sábado, 29 de setembro de 2007

POR UMA CULTURA DESBUROCRATIZADA

Os entreveros da Secretaria de Cultura do Estado contra o Teatro XVIII, Balé Folclórico, Casa Jorge Amado, Academia Bahiana de Letras, em Salvador, pelo menos estão servindo para mostrar quanto a cultura está centralizada num grupo de privilegiados, sempre os mesmos que recebem a maior fatia dos recursos, e quanto os processos são burocráticos, emperrando o acesso dos pequenos à produção de suas atividades. "Os tapas" entre eles, estão servindo para abrir a "caixa preta" da cultura.

No que se refere aos privilégios, parece que o governo Jaques Wagner, através de seu secretário, Marcio Meirelles, está disposto a democratizar a cultura, mas quanto a burocracia não está havendo sinal no sentido de facilitar e simplificar. Como tudo nesse país, as inscrições aos projetos, editais e licitações são cada vez mais burocráticos para tornar mais difícil a entrada do vírus da corrupção e das irregularidades cometidas contra o dinheiro público. Só que a maioria séria e idônea é prejudicada, especialmente os pequenos que não têm estrutura para enfrentar as garras e as "cabeças e chifres de monstros" da burocracia.

Como no setor empresarial e econômico onde o pequeno e o micro de "fundo de quintal" ficam de fora porque não têm estrutura contábil, conhecimento técnológico e humano para competir com os grandes e cumprir todas as exigências e emaranhados de leis do governo, o mesmo acontece com a cultura. Para o ramo empresarial, existe o Estatudo da Micro e Pequena Empresa, com a finalidade de simplificar e tirar as pessoas e as firmas da informalidade. A cultura também precisa de um tipo de Estatuto para amparar e apoiar os produtores de "fundo de quintal" que escrevem, fazem músicas, pintam e desenham. O governo precisa acordar para essa questão, mas parece que quer endurecer mais ainda com seus editais mais complicados, dificultando o caminho dos pequenos que não têm estrutura para chegar lá e atender todos os trâmites burocráticos de acesso aos recursos.

É bom que se veja isso nas conferências estaduais de cultura como a de Vitória da Conquista amanhã(dia 30), no Centro de Cultura, as quais estão sendo realizadas nos municípios com intuito de se formular uma política para o setor. Esse plano tem que ser logo traçado para não se ficar o tempo todo nas discussões e longe das realizações e da prática. No momento, a cultura está precisando de respostas e soluções para os problemas que estão emperrados no atacado por causa de questões de varejo, com bate-boca entre artistas e os titulares da pasta da Secretaria da Cultura.

Os conceitos e as mentalidades carecem de mudanças, como daqueles que acham que a cultura pode andar só com suas pernas e que o governo deve ficar de fora. Entendo sim, que o governo tem a obrigação de apoiar, inclusive financeiramente, para o bem da formação da cidadania. O superintendente de Promoção Cultural da Secretaria, Paulo Henrique Almeida, disse em entrevista num jornal da capital que os produtores não fiquem pendurados no governo. Esse recado deveria ser utilizado para o caso dos carnavais de Salvador. Todos os anos, o governo derrama milhões na festa, sem reclamar. E não são só os carnavais, promove shows abertos de massa da axé music, com muita grana. Paulo Henrique avisa ainda que os recursos do Fundo da Cultura não podem ser usados para manutenção, só para as atividades culturais. Ora, como fazer cultura sem manutenção? Que os contratos aos fundos da Cultura e ao tal Fazcultura sejam revistos, mas para melhorar a cultura e se sair da "panela" dos privilegiados de sempre. Também, que haja uma política diferenciada para o interior, não somente na questão dos recursos.

Os embates entre o Teatro XVIII, por exemplo, serviram para mostrar que 10 preponentes do Fazcultura tinham nas mãos 40% do valor do Fundo. O museu Rodin e Costa Pinto receberam R$4 milhões. O próprio Teatro XVIII, que foi fechado pela diretora Aninha Franco, por conta de uma briga com o secretário, recebeu neste ano mais de R$1 milhão. Na briga deles, que não nos interessa, o superintendente abriu o verbo e revelou dados escabrosos dos desmandos praticados pela a Secretaria do passado, resultado da política de ACM. Segundo o superintendente, a Secretaria privilegiava abertamente um punhado de escolhidos, em uma divisão desigual de recursos.

