domingo, 30 de novembro de 2008

DESSASTRE, CORRUPÇÃO E ARTE

O Estado de Santa Catarina (Blumenau, Itajaí, Ilhota) foi arrasado com as inundações e quedas de morros e das encostas. A mídia, mais uma vez, aproveitou, como sempre faz nas ocasiões de catástrofes e tragédias, para destilar seu veneno sensacionalista. Carregou nas tintas do exagero e do excesso, focando suas lentes e manchetes no sofrimento das pessoas e famílias que perderam seus entes queridos. O que mais conta é fazer planos demorados nos rostos cheios de lágrimas dos atingidos pelas enchentes. As câmaras focam semblantes sofridos, ultrapassando os limites da dignidade. Isso é usar o sofrimento alheio de forma rasteira. Em geral, as Tvs espetacularizaram e capricharam nas cenas bizarras como puderam.

Infelizmente, cada emissora, cada veículo de comunicação está mais preocupado com a audiência. A ordem é fazer de tudo para tentar roubar o espaço do outro. O Datena, da Band, ocupou com sua equipe, um helicóptero que estava ali para socorrer os sobreviventes, e gritava do alto: Que imagem fantástica. É uma falta de respeito, e o jornalismo virou um circo de baixa qualidade.

Os veículos esqueceram, com rara exceção do SBT, mesmo assim, rapidamente, de fazerem uma análise mais aprofundada sobre as verdadeiras causas de tanta revolta da natureza contra o homem que a agrediu bem antes. Nada está acontecendo por acaso. Toda ação tem uma reação.

A mídia deixou de falar que nas cidades atingidas pelas chuvas, 80% ou mais das casas situadas em morros e encostas ou vales foram construídas em áreas irregulares. A mídia deixou de apontar os responsáveis que permitiram as construções nesses locais. A mídia deixou de citar as agressões e depredações que aqueles morros e toda a natureza em redor daquelas cidades vêem sofrendo ao longo desses anos. A mídia deixou de focalizar a ganância das imobiliárias, a exploração predatória dos rios, os cortes feitos nas encostas, para erguer moradias feitas com licenças compradas e viciadas. A mídia deixou de fazer uma análise mais apurada sobre a ação criminosa ao meio ambiente que não suportou as chuvas.

Sinceramente, nunca vi, em toda minha vida, toneladas de terras deslizarem de morros em meio a florestas e matas virgens. Nunca vi um morro vir abaixo onde não tenha sofrido cortes, qualquer depredação do homem, nem tenha sido utilizado para construções de casas e prédios.
Quanto ao jornalismo sensacionalista e aproveitador da miséria dos outros, é preciso separar o ato de produzir informações com o de abusar e o de agredir a dignidade das pessoas. A mídia, infelizmente, vem deixando um rastro de vulgaridade nas coberturas de tragédias e catástrofes. O direito à liberdade de imprensa acaba quando não se tem ética e responsabilidade.




A CULTURA DA CORRUPÇÃO


Com tantos desmandos e atos de corrupção, nepotismos, corporativismos,
fisiologismos e outros “ismos” incorporados no nosso povo desde a descoberta do Brasil, a prática do levar vantagem em tudo, embutida na propina e nos subornos e chantagens, virou uma cultura popular aceita pelo contribuinte que não se incomoda mais com o que acontece.

Basta averiguarmos os números de pesquisas para chegarmos à triste conclusão de que o nosso povo, infelizmente, apóia a corrupção. Pesquisa feita pela Comissão de Ética Pública da Presidência da República constatou que 78,4% já descumpriram as leis, 50,3% empregariam um parente se fosse um político, ministro ou chefe de um Departamento ou Secretaria, 30% usariam cartões corporativos em gastos pessoais como comprar tapioca.

Só estes números bastam para termos a noção da podridão. Mas, existem mais coisas que deixam qualquer estrangeiro extasiado e de boca aberta. Numa matéria feita recentemente por um veículo de comunicação da Bahia, ficou comprovado que a maior parte da população aprova a prática da negociação do voto, isto é, as pessoas querem vender o seu voto. E mais: a maioria das pessoas entrevistadas concorda que o político deve e pode tirar proveito do cargo. Nas repartições públicas sempre entra “um por fora” para facilitar a solução de um problema. Juiz protege juiz que vende sentenças. O investigador vira investigado e perde o cargo. Filantropia vira “Pilantropia”, e por aí vai...

Isto me faz lembrar o Capital de Marx quando ele afirma que o sufrágio universal não é nenhum instrumento de reforma e mudança. A tese cai bem para o Brasil. Não vamos muito longe. As eleições passadas, isto é, há um mês, nos deram um retrato fiel de manipulação, de compra de votos, abusos econômicos e processados sendo eleitos, inclusive gente que já estava na cadeia. Não existe mais essa de vergonha na cara. A origem de tudo isso está na elite. O mais lamentável é que temos um presidente dito de esquerda, ou vindo de lá, que nada vê e ainda acoberta os escândalos, dando apóio, como fez com Renan Calheiros, Severino Cavalcanti, de Pernambuco, ao irmão de Ciro Gomes, no Ceará, ao Mensalão e tantos outros casos estarrecedores.


TODA OBRA TEM EMOÇÃO


Li um dia desses na mídia um comentário de um professor de Literatura, jornalista e poeta que me deixou inquieto. Para ele, Ruy Espinheira, que foi colega meu de Faculdade, a obra para ser uma arte tem que ter emoção e romantismo, excluindo aí as linguagens artísticas baseadas no realismo e que retratem fatos reais.

Confesso que não entendi o academicismo. Não importa o gênero ou estilo, em toda obra nela está contida sentimentos de emoção, mesmo que não seja considerada de boa qualidade. O indivíduo quando escreve, pinta, faz música ou teatro, faz com emoção. Todos nós somos artistas por natureza. O que difere uma das outras pessoas é o dom, o talento, a aptidão e a profissionalização para uma determinada expressão artística. O ato de dançar, contar uma piada, fazer uma saudação em público, já é uma arte em si. O que distingue é a dedicação a um ofício.

Os conceitos academicistas e prepotentes ficam por conta da subjetividade. Neste caso, por retratar a realidade e trabalhar com fatos reais do dia-a-dia, o jornalismo deixa de ser uma arte. O livro biográfico não é, então, uma arte? Não tem emoção uma matéria jornalística? É muito subjetivo e arriscado apontar que essa ou aquela outra obra não foi feita com emoção.

É só o cara ganhar alguma notoriedade, virar acadêmico teórico, pra querer impor seus conceitos aos outros. Ninguém faz nada sem emoção. Entendo que não se faz jornalismo, nem se é um bom jornalista, sem uma pintada de emoção. Não estou falando em inventar, ou fazer sensacionalismo. A frieza é anti-jornalística. A neutralidade é uma mentira, e só a isenção é uma meta a ser perseguida todos os dias.

As obras de escritores que se baseiam em fatos reais para a elaboração de um livro, mesmo que seja romance, não são consideradas como artes? Quando se faz uma obra, nela está se destilando emoção. Se formos adotar esse conceito, as obras de escritores famosos como Jorge Amado, José Lins do Rego, Graciliano Ramos, entre outros, não têm nada de arte só porque seus trabalhos se baseiam em fatos reais. Só a ficção se salvaria.

No seu conceito não existiu e não existe nenhuma arte nos escritos, nas pinturas, no cinema, na dança, no teatro e nas canções dos russos da época de Stalin, principalmente, quando foi imposto o estilo “realismo socialista”. O cara era obrigado a escrever de acordo com a política do Comitê Central do Partido Comunista. Não é por isso que vamos dizer que tudo quanto foi feito na União Soviética, do período da Revolução em 1917 até o final dos anos 90, não foi arte. Foi o quê, então?

sábado, 29 de novembro de 2008

UM RESGATE DO PATRIMÔNIO

Casa Regis Pacheco - Foto José Silva
Não é só Elomar com suas sertanias, concertos e cantatas medievais, nem Glauber Rocha com seu cinema novo, crítico, evolutivo e realista. Estes nomes podem até ofuscar os outros, mas Vitória da Conquista, que já foi terra das boiadas, da garoa e das flores, vai se popularizando como a terra dos reisados e conta com uma gama enorme de valores artístico-culturais de peso na música, na literatura e nas artes plásticas, principalmente. Nas letras, tem gente da terra como Erathosthenes Menezes, Durval Menezes, o filólogo José de Sá Nunes e Claudionor Brasil; tem os poetas e escritores de renome Camilo de Jesus Lima e Mozart Tanajura que aqui chegaram ainda meninos e adotaram a cidade como se fosse seu torrão natal.



