domingo, 28 de setembro de 2008

OS SUJOS SE ELEGEM

É uma enxurrada de denúncias de irregularidades, pedidos de impugnação, sujeiras e fedentinas, mas o Supremo Tribunal Federal mantém a candidatura desses políticos aos cargos nos legislativos e nas prefeituras. É a corrida final para o concurso público, não importando se o candidato tem ficha suja ou não. Domingo é o dia do brasileiro clicar os números e confirmá-los. Os escolhidos vão ocupar os cargos. Infelizmente, a maioria bota o cara lá na base da simpatia, porque é amigo do amigo do amigo da família, porque fez um favor, deu um emprego, um bem material ou lhe abriu um sorriso amarelo.
E assim, os sujos, cassados, presos nas cadeias, incompetentes, sem preparo e assistencialistas terminam ganhando o concurso público por um tempo de quatro anos, sem contar que tem gente com mais de 20. Os impugnados recorrem da lenta justiça, e o tempo vai passando sem julgamento. Ficam sub júdice e já sabem que é assim que a coisa funciona na pátria amada.
No Brasil são 5.564 municípios, se não me engano. O mesmo número concorrentes a prefeitos e igual vagas para vice-prefeitos. De vereadores são cerca de 200 mil. Muitos deles, entre candidatos a prefeitos e vereadores, estão com fichas sujas, mas o Judiciário Supremo permitiu.
Em Conquista são cerca de 150 concorrendo a 20 vagas para o concurso público de vereador, e mais três para a prefeitura. Para concorrer aos cargos não é preciso demonstrar competência, instrução, experiência, conhecer de leis, nem saber qual o papel de um parlamentar municipal.
Pelo andar da carruagem, como já disse aqui, a Câmara Municipal vai ter pouca renovação, cerca de 30 a 40%, e o nível em termos de conteúdo e conhecimento vai permanecer o mesmo de sempre de há 50 anos ou mais. É uma pena em se tratando de uma cidade do porte de Vitória da Conquista, a terceira da Bahia, com mmais de 300 mil habitantes. É candidfato que leva escola para zona rural, posto de saúde para o bairro, asfalto para sua rua e nem fala do papel de um vereador. Aliás, isso não importa mais, e tome promessas descabidas no eleitor.
Com o nível de educação que temos, o eleitor vai demorar a votar nos candidatos certos e preparados, sem essa de vender votos por favores como a maioria pensa. Para ser realista, é muitos triste o quadro, e o voto ainda não é a arma de mudança para melhorara a situação. É lamentável, mas é a pura verdade, nua e crua do nosso país.
No mais, as cidades estão contaminadas pela poluição visual, como pode se ver em Vitória da Conquista. As cidades também ficam sujas. Como se vê, não é somente os fichas sujas que vão ser eleitos. Quem vai limpar a cidade. São os contribuintes que votaram neles.

IMPUNIDADE PROMOVIDA

Alguém se lembra do massacre de Eldorado de Carajás ( Pará) em 1996 quando 19 trabalhadores rurais foram mortos pelo tropa de militares comandada pelo coronel Pantoja? Pois é, a imprensa noticiou enquanto estava dando audiência. Ninguém fala mais nisso, como tantos outros fatos absurdos por esse país a fora que caem no esquecimento.
Agora a governadora Ana Júlia Carepa, do PT, eleita com apoio de movimentos sociais ligados à questão agrária, promoveu entre 87 a 90, uma associação de policiais, a cabos soldados que participaram dos crimes. É a impunidade sempre prevalecendo no Brasil e sendo promovida. É o Brasil do corporavitismo, onde juízes protegem juízes e políticos fazem leis para eles se refastelarem no banquete do capitalismo corrupto e degradante.
Enquanto as escutas ilegais eram realizadas em criminosos ou pessoas sem título, tudo era permitido. Policiais realizavam interceptações ilegais e depois buscavam autorização judicial. Agora, a agressão chegou ao Supremo Tribunal Federal, e aí tudo muda de figura. Leis foram aprovadas às pressas. Tem muito mais que isso meu leitor. Coisas estarrecedoras.

O BRINQUEDINHO DOS CIENTISTAS

É uma pena! Lá se foi o binquedinho do acelerador de partículas dos cientistas, na fronteira da Suíça com a França. Confesso que não consegui dormir de só pensar que foi adiada a descoberta da origem do universo. É a humanidade futil que gasta bilhões num projeto maluco para tentar descobir o mistério do universo, enquanto um bilhão de pessoas passa fome e miséria, sem falar de milhões mortos e mutilados pelas guerras.
Ainda dizemos com o maior cinismo e falta de conhecimento que somos pessoas civilizadas. É, mas os panacas da Suiça vão tentar consertar o brinquedos deles para fazer funcionar lá pelos meados do próximo ano. Vai ser uma revolução! Que dramalhão!
É tanta babaquice nesse universo que Deus já deve ter virado as costas para a humanidade. Aplaudimos tudo quanto é besteira e nos esforçamos para termos sempre o pensamento único, sem oposição. Imitamos os outros mundos capitalistas burgueses e fazemos das trispas coração para acompanharmos, bem comportados e na moda, o mundo do consumismo, da aparência e da estética. Viva o superficial! Viva a idiotice!

É PROIBIDO MELHORAR

E o Programa Bolsa Família continua sem saída para a pessoa deixar de viver da doação e melhorar de vida. Não era isso que o PT pregava para o povo brasileiro. Para ter direito ao benefício, a renda per capita da família não pode exceder a R$120,00. Se a pessoa ganhar um real a mais, ou seja , R$121,00 está fora do programa. É mais um dos absurdos do Brasil. Quer dizer que o brasileiro não pode melhorar de vida? É uma setença de miséria.
A imprensa baiana fez uma matéria com uma senhora, relatando que ela teve seu benefício bloqueado porque recebia R$106,00 e mais R$80,00 da pensão que seu ex-marido dava todos os meses. Se fizer um trabalho para fora, mesmo que seja sem carteira assinada, é um risco e pode perder a Bolsa. Nesse país, quem ganha um salário mínimo já é visto como classe média. Quem ganha a Bolsa Família já saiu da miséria e já está em outra classe de renda.
Em Salvador 142.185 famílias recebem o Bolsa Família, mas existe uma demanda reprimida de 24.662 famílias. No Estado são 1.865.001 inscritos e 1.416.135 atendidos. Estão aguardando na boca de espera para receber o pirão no bico, 448.866 famílias. O Programa foi criado para socorrer os famintos que vivem na miséria, mas, precisa com urgência se encontrar uma saída para tirar essa gente da pobreza e dar uma carta de alforria , de auto-estima e dignidade para essa gente.

QUEM VAI NOS PROTEGER?