Sobre isso, todos nós já sabiámos, como a de que o Fazcultura sempre foi um clube de camaradas(não comunistas). Como era um jogo de cartas marcadas e tinha que ser amigo do rei, a maioria dos produtores, escritores e artistas de vergonha na cara nem chegava perto, para não ser mais ainda humilhados. Para se ter uma idéia, dez produtores ficavam com 40% dos recursos. Outros 20 produtores repartiam os 60% restantes. Assim reinava no império a política clientelista e de balcão. Em 2006, quase 41% dos recursos do Fundo de Cultura foram aplicados em instituições vinculadas à própria Secretaria. Neste mesmo ano, 38% do Fundo caíram nos bolsos de apenas seis instituições. É mole ou quer mais.

Promete a nova Secretaria que os recursos serão melhor distribuídos, através de editais para pequenos e médios projetos de várias linguagens. Isso só não basta, se não houver desburocratização dos processos. Só assim, vamos construir um verdadeiro mercado cultural que nunca existiu na Bahia. Vamos abrir também para a cultura de "fundo de quintal", aquele que produz sozinho, tem talento e valor, mas não consegue ir mais longe por falta de recurso.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

O SERTÃO VAI VIRAR DESERTO


A movimentação intensa de caminhões de madeira e carvão para as cerâmicas da região sudoeste e siderúrgicas de Minas Gerais e Espírito Santo; a fumaça das queimadas; o transporte de água em carros-de-boi, por carros-pipa, homens, mulheres e crianças; o calor forte da seca que esvaziou barragens, tanques, cacimbas e cisternas; e gente que abandonou suas casas e partiu para outros estados, dão a impressão de que o sertão vai se acabar e virar deserto. È uma explosão de ações e agressões contra a natureza, causando um impacto de destruição, sem que os poderes públicos tomem providências.
O quadro de degradação do meio ambiente, misturada com a seca que castiga o homem e animais do campo, pode ser visto em todo sertão do sudoeste, especialmente nos municípios de Anagé, Aracatu, Brumado, Caetité, Malhada de Pedras, Rio do Antônio, Caculé, Guanambi, Igaporã, Tanhaçu e Livramento de Nossa Senhora. Ao deixar para trás Vitória da Conquista pela BA-262 com destino a Tanhaçu, Brumado, Guanambi ou Livramento de Nossa Senhora, após percorrer 20 quilômetros, na boca da caatinga, predominam a paisagem cinzenta da seca, a fumaça das queimadas onde a vista alcança e pessoas sapecadas pelo sol às margens da pista arrancando capim seco para dar comida aos animais, ou o ranger de carros-de-boi no chão escaldante, transportando tonéis de água barrenta numa distância de até 10 quilômetros.

ANIMAIS PASSAM FOME


Sem pastos para se alimentar, os animais catam bagaço no chão seco da caatinga do sudoeste, principalmente nos municípios de Aracatu, Brumado, Anagé e Malhada de Pedras. Até os bodes estão sem encontrar comida na paisagem cinzenta do sertão. A natureza seca esculpiu árvores retorcidas em figuras belas e, ao mesmo tempo, triste, na visão do poeta. A água para o consumo humano e dos animais é transporta de longe com distâncias de até 10 quilômetros.

DESMATAMENTO


Na região de Ibiassucê, Caculé e Caetité, mais de 200 cerâmicas fazem o estrago contra a nutereza através da queima de madeira extraída da caatinga. Além dos caminhões de carvão que cruzam as estradas do sudoeste em direção às siderúrgicas mineiras, o transporte de lenha para as cerâmicas é outro sinal de desmatamento da vegetação nativa. Com a seca, a situação se agrava mais ainda. A revolta é grande das entidades ambientalista, mas pouca coisa tem sido feita para coibir a degradação do meio ambiente. Tem gente arrancando raízes para fazer carvão - disse a presidenta da Associação dos Pequenos Agricultores de Riacho da Vaca, em Caetité, Elenilde Cardoso.