Conquista é um caldeirão de expressões e talentos artísticos que carecem de mais visibilidade, apoio e espaço para atingir o público com suas obras e trabalhos. A festa do Natal, a partir do final dos anos 90 nas praças Tancredo Neves e Barão do Rio Branco, fez ressurgir a alegria e a promoção de artistas locais e da cultura popular através dos Ternos de Reis. Por lá passaram também nomes de artista nacionais como Belchior, Guilherme Arantes, Flávio Venturini, entre outros. Na iniciativa privada, destacamos o trabalho do empresário Nozinho Quadros de reunir e apresentar os artistas locais e da região em shows do evento Música na Praça durante as exposições agropecuárias.



Os próprios artistas reconhecem que ainda existe um amplo mercado a ser explorado e clamam por mais incentivos dos setores público e privado. Na corrente da restauração do patrimônio arquitetônico dos antigos sobradões pela Prefeitura, despontam e se consagram na música os nomes de Evandro Correia, Lima Júnior, João Omar Figueira, Carlos Moreno, Alisson Menezes, Paulo Macedo, Papolo Monteiro, Vadinho Barreto, Dom Barros, as bandas Café com Blues e Brincando de Cordas (Rafael Barreto e Ananda Andrade). Nas artes plásticas temos os notáveis Adelson do Prado, Adilson Santos, J. Murilo, Silvio Jessé, Orlando Celino, o entalhista Edmilson Santana, Valéria Vidigal, Rogéria Maciel e Alberto David. Na literatura, Ezequias Araújo Lima, Carlos Jehová, Edgar Larry, Vicente Cassimiro e muitos no teatro e no cinema como Jean Marie, Gildásio Leite e Sônia Leite.



Além da Editora da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) que publica trabalhos científicos e literários de mestres da instituição, bem como de autores de diversos gêneros literários através de concursos, a cidade conta hoje com um grande acervo cultural, como a Casa Regis Pacheco, utilizada para exposições e eventos em geral, a Galeria de Artes Sérgio Souto, a Biblioteca e o Arquivo Municipal, os Museus Regional (administrado pela UESB) e o Padre Palmeira, cinco livrarias - Nobel, Letras e Prosa, Futura, Cairo Center e Multicampi – o Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima, o Teatro Carlos Jehová, Casa da Cultura, Academia de Letras e salas de música. Foi lamentável o fechamento da única sala de cinema, o Cine Madrigal (foi inaugurada outra no Shopping Conquista Sul) quando Conquista já teve seis ou sete em tempos passados.



Recuperação do Patrimônio




Com seus 168 anos de emancipação, Conquista ainda ostenta um patrimônio arquitetônico digno de estudo e muito cuidado na preservação. O certo é que grande parte desse acervo histórico foi destruído e sofreu intervenções negativas. Muitas obras foram simplesmente demolidas como os casarões que deram lugar ao Banco do Brasil (antigo Hotel Conquista) e a Igreja Batista (Barracão dos Tropeiros), entre a Barão de Rio Branco e a Praça Caixeiros Viajantes. Outros sobrados foram desfigurados em reformas, sem qualquer orientação técnica. Ainda existem construções representativas do modelo de arquitetura de uma época, com estilos que expressam diversidades culturais, sem tombamento. A historiadora Maris Stella Schiavo chama a atenção de que muitos casarões ainda estão sendo demolidos, e outros em visível estado de ruínas.



No entanto, ainda existe muita coisa para ser preservada, como a sede da Câmara de Vereadores, construída em 1908 pelo mestre de obras Luiz Alexandrino de Melo, conhecido como “Luiz Pedreiro”. Sua história se confunde com a própria história de Conquista, e seu estilo de construção (neoclássico) é único na arquitetura civil brasileira. Como os prédios do antigo Paço Municipal (sede da Comdecom) e do Ginásio de Conquista (atual Museu Padre Palmeira), a Câmara traz no telhado quatro estátuas. De presença feminina existem as casas de dona Antônia Fernandes dos Santos (única a exibir identificação da proprietária), onde funcionou a Biblioteca Municipal (em frente à Praça Tancredo Neves) e a de Dona Zeza, que pertenceu ao coronel Gugé, construída por ele em 1896.



Nos últimos três anos, a Prefeitura Municipal no governo de José Raimundo, se voltou para a recuperação arquitetônica desse patrimônio histórico. Começou pela reforma do casarão onde morou o ex-prefeito e ex-governador Regis Pacheco, situado na parte superior da Tancredo Neves. A construção da primeira década do século XX traz as marcas do mestre “Luiz Pedreiro”, com estilo neoclássico. Seu primeiro proprietário foi o coronel João Fernandes de Oliveira Santos.



O secretário de Cultura Gildelson Felício disse que José Raimundo na sua última gestão deixou uma marca importante que foi a completa restauração da Casa Regis Pacheco, mais uma alternativa cultural e espaço do memorial político. Segundo ele, a casa estava em ruínas quando se iniciou o trabalho de restauração que custou aos cofres públicos (municipal e federal) mais de R$250 mil, sem contar a parte do acervo feito pelo artista Orlando Celino. No aniversário da cidade (dia 9 novembro), dentro da Casa Regis Pacheco, também a Prefeitura entregou à comunidade cinco painéis de um metro e meio por um metro sobre cenas da história de Conquista. O secretário afirmou que a idéia dos painéis foi a de valorizar cinco artistas plásticos de renome – Orlando Celino, Adelson do Prado, Sílvio Jessé, J. Murilo e Adilson Santos.



No bojo desse programa foi também restaurado o prédio onde hoje é a Rede de Atenção da Criança (Praça Tancredo Neves). Outro patrimônio recentemente revitalizado em parceria com a iniciativa privada ArQ Decor foi o casarão, na mesma Praça, da antiga Biblioteca Municipal que passa a ser a Casa de Atenção da Terceira Idade. Em acordo com a Casa da Cultura, a Prefeitura irá reformar ainda o Solar dos Ferraz, um casarão de mais de 100 anos, ao lado da Receita Federal. Para lá deverá ser transferida a Casa da Cultura que, por sua vez, entrega sua sede do Solar dos Fonsecas para o poder público transformar em mais um espaço cultural.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

O ANO QUE O CONSUMO PAROU

Um dia, o visionário e místico roqueiro baiano imaginou o Dia em Que a Terra Parou. Ninguém saiu de casa para trabalhar porque não tinha ninguém para atender ou consumir. Depois de adquirir o que desejou, ele confessou que estava decepcionado e não queria ficar num apartamento com a boca escancarada cheia de dentes, esperando a morte chegar. É fim de mês, e as prestações vão chegando, mas o dinheiro não dá para pagar. É fim de mês, e as contas a nos azucrinar, como a mosca na sopa. Já imaginou o ano em que o mundo parou de consumir as bugigangas e os balangandãs criados pela tecnologia? Um ano sem supérfluos, sem os mitos superficiais, sem estilos e gostos massificados! Só o essencial para a vida.



No ano em que o consumo parou, ninguém mais comprou as breguices tecnológicas, nem se fez mais empréstimos para pagar empréstimos. Ninguém se importou com os novos lançamentos de celulares de mil funções, nem trocou de carro nas concessionárias. Ninguém foi mais às lojas adquirir vestidos de grifes, nem sapatos, calças e camisas. Ninguém trocou de geladeira, nem televisor e DVD de alta resolução. Nada de máquinas de lavar, batedeiras, liquidificadores, anéis, correntes, ou outras porcarias consumistas do capitalismo.



No ano em que o consumo parou, o homem também resolveu não mais procriar e desobedecer a Igreja. As siderúrgicas pararam seus fornos porque não tinha mais ninguém pra consumir o aço, pois a indústria automobilística também desligou sua linha de montagem. As fábricas petroquímicas também deixaram de operar. As petroleiras não quiseram mais perfurar, porque o consumo de combustível parou de aumentar. Só as unidades de alimentos continuaram a funcionar. As fumaças sumiram, e o dióxido de carbono deixou de violentar a camada de ozônio. A natureza começou a se renovar, e todos os rios correram livres para o mar, levando o cheiro das frondosas árvores.



