quinta-feira, 29 de abril de 2010

INICIATIVAS DA CONFERÊNCIA



A criação de um grupo formado pelas universidades e faculdades com o apoio de dois voluntários internacionais, visando montar um núcleo de educação climática e a disponibilidade de recursos a serem empregados por 80 municípios da região sudoeste - foram as primeiras iniciativas da “Conferência Regional Conquista 2020 Prosperidade para uma Região Sustentável”, encerrada ontem em Vitória da Conquista, no Centro de Cultura.

Logo após os debates, em entrevista à nossa reportagem, a coordenadora do Fórum Mundial Brasil 2020 e vice-presidente da Ong State Of The Word Fórum, Emília Queiroga, anunciou essas medidas e ainda de que Conquista acaba de entrar para a rede da economia global com todas as oportunidades para gerar novos talentos no assunto das questões climáticas. “Agora começa o processo de construção de uma nova agenda de desenvolvimento sustentável para o sudoeste”- declarou Queiroga.

Ainda como resultado prático da Conferência, o grupo do Fórum e engenheiros se reuniram com o prefeito de Conquista, Guilherme Menezes, para discutir as tecnologias a serem usadas na busca de um crescimento equilibrado para o município. O evento, aberto no dia 28, foi articulado pela Prefeitura Municipal, Sebrae, Fieb/Sesi, TV Sudoeste e demais parceiros.


COM A COMUNIDADE


Sobre a Conferência Regional, a primeira a se realizar no país, disse se tratar de uma campanha que visa reduzir em 80% as emissões de carbono até 2020. Essa campanha, segundo ela, está sendo construída de forma conjunta com a comunidade e as pessoas que conseguem enxergar que esse é o caminho da prosperidade, tendo como base o desenvolvimento sustentável.

Destacou que as conferências regionais nascem através do processo de governança entre os setores públicos e privados, mas reconhece que a ação das prefeituras é essencial para o equilíbrio do meio ambiente. Informou que até 2020 serão realizados 10 fóruns mundiais (uma por ano no Brasil), além de encontros regionais que irão cobrir todo território nacional. No âmbito internacional, outros países também vão gerar regionais para consolidar a campanha.

Quanto a mudança de comportamento com relação ao consumo, a coordenadora do Fórum afirmou que a conscientização é um processo que cabe a cada um. “No momento estamos promovendo lideranças para que o cidadão procure qual seu estilo de vida, se impacta ou não no equilíbrio do meio ambiente”


Sobre a Conferência Climática de Copenhague, foi taxativa quando disse que já esperava pelo resultado negativo porque não havia consenso. Porém, de acordo com ela, a Conferência serviu para colocar a temática na agenda mundial e gerou uma ruptura de que não é preciso esperar o consenso para começar. Na sua visão, as comunidades já estão enfrentando desafios climáticos e precisam ter respostas urgentes. “O grande desafio é restaurar o equilíbrio”.


UMA NOVA CONSCIÊNCIA


O coordenador regional do Sebrae, Cláudio Cardoso comentou que a Conferência Conquista 2020, que contou com a participação de líderes climáticos mundiais, sob a organização do State Of The Word Fórum, buscou criar uma nova consciência e atitude para um mundo sustentável, propondo soluções e alternativas criativas, inclusive para lidar com as questões climáticas locais.

“Um aspecto convincente para nós do Sebrae”, conforme analisou Cláudio, foi o fato do evento ter explorado o esforço de conscientizar as pessoas para os problemas ambientais, promovendo uma mobilização efetiva de compromissos públicos e privados na implantação de novas medidas.

A participação de conferencistas internacionais apresentando tecnologias limpas bem sucedidas em vários países, para o coordenador do Sebrae, também contribuiu para o desenvolvimento de novas propostas, desde uma pequena mudança de hábito em casa, na empresa ou num projeto de interesse coletivo.

Destacou que o Sebrae oferece uma colaboração efetiva com toda uma experiência em projetos e ações nas áreas de tecnologia e inovação que ajudam no sucesso das pequenas empresas, a exemplo dos programas 5 menos que são mais, que visa orientar empresários na identificação de desperdícios nos processos produtivos, diminuindo custos de produção, aumentando a produtividade e minimizando os impactos ambientais.

Cláudio citou ainda outros projetos nessa mesma linha como PAT-Programa de Alavancagem Tecnológica, Programa Sebrae de Consultoria Tecnológica, Programa de Alimento Seguro e o de Gestão da Inovação, demonstrando que não há conflito entre lucratividade e questão ambiental.

O conferencista Eduardo Shana, diretor acadêmico do Homo Sapiens, escola de planejamento, roteirista do Planeta Tribo e redator publicitário animou o evento com uma palestra cheia de exemplos sobre as diversas formas de gestão e relacionamento das pessoas.

Segundo ele, as prefeituras representam um conjunto de sistemas responsáveis pela manutenção e conforto de uma comunidade no que tange aos resíduos, tratamento do lixo, saúde e toda uma infraestrutura para fazer acontecer o processo produtivo. Para ele, existe uma dificuldade grande em reconfigurar o modelo de gestão das prefeituras, muito engessado na burocracia, criada numa época que não é atual. No entanto, entende que existem prefeituras que estão buscando alternativas. “Só espero que não seja um processo lento para reconfigurar o planeta da forma que estamos precisando”. Em sua opinião, as mudanças climáticas dependem da conscientização das pessoas. Eduardo disse que existem duas maneiras de se aprender: no amor e na dor.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

CONQUISTA 2020 NO CLIMA


A natureza está controlando todos nós e nunca tivemos uma crise climática nessa escala que a humanidade está atravessando – advertiu o presidente da Ong State Of The World Fórum, Jim Garrison, que abriu ontem no Centro de Cultura de Vitória da Conquista a Conferência Regional da Campanha Liderança Climática Brasil 2020.

