segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

DISPARADA

Não somos gado, mas a humanidade hoje vive em disparada como no estouro da boiada. Como disse Geraldo Vandré, posso não lhe agradar, mas o chicote estala para uma nova corrida desenfreada, tendo como partida 2009. Fim de 2008 é apenas uma parada rápida para recuperar o fôlego e se embriagar no consumismo feito de apelos publicitários por todos os lados. A mente voa na rapidez da luz, controlada pelos chips da tecnologia que vão robotizando nossos passos.

No meu tempo de menino, um ano valia por 10 nos tempos de hoje, ou era uma eternidade. Como no poema de Drumonnd, a vida engatinhava. As datas hoje não são mais distantes, e não se ouve mais um Bom Dia com o olho no olho. É um Bom Dia amarelado. O tempo andava cadenciado, matutando e batendo o ponto para uma conversa, para contar histórias e causos. As crianças hoje falam com menos de um ano, e o computador é o seu primeiro brinquedo, no lugar das cirandas, do pião, do jogo-de-gude, do esconde-esconde e do “chicotinho-queimado”.

O Ano Novo não é mais Novo como antigamente, pois a busca intensiva do tempo perdido corre numa velocidade que o hoje já é o amanhã, e o ontem não conta mais. O tempo não é mais venerado e saboreado, apenas consumido e tragado como objeto do ter. O tempo só é visto como dinheiro e envelhece rápido. Não somos mais o senhor do tempo. Não mais paramos para prosear com ele. Somos dele escravos, num emaranhado de fios, ou satélites conectados.

O Natal não é mais o símbolo do nascimento do Menino Jesus, pelo menos para a maioria. É festa consumista; é corre-corre em disparada; é mais lixo jogado na terra que já consome 30% a mais da sua capacidade de renovação. No ritmo do consumo que não deve parar, os cientistas já vislumbram de que vamos precisar de duas terras em 2050 para suportar tanta sujeira. Uma matéria num jornal de São Paulo relata que durante o Natal os garis não podem tirar folga por causa do acúmulo de lixo que aumenta todo final de ano. São mais e mais embalagens de presentes, restos de comida e produtos enlatados jogados fora.

Por mais que sejamos otimistas, não são mais necessárias as previsões de guerras e de violência para 2009, feitas pelos senhores dos búzios ou das cartas. Nós construímos nossos caminhos pedras e sabemos muito bem que vamos ter de conviver com os conflitos e as destruições, inclusive advindas da própria revolta da natureza. O poder das armas e da ganância pelo domínio foi montado pelos homens, e não são apenas palavras de otimismo que vão derrubar tudo isso.

Vamos sim, continuar mais um ano em disparada, cada um na disputa e na competição pelo tempo para juntar mais dinheiro, e gastar mais e mais nas festas do final de 2009 e início de 2010 que logo se aproximam. Nos tempos de tragédias e catástrofes praticar algumas caridades e atos de compaixão. Aparecer nas TVs e nos jornais como solidários, e se estressar nos shoppings. Alguém aí pode até dizer que tenho tendência ao “terrorismo” e ao derrotismo. Pode até ser, mas os alertas pelo menos servem para que as pessoas tomem consciência do que está acontecendo com a humanidade. Podem servir para mudanças e transformações.

Em entrevista neste final de ano, o Teólogo da Libertação, Leonardo Boff, diz que temos pouco tempo e parca sabedoria, e alerta para a urgência de ações capazes de reverter o atual estágio de degradação do planeta Água, o que ele chama de risco de chegarmos a um ponto sem volta. O teólogo faz um apelo para que o homem adote um outro modo de produção e de consumo, e critica soluções paliativas como os créditos de carbono. Na sua visão, essa prática é um escândalo e implica aceitar que alguém possa legitimamente poluir e assim agravar o aquecimento global.

Com mais de 60 livros escritos, Boff declara que o projeto de modernidade de explorar os recursos da terra de forma ilimitada chegou agora ao seu limite. Sobre a política do biocombustível, destaca que ela prefere atender à máquina antes de atender ao estômago das pessoas. Lembra que atualmente o PIB mundial está na ordem de 58 trilhões de dólares, com um crescimento médio anual de 3,5%. A continuar assim, em 2050, este PIB subirá para 160 trilhões. Acontece que não se chegará a este crescimento porque não há recursos e serviços naturais suficientes.

Mas, segundo ele, se os povos da terra resolverem fazer um desarmamento geral, haverá fundos suficientes para resgatar todo planeta e propiciar aos seres humanos uma condição de vida aceitável. O orçamento militar mundial é da ordem de um trilhão e cem bilhões de dólares. Estudos revelam que com 24 bilhões/ano, poder-se-ia reduzir pela metade a fome do mundo. Com 12 bilhões poder-se-ia garantir a saúde reprodutiva de todas as mulheres, e com mais alguns bilhões garantir trabalho, habitação, saúde, educação e segurança para a humanidade. Lembrem das oito mil crianças de Darfur (Sudão) que pegam em armas e do povo de Zimbábue que morre de cólera e torturas. Lembrem dos presídios e da Nação África que morre de fome.

As previsões são sinistras, mas o teólogo suspira e nos conforta, afirmando de que temos meios econômicos e técnicos para transformar a Terra num Jardim do Éden. Para tanto, basta uma boa vontade dos homens que decidem os caminhos da humanidade. É só optarem em favor da vida, e não da morte. Depende de cada um de nós aliviar o pé do acelerador; correr menos e pensar mais.

Ainda existem pessoas de boa fé, de generosidade e humildade. Mas, é verdade também que existem hoje muito mais corruptos e corruptores que nem estão aí para a vida. O ritmo é frenético e alucinante da máquina que vai deletando o humano da tela. A Câmara fotográfica só dispara quando você rir, e o celular vai focalizar o exato local de onde se fala. Precisamos dar conta de que a criatura cada vez mais perde sua significância e não consegue sair desse labirinto que nós mesmos erguemos. Idolatramos vários deuses com os quais nos deleitamos como se fossem nossos salvadores. Construímos Sodomas e Gamorras que podem ser destruídas pela nossa própria ira.


domingo, 21 de dezembro de 2008

SOU CONTRA

Entendo que todos que lerem este artigo ou comentário podem ser contra a minha opinião. Também, entendo que todos devem respeitar meu ponto de vista. Sendo assim, vamos ficar quites e numa boa com relação ao aumento de mais 7.343 vereadores nas câmaras municipais do país. A chamada Proposta de Emenda Constitucional (PEC) dos Vereadores foi votada às pressas, em toque de caixa, na calada da noite pelos senhores senadores que nem estão aí para a opinião pública.

O Senado votou a PEC vinda da Câmara dos Deputados em meados do ano. A Casa, no entanto, reduziu os gastos com os vereadores, de R$6 bilhões para R$4,8 bilhões. Os senadores, por sua vez, retiraram esse dispositivo do texto da PEC e aprovaram, sem redução de recursos. Foi o bastante para a Mesa Diretora da Câmara revidar e não assinar a Emenda. Para contrariar, o Senado entrou com um mandado de segurança no Tribunal Superior Federal contra a decisão da Mesa. Briga entre eles mesmos.

Tudo isso está sendo feito, como sempre, à revelia do povo. Que me desculpem os senhores suplentes de vereadores, mas devíamos, antes de tudo, lutar ao lado do povo pela reconquista da moralização do Congresso cujos políticos, nos últimos anos, só têm defendido seus interesses corporativos. Sem essa de que o aumento de vereadores daria maior representatividade ao povo. Todos sabem que não é bem assim e, além do mais, lá na frente haveria uma pressão junto às prefeituras para aumento de recursos.

Há muitos anos que o Senado e a Câmara dos Deputados não têm caminhado ao lado do povo, e os fatos comprovam bem isso. Desde os escândalos do “Mensalão”, para não irmos mais longe, as sujeiras se sucedem e cada uma mais vergonhosa que outra. Para quem tem um pouco de memória, é só lembrar o caso do senador Renan Calheiros. Aliás, muitos senadores são “biônicos” como no tempo da Ditadura Militar. Muitos deles são suplentes que tomaram posse sem nunca terem recebido um voto do eleitor.

Na Câmara dos Deputados, o fato mais recente saiu da Comissão de Ética daquela Casa que engavetou o processo contra o deputado “Paulinho”, da Força Sindica. Contra ele, recaíam fortes suspeitas, com provas, de ter desviado recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Por essas e muitas outras, é que hoje os políticos e o Congresso estão entre as instituições com o mais baixo índice de credibilidade nas pesquisas populares.

Nos Estados, as Assembléias Legislativas estão sempre dando demonstrações de corporativismo, fisiologismos, nepotismo e distanciamento do povo. Aqui mesmo na Bahia, os deputados (63) passaram três ou quatro meses sem trabalhar no período das eleições. Aí, chegam ao final de ano e resolvem realizar Sessões Extraordinárias para a votação de projetos que ficaram parados. Cada um vai ganhar quase R$40 mil, elevando os gastos em R$3,2 milhões. Quem está pagando a conta?

Sabemos que os suplentes de vereadores que estão defendendo sua parte pressionaram os senadores para que votassem a PEC com urgência, como foi feito. Alguém acha, então, que os políticos votaram a Emenda com consciência? Tanto não é, que lá em Brasília, os suplentes de vereadores foram utilizados como moeda de negociação entre os senadores. Mais uma vez, lá funcionam os malditos “Esquemões”. Colocaram ainda como defensor da Emenda um senador carlista, conservador, fisiologista e sem expressão. Para esse tipo de coisa ele serve, não importa se é criticado e renegado pela “esquerda”.

Por tudo isso e muito mais, não existe clima nem moral para se aumentar o número de vagas nas câmaras municipais. Se houvesse coerência, os “representantes do povo” deveriam encarar essa triste realidade e se colocarem ao lado da população. Como bem disse o presidente Lula (ainda bem), o aumento de vereadores não irá resolver o problema das cidades. Ele criticou a criação de novas vagas, e o povo também não concorda, já que o presidente tem quase 80% de aprovação nas pesquisas.

É uma pena que os políticos continuem de costas para o povo. As incoerências são bem visíveis. Só não vê quem não quer mesmo. Para tudo na vida existe um limite. Até nos ambientes mais permissivos existem regras, como disse um articulista na imprensa. Mesmo assim, a tentativa dos suplentes tomarem posse vai continuar.

De tantos desmandos e corrupções por parte dos “representantes políticos” – nem todos são iguais – o povo, lamentavelmente, incorporou a cultura do roubar e do levar vantagem em tudo. Uma pesquisa realizada por um desses organismos encarregados em medir as temperaturas da opinião pública, constatou que boa parte da população concorda que o político tire proveito do cargo, empregue parentes e até cometa fraudes.

Li numa reportagem durante o período eleitoral em que os entrevistados achavam certo o candidato comprar o voto. Eles se diziam dispostos a vender o voto por dinheiro ou através de favores. Também, querem o que, se o mau exemplo já vem lá de cima! Por essas razões e outras é que sou contra ao aumento de vereadores.

