sexta-feira, 25 de abril de 2008

SEM EMPREGO E RENDA

Depois da decadência do algodão, a partir do início dos anos 90, quando grandes propriedades faliram e as fortunas se evaporaram da noite para o dia, Guanambi ainda não conseguiu se recuperar completamente. O município vive uma fase difícil, especialmente no campo da geração de emprego e renda. O comércio sofre as consequências, e a prefeitura de Nilo Coelho não tem feito quase nada para minimizar a situação. Deu na revista Integração que a economia vive momentos difíceis. As grandes redes lojistas pouco contribuiram para a economia, sem contar que levam para outras praças, o esscasso capital regional.
Sem uma agriculura forte(o feijão macaçar só tem sofrido perdas), que antes empregava de 150 a 200 mil pessoas, fica difícil se ter expectativas positivas. O executivo municiopal tem feito pouco para reverter o quadro. O prefeito atual não cumpriu com seu compromisso de estimular a vinda de grandes empresas para a cidade. As maiores lojas se queixam da estagnação das vendas somada com a inadimplência dos consumidores. O feijão que seria uma das alternativas do algodão, vem sofrendo sucessivas perdas com a falta de chuvas.
Os mais visionários estão vendo na estração dos recursos minerais a saída para o problema da economia, mas tem que contar com apoio dos governantes. Em Caetité, já existe a mineração de urânio. No mesmo município, está sendo implantada uma unidade de exploração de minério de ferro. Além do mais, a região possui grandes jazidas graníticas, de boa qualidade para o uso arquitetônico. Esses recursos geológicos precisam ser explorados e devem contar com o incentivo dos governos, mas é necessário que sejam agregados valores comerciais, evitando assim a exportação bruta de nossas riquezas, sem deixar aqui o emprego e a renda para as famílias.

O CANDINHEIRO

Também saiu na revista Integração, de Guanambi, uma matéria interessante sobre a pequena indústria(que não é mais pequena tanto assim) que produz óleo de mamona e incentiva os produtores da região de Iuiu, onde está localizada. Nas minhas andanças pelo sertão, lembro ter feito uma entrevista com seu dono, Ilídio Malheiros, quando estava iniciando seu projeto, que gera emprego e renda para centenas de famílias. Depois de mais de 10 anos, a empresa hoje está entre as 10 maiores da região em termos de arrecadação de ICMS. O empreendedor de visão, Ilídio, está valorizando o agronegócio através do beneficiamento da mamona, uma alternativa ao algodão que começou sua derrocata no final dos anos 80 e início dos 90. Trata-se de um empreendimento pioneiro, que muito contribui para a expansão da área cultivada de mamona.
De nome sugestivo, peça ainda utilizada como fonte de luz entre as famílias pobres do nosso sertão, Candinheiro trabalha atualmente com novos produtos, como o Cand-oil(top de linha)utilizado pelas indústrias que atuam na produção de resinas, e a torta, empregada na correção dos solos para as culturas de café e fruticultura. Com seu projeto, Malheiros mostra que é possível implantar desenvolvimento no sertão, ao contrário dos políticos que se contentam com as promessas. A indústria já processa mais de cinco mil toneladas de mamona por ano.

CERÁIMA NO LIMITE

Com capacidade de armazenamento de 58 milhões de metros cúbicos de água e construída entre os anos 50 e 60, a Barragem de Ceraíma, no município de Guanambi, está com apenas 10 mil metros cúbicos, e os produtores do projeto de irrigação que leva seu nome, estão preocupados em razão da possível escassez do líquido. A barragem foi constrúída para atender ao projeto(cerca de 100 famílias de irrigantes) e às cidades de Candiba, Pindaí e Guanambi. De lá para cá, não houve serviços de limpeza e a barragem esta asseroada por demais. A notícia sobre a situação está na revista Integração, de João Martins, que está completando 15 anos de circulação.
Para suprir as necessidades da população, o governo estadual construiu a barragem do Poço Magro, mas a água não serve para o consumo humano, nem para a irrigação. Sua capacidade é de 37 milhões de metros cúbicos. O que não dá para entender é o governo passar 10 ou até 20 anos para fazer uma barragem e depois se constatar que sua água não serve. É o nosso país das trapalhadas. O certo é que a população daquela região está apreensiva com a possível escassez de água. Por sua vez, os irrigantes estão tendo prejuízos incalculáveis em suas lavouras, sem contar a queda de renda das famílias