Nesse ano, os bancos pararam de nos roubar, e os banqueiros foram arar a terra e trabalhar. As Bolsas e os mercados especulativos deixaram de fazer dinheiro parir dinheiro, papel parir papel. Os economistas param de prognosticar e chutar estatísticas. O cara do noteboock comprando e vendendo papéis podres na praia, foi embora. Ninguém mais falou de inadimplência, e ninguém mais freqüentou o prostíbulo orgístico do crédito. O deus consumo, ninguém mais o idolatrou. A mídia e a propaganda pararam de nos enganar. As máquinas das editoras aceleraram a produção do saber por que o conhecimento humano não podia parar.



Você deve estar matutando... Se o consumo parar, o desemprego será geral. Pense na vastidão da terra para plantar e as fabricas de alimentos para laborar. Imagine uma invasão pacífica dos campos e na formação de comunidades de produção. Fazendas movidas a energias alternativas, com a colheita de produtos orgânicos. Pense que as fronteiras podem se abrir e as muralhas desmoronar. A humanidade pode ser reduzida pela metade, e a paz pode reinar.



Se o consumismo parar é como tirar a cereja do capitalismo. Marx ressuscitar e o socialismo com a face humana se implantar. As guerras vão parar e a supremacia de um só não mais vai existir. Pense em mil coisas que podem acontecer e mudar. Pense sair da mesmice e outra via nos conduzir. Coloque sua cabeça para girar, seu cérebro para funcionar. Pense sair desse marasmo.



Pense que tudo é um sonho e que você pode sonhar. E se a terra também parar de rodar em torno de si e dos planetas? Você rolando perdido entre o universo de estrelas e outras galáxias? Hei! Está na hora de você acordar; levantar da cama; sair apressado; pegar um trânsito infernal; ler as manchetes de crimes, crises e escândalos; escutar a lengalenga das campanhas, azucrinando no seu ouvido para comprar besteiras; bater o ponto no computador; ouvir desaforo do patrão; comer um hambúrguer amassado no almoço; aturar o fiscal levar seu carro por falta de pagamento; e ainda ter seu nome no Serasa.



E o Natal que você vai ser obrigado a comprar presentes! Mandar cartão de Boas Festas; suportar a sogra lhe xingando; e a mulher lhe cobrando o champanhe, o vinho, o queijo e o peru! Pense no final do ano que você prometeu mudar e não mudou. Pense no próximo que você não sabe como vai ficar. É cara, você vai ter que encarar o sistema. Se preocupar com o desemprego, com as guerras, com a violência, com as mentiras dos políticos; se a vida tem sentido; com a existência; e por onde anda a tal de felicidade. A humanidade sempre está cometendo os mesmo erros. Não é legal! O pobre Sergipe insiste em ter a maior árvore de Natal do mundo!



Se ficar o bicho come, se fugir o bicho pega. A roda tem que continuar girando, cara! Não se preocupe, o governo vai lhe dar mais crédito para você consumir mais e mais; trabalhar e competir, passando por cima de quem estiver na sua frente; ficar endividado; negociar com as financeiras, lojas e bancos; se tornar nervoso e estressado; se empanturrar de remédios; acelerar sua velhice; e deixar um monte de dívidas quando partir para outra.



O trem está lotado e não se sabe o seu destino certo. Nele se vende de tudo, se mercantiliza, se troca, se joga e se trapaceia. A turma da Primeira Classe tem nojo dos candangos e retirantes. A solidariedade é uma farsa que só aparece nas catástrofes.



Os deuses nos soltam num labirinto. Difícil é sair dele. A inteligência financeira age como um software teleguiando os seres humanos e suas ações. O mais irônico nisso tudo é que vivemos isolados e alienados num mundo globalizado e cibernético. Como disse o Lama Padma Samtem, as escolas ensinam para o mercado, mas não ensinam para a felicidade.

domingo, 16 de novembro de 2008

EDUCAÇÃO INCREMENTA

UESB cresceu nos últimos anos com a criação de novos cursos

A educação privada de nível superior, que se juntou à Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), foi o último pólo a se estruturar no início dos anos 2000 e está avançando a cada ano, acompanhando o crescimento de outros setores da economia como a construção civil, o avanço do ensino público e da saúde depois da municipalização plena do setor feita pela Prefeitura Municipal.



A perspectiva aumentou ainda mais com a instalação de um campus da Universidade Federal da Bahia (Ufba). Só o ensino de terceiro grau de um modo geral já oferece cerca de três mil empregos diretos. A arrancada nos investimentos privados se deu justamente a partir do ano 2000 quando surgiram a Faculdade Independente do Nordeste (Fainor), a Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC) e o Instituto de Educação Juvêncio Terra. Só a Uesb, criada oficialmente em 1980, conta atualmente com 36 cursos nos campi de Conquista, Jequié e Itapetinga.



A Educação e a Economia



Estudantes da Uesb, da FTC, da Fainor e do Juvêncio Terra, vindos de outros municípios baianos e de diversos estados injetam por ano mais de R$40 milhões na economia de Vitória da Conquista, incrementando as vendas do comércio e o setor de serviços, principalmente bares, hotéis, restaurantes e a indústria da construção civil.



O pólo educacional criado em Conquista nos últimos oito anos representa um volume de investimentos maior que da Prefeitura Municipal, cujo orçamento está avaliado em mais de R$200 milhões e emprega mais de seis mil funcionários.



A Uesb atravessou um período de estagnação, mas nos últimos anos a universidade impulsionou suas atividades, graças a criação das três faculdades particulares. Houve uma ebulição nos segmentos literários, artístico e científico – conforme observam professores.



Com cerca de 10 a 15 mil alunos de nível superior, Conquista é hoje um centro que absorve um contingente populacional de 1 milhão e 500 a 2 milhões de pessoas, do São Francisco até o Médio Rio Pardo, em Minas Gerais.




CURSOS DA FAINOR - Criada em 2001, a Fainor tem os cursos de Administração, Ciências Contábeis, Direito e Engenharia da Computação, além de 15 pós-graduações. Segundo um dos sócios da instituição Joseval Andrade, a faculdade já está aguardando a visita dos avaliadores do Mec para a possível implantação dos cursos de Enfermagem e Fisioterapia. “A qualquer instante uma portaria deve ser publicada autorizando vestibular para os cursos de Farmácia e Engenharia Elétrica, devendo funcionar em fevereiro do próximo ano” - revela Andrade.

CRESCIMENTO DA FTC - Implantada há cerca de oito anos, a FTC vem registrando um significativo crescimento na oferta de cursos e ampliação de modernos laboratórios. Atualmente a faculdade está oferecendo para a comunidade os cursos de Publicidade e Propaganda, Administração, Nutrição, Fisioterapia, Enfermagem, Direito, Educação Física, Psicologia, Engenharia Civil e Sistemas de Informação.



Em termos de instalações, hoje, a faculdade possui 40 salas de aulas e 23 laboratórios. Segundo a Assessora de Imprensa da FTC, Shirley de Queiroz, o quadro docente conta com 101 especialistas, 42 mestres e 07 doutores, além de 13 instrutores.



A unidade conquistense está com alguns projetos em andamento como o FTC Verde que tem a intenção de praticar na FTC Conquista e na comunidade conceitos de sustentabilidade, reciclagem, alimentação saudável e responsabilidade social.



JUVÊNCIO TERRA - A faculdade conta com os cursos de Administração, Secretariado Executivo, Comunicação Social (Relações Públicas), Ciências da Informação e Psicologia. Estão em andamento os cursos de pós-graduação em Gestão Empresarial, Psicologia da Saúde, Comunicação e Marketing Empresarial, Psicologia da Educação, Desenvolvimento e Gestão de Pessoas, Gestão Pública, Controladoria Empresarial e Contabilidade e Planejamento Tributário.
A HISTÓRIA DA UESB - A instituição foi criada em 1980 e vem expandindo suas ações em pesquisas através de projetos em benefício da comunidade, incrementando a economia na região sudoeste. “A Uesb afeta diretamente o desenvolvimento de Vitória da Conquista em função da formação do capital humano, de suas pesquisas, da sua movimentação financeira no comércio local e também por atrair investimentos de diferentes setores econômicos” afirma o reitor da Uesb Abel Rebouças.