Conquista é a primeira cidade do Brasil a organizar a Campanha com o tema “Conquista 2020 – Prosperidade para uma Região Sustentável”, articulada pela Prefeitura Municipal, Sebrae/Bahia (Coordenação Regional), Fieb/Sesi, TV Sudoeste e demais empresas do setor público e privado do município.

O evento prossegue hoje no Centro de Cultura com a discussão de diversos assuntos relacionados com a questão climática, visando a sustentabilidade da região sudoeste, com encerramento previsto para 19 horas.

A inauguração da Conferência ontem à noite contou ainda com as presenças do prefeito Guilherme Menezes, do coordenador regional do Sebrae, Cláudio Cardoso, diretor da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais (SEI) da Secretaria de Planejamento do Estado, Geraldo Reis e demais autoridades.

Além de apresentações artísticas, o público de mais de 800 pessoas, constituído de estudantes, professores, técnicos e da comunidade em geral, assistiu a um vídeo da Rede Bahia de Televisão sobre as diversas formas de agressões contra a natureza e as consequências ao meio ambiente.


MOMENTO HISTÓRICO


Na abertura dos trabalhos, o presidente da Ong State Of The World, Jim Garrison, destacou o momento atual vivido pela humanidade diante das mudanças climáticas e disse que o “Fórum Brasil 2020”, a partir da Conferência Regional em Conquista, representa um momento histórico e um desafio para superação dos problemas.

Advertiu que o homem está contribuindo cada vez mais para o aquecimento global e apontou ser necessária a adoção de tecnologias adequadas e de mudanças de comportamento no ato de consumir. Ressaltou que onde havia água no planeta está havendo seca, a exemplo da Califórnia nos Estados Unidos, e também “aqui na região sudoeste”.

Jim Garrison pintou um quadro de devastação se dentro de quatro anos a humanidade não tomar providências para mudar a situação climática. Chamou a atenção para que cada pessoa ali comece entender o que vamos enfrentar no futuro. “Cada um tem a responsabilidade de desenvolver estilos sustentáveis” – disse, ao acrescentar que, infelizmente, não está se implementando soluções de mudanças, como o uso de tecnologias adequadas.

Ao prognosticar o declínio da liderança dos Estados Unidos, declarou que o Brasil é um dos países que mais apresenta uma linha de princípios coerentes com os objetivos que se pretende em termos de desenvolvimento sustentável. Por fim, afirmou que Conquista como pólo de desenvolvimento que abrange 80 municípios e mais de dois milhões de habitantes, a partir da Conferência Regional, pode se tornar modelo para o Brasil.


ESCASSEZ DE LIDERANÇA E CONSUMISMO


Também falou na abertura da Conferência Regional, a coordenadora do Fórum Mundial de Liderança Climática Brasil 2020 e vice-presidente do Instituto State Of The World Fórum, Emília Queiroga, conclamando a união de todos os setores para o fortalecimento da Campanha Liderança Climática Conquista 2020.

O economista da SEI, Geraldo Reis assinalou que a crise não é somente climática, mas também de alimentos e geopolítica. Reis comparou o mundo de hoje como um avião desgovernado onde existe escassez de lideranças. “Estamos no fechamento de um grande ciclo e precisamos imediatamente rever os conceitos de progresso voltado para o consumismo”.

O prefeito Guilherme Menezes deu o mesmo tom do diretor da SEI ao criticar o comportamento das pessoas como meros consumidores. Falou também da crise de moral e ética que exige mudanças de valores. Segundo o prefeito, é preciso transformar os modelos de desenvolvimento e mudar os padrões de consumo. Conclui dizendo que Conquista está entre as 10% das cidades brasileiras que mais conta com ferramentas em nível de órgãos implantados para preservação do meio ambiente.

A Conferência continua hoje no Centro de Cultura com a realização de diversos painéis, como Economia Sustentável e Políticas Públicas, Prosperidade no Setor Produtivo e Ciência e Desenvolvimento da Prosperidade Climática. Após os painéis, vários grupos de trabalho vão se reunir para debater questões como Ecodesenvolvimento e Empreendedorismo Sustentável, Tecnologias Limpas, Educação Ambiental, Desmatamento e Políticas de Reflorestamento e Metodologias Aplicadas ao Desenvolvimento.

O Fórum Mundial visa, sobretudo, a redução de até 80% das emissões de carbono na atmosfera até 2020. A Conferencia Regional de Conquista é uma antecipação do Fórum Brasil 2020 que será realizado agora em maio no município baiano de Mata de São João.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

MUNDO EM CHAMAS


“Acordem, o mundo está em chamas,” do poeta Beat, Lawrence Ferlinghetti. Dito por mim não tem a mesma força, mas, mesmo assim, ninguém quer escutar. Só os falsos deuses de ouro são obedecidos, adorados e venerados.

Alô, alô seu Marciano! Por que não voa mais sobre a terra e não pousa mais sua nave circular em nosso planeta de florestas, rios e montanhas?

Alô, alô Terráqueo idiota e estúpido, observe suas entranhas! Tudo isso está se acabando. Seu planeta está sujo e cheira mal. Seu mundo está em chamas e não dá mais para aterrissar nesse chão de crateras. Prefiro ficar voando entre estrelas e galáxias do que cair nesse lixo de bilhões de celulares, aparelhos inúteis, latas enferrujadas, destroços, plásticos e tubos.

