Eu voto, tu votas, ele vota, nós votamos, vós votais e eles aumentam seus salários exorbitantes por conta própria. Vocês sabem de quem estou me referindo. Bem que poderia ser estrelado o filme “OS CAFAJESTES E OS OTÁRIOS”. Um bom faroeste dos tempos do velho oeste sem lei.
Claro que os otários somos nós que votamos nas eleições e escutamos suas belas promessas. Será que eles como bandidos vão continuar sempre roubando nossas terras, nossos bens, nossos alimentos e sacando primeiro? Depois fogem para as montanhas e retornam mais furiosos e ávidos em deixar a vila destroçada. Lembro agora daquele filme “SETE HOMENS E UM DESTINO”. Cuidado com a desforra!
Há muito tempo que eles tiram sarro da nossa cara. Estão pouco se lixando para a tal da opinião pública. Ela já não existe mais. Mas, cuidado! Paciência tem limite e um dia essa bomba pode explodir em suas caras de pau. Será que eles estão mesmo querendo provocar uma guerra civil, ou um movimento de luta armada? Essa tática de campo arrasado pode ter um basta.
É que eles acham que isso não cabe mais nos tempos modernos e todo mundo já foi engabelado no papo do eterno “diálogo” de mão única. Que diálogo, meus senhores, se chegam, arrombam as portas de nossas casas, entram estupidamente, nos roubam descaradamente e ainda nos esbofeteiam!
Certamente estão seguros de que o individualismo e a falta de conscientização política eliminam qualquer hipótese de reação coletiva do povo. Sem temor, tudo pode ser feito. Estão certos de que os estudantes, operários, os sindicatos e os segmentos da sociedade não fazem mais protestos de ruas como antigamente.
Mas, senhores cafajestes, tudo tem seu limite e um dia a coisa explode. E não me venham dizer que estou sendo radical e agressivo. Os senhores não têm moral para me julgar e condenar. Estou apenas revidando a bofetada.
Será que eles ficaram cegos, surdos e mudos? Tudo indica que criaram um território exclusivo deles, sustentado, porém, com o dinheiro dos otários que não reagem, a não ser através de algumas linhas tortas e pálidas na Internet.
Depois da tecnologia do computador, agora virou moda fazer protesto pela Internet. É a chamada “Protesnet”. É simples, rápido e cômodo. É só ir até a poltrona, abrir a tela e mandar um e-mail xingando os caras do lado de lá. Ah! Antes de me esquecer, tem ainda os abaixo assinados. Pronto! Já fiz a minha parte, tudo resolvido – diz o internauta. Relativamente, sem maiores compromissos. E a grande maioria que nem liga para isso! É a sociedade do cada um só pensa em si, no seu consumo e no se dar bem na vida, não importando o modus operandi.
Do outro lado virtual, eles debocham e deletam nossas mensagens de revolta e ódio. Cuidado, senhores! De tanto apanhar e ser humilhado, uma hora o desafeto pode se revoltar e dar o troco. Não se sintam tão á vontade assim para bater sem receber. Já foram longe demais com as provocações. Até quando vamos continuar apanhando numa face e dando a outra para bater?
O ilustre Lula que disse: E o Lulinha ó... não vai ser beneficiado com o aumento (que pena!), um dia falou que existiam no Congresso 300 picaretas. Hoje deve chegar aos 500. Que belo progresso estatístico! Aliás, o Congresso hoje é o pior mal deste país.
Um leitor revoltado de um jornal da capital se referiu aos parlamentares que aí estão como uma corja, e um bando de vagabundos que não respeitam a pátria. Mesmo pela internet ou por meio de outros veículos de comunicação já se percebe a ira, o cuspir de fogo pelas ventas. Não debochem tanto! É muito perigoso!
A dinamite está armada e o pavio pode ser acesso a qualquer momento. Não é bom brincar com uma multidão enfurecida e fora de controle. É um alerta, senhores! Não abram a boca para falar impropérios injustificáveis sobre os absurdos aumentos.
Quem são piores: Os traficantes bandidos dos morros do Rio de Janeiro ou eles? Quando vão parar com essa liturgia macabra da luxúria? São estupradores de nossos bens e de nossas riquezas, geradas com o sacrifício e a miséria dos que morrem de fome nas periferias e nos corredores dos hospitais.
Não pensem que deixando sempre o povo na ignorância do saber e do conhecimento, nada poderá acontecer. Não podem enrolar a nação por muito e tanto tempo. Um dia acontecerá a revolta dos otários e a mesa desse banquete pode ser virada. Até quando vão nos enganar? Nos tratar como idiotas?
Mirem-se na história dos povos que já foram oprimidos e um dia se revoltaram. Existe maior tirania do que essa que esse Congresso que aí está vem fazendo contra o povo brasileiro? Já é muita humilhação. Não continuem nos fazendo de otários. Cuidado, senhores!
Enquanto isso, do outro lado, os fichas sujas viraram limpas pela mão da Justiça que também não é confiável. Lamentável que o povo que vaia Maluf na diplomação é o mesmo que aplaude Tiririca, achando que dentro do podre sistema ele é o mal menor. Tiririca não passa de uma vítima útil criada pelos cafajestes. É mais uma trama para iludir os otários. Ao chegar ao banquete, ele foi logo dizendo: “Estou com sorte”.
A questão do aumento do Congresso é também uma questão de transgressão e violação dos direitos humanos como está sendo até hoje a impunidade aos torturadores da ditadura militar. São crimes de lesa-humanidade.
Só para recordar, os políticos – não merecem ser chamados assim - aprovaram para eles na última terça-feira um aumento de 61,83%, além de 133,96% no valor do vencimento do presidente da República e de 148,63% no salário do vice e dos ministros de Estado. O projeto iguala em R$26.723,13 os salários dos deputados, senadores, presidente, do vice e dos ministros, isso sem contar a montanha de benefícios que recebem.
E os trabalhadores? De 2007 para cá tiveram um aumento acumulado de 42,1%, de R$380,00 para R$540,00, previsto para a partir de 2011, contra 61,8% dos deputados no mesmo período. Nos últimos quatro anos, a inflação acumulada foi de 20%, o que significa que o salário mínimo teve um crescimento real de 22%, enquanto eles de lá conseguiram 41%. Com isso, os vencimentos dos deputados da Bahia (63) passarão de R$12,3 mil para R$20 mil. Os vereadores também vão ter seu presente de Natal dado pelos bestas de cá.
Não se esqueçam que o bando de lá ainda recebe verba de indenização para custear seus gabinetes e assessores, contas de telefones e outras pagas pelos otários, ajuda para habitação, cotas altas de passagens aéreas, verba para combustível, carros e outros serviços grátis. Tudo isso deve chegar a um custo superior a R$150 mil por mês. É pouco ou quer mais. É só votar nas próximas eleições. E o Lulinha ó... coitado, não entrou nessa!.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
VIA "ROUBAHIA"
Temos, lamentavelmente, um povo que não questiona seus direitos e tudo aceita o que vem do alto do poder divino. Os governos federal e estadual cercaram a Bahia de pedágios por todos os lados e os usuários simplesmente concordam, dizendo que se é para melhorar que assim seja. Foi Deus quem mandou a ordem através de seus governantes. Aliás, eles falam por Deus.
As estradas foram construídas ao longo dos anos com o dinheiro do povo através dos impostos e taxas diversas, como o IPVA. Depois de prontas, caem no abandono porque os governantes e políticos desviam nossos recursos para os cofres deles.
Aí o governo (e logo do PT) vem e lava suas mãos como Pilatos fez com Cristo e entrega nosso bem para uma empresa privada depois das melhorias feitas, como procedeu agora com a BR-116, dando para uma tal Via Bahia. Bem que poderia ser chamada de VIA ROUBAHIA, (Roubo na Bahia), VIA ASSALTO, VIA LARÁPIO, VIA FALTA DE VERGONHA NA CARA, VIA SAFADEZA OU VIA CORRUPÇÃO.
Ao invés de exigir e pressionar que o governo conserve as estradas e instale toda estrutura necessária e adequada para o tráfego, o povo concorda e acha correto que elas sejam dadas “de mão beijada” para o setor privado nos explorar e roubar. Lá se vai mais uma vez o nosso suado dinheiro.
Ninguém questiona o fato de que descaradamente eles estão nos impondo uma duplicidade de impostos, quando já pagamos durante anos e continuamos pagando para que as vias estejam em perfeito estado. Não, os governos desviam nosso dinheiro; deixam as estradas em péssimas condições; investem nossa grana em algumas melhorias e depois entregam aos empresários que deram dinheiro para suas candidaturas.
Verdadeiramente, nós somos uns, bestas, otários e uns “manés”. Temos o prazer em sermos roubados. Agora sim, está institucionalizado o assalto de 100 em 100 quilômetros na viagem de Vitória da Conquista para Salvador. Todos estão contentes com o golpe aos nossos bolsos, e ninguém critica o Governo do PT cujo partido condenava esta prática vergonhosa quando foi fundado e era oposição.
É isso aí, o errado sou eu. Está proibido questionar e isso vale também para a mídia que apenas registra o factual e vai fazendo seu feijão com arroz. Ninguém brada, ninguém protesta. Todos concordam com a cerca. Tiraram nosso direito de ir e vir livremente. Enquanto isso, o dinheiro vai caindo facilmente na caixa deles.
“Se é para andar em estradas boas, prefiro pagar”. É o que dizem todos. Você já pagou para isso, otário! Ninguém diz: Cadê o nosso dinheiro que deveria ter sido empregado para que estas estradas estivessem boas? Como afirma um leitor de um jornal da capital: Tudo que este governo faz é considerado coisa de Deus. Quem vai ligar para cobrança de novos impostos?
Não sei o porquê de estar aqui me esganando, me irritando e me desgastando se ninguém dá importância? Seqüestram nossa poupança, como fez o Governo Color – hoje coligado do PT – e ficamos calados. Nos dão um péssimo atendimento à saúde e morremos calados nos corredores dos hospitais. Nos oferecem uma educação de baixa qualidade e nos contentamos com a ignorância. Nos enganam com promessas vãs e confiamos neles votando para que perpetuem no poder. Violentam nossa dignidade e nossos direitos e nos conformamos. Entram em nossas casas; levam tudo e ainda deixamos as portas abertas para que retornem.
Os estudantes, os sindicatos, os operários e os intelectuais estão emudecidos e fizeram votos de silêncio. Os políticos representam a si mesmos depois de repartirem nossas vestes. Nossos bens que conquistamos durante anos com sacrifício, como as estradas, são partilhados e não questionamos.
Na História da República do Brasil nunca houve um presidente como Lula que tivesse conseguido o feito memorável de ser aplaudido em tudo que faz, sem questionamentos. Foi o único presidente em final de mandato que conseguiu nomear ministérios para seu “substituto” indicado. Continua fazendo festas e viagens, cercado de “assessores” bajuladores por todos os lados, inclusive coligados malfeitores.
Lula está de parabéns pela sua genialidade. Conseguiu contentar a todos, dando um biscoito para o pobre e um salmão para o rico. Aquela eleitora paulista não precisava esbravejar e ser tão racista quando esculhambou com os nordestinos que votaram em Dilma.
Os nordestinos deram os votos, mas foram os paulistas e os sulistas que ficaram com os gordos ministérios. Para eles, não existem cabeças pensantes no Nordeste. Os partidos da base, “ditos de esquerda” não esperneiam. Para o Nordeste restam as sobras.
Diante de tudo isso, quem vai contestar a privatização das nossas estradas? A mídia, os partidos políticos, os segmentos manipulados e manipuladores da sociedade, os estudantes, os sindicatos, os operários, os intelectuais ou a Igreja que se calou diante do sorvete derretido?
Resta-nos ficar com a saudade do PT, dos estudantes, dos sindicatos, dos intelectuais e dos artistas quando eram oposição e defendiam o que era nosso por direito. Onde fica a obrigação do Estado de conservar as estradas, estruturá-las adequadamente, sem a cobrança de taxas e pedágios?
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
CORES E COMPETÊNCIA
Ainda estamos na fase da discussão das cores e do sexo e longe de avaliarmos o terreno da competência, da ética, da moral, da coerência política e da justiça. Ainda não superamos nosso complexo medieval.
Sinto como se estivéssemos atrasados 500 anos quando aqui nestas terras desembarcaram os degradados trazendo os fantasmas da inquisição e um bando de aproveitadores, corruptores e corrompidos.
Não dá mais para ficar ouvindo e lendo os arrotos “intelectuais” e complexos sobre cores negras, pretas, brancas, pardas, mamelucas, indígenas, morenas, amarelas e tantas outras.
Estamos ainda naquele nível ralo de nos orgulharmos quando um negro ou uma mulher assume um cargo importante nessa República arcaica de 122 anos que não tem nada de coisa pública.
Não me interessa e não me importa se é uma mulher, gente de cor ou homossexual que vai gerir, governar a prefeitura o estado ou o país. O que conta é se tem competência, honradez e senso de justiça social. Se a pessoa é íntegra ou se é ética.
Estão aí os idiotas de plantão e os cegos de espírito para atacar com tridente aqueles que se atreverem a criticar o comportamento e o trabalho de uma mulher ou uma “pessoa de cor” no cargo de comando dos nossos destinos. È só fazer um comentário contra para logo taxar o crítico de preconceituoso, machista e racista.
Isso demonstra o baixo nível de raciocínio e instrução. É mais uma prova do nosso atraso e que não superamos ainda o passado de opressão. Insistimos em ressuscitar os fantasmas quando deveríamos combatê-los através do prisma da competência. Sem essa de vou votar porque é uma mulher, porque é uma pessoa de origem pobre, ou negra. É o cúmulo da burrice e da alienação política.
Não me importa se é mulher ou homem, negro ou branco. Tanto faz. O que conta é se a pessoa é preparada e honesta. Como colocam o debate, por exemplo, o mais importante é ter uma mulher como presidenta, ou um negro como governador ou prefeito, quando o que mais deve ser levado em consideração é se esta pessoa está à altura do cargo que vai exercer.
Com tantas idiotices e baboseiras por aí, muitas vezes tenho rogado para ir logo para outra dimensão. A mídia que temos é a maior culpada por tudo isso e usa seus espaços para vender ilusões e abrir divisões.
É uma mídia vampiresca que se alimenta dos espetáculos macabros, ao invés de instruir e informar com critério e conteúdo. Numa sociedade alienada e, ao mesmo tempo, oprimida pelo politicamente correto, nos enche de Harry Potter e de Crepúsculos. Se não escrevo o nome correto estou lascado no conceito.
Para encher mais ainda seu cofre capitalista, essa mídia que temos só se preocupa em nos entupir de lixo consumista. Agora mesmo, como em todos os anos, em matérias repetidas de sempre, a ordem é limpar o nome num SPC; comprar novamente e tornar a sujar para no próximo entrar na fila e fazer nova limpeza. A impressão que se tem é que a vida só se resume nisso. Quem não comprar um presente de Natal está ferrado e condenado.
Temos uma sociedade vítima desse gavião faminto porque a ela não foi dada uma educação de qualidade para discernir o certo do errado, e não continuar apegada a cores e a sexos. Temos uma sociedade tragada pela competição como objetivo único de vida.
Recentemente, por vários dias, a mídia subiu aos morros do Rio de Janeiro para exibir espetáculos de armas e tanques, com direito a bandeira brasileira hasteada como se o exército estivesse tomando outro país e anexando ao território brasileiro. Não se fala mais nisso. A imprensa está farejando outro espetáculo.
Pouco se falou sobre a omissão do Estado por muitos anos. Quantos bairros favelados do Rio vivem na miséria sem a presença de políticas públicas do Estado? E os verdadeiros chefes do tráfico são aqueles que vivem nos morros usufruindo de mordomias e controlando as comunidades? E como os bandidos fugiram? E a banda podre da polícia que não é mais uma minoria insignificante como dizem? A quem interessou fazer praticar pânico no asfalto com a queima de veículos, sem vítimas. Estamos sem respostas. Quem vai nos dar?
Mais uma vez, a mídia preferiu o espetáculo, manipulando o povo que vê atos de heroísmo em tudo quando não é mais que obrigação tardia e incompleta do Estado. A segurança é um artigo raro que fabrica heróis e mocinhos.
