de Abreu, Álvaro de Azevedo, Fernando Pessoa, Victor Hugo, os baianos Sóstenis da Costa, Florisvaldo Matos, meu colega Ruy Espinheira, Camilo de Jesus Lima, Laudionor Brasil, Ruy Bacelar e tantos outros da nossa terra e região, vivos e no além.
Não podemos esquecer também dos cordelistas “Patativa do Assaré”, Leandro Gomes de Barros, o paraibano, pai dos cordelistas, Klévison Viana Manoel D´Almeida Filho, Teodoro dos Santos, Francisco Sales Arêda, o José Gomes, ou “Cuíca de Santo Amaro” (baiano), “Bule Bule”, e por aí vai numa lista infindável.
Desconheço se alguma entidade de Conquista, privada ou pública, tenha prestado alguma homenagem ao Dia Nacional da Poesia. Se ocorreu foi de forma muito tímida e reservada, sem divulgação aberta à comunidade. Arrisco dizer que as escolas nem lembraram. A mídia também tem seu grande quinhão de culpa pelo desconhecimento, ou mesmo falta de interesse pela cultura, o que é lamentável.
Infelizmente, em nosso país, não é só a esquecida e coitada poesia que sofre por falta de leitura e incentivo. Nos rincões mais distantes do nosso território anticultural, especialmente nos tempos atuais da Bahia, a situação ainda é mais grave. Cadê, então, a tão propalada interiorização da cultura propagada pelo governo estadual?
Não deixem morrer a poesia, porque os sentimentos se vão e a humanidade se tornará cada vez mais desumana. Não adianta termos os poetas, se na alma não existe poesia para homenagear pelo menos o seu dia. Aí, não haverá mais sentido a criação do dia da poesia.
Fiquei atento ao noticiário da mídia, mas para meu desespero e decepção, também não houve comentários sobre o Dia Nacional da Poesia, a não ser uma citação rápida na televisão sobre a data de nascimento de Glauber Rocha. A noite engoliu o dia, que em Vitória da Conquista ficou sem ser homenageado, porque esse era o seu dia da poesia.
Mesmo assim, sem comemoração, a poesia se fez presente no brilho do sol, nas flores, em toda parte e na vida corrida dos escritórios, das calçadas e avenidas concorridas de competição, sonhos e ilusões. Mesmo com toda ingratidão, ela não se ausentou de nós. Ao contrário, nos homenageou, repartindo a felicidade e confortando o espírito nos momentos infelizes.
Bem, vamos deixar de poetizar a poesia para falar mais da nossa falha por não termos prestado ao menos uma singela homenagem em seu dia, como aconteceu no Dia Internacional da Mulher quando houve mais fanfarra e demagogia do que reflexão crítica sobre qual deve ser mesmo seu papel de libertação e emancipação na sociedade.
Na próxima quarta-feira (dia 21) temos um próximo encontro com o Dia Mundial da Poesia. Deixo aqui o aviso para que não nos esqueçamos da data, e assim, quem sabe, vamos poder nos redimir da falta de consideração para com a nossa jovem criança e senhora poesia. Será que a abandonamos porque ela ficou idosa, como fazemos com os nossos idosos do Brasil?
Meu reconhecimento ao poder público local que ultimamente tem prestigiado a música, incentivando o trabalho de seus intérpretes cantores e compositores. O mesmo não posso dizer quanto às outras linguagens artísticas, especialmente a literatura em seus diversos segmentos como da poesia, do romance, dos contos, crônicas e das obras de pesquisas em geral.
Não falo aqui estritamente de espaço físico, mas da realização de eventos, editais municipais, feiras, bienais e outras tantas atividades culturais literárias que promovam potenciais realizadores e produtores. Estou falando de uma política cultural que atenda a todas as expressões artísticas. Cada uma tem a sua particularidade intrínseca.