Oh, Marciano! Também não precisa ofender. Nossa raça evoluiu e criou máquinas sofisticadas, bebês de laboratório e tecnologia de ponta para desvendar nossa origem. Nosso povo está querendo ser Deus e revelar os mistérios da vida e do universo.

É Terráqueo convencido e exterminador, quando estivemos por aí percebemos toda essa ilusão. Sua gente criou gerações confusas e infelizes. Tentamos avisar, mas ninguém quis nos ouvir. Com suas invenções, cobriram rios com concreto para tapar a sujeira; furaram toda terra como predadores; e derrubaram as árvores.

Mas Marciano! Temos o lado bom. Inventamos o progresso que oferece conforto e bem-estar à humanidade. Cobrimos os céus com pássaros voadores. Temos edifícios suntuosos, conexões velozes e possantes máquinas guiadas por nós.

Quanta bobagem, Terráqueo primitivo! Vocês não têm nem tempo para a felicidade. Criaram a ganância, a luxúria, a competição desenfreada para consumir porcarias como se fossem eternos. Olhem em seu redor: máquinas de destruição, bombas por todo lado e muralhas que se separam.
Marciano! Você deve estar com inveja do nosso planeta rico e poderoso.

É de fazer rir, Terráqueo panaca! Nós também nos destruímos e hoje estamos vagando no vazio imenso dos planetas, sem finito. Vocês da terra não conseguem comandar a si mesmos. Só sugaram as riquezas e não têm mais lugar para vomitar e defecar. Com seu capital nojento, só fizeram excluir, matar e deixar mais de um bilhão na miséria extrema. As pragas se espalham por todo canto.

É isso aí seus Terráqueos de merda! Vocês estão mesmo ferrados com suas fronteiras de muros e cercas elétricas que só resultaram em ódio, discriminação, matanças por todos os lados. Vocês não evoluíram nada e ainda continuam roendo o próprio rabo.

Pare de zombar, seu Marciano! Pare de voar na velocidade da luz! Dê uma freada e aqui uma parada. Vamos tentar consertar. Temos projetos para recuperar e acalmar a natureza.

A moradia de vocês treme nas profundezas; lança chamas de fogo e cinzas; inunda planícies e planaltos; derruba morros; levanta mares; torce e engole prédios com seus ventos raivosos como monstros gigantes da mitologia. Os deuses estão enfurecidos e vocês não sabem mais orar.
Seu Marciano! Estamos negociando e ganhando tempo para lucrar mais um pouco. Precisamos acumular e explorar. A camada ainda dá.

Cala a boca Terráqueo embusteiro, enganador e mentiroso! Gritou raivoso o Marciano, sabendo que o Terráqueo não quer mais parar, nem voltar atrás do que já fez e ainda fará.

Seu jogo é tentar tapiar a natureza como se ela fosse inesgotável. Ela é mansa, cordial e meiga, mas não atura ofensas duradouras e repetidas – pensou consigo mesmo o velho Marciano, depois de uma parada mirando a cara safada e sem vergonha do Terráqueo.

Vocês da Terra – bradou o Marciano - ficam enrolando com a tal de exploração sustentável, com selo preservação, troca de um esquisito carbono e fazendo uns remendos ali e acolá, mas continuam jogando gases mortíferos no ar, se empanturrando de bugigangas, dando umas migalhas aos miseráveis, escravizando os fracos, fabricando bombas nucleares e correndo como malucos atrás do deus dinheiro. Pelo que vejo, não tem mais volta, nem na paz, nem na guerra.

Com o olho maior que a barriga e a ganância de um devorador, o guloso termina morrendo pela boca – raciocinou o Marciano a respeito do Terráqueo, estúpido demais para se salvar da aniquilação total. Os falsos profetas e cordeiros de Deus engrossam as fileiras dos pecadores.

Navegando nos espaços siderais, o Marciano se desvia ao se aproximar dos terráqueos e sente que o caldeirão ferve e pode explodir de tanta pressão.

Alô Terráqueo solitário e egoísta! Vou desligar para você ficar com sua porcaria de computador a quem o tem como fiel amigo e companheiro. Essa parafernália não é sua vida? Você está morrendo sufocado pela poeira vulgar. Seu jardim está fedendo de xixi e cocô de ratos calungas. Seu planeta está infestado de piolhos e pulgas.

Não ligue mais para me incomodar. Daqui do alto já dá para ver uma nuvem de fumaça cobrindo todo o azul. Adeus Terráqueo, quem sabe, um dia eu posso voltar. Não vai ter outro paraíso sujar.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

LEGALIZAÇÃO DOS AUTÔNOMOS




Depois de 42 anos de atividades na praça de Vitória da Conquista seu José Orlando, de 59 anos, mais conhecido por todos como “José das Chaves,” resolveu sair da informalidade e se cadastrar como empreendedor individual, com direito à Previdência Social e nota fiscal com CNPJ para vender e comprar suas mercadorias.


Seu Marcos Jesus Silva, na profissão de técnico em eletrônica há 20 anos, foi mais apressado, sendo um dos primeiros, em Conquista, a aderir, em 9 de fevereiro, à lei do governo federal. Um dia após o Sebrae/Bahia – Coordenação Regional do Sudoeste - disponibilizar o acesso na Internet e começar a atender os microempresários em seu escritório, o técnico estava lá para conferir seu registro.



AUMENTO DA DEMANDA



De lá para cá as notícias foram passando de boca em boca e a demanda por informações e interesse pela legalização só tem aumentado no Sebrae, requerendo mais esforços no atendimento, inclusive dos 48 escritórios de contabilidade de Conquista que estão credenciados na lista do MEI (Microempreendedor Individual) para fazer o registro dos autônomos, sem nenhum custo.