Preferimos ficar por aqui, discutindo cores e sexos; acirrando divisões com movimentos de cunho separatista; e se empanturrando no consumismo, sem enxergar os verdadeiros valores humanos. Temos hoje uma grande camada que ouve e consente dizendo amém a tudo, e uma pequena poderosa que dita as “normas” e “conceitos”. Preferimos o caminho mais fácil e acomodado.
domingo, 28 de novembro de 2010
ARQUIVO E MUSEU DA IMPRENSA

Há poucos dias estava lendo denúncias num jornal da capital sobre documentos importantes que estão sendo queimados e destruídos por cartórios e prefeituras do interior e, então, veio logo à minha mente o Arquivo Municipal de Vitória da Conquista.
Antes de qualquer interpretação errada, felizmente aqui os documentos não estão sendo literalmente queimados e destruídos, mas, da forma como estão sendo armazenados pela Prefeitura, o Fórum e outros órgãos públicos, o destino deles é o desaparecimento com o passar do tempo.
Não é preciso ser especialista no assunto para dizer que o Arquivo Municipal de Conquista, hoje numa área abafada no térreo de um prédio da Rua do Triunfo, está num local inadequado, não oferecendo condições de conservação dos documentos. Por falta de recursos e uma política planejada de preservação, inclusive a digitalização dos principais registros históricos, muitos papéis estão vulneráveis às traças e aos ácaros.
Um Arquivo não pode ser tratado pelas prefeituras como um simples depósito de papéis, como sempre foi feito ao longo dos últimos séculos. O que se vem fazendo com nossos documentos é um crime de responsabilidade pública por parte dos poderes executivos. O pior é que existe um silêncio em torno da questão, inclusive por parte das camadas mais instruídas, enquanto a memória de um povo vai sendo destruída.
Pelo porte da cidade e pela sua história desde o final do século XVIII, com o desbravamento das terras pelo português João Gonçalves da Costa, Vitória da Conquista merece um Arquivo Municipal à sua altura, com área adequada, espaçosa e arejada, modernizada, informatizada e local amplo para pesquisas dos estudantes, professores e interessados.
O Arquivo Municipal de Conquista, pouco freqüentado por falta de divulgação, tem um acervo valiosíssimo que precisa de maior atenção e cuidado por parte do poder público. Não é só alocar uma área e ir despejando documentos de qualquer forma, sem a estrutura necessária à conservação. Só para ficar no básico, o local não comporta o arquivamento de mais pastas que chegam diariamente das diversas repartições.
Não fosse a boa vontade e dedicação dos funcionários que trabalham no setor, sob a batuta de Genivan, Verônica, Ramon e de todos os outros que ali atuam com afinco, a situação do Arquivo Municipal estaria bem pior e nossos documentos mais comprometidos ainda. Não basta a boa vontade de um chefe para mudar o quadro.
É bom lembrar aqui que pouca gente sabe onde fica o Arquivo Público Municipal. É que ele foi jogado num canto como coisa imprestável para amontoar papéis. Ele está sendo considerado como um simples depósito, sem importância. É como se fosse um peso pesado da administração.
Um arquivo público não deve servir apenas como local de guarda de documentos destinados à pesquisa. Nele pode ser inserida também uma política cultural mais ampla de visitação, exposições de artistas, realização de palestras, seminários, acontecimentos literários e outros eventos em parcerias e convênios com escolas, universidades, fundações e órgãos diversos.
Nos meus trabalhos como jornalista, inclusive na elaboração do livro “A Imprensa e o Coronelismo no Sertão do Sudoeste”, e agora na busca de dados sobre a Ditadura em Vitória da Conquista, o Arquivo Municipal tem sido uma fonte importante. Quando preciso, sempre recorro ao local e tenho sido bem atendido. Isso não quer dizer que a estrutura de trabalho seja ideal. Vejo com tristeza documentos sendo ameaçados pelo tempo.
O MUSEU DA IMPRENSA
Além das atas das sessões da Câmara de Vereadores, projetos, leis, decretos, assembléias e decisões do executivo e legislativo, marcos da nossa história, o Arquivo Municipal tem um razoável volume de jornais que circularam na cidade nos últimos cem anos.
Podia ter muito mais, mas o que ainda resta está sendo destruído pelo tempo devido a falta de recursos para conservação e o próprio local abafado que não é adequado. Volto a repetir que não basta o devotado cuidado por parte dos funcionários. Folheei, por exemplo, todos exemplares do “Combate” e do “Sertanejo”. Com todo esforço, Genivan está digitalizando boa parte desses documentos.
E por falar em jornais impressos, é uma pena que Conquista como pólo de desenvolvimento e capital do sudoeste ainda não tenha erguido um museu da imprensa para contar essa história que agora está completando 100 anos. Boa parte dos periódicos está espalhada entre particulares como Rui Medeiros e Jackson Rangel, principalmente, e no Arquivo Municipal, no Museu Regional e até no Fórum. Muita coisa está sendo perdida por falta de maiores cuidados.
O nosso amigo Rui Medeiros, por exemplo, tem um acervo precioso e bem cuidado, bem como Jackson Rangel. Não seria ideal que se formasse na cidade um grupo de intelectuais e interessados, inclusive a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), com apoio do poder público, e se criasse uma casa ou museu onde concentrariam todos esses jornais da época?
A UESB, por exemplo, tem o curso de Jornalismo, e poderia, em conjunto com esse grupo, fundar o Museu da Imprensa onde não abrigaria apenas coleções dos jornais, mas fotos antigas da cidade, livros, máquinas de linotipo, biografias de jornalistas da época e histórias do passado do nosso jornalismo.
Todo esse patrimônio espalhado por aí pode se tornar de domínio público para pesquisas e visitação. Por essa boa causa, tenho certeza que cada um doaria sua parte que lhe cabe nesse latifúndio.
Fica aqui lançada a idéia de fazermos em Conquista o Museu da Imprensa. Nosso amigo e companheiro Luis Fernandes, com sua boa vontade e esforço, já vem reunindo material valioso para divulgar uma revista sobre a História dos Jornais em Conquista nos últimos 100 anos. Está na hora de concentrarmos esforços visando o resgate dessa memória antes que se acabe com as traças.
Antes de qualquer interpretação errada, felizmente aqui os documentos não estão sendo literalmente queimados e destruídos, mas, da forma como estão sendo armazenados pela Prefeitura, o Fórum e outros órgãos públicos, o destino deles é o desaparecimento com o passar do tempo.
Não é preciso ser especialista no assunto para dizer que o Arquivo Municipal de Conquista, hoje numa área abafada no térreo de um prédio da Rua do Triunfo, está num local inadequado, não oferecendo condições de conservação dos documentos. Por falta de recursos e uma política planejada de preservação, inclusive a digitalização dos principais registros históricos, muitos papéis estão vulneráveis às traças e aos ácaros.
Um Arquivo não pode ser tratado pelas prefeituras como um simples depósito de papéis, como sempre foi feito ao longo dos últimos séculos. O que se vem fazendo com nossos documentos é um crime de responsabilidade pública por parte dos poderes executivos. O pior é que existe um silêncio em torno da questão, inclusive por parte das camadas mais instruídas, enquanto a memória de um povo vai sendo destruída.
Pelo porte da cidade e pela sua história desde o final do século XVIII, com o desbravamento das terras pelo português João Gonçalves da Costa, Vitória da Conquista merece um Arquivo Municipal à sua altura, com área adequada, espaçosa e arejada, modernizada, informatizada e local amplo para pesquisas dos estudantes, professores e interessados.
O Arquivo Municipal de Conquista, pouco freqüentado por falta de divulgação, tem um acervo valiosíssimo que precisa de maior atenção e cuidado por parte do poder público. Não é só alocar uma área e ir despejando documentos de qualquer forma, sem a estrutura necessária à conservação. Só para ficar no básico, o local não comporta o arquivamento de mais pastas que chegam diariamente das diversas repartições.
Não fosse a boa vontade e dedicação dos funcionários que trabalham no setor, sob a batuta de Genivan, Verônica, Ramon e de todos os outros que ali atuam com afinco, a situação do Arquivo Municipal estaria bem pior e nossos documentos mais comprometidos ainda. Não basta a boa vontade de um chefe para mudar o quadro.
É bom lembrar aqui que pouca gente sabe onde fica o Arquivo Público Municipal. É que ele foi jogado num canto como coisa imprestável para amontoar papéis. Ele está sendo considerado como um simples depósito, sem importância. É como se fosse um peso pesado da administração.
Um arquivo público não deve servir apenas como local de guarda de documentos destinados à pesquisa. Nele pode ser inserida também uma política cultural mais ampla de visitação, exposições de artistas, realização de palestras, seminários, acontecimentos literários e outros eventos em parcerias e convênios com escolas, universidades, fundações e órgãos diversos.
Nos meus trabalhos como jornalista, inclusive na elaboração do livro “A Imprensa e o Coronelismo no Sertão do Sudoeste”, e agora na busca de dados sobre a Ditadura em Vitória da Conquista, o Arquivo Municipal tem sido uma fonte importante. Quando preciso, sempre recorro ao local e tenho sido bem atendido. Isso não quer dizer que a estrutura de trabalho seja ideal. Vejo com tristeza documentos sendo ameaçados pelo tempo.
O MUSEU DA IMPRENSA
Além das atas das sessões da Câmara de Vereadores, projetos, leis, decretos, assembléias e decisões do executivo e legislativo, marcos da nossa história, o Arquivo Municipal tem um razoável volume de jornais que circularam na cidade nos últimos cem anos.
Podia ter muito mais, mas o que ainda resta está sendo destruído pelo tempo devido a falta de recursos para conservação e o próprio local abafado que não é adequado. Volto a repetir que não basta o devotado cuidado por parte dos funcionários. Folheei, por exemplo, todos exemplares do “Combate” e do “Sertanejo”. Com todo esforço, Genivan está digitalizando boa parte desses documentos.
E por falar em jornais impressos, é uma pena que Conquista como pólo de desenvolvimento e capital do sudoeste ainda não tenha erguido um museu da imprensa para contar essa história que agora está completando 100 anos. Boa parte dos periódicos está espalhada entre particulares como Rui Medeiros e Jackson Rangel, principalmente, e no Arquivo Municipal, no Museu Regional e até no Fórum. Muita coisa está sendo perdida por falta de maiores cuidados.
O nosso amigo Rui Medeiros, por exemplo, tem um acervo precioso e bem cuidado, bem como Jackson Rangel. Não seria ideal que se formasse na cidade um grupo de intelectuais e interessados, inclusive a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), com apoio do poder público, e se criasse uma casa ou museu onde concentrariam todos esses jornais da época?
A UESB, por exemplo, tem o curso de Jornalismo, e poderia, em conjunto com esse grupo, fundar o Museu da Imprensa onde não abrigaria apenas coleções dos jornais, mas fotos antigas da cidade, livros, máquinas de linotipo, biografias de jornalistas da época e histórias do passado do nosso jornalismo.
Todo esse patrimônio espalhado por aí pode se tornar de domínio público para pesquisas e visitação. Por essa boa causa, tenho certeza que cada um doaria sua parte que lhe cabe nesse latifúndio.
Fica aqui lançada a idéia de fazermos em Conquista o Museu da Imprensa. Nosso amigo e companheiro Luis Fernandes, com sua boa vontade e esforço, já vem reunindo material valioso para divulgar uma revista sobre a História dos Jornais em Conquista nos últimos 100 anos. Está na hora de concentrarmos esforços visando o resgate dessa memória antes que se acabe com as traças.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
CURTAS REFLEXÕES
Com tantas informações, com tanta tecnologia e comunicação virtual para lidar, já parou para pensar um pouco que não temos mais tempo para refletir sobre a realidade e os absurdos que acontecem no dia-a-dia de nossas vidas, no Brasil e pelo mundo globalizado?
Entre a multidão que cruza por todos os lados com destinos diferentes, o moço chega com um celular no ouvido e um laptop num restaurante de um aeroporto e senta numa mesa vazia. Ele abre o aparelho, ainda com o celular ligado, e começa a navegar com seus deuses virtuais.
Olho e observo que o moço bem trajado não vê ninguém ao seu redor. É como se ele estivesse sozinho num quarto de apartamento, isolado num emaranhado de comunicação que o tornou incomunicável. Sua interação é apenas com a máquina. Perdeu-se a solidariedade e o calor humano.
Faz um sinal frio para o garçom e pede uma coca-cola com sanduíche. O moço das máquinas não ouve o barulho das conversas e o tilintar dos pratos e talheres.
Não prestou atenção no outro que sentou ao seu lado com um lanche para engolir rápido, e nem viu quando um passageiro descuidado passou apressado e derrubou uma cadeira da sua mesa. Não ouviu nada.
A maioria das pessoas ali está com o celular ligado. Não importa quem passa. O tempo é o carrasco. Todos são estranhos num planeta desconhecido. Todos pacientes doentes internados no mesmo hospital, mas ninguém liga, a não ser do outro lado de lá, no virtual.
TIRIRICA - Aleluia! Aleluia! Habemus Tiririca! A Justiça deu tempo e o deputado eleito por São Paulo com mais de um milhão de votos passou um mês tomando aulas particulares para fazer um ditado durante um dia. Farsa montada. Uns dizem que foram votos de protestos contra a conduta nefasta dos políticos e outros que foram votos de confiança para mudar. No Brasil não temos somente votos comprados, mas de solidariedade, por ser mulher, negro ou minoria, sentimental, emotivos, por beleza e por uma cesta mesmo. Passam longe os votos por competência e honestidade. Cuidado para você não sair do politicamente correto e se dar mal! Corro esse risco.
OPERAÇÃO CARCARÁ – Uma ave extinta do Nordeste serviu de inspiração para prender prefeitos e corruptos do erário, do nosso suado dinheiro, para ser mais claro. Quando menino na roça, lembro de minha mãe preocupada quando um carcará piava longe e rondava o terreiro de casa. Tinha que proteger as galinhas porque a ave levava os pintinhos no bico, sem falar em outros filhotes de pássaros. Tentaram prender os carcarás, mas forças protetoras ocultas soltaram os animais de volta aos seus habitats. Para deleite, vão continuar comendo os pintinhos e os ovos das nossas criações.
LATIFÚNDIO DA REPÚBLICA – Passadas as eleições, a briga agora é pela divisão do Latifúndio da República que não é nada pequeno. Estica de um lado, estica do outro, mas no final cada um vai receber o lote que lhe cabe num cercado de pasto verdejante. Todos vão pastar felizes, enquanto as ovelhas magras observam o gado engordar. A briga é feia, mas tudo acaba bem.
REPÚBLICA SINDICALISTA – Nossa república, que não é nada pública, é dividida em várias capitanias hereditárias e agora temos também a República Sindicalista lá de cima recheada de grana por todos os lados para defender e aplaudir o patrão. No Dia do Trabalhador nos brindam com shows e faz de conta que defende a raia lá debaixo. É o estrangulamento da vida, ou a lei do mais forte que leva vantagem e fica com o bolo.
JOVENS LIBERADOS - Nesta semana, jovens em São Paulo, na avenida Paulista, agrediram barbaramente sem motivos outros jovens. Foram presos, mas logo soltos pelas nossas malditas leis da desigualdade, com a benevolência dos pais. Belo exemplo para esta sociedade hipócrita, desfacelada, corrompida, subornada e podre pela criação de filhos mimados.
PALAMADA - Mais uma vez, cuidado! É que só se pode falar agora o “politicamente correto”. Estou me arriscando em ser massacrado e apedrejado pelas novas concepções. Talvez se esses jovens agressores de São Paulo tivessem levado umas palmadas quando crianças não tivessem espancado seus semelhantes. Levei muitas palmadas, inclusive de professores, e só ajudaram na formação do meu caráter. Não quero dizer aqui que sou perfeito. Não estou falando de espancamento dos filhos. Podem dizer que sou velho, conservador, reacionário e ultrapassado. Quem diria que um dia em minha vida fosse ter a lei da palmada! Tempos falidos!
PORRADA NOS PROFESSORES - Com a lei da palmada invadindo nossos lares já desestruturados, os jovens alunos agora descem a porrada nos professores quando estes tentam ensinar, ou dão uma nota baixa. No meu tempo se respeitava professores e idosos, mas isso hoje é coisa ultrapassada. As crianças mandam e os pais obedecem. Por lei, são obrigados a satisfazer seus desejos e caprichos de cada dia. Podem ficar frustrados, traumatizados e recalcados com uma palmada.