Mas, voltando ao Dia Nacional da Poesia, só para lembrar, em Salvador foi realizado o Cortejo Poético Performático Dia da Poesia, promovido pela Biblioteca Prometeu Itinerante e o Coletivo Poesia Além das Sete Praças. A Camarata Castro Alves apresentou o espetáculo “O Navio Negreiro aos Olhos do Condor”, no Teatro Barroquinha. No Parque Histórico Castro Alves, na Fazenda Cabaceiras de Paraguaçu, o poeta, autor de “Espumas Flutuantes”, foi homenageado nos seus 165 anos de nascimento.
Poesia é um modo de viver, pensar, olhar e ver. No seu dia, homenageamos também todos os poetas menores e maiores, como João Cabral de Melo Neto, Carlos Drumond de Andrade, Manoel Bandeira, Olavo Bilac, Cassimiro de Abreu, Álvaro de Azevedo, Fernando Pessoa, Victor Hugo, os baianos Sóstenis da Costa, Florisvaldo Matos, meu colega Ruy Espinheira, Camilo de Jesus Lima, Laudionor Brasil, Ruy Bacelar e tantos outros da nossa terra e região, vivos e no além.
Não podemos esquecer também dos cordelistas “Patativa do Assaré”, Leandro Gomes de Barros, o paraibano, pai dos cordelistas, Klévison Viana Manoel D´Almeida Filho, Teodoro dos Santos, Francisco Sales Arêda, o José Gomes, ou “Cuíca de Santo Amaro” (baiano), “Bule Bule”, e por aí vai numa lista infindável.
Desconheço se alguma entidade de Conquista, privada ou pública, tenha prestado alguma homenagem ao Dia Nacional da Poesia. Se ocorreu foi de forma muito tímida e reservada, sem divulgação aberta à comunidade. Arrisco dizer que as escolas nem lembraram. A mídia também tem seu grande quinhão de culpa pelo desconhecimento, ou mesmo falta de interesse pela cultura, o que é lamentável.
Infelizmente, em nosso país, não é só a esquecida e coitada poesia que sofre por falta de leitura e incentivo. Nos rincões mais distantes do nosso território anticultural, especialmente nos tempos atuais da Bahia, a situação ainda é mais grave. Cadê, então, a tão propalada interiorização da cultura propagada pelo governo estadual?
Não deixem morrer a poesia, porque os sentimentos se vão e a humanidade se tornará cada vez mais desumana. Não adianta termos os poetas, se na alma não existe poesia para homenagear pelo menos o seu dia. Aí, não haverá mais sentido a criação do dia da poesia.
segunda-feira, 12 de março de 2012
GAMBIARRAS BRASILEIRAS
Um país que ainda se arrasta com uma enorme dívida social para com o seu povo, principalmente na educação e na saúde, e apresenta um dos maiores índices de desigualdade do mundo, embora tenha avançado alguns pontinhos na renda, tem se arvorado a manter um status aparente de gente grande no clube dos países, os quais já têm uma estrutura bem mais avançada para tocar seus projetos, com confiabilidade.
Sem uma gestão confiável, competente e séria, pois as necessidades básicas do povo são relegadas a último plano, quando não armengadas pelas promessas populistas, o Brasil termina fazendo gambiarras e passando uma imagem negativa no cenário internacional.
Um dos exemplos mais recentes aconteceu com a Estação Antártica Comandante Ferraz que não resistiu às gambiarras, por falta de investimentos e até mesmo na concepção tecnológica do projeto, e pegou fogo, sacrificando a vida de duas pessoas. Há quase 30 anos entrou no clube seleto do Tratado Antártico, e o povo se sentiu orgulhoso.
Não estou questionando aqui a importância tecnológica e científica que o projeto proporciona para o conhecimento das transformações climáticas e ambientais da terra e do universo como um todo.