Não existem dados precisos, mas estima-se que em Conquista, com mais de 300 mil habitantes, existam entre 15 a 20 mil pessoas autônomas trabalhando na informalidade. Desde fevereiro, somente o escritório da Coordenação Regional do Sebrae já atendeu cerca de 300 microempresários. No entanto, calcula-se que mais de mil já entraram na formalização.


Para facilitar mais ainda a legalização dos informais, sobretudo quanto aos alvarás de funcionamento, em breve a Prefeitura Municipal de Conquista estará enviando para a Câmara de Vereadores o projeto-de-lei que irá regulamentar a Lei Geral das Microempresas. Na Feira Coopmac-Sebrae, no final de março, o vice-prefeito, Ricardo Marques, garantiu que o projeto já está pronto para ser encaminhado.


Ficar legal, contar com uma nota fiscal e poder participar da Previdência Social foram os pontos que mais pesaram quando “José das Chaves”, com orientação de seu contador, decidiu aderir à lei do Empreendedor Individual.


De volta ao seu ofício, há 25 anos só no ponto do Terminal de Ônibus da Laura de Freitas, seu José disse, enquanto atendia aos clientes, que agora podia vender e comprar seus produtos com mais tranquilidade. O movimento é intenso e não dá para ficar conversando muito. Só afirmou que é bom atuar de forma legal e que agora quer também prestar serviços para empresas, com mais gente trabalhando com ele.


O técnico em eletrônica que atua na avenida Presidente Vargas, 596 informou que por trabalhar na informalidade por muito tempo deixou de prestar serviços e ganhar dinheiro das empresas EBDA e da Coelba porque exigiram notas fiscais. Além da eletrônica, Marcos Jesus também é eletricista e adiantou que agora vai puder pegar um serviço na área de eletrificação rural já que tem nota fiscal.


A Previdência Social foi outro benefício da lei que levou o técnico a se legalizar, mas confessou que seguiu também a informação de colegas de que era bom se legalizar para aumentar sua clientela e seus negócios.



OUTROS SETORES



Na área de alimentos, especialmente no ramo de biscoitos, há cinco anos que Rosenilde da Silva tem seu próprio negócio no Bairro Brasil, na avenida Maceió, 965, mas atuava na informalidade. Ela também se legalizou com ajuda do escritório do Sebrae e revelou que tudo foi muito fácil e rápido. Sua intenção agora é aumentar sua quitanda e pagar por ano um imposto único de R$61,10.


O chaveiro Alan Robson, há 12 anos na área, tem um ponto em frente do Hospital São Vicente (rua Horcílio Lima) e informou que já trabalhava com nota fiscal, mas quando foi renovar o alvará, a Prefeitura Municipal o orientou para que procurasse o Sebrae para se cadastrar como empreendedor individual. Foi o que fez Alan e depois saiu contente com os benefícios que a lei lhe assegura.


Microempresários do ramo de confecções também estão procurando os escritórios de contabilidade e o Sebrae para se informar e aderir à lei do Empreendedor Individual. A vice-presidente do Sindicato dos Contadores e Técnicos em Contabilidade de Vitória da Conquista, Maria das Graças, destacou que a demanda tem ultrapassado as expectativas. Segundo ela, a lei vai contribuir em muito para o desenvolvimento da economia do município em futuro próximo por causa da legalização.


Além dos escritórios de contabilidade credenciados e do Sebrae, a formalização do trabalhador autônomo pode ser feita também através do site http://www.portaldoempreendedor.gov.br/ Para realizar o cadastro é necessário que o profissional não fature mais que R$36 mil por ano e não tenha participação em outra empresa como sócio ou titular.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

DIPLOMA NÃO SER PRA NADA?


A arrogância e a prepotência estão entranhadas no seio do jornalismo brasileiro, especialmente da parte daqueles “representantes” mais antigos que se acham estrelas e se sentem donos da verdade.

Que cara é esse que diz que toda imprensa no Brasil é medíocre, particularmente os jornais; que não se aprende nada nas escolas de jornalismo; e que somente a Carta Capital sabe escrever; lidar com o vernáculo; não omite e nem mente? É muita presunção.

Esse cara é o diretor-redator da revista Carta Capital, Mino Carta, que é aplaudido e tido como o Papa do jornalismo brasileiro. Na terra de cego... É o cara convidado para palestras nas próprias escolas de Jornalismo e que enche auditórios de estudantes.

É o mesmo cara que chama as estudantes de Comunicação da UFBA simplesmente de meninas que fazem perguntas bobas e burras sobre censura de imprensa no Brasil. Para ele, nunca houve censura, a não ser para os veículos mais corajosos, e todos batem palmas e concordam.

É o cara que trabalhou na Veja, mas hoje diz que o veículo é um desastre e vulgar, onde existe um bando de facínoras. É o cara admirado que diz que o jornal Folha de São Paulo é partidário, mas não admite que a Carta Capital também é quando ele mesmo afirma que apóia o PT porque acha um bom governo. Só ele tem a verdade?

Segundo ele, a imprensa brasileira dá medo, menos a Carta Capital. Mesmo assim, tem alguns pontos em que concordo com a “sumidade” em sua entrevista que deu ao jornal A Tarde quando da sua visita a Salvador para mais uma palestra, para os estudantes de Jornalismo.

Não é uma ironia? A impressão que passa é que os estudantes são masoquistas e acolhem de braços abertos quem nega a importância do Diploma e da formação acadêmica.

Concordo quando se refere ao conservadorismo na imprensa. Não concordo com o apóio declarado ao PT (seja o partido que for), alegando simplesmente que a importância é moral. E como fica o seu leitor? Imprensa não tem que declarar apoio a candidato nenhum.