Não estou aqui, de forma alguma, fazendo julgamentos precipitados de nenhum suplente sobre suas reais intenções. Mas, esse, verdadeiramente, não é o caminho certo. É o momento de tentarmos consertar primeiro o que está errado no fazer política. Estou, simplesmente, fazendo uma abordagem geral sobre a questão e dando a minha opinião, independente de coligação partidária a que pertenço. Aliás, acho até que estou sobrando nesse corpo político. Mudar não significa renegar seus princípios e se moldar ao sistema. Não posso fazer política concordando com equívocos partidários.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

SÓ PARA LEMBRAR

O ano de 2008 está desaparecendo na curva do horizonte. Está declinando nos montes avermelhados do pôr-do-sol. Mas, não é o ano ou o amanhecer que muda. Somos nós que mudamos pelo imperativo do tempo. Se continuarmos no mesmo ritmo, cometendo os mesmos erros e fazendo as mesmas coisas, não importa qual ano seja, se 2008 ou 2009. Não podemos nos iludir com as festividades consumistas.

Mas, cada ano nos faz lembrar e comemorar períodos significativos referentes a acontecimentos que marcaram o mundo. Desperta-nos ainda a atenção quando são números pares ou ditos redondos que se fecham na história e representam importância para um determinado povo, ou para toda humanidade.

São leis, declarações, pensamentos, personalidades da literatura e da ciência, livros e romances, nomes e fatos que deixaram seu legado de mudanças, ou até mesmo nos impuseram medo e terror. Algumas datas merecem comemoração e homenagens, outras lembram sofrimento, mas precisam ser citadas para que não ocorram mais.


Assim, o ano de 2008 que está se despedindo completou:


140 Anos do Poema Navio Negreiro, do Poeta Castro Alves
70 Anos do Livro Jubiabá, do escritor Jorge Amado
100 Anos da Chegada da Família Real ao Brasil – D. João VI
100 Anos da Abertura dos Portos às “Nações Amigas”
100 Anos da Instalação da Imprensa no Brasil
100 Anos da Morte do Escritor Artur Azevedo
80 Anos do Romance Macunaíma, de Mário de Andrade
100 Anos do Cubismo na Pintura
400 Anos de Nascimento do Pregador, Orador, Escritor Padre Antônio Vieira
100 Anos da Morte do Escritor Machado de Assis
100 Anos de Nascimento do Escritor Guimarães Rosa
100 Anos de Nascimento do Cientista e Geógrafo Social Josué de Castro
100 Anos de Nascimento do Cientista e Geógrafo Social Josué de Castro
70 Anos do Romance Vidas Secas, do grande Graciliano Ramos
60 Anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos
50 Anos da Bossa Nova – João Gilberto - “Chega de Saudades”
40 Anos da Decretação do Ato Institucional No 5 que ferrou com a liberdade
40 Anos dos Movimentos Estudantis na França e no Mundo
40 Anos da Invasão da Tchecolosváquia pelas Forças da União Soviética
40 Anos da Passeata dos 100 Mil no Rio de Janeiro Contra a Ditadura
40 Anos do Assassinato do Pastor Martin Luther King
40 Anos do Lançamento do Rock Progressivo pelo Grupo Inglês The Nice
40 Anos do Álbum Branco – Fim da Era Beatles e do Ideal Hippie
40 Anos do Assassinato do Senador Robert Kennedy
40 Anos do Lançamento das Minissaias
40 Anos dos Protestos Contra a Guerra do Vietnã
40 Anos do Primeiro Festival do Cinema Erótico, em Amsterdã
40 Anos da Tropicália com Gil – Caetano e Capinan
40 Anos da Música “Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores” – Geraldo Vandré
40 Anos do Início da Guerrilha no Brasil – A Luta Armada
40 Anos do Vôo da Primeira Nave Apolo 7 em Torno da Lua – 3 Astronautas
40 Anos da Prisão de 1.200 Estudantes no 30º Congresso da UNE, em Ibiúna

1968 – segundo escritores e estudiosos – foi o Ano Que Não Acabou. Para outros, acabou. Foi o ano que deixou legado de lutas e conflitos pela liberdade. Foi o ano que deixou nostalgias e sonhos. Foi o ano do III Festival Internacional da Canção. Foi o ano das línguas de fogo. Foi o ano dos grandes slogans, como “Corre Camarada, Que o Velho Mundo Está Atrás” - “Proibido Proibir” – “Paris em Chamas” – “Primavera de Praga”. Foi a época da substituição de paradigmas.

Quatro décadas se passaram e a juventude de hoje vive no mundo da Internet. Temos hoje uma geração do copiar e colar. 1968 foi o ano em que o mundo todo entrou em ebulição e se sonhou com uma sociedade com face humana. Foi também o ano que se contestou o marxismo-leninismo.

Muitas destas datas foram lembradas e comemoradas no Brasil, com comentários, estudos, críticas, análises e eventos. Na Bahia algumas tiveram destaque e foram feitas alusões. E aqui em nossa Vitória da Conquista? Pelo que tenha tomado conhecimento, essa datas passaram em branco, pelo menos entre a comunidade.

Os órgãos públicos, instituições universitárias, entidades e demais setores representativos da sociedade têm a responsabilidade de comemorar ou debater a passagem desses acontecimentos e fatos. Mas, não é o que fazem.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

MEUS 35 ANOS DE JORNALISMO

Só estava aqui viajando com meus pensamentos e fazendo uma retrospectiva da minha caminhada até aqui e agora. Não sou mais dono deles (pensamentos). Conduzem-me por linhas passadas entre estações. Mas, o passado não passa. São linhas que constroem o presente e apontam para o futuro. É final de ano e dizem por aí que devemos meditar e desejar a todos “Boas Festas”, mesmo que seja um bordão ou um clichê repetitivo. Não importa. No instante, passou pela minha cabeça Meus 35 Anos de Jornalismo, se bem que antes disso aconteceram coisas boas e ruins.

Mergulho nas lembranças da minha idade desde quando criança na roça, ajudando meu pai a plantar e a colher o fruto do sustento. Dou um vôo rasante entre meus estudos no Seminário de Padres até o vestibular em 1970, e a conclusão do meu curso de Jornalismo em 1973 quando começou minha carreira profissional. Sim porque antes já realizava alguns serviços jornalísticos com colegas, como um Informativo para uma empresa metalúrgica no Centro Industrial de Aratu. Se não me falha a memória era a Tuperba. Trabalho alegre, feito com garra e vontade de vencer. Energias jovens, idéias inovadoras, mas tudo ainda sem as novas tecnologias da informática. Na base da máquina de datilografia.

Tudo começou mesmo, registrado e fundamentado, nos primeiros meses de 1973 no Jornal A Tarde como Revisor da Redação. Não se dava muita importância para a função. Pelo menos não se aparecia profissionalmente, mas era, verdadeiramente, o local certo por onde todo jornalista deveria iniciar sua trajetória. Tempos de ditadura, tempos de chumbo, tempos de prisão, tempos de tortura, repressão e censura. Nada de liberdade de expressão. Tínhamos regras severas e duras. Tempos de cão. Para ser admitido como Revisor, minha prova foi uma carta redigida e dirigida ao Redator-Chefe, Jorge Calmon.

Foi quase um ano de revisão de textos jornalísticos, corrigindo o português das reportagens. Nossa labuta intelectual junto às máquinas de linotipo, que não paravam de queimar chumbo com aquela zoado de trem, começava às 18 horas e, às vezes, varávamos a madrugada, eu e os companheiros. Lembro do velho Ariston que era nosso mestre para tirar as dúvidas de português e contava casos da sua militância política desde a ditadura de Vargas. Era um socialista convicto e sério. Seu filho Oberdan, Rubens Newton, e outros que ficaram no branco da massa cerebral completavam a turma do chumbo. Eram altas discussões políticas. Ali, todos eram “subversivos”, mas a ditadura não nos ouvia, nem sabia que a gente existia.

De lá, o Redator-Chefe me convidou para ser repórter especializado da área econômica. Confesso que tremi nas bases. Meu desejo era fazer parte do corpo redacional do jornal, mas não por um setor difícil e complicado. Não pude recusar. Era um desafio, pegar ou largar, e assim fui vencendo barreiras. Depois de seis meses ou um anos, recebi boas propostas de outros veículos de comunicação, inclusive para o Rio de Janeiro. Pedi demissão do Jornal, mas, ao saber, o jornalista Jorge Calmon conversou comigo; aumentou meu salário; e terminei ficando. Não sei até hoje se foi bom ou ruim. Só sei que guardo esse erro até hoje por que não arrisquei.

No meu retorno fui trabalhar na Editoria Geral, cobrindo todos os assuntos que pintassem nas pautas. Em pouco tempo, a Federação das Indústrias da Bahia me chamou para fazer parte da equipe da sua Assessoria de Comunicações. Foi lá que conheci a figura excêntrica e, porque não, folclórica do jornalista Luis Vasconcelos que não podia ver um “rabo de saia” em sua frente. Bons tempos. Nos divertimos muito nas boemias e nas festas. Depois retornei para a Editoria de Economia onde fiquei por cerca de 15 anos, decifrando o “economês” e comendo números e letrinhas.

Nessa época, na segunda metade da década de 70, acompanhei de perto a implantação do Pólo Petroquímico de Camaçari, entrevistando, principalmente, seus mentores, Rômulo Almeida e o secretário José de Freitas Mascarenhas. Entendiam do assunto e sempre colocavam à minha disposição todos os dados que precisava. Elaborei matérias memoráveis, e sempre na frente dos outros veículos, graças a confiança que eles tinham comigo. Por causa da ditadura, trabalhávamos sempre na base do “off”, sem citar as fontes. Tudo era censurado e quase ninguém se habilitava a dar entrevistas.

Enquanto estava na Editoria de Economia, até 1991, quando, então, resolvi vir para Vitória da Conquista assumir a chefia da Sucursal A Tarde, viajei muito pelo Brasil, fazendo reportagens sobre congressos, seminários e eventos da área econômica. Não me esqueço da reportagem-monólogo com o general Ernesto Geisel. Copiei as perguntas, seguidas das respostas: sim e não. Não era nem uma entrevista tipo pingue-pongue. Me recordo também da entrevista com o general João Figueiredo que só sentia cheiro de cavalo. Foi lá em Curitiba na inauguração da Volvo. Não posso deixar de citar os ministros Mário Henrique Simonsen e Delfim Neto, Severo Gomes (cara legal, boa gente), entre outros. Era difícil furar o cerco dos brutamontes dos seguranças.

Ainda nessa época cheguei a ser Assessor de Comunicação do Promoexport (Uma Agência de Exportação do Governo do Estado). De lá fui ser Assessor da Secretaria da Indústria e Comércio nos governos de Waldir Pires e Nilo Coelho. Andei pela Alemanha, em 1981, fazendo um curso de Economia de Mercado pela Fundação Konrad Adenauer. Conheci muitos empresários, economistas e executivos, especialmente, do Pólo Petroquímico. Firmei bons vínculos de confiança entre jornalista e a fonte, mas sem ultrapassar os limites profissionais.