O que me deixa mais intrigado é que a impressão que passa, neste caso, é que ao país o que importa acima de tudo é fazer parte do Tratado, mesmo sem a devida estrutura garantidora da segurança e dos resultados do projeto. É só pura vaidade? Só participar, por participar? Complexo de inferioridade, para não ficar para trás dos outros?
É nisso que dá quando não se tem uma gestão séria, desde o cuidado básico no sentido de antes se construir o desenvolvimento social de que tanto o povo brasileiro precisa. Mesmo com o Bolsa Família e as chamadas “políticas públicas de inclusão”, o Brasil ainda estampa bolsões de pobreza e miséria, sem falar na concentração de renda que não para de bombar. A vida com qualidade não deveria estar acima de tudo?
Muita gente já deve ter se esquecido do que ocorreu há nove anos no Centro de Lançamento de Foguetes de Alcântara, no Maranhão, quando tudo explodiu no incêndio, matando, se não me engano, mais de dez brasileiros. Não se fala mais no assunto. Agora inventamos fazer a Copa e as Olimpíadas.
As gambiarras brasileiras estão por toda parte em nosso território, com desperdícios, desvios de dinheiro, corrupção e falcatruas. Nossos governantes levantam obras que ficam no meio do caminho, e outras tantas irregulares por falta de competência dos dirigentes, e safadeza mesmo.
Bem perto de nós está o metrô de Salvador, o mais curto do mundo, que há 12 anos ainda não foi concluído, e serve de piada na boca do povo. É mais uma obra que desprestigia o Brasil lá fora. Ali, em Itabuna, começaram um Centro de Convenções e os serviços estão parados há sete anos. Por essas e outras é que o nosso país não é confiável, nem é levado a sério no exterior. Não existem culpados pelos desmandos.
Sem primeiro cuidar da nossa casa, oferecendo vida digna e de qualidade à sua população, conforme reza a Constituição, o governo brasileiro e a classe dominante burguesa, que só visa seus interesses, tudo fizeram para sediar a Copa Mundial de Futebol de 2014 e as Olimpíadas de 2016. O povo, que pouco pensa, aplaudiu, com “orgulho”.
Não tardou e as críticas começaram a pipocar por todos os lados, até que um membro da Fifa disse que os organizadores mereciam “levar um ponta pé no traseiro”. Os “responsáveis” espumaram de raiva, mas sem moral, porque estão viciados em fazer gambiarras e não dá em nada. Imediatamente aprovaram uma Lei Geral da Copa onde nos submetemos aos caprichos da Fifa. Que humilhação!
Deveria haver uma norma internacional, determinando em seu primeiro artigo, que um país para sediar um evento mundial teria que apresentar um currículo, comprovando que fez o dever de casa, ou seja, o seu povo goza de uma boa educação e uma saúde de qualidade.
É nisso que dá entrar na festa dos ricos só para aparecer e ganhar status, voto e popularidade. Depois eles nos deixam envergonhados com suas trapalhadas e falta de competência. Como já estão habituados a não assumir os compromissos internos, fazem o mesmo no âmbito externo e deixam o país com uma péssima imagem lá fora. Só querem tirar proveito e manter o poder, dando circo, futebol e carnaval.
Sem uma gestão confiável, competente e séria, pois as necessidades básicas do povo são relegadas a último plano, quando não armengadas pelas promessas populistas, o Brasil termina fazendo gambiarras e passando uma imagem negativa no cenário internacional.
Um dos exemplos mais recentes aconteceu com a Estação Antártica Comandante Ferraz que não resistiu às gambiarras, por falta de investimentos e até mesmo na concepção tecnológica do projeto, e pegou fogo, sacrificando a vida de duas pessoas. Há quase 30 anos entrou no clube seleto do Tratado Antártico, e o povo se sentiu orgulhoso.
Não estou questionando aqui a importância tecnológica e científica que o projeto proporciona para o conhecimento das transformações climáticas e ambientais da terra e do universo como um todo.