DIA DO LIVRO

Com o tempo suas páginas começam a ficar amareladas e, se não houver cuidado, a traça corrói suas folhas. Mesmo velho, o prazer de abrí-lo página por página permanece o mesmo, e até mais que antes. Sabe envelhecer conosco e é expressão de uma sociedade, documento, fonte de sabedoria, de divertimento, de aprendizagem, de solidariedade, de contradições, de dramas, tragédias e relacionamentos humanos. Ele é a invenção mais avançada das tecnologias que NO DIA 23(quara-feira) teve o seu Dia Mundial, pena que nem tanto lembrado como antes.

Claro que estou falando do livro que, apesar de todos os avanços dos meios eletrônicos e dos níveis culturais em baixa, continua vivo e amigo. Dos manuscritos aos papiros, da China antiga ao Egito dos faraós, da Grécia dos filósofos ao império romano, da Palestina de Jesus ao tempo do império Otomano, ele se fez vida e perenizou com a invenção de Gutemberg no século XVIII. Nele se fizeram verbo os ensinamentos do cristianismo, do judaísmo, do islamismo e de tantas outras religiões, seitas, filosofias e ciências. Ele se encarnou em nós para abrir a mente e alimentar o espírito.

Mas, os tempos mudaram; se modernizaram e surgiram as tecnologias eletrônicas. As ondas do rádio, da televisão e do computador fecharam, infelizmente, suas páginas para uma boa parte das novas gerações, mas ele continua e continuará sendo aberto por milhões de admiradores que nele saciam sua sede de conhecimento. Tentaram decretar sua morte por várias vezes, mas sua vida é eterna. Será que ele deixará de existir?

O escritor e filósofo Umberto Eco certa vez comentou que o livro pertence a essa classe de instrumento que, uma vez inventado, não foi aprimorado porque já está bom o bastante, como o martelo, a faca, a colher ou a tesoura. Ele pode ser levado para qualquer lugar e oferece prazer; é mais sentimental e mais romântico. Alguém já disse que ler numa tela de computador é como comer em restaurante a quilo. Ler um livro é como almoçar a la carte.

É uma verdade lamentável que com o baixo nível de ensino, com a internet usada para copiar programas; se ver sites de pornografias e para o bate-papo, o livro virou uma peça arcaica para milhares de jovens que se contentam com as imagens e o clicar de algumas mensagens mal escritas. Mas, engana-se quem diz que ele está obsoleto. A fita cassete deixou de existir, as máquinas analógicas também, o venil idem, mas o livro não.

É lamentável constatar que o baixo nível cultural está relacionado com o baixo nível de leitura do nosso povo. No nosso país, as bibliotecas, as livrarias, os sebos e as editoras se tornaram mais escassos. A literatura é o primo pobre das linguagens e das expressões artísticas. Para se ter uma idéia, na França, cerca de 20% da produção editorial é destinada às bibliotecas públicas. No Brasil, esse índice gira em torno de 1% . A política de incentivo à leitura não está sendo levada a serio, e o autor sofre para publicar sua obra, especialmente quando passa da etapa da impressão para a divulgação e a distribuição. O acesso aos editais são intrincados, burocráticos e concentrados em um grupo de privilegiados. A descentralização das capitais para o interior ainda é tímida. O pior de tudo é que muitas obras são publicadas e depois abandonadas nos porões das fundações públicas.

No Dia Mundial do Livro, transcorrido ontem(dia 23), pouco lembrado nas escolas e instituições públicas e privadas, não se tem muito o que comemorar. No entanto, é tempo de lembrar de Machado de Assis(cem anos de falecimento), de José de Alencar, de José Lins do Rego, de Gilberto Freyre, de Jorge Amado, de Clarice Lispector, de Saramago, de Gabriel Garcia Marques, de Pablo Neruda, de Castro Alves, de Álvaro de Azevedo, Cassimiro de Abreu, Augusto dos Anjos, Rachel de Queiroz, Olavo Bilac, Érico Veríssimo, Manuel Bandeira, Carlos Drummond e de tantos outros que permanecem vivos entre nós. Seja na forma de poesia, de crônicas, contos, prosas, romances, de pesquisa, ficção, biografia, ou ciência, ele será eterno. Como diz Luiz Fernando Veríssimo, no futuro ainda perguntarão se o livro tem futuro.