CATADORES DE CAPIM SECO


Ao deixar Vitória da Conquista pela BA-262 em direção a Anagé, Aracatu, Brumado, Livramento de Nossa Senhora, Tanhaçu, ou Caetité, Guanambi e Igaporã, o que mais se vê às margens da pista são pessoas arrancando capim seco para dar aos animais que passam fome com a seca, uma das piores dos últimos tempos. Entre Brumado e Malhada de Pedras, no povoado de Lagoa do Nêgo, quase todos os dias, dois agricultores fazem a rotina de catar capim seco para matar a fome do gado. Segundo eles já tem animais morrendo na região por falta de alimentação. Quem tem palma ainda segura o tempo difícil, mas muitos estão vendendo seus rebanhos devido a escassez de água e alimento.

RIOS ESTÃO SECOS


Vários rios da região estão secos, como o Serra Negra, no município de Tanhaçu, em decorrência da estiagem prolongada, uma das piores dos últimos anos, bem como devido aos desmatamentos em suas margens; poluição de dejetos das cidades, como o Rio do Antônio que está desaparecendo; e as queimadas desenfreadas e sem controle. A situação é crítica, e a impressão que se tem é que o sertão está virando um deserto. O sertanejo sofre sem água e passa o tempo olhando para o céu limpo sem nuvens e para as estradas na esperança de que chegue um carro-pipa(instrumento eleitoreiro) mandado pela prefeitura. Nem sempre chega o carro-pipa, e muita gente é obrigada a pagar R$30,00 por um particular, para matar a sede dos animais e de suas famílias. A maioria das prefeituras já decretou estado de emergência, mas, nem mesmo assim veio a tão sonhada ajuda do governo estadual.

A NOVELA DAS OBRAS INACABADAS


Em 2002 foi dada a largada do tão sonhado projeto de construção do Hospital de Caetité pelo prefeito Ricardo Ladeia(PSDB), em convênio com o Ministério da Saúde, na pasta de Barjas Negri. Para conversar sobre o assunto, naquele ano estiveram em Brasília, acompanhando o prefeito, o ex-deputado federal, Nilo Coelho e o atual Jutahy Magalhães Júnior. A obra inacabada foi um compromisso do ex-ministro José Serra, mas passados cinco anos, a novela continua e já teve vários pais em sua defesa. É o dinheiro do contribuinte parado e o povo precisando de assistência médica e hospitalar. Foram comprometidos pelo governo federal recursos da ordem de R$3,4 milhões em 2003 e liberados R$864 mil. Nesse mesmo ano, técnicos do Ministério da Saúde visitaram Caetité e não viram irregularidades nos serviços do Hospital. Até elogiaram a qualidade e as especificações técnicas empregadas. Em 2004, um novo convênio liberou R$500 mil, mas tudo parou por aí até hoje. No início de 2006, ano das eleições, como sempre acontece no Brasil, o deputado estadual Waldenor Pereira pediu a intervenção do então ministro Jaques Wagner para que o Ministério da Saúde liberasse a verba de R$2,9 milhões a fim de concluir a obra que está lá parada num terreno de 2,5 hectares, doado pelo empresário Chico Lima. Todo mundo promete, até o filho do ex-prefeito Darcio Oliveira quando lançou sua candidatura a deputado em 2006. A capacidade do Hospital, quando for concluído, é para atender 20 municípios da região. Só resta ter fé e rezar para Deus.

PONTE MALHADA-CARINHANHA

Outra obra que virou novela em nossa região é a ponte ligando Malhada a Carinhanha, na BR-030, que começa na praia de Campinho(litoral da Bahia) ao Planalto Central, projeto que fazia parte do Plano Nacional de Viação do Governo Imperial, conforme registra matéria publicada pela revista Integração(junho de 2007), do jornalista João Martins. As estradas estão em péssimas condições de tráfego, principalmente em Malhada. Mas isso é outra história. A dita ponte que liga uma margem a outra do rio São Francisco teve iniciada sua construção em 1991 pela Construtora OAS. Hoje, decorridos 15 anos, a obra continua inacabada, apesar de terem sido investidos mais de R$25 milhões. Dizem que vai precisar de mais R$25 milhões, além de mais de R$3,5 milhões nas pontes de acesso pelas duas cidades. Como no caso do Hospital de Caetité, nas épocas de eleições aparecem os patronos políticos com promessas de que os recursos estão chegando. Quanto dinheiro do povo empatado!. Não ligam mesmo para o contribuinte. Uma banana para o povo, e tome corrupção.

