domingo, 18 de janeiro de 2009

BIG MEDIOCRIDADE

No filme o Planeta dos Macacos, se não me engano, os humanos eram aprisionados e expostos à curiosidade dos animais do seu reino. Aqui no nosso Planeta, os humanos numa casa de vidro chamam muito mais à atenção do público do que se no lugar fossem colocados os macacos. Aliás, o humano é a única espécie que coloca a própria espécie numa jaula, não apenas como punição pelos crimes cometidos, mas também para ser visto fazendo besteiras, comendo, dormindo, praticando sexo e se limpando.

É a Big Mediocridade da televisão que fatura alto num programa também chamado de Big Brother Brasil, já na sua nona edição, e com muita gente para tirar fotos, rir, gravar e achar tudo um máximo. Não me venham com essa de que a crítica é de pessoas intelectuais ou metidas a intelectuais que não sabem ver o outro lado da vida, nem conseguem se divertir e se distrair. Claro que a emissora está aí para defender o seu lado, já que está se dando bem na audiência.

Na verdade, o povo sempre gostou mesmo foi de circo que consegue abafar e fazer esquecer a miséria e os desmandos dos mandatários de uma nação. Na Roma Antiga, quando a situação entrava em decadência, imperadores mandavam construir arenas e nelas realizavam vários tipos de jogos para o povo, com destaque para a luta de gladiadores entre escravos e prisioneiros de guerra, com derramamento de sangue. A multidão entrava em delírio com os ferozes leões matando cristãos e lutadores. Tudo se resolvia, e o reino voltava à calmaria até a próxima temporada de jogos.

Aqui temos a temporada do Big Mediocridade, um programa que já caiu no gosto popular. Para fugir um pouco da monotonia, colocaram dois idosos que ainda não sentiram a ficha cair. O negócio é namorar muito, fazer sexo, pular, bater no peito como Tarzan no cipó e falar muita besteira. Tudo por um milhão de reais e 15 minutos de fama. Do outro lado, as ligações e a torcida por aquele que mais souber fazer encenação e se disfarçar num mocinho que merece o prêmio.

Será que sou frustrado, preconceituoso, empedernido, recalcado, amargo, sem neurônios e sem testosterona, incapaz de não entender o sentido da coisa? Os críticos aos programas de baixo nível nas emissoras de televisão deveriam estar enjaulados à exposição pública e apedrejados, porque são espécies exóticas, raras e extintas no mundo consumista e superficial, sem conteúdo e qualidade. São moralistas e dinossauros que não cabem mais no espaço virtual do fervente dragão tecnológico.

As críticas ao baixo nível destoam e são até contraditórias porque é justamente isso posto que mais agrada ao povo. Não por culpa dele, mas devido a falta de educação e cultura que perdura há anos no Brasil, o público adora mesmo é ver a vida dos outros devassada e explorada. Quanto mais a imagem penetrar nas vísceras sentimentais do ser humano, melhor ainda. Se for tragédia, tem que fazer chorar e derramar lágrimas. A ordem é esquadrinhar todo o corpo, o coração e a mente humana; roer o emocional até produzir o efeito de um orgasmo sexual. Depois é só jogar fora como bagaço de cana e partir para outra empreitada de gozo e espetáculo. Aliás, tudo hoje se resume em espetáculo do inusitado.

Enquanto isso, na Faixa de Gaza, espremida em 360 quilômetros quadrados de terra, os israelitas, com mais de 20 mil quilômetros quadrados de território, matam criancinhas e idosos com bombas de fósforo branco e metralhadoras. Há mais de 60 anos, só para ser mais recente, se nega a um povo o direito de ter seu Estado. O mundo não ouve os gritos, apenas sussurros, como acontece também com relação a África.

O novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama se cala, dizendo que não quer dar a impressão de que existem dois mandatários da Nação. No entanto, quando se trata de outros assuntos domésticos, como a situação da economia interna, ele opina.

Já me reportei aqui nesta coluna sobre o conflito desse povo primo descendente de Noé e Abraão. A origem das brigas remonta há séculos, mas falemos da situação mais recente. Israel e Estados Unidos só se referem aos foguetes lançados pelo Hamas, considerado um grupo fundamentalista e radical. Será que existe moral?

Se esquecem da eleição palestina em janeiro de 2006, monitorada pelos observadores internacionais e declarada como tendo sido livre. O Hamas ganhou, apesar de todos os esforços contrários dos EUA e de Israel no apoio ao presidente palestino Mahmoud Abbas, do Partido Fatah. A punição aos palestinos que votaram no Hamas foi crescente e severa. Veio como uma guilhotina em seus pescoços.