No campus de Conquista, dos 4.223 alunos matriculados nos seus 17 cursos, 1.451 são oriundos de outras cidades. O quadro docente conquistense é composto por 202 doutores, 360 mestres, 220 especialistas, seis graduados e cinco pós-doutores. Uma grande evolução foi a chegada do curso de Medicina aprovado há cinco anos pelo Conselho Superior de Ensino Pesquisa e Extensão (Consepe). Em Jequié foi implantado também o curso de Odontologia no mesmo período.



A história da instituição começa em 1962 quando foram criadas as Faculdades de Filosofia, Ciências e Letras nas cidades de Vitória da Conquista e Jequié. Embora concebidas naquele ano, numa década em que se dá a interiorização do Ensino Superior no Estado, o funcionamento das faculdades só se efetiva com a implantação dos cursos de Letras em Vitória da Conquista no ano de 1971, e os de Ciências em Letras em Jequié, no ano de 1972.



Em 1980 começa a se falar em Universidade, quando o Poder Executivo é autorizado a instituir uma Fundação para criar e manter uma Universidade no Sudoeste do Estado, o que ocorre naquele mesmo ano. Uma Lei Delegada, publicada ainda em 1980, extingue essa fundação e cria a Autarquia Universidade do Sudoeste, cuja implantação é regulada por decreto no ano seguinte. A partir de então, os trabalhos começam a se intensificar para a autorização de funcionamento da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia em sistema multicampi, obtida a partir do parecer favorável do Conselho Estadual de Educação, com o Decreto n.º 94.250 de 22 de abril de 1987.


sexta-feira, 14 de novembro de 2008

CENÁRIOS DE CONQUISTA



Os artistas plásticos, Adilson Santos. J. Murilo. Sílvio Jessé, Orlando Celino e Adelson do Prado nos brindaram com belíssimos quadros, encomendados pela Prefeitura Municipal, através da Secretaria de Cultura, sobre a história de Vitória da Conquista. O tema escolhido foi feliz, bem como a sua interpretação na visão dos artistas que não popuparam os pincéis e as tintas para glorificar e retratar a história da cidade.




O artista plástico Sílvio Jessé Foto de José Carlos D´Almeida


Sem falar de estilos ou escolas acadêmicas que passaram nas telas, como o expressionismo, o realismo e o simbolismo, só para ficarmos nesses ismos, os cinco artistas souberam resgatar a memória dos 168 anos de Conquista, com precisão e nostalgia. Todo esse acervo está na Casa Regis Pacheco e, não há dúvida que ficou mais enriquecido. A iniciativa foi acertada.






Adilson Santos pintou a imagem de Nossa Senhora das Vitórias, cheia de luzes e resplendor, não deixando de deixar sua marca registrada que é a maçã que, na sua ótica de artista, simboliza a origem bíblica da humanidade. Sua tela retrata também a religiosidade e enaltece a padroeira dos conquistenses, se bem que escolhida pelo colonizador numa forma politicamente incorreta como se costuma dizer nos dias de hoje.






J. Murilo caiu na farra das feiras da antiga Vila Imperial da Victória na Rua Grande onde hoje é a Praça Tancredo Neves, antigo Jardim das Bolboletas. Pintou os feirantes, as boiadas, a antiga capela e a formação da cidade com seu casario dos primeiros moradores, muitos deles os coronéis.






Veio Sílvio Jessá e mostrou a visão do príncepe austríaco Maximiliano que vistou a vila em 1917, ou 1916 como descrevem alguns historiadores. O pincel de Sílvio encheu o quadro de cores, focando a mata do Poço Escuro, a flora e a fauna da Serra do Periperi. Infelizmente, não temos mais essa beleza exuberante porque o homem se encarregou de destruir nesses 168 ou 200 anos. O príncipe ficou encatado com a vila e o verde que a cercava. Uma pena que não temos mais esse quadro ao vivo.






O artista Orlando Celino fotografou com seus traços singelos a antiga vila, pontuando a capela, a Rua Grande até os arredores que antigamente se estendiam até onde hoje é a Praça 9 de Novembro e a Barão do Rio Branco. Seu quadro mais parece uma foto aérea, pegando toda paisagem da Serra do Periperi.






Finalmente, não pela ordem, Adelson do Prado fez vários quadros de Conquista dentro de um grande quadro, retratando o casario da época, as feiras, a vida pacata e os costumes de seus primeiros habitantes, com cores vivas de encher os olhos dos apreciadores da bela arte.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

CONSTRUÇÃO SUPERA ÍNDICE NACIONAL



Impulsionado pelo avanço na educação e na saúde, a partir de 2000, o setor da construção civil, especialmente no segmento da verticalização, deu um salto de crescimento nos últimos cinco anos, superando o índice nacional de 7% registrado no ano passado, conforme observação de empresários do ramo.

Foto de José Silva




Dados de consumo de concreto usinado representam o termômetro do setor e dão conta de que a construção civil em Conquista foi a que mais prosperou no interior do Estado. Em 2006, a Cimpor Concreto (a única que fornece concreto pronto) vendeu 14 mil metros cúbicos de concreto, caindo um pouco para 13.500 metros cúbicos em 2007.




Boas perspectivas




No entanto, até junho deste ano, o volume comercializado já atingiu 8.300 metros cúbicos, com uma projeção para chegar ao final do ano com 17.500 a 18.000 metros cúbicos, o que significa um aumento de 50% de crescimento.





Para 2008 a expectativa é muito boa, segundo o diretor da Cimpor, Leonardo Saldanha Caldeira, acrescentando que para 2009 a tendência é manter o mesmo nível ou aumentar o consumo entre 15 a 20%. Essa perspectiva vai depender muito do alcance da crise financeira que se alastrou em todos os países do mundo, segundo avaliam os empresários do setor.





Os maiores clientes são os condomínios residenciais, as obras comerciais, públicas e galpões industriais. Entre final deste ano e o próximo, a fornecedora de concreto já está de olho em grandes obras como ampliação do Aeroporto e do tratamento de esgotos da Embasa, o chamado Pinicão.





Para se ter uma idéia do avanço, há três ou quatro anos, o consumo/mês de concreto pré-misturado era de 600 metros cúbicos e hoje se situa em 1.200 metros cúbicos, segundo o construtor Luciano Alves Bonfim.





Nos últimos cinco anos, segundo empresários do ramo, foram construídos mais de mil apartamentos, a maioria de condôminos na parte leste da cidade, entre os bairros de Candeias e Recreio, em direção da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB).





As construções estão direcionadas para a parte leste da cidade, concentradas no bairro Candeias, e também no Alto da Boa Vista nas proximidades da Av. Juracy Magalhães, conforme prevê o Plano Diretor Urbano instituído em 2005 através do Projeto de Lei Complementar de número 023/2005.





Em Conquista, este segmento da economia começou a sair da estagnação por volta de 2002/03, bem antes da recuperação nacional. A implantação de um pólo educacional deu uma injeção de ânimo em toda economia do município, principalmente na construção civil. A instalação de três faculdades particulares, além da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-UESB, atraiu milhares de jovens para a cidade, aumentando a demanda por casas e apartamentos. Isso fez com que o setor da construção se expandisse para atender esse novo mercado de habitação.





Em termos de expansão, o empresário do setor, Márcio Prado, afirma que a construção civil em Conquista, que emprega mais de mil pessoas diretamente nas obras, só perde para Salvador. Nos últimos cinco anos foram construídos cerca de mil apartamentos para a classe média.





Apesar de todo esse crescimento, o construtor acha que o mercado já está ficando difícil e, para reativar, recomenda a criação de novos cursos, especialmente na área da saúde, no âmbito federal e particular. Em sua opinião, o pólo educacional precisa crescer mais ainda para que a construção civil continue se expandindo. Entende que o diferencial a partir de agora vai ser a localização entre os bairros de Candeias (Olívia Flores), Recreio e Alto da Boa Vista com a Av. Juracy Magalhães.