BARRAGEM DO RIO PARDO

Já a barragem do Rio Pardo, no distrito de Inhobim, em Vitória da Conquista, ainda não passou do papel, mas as discussões na sociedade e nos meios políticos duram cerca de 15 anos. Em 1998, o então prefeito Guilherme Menezes fez um requerimento reivindicatório à Financiadora de Estudos e Projetos-Finep, no âmbito do governo federal, solicitando financiamento para elaboração de estudos do Projeto Executivo da Barragem do Rio Pardo. Anexado ao pedido, a Prefeitura Municipal apresentou uma série de argumentos econômicos e políticos que justificariam a obra que beneficiaria duas microrregiões: a de Vitória da Conquista e Itapetinga. A primeira congrega 17 municípios que contam com uma população em torno de 600 mil pessoas, e a outra, nove municípios com mais de 200 mil habitantes. Ambas as regiões caracterizam-se por serem produtoras agropecuárias, além do café. A demanda maior da barragem seria para fins de irrigação e abastecimento doméstico. Estima-se que Conquista poderá sofrer restrições de oferta de água potável em razão da insuficiente capacidade de acumulação das barragens Água Fria I e II, situadas em Barra do Choça e responsáveis pelo abastecimento das duas cidades – enfatiza o documento. Em outro requerimento já como deputado federal, em 2003, Guilherme Menezes se dirige ao Ministério do Planejamento, solicitando a inclusão de recursos no Orçamento da União para realização do projeto de execução da barragem. Para resumir a história, estamos em fins de 2007 e o projeto não saiu da idéia. É lamentável. Talvez só a nova geração tenha o privilégio de ver a obra executada. Para que isso não aconteça, toda sociedade tem que unir forças em torno de uma campanha de reivindicação em defesa da construção de tão importante obra para o desenvolvimento regional.

CARVOARIAS DESTRÓEM O SERTÃO




Fotos do jornalista da revista Integração, João Martins




Como no tráfico de drogas onde impera a lei do silêncio e as quadrilhas mandam na área, assim acontece na indústria e na comercialização do carvão na região sudoeste, vendido para as siderúrgicas de Minas Gerais e Espírito Santo. Mais de cem caminhões carregados de carvão cortam a região sudoeste todos os dias, passando, especialmente, pelos municípios de Riacho de Santana, Igaporã, Guanambi, Caetité, Brumado, Pindai e Urandi. É uma bagaceira o que estão fazendo com a vegetação nativa da região, sem que as autoridades tomem providências – desabafou um funcionário de uma indústria, em Caetité, acrescentando que a maioria transporta o carvão com autorizações falsificadas. A sua indignação e revolta estampadas nas queixas, é de que não existe controle, e o Ibama que deveria fiscalizar, faz vistas grosas, na maioria dos casos porque não tem recursos humanos e equipamentos para cobrir toda região.
Nos finais de semana é muito comum se ver vários caminhões de carvão parados nos postos de combustíveis das cidades, principalmente Guanambi, na saída para Pindai. Os motoristas ficam esperando pelas autorizações de transporte florestal esquentadas que vêm de Riacho de Santana e até de Barreiras. Existe uma mulher em Riacho de Santana que comanda o comércio e esteve fora do mercado por um determinado tempo depois de aperto da fiscalização. O assunto tem sido debatido em encontros, inclusive de jornalistas, com a presença de representantes de órgãos do governo estadual, mas a situação só fez piorar nos últimos anos. Por trás desse comércio existe uma máfia perigosa que está disposta a tudo para defender o negócio.
A imprensa da região não denuncia o desmatamento desordenado de árvores nativas para a queima em carvoarias porque não tem proteção e teme represálias e ameaças pesadas, inclusive de morte. A imprensa da capital, também pouco tem noticiado sobre o assunto. Por sua vez, as pessoas abordadas não querem falar pelo mesmo motivo, e a destruição continua. O processo das carvoarias se acelera nas épocas de seca como a que está ocorrendo no sudoeste baiano. Como fachada, existe uma Associação de Reflorestamento do Sudoeste que não cumpre o que determina a lei. Por falta de um maior controle dos órgãos ambientais, só poucos fazem o reflorestamento.
Além do carvão extraído das árvores como aroeiras, casca-fina, umburanas e outras, as cerâmicas também fazem sua parte na degradação do meio ambiente com a queima de lenha em seus fornos. Os caminhões de carvão e de lenha se cruzam numa desenfreada destruição da natureza. Só na região de Caculé, Ibiassucê, e Caetité são mais de 200 cerâmicas que utilizam a lenha para fabricar seus produtos. Num debate em Caetité, um senhor se levantou para denunciar o fato e quase que apanha dos ceramistas. Sem trabalho, devido a seca que fez perder as lavouras e deixar o homem sem trabalho, tem gente arrancando raízes para transformar em carvão, conforme denunciou a presidente da Associação dos Pequenos Agricultores de Riacho da Vaca, em Caetité, Elenilde Cardoso.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