Agora já é tarde e estou cansado. Podemos falar sobre mais coisas na próxima semana. Por sua vez, as máquinas sugaram nosso tempo de ler, pensar e refletir. Corro o risco de ser xingado e execrado. Como já sou idoso, posso levar umas palmadas. São curtas para pensar e contestar. Não é uma contradição? Estou usando esta máquina para condenar o isolamento e o individualismo humano. Tem seus benefícios, é claro.
Entre a multidão que cruza por todos os lados com destinos diferentes, o moço chega com um celular no ouvido e um laptop num restaurante de um aeroporto e senta numa mesa vazia. Ele abre o aparelho, ainda com o celular ligado, e começa a navegar com seus deuses virtuais.
Olho e observo que o moço bem trajado não vê ninguém ao seu redor. É como se ele estivesse sozinho num quarto de apartamento, isolado num emaranhado de comunicação que o tornou incomunicável. Sua interação é apenas com a máquina. Perdeu-se a solidariedade e o calor humano.
Faz um sinal frio para o garçom e pede uma coca-cola com sanduíche. O moço das máquinas não ouve o barulho das conversas e o tilintar dos pratos e talheres.
Não prestou atenção no outro que sentou ao seu lado com um lanche para engolir rápido, e nem viu quando um passageiro descuidado passou apressado e derrubou uma cadeira da sua mesa. Não ouviu nada.
A maioria das pessoas ali está com o celular ligado. Não importa quem passa. O tempo é o carrasco. Todos são estranhos num planeta desconhecido. Todos pacientes doentes internados no mesmo hospital, mas ninguém liga, a não ser do outro lado de lá, no virtual.
TIRIRICA - Aleluia! Aleluia! Habemus Tiririca! A Justiça deu tempo e o deputado eleito por São Paulo com mais de um milhão de votos passou um mês tomando aulas particulares para fazer um ditado durante um dia. Farsa montada. Uns dizem que foram votos de protestos contra a conduta nefasta dos políticos e outros que foram votos de confiança para mudar. No Brasil não temos somente votos comprados, mas de solidariedade, por ser mulher, negro ou minoria, sentimental, emotivos, por beleza e por uma cesta mesmo. Passam longe os votos por competência e honestidade. Cuidado para você não sair do politicamente correto e se dar mal! Corro esse risco.
OPERAÇÃO CARCARÁ – Uma ave extinta do Nordeste serviu de inspiração para prender prefeitos e corruptos do erário, do nosso suado dinheiro, para ser mais claro. Quando menino na roça, lembro de minha mãe preocupada quando um carcará piava longe e rondava o terreiro de casa. Tinha que proteger as galinhas porque a ave levava os pintinhos no bico, sem falar em outros filhotes de pássaros. Tentaram prender os carcarás, mas forças protetoras ocultas soltaram os animais de volta aos seus habitats. Para deleite, vão continuar comendo os pintinhos e os ovos das nossas criações.
LATIFÚNDIO DA REPÚBLICA – Passadas as eleições, a briga agora é pela divisão do Latifúndio da República que não é nada pequeno. Estica de um lado, estica do outro, mas no final cada um vai receber o lote que lhe cabe num cercado de pasto verdejante. Todos vão pastar felizes, enquanto as ovelhas magras observam o gado engordar. A briga é feia, mas tudo acaba bem.
REPÚBLICA SINDICALISTA – Nossa república, que não é nada pública, é dividida em várias capitanias hereditárias e agora temos também a República Sindicalista lá de cima recheada de grana por todos os lados para defender e aplaudir o patrão. No Dia do Trabalhador nos brindam com shows e faz de conta que defende a raia lá debaixo. É o estrangulamento da vida, ou a lei do mais forte que leva vantagem e fica com o bolo.
JOVENS LIBERADOS - Nesta semana, jovens em São Paulo, na avenida Paulista, agrediram barbaramente sem motivos outros jovens. Foram presos, mas logo soltos pelas nossas malditas leis da desigualdade, com a benevolência dos pais. Belo exemplo para esta sociedade hipócrita, desfacelada, corrompida, subornada e podre pela criação de filhos mimados.
PALAMADA - Mais uma vez, cuidado! É que só se pode falar agora o “politicamente correto”. Estou me arriscando em ser massacrado e apedrejado pelas novas concepções. Talvez se esses jovens agressores de São Paulo tivessem levado umas palmadas quando crianças não tivessem espancado seus semelhantes. Levei muitas palmadas, inclusive de professores, e só ajudaram na formação do meu caráter. Não quero dizer aqui que sou perfeito. Não estou falando de espancamento dos filhos. Podem dizer que sou velho, conservador, reacionário e ultrapassado. Quem diria que um dia em minha vida fosse ter a lei da palmada! Tempos falidos!
PORRADA NOS PROFESSORES - Com a lei da palmada invadindo nossos lares já desestruturados, os jovens alunos agora descem a porrada nos professores quando estes tentam ensinar, ou dão uma nota baixa. No meu tempo se respeitava professores e idosos, mas isso hoje é coisa ultrapassada. As crianças mandam e os pais obedecem. Por lei, são obrigados a satisfazer seus desejos e caprichos de cada dia. Podem ficar frustrados, traumatizados e recalcados com uma palmada.
Agora já é tarde e estou cansado. Podemos falar sobre mais coisas na próxima semana. Por sua vez, as máquinas sugaram nosso tempo de ler, pensar e refletir. Corro o risco de ser xingado e execrado. Como já sou idoso, posso levar umas palmadas. São curtas para pensar e contestar. Não é uma contradição? Estou usando esta máquina para condenar o isolamento e o individualismo humano. Tem seus benefícios, é claro.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
NO TÚNEL DO TEMPO
Pode ser um termo até batido, mas foi a melhor expressão de título para falar da eterna Roma dos imperadores e das conquistas históricas; seus filósofos meios gregos e romanos; suas orgias; sem falar do povo e dos aquedutos das águas termais que ficaram famosas.
Passear em Roma e visitar o Vaticano com sua esplendorosa Basílica de São Pedro, o Coliseu, o Arco do Triunfo, a Fontana di Trevi, os monumentos e prédios antigos de mais de dois mil anos, além de outros locais históricos da humanidade, é o mesmo que entrar no túnel do tempo.
Penetrar no Coliseu onde se realizavam os combates entre os gladiadores é sentir a sensação de estar ali vendo o povo acenando, gritando por morte ou ovacionando os vencedores. É lembrar do imperador Nero se delirando das suas atrocidades e loucuras. É lembrar de cenas do clássico filme Gladiadores. É lembrar dos Césares glorificando suas vitórias, dando o circo prometido para amenizar as queixas e feridas do povo.
Não resta dúvida que se tem uma sensação diferente e o visitante sente que os outros ali estão também sentindo o mesmo, tirando fotos belíssimas do que restou. São rostos das mais diferentes nacionalidades que se interagem no mesmo pensamento.
Só não gostei da falta de organização para se conseguir um ingresso por 12 euros. Uma multidão entra na fila, mas quando chega próximo aos guichês tudo vira uma confusão e aí, salve-se quem puder. Todo esforço é válido para quem sai do outro lado do Atlântico.
Próximo à entrada do principal portão, o Arco do Triunfo faz o visitante novamente entrar no túnel do tempo, vendo os generais chegando em suas carruagens vitoriosos das guerras, sendo saudados pelas multidões e pelos imperadores e rainhas.
Em torno do Coliseu, colunas de antigos palácios e templos se mantêm firmes como testemunhos de um império que conquistou e dominou toda Europa e parte da Ásia por vários séculos antes e depois de Cristo.
Dizem que quem for a Roma e não visitar o Vaticano, não foi a Roma. Mas, não é somente isso. Tem que ir também à Fontana de Trevi e ao Coliseu, principalmente. Para quem tem pouca grana como eu, o tempo é curto e tem que correr, de preferência, a pé mesmo.
A Fontana é como se fosse uma pop star, ou uma pintura de Monalisa no Louvre, que todo mundo quer conhecer e tirar fotos. Todos querem jogar uma moeda na fonte e fazer um pedido.
Eu não joguei, talvez por ser do contra e por economia mesmo. Afinal de contas, sou subdesenvolvido e não vou dar meu dinheiro a rico. Por todos os becos e vias da antiga Roma, as pessoas se cruzam e os caminhos levam ao mesmo lugar. Mais parece dia de jogo de futebol de um clássico.
Vaticano, Coliseu e a Fontana são como lugares sagrados das visitas, e os outros pontos ficam para depois. Mas, quem vai à encantadora Roma não pode deixar de ir ao Castelo de Santo Ângelo, ou Castel Sant´Angelo. Lá está em seu museu uma exposição da vida do revolucionário Giussepe Garibaldi que unificou a Itália e passou pelo Brasil na Guerra dos Farrapos, no Rio Grande do Sul, no segundo reinado de D. Pedro II.
Do alto do Castelo se tem uma bela vista de toda Roma, e tive o privilégio de pegar um pôr-do-sol deslumbrante. Lá também tem uma velha catapulta dos tempos antigos, corroída pelo tempo.
O Museu de Roma é outro local que não se pode deixar de ir. É também um entrar no túnel do tempo com pinturas dos renascentistas e preciosas esculturas das conquistas do império. A Basílica de São Pedro, nem é preciso falar muito da sua história, mas o Museu do Vaticano é pura ostentação da Igreja, com suas peças de pedras preciosas de ouro e esmeraldas. Não condiz com a pregação de Cristo.
Quanto aos italianos, como muitos já sabem, falam alto como se estivessem numa briga. Como em muitos países da Europa, inclusive na capital Paris, o povo não trata muito bem os turistas, mas fui lá por outros motivos bem mais importantes. Em toda parte, se perdeu a solidariedade e o calor humano.
No Vaticano, por exemplo, presenciei uma cena grosseira. Para arrumar a fila de entrada na Basílica, um guarda gritava e berrava com os turistas, com a maior estupidez, ao ponto de alguns visitantes irem para cima e também gritarem; Por que gritas?
Em Paris, o recepcionista do hotel onde me hospedei ficou furioso porque simplesmente esqueci de descer as malas no último dia para mudar de quarto conforme estava previsto. Jogou meus pertences todos na portaria e quando cheguei da rua me atendeu com brutalidade. Foi um bate-boca feio. Lá eles não respeitam o cliente porque sempre tem outro na fila.
Voltando a Roma, os comerciantes de bancas de revistas e venda de souvenires são todos paquistaneses e indianos. São desconfiados para com os turistas, principalmente os brasileiros. Acham que todos são malandros e passam notas falsificadas.
No entanto, o que mais me irritou em toda viagem foram os aeroportos com suas minuciosas revistas e filas para conferir as passagens, tudo culpa dos americanos que com seus fundamentalismo e arrogância ocidental de nação dominante do mundo fizeram surgir grupos também fundamentalistas para revidar com golpes de violência e vingança.
Com tanta inspeção e exigências para se chegar com duas a três horas das partidas dos aviões, passa-se mais tempo nos aeroportos que voando nas viagens. Mas, hoje, todo mundo já acha normal e, comodamente, concordam com as regras de invasão de privacidade. Todos temem que aconteçam atos criminosos. Tudo isso deixa o passageiro tenso e nervoso.
Esperar malas nos bagageiros quando se desce num aeroporto é também teste de paciência, sem contar a falta de respeito para com o turista. Em Roma, por exemplo, sua mala desce de uma altura de quase um metro até a esteira. Em Lisboa, o visitante deve ter muito cuidado com os taxistas safados que cobram uma taxa irregular por fora e ainda gritam para defender de que estão corretos. Chame a polícia. A malandragem não acontece somente no Brasil.
Passear em Roma e visitar o Vaticano com sua esplendorosa Basílica de São Pedro, o Coliseu, o Arco do Triunfo, a Fontana di Trevi, os monumentos e prédios antigos de mais de dois mil anos, além de outros locais históricos da humanidade, é o mesmo que entrar no túnel do tempo.
Penetrar no Coliseu onde se realizavam os combates entre os gladiadores é sentir a sensação de estar ali vendo o povo acenando, gritando por morte ou ovacionando os vencedores. É lembrar do imperador Nero se delirando das suas atrocidades e loucuras. É lembrar de cenas do clássico filme Gladiadores. É lembrar dos Césares glorificando suas vitórias, dando o circo prometido para amenizar as queixas e feridas do povo.
Não resta dúvida que se tem uma sensação diferente e o visitante sente que os outros ali estão também sentindo o mesmo, tirando fotos belíssimas do que restou. São rostos das mais diferentes nacionalidades que se interagem no mesmo pensamento.
Só não gostei da falta de organização para se conseguir um ingresso por 12 euros. Uma multidão entra na fila, mas quando chega próximo aos guichês tudo vira uma confusão e aí, salve-se quem puder. Todo esforço é válido para quem sai do outro lado do Atlântico.
Próximo à entrada do principal portão, o Arco do Triunfo faz o visitante novamente entrar no túnel do tempo, vendo os generais chegando em suas carruagens vitoriosos das guerras, sendo saudados pelas multidões e pelos imperadores e rainhas.
Em torno do Coliseu, colunas de antigos palácios e templos se mantêm firmes como testemunhos de um império que conquistou e dominou toda Europa e parte da Ásia por vários séculos antes e depois de Cristo.
Dizem que quem for a Roma e não visitar o Vaticano, não foi a Roma. Mas, não é somente isso. Tem que ir também à Fontana de Trevi e ao Coliseu, principalmente. Para quem tem pouca grana como eu, o tempo é curto e tem que correr, de preferência, a pé mesmo.
A Fontana é como se fosse uma pop star, ou uma pintura de Monalisa no Louvre, que todo mundo quer conhecer e tirar fotos. Todos querem jogar uma moeda na fonte e fazer um pedido.
Eu não joguei, talvez por ser do contra e por economia mesmo. Afinal de contas, sou subdesenvolvido e não vou dar meu dinheiro a rico. Por todos os becos e vias da antiga Roma, as pessoas se cruzam e os caminhos levam ao mesmo lugar. Mais parece dia de jogo de futebol de um clássico.
Vaticano, Coliseu e a Fontana são como lugares sagrados das visitas, e os outros pontos ficam para depois. Mas, quem vai à encantadora Roma não pode deixar de ir ao Castelo de Santo Ângelo, ou Castel Sant´Angelo. Lá está em seu museu uma exposição da vida do revolucionário Giussepe Garibaldi que unificou a Itália e passou pelo Brasil na Guerra dos Farrapos, no Rio Grande do Sul, no segundo reinado de D. Pedro II.
Do alto do Castelo se tem uma bela vista de toda Roma, e tive o privilégio de pegar um pôr-do-sol deslumbrante. Lá também tem uma velha catapulta dos tempos antigos, corroída pelo tempo.
O Museu de Roma é outro local que não se pode deixar de ir. É também um entrar no túnel do tempo com pinturas dos renascentistas e preciosas esculturas das conquistas do império. A Basílica de São Pedro, nem é preciso falar muito da sua história, mas o Museu do Vaticano é pura ostentação da Igreja, com suas peças de pedras preciosas de ouro e esmeraldas. Não condiz com a pregação de Cristo.
Quanto aos italianos, como muitos já sabem, falam alto como se estivessem numa briga. Como em muitos países da Europa, inclusive na capital Paris, o povo não trata muito bem os turistas, mas fui lá por outros motivos bem mais importantes. Em toda parte, se perdeu a solidariedade e o calor humano.
No Vaticano, por exemplo, presenciei uma cena grosseira. Para arrumar a fila de entrada na Basílica, um guarda gritava e berrava com os turistas, com a maior estupidez, ao ponto de alguns visitantes irem para cima e também gritarem; Por que gritas?
Em Paris, o recepcionista do hotel onde me hospedei ficou furioso porque simplesmente esqueci de descer as malas no último dia para mudar de quarto conforme estava previsto. Jogou meus pertences todos na portaria e quando cheguei da rua me atendeu com brutalidade. Foi um bate-boca feio. Lá eles não respeitam o cliente porque sempre tem outro na fila.
Voltando a Roma, os comerciantes de bancas de revistas e venda de souvenires são todos paquistaneses e indianos. São desconfiados para com os turistas, principalmente os brasileiros. Acham que todos são malandros e passam notas falsificadas.
No entanto, o que mais me irritou em toda viagem foram os aeroportos com suas minuciosas revistas e filas para conferir as passagens, tudo culpa dos americanos que com seus fundamentalismo e arrogância ocidental de nação dominante do mundo fizeram surgir grupos também fundamentalistas para revidar com golpes de violência e vingança.