Nesse país rico do meu Deus, cheio de belezas naturais e corruptos por todos os lados, de janeiro a agosto o brasileiro pagou 40,5% de tributos. De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, os ganhos obtidos entre o período de junho a julho foram para pagar planos de saúde, educação, segurança e previdência. Na verdade, você só começa a trabalhar para si, para comer, se vestir, curtir lazer, férias, etc, a partir de primeiro de outubro que começa nesta semana. Alegria! alegria! Estamos libertados. Que nada, pura ilusão!
Vivemos num país das aberrações, dos maiores absurdos possíveis. Aqui, somos obrigados a pagar o máximo e a reecber o mínimo. Ficamos com as migalhas e ainda somos a gente mais feliz do mundo. Veja os itens que você mais paga impostos: Luz - 45,80%; Água - 45,11%; Café - 21,18%; Açúcar - 32,14% e a cervejinha no final de semana - 56%. Somos ou não somos otários demais!
Neste ano, os tributos que vão cair no Tesouro devem se somar mais de R$1 trilhão. Em 2007 foram R$926 bilhões. No primeiro semestre, a arrecadação atingiu 38,9% do PIB (Produto Interno Bruto), isto é, todas as riquezas apuradas do Brasil. Em cobrança de impostos, o Brasil é o vice-campeão. Só é superado pela Dinamarca, mas lá você é protegido e recebe tudo de volta. Aqui, quem vai nos proteger?

OS MAIS CORRUPTOS

Não é nenhuma novidade a ONG Transparência Internacional ter classificado o Brasil entre os mais corruptos do mundo numa lista de cerca de 150 países. Mas, o governo se ofendeu, contestou e veio com essa de que existem muitas irregularidades no âmbito público e privado que não podem ser consideradas como corrupção. Ora, é até substimar a inteligência dos outros. Aliás, somos visto por eles do lado do poder como otários, comodistas e burros.
De acordo com a avaliação da ONG, na América do Sul, o Brasil é mais corrupto que a Argentina, Bolívia(ganha pra gente no índice de afalbetização), Paraguai(que nós dizemos que é um país pirata), Equador e a Venezuela. Nosso país só é superado pela Somália, Miamar, Iraque, Haiti e Afeganistão.
São mais honestos que nós o Chile, Uruguai, Botswana, Porto Rico, Costa Rica, Jordânia, Malásia, África do Sul, Turquia, Naníbia, Samoa, Tunísia, Cuba, El Salvador, Gana, Colômbia, China, México, Peru e Suriname. Olha! é bom até ficar calado. Se em corrupção estamos entre os 80 maiores, imagina na questão impunidade!. Nesse item, tenho certeza que somos campeões, com medalha de ouro, subida ao pódio e direito a choro e ranger de dentes.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

NAS TREVAS DO ENSINO

Até o início dos anos 60 se respirava cultura no Brasil, e os colégios públicos eram detentores dos melhores níveis de ensino. Em Salvador, por exemplo, o Colégio Central da Bahia era notável pela sua educação, e o corpo docente de primeira linha. Dele saíram nomes importantes da intelectualidade, da política, das artes e da literatura baiana e nacional, como Glauber Rocha, Calazans Neto, João Carlos Teixeira Gomes, Florisvaldo Mattos, Fernando da Rocha Peres (os dois últimos meus professores), dentre outros. Naquele tempo se devorava jornais, revistas e livros na busca pelo saber e pelo conhecimento. Aí veio o golpe militar de 1964 e tudo se desmoronou. Os generais procuraram logo atrofiar nossas mentes, e o país mergulhou nas trevas do ensino que se prolonga até hoje.

Durante a ditadura militar, de 1964 até final dos anos 80 (mais de 20 anos), o que vimos foi uma propaganda impregnada de fascismo e nacionalismo exacerbado, desconectando as novas gerações da educação e da cultura. Tudo foi bem planejado para tornar o povo alienado e não pensar. A ordem era não protestar e não se manifestar. Coma a educação podada, foi o tempo dos slogans “Brasil! Ame-O ou Deixe-O”!, “Avante Brasil”!

Passados os anos de chumbo, veio a onda da democratização a partir da Constituição de 1988, mas tínhamos uma juventude sem rumo e senso crítico, mais levada pelos interesses escusos dos políticos mal-intencionados, do que pela própria conscientização dos seus destinos. Com a empolgação da democratização, e embalados pelos conceitos modernizantes da época, caímos nas armadilhas de uma reforma vesga onde o aluno finge que aprende e o professor finge que ensina. Lembro que no meu antigo Curso Ginasial quando um professor não ensinava bem, nos reuníamos para exigir do diretor do colégio a troca por outro mestre competente. Ninguém faz mais isso nos tempos atuais. Apenas o fifó de um candeeiro para iluminar a escuridão.

Com a desvalorização do professor, a queda da hierarquia dentro das salas de aulas, o encurtamento do tempo de estudo e as facilidades na aprendizagem, a educação caiu no fundo do poço. A matemática e a língua portuguesa foram as maiores vítimas, e o raciocínio lógico se evaporou. A cata de votos, os políticos e os governantes nunca mais priorizaram a educação. Como nos tempos dos militares, eles acharam e ainda acham que assim está bom demais para manipular o voto e deixar tudo como está.

Sem educação de qualidade, boa parte da população não consegue sair da pobreza e despertar para a conscientização política. Outra parte de maior poder aquisitivo, devido ao baixo nível de ensino e cultura, também não sabe escolher o candidato certo e preparado. A conclusão é que a maioria não sabe votar, e o voto nem sempre termina sendo um instrumento de mudança como se propaga.

O voto que seria a arma democrática para virar o jogo resultou em desesperança e ilusão. Na falta de uma boa educação, persistiu até hoje a cultura do voto de favores, de interesses e simpatia. Como o eleito não é cobrado, tudo continua como Dantes na Casa de Abrantes. Por outro lado, os bons caem nas amarras do sistema e do pensamento único onde fazer oposição é fora de moda. Quem vai nos proteger?

Bem, a degradação na educação emperra o nosso real desenvolvimento (não estou falando de crescimento econômico) e deixa o povo apático e desinformado diante dos desvios de conduta. Sem consciência política é bem mais fácil ser enganado. Sem organização para protestar e mudar a situação, a corrupção e a impunidade parecem não ser problemas nosso.

Sobre o nível de ensino no país, vejamos o que dizem os números do IBGE( Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Apenas 20,4% dos jovens com idade de cursar a universidade conseguem ingressar no ensina superior. O pior ainda é que 73,3% só encontram espaço em instituições privadas. A educação brasileira precisa é de mais investimentos e mais faculdades públicas, e não de cotas e do tal Prouni.

Na Bahia, os dados são mais vergonhosos. Entre os 644 mil estudantes na faixa etária de 18 a 24 anos, 79,6% estão fora dos cursos superiores. Destes, 50% ainda estão no ensino médio e 20,9% não terminaram sequer o fundamental. Na avaliação, a Bahia está à frente apenas dos Estados de Alagoas e Sergipe. No nosso Estado, somente 20,4% dos jovens entre 18 e 24 anos cursam o ensino superior. Piores que esse índice só Alagoas e Piauí, com 18,2% e 17,7%, respectivamente. São Paulo, com 62,3% e Santa Catarina, com 61,4% apresentam os melhores números, seguidos do Distrito Federal, com 61,1%. Em Salvador (quase três milhões de habitantes), só existem sete bibliotecas públicas e outras dez comunitárias caindo aos pedaços e fechando às portas por falta de ajuda do poder público.

Mas, a política do governo é disseminar por aí cursos e mais cursos profissionalizantes. É uma maldade das grandes, tendo em vista que muitos saem do ensino médio sem saber ler e escrever. O negócio agora é criar eletricistas, torneiros e mecânicos analfabetos funcionais, sem nenhuma formação acadêmica.