RENOVAÇÃO SEM CONSULTA POPULAR

No próximo dia 5 de outubro, as grandes redes de Tvs vão renovar seus contratos de concessões com o governo federal. Na verdade, a cada 15 anos(10 para emissoras de rádio) são feitas renovações automáticas, sem uma consulta popular. Os processos passam pelo Congresso e são votados sem debate público. Para serem recusados é necessária a votação de dois quintos do Congresso, ou seja, 238 deputados. O assunto de tamanha importância passa despercebido pela sociedade. As concessões são obscuras.

A Lei 4.117/62(ulrapassada) reza que os serviços de comunicação das emissoras devem atender finalidades educacionais e culturais, e a Constituição reforça que as TVs devem dar preferência a programações com objetivos educativos, artísticos, culturais e informação; promover a cultura nacional e regional, bem como estimular produções independentes.

No entanto, o que vemos nos domingos são programas apelativos para o sexo, noticiários do mundo cão, sensacionalismo, exploração da miséria e do ser humano em sua degradação. Portanto, a renovação é feita de forma autoritária, sem a devida revisão das regras, se foram ou não cumpridas. Precisamos de uma legislação mais clara e que a sociedade tenha acesso às informações.

O Governo do PT, especialmente em seu segundo mandato, prometeu agilizar e colocar em prática um programa de democratização da comunicação com representatividade popular. Para nossa frustração, não houve mudanças, a não ser xingamentos à imprensa. Quase ninguém sabe dessa renovação marcada para o dia 5 próximo. Apenas a CUT, o Forúm Nacional de Democratização da Comunicação, que não funciona, a UNE-União Nacional dos Estudantes, MST e algumas ONgs, como a Intervozes vão realizar uma manifestação de esclarecimento. É bom que se diga que o cancelamento antes do término do prazo depende de uma decisão judicial.

Como na França e nos Estados Unidos, é preciso que se crie um órgão regulador de proteção da sociedade. Não se trata de censura nem de nenhuma mordaça à liberdade de expressão. Esta é sagrada, mas que se cumpra a Constituição e se tenha também responsabilidade. A liberdade acaba na irresponsabilidade de divulgação dos fatos. No Brasil, na prática as empresas de comunicação são privadas e não têm nada de serviços públicos como diz a legislação. Como nos EUA, em nosso país faltam associações e foruns comunitários de comunicação espalhados em todas as cidades.

Por sua vez, temos um sistema de informação fechada. Vejam como funcionam as TVs Câmara e Senado. Não podiam ser um sistema de canais abertos? Só poucos têm acesso a esses canais, e a informação fica restrita a poucos que têm um poder aquisitivo maior.

TV PÚBLICA OU ESTATAL?