Com tanta inspeção e exigências para se chegar com duas a três horas das partidas dos aviões, passa-se mais tempo nos aeroportos que voando nas viagens. Mas, hoje, todo mundo já acha normal e, comodamente, concordam com as regras de invasão de privacidade. Todos temem que aconteçam atos criminosos. Tudo isso deixa o passageiro tenso e nervoso.
Esperar malas nos bagageiros quando se desce num aeroporto é também teste de paciência, sem contar a falta de respeito para com o turista. Em Roma, por exemplo, sua mala desce de uma altura de quase um metro até a esteira. Em Lisboa, o visitante deve ter muito cuidado com os taxistas safados que cobram uma taxa irregular por fora e ainda gritam para defender de que estão corretos. Chame a polícia. A malandragem não acontece somente no Brasil.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
SAUDADES DO TREM
Não consegui segurar a saudade dos meus tempos de criança quando ainda existia linha férrea de passageiros na Bahia e resolvi viajar de trem na Europa, dispensando o avião. De Paris comprei uma passagem de trem para a velha Lisboa, fazendo o transbordo em Írum, na fronteira com a Espanha.
Foi uma viagem de 20 horas, passando por Bordoux e outras cidades da França, sem contar as pequenas vilas espalhadas pelos campos verdejantes, recheados de vinhedos e outras lavouras que hoje abastecem o mercado consumidor. A grande maioria das terras é de pequenas propriedades com suas vilas de 100 a 200 casas onde se cultiva a agricultura e se pratica a criação de gado leiteiro, sustentado por fenos.
Por onde passei, não vi grandes extensões de terras abarrotadas de bovinos e capim por todos os lados. Apesar de cansativa pelo tempo, foi uma viagem prazerosa, de observação e meditação. No lugar dos grandes latifúndios dos tempos feudais, pequenos lotes bem cuidados e bem estruturados. Fiquei imaginando que aquele homem do campo, diferente do nosso, não tem nenhum desejo e vontade de morar nas grandes cidades para sobreviver.
Quando criança, viajei muito de Piritiba a Senhor do Bonfim num trem chamado Maria Fumaça por ser movido a lenha. Era velho e já dava sinais de decadência, mais era divertido e gostoso. Não tinha noção de que tudo aquilo caminhava para o fim.
Depois de mais de 40 anos lá estava eu de novo viajando num trem, agora movido a eletricidade, bem mais moderno e confortável. Embora com outra estrutura, a sensação era a mesma e mais forte pelas recordações. Senti tristeza do nosso país, cujos governantes trocaram o transporte ferroviário pelo rodoviário. Por causa dessa opção, o brasileiro paga caro pelos produtos, sem levar em consideração o impacto ambiental que provocam carros e caminhões pesados.
Mas vamos voltar á nossa viagem. Com a proximidade da cidade de Írum, gente nova de outras nacionalidades vai ocupando as poltronas e a língua aos poucos vai mudando do francês para o espanhol, o português e até o italiano. São pessoas mais alegres que falam mais alto e discutem variados temas, inclusive os familiares. Assim como as pessoas, as paisagens também vão mudando.
De Írum para Lisboa cruzando parte da Espanha, também se percebe as diferenças de classes sociais. Nota-se que são pessoas com menor poder aquisitivo e o trem é mais velho, menos confortável e balança muito, parecendo que vai despencar de alguma serra.
Ao lado, um casal de jovens portugueses faz algazarra e fuma muito quando o trem para nas estações. Não consigo dormir direito, preocupado com suas atitudes. Um senhor na frente, com aspecto de operário ou agricultor, trazia na sua sacola de viagem café e comida. Mastigava o tempo todo.
Quando o dia amanheceu pude apreciar novamente as paisagens, se bem que me sentia sonolento e cansado. O casal continuava a perturbar e a fumar como caiporas. Também fumo e fui até lá fora numa das paradas, mas só consegui dar duas tragadas. Os dois desciam e no apito do maquinista pongavam no trem, acompanhando o embalo. Lembrei novamente dos tempos de menino, mas não tenho mais mobilidade no corpo para isso. O tempo nos faz assim. Troquei algumas palavras com o casal, mas não fui muito longe. Aliás, os dois desceram próximo a Lisboa e me deixaram mais sossegado.
Desci na Estação Santa Apolônia, em Lisboa, por volta das 12 horas num dia ensolarado. Fui direto para o hotel na Praça Marques de Pombal, aquele estadista que governou Portugal no século XVIII, se não me engano por volta de 1775, justamente na época do grande terremoto que destruiu quase toda Lisboa. Foi ele também quem expulsou os jesuítas do Brasil.
Com uma estátua imponente em sua homenagem, a praça é bonita, mas o trânsito em torno dela é confuso. Depois de me refazer da viagem com um bom banho, resolvi dar os primeiros passos na cidade e fui percebendo semelhanças com a nossa Salvador, não somente na questão da arquitetura.
No centro histórico do bairro Rosio você entra no túnel do tempo, pegando um bonde que sobe ladeiras e leva as pessoas até o Castelo de São Jorge. Se você está indo pela primeira vez, não deixe de pegar o elevador Santa Justa até a Cidade Alta. Lá você pode visitar o Mosteiro do Carmo e seu museu antropológico, muito interessante. Ah! Na praça tem a casa onde viveu o poeta maior Fernando Pessoa e ao lado a barraca de revistas aonde ele ia todos os dias comprar o jornal.
Mais na frente já no bairro de Belém, onde se saboreia um delicioso pastel, o museu do Coxe, o Mosteiro dos Jerônimos, o Monumento aos Descobridores e a Torre de Belém de onde partiram Cristovam Colombo e Pedro Álvares Cabral para a descoberta de novas terras, são locais que não podem deixar de ser visitados.
Claro que existem outros lugares muito agradáveis e importantes para serem conhecidos, mas cito estes principais. O Jardim Zoológico é um deles. Não podia deixar de ir a Fátima. Foi outra bela viagem de ônibus por estradas bem asfaltadas e sinalizadas, cortando campos de vinhedos e oliveiras.
Durante os dias que passei em Portugal pude acompanhar melhor os noticiários e visitar o jornal Diário de Notícias. O país vive uma séria crise financeira e social na educação e na saúde. É nítida a diferença econômica de Portugal com relação a outros países da Comunidade Européia. Para começar, lá os ônibus e aviões atrasam sempre.
Para reduzir custos com mão-de-obra presenciei uma coitada de uma mulher responsável por conduzir o elevador Santa Justa. Fazia de tudo, desde orientar turistas, receber o dinheiro do ingresso, passar o troco e fechar as portas. Fazia tudo isso sozinha num esforço estressante.
Quando estive lá, a discussão principal entre os parlamentares da situação e da oposição era sobre a universalização da saúde e a melhoria da qualidade da educação. Mais de 400 mil pessoas sofrem em filas nos hospitais para fazer uma consulta que demora de seis a oito meses. Parecido conosco. Os desempregados já ultrapassam 600 mil pessoas. O salário base é de cerca de 400 euros, perto de mil reais, bem distante da França e da Inglaterra, por exemplo. A situação por lá não é nada boa.
Foi uma viagem de 20 horas, passando por Bordoux e outras cidades da França, sem contar as pequenas vilas espalhadas pelos campos verdejantes, recheados de vinhedos e outras lavouras que hoje abastecem o mercado consumidor. A grande maioria das terras é de pequenas propriedades com suas vilas de 100 a 200 casas onde se cultiva a agricultura e se pratica a criação de gado leiteiro, sustentado por fenos.
Por onde passei, não vi grandes extensões de terras abarrotadas de bovinos e capim por todos os lados. Apesar de cansativa pelo tempo, foi uma viagem prazerosa, de observação e meditação. No lugar dos grandes latifúndios dos tempos feudais, pequenos lotes bem cuidados e bem estruturados. Fiquei imaginando que aquele homem do campo, diferente do nosso, não tem nenhum desejo e vontade de morar nas grandes cidades para sobreviver.
Quando criança, viajei muito de Piritiba a Senhor do Bonfim num trem chamado Maria Fumaça por ser movido a lenha. Era velho e já dava sinais de decadência, mais era divertido e gostoso. Não tinha noção de que tudo aquilo caminhava para o fim.
Depois de mais de 40 anos lá estava eu de novo viajando num trem, agora movido a eletricidade, bem mais moderno e confortável. Embora com outra estrutura, a sensação era a mesma e mais forte pelas recordações. Senti tristeza do nosso país, cujos governantes trocaram o transporte ferroviário pelo rodoviário. Por causa dessa opção, o brasileiro paga caro pelos produtos, sem levar em consideração o impacto ambiental que provocam carros e caminhões pesados.
Mas vamos voltar á nossa viagem. Com a proximidade da cidade de Írum, gente nova de outras nacionalidades vai ocupando as poltronas e a língua aos poucos vai mudando do francês para o espanhol, o português e até o italiano. São pessoas mais alegres que falam mais alto e discutem variados temas, inclusive os familiares. Assim como as pessoas, as paisagens também vão mudando.
De Írum para Lisboa cruzando parte da Espanha, também se percebe as diferenças de classes sociais. Nota-se que são pessoas com menor poder aquisitivo e o trem é mais velho, menos confortável e balança muito, parecendo que vai despencar de alguma serra.
Ao lado, um casal de jovens portugueses faz algazarra e fuma muito quando o trem para nas estações. Não consigo dormir direito, preocupado com suas atitudes. Um senhor na frente, com aspecto de operário ou agricultor, trazia na sua sacola de viagem café e comida. Mastigava o tempo todo.
Quando o dia amanheceu pude apreciar novamente as paisagens, se bem que me sentia sonolento e cansado. O casal continuava a perturbar e a fumar como caiporas. Também fumo e fui até lá fora numa das paradas, mas só consegui dar duas tragadas. Os dois desciam e no apito do maquinista pongavam no trem, acompanhando o embalo. Lembrei novamente dos tempos de menino, mas não tenho mais mobilidade no corpo para isso. O tempo nos faz assim. Troquei algumas palavras com o casal, mas não fui muito longe. Aliás, os dois desceram próximo a Lisboa e me deixaram mais sossegado.
Desci na Estação Santa Apolônia, em Lisboa, por volta das 12 horas num dia ensolarado. Fui direto para o hotel na Praça Marques de Pombal, aquele estadista que governou Portugal no século XVIII, se não me engano por volta de 1775, justamente na época do grande terremoto que destruiu quase toda Lisboa. Foi ele também quem expulsou os jesuítas do Brasil.
Com uma estátua imponente em sua homenagem, a praça é bonita, mas o trânsito em torno dela é confuso. Depois de me refazer da viagem com um bom banho, resolvi dar os primeiros passos na cidade e fui percebendo semelhanças com a nossa Salvador, não somente na questão da arquitetura.
No centro histórico do bairro Rosio você entra no túnel do tempo, pegando um bonde que sobe ladeiras e leva as pessoas até o Castelo de São Jorge. Se você está indo pela primeira vez, não deixe de pegar o elevador Santa Justa até a Cidade Alta. Lá você pode visitar o Mosteiro do Carmo e seu museu antropológico, muito interessante. Ah! Na praça tem a casa onde viveu o poeta maior Fernando Pessoa e ao lado a barraca de revistas aonde ele ia todos os dias comprar o jornal.
Mais na frente já no bairro de Belém, onde se saboreia um delicioso pastel, o museu do Coxe, o Mosteiro dos Jerônimos, o Monumento aos Descobridores e a Torre de Belém de onde partiram Cristovam Colombo e Pedro Álvares Cabral para a descoberta de novas terras, são locais que não podem deixar de ser visitados.
Claro que existem outros lugares muito agradáveis e importantes para serem conhecidos, mas cito estes principais. O Jardim Zoológico é um deles. Não podia deixar de ir a Fátima. Foi outra bela viagem de ônibus por estradas bem asfaltadas e sinalizadas, cortando campos de vinhedos e oliveiras.
Durante os dias que passei em Portugal pude acompanhar melhor os noticiários e visitar o jornal Diário de Notícias. O país vive uma séria crise financeira e social na educação e na saúde. É nítida a diferença econômica de Portugal com relação a outros países da Comunidade Européia. Para começar, lá os ônibus e aviões atrasam sempre.
Para reduzir custos com mão-de-obra presenciei uma coitada de uma mulher responsável por conduzir o elevador Santa Justa. Fazia de tudo, desde orientar turistas, receber o dinheiro do ingresso, passar o troco e fechar as portas. Fazia tudo isso sozinha num esforço estressante.
Quando estive lá, a discussão principal entre os parlamentares da situação e da oposição era sobre a universalização da saúde e a melhoria da qualidade da educação. Mais de 400 mil pessoas sofrem em filas nos hospitais para fazer uma consulta que demora de seis a oito meses. Parecido conosco. Os desempregados já ultrapassam 600 mil pessoas. O salário base é de cerca de 400 euros, perto de mil reais, bem distante da França e da Inglaterra, por exemplo. A situação por lá não é nada boa.
domingo, 31 de outubro de 2010
SEM OPOSIÇÃO
Não sou cientista político, cirurgião plásticon de programas de candidatos,nem marqueteiro de salão de beleza, mas vou aqui dar meus pitacos e meus petelecos. Quem quiser que pegue-os, amasse-os e façam o que bem quiserem. Podem cuspir fogo ou dar dentadas raivosas.
Além de uma equipe fraca e um programa sonolento (Serra parecia mais um frade de voz mansa e medrosa), o candidato do PSDB errou desde o primeiro turno das eleições em não bater em Lula. Bater que eu falo é mostrar os erros do Governo, especialmente no âmbito internacional e sua ligação estreita com o chavismo do venezuelano.
Mostrar que no início, o Programa do PT dizia e prometia uma coisa e fez outra totalmente diferente. Mostrar que o governo está alinhado com as elites e o capitalismo, embora faça o Bolsa Família dos pobres. É subserviente aos banqueiros e aos empreiteiros - as categorias que mais foram e vão continuar sendo beneficiadas no Brasil. Cadê a reforma agrária e a abertura dos arquivos da ditadura?. Cadê a punição aos torturadores do regime militar? Promessas em vão.
Mostrar que o país já está no rumo da unanimidade e quem for contra apanha, é execrado e excomungado. Mostrar o patrulhamento a que estamos sujeitos e que a imprensa já está nas garras da mordaça e da censura.
Sem essa desses tais cientistas políticos de meia tijela de que bater só leva ferro no final da campanha. No bom sentido, quem não bate apanha. Não estou me referindo a agressões de qualquer jeito ou pessoais. Estou me referindo a fazer críticas com fundamento, com base e argumentos sustentáveis. É isso que acontece em elições de outros países, inclusive Estados Unidos e na Europa.
É triste ver um país sem oposição. No início da campanha, ainda no primeiro turno, José Serra chegou a elogiar Lula. Aonde se vê isso! Serviu de chacota e piadas. Ele e sua equipe fraca ficaram com medo de mostrar o outro lado.
No lugar da firmeza nas críticas como oposição, passou a falar de aborto e casamento de homossexuais. Sua preocupação foi dizer que era católico e a Igreja ficou no armário. O que tem a ver religião e Deus com essa política de políticos alejados?
Por outro lado, se não existe oposição, também não existe partidos. Boa gente do PSDB, inclusive candidatos a governador, ficou o tempo todo fazendo o jogo da situação, do governo. Aecio Neves, do Minas Gerais, só veio aparecer no segundo turno e de forma bem tímida, fazendo corpo mole.
Apesar de um programa também fraco, Dilma se amarrou a Lula que ficou o tempo todo intocável, só falando e mandando suas "porradas", inclusive na imprensa. O candidato José Serra perdeu e pecou por omissão.
Nenhum dos dois tinham programas de governo, mas Serra era mais preparados. Já vão dizer que sou machista e preconceituoso. Vou fazer o quê? Posso ainda usar o meu direito de expressão? Patrulhamento é coisa da ditadura. Vão dizer que sou de direita e conservador.
Você também tem o direito de falar isso, mas não tente tolir a liberdade do outro.
Esses programas eleitorais já ultrapassaram a linha da chatice. As campanhas dos marqueteiros são horríveis,defasadas e esclerosadas. Os debates mais parecem teatros de última categoria. Pastelões de péssima qualidade. O pior de tudo é ver entrevistados dizerem que os debates são importantes e vão servir para tirar suas dúvidas.
Basta de tanta hipocrisia, principalmente da mídia amarelenta e remelenta. Basta de tanta mentira e faz de conta. O cidadão, coitado, entra nessa e vai dizendo que está exercendo plenamente sua cidadania. É tudo uma faz de conta.