Se existe imparcialidade falsa como afirma, aí é outra coisa para ser discutida. Não concordo, sr. Mino Carta, em chamar o antropólogo Roberto Da Mata de burro e hipócrita quando disse que a esquerda ao subir ao poder passou a fazer a mesma coisa da direita.. Até concordo com o cara de que a esquerda no Brasil não existe.

Não dá para generalizar de que todo jornalismo no Brasil é medíocre, menos a Carta Capital “que sabe escrever bem”. Até concordo que a burguesia aristocrata é medíocre, bem como, boa parte da mídia.

Concordo de que a Internet está afastando as pessoas do convívio humano e que a maioria está mais atrás de besteiras. Concordo também de que a Internet é um instrumento nas mãos dos covardes que ofendem os outros e se escondem através de codinomes.

Sr. Mino Carta, o ensino universitário, como o todo da educação no Brasil, é deficitário, mas isso não significa dizer que nada se aprende nas escolas de Jornalismo. Pare de esculhambar, por onde passa, com o Diploma de Jornalismo e declarar que não serve para nada. Tudo bem que o jornalista precisa ler muito, mas isso somente não basta.

Cada um tem o direito de contestar, apontar falhas e criticar, mas não pode simplesmente descaracterizar, radicalizar e menosprezar a formação acadêmica de uma profissão que requer conhecimento, conteúdo e ética. Não é apenas dizer que nada se aprende nas escolas. Será que ele pensa que é Deus?

Infelizmente, são essas pessoas as primeiras a serem lembradas pelas escolas de Jornalismo para proferir uma palestra quando se organiza um Seminário de Comunicação. Precisamos aprender a nos respeitar e a valorizarmos bem mais a profissão que exercemos, defendendo com toda garra a obrigatoriedade do Diploma como existe para o Direito, a Medicina, Engenharia e para outras tantas atividades. Mais respeito, sr. Mino!

segunda-feira, 19 de abril de 2010

DESAFIO NO SUDOESTE


A Coordenação Regional do Sebrae em Vitória da Conquista conseguiu inscrever 938 estudantes de diversas áreas do ensino universitário no programa “Desafio Sebrae”, computando o maior número em relação a outras regiões da Bahia. A Regional Sudoeste engloba os municípios e microrregiões de Jequié, Brumado, Itapetinga e Guanambi.

Entre as instituições particulares, a Fainor (Faculdade Independente do Nordeste) foi a líder de todo interior, com 402 inscrições, e entre as universidades públicas, o desempenho de primeiro lugar ficou para a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb, com 178 adesões.


Fainor


Criada em 2001, a Fainor, com mais de dois mil alunos, conta hoje com oito cursos de graduação, cinco de pós-graduação e dois mestrados (Física e Matemática) para serem implantados ainda neste ano em parceria com a Universidade Federal e a Estadual da Paraíba.

Em graduação são ministrados os cursos de Engenharia de Contábeis, da Computação, Direito, Administração, Ciências Contábeis, Fisioterapia, Enfermagem e Farmácia. Existe projeto para em breve serem instalados os cursos de Odontologia, Arquitetura e Engenharia da Produção.

Abrangendo 80 municípios da região sudoeste e norte de Minas Gerais, o professor da Fainor, Itamar Figueiredo, disse ser muito importante a participação dos alunos no “Desafio Sebrae”, pois se trata de um programa que ensina o estudante a se exercitar para a prática do empreendedorismo.

Essa parceria com o Sebrae, em sua opinião, só fortalece a instituição que já é conceituada na Bahia e está entre as melhores nos concursos dos alunos. As áreas de contábeis e administração foram as áreas que mais inscreveram alunos no “Desafio Sebrae”.


A UESB


Com três campi (Conquista, Jequié e Itapetinga) e cerca de 30 cursos, a Uesb foi criada em 1980 e vem expandindo suas ações em pesquisas através de projetos em benefício da comunidade, incrementando a economia na região sudoeste. Pouco mais de 50% dos alunos são originários de outros municípios e estados como Minas Gerais, Espírito Santos, Sergipe, Alagoas e Pernambuco, trazendo para a cidade uma grande injeção de recursos, com a ampliação de diversas atividades como da construção civil e do comércio.

A gerente de Extensão e Assuntos Culturais da Uesb, Maria Honorina Bitencourt afirmou que o “Desafio Sebrae” funciona como se fosse um laboratório de aprendizagem para os estudantes. Outro aspecto, segundo ela, é o espírito de coletividade que o programa passa para os estudantes, pois eles vão trabalhar em equipes. “A questão da coletividade é o desafio para vencer barreiras”.

Não é a primeira vez que a universidade estadual participa do “Desafio Sebrae”, mas neste ano com mais intensidade e vibração, com boas equipes dos cursos de Economia, Administração e até de História.Os competidores esperam sair vitoriosos na etapa da Bahia para passar para a disputa nacional.


O Desafio no Sudoeste


O “Desafio Sebrae”, como explica o coordenador regional do órgão em Vitória da Conquista, Cláudio Cardoso, é uma competição internacional, que ocorre praticamente em todos os países da América Latina. O programa é voltado, exclusivamente, para estudantes universitários e simula uma concorrência entre empresas de um mercado virtual.

Esclareceu também que a competição utiliza uma metodologia de jogos empresariais. Segundo Cláudio, o jogo é funcional, interativo, moderno e em 3D, onde os estudantes, através de um software e de um manual exclusivo, simulam a administração de uma empresa e alcançam sempre bons resultados, além de estimular o empreendedorismo.