Para resumir, porque tem muita coisa para contar desses 35 anos, e ninguém quer ouvir mais essa lengalenga, decidi em 1991, por opção minha, voltar às minhas raízes do interior, para chefiar a Sucursal do Jornal A Tarde, em Conquista, onde fiquei até 2005. Foi outra grande experiência e outro desafio, rodando por esse sertão do sudoeste. Muitas histórias guardo-as comigo, mas o fotógrafo José Silva pode narrá-las. Lembranças de muitos fatos que me marcaram nesse novo caminho de veredas e encruzilhadas.

Posso dizer que Meus 35 Anos de Jornalismo foram bem vividos, sempre seguindo a razão da ética, da seriedade e da honestidade. Errar, todos nós erramos, mas me envergonhava a omissão e a cobertura jornalística tendenciosa e facciosa. Ganhei inimigos que não gostaram e ainda não gostam do meu jeito de ser. Em termos profissionais, os amigos sempre foram tratados no mesmo nível dos outros. Sempre procurei não incrementar muito a amizade para não confundir e ultrapassar os limites entre pessoa e profissional. Nesses anos, sempre busquei separar uma coisa da outra.

Não posso também deixar de reportar a boemia dos botecos e dos bares da vida nos bons tempos de Salvador, e ainda aqui também. Os longos papos e aventuras com colegas das noitadas, poetas e escritores amigos. E as madrugadas de feijoada na Sete Portas, na Feira de São Joaquim, Mercado Modelo, nos inferninhos da Ladeira da Montanha, na Gameleira, Mercado da Baixa dos Sapateiros, Barbalho, Liberdade, São Caetano, Alto do Peru, Curuzu, Brotas, Gamboa e tantos outros saudosos locais, como avenida Carlos Gomes com Jeovha de Carvalho! Ainda peguei uma sobra dos tempos do jornalismo romântico. Agora sopram outros ventos do mundo da Internet.

PARA PENSAR

Mais um ano está nos dando adeus. Desta vez é o 2008. Milhares nasceram para engrossar o caldo da humanidade e milhares se foram. Muitos deram adeus e outros chegaram. Muitos perderam o emprego e se desesperaram. Outros foram admitidos e se extravasaram em alegria. Enquanto uns foram felizes com seus ganhos, outros foram infelizes e choraram suas perdas. Uns se separaram e outros se encontraram. Gentes continuam sendo esquecidas, sofrendo com as guerras, conflitos, doenças e fome. Outras permanecem se esbaldando no luxo e no supérfluo. Muitos contam os dias para o ano passar. Já outros querem que ele nunca vá. Nem sempre o novo é novo e o velho é velho. Tem gente que se sente imortal e não percebe o tempo passar. Tem gente que faz o bem e outros praticam a maldade. Uns violentam e outros são violentados. Cada um procura achar um sentido da vida para si, mesmo que não exista. Uns amam e outros são odiados. De onde venho? Quem sou? Para onde vou? Onde está e o que é a verdade?

Não sabemos até quando o sol vai continuar emitindo seus raios de luz, nem se a terra um dia será atingida por um grande cometa ou meteorito. Aí tudo pode se acabar como nos tempos dos dinossauros. Com seu infinito inalcançável pela ciência e pela imaginação do homem, o universo é um mistério. Como tudo começou e o que existia antes da origem de tudo? Nem sabemos se estamos sós. Mesmo assim, nos achamos sábios demais. Queremos clonar e criar a vida. Mesmo assim, humanos são orgulhosos, egoístas, mesquinhos, gananciosos; roubam; cometem atrocidades; e se matam. Não são livres como os animais que também têm inteligência. Os humanos estão mais preocupados com o ter, em massagear seu ego. Levantam fronteiras, muralhas; erguem barricadas; e ainda urinam nas árvores para demarcar territórios. Sujam a natureza e se empanturram de porcarias.

É uma pena que não exista mais o sonho e a utopia da sociedade perfeita. A energia existencial está focada no trabalho, no capital. Não se observa mais as plantas desabrocharem e crescerem na primavera, nem o sertão florir, nem a lua pratear o asfalto e os arranha-céus das cidades. Como está escasso o aperto de mãos amigas para dar força e consolar! Não olhamos mais para os lados. Seguimos em frente a toda velocidade para pegar a fila. O Natal já é sinônimo de estresse e correria. Não olhamos mais para quem está vivendo nas calçadas. É tempo de consumismo, mesa farta e muita coisa desnecessária. Para onde caminha a humanidade?

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

CONDENADO MORTO

Malfeitores continuam sendo malfeitores, e eleitores continuam votando em malfeitores. Eles aparecem e desaparecem sem serem condenados. A indiferença se transformou num vírus incurável, e o silêncio age como um assassino em série, provocando um lento extermínio contra a humanidade. Na África, os conflitos e as doenças escancaram o terror da morte e da miséria. Aqui, preferimos nos agarrar à nossa vidinha mesquinha e medíocre, sem olhar para trás nem para o lado. Temos medo e enganamos a nós mesmos com falsas realizações que se dissolvem facilmente.

A ideologia é uma névoa espessa e fantasmagórica que nos impede de enxergar. Ninguém importa mais se prefeito rouba, ou se deputado e senador maquinam os mais vis assaltos. Juízes e desembargadores blasfemam como vendilhões do Templo do Senhor. Os brutos afiam seus punhais e erguem suas sombrias togas para mercantilizar a Justiça. Não se sabe mais o que é prova neste país. Gravações, filmagens de flagrantes, assinaturas de documentos, testemunhas e declarações não servem mais como prova. Paulo Maluf negou sua própria assinatura, sua foto, sua prensença nos locais e até que ele não era ele.

Os cães abutres farejadores com olhos de demônios invadem nossos sagrados quintais e profanam nosso solo com o sangue da maldade. Não queremos saber se eles atacam e fazemos de conta que nada sabemos. Como no romance de Saramago, um mal estranho está causando uma repentina cegueira nos humanos desta terra. Como num surto hipnótico, as partículas de luz vão se esvaindo e se fragmentando em escuridão.

As notícias de desvios de recursos das prefeituras municipais ricocheteiam nos jornais todos os dias. Elas chegam como overdoses; fazem estragos e matam lentamente, mas não se sente mais seus efeitos como antes. Prefeitos são afastados por liminares, mas logo retornam nos braços do povo, ou pelas urnas. Tanto faz ser na pobre Jaguarari sertaneja ou no São Francisco do Conde da riqueza dos royallties da Petrobrás. O chicote da corrupção não escolhe se o lombo é mais fraco ou forte. A nossa democracia é como uma sereia do mar que atrai as pessoas pelos seus encantos, ou o boto da Amazônia.

A posse dos novos prefeitos se aproxima. Nos próximos meses, a maioria deles vai falar e divulgar a cantilena de sempre. Vamos ouvir deles a lamúria de que pegaram as prefeituras com os cofres saqueados, inúmeras irregularidades, equipamentos sucateados e instalações depredadas. Fotos, manchetes e estardalhaços! Vão dizer por um ano ou mais de que estão arrumando a casa, e o próximo que vier vai também repetir o mesmo. E a casa nunca termina de ser arrumada. Muitos vão cometer as mesmas mazelas que condenaram ao assumirem a prefeitura, e os próximos vão nos passar o mesmo filme. Para não variar, mesmo com processos, eles continuam sendo eleitos e reeleitos. A maior parte dos safados do “Mensalão” também foi reconduzida aos seus postos pelo voto dos eleitores. É a “democracia” fantasia.

Agora mesmo os jornais nos informam que o Ministério Público Estadual investiga contratos irregulares de 40 prefeituras baianas com um tal Banco Matone. O nome mais parece com organização secreta da máfia. Tudo começou através de empréstimos suspeitos feitos pelo prefeito de Uma, José Bispo dos Santos (PTB), o Zé Petrinho. As verbas renderam ao prefeito e servidores, dívidas de R$3,7 mil mensais quando os funcionários recebem salários entre R$380,00 a R$600,00. Contracheques deles e parentes são falsificados com salários de até R$9 mil. A dívida chega a R$2,7 milhões.

Os esquemas são os mesmos nas outras prefeituras, como em Aramari onde o prefeito Carlos Queiroz pagou uma dívida de R$630 mil ao banco com verbas públicas. Na lista consta ainda o prefeito de Olindina, Aladim Barreto que teria desviado R$616 mil dos cofres da prefeitura para beneficiar seus três filhos e outras 13 pessoas. O prefeito de Almadina, Wilians Cunha Santana inventou secretarias, nomeou falsos secretários, forjou contracheques e autorizou um empréstimo de R$30 mil. É isto aí, todos comem e todos consentem.

Neste último final de semana foi desencadeada a Operação Vassoura-de-Bruxa. Mais uma novela cansativa e monótona. Pela apuração inicial, 30 prefeituras estão envolvidas no esquema de fraudes de licitações, acarretando desvios de R$28,5 milhões. Na outra ponta, os senadores corporativistas vão criar mais 7.343 vagas para vereadores no país. É uma gandaia só. Para que servem mesmo? Para os sofistas políticos, servem para assegurar a representatividade (nome bonito) do nosso povo. Puro cinismo.

Na Bahia, especialmente, a história está recheada de casos e causos de prefeitos que não fazem limite entre o que é público e privado. Tudo é feito em nome da impunidade. São casos vexatórios, hilariantes e aterradores, como do prefeito José Mauro de Oliveira Filho, de Queimadas, que doou como presente uma praça do município ao cigano amigo Gutemberg Dourado. Em Itamaraju, o prefeito Frei Dílson (PT) pegou R$100 mil emprestado de “Jorge Cigano”. O ex-deputado Maurício Cotrim foi o avalista, pagou o total sem juros e logo depois foi assassinado. Em Pau Brasil, o prefeito José Augusto dos Santos Filho, o “Zé Dezinho” desviou R$100 mil do município em 2001-04 para pagar uma dívida com cheques da prefeitura. Em 1997 e 2004, Maria Luiza Láudano e Antônia Magalhães da Cruz (Tonha Magalhães) eram prefeitas de Pojuca e Candeias. As duas praticaram licitações fraudulentas. Em 2006, “Tonha” foi eleita deputada federal e Maria Luiz deputada estadual. As duas gozam de foro privilegiado, o que significa que são intocáveis.

Nos últimos oito anos o MPE (Ministério Público Estadual) apresentou ao Tribunal de Justiça cerca de 470 denúncias contra prefeitos baianos. Destas, 235 ações se referem aos mandatos que se encerram agora. Até hoje, apenas um processo teve seu mérito julgado contra o ex-prefeito de Itaguaçu, Ney Alves de Carvalho, condenado a sete anos e meio de prisão. Acontece que ele faleceu em 2004, antes de cumprir a sentença.

Prefeitos são cassados por diversas vezes e retornam. Algumas ações se arrastam por anos e outras são analisadas em um dia, como aconteceu no caso do prefeito Joel Neiva, de Conceição do Almeida. Sua reintegração foi decidida num domingo pelo juiz de plantão. Entre outras falcatruas, o homem emitiu 253 cheques sem fundos em nome da prefeitura. Nem é preciso fazer mais comentários.