Sobre os preços dos imóveis e aluguéis em Conquista, considerados por muitos, inclusive corretores, como iguais e até superiores a Salvador, Márcio discorda. De início, aponta que os custos em Conquista são menores, a começar pelo terreno. Num local nobre, um terreno (1.700 a 2.000 metros quadrados) pode ser adquirido aqui por R$800 a R$900 mil. Se for comprar o mesmo terreno na Pituba, em Salvador, ele vai custar R$2 milhões ou mais.





Um apartamento novo (dois quartos) na Olívia Flores custa hoje cerca de R$150 mil, o mesmo preço de um usado de 20 anos em Salvador em bairros mais populares. Se for na Graça ou Pituba, o preço sobe para 250 a R$270 mil. Apartamento novo de dois quartos no Horto Florestal ou na Graça, se compra em Salvador por R$250 mil (R$170 mil o usado). Aqui pode ser adquirido um novo pelo mesmo preço do usado na capital.





Com relação ao aluguel, o empresário também discorda de quem acha que é igual ou mais caro que na capital. Um quarto e sala em Conquista se consegue por R$350 a R$400,00. Em Salvador deve estar na faixa de R$600,00 a R$700,00.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

UMA LUTA DE 100 ANOS

Monumento ao Índio de iniciativa de André Cairo. Foto de José Carlos D´Almeida


Milhares de nativos foram dizimados pelos portugueses comandados por João Gonçalves da Costa, mas a luta durou mais de um século até que os colonizadores conquistassem definitivamente o território do Sertão da Ressaca. As emboscadas, as traições e as armas de fogo marcaram uma era sangrenta contra as tribos. Antes, os Camacans, os Mongoiós, Imborés e os Pataxós já guerreavam entre si com arcos e flechas pela disputa das terras.



Naquela vastidão de território viviam os índios em suas aldeias, armando suas tendas de lugar em lugar, se sustentando da caça e da pesca. Depois da ocupação do litoral, o homem branco voltou-se para o interior do sertão na busca do ouro e de pedras preciosas. O governo custeava os bandeirantes e ordenava a ocupação das terras dos nativos com o uso da força, provocando matanças. As terras ao redor do que hoje é Conquista foram tomadas dos índios na base da violência e da opressão.



A Praça Tancredo Neves, onde antes era Jardim das Borboletas, foi um dos palcos das lutas e traições armadas pelo homem branco contra os índios. Foi local também de cemitério dos nativos e as ossadas deles estão lá até hoje. Foram dizimados pouco a pouco até o extermínio total. Como única homenagem foi levantado, depois de mais de 160 anos, por iniciativa e insistência do ambientalista Abdré Cairo, o Monumento ao Índio, na Praça Caxeiros Viajantes. Fora isso, os nativos só são lembrados na vaga literatura narrada por alguns historiadores.



João Gonçalves da Costa tinha a incumbência de ocupar todo território e criar condições de povoamento. Alguns estudiosos do assunto citam que os índios que habitavam nas terras atuais de Conquista só foram vencidos pelos colonizadores depois de muitas armadilhas enganosas. Conta-se que numa delas, eles foram atraídos para uma cerimônia de paz e depois envenenados através da bebida e dos alimentos. O ouro que tanto procuravam só foi encontrado nas cabeceiras do Rio das Contas, a partir de bandeiras vindas de Minas Gerais.

AS TRIBOS

A tribo Camacan se caracterizava pela permanência num local, enquanto os outros eram nômades e se deslocavam. A etnia Camacan habitava o sul da Bahia e entre os rios Pardo e das Contas, no sudoeste. Calcula-se que essa tribo de cerca de cinco mil índios, que confeccionava bolsas e sacolas e andava nu, morava no Sertão da Ressaca. A paz, muitas vezes era interrompida com as lutas contra os Pataxós e Imborés quando se tratava de delimitação territorial.



Já os Imborés e Pataxós não se fixavam num único local, mas todos eles pertenciam ao tronco Macro-Jê. Os Imborés eram morenos, cabelos e peles mais grossos, e usavam botoque de madeira nas orelhas e lábios. Por isso, eram também chamados de Botocudos e pintavam o corpo com urucum e jenipapo.



Os Pataxós, ainda encontrados na região de Porto Seguro, não pintavam seus corpos. Eles chegaram a se movimentar até a região do Planalto de Conquista, guerreando com os Mongoiós.
Os Mongoiós gostavam de dançar ao som dos chocalhos e maracás, feitos com cabaças, cascos de veado ou anta. Tinham respeito aos mortos e os funerais se prolongavam por dias. Para curar as doenças usavam fumaça de tabaco soprada sobre as doenças. Como se fixavam num território, os Mongoiós terminaram ocupando extensas áreas onde hoje é Conquista.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

INÍCIO DA INDUSTRIALIZAÇÃO


Mesmo com o Distrito Industrial dos Imborés implantado no final da década de 60, somente em meados dos anos 70 o município iniciou seu processo de industrialização. Atualmente, o Distrito conta com 36 unidades fabris e 52 empresas de apoio. Muitas empresas foram atraídas pela isenção fiscal. Na cidade existem aproximadamente 105 indústrias maiores, mas para a Secretaria da Indústria e Comércio do Estado, elas passam de 600, incluindo pequenas e médias.
Distrito Industrial - foto de José Silva

Os investimentos no setor passam de R$120 milhões nos últimos seis anos, sem falar do Grupo Umbro que tem 2.630 empregados e investimentos de R$54 milhões. Somente o Distrito emprega 1.500 a 2.000 pessoas, mas estima-se que todo segmento ofereça hoje seis mil a sete mil empregos diretos.




De acordo com empresários, Conquista tem um potencial imenso de desenvolvimento econômico. Para representantes da Associação das Indústrias de Vitória da Conquista, o sudoeste baiano contribui com 17% da população do Estado e em um PIB de R$5,4 bilhões, ou 16% do valor total da produção baiana.



No ramo industrial, destacam-se o de químico e plástico, produtos de limpeza e higiene, seguidos de móveis e estofados. Na opinião dos industriais, para consolidar esse crescimento são necessárias mais ações, como a desburocratização do setor.



Ainda não existe um censo empresarial preciso para detectar as reais realidades industriais do município. A partir dos dados, a serem realizados pelas entidades envolvidas no segmento, será elaborado um plano que servirá de importante ferramenta para alavancar seu crescimento. Tentamos obter um depoimento sobre o processo industrial do município e suas reais necessidades com o presidente da Associação das Indústrias, Ronaldo Bulhões, mas não foi possível devido aos sucessivos adiamentos.



MOVELARIA MOVIMENTA R$45 MILHÕES



Em fase de desenvolvimento, o parque moveleiro do sudoeste já responde pela injeção de R$45 milhões nos 85 municípios atendidos por um comitê gestor de entidades públicas e da iniciativa privada.



A produção de sofás de luxo e populares já é absorvida pelas grandes redes de lojas do Nordeste e Sudeste do País. Segundo informações da Associação de Moveleiros de Vitória da Conquista (Amovic), o segmento já emprega diretamente 1,5 mil pessoas na região.



Existe hoje, de acordo com estudos, um mercado potencial para mobiliário da ordem de R$230 milhões por ano, e mais de 90% desse volume ainda são atendidos por empresas de fora do Estado. O propósito é fazer com que mais de 200 mercearias de Conquista respondam por pelo menos 20% desse valor, superando a meta de R$3,8 milhões por mês.



Há pouco tempo foi realizado um Fórum para traçar metas de produção, distribuição e mercado. O que mais falta, no momento, é tecnologia, pois conta com uma boa mão-de-obra. O segmento espera receber incentivo governamental para a instalação de escolas para marcenarias. A Amovic já tem 22 empresas associadas, mas existem, somente no município, 220 profissionais que estão afastados da entidade. A consultoria é dada pela Prefeitura Municipal, Sebrae, UESB e o Cefet.







segunda-feira, 10 de novembro de 2008

UMA EVOLUÇÃO HISTÓRICA


O município, com 195 mil eleitores (308 mil habitantes), possui uma área territorial de 3.743 quilômetros quadrados (cálculos da Prefeitura –Agência de Desenvolvimento, Trabalho e Renda), ou 3.204 (IBGE- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), e está situado a 923 metros acima do mar (1.023 na Serra do Periperi, na Torre da Embratel), com latitude 14.866 e longitude 40.839. Com 168 anos de emancipação política, Conquista é hoje um pólo regional de desenvolvimento.
Foto de José Carlos D´Almeida Carlos


Seu território conta com 12 distritos e mais de 300 povoados que fazem limite com os municípios de Barra do Choça, Encruzilhada, Anagé, Cândido Sales e Itambé. Em toda região são mais de 80 municípios que giram em torno de Vitória da Conquista, abrangendo uma população de cerca de dois milhões de pessoas que procuram os serviços da cidade, especialmente nas áreas de educação e saúde.