Assegura ainda que o programa contribui também para difundir conceitos valiosos para a vida dos estudantes, como sustentabilidade, ética, cooperação e, sobretudo, competitividade. Nesta 11ª edição o objetivo do jogo é administrar uma fabrica de instrumentos musicais, em que os estudantes tomarão decisões relacionadas a estratégia empresarial, marketing, finanças, custos, produção, planejamento, consultoria empresarial, investimentos, treinamento e contratação.

Na região sudoeste foi adotada uma estratégia de parceria com as instituições de ensino superior, visando incrementar as inscrições em Vitória da Conquista, Jequié, Itapetinga, Guanambi, Brumado e Ipiaú. A campanha contou com apoio de diretores, coordenadores de cursos e professores.

A Faculdade e a Universidade Estadual que alcançarem o maior numero de inscritos serão homenageados. A equipe vencedora ganhará uma viagem para um grande centro tecnológico da Espanha.



























quarta-feira, 14 de abril de 2010

SEM ESSA DE MONSTRO


O jornalista, radialista ou apresentador de um programa no exercício de sua profissão, em nome do poder da imprensa, não pode, não tem o direito e nem deve chamar de monstro a pessoa que praticou um crime, por mais bárbaro e cruel que ele seja. Esse tipo de comportamento, querendo ser o próprio Deus, demonstra arrogância, prepotência e pedantismo da mídia que acha que tudo pode.

A função do jornalismo não é de julgar, dar sentença e condenar, mas de informar, denunciar, investigar e até interpretar e comentar, se for o caso. Seu papel é apurar os fatos e divulgar a notícia. O público não pode ser instigado a cometer atos e atentados para praticar justiça com as próprias mãos. Não se pode cometer absurdos em nome da liberdade de imprensa.

Não cabe ao jornalista ou apresentador de uma TV chamar de monstro um criminoso estuprador de meninos. Quer queira quer não, trata-se de um ser humano. Chamá-lo simplesmente de monstro é um procedimento antiético, uma atitude raivosa e desequilibrada emocionalmente.

Nem a Justiça no seu veredicto trata o criminoso, qualquer que seja a barbaridade, de monstro. Na minha longa vida profissional, já vi repórter fazer o papel de policial e tratar o entrevistado de bandido, marginal e até dar voz de prisão. Além de degradante para um jornalista, considero um desvio de conduta profissional e moral. O pior é que tudo isso é feito com as classes mais baixas.

Antes de tudo, o profissional da imprensa não deve fazer julgamentos pessoais e destilar toda sua raiva quando no exercício do seu trabalho. Como ser humano, fora da sua atuação profissional, pode se expressar como quiser e até marcar sua posição política, social ou religiosa. Escrevendo ou apresentando a notícia, a sociedade espera dele equilíbrio, controle emocional e ponderação.

Dizem que o advogado acha que é Deus, mas o jornalista tem certeza que é. Quando ele se arvora a ser Deus e aponta seu dedo de exterminador, foge de sua responsabilidade ética e ultrapassa os limites da liberdade de imprensa e expressão. O abuso da liberdade significa perda do direito de defendê-la. Então, ele passa a ser visto pela opinião pública como um arrogante, vaidoso e sem credibilidade.

Não estou aqui para dar lição de moral, mesmo porque sou humano e tenho meus erros. Apenas estou dando meu humilde ponto de vista sobre o papel da mídia que deve passar seriedade e respeito no tratamento com qualquer um que seja.

O controle externo da comunidade para os excessos da mídia não significa censura e quebra da democracia como propagam os donos de veículos e muitos profissionais. É por isso que defendo a criação do Conselho Federal de Jornalismo ou o fortalecimento da Comissão de Comunicação Social, para evitar aberrações e violações dos direitos humanos.

A função de sentença e condenação é da Justiça, com base nas leis. Se elas são frágeis, aí é outro problema. Podemos criticar e denunciar a impunidade e até mostrar os erros da Justiça, mas o jornalista não pode no seu veículo descarregar toda sua fúria emocional e chamar um criminoso de monstro.

Já imaginou se os profissionais da imprensa no exercício de suas atividades procedessem da mesma forma daquela gente curiosa que querendo aparecer na imagem foi para a porta do Fórum xingar, falar palavrões e até tentar linchar o casal Nardoni?

Outro fato deplorável que nos chama a atenção no meio jornalístico é o tratamento diferenciado que a nossa imprensa capitalista dar ao rico e ao pobre. O preso comum é violado nos seus direitos de defesa e antes de ser julgado é execrado e condenado. Os direitos humanos deveriam ser igualitários.

Quando um juiz atropela uma pessoa ao cometer uma infração de trânsito, ele se protege nas brechas das leis e se reserva no direito de não falar á imprensa. Quando acontece o mesmo caso com um simples cidadão trabalhador, sua foto e imagem são logo estampadas em toda mídia que procura arrancar uma entrevista conduzida.

O marginal comum, muitas vezes, é forçado a falar, e a mídia não mede as consequências, mesmo quando existe exagero nas informações. O pobre que não tem o amparo da lei, nem recursos financeiros, é logo massacrado e trucidado até com calúnias, injúrias e difamações.

Quando se trata de gente da alta classe, toda poderosa, a imprensa teme um processo e procura dar os fatos com mais cuidado. Existem casos, por exemplo, de pedofilia e estupro na alta sociedade que nem chegam a ser divulgados. As camadas sociais mais pobres estão vulneráveis à ação do poder da mídia alta, além de temer e nem saber a quem apelar para defender seus direitos.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

ESTIMA EM BAIXA


Não vi nem li em nenhum veículo de comunicação um comentário, uma notícia ou referência sobre o Dia do Jornalista que se passou no dia 7 de abril (quinta-feira) em homenagem à fundação da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) no ano de 1908. Será que é sinal de baixa estima em que vive a categoria depois de, equivocadamente, o Supremo Tribunal Federal ter suspenso a obrigatoriedade do diploma?