Temos muito chão para percorrer nessa longínqua Bahia de vasto território, citando casos arrepiantes e monstruosos. Vamos nos situar na região sudoeste, dentro da nossa casa. Como jornalista, percorri toda região presenciando fatos grotescos de prefeitos com bolsos cheios de dinheiro e talões de cheques, atendendo os mais esquisitos pedidos, como festinhas de aniversário. As maracutaias são as mais imaginárias, escancaradas e escandalosas possíveis, sem medo de punição, como compra de leite com nota fiscal de estabelecimento de papelaria; aquisição de computador em loja de alimentos; notas fiscais frias de empresas laranja; obras inacabadas, pagamento de bandas que nunca tocaram; superfaturamento e licitações fraudulentas; e improbidade administrativa.


A PASSARELA DA CORRUPÇÃO


Fiz um levantamento nos meus arquivos passados e listei mais de 20 prefeituras. As de Cândido Sales, Belo Campo, Encruzilhada e Contendas do Sincorá foram as mais atingidas nos últimos 15 anos pelas administrações passadas e recentes. Na maioria das vezes, as acusações partiram de ex-prefeitos que também foram alvos de irregularidades denunciadas por seus sucessores e vereadores. Em Contendas do Sincorá, por exemplo, o prefeito cassado Benjamim Gabriel dos Santos foi denunciado pelo ex-prefeito Lourival dos Santos, que também foi acusado pelo mesmo quando era seu vice e depois o sucedeu no governo do município.

Constatei na minha pesquisa que as prefeituras denunciadas são sempre as mesmas e, na maioria dos casos, os prefeitos voltaram a governar o município pela segunda ou terceira vez, através de práticas clientelistas, coronelistas, compra de votos e até de alistamento ilegal de eleitores, originários, na sua maior parte, de Vitória da Conquista. Com base em denúncias da imprensa, podem ser citados como exemplo, os municípios de Anagé, Caraíbas e Belo Campo. Lamentavelmente, são municípios cujas populações ao longo desses anos quase nada ganharam em termos de avanços econômicos e sociais.


Na Coluna Sudoeste, do saudoso Caderno de Municípios do jornal A Tarde, edição 13/11/02, divulguei a nota “Prefeitos Envolvidos” onde aponto que de 10 a 15 executivos da região sudoeste foram alvos de denúncias de irregularidades diversas, inclusive com contas rejeitadas no Tribunal de Contas dos Municípios. Destaquei que, ao lado desses prefeitos, existiam empresas e contadores que deram um jeitinho, arranjando notas fiscais frias de firmas fantasmas, para a prestação de contas. Alertei para que essas empresas fossem fiscalizadas e descredenciadas pela Justiça ou pelos órgãos representativos da categoria.

Naquela época, um contador, que não quis revelar seu nome, confirmou que existiam profissionais do ramo e até empresas de consultoria que sempre deram um jeitinho para arranjar notas para fechar prestação de contas das prefeituras. Essa prática continua a perdurar até hoje. Sobre o assunto, em 1998, uma ação da Delegacia de Crimes Econômicos conseguiu prender, em Conquista, o contador Antônio Pereira Silva, dono da AC Contabilidade, sendo acusado de ter dado um golpe no fisco estadual no valor de R$1 milhão. O contador, segundo se apurou, constituía empresas fantasmas e usava documentos para participar de concorrências em prefeituras.

Em 2001, denúncias de notas fiscais furtadas da firma JM Materiais de Construção levou o vereador Antônio dos Reis Neto a acusar o prefeito de Cândido Sales, Amilton Vieira, de cometer irregularidades em sua administração. O dono da loja, João Bitencurt declarou que nunca havia realizado atividades comerciais com a prefeitura. As suspeitas recaíram no ex-contador Deusdeth da Silva Reis, responsável pela confecção dos talonários das notas fiscais.

Com relação aos últimos 15 anos, pesquisei nos meus arquivos, denúncias de irregularidades contra prefeitos de Cândido Sales, Belo Campo, Encruzilhada, Contendas do Sincorá, Anagé, Presidente Jânio Quadros, Caraíbas, Condeúba, Jacaraci, Caetanos, Barra da Estiva, Itambé (governo passado), Cordeiros (93), Itarantim (/93), Macarani, Caetité (governo Dácio Oliveira), Pindaí, Licínio de Almeida, Jussiape, Nova Canaã, Mortugaba (período de 95), Câmara de Vitória da Conquista (95) e o rombo na Credic, cujos balancetes foram maquiados por contadores.

Registrei e guardei uma denúncia de irregularidade praticada pelo prefeito de Pindaí, Antônio Rodrigues Gomes. A prefeitura recebeu uma nota fiscal de compra de leite emitida por uma papelaria. Em Encruzilhada, dentre as denúncias levantadas pelos vereadores Paulo Souza e Antônio Rocha, divulgadas pela imprensa em 1999, contra o prefeito Antônio Cosme Silva, está a compra de um computador em loja de alimentos. Em documento entregue ao Ministério Público constavam ainda suspeitas de notas fraudadas, compras superfaturadas e vínculos com firmas fantasmas.

No governo de 1988/92, o prefeito de Licínio de Almeida, Cosme Silveira Cangussu, foi alvo de várias denúncias de irregularidades, formuladas pelo Sindicato Rural do Município e partidos políticos de oposição. Recaiu contra ele, a malversação do dinheiro público, através do desvio de recursos de convênios realizados com o Ministério da Educação e do Bem-Estar e Ação Social, cujas obras não foram concluídas.

Em 2000, o presidente da Câmara Municipal de Belo Campo, Manoel de Souza Prado, formulou denúncia ao Ministério Público contra o prefeito, César Ferreira dos Santos. No dossiê elaborado, constam acusações por prática de compras de mercadorias feitas pela prefeitura em empresas de fachadas, inexistentes e com registros cancelados pela Secretaria da Fazenda do Estado. De acordo com as denúncias, as empresas serviam para acobertar desvios do dinheiro público, mediante a utilização de notas fiscais inidôneas. Em Contendas do Sincorá, além dos administradores passados, Benjamim Gabriel dos Santos foi cassado. Contra ele, foram apontadas suspeitas pela prática de várias irregularidades, como apresentação de notas fiscais frias e envolvimento da prefeitura com agiotas. Também, o prefeito de Jussiape, Silvio Luz Souza foi cassado, recaindo sobre ele diversas irregularidades.

Contra o prefeito de Nova Canaã, Valmir Rocha Andrade, a Câmara Municipal enumerou 131 irregularidades, dentre elas o pagamento de uma banda que nunca tocou, além de 13 casos de pagamento irregular de despesas, 50 de empenho irregular. Sua prestação de contas dos exercícios 99/2000 foi rejeitada pelo Tribunal de Contas dos Municípios.

Em Itambé, no governo de Carlos Robério, o vereador Paulo Rucas Brito o denunciou por prática de irregularidades, entre elas, notas superfaturadas, como das empresas Limpel e outra de Almenara (Minas Gerais), denominada Silva Gonçalves, que mais tarde descobriu-se serem fantasmas. A própria Associação Comercial de Almenara e a Prefeitura daquele município declararam depois que essas empresas não existiam. As contas do exercício de 99 da Prefeitura de Jacaraci foram rejeitadas pelo TCM, bem como de Condeúba, onde o TCU condenou a prestação de contas por desvio de recursos. Em Aracatu, no governo de Agamenon Vieira, o prefeito foi sentenciado a devolver R$388 mil por prática de despesas inexistentes, referentes ao exercício de 96. Foi instalada uma CPI que apurou irregularidades de superfaturamento, excessivo consumo de combustível e pagamento de reformas em prédios não realizadas.

Em 95 foi aberta CPI contra o prefeito de Mortugaba, José David de Souza, suspeito de cometer irregularidades. Em Barra da Estiva, o mesmo aconteceu no governo de Henrique Xavier Ribeiro, denunciado pelo vereador Adalberto Caíres Rocha. Em 93, as prefeituras de Jacaraci e Caraíbas também foram denunciadas pela imprensa, de acordo com levantamentos feitos em nossos arquivos.

Contra a Mesa Diretora da Câmara Municipal de Conquista recaíram em 1995 várias denúncias de atos de corrupção. Depois de muitas polêmicas e decisões contrárias, foi instalada uma CPI que, ao final dos trabalhos, fez apuração das acusações entregues em forma de documento ao Ministério Público, para tomar as devidas providências. De lá para cá não se falou mais sobre o rumo do processo. Movimentos representativos da comunidade fizeram, na época, passeatas pedindo punição para os culpados. Outro escândalo aconteceu em 1999 quando se descobriu um rombo na Credic. A fraude financeira através da maquiagem dos balancetes da Cooperativa de Crédito lesou associados que até hoje não foram ressarcidos. O escândalo resultou no desvio de R$32 milhões.


domingo, 7 de dezembro de 2008

TERNOS DE REIS

Foto - Divulgação Prefeitura Municipal



Com a criação do Natal da Cidade no governo de Guilherme Menezes, um dos focos principais foi o de resgatar os ternos de Reis que praticamente estavam extintos. O trabalho é feito em parceria, colocando os ternos no palco principal dos shows para que eles apresentem sua musicalidade e sua expressão cultural. O poder público ajuda com indumentárias e instrumentos, mas sem cachês porque não se pode trabalhar na lógica do profissionalismo. É uma coisa de espontaneidade, mas com tratamento adequado. Com esse trabalho, já existem hoje no município 20 ternos revitalizados nas zonas urbana e rural (meio a meio).







Alguns deixam de sair num ano, mas outros surgem, existindo uma rotatividade – explica o secretário de Cultura, Gildelson Felício. No início de acordo com ele, só eram sete ternos e “chegamos a este número de 20”. Informou ainda que o trabalho está influenciando outros ternos da região que pedem para participar do Natal. Para valorizar e materializar essa cultura, a Prefeitura produz CDs com 13 gravações, passando as obras para novas gerações. O contato continua sendo feito durante todo ano, inclusive com apresentações em outros locais. Na maioria são garis, pedreiros, lavradores, carpinteiros que tocam por prazer para passar a cultura os filhos e netos.




Cultura popular






O Natal da Cidade é a festa mais representativa e completa desse governo no interior do Estado que consegue congregar a cultura popular, corais das diversas igrejas, conservatório municipal, servidores e artistas locais – disse Gildelson. Dentro desse bloco festivo, a Prefeitura contrata a presença de artistas nacionais de renome e a Tancredo Neves se tornou pequena. Com o passar dos anos, O Natal ganhou uma palco extensivo na Praça Barão do Rio Branco, com outra dimensão. O secretário destaca que a preocupação não é de pegar nomes que estão na mídia brasileira. “Nos interessamos por artistas de maior expressividade cultural e visamos também projetar os artistas da terra durante dez dias, inclusive com apresentação de teatro e gêneros literários. É uma programação que visa valorizar as diversas expressões artísticas dentro do evento”.