O que me deixa mais intrigado é que a impressão que passa, neste caso, é que ao país o que importa acima de tudo é fazer parte do Tratado, mesmo sem a devida estrutura garantidora da segurança e dos resultados do projeto. É só pura vaidade? Só participar, por participar? Complexo de inferioridade, para não ficar para trás dos outros?
É nisso que dá quando não se tem uma gestão séria, desde o cuidado básico no sentido de antes se construir o desenvolvimento social de que tanto o povo brasileiro precisa. Mesmo com o Bolsa Família e as chamadas “políticas públicas de inclusão”, o Brasil ainda estampa bolsões de pobreza e miséria, sem falar na concentração de renda que não para de bombar. A vida com qualidade não deveria estar acima de tudo?
Muita gente já deve ter se esquecido do que ocorreu há nove anos no Centro de Lançamento de Foguetes de Alcântara, no Maranhão, quando tudo explodiu no incêndio, matando, se não me engano, mais de dez brasileiros. Não se fala mais no assunto. Agora inventamos fazer a Copa e as Olimpíadas.
As gambiarras brasileiras estão por toda parte em nosso território, com desperdícios, desvios de dinheiro, corrupção e falcatruas. Nossos governantes levantam obras que ficam no meio do caminho, e outras tantas irregulares por falta de competência dos dirigentes, e safadeza mesmo.
Bem perto de nós está o metrô de Salvador, o mais curto do mundo, que há 12 anos ainda não foi concluído, e serve de piada na boca do povo. É mais uma obra que desprestigia o Brasil lá fora. Ali, em Itabuna, começaram um Centro de Convenções e os serviços estão parados há sete anos. Por essas e outras é que o nosso país não é confiável, nem é levado a sério no exterior. Não existem culpados pelos desmandos.
Sem primeiro cuidar da nossa casa, oferecendo vida digna e de qualidade à sua população, conforme reza a Constituição, o governo brasileiro e a classe dominante burguesa, que só visa seus interesses, tudo fizeram para sediar a Copa Mundial de Futebol de 2014 e as Olimpíadas de 2016. O povo, que pouco pensa, aplaudiu, com “orgulho”.
Não tardou e as críticas começaram a pipocar por todos os lados, até que um membro da Fifa disse que os organizadores mereciam “levar um ponta pé no traseiro”. Os “responsáveis” espumaram de raiva, mas sem moral, porque estão viciados em fazer gambiarras e não dá em nada. Imediatamente aprovaram uma Lei Geral da Copa onde nos submetemos aos caprichos da Fifa. Que humilhação!
Deveria haver uma norma internacional, determinando em seu primeiro artigo, que um país para sediar um evento mundial teria que apresentar um currículo, comprovando que fez o dever de casa, ou seja, o seu povo goza de uma boa educação e uma saúde de qualidade.
É nisso que dá entrar na festa dos ricos só para aparecer e ganhar status, voto e popularidade. Depois eles nos deixam envergonhados com suas trapalhadas e falta de competência. Como já estão habituados a não assumir os compromissos internos, fazem o mesmo no âmbito externo e deixam o país com uma péssima imagem lá fora. Só querem tirar proveito e manter o poder, dando circo, futebol e carnaval.
segunda-feira, 5 de março de 2012
DESVIOS DAS ÁGUAS
De riacho foi “promovido” a rio, formando uma bacia que nela foi construída uma grande barragem com o propósito de irrigar as terras dos ribeirinhos e gerar emprego e renda para as famílias mais necessitadas, castigadas pelas secas do sertão. No entanto, não foi isso o que aconteceu. Das glebas de terras se apropriaram os mais abonados para construir suas casas confortáveis de veraneio e desviar as águas da barragem para suas chácaras e projetos empresariais de lazer.