É por essas e outras que os jovens estão cada vez mais acomodados e se afastando da política. Nestas eleições, 20% dos jovens de 16 a 17 anos no Brasil não vão votar. Na Bahia, os dados de uma pesquisa de opinião constataram que 44% não vão às urnas. E foram os estudantes que brigaram para que o Congresso votasse a lei permitindo que o adolescente de 16 anos votasse. Os políticos adoraram a idéia e ficamos com a incoerência: Quando o jovem de 16 anos vota, ele é um cidadão consciente, mas quando comete uma infração, trata-se apenas de uma criança, sem discernimento entre o certo e o errado.

Com as estatísticas bombando os índices econômicos e dizendo que em 18 anos o nível da igualdade social vai se comparar ao dos países ricos, ninguém enxerga a calamidade na educação. Temos U$200 bilhões em reservas e previsão de crescer entre 5 a 6% neste ano, mas com um déficit público de R$1,3 trilhão e um déficit em transações correntes (operações com o exterior, como balança comercial, despesas com viagens internacionais, entre outras) de U$28,8 bilhões.

Mesmo assim, estamos todos contentes e vibrando porque temos mais brasileiros na classe média, no conceito baixo de um salário mínimo a R$1.300,00. Logo, logo não haverá mais pobreza, mesmo com os piores índices de educação que jogamos debaixo do tapete, e seremos todos felizes para sempre na escuridão do saber, da leitura e do conhecimento. Não estamos decepcionados como o artista Raul Seixas.

domingo, 21 de setembro de 2008

REALIDADES PARADOXAIS

De um lado a décima maior economia mundial, com crescimentos na faixa de 5% ao ano, Produto Interno Bruto (PIB) em torno de R$1 trilhão e reservas cambiais superiores a U$200 milhões. Do outro lado, um país com índices educacionais baixíssimos, só superados pelo Haiti e Guatemala na América Latina, e com alta concentração de renda.

Segundo dados revelados pela PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), a taxa de analfabetismo entre as pessoas com 15 anos ou mais é de 10% em 2007 (10,4% em 2006). Apenas países muito pobres, como Haiti (37,9% e Guatemala (26,8%) têm índices maiores. Temos uma triste realidade paradoxal que nos envergonha.

Como entender que nações com renda média inferior à do Brasil como a Bolívia e o Equador tenham desempenho melhor na educação? Na Bolívia, a taxa de analfabetismo é de 9,7% e no Equador de 7,4%. Aqui, o analfabetismo não caiu nas faixas de 10 a 14 anos e de 15 a 17 anos. Entre as regiões, no Nordeste o analfabetismo aumentou de 6,4% para 6,8% entre 2006 a 2007. Com mais de 15 anos, 21,6% dos brasileiros são analfabetos funcionais. No Nordeste, a taxa é de 33,5%. Temos uma boa quantidade de crianças matriculadas (97,6%) e uma qualidade ruim.

Um país com baixo índice na educação e concentração de renda estonteante é um país sem consciência política, sem consciência de classe. É ainda um país dependente politicamente das nações ricas que sugam o sangue do mundo subdesenvolvido ou, como queiram, emergente. Ainda somos uma nação cheia de contradições como pintou o sociólogo e escritor Florestan Fernandes na década de 60. A ideologia dos “sem poder” não é a mesma quando chega a esse poder, para mudar o quadro de diferenças.

O conceito de subdesenvolvimento se mede pelo distanciamento tecnológico, científico e do conhecimento. Ainda é o Brasil das commodities (produtos primários) de que fala Florestan, com seu papel secundário de subsidiar o desenvolvimento do Primeiro Mundo. Ainda é um país apático e insensível à corrupção, onde a pobreza acha que o político deve vender seu voto. Não é mesmo o país que queremos.

Estudos do PNAD dão conta de que a renda média do trabalhador em 2007 registrou um tímido aumento de 3,2%, bem inferior a de 2006 e 2005. Mesmo com a renda média de R$ 960,00, o trabalhador não recuperou o patamar de R$1.003,00 alcançado em 1998.
Em 2007 houve também um crescimento do número de ocupados. De acordo com o IBGE, esse crescimento, em torno de 7 a 8% nas regiões, se deveu ao aumento do agronegócio e o reajuste do funcionalismo.

Na apuração da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, houve uma redução na concentração de renda que, pelo Índice Gini (mede a desigualdade e varia de 0 a 1 – quanto mais próximo a 1 maior a desigualdade) passou de 0,541 para 0,528. Mesmo assim, a concentração ainda é alarmante e vergonhosa. Pouco mudou nos últimos anos na relação dos 10% mais pobres. Em 2007, eles detinham uma parcela de 1,1% do total dos rendimentos do país. Do outro lado, os 10% mais ricos da população tinham 43,2% das riquezas.

A partir desses números alarmantes, pode-se tirar a conclusão do paradoxo que é nosso país. A economia cresce, mas as riquezas permanecem nas mãos dos poderosos, especialmente dos banqueiros que continuam sendo os mais privilegiados. O bolo cresce, mas a distribuição é desigual. E não são os programas de bolsas família que vão tirar a diferença. O rendimento médio de todas as fontes, que inclui aposentadorias, aluguéis e os programas sociais, cresceu 2,7%, a menor taxa nos últimos anos.

Por aí dá para se perceber que o nó da questão está numa boa educação para gerar, em médio ou longo prazo, a geração de emprego e renda. Sem a educação não há desenvolvimento, nem democracia onde as pessoas possam cobrar seus direitos e denunciar as injustiças sociais.

A maior parte do nosso povo tem geladeira, fogão, telefone e televisão, mas poucos têm educação de qualidade e, consequentemente, conscientização política. Dessa forma, o nosso Brasil, vai continuar travado e crescendo bem abaixo dos países emergentes, como China, Índia e Rússia.

sábado, 20 de setembro de 2008

NA RETA FINAL DAS PROMESSAS

Estamos chegando na reta final do horário eleitoral gratuito (nada de graça) para os partidos políticos e seus respectivos candidatos ao legislativo e ao executivo. Está chegando o momento deles fazerem seus agradecimentos e gentilezas ao eleitor, reforçando o pedindo de votos e promessas, algumas as mais enganosas possíveis.