A frota de automóveis em 2007, de acordo com o IBGE, foi de 24.553 veículos, sendo 2.699 de caminhões, 286 tratores, 4.810 caminhonetes, 10.102 motocicletas e 911 ônibus.



PLANO DIRETOR



Para o ordenamento do solo e dividido em zonas, Vitória da Conquista já conta com seu Plano Diretor Urbano, aprovado pela Câmara de Vereadores e sancionado pelo prefeito José Raimundo Fontes (PT), em setembro de 2005, mediante o Projeto de Lei Complementar de número 023/´2005.



O Projeto foi discutido em reuniões setoriais, representadas por entidades governamentais, não-governamentais e diversos segmentos da sociedade. É um instrumento normativo de desenvolvimento urbano, com abrangência em todo território municipal. No seu Artigo 13, foi criado o Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano, com caráter consultivo e deliberativo.



EVOLUÇÃO HISTÓRICA



Até 1940 a base econômica e social do município se fundava na pecuária extensiva. A partir daí, o comércio passou a ocupar o lugar de destaque na economia do município que se somou à implantação da cultura do café, a partir da década de 70.



Com a abertura da estrada Rio-Bahia (BR-116) e da Ilhéus-Bom Jesus da Lapa, cortando os municípios mais desenvolvidos de Caetité, Brumado e Itapetinga, Conquista pôde integrar-se a outras regiões do Estado, norte de Minas Gerais e ao restante do país.



Segundo dados divulgados pelo Atlas-Mercado Brasileiro (a Prefeitura recebeu um prêmio no item dinamismo) e estudo da Gazeta Mercantil (edição 2008), o município aparece como o primeiro que mais cresce no Nordeste do País e é o décimo em nível nacional, com destaques para os pólos de educação, saúde, logística e o comércio varejista e atacadista.



Entre os projetos, programas e ações administrados pela Prefeitura Municipal estão o Conquista Criança, Juventude Cidadã, Recicla Conquista, Segundo Tempo, Agente Jovem. Jovem Ativista, Banco do Povo, com empréstimos superiores a R$15 milhões (micros e pequenos), PETI, Projeto Sentinela, Educação de Jovens e Adultos, DST-AIDS, Pronaf, Bolsa Família e Luz para Todos.



De acordo com os números do IBGE, houve uma participação maior do segmento de Serviços e redução da agregação de valor pelo setor industrial, graças ao processo de reestruturação produtiva. Ocorreu nos últimos anos, um amplo processo de terceirização, inclusive nas atividades de informação e conhecimento (Engenharia/Arquitetura, Logística, Comunicação, Contábil, Jurídico, Médico).



Em geração de emprego formal, a área de Serviços é responsável por 78,10% dos postos de emprego - 23,8% do comércio, 30,7% da administração pública e 23,6 % em serviços diversos. O setor industrial, o segundo maior empregador com 14,8% dos empregos, sofreu uma diminuição de 6,31%, de 2004 a 2005 no total do PIB, em decorrência da saturação da capacidade instalada das unidades de limpeza e higiene, cosméticos e vestuário. Para 2007, a SEI estimou um crescimento de 3,7% (menores taxas dos últimos cinco anos).



AGROPECUÁRIA



A agricultura ocupa a terceira posição na composição do PIB (já esteve no primeiro lugar), o que reflete o dinamismo alcançado pela economia conquistense. O segmento é responsável por 7,2% dos empregos formais. Estabelecimentos agropecuários computados pelo IBGE em 2006 foram de 3.946, com uma área de 214.170 hectares, e 1.533 lavouras permanentes. Matas e florestas apresentaram uma área de 72.889 hectares.



Mesmo assim, Conquista e seus municípios vizinhos têm uma importante participação no setor agrícola do Estado, através da produção de café, cerca de um milhão de sacas por ano, além de feijão, milho, mamona, mandioca, criação de caprinos e ovinos e a produção de mel.


domingo, 9 de novembro de 2008

O MAIS DINÂMICO DO NORDESTE

A avenida Integração une as duas cidades - foto de José Silva

Com uma população de 308 mil habitantes, o terceiro do Estado,(dados do IBGE) e um PIB de R$1,8 bilhão, (o sexto da Bahia), Vitória da Conquista, a capital da região sudoeste, distante 509 quilômetros de Salvador, é o município mais dinâmico do Nordeste e o 10º do país, de acordo com estudos do Jornal Gazeta Mercantil.



Segundo ainda pesquisas da SEI-Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais, da Secretaria de Planejamento do Estado, em IDS (Índice de Desenvolvimento Social), Conquista é o 6º do Estado; o 7o em IDE (Índice de Desenvolvimento Econômico), abaixo de Salvador, Camaçari, São Francisco do Conde, Feira de Santana, Lauro de Freitas e Simões Filho; e o 6º em IDH (Índice Desenvolvimento Humano).

Conceitos de gestão

Em 1996 Conquista ocupava 13º posição IDE e 24º lugar no IDS. Em 1997 o PT assumiu a Prefeitura Municipal com Guilherme Menezes. A nova administração introduziu conceitos modernos de gestão, com avanços significativos na municipalização da saúde e da educação, sem falar da melhoria nas áreas da assistência social, da agricultura e no aumento da geração de emprego e renda, através da criação do Banco do Povo e a realização de cursos de capacitação e qualificação. Comércio, saúde e educação transformaram Vitória da Conquista num pólo regional de desenvolvimento do sudoeste baiano que abrange cerca de dois milhões de pessoas que vivem em torno de 80 municípios, incluindo os do norte de Minas Gerais. Se apenas a cidade tem cerca de 260 mil moradores (195 mil eleitores em todo município), diariamente a capital do sudoeste recebe entre 50 a 60 mil pessoas que procuram por serviços na área da saúde nas clínicas, laboratórios e na rede hospitalar pública e privada. O comércio abastece a região e recebe outro grande contingente populacional.



Na educação, três faculdades privadas, e uma universidade estadual abrigam cerca de sete mil estudantes, sendo que a metade é oriunda de outros municípios e estados como Minas Gerais, Sergipe, Alagoas, Rio de Janeiro e São Paulo. Com a demanda na área educacional, nos dias úteis, a cidade passa a ter mais de 350 mil pessoas. A vinda desses jovens para estudar em Conquista representa a injeção de mais de R$40 milhões por ano na economia, significando a abertura de mais bares, restaurantes, lojas, hotéis, além de estimular o setor da construção civil e de transportes.



No entanto, dessa população estimada em dois milhões, segundo avaliação do diretor Regional da Associação dos Hospitais da Bahia, Onildo Oliveira, menos de 10% têm acesso à saúde privada, acontecendo o mesmo com o ensino de nível superior. A população ainda tem um baixo poder aquisitivo. Outro fator que dificulta a consolidação do desenvolvimento regional, segundo representantes do CDL-Câmara de Dirigentes Lojistas, é a carência de indústrias de grande porte.



Como novo empreendimento, além das médias indústrias do Distrito dos Imborés, criado no início da década de 70, Conquista recebeu a fábrica de calçados Dilly em 2004, enquanto Jequié e Itapetinga, por exemplo, foram mais contemplados com a política de incentivos fiscais.



No entanto, a cidade oferece todas as vantagens estratégicas para a instalação e ampliação de novos projetos, como o fácil acesso através da BR-116 (Rio-Bahia) para Salvador, e proximidade com o Porto de Ilhéus, sem contar as ligações rodoviárias para o Sul, o Norte e Nordeste do país.

sábado, 8 de novembro de 2008

DE IMPERIAL VILA AO MAIOR PÓLO


Os verdadeiros donos destas terras do sudoeste baiano onde hoje está situado o município de Vitória da Conquista, que completou ontem (9 de novembro) 168 anos de emancipação política, eram os Mongoiós ou Monochós, também conhecidos como Camacans, e os Pataxós e Amborés ou Imborés.