Além de uma equipe fraca e um programa sonolento (Serra parecia mais um frade de voz mansa e medrosa), o candidato do PSDB errou desde o primeiro turno das eleições em não bater em Lula. Bater que eu falo é mostrar os erros do Governo, especialmente no âmbito internacional e sua ligação estreita com o chavismo do venezuelano.
Mostrar que no início, o Programa do PT dizia e prometia uma coisa e fez outra totalmente diferente. Mostrar que o governo está alinhado com as elites e o capitalismo, embora faça o Bolsa Família dos pobres. É subserviente aos banqueiros e aos empreiteiros - as categorias que mais foram e vão continuar sendo beneficiadas no Brasil. Cadê a reforma agrária e a abertura dos arquivos da ditadura?. Cadê a punição aos torturadores do regime militar? Promessas em vão.
Mostrar que o país já está no rumo da unanimidade e quem for contra apanha, é execrado e excomungado. Mostrar o patrulhamento a que estamos sujeitos e que a imprensa já está nas garras da mordaça e da censura.
Sem essa desses tais cientistas políticos de meia tijela de que bater só leva ferro no final da campanha. No bom sentido, quem não bate apanha. Não estou me referindo a agressões de qualquer jeito ou pessoais. Estou me referindo a fazer críticas com fundamento, com base e argumentos sustentáveis. É isso que acontece em elições de outros países, inclusive Estados Unidos e na Europa.
É triste ver um país sem oposição. No início da campanha, ainda no primeiro turno, José Serra chegou a elogiar Lula. Aonde se vê isso! Serviu de chacota e piadas. Ele e sua equipe fraca ficaram com medo de mostrar o outro lado.
No lugar da firmeza nas críticas como oposição, passou a falar de aborto e casamento de homossexuais. Sua preocupação foi dizer que era católico e a Igreja ficou no armário. O que tem a ver religião e Deus com essa política de políticos alejados?
Por outro lado, se não existe oposição, também não existe partidos. Boa gente do PSDB, inclusive candidatos a governador, ficou o tempo todo fazendo o jogo da situação, do governo. Aecio Neves, do Minas Gerais, só veio aparecer no segundo turno e de forma bem tímida, fazendo corpo mole.
Apesar de um programa também fraco, Dilma se amarrou a Lula que ficou o tempo todo intocável, só falando e mandando suas "porradas", inclusive na imprensa. O candidato José Serra perdeu e pecou por omissão.
Nenhum dos dois tinham programas de governo, mas Serra era mais preparados. Já vão dizer que sou machista e preconceituoso. Vou fazer o quê? Posso ainda usar o meu direito de expressão? Patrulhamento é coisa da ditadura. Vão dizer que sou de direita e conservador.
Você também tem o direito de falar isso, mas não tente tolir a liberdade do outro.
Esses programas eleitorais já ultrapassaram a linha da chatice. As campanhas dos marqueteiros são horríveis,defasadas e esclerosadas. Os debates mais parecem teatros de última categoria. Pastelões de péssima qualidade. O pior de tudo é ver entrevistados dizerem que os debates são importantes e vão servir para tirar suas dúvidas.
Basta de tanta hipocrisia, principalmente da mídia amarelenta e remelenta. Basta de tanta mentira e faz de conta. O cidadão, coitado, entra nessa e vai dizendo que está exercendo plenamente sua cidadania. É tudo uma faz de conta.
ANDAR PARA CONHECER
È verdade que a riqueza de um território é o seu povo. Sem dúvida, é a maior riqueza cultural de um Estado. Mas, o que dizer de um povo que não dá valor ao seu próprio povo, à sua gente e ao que ela produz e faz? Um povo que não preserva sua história, ao contrário depreda o que tem e não valoriza seu passado, é um povo sem identidade.
Vejamos, por exemplo, o caso de Salvador que está mais próximo de nós. A grande maioria, principalmente, os soteropolitanos natos, é mal-educada e não atende e trata bem os visitantes. Destrói os bens que possui. Quando se fala isso você é execrado, excomungado e dizem logo que o cara é preconceituoso. A mídia e os entrevistados descem elogios para ficarem bem na fita. Escondem a verdade e preferem a hipocrisia. A maioria prefere fazer folclore a abrir as veias e deixar escorrer o sangue.
Então, digo que o povo pode ser a maior riqueza como também ser a pobreza de uma nação. Prédios, marcas, equipamentos, registros e monumentos são símbolos fortes de um patrimônio cultural de uma nação. Neles estão também as marcas identificáveis de um povo. Não quero aqui me enveredar nessa discussão. É bom que cada um tenha seus conceitos para o engrandecimento da cultura.
Não estou aqui me referido, especificamente, da cultura popular que é, sem dúvida, um patrimônio que precisa ser preservado, mas vem sendo destruído ao longo dos anos pelo próprio povo por falta de conhecimento e saber. Será que o brasileiro preserva sua história, sua memória como deveria?
Bem, não é dessa questão que quero falar, mas um pouco das minhas observações pela Europa. Sei que muita gente aqui já esteve por lá e foi mais ávido para conhecer o patrimônio histórico e cultural de um passado de mais de dois mil anos.
Quem vai a Paris, por exemplo, pela primeira vez, quer logo conhecer os pontos destacados como Tour Eiffel (subir nela até o alto), ao Centre Pompidou, Palais de Versailles, Chateau de Vincennes; dar um passeio de barco pelo rio Sena (certas áreas estão poluídas); e visitar os principais museus como o Louvre, D´Orsay, Musée de L´Ármée, dentre outros importantes e famosos. Ah! Tem ainda as igrejas como a de Notre Dame, Santo Eustáquio, Sagrado Coração e o lado profano onde está o Mulin Ruge que já foi cenário de filme.
Mas, existe o outro lado de Paris, especialmente no Qartier Latin, onde estão concentradas lojas de doces, vinhos e cafés, além de prédios históricos do departamento governamental (universidades). Para conhecer bem a cidade em pouco tempo, o visitante tem que ter disposição para andar muito e ir observando as cenas pitorescas e os costumes do povo que não é bem cordial com o turista. Caminhe bastante pelas avenidas que margeiam o rio Sena e descobrirá coisas importantes. O bom é andar até se perder. Lá também tem morador de rua como em toda parte.
Nunca andei tanto em minha vida como nesta última vez que estive lá. Nas ruas de Paris o que mais se vê são africanos na informalidade vendendo produtos de lembrança nos principais pontos turísticos. A polícia, ou a guarda municipal, sempre está perseguindo aquela gente pobre e miserável que só está tentando sobreviver naquela metrópole. A grande maioria vive clandestinamente e está sempre de olha na polícia que passa. È o mundo capitalista cheio de fronteiras e barreiras sociais e políticas.
Nos metrôs e nas principais avenidas e centros existem pedintes que se comportam de uma maneira diferente dos nossos mendigos. Eles ficam humildemente encolhidos num canto ou numa esquina de rua, prostrados em posição islâmica quando está orando e, dificilmente, levantam a cabeça.
Um fato que me chamou a atenção é o costume das pessoas comemorarem os casamentos nas praças, jardins e parques. Em trajes a rigor, os casais tiram fotos e se beijam num clima de alegria e festividade. Eles estão sempre acompanhados dos parentes e amigos em grupos de não mais que 20 ou 30 pessoas. Esse costume existe em vários países da Europa e da Ásia, como na Rússia.
Fora os belos museus como o Louvre, dos Inválidos e a grandeza do Palais de Versailles, tanto em Paris como em outras capitais e cidades, se percebe um clima de que a Europa, principalmente, em Portugal, atravessa uma situação de dificuldades na economia e, em conseqüência, no âmbito social. O povo se queixa da retração do consumo ainda em decorrência da crise financeira internacional instalada em 2008. Os protestos nas ruas acontecem quase que diariamente. Nem é preciso dizer que a pior situação é de Portugal.
Apesar de tudo, o hábito da leitura, especificamente em Paris, é constante. Nos metrôs, nos bancos de jardins (conheça o Jardim de Luxemburgo) e nos cafés sempre tem gente lendo um livro ou jornal. Já aqui as pessoas vivem grudadas com um celular no ouvido, em todos os lugares. Mas, como aqui, lá também se nota o individualismo e a indiferença por onde trilha a humanidade.
Só para terminar, se for a Paris, não deixe de visitar o Museu dos Inválidos, ou Musée De L´Armée onde está o túmulo de Napoleão. Além de armas de todos os tipos, desde as mais antigas e modernas, armaduras e quadros de pintores famosos, existem grandes painéis com áudio-visual, retratando as guerras francesas desde os tempos das cavalarias e infantarias até a Segunda Guerra Mundial.
Em três línguas (espanhol, francês e inglês) você pode acompanhar, com o fone no ouvido, todos os movimentos das tropas com total perfeição de sons até o relinchar dos cavalos. São demonstrados nos painéis, as táticas de guerras, recuos e estratégias, inclusive a guerra com a Prússia onde a França com mais soldados foi encurralada e derrotada.
Vejamos, por exemplo, o caso de Salvador que está mais próximo de nós. A grande maioria, principalmente, os soteropolitanos natos, é mal-educada e não atende e trata bem os visitantes. Destrói os bens que possui. Quando se fala isso você é execrado, excomungado e dizem logo que o cara é preconceituoso. A mídia e os entrevistados descem elogios para ficarem bem na fita. Escondem a verdade e preferem a hipocrisia. A maioria prefere fazer folclore a abrir as veias e deixar escorrer o sangue.
Então, digo que o povo pode ser a maior riqueza como também ser a pobreza de uma nação. Prédios, marcas, equipamentos, registros e monumentos são símbolos fortes de um patrimônio cultural de uma nação. Neles estão também as marcas identificáveis de um povo. Não quero aqui me enveredar nessa discussão. É bom que cada um tenha seus conceitos para o engrandecimento da cultura.
Não estou aqui me referido, especificamente, da cultura popular que é, sem dúvida, um patrimônio que precisa ser preservado, mas vem sendo destruído ao longo dos anos pelo próprio povo por falta de conhecimento e saber. Será que o brasileiro preserva sua história, sua memória como deveria?
Bem, não é dessa questão que quero falar, mas um pouco das minhas observações pela Europa. Sei que muita gente aqui já esteve por lá e foi mais ávido para conhecer o patrimônio histórico e cultural de um passado de mais de dois mil anos.
Quem vai a Paris, por exemplo, pela primeira vez, quer logo conhecer os pontos destacados como Tour Eiffel (subir nela até o alto), ao Centre Pompidou, Palais de Versailles, Chateau de Vincennes; dar um passeio de barco pelo rio Sena (certas áreas estão poluídas); e visitar os principais museus como o Louvre, D´Orsay, Musée de L´Ármée, dentre outros importantes e famosos. Ah! Tem ainda as igrejas como a de Notre Dame, Santo Eustáquio, Sagrado Coração e o lado profano onde está o Mulin Ruge que já foi cenário de filme.
Mas, existe o outro lado de Paris, especialmente no Qartier Latin, onde estão concentradas lojas de doces, vinhos e cafés, além de prédios históricos do departamento governamental (universidades). Para conhecer bem a cidade em pouco tempo, o visitante tem que ter disposição para andar muito e ir observando as cenas pitorescas e os costumes do povo que não é bem cordial com o turista. Caminhe bastante pelas avenidas que margeiam o rio Sena e descobrirá coisas importantes. O bom é andar até se perder. Lá também tem morador de rua como em toda parte.
Nunca andei tanto em minha vida como nesta última vez que estive lá. Nas ruas de Paris o que mais se vê são africanos na informalidade vendendo produtos de lembrança nos principais pontos turísticos. A polícia, ou a guarda municipal, sempre está perseguindo aquela gente pobre e miserável que só está tentando sobreviver naquela metrópole. A grande maioria vive clandestinamente e está sempre de olha na polícia que passa. È o mundo capitalista cheio de fronteiras e barreiras sociais e políticas.
Nos metrôs e nas principais avenidas e centros existem pedintes que se comportam de uma maneira diferente dos nossos mendigos. Eles ficam humildemente encolhidos num canto ou numa esquina de rua, prostrados em posição islâmica quando está orando e, dificilmente, levantam a cabeça.
Um fato que me chamou a atenção é o costume das pessoas comemorarem os casamentos nas praças, jardins e parques. Em trajes a rigor, os casais tiram fotos e se beijam num clima de alegria e festividade. Eles estão sempre acompanhados dos parentes e amigos em grupos de não mais que 20 ou 30 pessoas. Esse costume existe em vários países da Europa e da Ásia, como na Rússia.
Fora os belos museus como o Louvre, dos Inválidos e a grandeza do Palais de Versailles, tanto em Paris como em outras capitais e cidades, se percebe um clima de que a Europa, principalmente, em Portugal, atravessa uma situação de dificuldades na economia e, em conseqüência, no âmbito social. O povo se queixa da retração do consumo ainda em decorrência da crise financeira internacional instalada em 2008. Os protestos nas ruas acontecem quase que diariamente. Nem é preciso dizer que a pior situação é de Portugal.
Apesar de tudo, o hábito da leitura, especificamente em Paris, é constante. Nos metrôs, nos bancos de jardins (conheça o Jardim de Luxemburgo) e nos cafés sempre tem gente lendo um livro ou jornal. Já aqui as pessoas vivem grudadas com um celular no ouvido, em todos os lugares. Mas, como aqui, lá também se nota o individualismo e a indiferença por onde trilha a humanidade.
Só para terminar, se for a Paris, não deixe de visitar o Museu dos Inválidos, ou Musée De L´Armée onde está o túmulo de Napoleão. Além de armas de todos os tipos, desde as mais antigas e modernas, armaduras e quadros de pintores famosos, existem grandes painéis com áudio-visual, retratando as guerras francesas desde os tempos das cavalarias e infantarias até a Segunda Guerra Mundial.
Em três línguas (espanhol, francês e inglês) você pode acompanhar, com o fone no ouvido, todos os movimentos das tropas com total perfeição de sons até o relinchar dos cavalos. São demonstrados nos painéis, as táticas de guerras, recuos e estratégias, inclusive a guerra com a Prússia onde a França com mais soldados foi encurralada e derrotada.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
IMPRESSÕES DE VIAGEM
Prometi aqui dar minhas impressões sobre a recente viagem que fiz a alguns países da Europa, ou do Velho Mundo, como é mais denominado em razão dos séculos de história, mesmo antes da dominação romana. Não gosto do termo de “povo civilizado”.
De alguma forma, o que se observa é que esses países conseguiram preservar seu patrimônio cultural, no meu entender, o maior patrimônio que uma nação pode ter e exibir, muito além do seu PIB ou de suas riquezas naturais e econômicas, coisa que o Brasil ainda não conseguiu atingir.
Com destino a Orly, na França, a minha primeira parada foi em Lisboa (só para Conexão), mas retornaremos lá para falar algumas coisas da nossa terra mãe colonizadora como todos já sabem muito bem.
Depois de uma longa viagem cansativa, ainda tive fôlego para retornar ao Velho Mundo e sentir a evolução tecnológica e, até mesmo, em alguns aspectos, a decadência da humanidade na questão da falta de solidariedade e na indiferença com as pessoas.
Do aeroporto, na companhia do meu filho Caio Macário, rumamos para Paris num ônibus e depois de metrô até o hotel, em Saint Paul. Pelo fluir do trânsito, fui logo percebendo as mudanças em termos de alternativas de transporte. Os trens correm velozes por debaixo da terra como cobras nos horários certos, transportando todo tipo de gente e classes.
Erradamente, aqui tudo gira em torno dos ônibus como grandes gafanhotos, soltando fumaças por todos os lados, congestionando e poluindo. É verdade que nos horários de pique os metrôs ficam superlotados, mas em questão de minutos aparecem outros para desafogar.
Só para citar, fico a lembrar de Salvador do infernal trânsito e de um pedaço de projeto de metrô “calça curta” que há 10 anos está sendo construído. Nem é preciso fazer comparações para perceber o nosso atraso por ter optado pelas estradas de rodagem e abandonado outras alternativas no transporte de passageiros.
Quando retornei a Europa já tinha consciência que não era tanto o povo de lá que me interessava, pois já sabia que não havia mais calor humano e receptividade como ainda se tem por aqui, se bem que no Brasil também esse valor está se evaporando com o individualismo.
Uma das coisas fundamentais que deduzi e terminou me convencendo de uma vez é que o nível menor ou maior de educação e cultura nem sempre é fator preponderante para que a pessoa seja bem educada e trate as outras com atenção e gentileza.