Os programas, boa parte monótona, deixaram uns irritados e outros perplexos pelos discursos invertidos, principalmente de muitos vereadores que trocaram a noção de legislar por executar. Mas, com essa cultura que se arrasta desde os tempos do coronelismo, ou do colonialismo, só podia dar nisso. E, por incrível que pareça, foi assim que o povo se acostumou ao longo dos anos.
Para o povo, com pouca instrução e educação, e sem a noção do verdadeiro papel do parlamentar, o vereador a uma Câmara Municipal tem que mostrar obras. Seguindo esse roteiro maluco e destrambelhado, boa parte dos candidatos disseram que vão fazer postos de saúde, escolas, estradas e melhorar a saúde e a educação do seu município.
No arrastão da desinformação e da falta de conhecimento político, muita gente acha mesmo que o vereador deve comprar o voto, dando dinheiro, cesta básica, telha, cimento, festa de aniversário, caixão de defunto e até pagar uma cervejinha no bar. Por essas e outras é que não existe a cobrança do eleitor para com o candidato que votou e se elegeu.
O eleitor que vendeu seu voto não tem nenhuma moral de cobrar nada depois do parlamentar, pois este já pagou através de favores, espécie e bens materiais. É triste, mas ainda se vota por favores, ou porque fulano ou fulana é uma boa pessoa boa e simpática. Pouco se olha a qualidade para exercer a função. Ainda persiste o voto de cabresto. Com esse comportamento, vamos continuar distante do desenvolvimento almejado para a nossa cidade.
Conversando com alguns vereadores, confessaram que receberam muitas propostas de compras de voto. No horário reservado aos vereadores, o que mais se viu foi um festival de promessas com inversão de valores em realçao à função de um parlamentar e a de um executivo. E é isso que vai persistir durante os mais quatro anos de mandato na Câmara Municipal.
Pelo andar da carruagem das pesquisas, o nível não vai melhorar e o vereador vai continuar mais preocupado em resolver interesses de indivíduos e grupos, que propriamente legislar, fiscalizar, aprovar e discutir projetos. O interesse individual vai continuar acima do coletivo.
Sem nenhum preconceito, o vereador deve ser uma pessoa capacitada e com nível de conhecimento e saber razoáveis para desempenhar sua função. É claro que antes de tudo deve ter ética e honestidade. Para dizer a verdade, ainda não é desta vez que vamos ter uma Câmara à altura da terceira maior cidade baiana que é Vitória da Conquista.
Queremos uma Câmara mais atuante nas discussões e nos embates sobre os problemas do município. A renovação deve chegar a 30%. Não é de forma alguma o ideal. Lamentavelmente, ainda existe uma grande apatia e distanciamento entre povo e Câmara, e um exemplo bem visível está nas sessões realizadas durante os dois dias da semana. A Câmara prescisa de reformulação, renovação de seus conceitos e conteúdos.
Bem, quanto aos programas dos candidatos ao executivo, de um modo geral foram mornos e sem muita coisa que despertasse a atenção, a não ser que surja algo importante nesta reta final das eleições. As propostas e promessas de trabalho dos candidatos se situaram em nível genérico, na base do vamos construir, melhorar, realizar, resolver, desenvolver, providenciar, sem especificar pontos, apontar dados concretos e origem dos recursos para as citadas obras e serviços.
De um modo geral, não houve planejamento de projetos específicos, com detalhes e convencimento de realizações. O programa de Herzem Gusmão (PSDB), que começou a bater desde o início, correu livre sem sofrer estocadas mais fortes. Profissionalmente foi o mais bem estruturado, com recursos de mais movimento, e alinhado com peças atrativas. Foi mais imaginativo e criativo. Mas, não adianta ser só bonitinho e bem feito. De qualquer forma, procurou dar o recado e atingir o alvo.
O de Esmeraldino Correia (PDT), faltou uma uma injeção de dinamismo, com discurso mais afinado para o cargo que está pleiteando. Careceu de mais atrativos e convencimento para o eleitor. O seu formato deveria ter sido reformulado desde o início. No bom sentido, faltou mais agressividade. Sem desmerecer o trabalho da equipe jovem de jornalismo, bem que os textos e as locuções poderiam ser melhorados e lapidados. Faltou mais garra e confiabilidade, mas foi ético, só que não soube atingir o alvo ou alvos.
O candidato se prendeu muito à sua ocupação passada como comandante do Batalhão, e a determinados segmentos isolados. Desperdiçou tempo. Governar uma prefeitura do tamanho de Conquista, com interesses variados de grupos, é bem diferente de dirigir uma empresa ou entidade. Numa empresa, você dar uma ordem e ela é cumprida. Numa prefeitura, não é assim.
O program do PT, de Guilherme Menezes, se fixou muito nos apoios de peso e realizações do passado. Somente agora, na reta final, vem apresentando propostas, e isso é bom porque é o que a comunidade mais está querendo ouvir. Pelo menos até aqui, não respondeu nem revidou diretamente aos ataques de Herzem Gusmão, que procurou passar a imagem de que Guilherme iria ficar exercendo seu cargo de deputado em Brasília.
O mais positivo é que não houve baixaria, pelo menos até aqui. É normal candidato bater no seu adversário na linha administrativa. Como numa luta de boxe, existem golpes legais e os de baixo nível. O golpista desleal deve ser punido pelo Tribunal Eleitoral e pelo eleitor consciente.
No geral, as equipes, umas mais profissionais que outras, procuraram seguir o receituário marqueteiro político, sem apresentar novidades. Aliás, ainda não inventaram um novo marketing político, além da maquiagem dos candidatos. O esquema é o de sempre colocar um personagem que não corresponde à realidade brasileira.
Teve candidato que pousou de bom moço, mesmo tendo telhado de vidro. Os programas até que apresentaram cenas divertidas e engraçadas em algumas ocasiões, mas não deixam saudades. Esperamos que os próximos tenham mais qualidade, criatividade, conteúdo e que as mensagens sejam mais realistas.
Ainda não reinventaram o marketing político. Permanece a mesmice, a imitação e a montonia de sempre. O marketingo político no Brasil reflete a cara do nosso eleitorado, ainda sem um nível satisfatório de conscientização política.. Mas, isso acontece não somente no marketing. Observem e acompanhem o dia-a-dia da nossa mídia.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

APERTEM OS CINTOS...

Nunca era de se esperar que os Estados Unidos, que sempre defenderam a liberalização do mercado na ótica neoliberal da economia, e com sua imposta política de Consenso de Washington, fossem um dia estatizar empresas. Agora estão adotando a política da socialização das perdas, com o socorro a várias financeiras, inclusive à seguradora AIG ( quase U$40 bilhões).
A crise financeira é séria demais e já se alastrou pelo mundo todo como rastilho de pólvora. Só quem ainda não percebeu foi o governo brasileiro. Com a evolução da crise, até o ministro Mantega pode virar uma Margarina. Os bancos centrais de vários países estão injetando mais de U$200 bilhões para tapar rombos, mas isso só vai fazer protelar o caos.
As bolsas de valores estão caiando pelas tabelas e escorregando na ladeira de lama, ou derrubando os castelos de tortas construidos pelos Estados Unidos há oito anos com as tais facilidades e trocas de papéis no comércio imobiliário. Os calotes foram se sucedendo, e a bolha estourou de vez. Primeiro o governo americano disse que não ia acudir ninguém, mas voltou atrás e gerou mais ainda desconfiança no mercado. Nos últimos dias, a injeção de recursos dos EUA, Japão e da Europa em financeiras já ultrapassa U$1 trilhão. É muita grana.
Aponta um especialista no assunto, que na década de 90, as crises tinham origem na periferia da economia mundial, como no México, Tailândia e Rússia. Agora, a maior economia do mundo toma aquele tombo. A temperatura financeira parece não ter fim, acusando a maior intervenção de todos os tempos do governo Busch. Os EUA foram forçados a optar pela regulação e a supervisão.
Não se pode negar que a economia brasileira, desta vez, está mais sólida para segurar o tranco, e não vai "cair de quatro", no linguagem do ministro da Fazenda. Não se pode negar também que a crise vai afetar o país, mesmo com reservas de mais de U$200 bilhões. Já está havendo queda no turismo (dólar pode chegar a R$2,50), e as eexportações vão ser reduzidas.
No mercado financeiro já está havendo problemas de liquidez e os bancos estão encurtando os prazos de empréstimos, inclusive para carros e outros bens, embora a Federação dos Bancos negue, como sempre faz, para acalmar os ânimos. Os juros domésticos vão subir mais ainda para frear o consumo que vai refletir na produção.
Os preços das commodities (produtos primários) já incomodam e as econmias dos países emergentes, como China e Índia vão crescer menos, diminuindo as importãções de mercadorias, como soja e ferro. O governo brasileiro vai ter que cortar gastos, especialmente de custeio, e não estancar de vez os investimentos, pois pode gerar uma onda de desemprego.
O Caixa do Banco Nacional de Desenvolvimento Ecônômico(BNDES), que é sustentado com dinheiro do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), está secando, pois nos 12 meses encerrados em junho já havia aprovado R$108 bilhões. Como as grandes empresas vão ter dificuldade de captar dinheiro lá fora no exterior, a pergunta é como o banco vai ajudar esse segmento da economia? O cerco está se fechando rapidamente. O negócio é colocar logo as barbas de molho como alertou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e não ficar dizendo que não vamos ser atingidos.
Durante muitos anos de jornalismo como repórter de economia já assisti várias vezes esse filme de terror. E não me digam que o pobre classe média não sofrerá as consequências! É quem mais vai sentir a porrada. Só digo uma coisa: apertem os cintos e recolham os cartões de crédito na gaveta até passar a tempestade.