Muita gente já deve ter sacado do rio ao qual estou me referindo. É isso mesmo, trata-se do rio Gavião, que nasce no município de Jacaraci, no sudoeste baiano, e antes se chamava de riacho das Palmeiras pelo seu descobridor Fernão Dias, no início do século passado. No mesmo local, nasce também o rio Verde (seu irmão gêmeo) que resolveu seguir terras mineiras.
O hoje rio Gavião, que deságua no rio das Contas, alcança os gerais do Ave Maria (localidade de São José), passa por Imbiá (distrito) e atravessa os municípios de Condeúba, Presidente Jânio Quadros, Tremedal, Belo Campo, Caraíbas e Anagé onde forma a barragem que recebe o mesmo nome. Corta ainda Tanhaçú e Mirante até cair no rio das Contas, que derrama suas água no mar, em Itacaré.
É uma pequena descrição para o leitor se situar, mas queremos falar mesmo da Barragem de Anagé, construída no início da década de 1980 pelo DNOCS (Departamento Nacional de Obras contra a Seca). Depois de um bom tempo, estive visitando a barragem na semana passada e tomei um susto diante do esvaziamento do reservatório que deve ter baixado de 5 a 10 metros do ano passado para cá.
Imagina-se de início, como muitos dizem, que a situação é decorrente da falta de chuvas na região. Mas, não é preciso ser especialista para perceber que as principais causas de tudo são o desvio e o desperdício de suas águas por aqueles que se apropriaram dos terrenos em suas margens para construir belas casas com piscinas para curtir seus finais de semana.
Como se não bastasse, de forma descontrolada e irregular, proprietários de classe média alta retiram há muitos anos (cerca de 30) grandes volumes de água para irrigar suas lavouras. Na verdade, não existe e nunca existiu um controle mais rigoroso do consumo de água da barragem, que a permanecer nesse ritmo, vai terminar secando de vez.
É claro que a escassez de chuvas contribui para o quadro, mas o uso descomedido e ganancioso dos sanguessugas da água, sem pensar em seus efeitos e conseqüências ao meio ambiente, foi mais danoso para agravar o problema e baixar o nível da barragem a um ponto tão crítico como o atual.
Árvores secas que antes estavam debaixo d´água estão expostas, sem contar os troncos e o chão estorricado em suas margens. Puxaram e ainda puxam água demais, sem se dar conta que a barragem não suporta tanta exploração. Além do mais, o reservatório abastece as cidades de Anagé a Caraíbas. Existem ainda idéias por aí de que a barragem poderia abastecer parte do consumo de Vitória da Conquista.
A obra que foi criada com o intuito primordial de desenvolver a agricultura familiar e servir como fonte de renda, teve seu objetivo desviado para o lazer e conforto dos mais ricos. O local transformou-se num balneário de final de semana, só que está pedindo socorro. O Gavião, assim como a ave, pode ser extinto. Seu bico está secando.
Conheço a Barragem de Anagé há mais de 20 anos e nunca vi com seu nível tão baixo, apesar de ter atravessado secas bem piores neste período. Digo isso porque como repórter, acompanhei várias estiagens bem mais agudas que agora. Depois de cheia, logo após sua construção, suportou por muito tempo a retirada demasiada de água até que veio anunciar seu esgotamento. É como se dissesse: Assim não dá mais seus sanguessugas.
Por outro lado, o leito do rio Gavião, como o rio do Antônio, que nasce no município de Licínio do Almeida, vem há muitos anos sofrendo a ação predatória por parte do homem, principalmente do poder público, com a retirada de areia e o desmatamento em suas margens.
O fotógrafo José Carlos D´Almeida percorreu todo rio Gavião e constatou a sua degradação, inclusive seco em alguns locais quando bate a estiagem. Todos esses fatores fazem com que não exista água suficiente para represar na barragem. Os órgãos (in) competentes são os maiores responsáveis pela atual situação da Barragem de Anagé e ficam agora colocando toda culpa na falta de chuvas.