Bem que esse fato poderia ser motivo de se comemorar o dia com campanhas e manifestações de protesto por ter o Supremo confundido liberdade de expressão com qualificação profissional que se exige nos tempos atuais em qualquer área de trabalho. É lamentável ver uma profissão tão nobre que não consegue se reunir, pelo menos na homenagem ao seu dia, para discutir e debater seus problemas.

O escritor Gabriel Garcia Márquez disse certa vez que o jornalismo é a melhor profissão do mundo. Também concordo porque o jornalista é um operário especializado da notícia que tem por obrigação possuir um vasto conhecimento de vidas diferentes e complexas, para passar informações corretas, responsáveis e com qualidade e conteúdo.

Jornalismo é a arte de viver cenas diferentes e saber passar e interpretar a existência de cada uma delas, sem deturpar e distorcer. O jornalista precisa estar munido de informações variadas do conhecimento para saber pintar o seu quadro do dia-a-dia que retrate a realidade, mesmo que as cores sejam diferentes um do outro.

É uma profissão que deve ser o espelho da sociedade, principalmente, quando mais ela precisa de uma voz que a defenda. Para que a imprensa seja vista com respeito e com credibilidade, o jornalista deve ter uma formação acadêmica que lhe passe não só uma gama de conhecimento, mas, acima de tudo, ética e seriedade naquilo que faz. Sempre digo que sem responsabilidade não se pode defender liberdade de imprensa.

Depois de quase 40 anos de profissão – entrei na Faculdade de Comunicação-Facom da Universidade Federal da Bahia em 1970 – confesso que fico triste quando vejo a categoria dispersa e cada vez mais individualista, sem uma representação forte que, ao menos, reúna seus colegas para comemorar seu dia, debatendo as questões mais importantes da classe.

Naquela época na Bahia só existia uma escola com habilitação em Jornalismo. Naquela época ainda existia um ranço do jornalismo romântico, praticado por antigos profissionais que vieram de outras áreas do ensino, sobretudo do Direito. Mal ou bem, o jornalismo foi regulamentado pela Resolução de 1969 do regime militar, preservando os antigos que já atuavam no setor, mas determinando que onde houvesse faculdade a empresa desse prioridade ao diplomado.

Não se trata aqui da questão de reserva de mercado, mas de se estabelecer a formação profissional para uma categoria, tão importante como a medicina, a psicologia, a biotecnologia, a engenharia, dentre outros ramos do ensino. A extinção do diploma para o jornalismo tornou-se uma não profissão onde qualquer um pode exercer. Por isso é que todo mundo hoje é jornalista e se acha entendido no assunto, bastando para tanto fazer um comentário num simples informativo.

Na virada dos anos 70 para 80 houve uma proliferação de faculdades de jornalismo atraídas pelo simples glamour de ser jornalista, sem uma contrapartida do mercado. Por sua vez, muitas escolas foram implantadas sem condições de oferecer uma boa formação acadêmica. Além do mais, o profissional continua a trabalhar em condições precárias, acima da sua jornada de atividade e com salários baixos.

Talvez essa vaidade do glamour tenha deixado no jovem a sensação de que ele era um ente todo especial em relação às outras categorias. Faltou nos recém formados a conscientização de que o jornalista é também um operário qualificado que precisa lutar pela sua valorização, especialmente na defesa de seu diploma e por melhores ganhos. A ausência de um sindicato forte também contribuiu para esta situação como a que vemos atualmente.

Infelizmente, o que se percebe hoje é uma baixa estima na categoria; uma perda de identidade; de orgulho; e um clima de decepção e frustração por parte de diversos colegas, especialmente da nova geração. Exerci e ainda exerço minha profissão com muito orgulho, pois foi somente dela que tirei todo meu sustento e da minha família, mas nos últimos anos venho acompanhando esse desmoramento e essa desintegração com muito pesar.

Uma coisa é qualificação e formação profissional e outra coisa é o princípio constitucional da liberdade de imprensa e expressão, mas, o Supremo não viu assim e resolveu derrubar a obrigatoriedade do diploma. Aí a grande mídia empresarial confunde a sociedade com esse argumento de que a não exigência do diploma significa preservação da democracia. Ao contrário, só podemos aprimorar essa democracia através de mais conhecimento e saber científico.

Bem, o meu propósito, na verdade, é registrar aqui meu sentimento quanto a questão da valorização da classe que está se esvaindo. É dizer que devemos recuperar a autoestima e o orgulho. O que está em jogo neste momento é muito mais que emprego e salário. O que mais me preocupa é que o joio está prevalecendo e sufocando o trigo. O que mais me deixa atormentado é a falta de discussão, de união, de ações efetivas e que, pelo menos, o Dia Jornalista seja lembrado.

Por outro lado, quero também deixar registrado que somos operários qualificados da notícia e, como tal, nossa data de comemoração deveria ser em junho em homenagem ao “Correio Brasiliense”, embora impresso em Londres, começou a circular aqui em 1808. Antes a data era 10 de setembro, aniversário do surgimento da “Gazeta do Rio de Janeiro”, primeiro veículo impresso com a chegada da Família Real ao Brasil.