E TOME EUCALIPTO

De acordo com o Ministério Público Estadual, a Veracel Celulose está realizando uma expansão predatória em toda região do Extremo Sul da Bahia, com o plantio de eucalipto, especialmente no município de Eunápolis. Dianto do absurdo, o MPE instaurou inquérito, observando que o eucalipto está tomando o lugar das lavouras e expulsando o homem do campo.
A constatação é a de que não está havendo mais áreas para o plantio de alimentos. Segundo dados do IBGe, a situação é estarrecedora, pois a Veracel já ultrapassou em mais que o dobro a área permitida para o plantio de eucalipto, que é de 20%.
Falei aqui também do etanal e do biodisel que podem provocar o êxodo rural dentro de mais cinco ou dez anos. No capitalismo, o lucro fala bem mais alto que a necessidade de matar a fome da população. Os pequenos agricultores já estão sendo engolidos pelos grandes conglomerados de empresas nacionais e estrangeiras.

LEI DA MORDAÇA

A proposta do ministro da Defesa, Nelson Jobim, de quebrar o sigilo da fonte em matérias jornalísticas, bem como de proibir a imprensa de divulgar escutas telefônicas, faz lembrar os generais da ditadura militar. Talvez ele esteja querendo instituir um novo AI-5 para a mídia, a começar pela Lei da Mordaça que por pouco não foi criada pelos parlamentares.
É assim, quando os escândalos se sucedem, a culpada é sempre a imprensa. Acobertam toda sujeira debaixo do tapete e depois vão tomar seus uisques de 18 anos. As escutas telefônicas são uma merreca diante das outras falcatruas e corrupções que ninguém mais se lembra. Nem se fala mais no caso do Daniel Dantas e sua corja de ladrões.
Eles(os safados) se valem da apatia do povo e do silêncio dos chamados intelectuais que até pouco tempo berravam contra a pouca vergonha. Agora, os intelectuais cooptados fazem de conta que nada está existindo. Devem ter aprendido com alguém. Também, cada um está arrumado em seus cargos.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

PREFEITO AFASTADO

O Ministério Público Estadual entrou com recurso e a Justiça Eleitoral acatou o afastamento, por 30 dias, a contar do dia 12(sexta-feira), do prefeito Gesiel Ribeiro de Oliveira, de Barra do Choça. O Ministério alegou em suas denúncias, prática de nepotismo e improbidade administrativa. O afastamento ainda cabe recurso que, segundo asessores, foi impetrado.
Enquanto a Justiça avalia a questão, o município continua sendo administrado pela vice-prefeita, Neusa Ramos. O processo, que gerou a ação civil pública contra o prefeito, tem cinco volumes e 826 folhas e começou com pedido cautelar de bloqueio de verbas.


A Promotoria pediu bloqueios do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), no total de R$957, 705,06 e do Impostos sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), equivalente a R$244. 092,32. No total, conforme apurado pelo MPE, o atraso atingia a 160 funcionários.

De acordo com as denúncias, as pessoas, geralmente funcionários contratados, se queixaram dos atrasos no Ministério Público. Outras irregularidades, como duplicidade e até triplicidade no pagamento de funcionários e indícios de enriquecimento ilícito a favor de terceiros foram detectadas pelo Ministério.

Também existe a suspeita de que pessoas residentes fora do município, em localidades distantes e até no exterior, recebiam vencimentos pagos pela Prefeitura de Barra do Choça. Foram encontrados absurdos em folhas de pagamento, com salário líquido de R$5.113,85 a uma professora Nível I e R$1.480,70 a um guarda municipal, quando muitos recebem até R$200,00”.

No processo nº2192962/2008, a promotoria verificou que alguns funcionários da Prefeitura prestavam serviço a particulares, a mando do prefeito e que uma irmã, exonerada do cargo de secretária de Educação, continua na folha do Fundeb, com função de professora nível I, com salário de R$3.905,39”.

A liminar foi deferida com base no parágrafo 20, da Lei nº8. 429, de 2 de junho de 1992, que trata de atos de improbidade administrativa. O artigo 9º da lei assinala que constitui ato de improbidade administrativa, importando enriquecimento ilícito, auferir qualquer tipo de vantagem patrimonial indevida em razão do exercício de cargo, mandato, função, emprego ou atividade. Ribeiro também foi incurso no artigo 10º.

O artigo diz que constitui ato de improbidade administrativa, que causa lesão ao erário, qualquer ação ou omissão, dolosa ou culposa, que enseje perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

CONTROLE CORPORATIVO

Mais uma vez a população está sendo tapiada com as tais propagandas enganosas dos poderes e das instituições de faixadas envernizadas constituídas no Brasil. Falaram tanto em transparência do Judiciário que criaram o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para dar a entender que existe um controle externo.
Na verdade, o que existe mesmo é um Controle Corporativo de 15 conselheiros, todos pertencentes ao Judiciário, cujo presidente é o presidente do Supremo Tribunal Federal (TSF), Gilmar Mendes, aquele do habeas corpus. Tinha um que era engavetador de processos. Se lembram do Sepúlveda Pertence? No CNJ são juízes julgando juízes. Não é nem preciso dizer mais nada. Cada conselheiro recebe salário igual ao de um desembargador do Tribunal, ou seja, R$23,3 mil por mês. No TSF são mais 11 membros.
O Brasil não tem escassez de dinheiro. Ainda temos um país onde os pobres sustentam a elite privilegiada e endinheirada. Ah! e vamos ter bomba na economia! Coisa da pesada! Como sempre, vai sobrar para nós. A bruxa da vassoura está chegando para recolher nossas moedinhas. O negócio é ir para o bar mais próximo, tomar umas e esperar o carnaval chegar. Mas, na passagem, temos o Natal consumista e bestial.