Muita gente já deve ter sacado do rio ao qual estou me referindo. É isso mesmo, trata-se do rio Gavião, que nasce no município de Jacaraci, no sudoeste baiano, e antes se chamava de riacho das Palmeiras pelo seu descobridor Fernão Dias, no início do século passado. No mesmo local, nasce também o rio Verde (seu irmão gêmeo) que resolveu seguir terras mineiras.
O hoje rio Gavião, que deságua no rio das Contas, alcança os gerais do Ave Maria (localidade de São José), passa por Imbiá (distrito) e atravessa os municípios de Condeúba, Presidente Jânio Quadros, Tremedal, Belo Campo, Caraíbas e Anagé onde forma a barragem que recebe o mesmo nome. Corta ainda Tanhaçú e Mirante até cair no rio das Contas, que derrama suas água no mar, em Itacaré.
É uma pequena descrição para o leitor se situar, mas queremos falar mesmo da Barragem de Anagé, construída no início da década de 1980 pelo DNOCS (Departamento Nacional de Obras contra a Seca). Depois de um bom tempo, estive visitando a barragem na semana passada e tomei um susto diante do esvaziamento do reservatório que deve ter baixado de 5 a 10 metros do ano passado para cá.
Imagina-se de início, como muitos dizem, que a situação é decorrente da falta de chuvas na região. Mas, não é preciso ser especialista para perceber que as principais causas de tudo são o desvio e o desperdício de suas águas por aqueles que se apropriaram dos terrenos em suas margens para construir belas casas com piscinas para curtir seus finais de semana.
Como se não bastasse, de forma descontrolada e irregular, proprietários de classe média alta retiram há muitos anos (cerca de 30) grandes volumes de água para irrigar suas lavouras. Na verdade, não existe e nunca existiu um controle mais rigoroso do consumo de água da barragem, que a permanecer nesse ritmo, vai terminar secando de vez.
É claro que a escassez de chuvas contribui para o quadro, mas o uso descomedido e ganancioso dos sanguessugas da água, sem pensar em seus efeitos e conseqüências ao meio ambiente, foi mais danoso para agravar o problema e baixar o nível da barragem a um ponto tão crítico como o atual.
Árvores secas que antes estavam debaixo d´água estão expostas, sem contar os troncos e o chão estorricado em suas margens. Puxaram e ainda puxam água demais, sem se dar conta que a barragem não suporta tanta exploração. Além do mais, o reservatório abastece as cidades de Anagé a Caraíbas. Existem ainda idéias por aí de que a barragem poderia abastecer parte do consumo de Vitória da Conquista.
A obra que foi criada com o intuito primordial de desenvolver a agricultura familiar e servir como fonte de renda, teve seu objetivo desviado para o lazer e conforto dos mais ricos. O local transformou-se num balneário de final de semana, só que está pedindo socorro. O Gavião, assim como a ave, pode ser extinto. Seu bico está secando.
Conheço a Barragem de Anagé há mais de 20 anos e nunca vi com seu nível tão baixo, apesar de ter atravessado secas bem piores neste período. Digo isso porque como repórter, acompanhei várias estiagens bem mais agudas que agora. Depois de cheia, logo após sua construção, suportou por muito tempo a retirada demasiada de água até que veio anunciar seu esgotamento. É como se dissesse: Assim não dá mais seus sanguessugas.
Por outro lado, o leito do rio Gavião, como o rio do Antônio, que nasce no município de Licínio do Almeida, vem há muitos anos sofrendo a ação predatória por parte do homem, principalmente do poder público, com a retirada de areia e o desmatamento em suas margens.
O fotógrafo José Carlos D´Almeida percorreu todo rio Gavião e constatou a sua degradação, inclusive seco em alguns locais quando bate a estiagem. Todos esses fatores fazem com que não exista água suficiente para represar na barragem. Os órgãos (in) competentes são os maiores responsáveis pela atual situação da Barragem de Anagé e ficam agora colocando toda culpa na falta de chuvas.
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