Outro assunto polêmico é a discussão em torno da criação da TV Pública, especialmente quanto aos seus parâmetros. A proposta do governo federal deverá ser enviada agora por Medida Provisoria ou Projeto de Lei. Será a fusão da Radiobrás com a TVE Brasil que passará a funcionar no início de dezembro como TV Brasil. É uma nova alternativa de programação. O temor é que a TV Pública vire um instrumento de manipulação nas mãos do governo A sua gestão está vinculada ao poder executivo e muitos acham isso um grande risco. O Conselho e a Presidência, como está estabelecido, serão indicados pelo Presidente da República. É bom lembrar que a BBC de Londres, fundada em 1922, como as emissoras dos Estados Unidos são públicas e têm autonomia, tanto que desmentiram a farsa montada pelos governos de que existiam armas químicas no Iraque, razões pelas quais invadiram aquele país. A nossa TV Pública está sendo criada no calor dos xingamentos à imprensa e aí está o risco de virar uma Estatal.

domingo, 9 de setembro de 2007

MISÉRIA CULTURAL

O capitalismo selvagem, corrupto, coronelista e consumista pariu a miséria e com o tempo arrotou a cultura medíocre que temos hoje. Comungo e concordo com os comentários feitos por André Setaro, crítico de cinema, a respeito da decadência cultural baiana, em entrevista publicada no Caderno 2 de A Tarde, edição do dia 8/09/07. Estão chamando ele de inimigo do cinema baiano só porque disse a verdade. André chamou os cineastas baianos de mendigos da boa vontade do Estado e quase apanhou. Em sua entrevista, afirmou que a Bahia de hoje vive uma miséria cultural, destacando que há 30 anos havia um requinte cultural. Nota-se que ele se refere aos movimentos da capital, que antigamente era chamada de Bahia. Agora imagina como anda a cultura no interior. Suas tradições e história estão morrendo.
André Setaro solta o verbo e diz que hoje existe uma extrema mediocridade em tudo, no teatro, nas artes plásticas, na literatura e no cinema. "As pessoas que não viveram aquele período não têm sistema de referência". Para ele, existe muita porcaria em exposições e peças porque não existe uma crítica de arte que abranja o cinema, a literatura e as artes plásticas. Lamenta o corporativismo e a bajulação que existem em todos os setores, especialmente no cinema. " O que existe é uma crítica "baba-ovo". André cita que existe um cineasta no poder que quando chega num barzinho do Rio Vermelho se comporta como se fosse um guru. Ai a cambada diz: chegou fulano e tome-lhe reverências e beijinhos. "O profissional baiano tem que fazer uma profissão de fé de humildade".
Não é só no cinema, André. Na literatura acontece o mesmo. O que existe hoje é um grupinho encrostado na capital que se considera verdadeiros e únicos Nerudas, Saramagos, Gabriel Garcia Marquez e Camões. Eles pensam que são eleitos divinos como os imperadores. Arrotam sabedoria e academicismo. Mas, não conseguem falar a linguagem simples, clara e popular. Procuram ser difíceis e mal alcançam algumas bibliotecas. Mesmo assim são aquinhoados porque são amigos do rei. No entanto, o rei apenas financia a produção e abandona os volumes num canto qualquer como fez com o livro de José Umberto sobre o precursor do cinema Walter da Silveira. O trabalho foi bancado pelo governo passado de Paulo Souto, só que até hoje não houve um lançamento oficial do livro.
É triste o papel que estão dando à nossa cultura, infestada de coisas que não prestam, seja nas letras, nas músicas e no cinema. Está certo o crítico André Setaro, mas, pior ainda se for feita uma crítica sobre o abandono da cultura no interior. O governo tem que definir logo sua política de cultura para o interior, se é que tem. Não adiante dizer que vai dividir os recursos ao meio entre a capital e o interior. Como na política de desenvolvimento econômico diferenciada para o Nordeste, assim deve ser feito com relação a cultura no interior.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