Israel desencadeou sua violência, seqüestrando lideranças eleitas e apertando o cerco através do fechamento das fronteiras. Foi cortado até o fluxo de água para a Faixa de Gaza. Tudo foi feito para o Governo não funcionar. Mesmo quando Israel aceitou o cessar-fogo, em junho de 2008, manteve o cerco ao impedir a ONU de renovar os estoques de alimentos e remédios para os palestinos.

Estão dizendo por aí que a Suástica virou Estrela de David. Pode também ser o contrário. No Oriente Médio, enquanto os judeus se entupiam de dinheiro, o povo palestino ficava com as sobras de um território que era mais seu por direito. Enquanto mais de mil palestinos morreram, 13 israelitas perderam a vida. Ainda chamam isso de guerra contra o 5º maior exército do mundo! Não existem seis milhões de palestinos para serem sacrificados. No entanto, mais de um milhão estão ameaçados de extinção.

Mas estava falando mesmo da BIG Mediocridade e terminei enveredando por um assunto pesadelo que lembra o Holocausto dos Judeus perpetrado por um ditador nazista e sua gente da Alemanha. Desculpem os leitores. É que a raça humana é assim, ligada no besteirol e desligada das atrocidades do poder ditatorial, tirano e autoritário que comanda o mundo.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

NA CASA DE JUDÁ

Vou contar uma historinha simples sobre essa intriga de séculos entre árabes palestinos e os filhos de Judá. Depois cada um tira a sua conclusão pessoal. Você mora com seu primo de descendência de Abraão numa mesma casa de seis quartos que acomodam os familiares de ambos. A vida não é uma maravilha, e as brigas entre os parentes sempre acontecem, mas nada que não se possa contornar.

Um belo dia chega um inimigo truculento e invade sua casa, colocando regras e fazendo a todos de escravos. Sua vida e a do seu primo viram um inferno. Por mais que se lute bravamente não se consegue expulsar o invasor. Seu primo, então, reúne seus familiares e parte para outras terras distantes.

Você fica na casa, conhecida como Palestina, sendo sufocado, perseguido, torturado e com suas liberdades limitadas. No exterior, seu primo e familiares perambulam por anos em territórios estranhos, também sofrendo os piores traumas da vida, expulsos de lugar em lugar, mas sempre se organizando para um dia voltar.

Podemos começar essa historinha no ano 332 Antes de Cristo quando Alexandre Magno ocupou a Judéia (sua casa e de seu primo). Mas, durante séculos e séculos, Antes e Depois de Cristo sua morada teve vários inimigos dominantes. Foi livre em 140 AC e alguns primos de gerações passadas se fixaram em sua casa.

No entanto, o grosso da família permaneceu espalhada pelo mundo, nos países da Europa, Ásia, África e Estados Unidos, sendo escorraçada na maioria dos lugares aonde chegou. O primo viveu de casa em casa alheia e boa parte de seus descendentes foi exterminada pela política de um ditador sanguinário na Alemanha, nos idos de 1939 a 1945 da Era Cristã.

Apesar de todos os contratempos, altos e baixos na história, o primo resistiu e se tornou rico, poderoso e forte, inclusive com ajuda de amigos endinheirados. Um dia, resolveu em massa fazer o retorno para casa do antigo primo e expulsar o inimigo na base da força e do terror, sofrido por ele durante séculos pelo mundo.

Para se apossar de sua parte na casa, que reivindicou como de seu legítimo direito, o primo usou de todos os meios possíveis, inclusive do apoio de uma organização chamada de ONU. Na partilha da Palestina, em 1948 ele ficou justamente com a parte histórica.

Não satisfeito com os três quartos, ele quis mais e começou a lhe espremer e a lhe esmagar pelo canto. Fez acordos com poderosos, conseguiu armamentos e foi empurrando o primo pobre, limitando as entradas da residência. Levantou uma barreira de muro para impedir o acesso de alimentos, remédios e outros produtos de sua necessidade.

Você nunca engoliu e aceitou a volta do primo e seus familiares que por anos estiveram ausentes. Mais ainda a formou como chegaram e se apoderaram do seu lugar. Você entende que eles não têm mais direito na casa.

Ai reage como pode com armas, perturbando e não deixando que ele durma em paz. O clima de brigas, mortes e assassinatos esquenta entre eles, mas o primo forte sempre leva a melhor. Não suportando mais tantos sofrimentos, parte de seus parentes constituídos resolveu partir como refugiados para outras terras, como ocorreu com os familiares do primo em épocas passadas.

Como, então, resolver essa questão da partilha na casa, com tanta desunião e desavenças? O primo teve e tem aliados potenciais e conseguiu enriquecer. Já seu povo foi relegado á miséria e, para atacar o primo, faz contrabandos e se esforça como pode para manter sua área na casa. Além do mais, é discriminado e tido como incapaz para desenvolver e progredir.