Nada contra a ABI, mas trata-se de uma organização patronal. Mais uma vez, alerto que precisamos nos valorizar como operários, sem arrogância e pedantismo de que somos o próprio Deus, e brigar pelos nossos direitos, sem aquele glamour e romantismo de antigamente. Pena que não estamos conseguindo nem comemorar nosso dia.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

A ESTUPIDEZ DAS TRAGÉDIAS


Não é preciso ser técnico, especialista, geógrafo, urbanista, ambientalista ou qualquer coisa parecida para saber que a grande maioria das habitações nos morros no Rio de Janeiro, Niterói, Santa Catarina, Salvador, ou em qualquer parte do mundo, está localizada em áreas de risco e desmoronamento. E quem são os responsáveis pela estupidez das tragédias que ocorrem quando chegam a temporada das águas e as tempestades? Isso também não é preciso ser especialista para saber.

São os governantes passados e os atuais, com aparência de condoídos, que aparecem nos locais com a maior cara de pau e cinismo, para mostrarem para a população de que estão preocupados. E aí dizem que estão tomando todas as providências e, com o mesmo descaramento, recomendam aos moradores que deixem suas casas. Qual moral têm esses caras assassinos irresponsáveis de dar orientações e ordens depois dos estragos? Se tivessem vergonha na cara não deveriam nem aparecer.

Basta acontecer uma catástrofe, e sempre tem uma atrás da outra, para os governos federal, estadual e municipal impressionarem a todos com a “liberação” de milhões e bilhões de reais para o socorro das vítimas. O dinheiro se perde no meio do caminho. O mínimo que fazem é amontoar os desabrigados em escolas, ginásios de esportes e creches, em condições degradantes e repugnantes.

A mídia corre apressada e faz seu espetáculo de compaixão e lágrimas. Muito choro num cenário devastador de perdas humanas que sempre viveram na miséria dos morros, vulneráveis aos traficantes. Começam a chegar os donativos – alimentos, remédios, roupas, sapatos e até brinquedos – de todas as partes do país. É a expressão da solidariedade que está sempre se repetindo em nossas vidas em pequenos intervalos de tempo.

Aí, vem a estiagem; o tempo passa; a imprensa vai cobrir outro espetáculo de mortes e desgraças em outro lugar; e os governantes continuam impunes fazendo suas sacanagens com o povo. Os milhões de reais desaparecem e nada de obras de habitação em locais seguros. Os candangos continuam trepados nos morros que vão deslizar nas próximas chuvas. As ações contra as irregularidades são arquivadas e esquecidas.

Os filmes se repetem nas próximas temporadas de chuvas, e aí, lá estão novamente eles (governantes) no pé dos morros “tomando as providências” e fazendo recomendações. Lá vêm as doações e os jornalistas para fazerem suas coberturas de dores. Assim, sucessivamente, a estupidez das tragédias vai se alternando como se já fizesse parte do nosso cotidiano.

O cenário de terror ainda é preenchido com o lento socorro às vítimas por parte das coordenações de defesa civil, dos bombeiros e das forças militares desordenadas e despreparadas. Aqui no Brasil, tudo vai chegando aos poucos e de forma atrasada. Mas, para mostrar grandeza lá fora, um enorme batalhão cheio de equipamentos, cães farejadores, aparelhos, máquinas de todo tipo, tendas, medicamentos, médicos e profissionais de várias áreas se deslocou numa rapidez impressionante até o Haiti para socorrer as vítimas do terremoto. Não ia dizer, mas sou obrigado a lembrar que o Haiti é aqui mesmo no Brasil.

Tome entrevistas com entendidos no assunto que falam o óbvio. Não é necessário ser expert no assunto para se deduzir que dentro de mais 50 ou 100 anos as habitações dos morros cariocas e locais semelhantes vão deixar de existir. No seu lugar, só vão ficar os escombros. A natureza não agradece, devolve tudo em ruínas.

É um saco estar falando aqui, mais uma vez, dessas questões e desses políticos enganadores, mentirosos, fisiológicos, nepotistas, demagogos, corruptos, canastrões e aproveitadores que estão sempre lucrando com as tragédias, e que estão sempre voltando com as eleições. Infelizmente, o povo se encarrega de cobrir toda sujeira com votos e doações, sem protestos, sem manifestações e revoluções. Aceitamos tudo calado, com o choro preso na garganta, como criança diante de um pai carrasco.

Sempre vejo torcedores se esganando, brigando e matando uns aos outros pelos seus times de futebol. Sempre vejo as ruas e cidades lotadas nos carnavais e festas. Sempre vejo carreatas de bandeiras nas copas de futebol, exaltando a seleção. Sempre vejo aglomerações de gente querendo aparecer onde TVs estão cobrindo crimes monstruosos, como no caso dos Nardoni. Sempre vejo multidões em comícios e centenas de milhares de pessoas nas avenidas quando são convocadas por governantes para defender interesses deles, como no Rio de Janeiro no caso da distribuição do pré-sal. Vi concentrações para aplaudir com fogos o Brasil eleito para sediar as Olimpíadas e a Copa do Mundo.

Não vejo e não vi movimentos de milhares de brasileiros para combater a corrupção, a malversação do dinheiro público, contra as cafajestices dos políticos, contra a roubalheira, os mensalões, os sanguessugas, os desmandos dos prefeitos e governadores, contra o presidente que nada vê, contra a precária educação, o descaso da saúde pública e contra todas as espécies de injustiças praticadas neste país.

De todas as merdas proferidas pelo campeão de votos do Big Brother Brasil, um tal de Dourado – 150 milhões de telespectadores estavam lá atentos – pelo menos uma coisa dá para se aproveitar quando disse que o povo brasileiro não sabe votar. Diria que com exceção da minoria que não conta nas decisões da maioria dos eleitores comprados por favores. A única coisa que ainda nos resta é essa democracia, mal ou bem.