Nos outros segmentos da cultura, a Secretaria, dentro do possível, conforme o próprio secretário, está realizando um grande esforço no ponto de vista da infra-estrutura esportiva (Ginásio de Esportes – Lomantão, 14 quadras poli-esportivas e Kartódromo), e apoiando a agenda dos artistas da cidade. Citou como uma das atividades a reconstituição do Conselho Municipal de Cultura. Houve ainda, de acordo com ele, uma série de ações correlatas, e outras estão em andamento, como a publicação das obras do escritor e poeta Camilo de Jesus Lima, que será um marco na literatura. Em artes plásticas foi publicado um catálogo. No Aniversário da Cidade foi lançado o livro sobre a Historia do Prédio da Prefeitura, de Mozart Tanajura. Gildelson aponta também os apoios que aparecem pontualmente através de CDs e lançamentos de livros, além do festival de música e mostra de cinema. Na área do teatro, “estamos tentando criar o Núcleo de Teatro Municipal, um embrião para uma Escola de Teatro, e tem o Conservatório que atende mais de 600 alunos, com estúdio digital”.







Na área da literatura, a Secretaria planeja criar os concursos, objetivando a publicação de obras dos talentos da terra, e o projeto está praticamente pronto. Reconhece o secretário ser preciso avançar mais nessa questão da literatura e nas artes plásticas.

OS INTOCÁVEIS

Os membros da corte não têm mesmo vergonha na cara. Estão sempre aprontando. “Deitam e rolam”, se sentindo como se fossem a realiza intocável, nomeados pelo Deus Todo Poderoso. Sem opinião pública para pressioná-los, viraram mesmo as costas para a plebe que já se acostumou a tudo assistir sem nada fazer. Tenho a dizer que estou no meu direito de me indignar contra a atitude dos safados que não dão nenhuma satisfação para o povo desamparado e ainda zombam das nossas fraquezas. É abusar muito da nossa paciência. O que os caras-de-pau estão fazendo é simplesmente uma esbórnia, cinismo e falta de caráter.

Vamos começar o nosso protesto pela Assembléia Legislativa do Estado. Vocês acham que eu estava me referindo a quem? Só poderia ser aos políticos. Pois bem, os deputados estaduais já cogitam em realizar sessões extraordinárias porque passaram todo o ano de férias, só na base da politicagem, resolvendo interesses particulares da nobreza. Durante todo ano só foram votados 42 projetos. Durante o período das eleições nada fizeram. Entre setembro e outubro, nenhum projeto foi aprovado. Brigam e se xingam pelo poder. Nunca são inimigos para sempre. Aliás, sempre estão se reconciliando e se coligando na maior cara-de-pau.

São ao todo 63 deputados ao custo mensal de R$12 mil cada um, fora as receitas de custeio, despesas de gabinete, contratação de assessores e ajudas de custo que incluem até tarifas de correio, combustível e telefone. Juntando tudo isso, o gasto da AL por mês chega a R$1 milhão. Dos 42 projetos, 28 foram da iniciativa do Governo do Estado. Somente dois foram propostos por deputados e três pela Mesa Diretora.

Agora está chegando o recesso anual. Aí, começam a falar em realização de sessões extraordinárias. Imaginava que essa excrescência não existisse mais. Mas existe, cara. É uma forma de encherem mais os bolsos e terem um Natal bem gordo, com direito a banquetes, uísques e vinhos importados. Depois é só desejarem um feliz Ano Novo para a plebe e tudo está resolvido. Nenhuma luz divina para iluminar a consciência desses deputados!

Vamos ao outro caso. Cada um é mais cabeludo que o outro. O cara-de-pau do Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical, foi absolvido pelos seus colegas nobres da corte (comparsas) dos dois inquéritos contra ele no Superior Tribunal Federal. Ele obteve uma vitória folgada de dez contra dois, incluindo reforços da oposição (composição). Não é legal! Ele festejou, sorriu para as câmaras e deu sinal de positivo com o polegar direito que serviu para contar os desvios de dinheiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

Todas as provas descobertas durante a Operação Santa Tereza (coitada da Santa) foram óbvias, mas nada adiantou. O processo vai ser arquivado e não se fala mais nisso. Em cinismo, é um superando o outro em falcatruas. Ninguém fala mais em Jader Barbalho, Renan Calheiros e Severino Cavalcanti. Aliás, todos foram premiados pelos eleitores que já acham a corrupção uma coisa normal. Para a votação do Conselho de Ética, deram um golpe na lista de presença. O PSOL chamou o Conselho de “mausoléu de representações”.

A colunista Dora Kramer disse que a absolvição, mesmo com evidências de corrupção, virou regra. Enquanto se procedia à votação, o cara-de-pau estava lá fora dando uma de manifestante (não sabemos contra o quê) com 30 mil sindicalistas. O cara superou os outros safados ao se ausentar como réu do seu próprio julgamento. Eles se superam e batem recordes e recordes.

Poderíamos ficar aqui falando de muito mais sujeiras e mazelas praticadas por políticos usurpadores do poder. Somente para citar os mais recentes, temos a prática de nepotismo condenada pelo Supremo Tribunal (a Justiça também não dá exemplo), mas burlada pelo Congresso e pelo Senado. Viram que enrolada! Teve político fazendo armações de todo jeito, como nepotismo cruzado e que só valia nas contratações feitas após a proibição. O certo é que não se fala mais nisso. E lês vão deixar seus parentes desamparados?

Depois de quase dez anos com papo furado pra lá, papo furado pra cá, mais uma vez o Congresso adiou a aprovação da tal Reforma Tributária. Com relação à Reforma Política, nem pensar. E se sair vai ser para manter a nobreza no poder, com as regas e normas que interessa a ela, valendo sempre quem tiver mais bala no gatilho, ou seja, mais dinheiro e máquina governamental.

Para ser realista e sincero, não acredito mais nessa dita “esquerda” que está aí, embriagada pelo deslumbramento do poder e fazendo o jogo do capitalismo maquiavélico, cruel e perverso. Não acredito nesse diálogo que tanto falam como forma de solução dos problemas do país. Não acredito nessas falsas reformas que rezam na mesma cartilha da elite e do coronelismo político-empresarial. Não acredito em mudanças significativas na sociedade que não sejam na base da pressão, dos protestos e das manifestações.

Infelizmente, temos hoje um proletariado neutralizado e uma estudantada alienada e superficial, em decorrência do baixo nível de educação e cultura. A maior parte das centrais é pelega que mais lembra o tempo Vargas. Em cargos de confiança e cheios de dinheiro, muitos dirigentes vivem em mansões de luxo e têm até jatinhos particulares. Eles vão contestar o quê? Não se pensa, nem se reivindica mais o coletivo. Vez por outra colocam a cara na tela, cobrando coisas isoladas e tentando justificar suas existências. O essencial, que é a comunidade com um todo, foi deixado de lado.

É tudo um jogo de interesses. Eles dão apenas alguns paliativos de modo a deixar o povo mais iludido, mas as raízes do processo arcaico continuam lá. É como obturar um dente podre. Uma simples massa não vai resolver o problema. As dores e os males vão continuar atanazando e azucrinando a vida dos pacientes. Aliás, é o que somos, até demais.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

UM ATO DE HONRADEZ

Eis que no meio de tantas trubulências e depressão, como a crise econômica, a agressão ao meio ambiente em Santa Catarina que resultou em inundações e desmoronamento de terras, deixando mais de 100 mortes e quase 100 mil desabrigados, o caso dos tapetes persas do Tribunal de Justiça da Bahia, a intenção do governo de anistiar as filantropias irregulares, a absolvição do "Paulinho", da Força Sindical (armou até um circo na frente do Congresso), entre outros escândalos por aí, surge o juiz paulista da Operação Satiagraha, Paulo de Sanctis, e nos dá com seu exemplo, uma pontinha de esperança e orgulho.
Com sua honradez, dispensa uma promoção na Justiça e continua no caso para condenar o banqueiro Daniel Dantas e sua gangue por corrupção ativa. A sentenção é de dez anos de prisão em reegime fechado, pagamento de R$12 milhões por danos ao Estado, mais multa de R$1,4 milhão. O homem ofereceu R$1 milhão a um delegado para que seu nome e de parentes não aparecessem na Operação.
Mas, a desolação e a descrença na Justiça voltam logo em seguida. O banqueiro ladrão de "colarinho branco" pode recorrer da sentença em liberdade. Um pobre quando rouba uma lata de leite num supermercado vai logo para cadeia e ainda toma muita porrada. Pior ainda são os inocentes que são presos, passam um tempão atrás das grades e quando se reconhece que não cometeu o crime, apenas pedem desculpas pelo engano, e isso é raro. Sem essa de que todos nós somos iguais perente a lei. Sempre nos ensinam errado e nós acreditamos nas fantasias. Não existe igualdade.
Alguém aí sabe de um rico ou político safado que esteja preso? Todos eles não passam mais do que uma semana ou 15 dias numa cadeia especial, com todos direitos das leis que foram criadas pela própria elite para serem dribladas. Essa operações da Polícia Federal viraram casos de piadas. Ninguém nem liga mais porque já se sabe todo o enrredo. É como novela. Para eles sempre tem um final feliz.
De qualquer forma, já foi um ato digno do juiz que foi interceptado pelo ministro Gilmar mendes, do Supremo Tribunal, com dois habeas corpus, o homem do HC. Só ele tem dúvidas dos crimes cometidos pelo banqueiro contra o povo. De Sanctis foi até o fim e deu seu veredicto, embora sabendo que não vai dar em nada depois. Cadê as condenações do "Mensalão"?
Já fazem cinco meses que foi desencadeada a Operação Satiagraha e, de lá para cá, o delegado investigador, Protógenes Queiroz, passou a ser investigado, massacrado e perdeu o cargo. Triste e angustiante é ver toda a Nação assistir a tudo comodamente, passivamente como se nada estivesse acontecendo. Cada um na sua, procurando se safar; viver sua vidinha mediócre e seguindo as regras do sistema capitalista como se fosse um vencedor.
A realidade é que passamos todo o tempo enganando a nós mesmos. Vez por outra, fazemos uma caridade, uma doação, um ato de solidariedade como agora aos desabrigados de Santa Catarina, e achamos que estamos sendo o máximo. As pessoas se acostumaram a fazer o mais fácil e a se sentirem com isso cumpridores de seus deveres.
O que é mais fácil, doar mantimentos e roupas, ou protestar nas ruas, em reuniões e debates contra os demandos e os escândalos praticados contra a nós mesmos? Fazemos o mais fácil para aliviar e adormecer nossas culpas. No mais é curtir os bares, restaurantes, festas, carnavais, sem se incomodar com as mazelas. Coisa dos políticos. Cada um segue na sua vida individual. O que só conta, na verdade, é o ter para sobreviver, não importa como.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

VAMOS TODOS "SECAR"