O primo cresceu e sua gente está cada vez mais se expandindo, precisando de mais terras. Sabe que precisa de mais espaço para continuar prosperando. Sua intenção, na verdade, é tomar toda casa para si.

As tensões aumentam e a carnificina é chocante. Seus familiares, inclusive crianças e idosos, estão sendo exterminados. O primo agora se considera o Todo-Poderoso e passa por cima das leis e normas. Decreta guerra quando bem quer e encerra os bombardeios quando lhe interessa, de forma unilateral e sem dar satisfação.

sábado, 10 de janeiro de 2009

OS PREDADORES

Começou a temporada de denúncias dos novos prefeitos contra os desmandos praticados por aqueles que deixaram o cargo e perderam as últimas eleições de outubro. Lembro que há quatro anos fiz o mesmo comentário no Jornal Sudoeste, de Brumado, sobre o mesmo assunto. Dentro de mais quatro anos vamos assistir ao mesmo filme sobre os predadores das prefeituras municipais e, são muitos desses que estão denunciando hoje que serão denunciados amanhã.

Com a Justiça lenta para julgar os processos e as inúmeras apelações, esses prefeitos que acham que são donos da coisa pública, sabem que não existe Lei de Responsabilidade Fiscal que resista. De acordo com reportagens que circularam na imprensa da capital nesta semana, os prefeitos corruptos estão praticando a política da “terra arrasada”, conhecida como a “herança maldita”.

Nessa ordem, teve prefeito, como no município de Almadina, na Bahia, que encontrou uma cobra coral venenosa dentro do gabinete. A bicha, ou o bicho já estava armado para dar o bote. O animal foi usado como se fosse um pistoleiro. Em pleno século XXI com uma política anacrônica, velhaca e conservadora de interesses de todos os partidos, continuamos com o cheiro nojento do coronelismo dos séculos passados.

Cofres vazios, dívidas, máquina pública sucateada, armários vazios, hospitais sem condições de funcionamento, lixo nas ruas, servidores com salários atrasados, arquivos e documentos queimados são os atos de vandalismo mais comuns deixados pelos perdedores predadores aos seus adversários políticos vencedores. O pior de tudo é que muitos desses adversários de hoje repetem a mesma cena quando perdem. Aí passam novamente a ser denunciados.

“Pense num absurdo, a Bahia tem um precedente” – dizia o ex-governador Otávio Mangabeira, para se referir aos fatos inimagináveis. Mas, Mangabeira estava enganado porque isso não acontece somente na Bahia. Ocorre, principalmente, no Nordeste, e em muitos cantos do Brasil. A promotoria da Justiça Eleitoral da Bahia reconhece que a política da terra arrasada é comum há muito tempo em prefeituras da Bahia e dos estados nordestinos.

A promotoria recomenda que os novos prefeitos que se sentirem prejudicados denunciem os atos de improbidade administrativa, mesmo admitindo que a Justiça seja lenta. As punições dos responsáveis demoram de ser efetivadas. Por outro lado, quando se trata de um correligionário que praticou as falcatruas na administração anterior, o novo prefeito procura abafar os escândalos e, mais uma vez, o povo que se dane.

Por enquanto estão sendo denunciados os casos de Almadina, Serrolândia, Santa Cruz Cabrália, Sobradinho e Muritiba, mas tem muito mais por aí, inclusive aqui na nossa região do Sudoeste. Lembro ter feito há anos muitas reportagens sobre o tema tão deplorável, e isso durante meus mais de 30 anos de prática jornalística.

Mas, passando de uma questão para outra, sem fugir, no entanto, da política das mazelas neste país de roedores onde cada um procura usar seus dentes afiados, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Conselho Corporativista, acaba de aprovar mudança na resolução sobre o teto remuneratório dos servidores públicos, o que permite aos trabalhadores do Judiciário e de outros poderes receberem acima do teto de R$24 mil. É a volta dos chamados marajás que o Fernando Collor prometeu acabar.

A Câmara dos Deputados liberou geral para os chefes de cargos do Legislativo, e tome gratificações sobre gratificações. É uma verdadeira orgia com o dinheiro público. Enquanto isso, eles brigam no Congresso para serem presidentes das Mesas Diretoras. Ninguém quer saber de Reforma Política. Para todos os partidos conluiados com o mesmo esquema, da forma como está, está bom demais.

Na outra ponta, o Supremo Tribunal Federal efetuou a compra de 55 aparelhos telefônicos criptografados no valor de R$380 mil. Os aparelhos dificultam a instalação de grampos e a gravação de conversas. Há pouco tempo, o Judiciário Baiano tentou comprar tapetes persas. É uma verdadeira devassa; é muito desperdício e dinheiro indo para o ralo. Verdadeiramente, o Brasil é uma terra arrasada pelos predadores.