domingo, 14 de setembro de 2008

DEU RAPOSA NO GALINHEIRO

Há tempos que não se fala do dessastrado Programa de Avicultura Familiar da Universidade Estadual do Sudoeste (UESB), aprovado pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). O projeto foi montado em 2004/05 com recvursos da ordem de R$10 milhões e visava atender 28 mil famílias pobres da região sudoeste. Acontece que houve superfaturamento e desvio de recursos, conforme apuração e denúncia da Associação dos Docentes da UESB (ADUSB). Simplesmente deu "raposa" faminta no galinheiro, e fizeram um suculento molho-pardo das galinhas. Comeram até as penas das galinhas.
Como jornalista e repórter do Jornal A Tarde, me lembro que acompanhei a implantação do projeto e elaborei matérias que foram divulgadas na imprensa. Uma iniciativa até louvável enquanto não deu "raposa" no galinheiro. O fato veio a público através de uma investigaçãpo feita pela ADUSB sobre desvios nas contas de convênios.
Na época foi contratada, sem licitação, a empresa Avimil Comércio de Frangos Ltda que superfaturou os preços das rações entregues para as famílias. Auditores constataram deficiências marcantes da UESB, comprometendo o programa que objetivava capacitar as famílias a terem uma fonte de renda através da venda de ovos.
De acordo com as apurações, a Avimil superfaturou os preços dos produtos na ordem de R$2,58 milhões. A empresa teria entregue a cada família, 40 quilos de ração, mas cobrou da Universidade o valor de 60 quilos. Até final de 2006, a Avimil só teria entregue 12.237 dos 20 mil kits contratados. No final de tudo, recebeu o valor total de R$5,67 milhões.
Como se vê, a malversação dos recursos públicos virou uma praga (não foi o caso das galinhas) em todo nosso território brasileiro, da Ilha Marajó ao sul do Rio Grande do Sul (do Iapoque a Chuí). No início do programa, visitei muitas famílias e percebi o semblante de alegria nelas por vislumbrar uma ponta de esperança. Se tratava de mais uma pequena fonte de renda para o sustento de seus filhos. Mas, como já é corrente a impunidade neste país, o processo termina em nada.

BIODISEL E O ÊXODO

Dentro de mais cinco ou dez anos, o etanol da Cana-de-Açúcar e o biodisel da Mamona, do Girassol e do Pinhão Manso vão expulsar o homem pobre do campo para dar lugar aos grandes conglomerados de empresas nacionais e estrangeiras. Ninguém consegue resistir ao capital e ao lucro, e o latifúndio empresarial vai engolir as pequenas propriedades como já está acontecendo em várias regiões do Brasil e da Bahia.
No oeste baiano, por exemplo, os pequenos agricultores estão sendo tentados a vender suas terras. Os grandes grupos empresariais valorizam as áreas e botam preço acima do mercado, provocando o êxodo rural. O pequeno não resiste e entrega seu bem maior. Assim está ocorrendo com a maldita obra da Transposição do São Francisco em cujas margens vão se instalar grupos empresariais. Lá, as famílias já estão sendo expulsas pelo esquema perverso da concentração de capital.
Os médios e grandes proprietários que ficam nas terras vão preferir, é claro, investir seu dinheiro nas culturas que estiverem dando mais renda, isto pela própria natureza do capitalismo. É o curso mais que normal de se auferir resultados em atividades empreendedoras. Com o tempo, ninguém de bom senso vai querer plantar feijão, milho, mandioca ou arroz, se a cana e a mamona estiveram dando mais lucros. Quem fizer o contrário está sendo um completa idiota.
No entanto, o governo tenta enganar, dizendo que o etanal não vai provocar escassez de alimentos. Se o projeto vingar, não vai dar outra. É a mesma coisa do milho nos Estados Unidos, só que aqui o fenômeno vai acontecer por via indireta, sem contar o tremendo êxodo rural no campo. Vamos ver no que isso vai dar.

"PARTÍCULA DE DEUS"

A humanidade está morrendo, sufocada pelas selvas de pedra das grandes cidades, sem jardins e espaços para respirar. Nas grandes metrópoles são poucas as áreas de lazer e não existem alternativas. No dia-a-dia, o homem corre como um louco desesperado na busca pela sobrevivência para alcançar as marcas dos produtos e atender aos apelos do consumismo, enfestado pelas propagandas enganosas da estética e da aparência. Os shoppings centers são as válvulas de escape para passear com a famílias entre vitrines de luzes encandescentes de vazio profundo. As mentes estão ôcas, e nem se procura mais pelo sentido da vida.
Os cientistas divagam em futilidades exêntricas, enquanto o planeta está morrendo pela devastação ambiental através da ganância do capitalismo desenfreado. Agora resolveram inventar a "Partícula de Deus", para tentar encontrar o mistério da origem do universo. Com 27 quilômetros de diâmetros na fronteira entre a França e a Suíça, inventaram o tal acelerador de partículas subatômicas (LHC) - parece mais nome de presidente - para descobrir os segredos divinos.
O universo tem seu manual de instrução, mas o homem nunca vai conseguir decifrá-lo. Nós, seres humanos, não conseguimos conviver juntos, mas se arvora a entender os mistérios da criação. Os países responsáveis pelo acelerador de partículas investiram U$10 bilhões para montar uma parafernália de computadores que não trazem benefícios nenhum para a humanidade. Enquanto isso, milhões morrem de fome na África, e países são invadidos pela brutalidade das armas. Não são esses inventos bestiais, como tantos outros no além espaço, que vão nos dar felicidade, nem a marca de humanidade civilizada. Ainda estamos nos tempos da pedra lascada, das muralhas nas fronteiras, da xenofobia e da degradação entre os humanos.

sábado, 13 de setembro de 2008

ME SINTO UM LIXO

Resolvi fazer um texto quebrado, catando ali e acolá os fatos mais desprezíveis e contraditórios do nosso cenário brasileiro. Podem até alardear de que sou sombrio, pessimista e macabro, mas me sinto um lixo, esbofeteado todos os dias e violentado em meus direitos humanos mais sagrados de justiça e honradez que aprendi dos meus pais e na escola primária. Não estou aqui para vender palavras de esperança e sucesso como fazem os palestrantes mercantilistas de marcas e de auto-ajuda que propagam o orgulho de ser brasileiro.

Sem essa de que Deus é brasileiro e por aqui passou deixando belezas, riquezas variadas e o Pré-Sal do Petróleo. De tanto insistir e clamar, talvez Deus tenha nos dado às costas e nos deixado de lado para cuidar de outros povos mais determinados e que reagem prontamente contra a corrupção e as injustiças sociais. Deus disse: Faça por ti que te ajudarei. Acho que Ele desistiu de nós. Caso perdido. Sem essa de igualdade e de que as leis são iguais para todos. Igualdade não existe. É uma utopia. Basta de ilusões teóricas que nos fazem crer que temos direitos iguais.

Se o brasileiro tem um dinheiro para fazer sua farra com os amigos num bar, se tem a grana para comprar um abadá para o carnaval e um carrinho com prestações a perder de vista, pouco está importando com as falcatruas de juízes, advogados, banqueiros, empreiteiros e políticos safados. Que se dane o resto! Que se danem os dossiês e compras de sentenças! Que se danem as desigualdades! Que se danem as torturas e as mazelas!