A Imperial Vila da Victória, criada por lei imperial datada de 1840, expandiu-se aos poucos na encosta verdejante da Serra do Periperi; foi parada de tropeiros; mudou de nome e cresceu na década de 60 com a chegada da BR-116 (Rio-Bahia); ampliou sua economia com a introdução da cafeicultura no meado dos anos 70; e se firmou no início do século XXI, a partir de novos projetos nas áreas da educação e da saúde, como um dos pólos de maior desenvolvimento do Estado e do Nordeste.

Foto de José Carlos D´Almeida

Batalhas sangrentas

A chegada dos primeiros colonizadores portugueses por volta de 1730 e 1734, comandados pelo Mestre-de-Campo João da Silva Guimarães e pelo Capitão-Mór, João Gonçalves da Costa, deu início a uma série de batalhas sangrentas com os índios da terra que durou cerca de um século, culminando com o extermínio dos nativos.



Contam os historiadores que os Mongoiós habitavam anteriormente o território de Ilhéus, vindo depois a se instalarem nessas terras, precisamente entre a atual Praça Tancredo Neves (Jardim das Borboletas), um dos cartões postais da cidade, e no local que recebeu depois o nome de Batalha, do outro lado da encosta da Serra do Periperi, onde se travou a primeira guerra com os colonizadores.



O valente João da Silva Guimarães com sua gente esteve por estas bandas da Ressaca do Sertão, área geográfica entre a caatinga e o litoral (Rio Pardo e Rio das Contas), por volta de 1730, desbravando o território a procura de ouro e pedras preciosas, mas não tinha autorização do rei D. João V, para combater os índios. Isso só foi possível em 1734 quando explorou parte do Rio das Contas até 1744, mas não obteve vitória sobre os índios.



Retornou em 1752 quando sofreu novas derrotas. Numa nova expedição, em 1782, João Guimarães e João Gonçalves da Costa (seu genro) saíram do litoral, cruzaram o Rio das Contas, e travaram a primeira batalha com os Mongoiós. Foi uma sangrenta luta na localidade hoje conhecida como Batalha (9 quilômetros da cidade).



Os bandeirantes perdiam a luta, mas João Gonçalves, como narra a história, resolveu animar seus homens fazendo uma promessa a Nossa Senhora das Vitórias. Se vencesse os índios, elevaria uma capela em seu nome, nascendo a partir daí, a Imperial Vila da Victória e depois Vitória da Conquista.



Até pelos idos de 1933 muitos desses índios continuaram habitando as matas da região de Conquista, mas todos foram expulsos pelos brancos. Na década de 70, o desmatamento se agravou para dar lugar á cafeicultura que logo depois entrou em decadência.



Até antes da instalação da Vila, (1840) na residência do coronel Teotônio Gomes Roseira, situada na Rua Grande (Praça Tancredo Neves), o território pertencia ao município de Caetité. Depois a casa do coronel veio a se tornar Paço Municipal. Naquela data de 9 de novembro foram escolhidos os conselheiros, membros do Concelho Municipal, hoje denominados de vereadores, para cuidar da sua administração. O presidente desse colegiado exercia o cargo de prefeito. O primeiro Concelho foi composto pelos cidadãos Manoel José Vianna, Joaquim Moreira dos Santos, Theotônio Gomes Roseira, Manoel Francisco Soares, Justino Ferreira Campos, Luis Fernandes de Oliveira e Francisco Xavier da Costa.



Com governo próprio, a Vila começou a se organizar e, além do seu Concelho, foi instalada a Casa do Concelho a quem coube aprovar o Código de Posturas, com 80 artigos, para disciplinar os moradores, punir os transgressores e orientar o crescimento urbano, inclusive com regras para preservar os rios e as nascentes. Entre as normas, reprimia o batuque e o hábito de vagar pelas ruas altas horas da noite, especialmente os escravos sem o bilhete do seu senhor. A partir daí foram contratados os primeiros funcionários públicos.



Anos depois, em 1891, Conquista passou de vila a cidade, e as funções do presidente do Concelho Municipal passaram a ser exercidas por um intendente a que deram o nome de prefeito, com autonomia para governar. As ruas eram lamacentas e esburacadas, mas o primeiro intendente Joaquim Correia de Mello adotou algumas providências para melhorar o visual da cidade.



Por cerca de 100 anos, Conquista passou esquecida dos poderes públicos, contrastando com a evolução de outros centros urbanos. Segundo cronistas da época, o esquecimento se deveu mais ao fato da sua distância em relação à capital. Até os anos de 1890, as ruas eram iluminadas por lampiões a gás, depois substituído por carbureto. Só a partir de 1920 veio a energia elétrica.



A cidade só veio a sair do isolamento a partir de 1920 quando um grupo de fazendeiros e comerciantes se reuniu e fundaram um consórcio para construir uma estrada carroçável ligando até Jequié. Nessa época, o trem já existia até Jaguaquara e os trilhos avançavam às terras jequieenses. Com o passar dos anos, o aspecto urbano foi melhorando, mas o conquistense não se preocupou muito com a preservação da sua história, tanto que muitos sobrados e casarões foram sendo derrubados para dar lugar a edificações novas, como o velho barracão acolhedor de tropeiros demolido em 1913.



Para se abastecer, os conquistenses dependiam das mercadorias, transportadas no lombo dos burros, antes das cidades de São Felipe e Cachoeira, e depois vindas de Jequié (150 quilômetros). Mas, Conquista também tocava o gado trazido de Minas Gerais para abastecer o Recôncavo. Por volta de 1940 chegou a Rio-Bahia, asfaltada no início dos anos 60, no Governo de João Goulart. A partir desses anos, Vitória da Conquista não parou mais de crescer, e é hoje a capital do sudoeste e a terceira maior cidade da Bahia.

CAFÉ CLANDESTINO

Muito se fala do consumo clandestino de carne em Vitória da Conquista, com índices de até 70 a 80%. O leite e seus derivados em termos de qualidade não nos passam confiança, e nas prateleiras dos supermercados vemos muitos produtos com validade vencida sendo vendidos. O mercado de frango também não é confiável, bem como a comercialização da carne suína.
A imprensa tem, ainda de forma limitada, aberto espaços para estas questões do nosso dia-a-dia, que afetam diretamente em nossa saúde, mas quase nada tem comentado sobre o cafezinho que se toma várias vezes ao dia.
Conversando com um industrial do setor de torrefação, ele fazia um rosário de queixas contra a Vigilância Sanitária que não fiscaliza o consumo de café em Conquista. Segundo ele, mais de 60% do café consumido no município é clandestino e altamente prejudicial à saúde humana. Existem muitas "torrefadoras" clandestinas e de fundo de quintal que misturam cascas, bagaços e outros ingredientes nocivos na moagem do café.
O produto misturado é vendido em feiras livres e em até armazéns, com preços menores porque são não pagam impostos. O mindustrial traçou um quadro preocupante com relação ao consumo de café na cidade e disse que a situação é muito grave. O alerta é para as autoridades tomarem providências no sentido de proteger a saúde do cidadão e da comunidade.