Na falta da "Lei Seca" que sumiu no espaço sideral e está em outra órbita extraterrestre, agora temos outro brinquedo para a mídia festejar. Trata-se da nova Lei de Funcionamento dos Call Centers. Êta nome bonito danado que deixa qualquer tabaréu atordoado sem saber falar. É como ver o "marzão" pela primeira vez. Depois de uma onda, vem outra. Aliás, nosso Brasil tenta imitar os países ricos em tudo, até na crise. São leis pra lá, leis pra cá, e as mais modernas possíveis. Cumprir é que são elas! Mas, tudo é só para enganar. O povo adora mesmo ser enganado e enrolado! E vamos todos "secar" esta nova lei.
Ninguém fala mais na tal "Lei Seca". Os bafômetros sumiram e os "bebuns" passam agora pelos guardas e ainda oferecem "umas". Mas, não tem problema. Agora nos mandaram outra lei para festejarmos. E dessa vez, é sóbrio mesmo. Agora sim: É a "Lei Seca" verdadeira. As emissoras de televisão e os jornais já começaram a competir na temporada de caça. Dessa vez, os bichos são os tais Call Centers. Coisa de grãfino, como comer Faisão.
Os bichos dessa vez são espertos e não temem os caçadores. Não estão nem aí para a convocação. Os Procons do país mandaram 557 ofícios para os bichos se enquadrarem. Dizem que são ao todo 140 espalhados no Brasil. Só que eles nem deram bola. Não é tanto assim. Dos convocados, só 47% responderam aos ofícios. A outra maioria já sabe no que vai dar e nem deu bolas, nem apareceu para ser alvo dos caçadores. Os bichos já sabem que as armas deles têm pouca munição. A pontaria também não é lá essa coisa toda! Erram até de perto.
Quem vai sair perdendo foi quem pagou para ver o espetáculo da caça. Eu mesmo vou querer meu dinheiro de volta. Desde já, estou me sentindo enganado. Pela nova regra, o tal Call não pode ultrapassar um minuto de tempo de espera para o consumidor ser atendido. Eu acho que o alvo mesmo vai ser este tal de consumidor. Vai tomar chumbo pra todos os lados.
Já tem gente aí dizendo que vai ser mais fácil um Boi voar do que a norma ser cumprida. Eu também tenho o direito de opinar. A minha é de que é mais fácil um Camelo passa no fundo de uma agulha... Êpa! essa é uma parábola do Velho Testamento. Não, é do Novo! e essa é de Cristo: É mais fácil um Camelo passar no fundo de uma agulha do que um rico se salvar. Será que é isso mesmo. É que ando meio enferrujado com a Bíblia. Deus que me perdõe, se blasfemei.
É que as coisas aqui no Brasil, meu Senhor! não dão para serem encaradas com seriedade. E tome multa pra lá, tome multa pra cá. É só de mentirinha. Aí, os bichos entram na tal da Justiça e os processos ficam lá engavetados. O tempo vai passando e todo mundo esquece. Cadê a Lei dos 15 minutos nas filas dos bancos? Aqui também, em Vitória da Conmquista, tinha uma. E essa era nossa, legítima! Sumiu, ninguém viu. E as filas do INSS? Nas emergências da saúde? Fila é bom demais, e brasileiro gosta. Tem gente que paga para entrar na fila.
EU SÓ QUERIA ENTENDER!
É isso aí, minha gente! Tá muito bom, mas temos mais uma. Eu só queria saber o por quê da nossa mídia dar menos peso e espaço a 400 mortes num país africano qualquer devido a confrontos políticos entre etnias, e muito mais destaque a 100 ou 120 mortes quando se trata de uma ação de "terroristas", ou resistentes, nos Estados Unidos, na Europa ou países aliados? Eu só queria entender. Para a mídia capitalista ocidental, 100 vidas têm mais valor nos EUA, na França, na Espanha ou na Iglaterra, que 400 na África.
Semana passada, quando ocorria uma ação de conflito na Índia, deixando cerca de 120 mortes, na Nígéria um enfrentamento religioso deixou mais de 400, e se falam que foram mais que isso. As emissoras deram a notícia com destaque do fato na Índia. Quanto a ação na Nigéria, não ouvi comentários sobre o assunto. Os jornais deram uma nota de pé-de-página como se fosse um "calhau" qualquer, como se diz no jargão jornalístico. Eu só queria entender.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

SOLO ESTÁ DESMANCHANDO

A mídia, principalmente as emissoras de televisão, só se preocupa em ocupar espaços na audiência quando se trata de catástrofes com consequências humanas. No caso das enchentes no Estado de Santa Catarina é só observar o que está acontecendo. O negócio, infelizmente, tem sido fazer sensacionalismo, sem mostrar o outro lado que causou tanto sofrimento nas pessoas que também têm parcela de culpa. A imprensa é mesmo vampiresca.
É bom ficarmos atentos porque temos exemplo dentro de nosa casa com relação a Serra do Periperi que vem sendo castigada pela depredação do homem há mais de 50 anos. A Serra foi toda esburacada pela ganância do homem, com a retirada de areia e pedras. Os escombros estão por todos os lados, e a área não parou de ser explorada, mesmo após o tombamento em 1996. As encostas foram ocupadas por moradias irregulares e quansdo chove desce do altos pedras e areia, invadindo ruas e avenidas.
VEJA O QUE DIZ UM PESQUISADOR SOBRE A SITUAÇÃO

Parte do solo do Estado de Santa Catarina está desmanchando. A afirmação é do professor do Departamento de Análise Geoambiental da Universidade Federal Fluminense, Júlio César Wasserman. Em entrevista na quinta-feira (27) à Rádio Nacional, o especialista esclareceu que o desabamento de terra ocorrido nas encostas de cidades do estado devido às fortes chuvas é um processo chamado solifluxão.
Segundo ele, na maior parte das vezes o fenômeno acontece devido ao desmatamento das encostas. “Quando se tem ocupação de favelas ou residências com pouca estrutura nessa áreas, esse processo vai ocorrer”, disse.Ele explicou que a espessura do solo das encostas é relativamente reduzida e que quando há chuvas, as águas penetram até a rocha sã (tipo de rocha que não virou solo). Por esse motivo, a terra ultrapassa sua capacidade de absolver essa água.
Fato acontecido em Santa Catarina. “A formação é como se fosse uma manteiga derretendo em um bloco de gelo”, exemplificou.Para o professor, o papel da Defesa Civil no momento, de identificar as áreas de risco nos estado, deveria ter sido realizado antes. Como exemplo de prevenção, Wasserman citou os trabalhos de conscientizaçã o da população feitos nas cidades de Petrópolis e Teresópolis, no Rio de Janeiro. “Quando atinge uma determinada quantidade de chuva, eles mesmos tomam a iniciativa de abandonar a casa e se instalarem em outros locais”, contou.
O pesquisador também destacou que, além de perder as casas, muitas famílias deverão perder os terrenos onde as moradias estavam construídas, já que as áreas desapareceram no meio da enxurrada. De acordo com ele, nos locais em que o solo se acomodar, será possível fazer uma análise geotécnica.Nesses casos, as famílias serão orientadas sobre como reconstruir suas casas. Para ele, no entanto, o quadro visto na catástrofe é de barrancos desmoronados e nessa situação a recuperação do terreno será praticamente impossível. “O custo para se construir uma casa pendurada em um barranco é muito alto. Essas pessoas infelizmente vão perder o terreno”, afirmou.
Na opinião de Wasserman , a responsabilidade pelos prejuízos é do estado. “Acho que existe uma grande responsabilidade do estado em ter legalizado esse terreno. Mesmo nas situações de invasão. Acho uma irresponsabilidade o fato do estado ter controlado essa ocupação nessas áreas de risco”, criticou. (Fonte: Radiobrás)

domingo, 30 de novembro de 2008

DESSASTRE, CORRUPÇÃO E ARTE

O Estado de Santa Catarina (Blumenau, Itajaí, Ilhota) foi arrasado com as inundações e quedas de morros e das encostas. A mídia, mais uma vez, aproveitou, como sempre faz nas ocasiões de catástrofes e tragédias, para destilar seu veneno sensacionalista. Carregou nas tintas do exagero e do excesso, focando suas lentes e manchetes no sofrimento das pessoas e famílias que perderam seus entes queridos. O que mais conta é fazer planos demorados nos rostos cheios de lágrimas dos atingidos pelas enchentes. As câmaras focam semblantes sofridos, ultrapassando os limites da dignidade. Isso é usar o sofrimento alheio de forma rasteira. Em geral, as Tvs espetacularizaram e capricharam nas cenas bizarras como puderam.

Infelizmente, cada emissora, cada veículo de comunicação está mais preocupado com a audiência. A ordem é fazer de tudo para tentar roubar o espaço do outro. O Datena, da Band, ocupou com sua equipe, um helicóptero que estava ali para socorrer os sobreviventes, e gritava do alto: Que imagem fantástica. É uma falta de respeito, e o jornalismo virou um circo de baixa qualidade.

Os veículos esqueceram, com rara exceção do SBT, mesmo assim, rapidamente, de fazerem uma análise mais aprofundada sobre as verdadeiras causas de tanta revolta da natureza contra o homem que a agrediu bem antes. Nada está acontecendo por acaso. Toda ação tem uma reação.

A mídia deixou de falar que nas cidades atingidas pelas chuvas, 80% ou mais das casas situadas em morros e encostas ou vales foram construídas em áreas irregulares. A mídia deixou de apontar os responsáveis que permitiram as construções nesses locais. A mídia deixou de citar as agressões e depredações que aqueles morros e toda a natureza em redor daquelas cidades vêem sofrendo ao longo desses anos. A mídia deixou de focalizar a ganância das imobiliárias, a exploração predatória dos rios, os cortes feitos nas encostas, para erguer moradias feitas com licenças compradas e viciadas. A mídia deixou de fazer uma análise mais apurada sobre a ação criminosa ao meio ambiente que não suportou as chuvas.

Sinceramente, nunca vi, em toda minha vida, toneladas de terras deslizarem de morros em meio a florestas e matas virgens. Nunca vi um morro vir abaixo onde não tenha sofrido cortes, qualquer depredação do homem, nem tenha sido utilizado para construções de casas e prédios.
Quanto ao jornalismo sensacionalista e aproveitador da miséria dos outros, é preciso separar o ato de produzir informações com o de abusar e o de agredir a dignidade das pessoas. A mídia, infelizmente, vem deixando um rastro de vulgaridade nas coberturas de tragédias e catástrofes. O direito à liberdade de imprensa acaba quando não se tem ética e responsabilidade.




A CULTURA DA CORRUPÇÃO


Com tantos desmandos e atos de corrupção, nepotismos, corporativismos,
fisiologismos e outros “ismos” incorporados no nosso povo desde a descoberta do Brasil, a prática do levar vantagem em tudo, embutida na propina e nos subornos e chantagens, virou uma cultura popular aceita pelo contribuinte que não se incomoda mais com o que acontece.

Basta averiguarmos os números de pesquisas para chegarmos à triste conclusão de que o nosso povo, infelizmente, apóia a corrupção. Pesquisa feita pela Comissão de Ética Pública da Presidência da República constatou que 78,4% já descumpriram as leis, 50,3% empregariam um parente se fosse um político, ministro ou chefe de um Departamento ou Secretaria, 30% usariam cartões corporativos em gastos pessoais como comprar tapioca.

Só estes números bastam para termos a noção da podridão. Mas, existem mais coisas que deixam qualquer estrangeiro extasiado e de boca aberta. Numa matéria feita recentemente por um veículo de comunicação da Bahia, ficou comprovado que a maior parte da população aprova a prática da negociação do voto, isto é, as pessoas querem vender o seu voto. E mais: a maioria das pessoas entrevistadas concorda que o político deve e pode tirar proveito do cargo. Nas repartições públicas sempre entra “um por fora” para facilitar a solução de um problema. Juiz protege juiz que vende sentenças. O investigador vira investigado e perde o cargo. Filantropia vira “Pilantropia”, e por aí vai...