Em Paris, principalmente e, lamentavelmente, o que se percebe em muitas ocasiões é que o turista não é bem vindo, embora o turismo seja a maior sobrevivência econômica e política da capital. Com raras exceções, as ruas são bem tratadas, arborizadas (muitos jardins) e bem asfaltadas.
Mas, meu maior foco foi o conhecimento e a cultura, e disso não abri mão, tendo que “paletar” muito para visitar os museus, monumentos históricos, palácios, castelos, livrarias, bibliotecas públicas e igrejas suntuosas, sem falar nas “zonas de perdição” como muitos preferem assim chamar. Nunca andei tanto em minha vida em tão pouco tempo.
No aspecto da preservação do patrimônio cultural e histórico, do ponto de vista essencial de guardar a memória e o passado, voltei, mais uma vez, meu olhar para o Brasil e senti um grande vazio e destruição. Lembranças tristes, por exemplo, do Pelourinho e de todo centro histórico de Salvador.
Não somente em Paris, mas nos outros lugares por onde andei, em toda parte, nas praças e jardins, nos grandes museus, palácios e órgãos públicos, lá está uma marca viva preservada da história de um povo. Em todos os lugares se depara com um monumento ou estátua em homenagem a uma personalidade, a uma cena de luta, de conquista, de vitória, engrandecendo e enaltecendo a nação. Muitas vezes, até com exageros.
Senti que em pleno século XXI ainda carregamos o peso do complexo de inferioridade e de vira lata de que tanto falou Nelson Rodrigues. Infelizmente, a mentalidade de só valorizar o que é do estrangeiro continua a nos castigar, talvez porque não temos o patrimônio maior que é a cultura.
Não sei se estou errado na minha impressão, mas o que me incomodou é que o brasileiro lá fora nos países mais desenvolvidos se sente menor e mais tímido. Ele tem medo de dar um fora e ser repreendido. Outro fato lastimável e que já tinha conhecimento, é que brasileiro pouco fala com outro brasileiro quando se topam. Muitos viram a cara.
Já me disseram que o motivo é porque brasileiro é cheio de “arte” e costuma aprontar com seu patrício, inclusive dando golpes. Não creio que seja só isso. Pode vir daí o complexo de inferioridade e achar que o que é do Brasil não tem valor.
Conto para vocês uma cena que ocorreu comigo no Zoológico de Lisboa, mas isso fica para o próximo artigo sobre minhas impressões do Velho Mundo. Se me permitem e quiserem vou também dar algumas dicas de visitas aos primeiros viajantes e como economizar para conhecer diversos lugares interessantes. Isso para quem tem pouca grana como eu.
De alguma forma, o que se observa é que esses países conseguiram preservar seu patrimônio cultural, no meu entender, o maior patrimônio que uma nação pode ter e exibir, muito além do seu PIB ou de suas riquezas naturais e econômicas, coisa que o Brasil ainda não conseguiu atingir.
Com destino a Orly, na França, a minha primeira parada foi em Lisboa (só para Conexão), mas retornaremos lá para falar algumas coisas da nossa terra mãe colonizadora como todos já sabem muito bem.
Depois de uma longa viagem cansativa, ainda tive fôlego para retornar ao Velho Mundo e sentir a evolução tecnológica e, até mesmo, em alguns aspectos, a decadência da humanidade na questão da falta de solidariedade e na indiferença com as pessoas.
Do aeroporto, na companhia do meu filho Caio Macário, rumamos para Paris num ônibus e depois de metrô até o hotel, em Saint Paul. Pelo fluir do trânsito, fui logo percebendo as mudanças em termos de alternativas de transporte. Os trens correm velozes por debaixo da terra como cobras nos horários certos, transportando todo tipo de gente e classes.
Erradamente, aqui tudo gira em torno dos ônibus como grandes gafanhotos, soltando fumaças por todos os lados, congestionando e poluindo. É verdade que nos horários de pique os metrôs ficam superlotados, mas em questão de minutos aparecem outros para desafogar.
Só para citar, fico a lembrar de Salvador do infernal trânsito e de um pedaço de projeto de metrô “calça curta” que há 10 anos está sendo construído. Nem é preciso fazer comparações para perceber o nosso atraso por ter optado pelas estradas de rodagem e abandonado outras alternativas no transporte de passageiros.
Quando retornei a Europa já tinha consciência que não era tanto o povo de lá que me interessava, pois já sabia que não havia mais calor humano e receptividade como ainda se tem por aqui, se bem que no Brasil também esse valor está se evaporando com o individualismo.
Uma das coisas fundamentais que deduzi e terminou me convencendo de uma vez é que o nível menor ou maior de educação e cultura nem sempre é fator preponderante para que a pessoa seja bem educada e trate as outras com atenção e gentileza.
Em Paris, principalmente e, lamentavelmente, o que se percebe em muitas ocasiões é que o turista não é bem vindo, embora o turismo seja a maior sobrevivência econômica e política da capital. Com raras exceções, as ruas são bem tratadas, arborizadas (muitos jardins) e bem asfaltadas.
Mas, meu maior foco foi o conhecimento e a cultura, e disso não abri mão, tendo que “paletar” muito para visitar os museus, monumentos históricos, palácios, castelos, livrarias, bibliotecas públicas e igrejas suntuosas, sem falar nas “zonas de perdição” como muitos preferem assim chamar. Nunca andei tanto em minha vida em tão pouco tempo.
No aspecto da preservação do patrimônio cultural e histórico, do ponto de vista essencial de guardar a memória e o passado, voltei, mais uma vez, meu olhar para o Brasil e senti um grande vazio e destruição. Lembranças tristes, por exemplo, do Pelourinho e de todo centro histórico de Salvador.
Não somente em Paris, mas nos outros lugares por onde andei, em toda parte, nas praças e jardins, nos grandes museus, palácios e órgãos públicos, lá está uma marca viva preservada da história de um povo. Em todos os lugares se depara com um monumento ou estátua em homenagem a uma personalidade, a uma cena de luta, de conquista, de vitória, engrandecendo e enaltecendo a nação. Muitas vezes, até com exageros.
Senti que em pleno século XXI ainda carregamos o peso do complexo de inferioridade e de vira lata de que tanto falou Nelson Rodrigues. Infelizmente, a mentalidade de só valorizar o que é do estrangeiro continua a nos castigar, talvez porque não temos o patrimônio maior que é a cultura.
Não sei se estou errado na minha impressão, mas o que me incomodou é que o brasileiro lá fora nos países mais desenvolvidos se sente menor e mais tímido. Ele tem medo de dar um fora e ser repreendido. Outro fato lastimável e que já tinha conhecimento, é que brasileiro pouco fala com outro brasileiro quando se topam. Muitos viram a cara.
Já me disseram que o motivo é porque brasileiro é cheio de “arte” e costuma aprontar com seu patrício, inclusive dando golpes. Não creio que seja só isso. Pode vir daí o complexo de inferioridade e achar que o que é do Brasil não tem valor.
Conto para vocês uma cena que ocorreu comigo no Zoológico de Lisboa, mas isso fica para o próximo artigo sobre minhas impressões do Velho Mundo. Se me permitem e quiserem vou também dar algumas dicas de visitas aos primeiros viajantes e como economizar para conhecer diversos lugares interessantes. Isso para quem tem pouca grana como eu.
terça-feira, 12 de outubro de 2010
PASTANDO NA PRAÇA
Este flagrante aconteceu no último domingo (dia 10) na Praça do Gil, em Vitória da Conquista. No jardim já maltratdo, o cavalo pastava tranquilamente, fazendo sua refeição diária. Isso já vem ocorrendo há muito tempo em praças de Conquista que já estão em precário estado de conservação. Por falar nisso, parece que para o poder público só existe na cidade a Praça Tancredo Neves. Nas outras não se vê a presença de funcionários para impedir cenas como esta. Sem uma fiscalização mais rígida, com punição severa, os carroceiros criam seu animais soltos por aí. Só querem tirar proveito e chicotea-los sob pesada carga. As pessoas passam e seguem suas rotinas como se nada estivesse acontecendo.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
OS TIRIRICAS E OS CORONÉIS
Depois de alguns dias no Velho Mundo, voltei a tempo para votar e conferir a velha patifaria na política brasileira. Sem educação de qualidade e cultura (para os políticos é bom permanecer como está), o povo continua sem saber votar, inclusive literalmente. Os Tiriricas da vida e os coronéis donos do voto de cabresto proliferam por todo nosso país, deitados em berço esplêndido de olho nos cofres públicos. Vamos falar mesmo no popular, sem essa de politicamente correto.
Na Bahia, por exemplo, é só dar uma olhada na lista dos eleitos. Em pleno Século XXI e depois de 25 anos de ditadura militar, em nome da democracia a política se tornou um bom negócio mafioso e meio de renda para famílias e gerações passadas das oligarquias. São saúvas resistentes aos venenos.
Os pais se elegem para a Câmara Federal ou Senado e os filhos para a Assembléia Legislativa. É um descarrego (não é macumba) de votos feito com precisão. É uma leitura que dificilmente falha. Estão sempre pontuando os leões, os negromontes, os vieiraslimas, os magalhães, os carneiros, os mendonças e outros clãs com seus filhos, mulheres e parentes. Pode apostar que dá na cabeça.
Peça chave nisso é o domínio fechado de territórios sob o comando dos prefeitos, vereadores e cabos eleitorais que ganham para isso. Nos pequenos municípios, principalmente, é costume na época de eleições o eleitor das grotas indagar para o prefeito: Dr. “Vamo votá em quem dessa vez”?. Aí é só fazer o mapa dos votos e correr para o abraço. Depois entra o “cientista político” e fica com conversa fiada para explicar o fenômeno. É tudo muito simples e claro. Não precisa de cientista e de pesquisa. O mais é “blábláblá” para boi manso dormir.
No Brasil, os fichas sujas tiveram expressiva votação, a exemplo do Jader Barbalho, no Pará, e o Maluf, em São Paulo, que inclusive solta gargalhadas e diz que é o mais limpo do Brasil. Sem conscientização política, o povo entra na onda do deboche e vota nos tiriricas para o país ficar pior.
No Distrito Federal, Joaquim Roriz indica sua mulher como fantoche para ser governadora e ainda elege duas filhas. Uma vergonha para as mulheres que defendem a participação e a seriedade na política. Os eleitos sorriem e dão entrevista declarando que o povo sabe escolher seus candidatos. Eles sabem que assim podem eleger suas mulheres, filhos, netos, irmãos e suas amantes.
Eles aperfeiçoaram muito bem o esquema e não querem jamais uma reforma política. Como está, está muito bom. É só encher o “emborná” e o ego do pobre eleitor de que ele é muito importante (somente neste dia) e que ao votar se torna um cidadão de primeira classe. Se não sabem votar (a grande maioria – mais de 60% - é analfabeta funcional que mal sabe ler e escrever) os coronéis ensinam.
Sobre o Tiririca, de São Paulo, vi na rede Record o comentário político de uma mulher, não sei muito bem se cientista, que dizia que este fenômeno já faz parte da cultura do brasileiro e lembrava casos parecidos como Cacareco, no Rio de Janeiro, dentre outros pelos estados. Dizia ainda que não via insatisfação política no povo e que o Tiririca com essa votação pode acordar e até fazer um bom trabalho como parlamentar. Tudo para ela era normal.
Fiquei horrorizado com sua fala, de certo forma incisiva e impositiva como correta. Ainda mais porque os outros que participavam do programa não questionavam. Ora, estes “fenômenos”, na verdade, traduzem falta de cultura. Considero, por assim dizer, uma ainti-cultura.
A repetição dos tiriricas é mais uma prova de que depois de muitos e muitos anos, não evoluímos. Pelo contrário, é uma mostra da decadência e do fracasso na política. Por sua vez, não se faz um Tiririca da vida ter conteúdo e capacidade política para gerir bem seu mandato de uma noite para o dia.
O esquema Tiririca foi bem montado e calculado por um grupo de aproveitadores que viu nele um grande arrastador de votos daquela banda do povo desiludido que diz que se também estivesse lá faria o mesmo.
Quem votou nele não tinha consciência que estava elegendo mais três desconhecidos além dele. No outro dia da eleição ouvi muita gente na Praça Barão do Rio Branco comentando que se fosse aqui na Bahia também votaria em Tiririca. Não precisa explicar mais nada. Vida longa aos coronéis e aos que estão chegando da escola de seus pais e antepassados.
Nestas eleições quem mais perdeu foi o Lula que saiu arranhado, mesmo com seus 80% de aprovação, tendo o bolsa família como maior cabo eleitoral da história. Êta programa social bom, moço! Não dá para entender como o presidente tem 80% de aprovação e sua candidata fantoche só consegue pontuar 46% na urna. Na verdade, sua indicada é tão fraca que não houve transferência de votos. Tem coisa errada. Existe muito artificialismo nos números.
No mais, tudo continua como Dantes no Quartel de Abrantes. A eleição foi a mesmice piorada, sem alternativas de candidatos, embora digam por aí que Marina Silva era uma. A não ser o Plínio Arruda que fez o discurso do PT de antes e disse ser possível sonhar com um socialismo humano, o que vi foi um grupo falando a mesma linguagem das oligarquias, das elites e da burguesia. É o mesmo que trocar seis por meia dúzia.
Do Velho Mundo li alguma coisa na mídia sobre o escândalo de Eurenice Guerra, da Casa Civil, e o Lula culpando a imprensa por tudo. Estamos andando numa linha perigosa do poder acima de tudso.
Sobre minha viagem a Europa e minhas impressões do Velho Continente de hoje, seu povo e outras coisas mais, eu conto depois. Só para deixar minha opinião, o mundo está cada vez mais desumano e difícil para se viver. No mais, conversamos depois.
Na Bahia, por exemplo, é só dar uma olhada na lista dos eleitos. Em pleno Século XXI e depois de 25 anos de ditadura militar, em nome da democracia a política se tornou um bom negócio mafioso e meio de renda para famílias e gerações passadas das oligarquias. São saúvas resistentes aos venenos.
Os pais se elegem para a Câmara Federal ou Senado e os filhos para a Assembléia Legislativa. É um descarrego (não é macumba) de votos feito com precisão. É uma leitura que dificilmente falha. Estão sempre pontuando os leões, os negromontes, os vieiraslimas, os magalhães, os carneiros, os mendonças e outros clãs com seus filhos, mulheres e parentes. Pode apostar que dá na cabeça.
Peça chave nisso é o domínio fechado de territórios sob o comando dos prefeitos, vereadores e cabos eleitorais que ganham para isso. Nos pequenos municípios, principalmente, é costume na época de eleições o eleitor das grotas indagar para o prefeito: Dr. “Vamo votá em quem dessa vez”?. Aí é só fazer o mapa dos votos e correr para o abraço. Depois entra o “cientista político” e fica com conversa fiada para explicar o fenômeno. É tudo muito simples e claro. Não precisa de cientista e de pesquisa. O mais é “blábláblá” para boi manso dormir.
No Brasil, os fichas sujas tiveram expressiva votação, a exemplo do Jader Barbalho, no Pará, e o Maluf, em São Paulo, que inclusive solta gargalhadas e diz que é o mais limpo do Brasil. Sem conscientização política, o povo entra na onda do deboche e vota nos tiriricas para o país ficar pior.
No Distrito Federal, Joaquim Roriz indica sua mulher como fantoche para ser governadora e ainda elege duas filhas. Uma vergonha para as mulheres que defendem a participação e a seriedade na política. Os eleitos sorriem e dão entrevista declarando que o povo sabe escolher seus candidatos. Eles sabem que assim podem eleger suas mulheres, filhos, netos, irmãos e suas amantes.
Eles aperfeiçoaram muito bem o esquema e não querem jamais uma reforma política. Como está, está muito bom. É só encher o “emborná” e o ego do pobre eleitor de que ele é muito importante (somente neste dia) e que ao votar se torna um cidadão de primeira classe. Se não sabem votar (a grande maioria – mais de 60% - é analfabeta funcional que mal sabe ler e escrever) os coronéis ensinam.
Sobre o Tiririca, de São Paulo, vi na rede Record o comentário político de uma mulher, não sei muito bem se cientista, que dizia que este fenômeno já faz parte da cultura do brasileiro e lembrava casos parecidos como Cacareco, no Rio de Janeiro, dentre outros pelos estados. Dizia ainda que não via insatisfação política no povo e que o Tiririca com essa votação pode acordar e até fazer um bom trabalho como parlamentar. Tudo para ela era normal.