Tenho asco e nojo quando vejo esses políticos e falsos líderes usarem o termo “Meu Povo” quando se dirigem às multidões para pedir votos e favores de seus interesses. Eles devem ter copiado do Antigo Testamento da Bíblia quando os profetas Moisés, Abraão e David se dirigiam á sua gente. Deus conversava com eles, mas não fala mais com os homens atuais que fazem conluios e maracutaias corporativas em proveito próprio.

A única saída que ainda me resta é cuspir palavras de fogo contra as malandragens brasileiras, já que não existem mais manifestações e protestos contra os escândalos. Mas, estão querendo inventar uma máquina para controlar os pensamentos. Precisamos de uma Revolução que nasça de baixo para cima. Sem essa de sociedade organizada. Isso não existe. É falácia. O que existe são organizações subsidiadas pelos homens que detém o poder. Muitas Organizações Não Governamentais (ONGs) de fachada são financiadas e controladas pelos governantes. Que engraçado!



Não vou citar todos os casos que nos deixam estupefatos porque teria que fazer um tratado de mais de mil páginas. Mesmo assim, não diria tudo. Um desrespeito e uma sacanagem contra o povo se sucedem e outros estupros sociais tomam lugar. Nesta semana que se passou, por exemplo, me chocou ver na imprensa baiana fotos de um advogado vendedor de sentenças judiciais sem algemas e, do outro lado, uma pobre mulher algemada e descalça, sendo escoltada por soldados truculentos com metralhadoras. Ele é da Cidade Jardim (bairro nobre) e a mulher da Engomadeira (miséria pura). É a nova norma do Supremo Tribunal Federal sobre o não uso de algemas para os ladrões de colarinho-branco. É uma pena porque aqueles figurinos de colocar o paletó nas mãos já estavam sendo copiados pelos estilistas e iam render muita grana.

Ainda sobre a venda de sentenças judiciais, o Tribunal de Justiça da Bahia acobertou os desembargadores e juízes culpados e, no maior cinismo (não teme reação do povo), concedeu hábeas corpus para os advogados presos. A que nível chega o descaramento! Para a população sobrou o bate-boca entre os desembargadores e a Promotoria Pública, com nomes de imbecil e insolente contra os defensores da causa justa.

Já que estamos no Judiciário, vamos ao caso dos grampos (escutas telefônicas). O Supremo resolveu controlar a concessão de autorizações e terminou anulando dois anos de investigações da Polícia Federal. Está em marcha uma ofensiva do Judiciário para cercear o trabalho da PF. No caso da prisão do banqueiro Daniel Dantas e de sua laia, não se fala mais nisso. Os investigadores passaram a ser investigados, e a banda que toca agora é a grampolândia. O povo não tem memória, ou não tem vergonha na cara?

Não se fala mais da decisão do Supremo Tribunal Federal que proibiu o emprego de parentes nos três poderes, o chamado nepotismo. Os presidentes das duas casas parlamentares (Câmara e Senado) fizeram alguns ensaios para que se cumprisse à ordem, mas depois se calaram. Algum senador demitiu um sobrinho. O prefeito do Rio Janeiro e o governador do Paraná usaram a malandragem de promover seus parentes a secretários. Tudo Dantes na Casa de Abrantes. É assim que funciona no Brasil. Nesse nosso país, tudo é igual a nada. No que deu o Mensalão, o Dossiê Político contra o governador José Serra, o Dossiê contra FHC e os Cartões Corporativos?

A Controladoria Geral da União (CGU) divulgou relatório na semana passada, fixando em R$3,3 bilhões os desvios de verbas dos ministérios, autarquias e convênios com Estados e Municípios. Aí veio a Polícia Federal e apontou R$15,58 bilhões para a conta da corrupção nos últimos oito anos. Acontece que estes números estão baixos demais. Os ministérios mais lesados são os da Educação e da Saúde. A safadeza está concentrada no superfaturamento de obras e da não conclusão das edificações. O governo não vê nada e nem consegue controlar, mas tem o maior índice de popularidade.

A punição contra os corruptos não é satisfatória graças à lentidão da Justiça. Na Bahia, desde 2005, cerca de 400 denúncias contra prefeituras foram encaminhadas à Justiça pelo Ministério Público, mas menos de 50 foram julgadas. Aqui em nossa casa na região sudoeste os prefeitos se revezam e quase todos eles com processos. Quando entram na prefeitura, um esculhamba com o outro e promete arrumar a casa. Agora vai começar tudo de novo depois das eleições.

Mas, todas as mazelas nada importam se a economia vai bem, com crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 6% no primeiro semestre. A construção civil vai bombando, com aumento de 9,5% no primeiro semestre, em relação ao mesmo período do ano passado. O PIB acumula riquezas de R$1,38 trilhões nos seis primeiros meses do ano. A classe média, segundo pesquisas, passou de 44% para 52% da população. Aleluia! Alegria, Alegria! Já somos crescidos e desenvolvidos. A classe média tem fascínio por marcas como nossos irmãos americanos dos Estados Unidos.

Mas, é bom que saibam que o mercado de trabalho no país mantém nível significativo de desigualdade, alto déficit de trabalho decente e grau de desemprego e precariedade preocupantes. O boom da economia não é suficiente para promover o desenvolvimento humano e a tal igualdade de edificar uma sociedade mais justa. Mesmo assim, temos uma sopra de letras que nos glorifica e nos anestesia, como as PPPs, PAC e outras. Agora, além do Pré-Sal, o governo sai com uma piada hilariante, bizarra e de humor negro. Diz que em 50 anos o Brasil vai ter 60 usinas nucleares. A que ponto nós chegamos, se há 20 anos a Usina Angra 3 está parada!.

Para finalizar, vamos falar um pouco de felicidade. Na visão antiga, este estado de espírito estava associado à sorte e ao destino. Este ideal inspirou a poesia de Homero. Só os deuses poderiam ser bem-aventurados, e os seres humanos, tristes e agonizantes. O quadro não parece com o nosso Brasil: a elite feliz de um lado (os deuses), e a miséria do outro. No iluminismo prevaleceu a idéia de que o ser humano tem direito à busca da felicidade. Na atualidade, a felicidade virou obsessão, ao ponto de medir o índice de cada país. Uma pesquisa divulgada pela Fundação Getúlio Vargas, feita em 132 países, mostrou que o índice de felicidade do país é maior do que sua renda permitiria. O Brasil está no 22º lugar entre os mais felizes, embora apenas em 52º lugar entre os maiôs ricos (renda per capita). Não é uma ironia, ou eu sou o maluco com minha lucidez?