Isto me faz lembrar o Capital de Marx quando ele afirma que o sufrágio universal não é nenhum instrumento de reforma e mudança. A tese cai bem para o Brasil. Não vamos muito longe. As eleições passadas, isto é, há um mês, nos deram um retrato fiel de manipulação, de compra de votos, abusos econômicos e processados sendo eleitos, inclusive gente que já estava na cadeia. Não existe mais essa de vergonha na cara. A origem de tudo isso está na elite. O mais lamentável é que temos um presidente dito de esquerda, ou vindo de lá, que nada vê e ainda acoberta os escândalos, dando apóio, como fez com Renan Calheiros, Severino Cavalcanti, de Pernambuco, ao irmão de Ciro Gomes, no Ceará, ao Mensalão e tantos outros casos estarrecedores.


TODA OBRA TEM EMOÇÃO


Li um dia desses na mídia um comentário de um professor de Literatura, jornalista e poeta que me deixou inquieto. Para ele, Ruy Espinheira, que foi colega meu de Faculdade, a obra para ser uma arte tem que ter emoção e romantismo, excluindo aí as linguagens artísticas baseadas no realismo e que retratem fatos reais.

Confesso que não entendi o academicismo. Não importa o gênero ou estilo, em toda obra nela está contida sentimentos de emoção, mesmo que não seja considerada de boa qualidade. O indivíduo quando escreve, pinta, faz música ou teatro, faz com emoção. Todos nós somos artistas por natureza. O que difere uma das outras pessoas é o dom, o talento, a aptidão e a profissionalização para uma determinada expressão artística. O ato de dançar, contar uma piada, fazer uma saudação em público, já é uma arte em si. O que distingue é a dedicação a um ofício.

Os conceitos academicistas e prepotentes ficam por conta da subjetividade. Neste caso, por retratar a realidade e trabalhar com fatos reais do dia-a-dia, o jornalismo deixa de ser uma arte. O livro biográfico não é, então, uma arte? Não tem emoção uma matéria jornalística? É muito subjetivo e arriscado apontar que essa ou aquela outra obra não foi feita com emoção.

É só o cara ganhar alguma notoriedade, virar acadêmico teórico, pra querer impor seus conceitos aos outros. Ninguém faz nada sem emoção. Entendo que não se faz jornalismo, nem se é um bom jornalista, sem uma pintada de emoção. Não estou falando em inventar, ou fazer sensacionalismo. A frieza é anti-jornalística. A neutralidade é uma mentira, e só a isenção é uma meta a ser perseguida todos os dias.

As obras de escritores que se baseiam em fatos reais para a elaboração de um livro, mesmo que seja romance, não são consideradas como artes? Quando se faz uma obra, nela está se destilando emoção. Se formos adotar esse conceito, as obras de escritores famosos como Jorge Amado, José Lins do Rego, Graciliano Ramos, entre outros, não têm nada de arte só porque seus trabalhos se baseiam em fatos reais. Só a ficção se salvaria.

No seu conceito não existiu e não existe nenhuma arte nos escritos, nas pinturas, no cinema, na dança, no teatro e nas canções dos russos da época de Stalin, principalmente, quando foi imposto o estilo “realismo socialista”. O cara era obrigado a escrever de acordo com a política do Comitê Central do Partido Comunista. Não é por isso que vamos dizer que tudo quanto foi feito na União Soviética, do período da Revolução em 1917 até o final dos anos 90, não foi arte. Foi o quê, então?

sábado, 29 de novembro de 2008

UM RESGATE DO PATRIMÔNIO

Casa Regis Pacheco - Foto José Silva
Não é só Elomar com suas sertanias, concertos e cantatas medievais, nem Glauber Rocha com seu cinema novo, crítico, evolutivo e realista. Estes nomes podem até ofuscar os outros, mas Vitória da Conquista, que já foi terra das boiadas, da garoa e das flores, vai se popularizando como a terra dos reisados e conta com uma gama enorme de valores artístico-culturais de peso na música, na literatura e nas artes plásticas, principalmente. Nas letras, tem gente da terra como Erathosthenes Menezes, Durval Menezes, o filólogo José de Sá Nunes e Claudionor Brasil; tem os poetas e escritores de renome Camilo de Jesus Lima e Mozart Tanajura que aqui chegaram ainda meninos e adotaram a cidade como se fosse seu torrão natal.



Conquista é um caldeirão de expressões e talentos artísticos que carecem de mais visibilidade, apoio e espaço para atingir o público com suas obras e trabalhos. A festa do Natal, a partir do final dos anos 90 nas praças Tancredo Neves e Barão do Rio Branco, fez ressurgir a alegria e a promoção de artistas locais e da cultura popular através dos Ternos de Reis. Por lá passaram também nomes de artista nacionais como Belchior, Guilherme Arantes, Flávio Venturini, entre outros. Na iniciativa privada, destacamos o trabalho do empresário Nozinho Quadros de reunir e apresentar os artistas locais e da região em shows do evento Música na Praça durante as exposições agropecuárias.



Os próprios artistas reconhecem que ainda existe um amplo mercado a ser explorado e clamam por mais incentivos dos setores público e privado. Na corrente da restauração do patrimônio arquitetônico dos antigos sobradões pela Prefeitura, despontam e se consagram na música os nomes de Evandro Correia, Lima Júnior, João Omar Figueira, Carlos Moreno, Alisson Menezes, Paulo Macedo, Papolo Monteiro, Vadinho Barreto, Dom Barros, as bandas Café com Blues e Brincando de Cordas (Rafael Barreto e Ananda Andrade). Nas artes plásticas temos os notáveis Adelson do Prado, Adilson Santos, J. Murilo, Silvio Jessé, Orlando Celino, o entalhista Edmilson Santana, Valéria Vidigal, Rogéria Maciel e Alberto David. Na literatura, Ezequias Araújo Lima, Carlos Jehová, Edgar Larry, Vicente Cassimiro e muitos no teatro e no cinema como Jean Marie, Gildásio Leite e Sônia Leite.



Além da Editora da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) que publica trabalhos científicos e literários de mestres da instituição, bem como de autores de diversos gêneros literários através de concursos, a cidade conta hoje com um grande acervo cultural, como a Casa Regis Pacheco, utilizada para exposições e eventos em geral, a Galeria de Artes Sérgio Souto, a Biblioteca e o Arquivo Municipal, os Museus Regional (administrado pela UESB) e o Padre Palmeira, cinco livrarias - Nobel, Letras e Prosa, Futura, Cairo Center e Multicampi – o Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima, o Teatro Carlos Jehová, Casa da Cultura, Academia de Letras e salas de música. Foi lamentável o fechamento da única sala de cinema, o Cine Madrigal (foi inaugurada outra no Shopping Conquista Sul) quando Conquista já teve seis ou sete em tempos passados.



Recuperação do Patrimônio




Com seus 168 anos de emancipação, Conquista ainda ostenta um patrimônio arquitetônico digno de estudo e muito cuidado na preservação. O certo é que grande parte desse acervo histórico foi destruído e sofreu intervenções negativas. Muitas obras foram simplesmente demolidas como os casarões que deram lugar ao Banco do Brasil (antigo Hotel Conquista) e a Igreja Batista (Barracão dos Tropeiros), entre a Barão de Rio Branco e a Praça Caixeiros Viajantes. Outros sobrados foram desfigurados em reformas, sem qualquer orientação técnica. Ainda existem construções representativas do modelo de arquitetura de uma época, com estilos que expressam diversidades culturais, sem tombamento. A historiadora Maris Stella Schiavo chama a atenção de que muitos casarões ainda estão sendo demolidos, e outros em visível estado de ruínas.



No entanto, ainda existe muita coisa para ser preservada, como a sede da Câmara de Vereadores, construída em 1908 pelo mestre de obras Luiz Alexandrino de Melo, conhecido como “Luiz Pedreiro”. Sua história se confunde com a própria história de Conquista, e seu estilo de construção (neoclássico) é único na arquitetura civil brasileira. Como os prédios do antigo Paço Municipal (sede da Comdecom) e do Ginásio de Conquista (atual Museu Padre Palmeira), a Câmara traz no telhado quatro estátuas. De presença feminina existem as casas de dona Antônia Fernandes dos Santos (única a exibir identificação da proprietária), onde funcionou a Biblioteca Municipal (em frente à Praça Tancredo Neves) e a de Dona Zeza, que pertenceu ao coronel Gugé, construída por ele em 1896.



Nos últimos três anos, a Prefeitura Municipal no governo de José Raimundo, se voltou para a recuperação arquitetônica desse patrimônio histórico. Começou pela reforma do casarão onde morou o ex-prefeito e ex-governador Regis Pacheco, situado na parte superior da Tancredo Neves. A construção da primeira década do século XX traz as marcas do mestre “Luiz Pedreiro”, com estilo neoclássico. Seu primeiro proprietário foi o coronel João Fernandes de Oliveira Santos.



O secretário de Cultura Gildelson Felício disse que José Raimundo na sua última gestão deixou uma marca importante que foi a completa restauração da Casa Regis Pacheco, mais uma alternativa cultural e espaço do memorial político. Segundo ele, a casa estava em ruínas quando se iniciou o trabalho de restauração que custou aos cofres públicos (municipal e federal) mais de R$250 mil, sem contar a parte do acervo feito pelo artista Orlando Celino. No aniversário da cidade (dia 9 novembro), dentro da Casa Regis Pacheco, também a Prefeitura entregou à comunidade cinco painéis de um metro e meio por um metro sobre cenas da história de Conquista. O secretário afirmou que a idéia dos painéis foi a de valorizar cinco artistas plásticos de renome – Orlando Celino, Adelson do Prado, Sílvio Jessé, J. Murilo e Adilson Santos.



No bojo desse programa foi também restaurado o prédio onde hoje é a Rede de Atenção da Criança (Praça Tancredo Neves). Outro patrimônio recentemente revitalizado em parceria com a iniciativa privada ArQ Decor foi o casarão, na mesma Praça, da antiga Biblioteca Municipal que passa a ser a Casa de Atenção da Terceira Idade. Em acordo com a Casa da Cultura, a Prefeitura irá reformar ainda o Solar dos Ferraz, um casarão de mais de 100 anos, ao lado da Receita Federal. Para lá deverá ser transferida a Casa da Cultura que, por sua vez, entrega sua sede do Solar dos Fonsecas para o poder público transformar em mais um espaço cultural.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

O ANO QUE O CONSUMO PAROU

Um dia, o visionário e místico roqueiro baiano imaginou o Dia em Que a Terra Parou. Ninguém saiu de casa para trabalhar porque não tinha ninguém para atender ou consumir. Depois de adquirir o que desejou, ele confessou que estava decepcionado e não queria ficar num apartamento com a boca escancarada cheia de dentes, esperando a morte chegar. É fim de mês, e as prestações vão chegando, mas o dinheiro não dá para pagar. É fim de mês, e as contas a nos azucrinar, como a mosca na sopa. Já imaginou o ano em que o mundo parou de consumir as bugigangas e os balangandãs criados pela tecnologia? Um ano sem supérfluos, sem os mitos superficiais, sem estilos e gostos massificados! Só o essencial para a vida.