Fiquei horrorizado com sua fala, de certo forma incisiva e impositiva como correta. Ainda mais porque os outros que participavam do programa não questionavam. Ora, estes “fenômenos”, na verdade, traduzem falta de cultura. Considero, por assim dizer, uma ainti-cultura.
A repetição dos tiriricas é mais uma prova de que depois de muitos e muitos anos, não evoluímos. Pelo contrário, é uma mostra da decadência e do fracasso na política. Por sua vez, não se faz um Tiririca da vida ter conteúdo e capacidade política para gerir bem seu mandato de uma noite para o dia.
O esquema Tiririca foi bem montado e calculado por um grupo de aproveitadores que viu nele um grande arrastador de votos daquela banda do povo desiludido que diz que se também estivesse lá faria o mesmo.
Quem votou nele não tinha consciência que estava elegendo mais três desconhecidos além dele. No outro dia da eleição ouvi muita gente na Praça Barão do Rio Branco comentando que se fosse aqui na Bahia também votaria em Tiririca. Não precisa explicar mais nada. Vida longa aos coronéis e aos que estão chegando da escola de seus pais e antepassados.
Nestas eleições quem mais perdeu foi o Lula que saiu arranhado, mesmo com seus 80% de aprovação, tendo o bolsa família como maior cabo eleitoral da história. Êta programa social bom, moço! Não dá para entender como o presidente tem 80% de aprovação e sua candidata fantoche só consegue pontuar 46% na urna. Na verdade, sua indicada é tão fraca que não houve transferência de votos. Tem coisa errada. Existe muito artificialismo nos números.
No mais, tudo continua como Dantes no Quartel de Abrantes. A eleição foi a mesmice piorada, sem alternativas de candidatos, embora digam por aí que Marina Silva era uma. A não ser o Plínio Arruda que fez o discurso do PT de antes e disse ser possível sonhar com um socialismo humano, o que vi foi um grupo falando a mesma linguagem das oligarquias, das elites e da burguesia. É o mesmo que trocar seis por meia dúzia.
Do Velho Mundo li alguma coisa na mídia sobre o escândalo de Eurenice Guerra, da Casa Civil, e o Lula culpando a imprensa por tudo. Estamos andando numa linha perigosa do poder acima de tudso.
Sobre minha viagem a Europa e minhas impressões do Velho Continente de hoje, seu povo e outras coisas mais, eu conto depois. Só para deixar minha opinião, o mundo está cada vez mais desumano e difícil para se viver. No mais, conversamos depois.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
O URÂNIO TEM RISCOS?
A radiação faz bem ou mal à saúde? A verdade, as meias verdades e os mitos são explicados pelo médico especialista Nelson Valverde. A radiação pode causar danos e benefícios, como a ionizante. Somente a partir de 1895 o homem foi dar conta da radiação e hoje as pessoas associam o perigo dela ao câncer, à dor e à morte.
Com estilo didático e esclarecedor sobre a história da Radiação Ionizante, o médico, especializado há 33 anos em radiobiologia e radiopatologia, assegurou durante sua palestra no auditório da Casa Anísio Teixeira, em Caetité, que as pessoas que vivem em torno da mina e da usina de urânio das Indústrias Nucleares do Brasil-INB e consomem a água na área do projeto não correm risco de serem contaminadas pela radiação do urânio.
Em entrevista à nossa reportagem pouco antes da sua explanação, o médico formado em Saúde Ocupacional e Radiopatologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro foi categórico em suas afirmações, ponderando, no entanto, ser possível que em alguns bolsões exista maior concentração de urânio natural. Mesmo assim, segundo ele, isso não coloca em risco a vida das pessoas. “Não se pode atribuir a operação da URA/INB qualquer contribuição para aumentar a concentração de urânio na água”.
Prosseguindo, o médico que é colaborador permanente da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) declarou que mesmo o urânio na forma yellow cake não provoca riscos radiológicos porque o produto não é enriquecido. De acordo com o especialista, o risco radiológico é a partir dos 10 a 15% de enriquecimento.
AS QUESTÕES DO PÚBLICO
Nelson Valverde não se furtou a responder às questões da platéia e da nossa reportagem sobre os alardes da mídia e dos movimentos ambientalistas, inclusive do Granpeecce quanto, especialmente, a contaminação da água pelo urânio natural e extraído em Caetité.
Na sua avaliação, pode ser que essas pessoas tenham outras informações que não sejam do meu conhecimento. “Se souberem mais, é interessante que tragam essas informações a público como forma de cidadania”. No entanto, destacou que precisa haver fundamento científico. No mais, na sua análise, é criar pânico e desserviço à população, acrescentando que ninguém pode ser absolutista. Nesse aspecto, o médico lembrou o filósofo grego Platão que foi o pai da epistemologia, o que significa a ciência da verdade.
Na sua palestra bastante interativa para um público de cerca de 120 pessoas, com foco no urânio de Caetité, um participante chegou a abordar o problema da divulgação dessas notícias que deixaram a comunidade em pânico, inclusive visitantes que na época se recusavam a beber água e a consumir produtos oriundos da cidade.
O público presente endossou a iniciativa das palestras, inclusive cobrou mais resposta da INB com relação às informações desencontradas. O coordenador Administrativo da Empresa, Jorge Luis Carvalho Almeida e a coordenadora de Comunicação Social, Gabriela Marchesin explicaram o trabalho que a INB vem fazendo para esclarecer todas as dúvidas quanto às informações distorcidas e convidaram as pessoas a visitarem a usina.
O médico que também é colaborador da Organização Mundial de Saúde disse que a INB está no caminho certo com esta programação e que é a obrigação dela se abrir e ser transparente com os trabalhadores e com a comunidade. “Temos o direito de saber o que nos afeta ou não, e cabe aos cidadãos decidirem”.
Na ocasião, Valverde lembrou que a INB contratou serviços da Fundação Fiocruz para realizar estudo epidemiológico da área do urânio. Na primeira etapa do trabalho, a Fiocruz constatou que o nível de mortalidade de câncer em Caetité e Lagoa Real, comparado com os municípios de Botuporã e Maragojipe, na Bahia, é igual, inclusive também com relação a outras localidades do Brasil.
Indagado se a INB segue as normas e exigências recomendadas pelas agências internacionais, o especialista que já foi condecorado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) pelos serviços em prol das aplicações pacíficas da energia nuclear, respondeu que a empresa é auditada pela própria CNEN, pela AIEA, pelo Ibama e outros organismos e está atuando com total segurança. “Temos normas e regulamentos que não podem ser desobedecidos”.
Sobre os efeitos que a radiação ionizante pode causar no organismo humano, durante sua palestra, pontuada com ilustrações históricas referentes ao tema, Nelson Valverde disse que existem as verdades, as meias verdades e os mitos. Um dos mitos, segundo ele, é que a radiação ionizante causa câncer e impotência sexual. Assinalou, sem seguida, que a história da radioatividade do átomo é traumática, lembrando a catástrofe nuclear de Hiroxima e Nagasaki. “A percepção do risco é hoje hiperdimensionada”.
A palestra faz parte da programação chamada “Palestras sobre urânio, mineração e energia nuclear” que a INB começou a desenvolver no ano passado quando especialistas falaram sobre o assunto como a hidrologia da região, o ciclo do combustível e o funcionamento de uma usina. O objetivo do programa é levar mais informações ao público formador de opinião, como prefeitos, vereadores, lojistas, professores, estudantes e representantes das comunidades urbana e rural.
Com estilo didático e esclarecedor sobre a história da Radiação Ionizante, o médico, especializado há 33 anos em radiobiologia e radiopatologia, assegurou durante sua palestra no auditório da Casa Anísio Teixeira, em Caetité, que as pessoas que vivem em torno da mina e da usina de urânio das Indústrias Nucleares do Brasil-INB e consomem a água na área do projeto não correm risco de serem contaminadas pela radiação do urânio.
Em entrevista à nossa reportagem pouco antes da sua explanação, o médico formado em Saúde Ocupacional e Radiopatologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro foi categórico em suas afirmações, ponderando, no entanto, ser possível que em alguns bolsões exista maior concentração de urânio natural. Mesmo assim, segundo ele, isso não coloca em risco a vida das pessoas. “Não se pode atribuir a operação da URA/INB qualquer contribuição para aumentar a concentração de urânio na água”.
Prosseguindo, o médico que é colaborador permanente da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) declarou que mesmo o urânio na forma yellow cake não provoca riscos radiológicos porque o produto não é enriquecido. De acordo com o especialista, o risco radiológico é a partir dos 10 a 15% de enriquecimento.
AS QUESTÕES DO PÚBLICO
Nelson Valverde não se furtou a responder às questões da platéia e da nossa reportagem sobre os alardes da mídia e dos movimentos ambientalistas, inclusive do Granpeecce quanto, especialmente, a contaminação da água pelo urânio natural e extraído em Caetité.
Na sua avaliação, pode ser que essas pessoas tenham outras informações que não sejam do meu conhecimento. “Se souberem mais, é interessante que tragam essas informações a público como forma de cidadania”. No entanto, destacou que precisa haver fundamento científico. No mais, na sua análise, é criar pânico e desserviço à população, acrescentando que ninguém pode ser absolutista. Nesse aspecto, o médico lembrou o filósofo grego Platão que foi o pai da epistemologia, o que significa a ciência da verdade.
Na sua palestra bastante interativa para um público de cerca de 120 pessoas, com foco no urânio de Caetité, um participante chegou a abordar o problema da divulgação dessas notícias que deixaram a comunidade em pânico, inclusive visitantes que na época se recusavam a beber água e a consumir produtos oriundos da cidade.
O público presente endossou a iniciativa das palestras, inclusive cobrou mais resposta da INB com relação às informações desencontradas. O coordenador Administrativo da Empresa, Jorge Luis Carvalho Almeida e a coordenadora de Comunicação Social, Gabriela Marchesin explicaram o trabalho que a INB vem fazendo para esclarecer todas as dúvidas quanto às informações distorcidas e convidaram as pessoas a visitarem a usina.
O médico que também é colaborador da Organização Mundial de Saúde disse que a INB está no caminho certo com esta programação e que é a obrigação dela se abrir e ser transparente com os trabalhadores e com a comunidade. “Temos o direito de saber o que nos afeta ou não, e cabe aos cidadãos decidirem”.
Na ocasião, Valverde lembrou que a INB contratou serviços da Fundação Fiocruz para realizar estudo epidemiológico da área do urânio. Na primeira etapa do trabalho, a Fiocruz constatou que o nível de mortalidade de câncer em Caetité e Lagoa Real, comparado com os municípios de Botuporã e Maragojipe, na Bahia, é igual, inclusive também com relação a outras localidades do Brasil.
Indagado se a INB segue as normas e exigências recomendadas pelas agências internacionais, o especialista que já foi condecorado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) pelos serviços em prol das aplicações pacíficas da energia nuclear, respondeu que a empresa é auditada pela própria CNEN, pela AIEA, pelo Ibama e outros organismos e está atuando com total segurança. “Temos normas e regulamentos que não podem ser desobedecidos”.
Sobre os efeitos que a radiação ionizante pode causar no organismo humano, durante sua palestra, pontuada com ilustrações históricas referentes ao tema, Nelson Valverde disse que existem as verdades, as meias verdades e os mitos. Um dos mitos, segundo ele, é que a radiação ionizante causa câncer e impotência sexual. Assinalou, sem seguida, que a história da radioatividade do átomo é traumática, lembrando a catástrofe nuclear de Hiroxima e Nagasaki. “A percepção do risco é hoje hiperdimensionada”.
A palestra faz parte da programação chamada “Palestras sobre urânio, mineração e energia nuclear” que a INB começou a desenvolver no ano passado quando especialistas falaram sobre o assunto como a hidrologia da região, o ciclo do combustível e o funcionamento de uma usina. O objetivo do programa é levar mais informações ao público formador de opinião, como prefeitos, vereadores, lojistas, professores, estudantes e representantes das comunidades urbana e rural.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
COPA E CARCARÁS
Deu para perceber que na chamada Operação Caracará (podia se chamar Carcará) do Ministério Público Estadual, da Secretaria da Fazenda e da Secretaria de Segurança do Estado, Vitória da Conquista é o foco da sonegação fiscal na Bahia! Com a concentração de 15 a 16 presos entre empresários e policiais, lamentavelmente, aqui mais parece ser o paraíso das trambicagens.
É muita gente comendo “bola” e se enriquecendo ilicitamente. E por falar nisso, já observou a declaração de renda dos candidatos a cargos políticos nas próximas eleições? Como eles são pobres coitados! Como nas cantorias das emboladas, é cada um fazendo suas pegadas na demonstração de suas destrezas verbais e escritas. Essa Operação, segundo dizem, já vinha sendo investigada há quatro anos e descobriu-se um rombo de R$1,6 bilhão no Estado.
Creio que aqui em Conquista, não apenas na área fiscal, muita coisa precisa ser desbaratada. Infelizmente, nos tempos mais recentes, nosso município tem sido destaque de coisas ruins como a Chacina entre 28 e 29 de janeiro quando policiais executaram 11 pessoas. Alguns deles foram levados para Salvador, mas já retornaram e não se fala mais em inquéritos e prisões. É mais uma fato a ir para o arquivo morto.
Achei fraca a cobertura da imprensa local com relação a Operação Caracará (não me traduziram o significado). Por que não deram os nomes dos presos? Mais uma vez, os noticiários não passaram de registros formais, sucintos e sem profundidade. Com seus mais de 300 mil habitantes e com tantas ocorrências, Conquista já deveria ter um jornal diário feito com seriedade, conteúdo e qualificação profissional.
Falta visão empresarial e jornalística para encarar essa realidade, sem vaidades e pretensões políticas. O povo de Conquista está carente de notícias e matérias locais bem trabalhadas e que não sejam reféns dos órgãos públicos. Muitos questionam por aí que com esse estilo não dá para sobreviver. Tenho opinião diferente e certeza que dá.
Quanto a Operação, fica a sensação de que o ouvinte, o telespectador e o leitor ficaram frustrados com os resumos das notícias. Nas informações, sente-se a falta de um jornalismo mais investigativo por parte da imprensa local. A impressão que se tem é que muito mais coisa deveria ser divulgada e explicada com mais detalhes.
É uma crítica que pode ser rebatida e contestada, mas peço permissão para falar mais uma vez da Copa de Futebol da África e a de 2014 que será no Brasil. No nosso país vai permanecer o arcaico, sujo e podre com o imperador Ricardo Teixeira, da CBF. É de um cinismo agudo quando o homem vai para os meios de comunicação e fala de renovação. Mais triste ainda é o silêncio da imprensa que não questiona a situação.
Vamos continuar comendo “bola” com as obras superfaturadas e engolindo a propaganda enganosa e mentirosa de que a Copa vai oferecer milhões de empregos (temporários) e que por isso justificam os bilhões de reais dos cofres públicos que serão investidos em novos estádios.
No caso do Brasil, faço a mesma pergunta de um articulista com relação a Copa da África do Sul. Dos R$10,5 bilhões equivalentes investidos pelo Governo da África em 10 estádios e mais outros bilhões em infraestrutura, quanto será incorporado como investimento permanente e benéfico para uma população pobre e devastada pela corrupção? No caso do Brasil, tão carente de uma educação de qualidade e de saúde digna para a população.
Lá, dos 47 milhões de habitantes, 20 milhões vivem na extrema pobreza. Aqui, dos 190 milhões, mais de 50 milhões. No Brasil, vão fazer uma limpeza da pobreza em torno dos estádios como foi feito na África. Tanto lá como cá, os menos favorecidos serão barrados da festa da Fifa, considerada vitrine do capitalismo predador mundial.
Como assinala o articulista, o fenômeno da violação dos direitos das comunidades decorrentes dos impactos das Olimpíadas e da Copa do Mundo também foi constado em outras cidades como Pequim e Barcelona. Relatório da ONU denunciou a falta de transparência da Fifa em relação aos preparativos para a Copa da África do Sul. Pelo andar da carruagem, no Brasil não será diferente com os homens vitalícios das Olimpíadas e da Copa.
É uma reflexão que temos que fazer sobre esses eventos no Brasil. Só acho que megaeventos desse tipo só poderiam acontecer em países com índices de educação, saúde e qualidade de vida acima do exigido pelas nações mais desenvolvidas. Sobre a questão da corrupção, não dá nem para se comentar. Se fosse só olhar por este ângulo, o Brasil já estaria fora.