domingo, 7 de setembro de 2008

BOLSA E INFLAÇÃO

Depois de mais de seis meses em altas consecutivas, os preços dos alimentos começam a dar sinais de declínio, o que significa que a infalção está recuando. Será mesmo que o fogo do dragão está se apagando? É bom ficarmos atentos. Ele pode estar se recompondo. Mesmo com a queda no mês passado, os índices escondem, ou deixam de explicar para a população que a inflação continua corroendo nossos bolsos. As primeiras baixas ainda não foram suficientes para retornar aos níveis da inflação passada. Portanto, ainda estamos perdendo, e muito.
Segundo dados do IBGE(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o IPCA(Índice de Preço ao Consumidor Amplo) caiu de 0,53% em julho para 0,28% em agosto. Mesmo assim, o acumulado no ano é de 4,48% e, em doze meses , 6,17% , bem acima das metas do governo. No ano, os gêneros alimentícios em Salvador registraram elevação de 10,55%.
Já a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Comsumidor(INPC) - camada de renda mais baixa da população, de um a seis salários mínimos - ficou em 0,21% em agosto, contra 0,58% em julho. Até agosto, o INPC acumula alta de 5,09%, e no ano atinge 7,15%. Os produtos alimentícios foram os que mais contribuíram para a deseceleração. Acontece que ainda não estamos livres dela.
Quanto a Bolsa de Valores que deveria estar seguindo em alta, fez o caminho inverso e só neste ano já registra perda de 20%, sem perspectivas de melhoras devido a recessão nos Estados Unidos e Europa. O número não é nada bom quando se tem uma inflação em queda e a indústria ganha alguns pesoas a mais. Quem aplicou no mercado de ações e não quis sair, esperando recuperação, não está dormindo direito. A roleta do jogo de papéis, característico do mundo capitalista, está dando CDB. A poupança vem se esvaziando porque os rendimentos estão abiaxo da inflação. Pobre não tem vez mesmo.
A crise nos Estados Unidos está afetando os preços das commodities, principalmente petróleo e aço. Dentro desse arco, duas gigantes, a Petrobrás e a Vale perdem gordura nas Bolsas de Valores. É, nesse país quem continua ganhando muito são os banqueiros. Os lucros dos bancos até agora já superam os 20 bilhões de reais, em realação ao ano passado. Quanto a inflação, as centrais sindicais sabem que os trabalhadores estão perdendo com larga diferença, mas nada falam de reposição, e se contentam com os minguados aumentos dos patrões. É, como as coisas mudam quando se está no poder!

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

QUE MANCADA, CIELO!

O medalha de ouro da natação em Pequim, César Cielo dá uma entrevista na Globo criticando a falta de apoio dos órgãos do governo e da Federação Nacional de Natação aos esportes. Logo depois volta desdizendo tudo. Depois de uma conversa lá com os homens donos do COB e das unidades filiadas, ele volta pedindo desculpas e querendo dar a entender que não foi bem assim.

Que feio, hem Cielo! É subestimar muito a inteligência dos outros. Está aprendendo com eles o jogo da enrolação? É muito estranho, não é! No mínimo ofereceram patrocínio e ajuda para calar a boca, ao ponto de marcar outra entrevista, para afirmar que após uma conversa se convenceu do contrário.

Antes ele havia dito que o único patrocínio que teve foi dos pais, o chamado “paitrocínio”, para estudar e treinar nos Estados Unidos. Fez observações sobre a falta de incentivo do Estado aos esportes. Isso tudo a cores. Logo depois, volta em preto e branco e retifica tudo. É muito vergonhoso ver esse tipo de comportamento, caráter e personalidade, principalmente de um jovem. Está jogando agora no time deles, Cielo?

Como é que uma pessoa muda de posição de uma hora para outra? Dava para perceber seus gestos desconcertantes. Não deu nem para disfarçar. Acha que todo mundo vai acreditar nesse papo? Mas, é assim que fazem os políticos sem compromissos. Cielo perdeu a oportunidade de ter ficado calado e não ter feito nenhuma crítica.

É o “modus operandi” deles, os vitalícios do COB e das federações se perpetuarem no poder por muitos e muitos anos. O presidente do COB, com a cara mais sem vergonha, com a bandeira do Brasil e um punhado de puxa-sacos, aparece na frente das tvs comemorando o “desempenho” do Brasil, logo após o encerramento das olimpíadas, quando todo mundo sabe que foi um fiasco, um fracasso.

Se tivesse brio deveria agir como fez o presidente do COB de Portugal. Jogou a toalha e foi para casa descansar. Em Cuba, Fidel Castro reconheceu que sua equipe deixou a desejar, assim como em outros países onde os atletas não conseguiram um bom desempenho.

Aqui no Brasil, como já é de costume, fazem propaganda enganosa o tempo todo, contando mentiras. Um atleta, que deveria dar bom exemplo, entra na conversa de promessas e faz um papelão. Está comprovado que existe uma ditadura nos esportes, comandada pelo tal COB. É proibido ao atleta fazer críticas sob pena de ser punido e expulso. Por isso é que nossos brasileiros não têm controle emocional e psicológico durante as competições.

A verdade é que falta incentivo e ajuda. O COB é um clube fechado e suspeito. No entanto, para enganar os menos esclarecidos, pousam de patriotas, reivindicando a sede das Olimpíadas no Brasil. Mostram vantagens que não existem para tapiar as decepções. Se você não teve nenhum patrocínio do Brasil, a medalha de ouro é sua, Cielo. Não engane os outros e a si próprio. Isso é muito feio.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

GLOBALIZAÇÃO DA FOME

Veja no que deu a globalização que quando anunciaram o fenômeno todo mundo foi obrigado a incorporar como teste de competência entre fracos e fortes. Quem discordava do processo era visto como atrasado, alienado e incompetente que não tinha condições de se estabelecer.
Deu no que deu, e hoje temos a globalização da concentração do capital, da fome e da miséria. É uma globalização de fronteiras fechadas e muralhas erguidas. Durante esses anos, ela alargou o processo da segregação. Agora, o desafio é globalizar a solidariedade, a defesa pela vida e pelo meio ambiente.


Para quem não sabe, no dia 5 de setembro, nessa semana, está se comemorando os 100 anos de nascimento de Josué de Castro, que escreveu seu maior livro, Geografia da Fome. Com esta obra, o autor pernambucano que observava os famintos catando carangueijo nos mangues, foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz.
Elaborou outros trabalhos e chamou a atenção do mundo para a questão da miséria. Josué de Castro foi o inspirador de programas de políticas públicas voltados para o combate à fome. A ditadura militar golpeou seu sonho nos anos 60 e exilou o escrtitor que viveu muitos anos triste em Paris, mas nunca se calou. Ele sempre dizia que a solução para a fome era uma questão política, e não falta de alimentos.
Depois de mais de 40 anos pouca coisa mudou. Em pleno século XXI temos mais de 1 bilhão de pessoas vivendo com um ou menos de um dólar por dia. Mas, 0 mundo capitalista consumista não olha para isso. Por conta da tecnologia temos 3,5 bilhões com elulares, e um endinheirado senta numa mesa e em 30 ou 40 munitos paga U$5 mil a U$10 mil numa garrafa de vinho. Um carro de luxo pode custar U$4 milhões, e os países imperialistas e capitalistas gastam mais de U$1 trilhão por ano em armamentos. Não é uma ironia!.
Enquanto isso, milhões de crianças ainda morrem de fome e vítimas das guerras nos países do continente africano. Ninguém importa para o que acontece do outro lado. As nações ricas só se preocupam em medir forças e construir mísseis e foguetes invisíveis. Definitivamente, o ser humano é irracional, obtuso e egoísta. Nós mesmos nos destruímos.