terça-feira, 3 de janeiro de 2012

TOLERÂNCIA ZERO

Lá se foi 2011 com suas turbulências no mundo árabe, na Europa e nos Estados Unidos contra as ditaduras e o capitalismo concentrador e predatório. Lá se foi 2011 com suas alegrias, tristezas, derrotas, vitórias, decepções, depressões, separações, felicidades, ganhos e perdas. No Brasil da sexta economia, a corrupção não deu trégua.

Confesso que ainda não aterrissei em 2012, embora espere que seja melhor e que depois do Fome Zero que ainda não foi zerado se decrete o tolerância zero na corrupção, e não apenas uma simples remoção de seis ministros. Menos capitalização e mais humanização já seria um bom começo para se viver em harmonia.

Continuamos esperando pela prioridade na educação e socorro digno aos doentes nas portas dos hospitais. Enquanto isso, os aproveitadores não abrem mão de seus privilégios. Criam leis, códigos, cotas e estatutos para nos iludir. Vivemos ainda sob o comando da ditadura burguesa (o poder econômico) que elege os representantes parlamentares, os quais defendem seus interesses na hora de legislar em causa própria.

Nem ao menos começou o ano e se repetem as tragédias das enchentes no Rio de Janeiro onde milhões de reais foram desviados de obras prometidas para recuperação e prevenção.

O governador do Rio, Sérgio Cabral, na maior cara de pau, volta a dar entrevista à imprensa para explicar o inexplicável do porquê os 200 milhões não foram aplicados. Agora diz que vai liberar 300 milhões, e a desgraça continua. O que o povo já derramou de lágrimas daria para afogar os poderosos safados.


O povo abandonado à própria sorte chora no meio das enxurradas de lama, mas não reage e protesta. Acontece o mesmo em Minas Gerais e outras cidades do país onde as promessas de recursos não saíram do papel, sem contar os roubos e ninguém é punido. Ainda falam em diálogo.

No entanto, verbas existem para a construção de estádios e obras para receber os turistas endinheirados da Copa de 2014. A Fifa e as grandes corporações estrangeiras depois atravessam o Atlântico em seus aviões com os bolsos cheios, deixando um rastro de elefantes brancos. Enganam os otários dizendo que todos vão ser beneficiados.

Não bastam os inúmeros textos legais como a Constituição e a Declaração dos Direitos Humanos que definem a igualdade, deveres e direitos de todos perante a lei? O Brasil não precisa de leis de criminalização como da palmada. O que falta no Brasil é punição e vergonha na cara dos poderes constituídos.

Os estudantes e os trabalhadores se contentaram com algumas reformas do Estado burguês e perderam de vista os verdadeiros objetivos socialistas. Como exemplo, temos o Banco do Brasil que é uma grande estatal capitalista de mais de 12 bilhões de reais de lucro ao ano. Empresta aos grandes negócios. Para a agricultura familiar fica uma merreca.

São milhões os motivos no Brasil que já poderiam ter levado os brasileiros ao estado de indignação e revolta nas ruas e praças para dar um basta nos desmandos. Quem tinha a capacidade de fazer isso e arrastar os descontentes e desvalidos foi cooptado com benesses e cargos, ou conta com um dinheirinho para comprar presentes e fazer as festas de final de ano.

É só mais um ano de milhões de votos que vão cair nas urnas para eleger prefeitos e vereadores de cidades que nem deveriam ter câmaras. O sistema eleitoral falido vai ser o mesmo, e os fichas-sujas vão passar. Bilhões vão ser gastos, e os três poderes, inclusive os “bandidos de toga” vão continuar corroendo nossa “paciência bovina”.

Para 2012 só queria que nós brasileiros fossemos às ruas para clamar por tolerância zero contra a corrupção. É o único decreto do qual necessitamos para nos libertar dessa escravidão e desse jugo das classes dominantes que não estão nem aí para o país. Basta de engodo de sexta economia de miseráveis sem educação, saúde e segurança.

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