No ano em que o consumo parou, ninguém mais comprou as breguices tecnológicas, nem se fez mais empréstimos para pagar empréstimos. Ninguém se importou com os novos lançamentos de celulares de mil funções, nem trocou de carro nas concessionárias. Ninguém foi mais às lojas adquirir vestidos de grifes, nem sapatos, calças e camisas. Ninguém trocou de geladeira, nem televisor e DVD de alta resolução. Nada de máquinas de lavar, batedeiras, liquidificadores, anéis, correntes, ou outras porcarias consumistas do capitalismo.



No ano em que o consumo parou, o homem também resolveu não mais procriar e desobedecer a Igreja. As siderúrgicas pararam seus fornos porque não tinha mais ninguém pra consumir o aço, pois a indústria automobilística também desligou sua linha de montagem. As fábricas petroquímicas também deixaram de operar. As petroleiras não quiseram mais perfurar, porque o consumo de combustível parou de aumentar. Só as unidades de alimentos continuaram a funcionar. As fumaças sumiram, e o dióxido de carbono deixou de violentar a camada de ozônio. A natureza começou a se renovar, e todos os rios correram livres para o mar, levando o cheiro das frondosas árvores.



Nesse ano, os bancos pararam de nos roubar, e os banqueiros foram arar a terra e trabalhar. As Bolsas e os mercados especulativos deixaram de fazer dinheiro parir dinheiro, papel parir papel. Os economistas param de prognosticar e chutar estatísticas. O cara do noteboock comprando e vendendo papéis podres na praia, foi embora. Ninguém mais falou de inadimplência, e ninguém mais freqüentou o prostíbulo orgístico do crédito. O deus consumo, ninguém mais o idolatrou. A mídia e a propaganda pararam de nos enganar. As máquinas das editoras aceleraram a produção do saber por que o conhecimento humano não podia parar.



Você deve estar matutando... Se o consumo parar, o desemprego será geral. Pense na vastidão da terra para plantar e as fabricas de alimentos para laborar. Imagine uma invasão pacífica dos campos e na formação de comunidades de produção. Fazendas movidas a energias alternativas, com a colheita de produtos orgânicos. Pense que as fronteiras podem se abrir e as muralhas desmoronar. A humanidade pode ser reduzida pela metade, e a paz pode reinar.



Se o consumismo parar é como tirar a cereja do capitalismo. Marx ressuscitar e o socialismo com a face humana se implantar. As guerras vão parar e a supremacia de um só não mais vai existir. Pense em mil coisas que podem acontecer e mudar. Pense sair da mesmice e outra via nos conduzir. Coloque sua cabeça para girar, seu cérebro para funcionar. Pense sair desse marasmo.



Pense que tudo é um sonho e que você pode sonhar. E se a terra também parar de rodar em torno de si e dos planetas? Você rolando perdido entre o universo de estrelas e outras galáxias? Hei! Está na hora de você acordar; levantar da cama; sair apressado; pegar um trânsito infernal; ler as manchetes de crimes, crises e escândalos; escutar a lengalenga das campanhas, azucrinando no seu ouvido para comprar besteiras; bater o ponto no computador; ouvir desaforo do patrão; comer um hambúrguer amassado no almoço; aturar o fiscal levar seu carro por falta de pagamento; e ainda ter seu nome no Serasa.



E o Natal que você vai ser obrigado a comprar presentes! Mandar cartão de Boas Festas; suportar a sogra lhe xingando; e a mulher lhe cobrando o champanhe, o vinho, o queijo e o peru! Pense no final do ano que você prometeu mudar e não mudou. Pense no próximo que você não sabe como vai ficar. É cara, você vai ter que encarar o sistema. Se preocupar com o desemprego, com as guerras, com a violência, com as mentiras dos políticos; se a vida tem sentido; com a existência; e por onde anda a tal de felicidade. A humanidade sempre está cometendo os mesmo erros. Não é legal! O pobre Sergipe insiste em ter a maior árvore de Natal do mundo!



Se ficar o bicho come, se fugir o bicho pega. A roda tem que continuar girando, cara! Não se preocupe, o governo vai lhe dar mais crédito para você consumir mais e mais; trabalhar e competir, passando por cima de quem estiver na sua frente; ficar endividado; negociar com as financeiras, lojas e bancos; se tornar nervoso e estressado; se empanturrar de remédios; acelerar sua velhice; e deixar um monte de dívidas quando partir para outra.



O trem está lotado e não se sabe o seu destino certo. Nele se vende de tudo, se mercantiliza, se troca, se joga e se trapaceia. A turma da Primeira Classe tem nojo dos candangos e retirantes. A solidariedade é uma farsa que só aparece nas catástrofes.



Os deuses nos soltam num labirinto. Difícil é sair dele. A inteligência financeira age como um software teleguiando os seres humanos e suas ações. O mais irônico nisso tudo é que vivemos isolados e alienados num mundo globalizado e cibernético. Como disse o Lama Padma Samtem, as escolas ensinam para o mercado, mas não ensinam para a felicidade.

domingo, 16 de novembro de 2008

EDUCAÇÃO INCREMENTA

UESB cresceu nos últimos anos com a criação de novos cursos

A educação privada de nível superior, que se juntou à Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), foi o último pólo a se estruturar no início dos anos 2000 e está avançando a cada ano, acompanhando o crescimento de outros setores da economia como a construção civil, o avanço do ensino público e da saúde depois da municipalização plena do setor feita pela Prefeitura Municipal.



A perspectiva aumentou ainda mais com a instalação de um campus da Universidade Federal da Bahia (Ufba). Só o ensino de terceiro grau de um modo geral já oferece cerca de três mil empregos diretos. A arrancada nos investimentos privados se deu justamente a partir do ano 2000 quando surgiram a Faculdade Independente do Nordeste (Fainor), a Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC) e o Instituto de Educação Juvêncio Terra. Só a Uesb, criada oficialmente em 1980, conta atualmente com 36 cursos nos campi de Conquista, Jequié e Itapetinga.



A Educação e a Economia



Estudantes da Uesb, da FTC, da Fainor e do Juvêncio Terra, vindos de outros municípios baianos e de diversos estados injetam por ano mais de R$40 milhões na economia de Vitória da Conquista, incrementando as vendas do comércio e o setor de serviços, principalmente bares, hotéis, restaurantes e a indústria da construção civil.



O pólo educacional criado em Conquista nos últimos oito anos representa um volume de investimentos maior que da Prefeitura Municipal, cujo orçamento está avaliado em mais de R$200 milhões e emprega mais de seis mil funcionários.



A Uesb atravessou um período de estagnação, mas nos últimos anos a universidade impulsionou suas atividades, graças a criação das três faculdades particulares. Houve uma ebulição nos segmentos literários, artístico e científico – conforme observam professores.



Com cerca de 10 a 15 mil alunos de nível superior, Conquista é hoje um centro que absorve um contingente populacional de 1 milhão e 500 a 2 milhões de pessoas, do São Francisco até o Médio Rio Pardo, em Minas Gerais.




CURSOS DA FAINOR - Criada em 2001, a Fainor tem os cursos de Administração, Ciências Contábeis, Direito e Engenharia da Computação, além de 15 pós-graduações. Segundo um dos sócios da instituição Joseval Andrade, a faculdade já está aguardando a visita dos avaliadores do Mec para a possível implantação dos cursos de Enfermagem e Fisioterapia. “A qualquer instante uma portaria deve ser publicada autorizando vestibular para os cursos de Farmácia e Engenharia Elétrica, devendo funcionar em fevereiro do próximo ano” - revela Andrade.

CRESCIMENTO DA FTC - Implantada há cerca de oito anos, a FTC vem registrando um significativo crescimento na oferta de cursos e ampliação de modernos laboratórios. Atualmente a faculdade está oferecendo para a comunidade os cursos de Publicidade e Propaganda, Administração, Nutrição, Fisioterapia, Enfermagem, Direito, Educação Física, Psicologia, Engenharia Civil e Sistemas de Informação.



Em termos de instalações, hoje, a faculdade possui 40 salas de aulas e 23 laboratórios. Segundo a Assessora de Imprensa da FTC, Shirley de Queiroz, o quadro docente conta com 101 especialistas, 42 mestres e 07 doutores, além de 13 instrutores.



A unidade conquistense está com alguns projetos em andamento como o FTC Verde que tem a intenção de praticar na FTC Conquista e na comunidade conceitos de sustentabilidade, reciclagem, alimentação saudável e responsabilidade social.



JUVÊNCIO TERRA - A faculdade conta com os cursos de Administração, Secretariado Executivo, Comunicação Social (Relações Públicas), Ciências da Informação e Psicologia. Estão em andamento os cursos de pós-graduação em Gestão Empresarial, Psicologia da Saúde, Comunicação e Marketing Empresarial, Psicologia da Educação, Desenvolvimento e Gestão de Pessoas, Gestão Pública, Controladoria Empresarial e Contabilidade e Planejamento Tributário.
A HISTÓRIA DA UESB - A instituição foi criada em 1980 e vem expandindo suas ações em pesquisas através de projetos em benefício da comunidade, incrementando a economia na região sudoeste. “A Uesb afeta diretamente o desenvolvimento de Vitória da Conquista em função da formação do capital humano, de suas pesquisas, da sua movimentação financeira no comércio local e também por atrair investimentos de diferentes setores econômicos” afirma o reitor da Uesb Abel Rebouças.



No campus de Conquista, dos 4.223 alunos matriculados nos seus 17 cursos, 1.451 são oriundos de outras cidades. O quadro docente conquistense é composto por 202 doutores, 360 mestres, 220 especialistas, seis graduados e cinco pós-doutores. Uma grande evolução foi a chegada do curso de Medicina aprovado há cinco anos pelo Conselho Superior de Ensino Pesquisa e Extensão (Consepe). Em Jequié foi implantado também o curso de Odontologia no mesmo período.



A história da instituição começa em 1962 quando foram criadas as Faculdades de Filosofia, Ciências e Letras nas cidades de Vitória da Conquista e Jequié. Embora concebidas naquele ano, numa década em que se dá a interiorização do Ensino Superior no Estado, o funcionamento das faculdades só se efetiva com a implantação dos cursos de Letras em Vitória da Conquista no ano de 1971, e os de Ciências em Letras em Jequié, no ano de 1972.



Em 1980 começa a se falar em Universidade, quando o Poder Executivo é autorizado a instituir uma Fundação para criar e manter uma Universidade no Sudoeste do Estado, o que ocorre naquele mesmo ano. Uma Lei Delegada, publicada ainda em 1980, extingue essa fundação e cria a Autarquia Universidade do Sudoeste, cuja implantação é regulada por decreto no ano seguinte. A partir de então, os trabalhos começam a se intensificar para a autorização de funcionamento da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia em sistema multicampi, obtida a partir do parecer favorável do Conselho Estadual de Educação, com o Decreto n.º 94.250 de 22 de abril de 1987.