MUITOS DELÍRIOS

Escreveu um leitor no espaço do jornal A Tarde de que com a vitória da Barack Obama para a presidência dos Estados Unidos, vamos ter um mundo de amor, mais fraterno, sem preconceitos e humanitário, sem arsenais bélicos. Menos, senhor leitor, menos que o andor é de carne. O que existe é muito delírio em torno de mudanças com a eleição de um negro para a Casa Branca. Aliás, Obama não é um negro legítimo, como ele mesmo diz, mas um mestiço filho de um africano com uma mulher branca.
Mas, isso não vem ao caso. A onda Obamania correu o mundo e agora que ele foi eleito, tem gente pensando que tudo vai virar um paraíso de uma hora para outra, e que as relações dos americanos com o mundo mulçumano do Oriente Médio vão ser cordiais. Como presidente do mundo - e é assim que essa imprensa coloca - as pessoas acham que as portas do mercado vão se escancarar para os menos desenvolvidos, e que a África vai receber montes de dólares. Outras acham que as guerras vão se acabar e as muralhas vão cair. Qual nada, as guerras devem mudar de campo. O novo presidente já declarou que vai entrar no Pasquitão de qualquer forma para detonar os "terroristas". O bloqueio contra Cuba vai continuar, podendo haver pequenas mudanças.
O muro de Berlim caiu, mas outros se ergueram; a guerra fria se foi, mas outras mais sangrentas se levantaram. Ninguém se iluda. Estamos num mundo pior. Qualquer americano conservador e egoísta como é vai antes de tudo defender seus interesses, principalmente agora que os EUA estão quebrados, com altos índices de desemprego(10 milhões), inflação alta e com recessão econômica. Não é bom confiar muito, pois a decepção pode ser ainda maior. Apesar de ser democrata, Obama tem facetas conservadoras. O povo americano votou mais em Obama porque já estava cheio de Busch com suas atrapalhadas. A maioria que votou em Obama para mudar, votou também contra possíveis mudanças no comportamento da sociedade, como casamento entre homossexuais, o aborto e outras leis de avanço.
Pelo andar da carruagem, pelo menos no início do seu governo, Obama vai restringir o comércio com o exterior para proteger o mercado dos EUA. O desenvolvimento gerou a miséria e a miséria está engolindo o criador. É preciso mudar de via na busca da qualidade de vida. Como afirma o filósofo francês, Edgar Marin, vivemos uma crise generalizada. Não espere tanto senhor leitor! As coisas no sistema capitalista perverso não funcionam assim. Vamos ser maos realistas e lutar para colocar nosso pirão em casa.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

UMA BIENAL AO CIRCO

É muito boa a proposta do Circo de Cultura do Sudoeste que foi realizado em Vitória da Conquista, de 31 de outubro a 2 de novembro, pelo segundo ano consecutivo. Reconhecemos o grande esforço dos idealizadores Geslaney Brito, Iara Assessú, Jarbas Andrade. Euvaldo Gomes, Yana Aparecida Luz, Eleusa Couto, Maria Fernanda Lima e Date Santana que, com pouco patrocínio da comunidade, transformaram a idéia em realidade.

Está aí o início de tudo que pode se tornar num grande evento, isto se o poder público e o setor privado entrarem firme no que tange ao financiamento. Estamos falando de grana mesmo. No embalo do Circo de Cultura pode ser também realizada a I Bienal Literária do Sudoeste. Defendo que os governos têm que subsidiar a cultura.

Para o movimento ter mais resultados práticos, precisa se pensar na divisão dos trabalhos. Quem idealiza, cria e produz, não consegue e não sabe fazer as outras etapas fundamentais do projeto, quais sejam, a divulgação e a distribuição. Na maioria das vezes, por falta de uma boa divulgação e distribuição do produto, o criador fica no meio do caminho de sua obra.

Para ser mais claro, todo projeto cultural dessa natureza, tem que ter alguém, ou uma empresa que fique responsável pela captação de recursos dos patrocinadores. É a chamada área comercial que irá viabilizar o projeto e se encarregar da parte de divulgação e distribuição. De forma nenhuma, me proponho a ensinar a quem já sabe muito bem disso. Trata-se apenas de uma observação no sentido de que o Circo de Cultura se torne no maior evento cultural do sudoeste e da Bahia.

Esperamos que as Secretarias Estadual e Municipal de Cultura, a Petrobrás, empresas e órgãos públicos se juntem à iniciativa privada para dar uma maior dimensão ao Circo de Cultura, incluindo entre as diversas linguagens artísticas, uma Bienal do Livro do Sudoeste. Não é preciso, no início, chamar medalhões de fora. Vamos valorizar os autores, os talentos regionais e do Estado, para mostrarem seus trabalhos e experiências. A entrada de nomes de fora deve acontecer naturalmente com o crescimento e divulgação do evento.

Quero ainda dizer que foi boa a idéia de incluir as diversas expressões artísticas, mas aos debates deveriam ter sido acrescentados outros temas, como a mídia (Impressa, Eletrônica e Virtual) que foi bastante criticada na Mesa Redonda sobre Produção Cultural no Planalto de Conquista, um assunto que vou me reportar mais adiante neste artigo. Tinham que ser engajados com maior ênfase a questão da Cultura Popular, o Folclore e a Fotografia. Poderia ser mais explorado o Audiovisual (foram realizados debates sobre os Cangaceiros de Glauber Rocha, a produção cinematográfica local e exibição de curtas).

Muito bem lembrado os 100 Anos da Morte de Machado de Assis, com o professor Pedro Dolabela e outros. O encontro com escritores e poetas conquistenses, oficinas para crianças, danças e, é claro, o show com os cantores e compositores locais, como Alisson Menezes, Paulo Macedo, Dão Barros, Papalo Monteiro, Walter Sales, Geslaney Brito, Quinteto de Blues, Gutemberg Vieira e outros grupos mereceram destaque e deram vida e sustentação mais ainda ao Circo de Cultura. Faltou mais divulgação e aqui a imprensa local deixou muito a desejar. Sobraram as críticas contra ela.

No debate sobre Produção Cultural no Planalto de Conquista, o professor Dirley Bonfim deu seu testemunho sobre o visível retrocesso na educação, mas apontou boa parte da sua artilharia contra a mídia que, segundo ele, manipula e impõe suas regras em interesse próprio. Disse que vivemos uma ditadura da mídia que não abre espaços para a cultura.

De fato, temos uma imprensa manipuladora, especialmente a chamada grande mídia, mas ela é só uma das crias do sistema capitalista no poder. Não existe só a ditadura da mídia. Por nossa culpa e de toda sociedade, em razão do silêncio dos intelectuais, está aí também a ditadura do ensino privado, da saúde particular, da propaganda consumista, do patrimonialismo, a ditadura dos banqueiros, financistas e dos partidos políticos. A mídia não é a única culpada de tudo. Na verdade, ela é a cara da nossa realidade de uma Nação de baixo nível cultural.

O professor baiano e presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Muniz Sodré, indagado sobre a violência generalizada, disse que a sociedade é que tem de fazer um pacto profundo e olhar as próprias vísceras, as próprias culpas, seus próprios erros, para ver se resolve isso. O mesmo vale para a questão levantada sobre a mídia. Não quer dizer que ela não seja também responsabilizada. Tem que se comprometer com os fatos sociais e entrar nesse pacto. Com relação aos partidos políticos, Muniz afirma que são máquinas burocráticas que estão ali para cumprir os ritos eleitorais.

Para ele, as esperanças desapareceram do horizonte, e o que se quer hoje é o imediato para pagar a conta dos supermercados. Ter R$100,00 ou R$120,00 vale mais que uma grande esperança que nunca vem. Na sua opinião, não existe uma política de transformação, nem de grande reforma social. Na sua visão, temos que acreditar que existe outro caminho que é o socialismo.

A juventude de hoje não quer aprender e expandir seus conhecimentos, mas apenas terminar o curso da sua área específica e entrar no mercado para fazer parte do sistema. Não se lê, e o que está do outro lado não tem interesse. Por sua vez, o governo tem na cultura uma peça decorativa que recebe restos de verbas que sobram dos outros ministérios. Os parlamentares querem as coisas como estão. O Estado continua sendo regido pelos mesmos descendentes daquelas classes sociais a quem foram dadas as capitanias gerais, como destacou o professor Muniz. A esquerda queria um Estado ideal que nunca chegou.

O secretário da Cultura, Gildelson Felício, observou que praticamente não existe imprensa escrita em Conquista. Não deixa de ser uma verdade. Ela continua refém dos poderes públicos e seu conteúdo não vai muito além da informação oficial. De um modo geral, a mídia de Conquista não se evoluiu como se esperava. Mesmo com o avanço tecnológico da computação, houve um retrocesso. Dentre as cidades do seu porte como Feira de Santana, Juazeiro, Ilhéus e Itabuna, Conquista é a única que não conta com um jornal diário.

Mesmo sem muitos recursos, Gildelson fez uma amostragem geral sobre os programas culturais e eventos desenvolvidos pela Prefeitura Municipal, mas a verdade é que ainda não temos uma política cultural definida. A I Conferência Cultural realizada pelo Estado apenas passou por aqui, e a maioria nem se lembra mais dela.