GUARDA-CHUVA DOS EX-DEPUTADOS

O Tribunal de Contas do Estado(TCE) virou um guarda-chuva dos ex-deputados quando deveria abrigar só técnicos que entendessem de contas e contabilidade. Entra governo e sai governo e as coisas não mudam, não importam os partidos, se PT ou PFL. O ex-deputado Leur Lomanto deixou a Anac(Agência Nacional de Aviação Civil) de olho no TCE por indicação do ministro Gedel Vieira Lima. Por parte dos governistas, a disputa está com Zilton Rocha(PT). Os nomes são aprovados pela Assembléia Legislativa, mas a indicação é do governo. Isso é que é manter a oligarquia viva. Os indicados pelo governo fiscalizam as contas do governo, e a nobreza continua comandando a miséria que se cala com um simples "cala-boca".
E logo logo, os partidos de esquerda(se é que ainda existe)coligados do PT que apoiaram Wagner ao Governo do Estado vão estar de mãos dadas com antigos carlistas, conservadoes e reacionários, muitos deles denunciados por trambicagens. A ala do Governo começa a nomorar o PP e o PR, os maiores infiéis do Brasil. Mário Negromonte, José Carlos Araújo, César Borges, só para citar os principais, vão passar a fazer parte do governo. Já pensou, gente da esquerda apoiando e pedindo voto para César Borges ou Negromnte? Quem diria, hem! Mas, é tudo pelo poder, sem ideologia. Aqui em Conquista foi um espanto quando Pedral trouxe ACM para seu lado. É uma falta de vergonha de doer. É por isso que os bons e conscientes que ainda mantém seus princípios não entram na política. E a coisa vai cada vez mais piorando.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

A NOSSA NOVA E VELHA OLIGARQUIA

O pasto continua o mesmo, só os bois mudam. Assim é a oligarquia brasileira desde os tempos coloniais, com mais ênfase a partir das capitanias hereditárias e com os ciclos do açúcar, do ouro, do café, da borracha e mais outras monoculturas. Os senhores de engenho e coronéis de terras mandavam nas cidades e eram donos do poder que indicavam nomes e ganhavam eleições.

Engana quem diz que tudo isso acabou com a queda dos títulos de patentes de coronéis. Novas gerações criaram novos métodos incorporando os velhos. É como uma reencarnação. Tudo foi se passando ao longo dos anos e ainda hoje temos o voto de cabresto e os coronéis do poder com seu intrincado de alianças e favorecimentos, sempre mantendo a elite no topo. Não largam o osso e quando a coisa começa a ficar preta e só pular para o outro lado, e aí está criada a nova e a velha oligarquia. Basta observar o adesismo sem vergonha na cara, como afirma a primeira-dama do Estado.

Agora mesmo na nossa velha Bahia começam a disputar uma vaga no Tribuna de Contas do Estado, o TCE, ou côrte dos encostados. O Governo do PT indica o nome de Zilton Rocha do mesmo partido. Na outra ponta surge o nome do ex-deputado Leur Lomanto, do PMDB, que já passou pela superintendência do Sebrae. Antes de perder o cargo de diretor da falida Anac(Agência Nacional de Aviação Civil), já se bole os pauzinhos para o homem não perder o emprego e permanecer na elite. Para os tribunais, os governos continuam indicando seus membros. O governo indica um nome para vigiar sua própria conta. Coisas da velha oligarquia dentro da nova. Denise Abreu saiu da Casa Civil, pulou para a Anac e foi forçada a deixar o cargo, mas logo, logo vai ocupar outra importante função. Isso é que é elite, enquanto o jovem que não é elite se esborracha no mercado atrás de um concurso público. Mesmo que passe, fica sem ser chamado.

Um nome muito discutido hoje é o tal de Seu Elite. Seu Elite pra lá, Seu Elite pra cá. Quem é esse Elite? É o banqueiro que mais ganha dinheiro neste país? o fazendeiro? o moço graduado e pós-graduado? o sindicalista? o jornalista que critica e denuncia? o estudante de nível superior que não tem nada de superior? a burguesia que vive entre muros e cercas elétricas? o político? o deputado, o prefeito? Os lordes do Senado? O Renan? Jader Barbalho? O Sarney? os mensaleiros da Câmara? aqueles que estão com bons cargos e salários no governo? os aposentados privilegiados? eu, ou você? Talvez Maquiavel possa nos responder. Uma coisa é certa: A Oligarquia continua, só os nomes mudaram.