Na Bahia, por exemplo, a licitação público-privada para construção da nova Fonte Nova já começa irregular. Como se não bastasse, o governador quer tirar o nome do estádio de Otávio Mangabeira para colocar o nome de “Lulão”. O Governo do PT não moveu nem uma palha para reverter a mudança de nome do Aeroporto Dois de Julho para Luis Eduardo Magalhães. Dá para acreditar?
sexta-feira, 9 de julho de 2010
RENOVAÇÃO A COMEÇAR POR ELE
É engraçado, contraditório e irônico o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira falar em renovação da seleção brasileira, incluindo técnico e comissão, quando ele próprio já tem 21 anos no poder e montou uma máfia na instituição. A renovação tem que ser total e teria que começar por ele, mas a mídia engole; continua omissa; e se cala diante dos fatos.
Aliás, a maior culpa por esse atraso e por esse continuísmo de um futebol feio e indolente é da própria CBF que contratou um Dunga (jogador limitado) inexperiente para comandar a seleção e insistir num grupo despreparado psicologicamente, sem contar a falta de habilidades com a bola.
O pastor “Kaká” que misturou jogo com evangelização nem poderia ter sido contratado porque estava e está lesionado. “Kaká” se comportou mais como um líder evangélico do que um jogador decisivo. Não concordo com essa mistura de Deus e rezas com o futebol como fazem os torcedores e os times. Parece até que o Senhor Todo Poderoso toma partido numa partida. É até uma blasfêmia dizer que foi a mão de Deus.
Na verdade, o que se viu foi uma seleção sem craques e até o Robinho alegre, cheio de dribles e pedaladas, parecia outro a comemorar seus gols de joelhos, olhando para os céus. Essa seleção lembrou muito os atletas brasileiros nas Olimpíadas. Ganham algumas competições, mas na hora da competição mundialmente mais importante amarelam e danam a chorar. Será que voltou o complexo de vira-latas?
E por falar em Olimpíadas, o esporte brasileiro como um todo precisa de uma renovação total a começar pelos dirigentes que se perpetuam no poder através da corrupção, dos conchavos e da corrupção. Olha o caso do presidente do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) que há mais de 30 anos está lá e ninguém diz nada! Estão acabando com nossos esportes.
Vem aí a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas em 2016. Eles estarão lá dando risadas cínicas nas solenidades e praticando suas irregularidades, sem contar a ditadura do poder que proíbe is atletas de se manifestarem. É um vale de lágrimas nas competições. Se o Brasil for campeão em 2014 a corja vai continuar mandando por mais 30 anos. As obras do Pan-Americano foram superfaturadas, mas o homem e seu bando continuam lá dando risadas.
Que moral tem o sr. Ricardo Teixeira para falar em renovação da seleção? O homem que tem um jatinho particular de U$10 milhões sempre é eleito, através de maracutaias e acordos, pelos presidentes das federações. O homem de duas CPIs conseguiu passar incólume através de seus acertos com os congressistas que também são sujos, com raras exceções. A CBF é uma galinha dos ovos de ouro.
Envolvidos num ufanismo exagerado e até diria fundamentalista onde a grande maioria estava mais embriagada pelas festas e em queimar o trabalho, os torcedores não estavam nem aí para discutir essas questões. Aliás, é um vazio total em termos de senso crítico. A única coisa que os torcedores se agarram e se apegam é no título do “Penta” que o Brasil conquistou, mas não se dão conta de que o nosso futebol está uma porcaria, desorganizado e em frangalhos.
É decadência é tanta que os melhores vão logo para o exterior ganhar seus dólares e euros. Aqui ficam os jogadores medianos para disputar o Campeonato Brasileiro, a principal competição nacional. O futebol arte e espetáculo está morrendo. Alguns meninos que são a esperança de reverter esse quadro são desestimulados como aconteceu agora na hora de fazer a lista da seleção.
Por falar em craques e espetáculo, a única seleção dessa Copa que jogou o futebol brasileiro de outrora foi a da Espanha. Com raras exceções, o que vimos em campo foi “jogador” perna-de-pau maltratando a bola e praticando cenas horrorosas. Houve época em que se aplaudia e até se torcia para adversários que jogavam bonito. Hoje, fazemos intrigas.
Perdemos porque nossa seleção não teve competência e o comando está arcaico e ultrapassado. Agora não dá para entender essa birra toda contra a Argentina que tinha bons jogadores, mas uma comissão técnica fraca e também inexperiente. Parece mais coisa de fracassado que só quer ver a desgraça do vizinho. Quando Argentina jogou, torci a favor da sua equipe.
O que está estragando o Brasil é a cultura da corrupção endêmica e generalizada onde as pessoas ficaram cegas e até admitem a desonestidade como coisa normal e justificável como o gol de braços de Luiz Fabiano. Quando, no entanto, o adversário faz gol de mão é criticado e tido como desonesto.
Aqui no Brasil quando um time perde, torcedores raivosos e fanáticos partem para a violência, mas não têm coragem de protestar contra a corrupção e os dirigentes vitalícios do futebol e dos esportes em geral que estão deixando a Nação envergonhada e triste. São energias perdidas.
segunda-feira, 28 de junho de 2010
SÃO JOÃO E FUTEBOL
Andei por aí viajando e atarefado, mas sempre pensando em retornar e aterrissar no meu aeroporto para trocarmos umas idéias. As festas juninas e essa Copa do Mundo de Futebol de poucos craques e muitos pernas-de-pau me deixaram meio zonzo e fora do ar. A gente, muitas vezes, com esse mundo confuso, perde a noção e acaba saindo do caminho.
Primeiro queria dizer que a Prefeitura de Vitória da Conquista está acertando a mão na festa junina, realizando um São João cultural e autêntico, com a visão de preservar as tradições. O Arraial da Conquista, o palco “Pé de Serra do Periperi” com apresentações de forrozeiros cantando as canções da terra, sem letras de apelações, e o Memorial do São João na Casa Regis Pacheco indicaram que esse é o caminho do resgate da festa para que Conquista seja uma atração de visitantes neste período.
É bom ver isso do poder executivo local quando a maior parte das prefeituras vem descaracterizando o São João, misturado ao trio elétrico, ao axé music e outros ritmos com bandas que não têm nada a ver com a tradicional festa nordestina. Sempre defendi e disse que Conquista podia e pode fazer uma festa forte para atrair outros municípios da região, da Bahia e até do Brasil.
Levantar essa cultura que está se perdendo é elogiável e esperamos que no próximo ano seja melhor ainda como o grupo “Para o Ano Sai Mió”, abrindo espaços também para atrações de fora que cantam o verdadeiro São João no ritmo do xote, do xaxado e do baião ao som do triângulo, da zabumba e da sanfona. Não a esse São João da Calcinha Preta e de outros conjuntos que enfeiam a nossa cantoria com gritos, guitarras e letras vazias.
Não é somente a música do Jackson do Pandeiro, do Gonzagão e de outros seguidores que precisa ser resgatada. Também as comidas, as bebidas típicos e os costumes têm que ser preservados dessa contaminação consumista e da alienação geral que invadiram o território da cultura popular implantada desde os tempos coloniais.
O Memorial do São João na Casa Regis Pacheco fez essa leitura para despertar nas pessoas, principalmente nos jovens, de que a festa junina precisa ser protegida do arrastão dos donos de bandas e trios que só visam o lucro e não estão nem aí para a tradição junina. O Arraial da Conquista, mostrando os elementos nordestinos, e o São João “Pé de Serra do Periperi” no palco da Praça Barão do Rio Branco deixaram a mensagem de que se pode fazer uma boa festa, vivenciando as raízes da nossa gente.
Ainda existem mais espaços para se investir e explorar, inclusive em atrações de fora dentro da linha da festa. Minha observação é que se tome o cuidado quanto a pontualidade das apresentações. Outra questão a se pensar é quanto o intervalo entre as bandas. Um buraco muito grande entre uma apresentação e outra deixa as pessoas impacientes e muitos terminam indo embora. A apresentação de Targino Godim, por exemplo, demorou quase 30 minutos para afinar seus instrumentos. A música não pode parar e isso pode ser preenchido com outro palco menor.
E por falar em espaço é bom que a Prefeitura inclua no seu planejamento para o próximo ano mais sanitários públicos higienizados para atender a demanda da população. A divulgação da festa nas diversas modalidades da mídia na região e na Bahia é muito importante para atrair mais visitantes e até evitar que os moradores viagem neste período para outros locais.
O policiamento deve estar presente e constante, mas não precisa fazer exibições em praça pública como aconteceu no último domingo com a revista exagerada de jovens e até crianças que se encontravam na festa. Crianças não podem ser constrangidas em público como ocorreu em revistas ostensivas, chamando a atenção de muita gente curiosa que parecia mais se deleitar com a ação, inclusive tirando fotos. O policial tem que ser orientado a realizar seu serviço com moderação.
Quanto ao futebol, essa Copa do Mundo é insosa. O ufanismo alucinante deixa o brasileiro sem senso crítico para analisar com mais critério o nível da seleção. Para o brasileiro, as mãos de Thierry, da França, e de Maradona, na Copa do México, são imperdoáveis e desonestas, mas o braço de Luiz Fabiano é considerado correto.
Não entendo como numa Copa sem muitos craques, os cronistas esportivos ficam torcendo para que as melhores seleções e os melhores jogadores saiam de cena! Essa atitude só pode ser compreendida como falta de confiança na seleção brasileira, ou como anti-futebol. Ninguém liga mais para o futebol arte e espetáculo. O bom futebol merece ser aplaudido e elogiado, mas nos contentamos com os pernas-de-pau.
Não me entusiasma e não tenho muita coisa para falar desta Copa. No Brasil, cada vez mais o povo está contaminado e esquece dos problemas maiores do país. É uma alienação geral e tudo virou festa. Não dá para entender que no dia do jogo da seleção o Brasil pare e todas as empresas fechem suas portas para acompanhar uma partida. Mesmo na época da ditadura com toda propaganda ufanista dos generais não se via isso.
Ninguém está ligando para o estrago na economia, e a grande maioria só que saber da festança com muita farra regada a bebidas, chegando até a violência no trânsito com mortes. Todo esse quadro demonstra um vazio de conhecimento e um alto nível de fanatismo. Torcer é uma coisa compreensível, mas não precisa ser tão exagerado. A mídia muito contribui para este quadro tão ufanista e cego. A seleção do Chile é uma manteiga só.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
SE FOSSE COMO NO FUTEBOL!
Ah, se o povo brasileiro se interessasse, discutisse e entendesse de política como acontece com o futebol! Pelo menos que fosse a metade já se poderia dizer que temos um bom nível de politização. Ah, se exigisse uma educação de qualidade como se faz com o futebol do técnico Dunga! Ah, se brigasse pela melhoria da saúde como se irrita quando os jogadores da seleção não jogam um bom futebol! Ah, se protestasse contra a corrupção como se faz quando seu time joga mal!
Mas, tudo isso fica no “se fosse igual”, “se a empolgação fosse a mesma”, ou pelo menos parecido. Faça um seminário sobre futebol e você terá o auditório superlotado. Todos vão querer falar, dar palpite, sugestões e apontar defeitos e erros. As soluções para melhoria brotam, e jorram as idéias. Vai sobrar inspiração, e você vai ver que todos entendem do assunto. Ninguém quer ficar de fora das rodadas de discussão.
Quem sabe um dia não cheguemos lá! É bom sonhar e torcer para que a política, a educação, a saúde e outros temas essenciais ao bem-estar da população sejam discutidos e cobrados com a mesma ênfase. É tempo de Copa do Mundo e todos estão unidos num só pensamento, numa só energia positiva para que o Brasil seja campeão, seja hexa e traga o caneco lá da África do Sul. Se não der verto, ai de Dunga e de seus companheiros!
Como dizia o escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues, “somos o país das chuteiras”, e até derrubamos sua teoria de “complexo de vira-lata” que existia antes. Agora somos respeitados quando a seleção entra em campo e os adversários tremem as pernas. Nada de inferioridade! Sentimos orgulho da camisa verde-amarela e só queremos uma partida com goleada. Nada de empate ou 1 x 0.
Ah, se tivéssemos o mesmo orgulho com a política e com os nossos políticos no campo da seriedade e da ética! Se tivéssemos uma educação de qualidade e uma saúde de bom atendimento para nos orgulhar! Se tivéssemos segurança para todos! Infelizmente, a preocupação com esses itens não é a mesma como no futebol.
A esta altura do campeonato, já tem milhões por aí rezando para Santo Antônio, São João, São Pedro e para Todos os Santos para que o Brasil seja mais uma vez campeão. Coitados dos santos que já têm tantas coisas para resolver! Esses devotos não têm pena de seus santos? Dá um tempo!
Se o Brasil ganhar a Copa, vamos ter mais 11 heróis que serão recebidos pelo presidente da República; desfilarão de carros abertos pelas principais avenidas das capitais; e até serão utilizados pelos políticos para se elegerem. Vai ter jogador sendo chamado para se candidatar e serão mostrados como exemplos de vida para a Nação.
Como o assunto é mesmo futebol e ninguém quer saber de outra coisa até o final da Copa, ou até o final do ano, vamos trocar umas idéias sobre esse torneio mundial que teve início em 1930. Eu também entendo de futebol, pois já joguei na seleção de Amargosa e só não me profissionalizei porque na época era menor de idade e meu pai detestava esse esporte. Além do mais, era seminarista. Não precisam amaldiçoar meu pai porque ele já faleceu. Não sou técnico, mas também me atrevo a dar meu parecer, com certa autoridade.
Desde menino acompanho as Copas, isto é, desde 1958 quando o Brasil foi campeão na Suécia. De lá para cá já se foram 14 Copas. Em 58 tinha 11 anos e já escutava alguma coisa sobre a vitória e as diabruras de Pelé, Garrincha, Didi, Zagalo e outros em campo. Em 62, de Garrincha e de Amarildo, quando já jogava no Santos, do Seminário de Amargosa, passei a me interessar bem mais.
Portanto, também posso dizer que na minha análise, a melhor seleção e a mais completa foi a de 1970, e a mais feia a de 1994 com Dunga. A de 50 foi de lágrimas. A de 58 deixamos de ser vira-latas. A de 62 foi só vibração. A de 78, se não fosse o Peru e a Argentina. A de 86 foi a esperança que ficou no caminho. A decepção foi a de 98. A de 2002 estava desacreditada. A de 2010 tem a cara de Dunga e Parreira, mas não acredito que seja campeã. Não precisam me trucidar, mas me arrisco sabendo que estou dando pitaco na paixão do brasileiro.
Estou acompanhando todos os jogos e até o momento não me empolguei, a não ser um pouco mais com a Alemanha que saiu daquele futebol marrento e sonolento. O que mais venho observando é a escassez de craques, daí os resultados apertados e sem espetáculo. Nos últimos anos sentimos a grande escassez de craques como temos escassez de líderes no mundo e no Brasil para nos conduzir.
Entendo que o futebol não pode se resumir apenas em gols e vitórias. Para mim tem que ter espetáculo para ser arte. Até agora não vi espetáculo e o futebol molecagem como dos meninos que ficaram na Vila Belmiro e do próprio Ronaldinho Gaúcho. Para mim tem que ganhar e mostrar dribles, criação e poesia. Hoje, sinto falta disso tudo. Hoje é raça e preparo físico, misturados com uma técnica quase que padronizada de um mesmo ritmo e de um mesmo compasso de passes errados.
Como no futebol, o brasileiro também deveria exigir empenho e craques na política, na educação, na saúde e na segurança pública, principalmente. Ah, como seria bom se existisse uma torcida forte contra a corrupção e contra os políticos safados! Ah, se existisse uma marcação dura para melhoria da educação e da saúde no país como existe para que a seleção ganhe todas e erga o troféu!
domingo, 6 de junho de 2010
PAPOS DE BOTEQUINS E OUTROS
O cara chega ao bar, pede uma cerveja e pergunta para a garçonete:
- Como é mesmo esse feriado de Corpus Christi? Explica aí, é coisa de finado, não é?
É, pode até ser, depende da interpretação. O finado Cristo morreu na cruz para salvar a humanidade dos pecados, inclusive da ignorância. Pelo visto, não adiantou nada.
Já saiu por aí indagando às pessoas nas ruas, principalmente estudantes, sobre o significado do 2 de Julho, do 21 de abril, do 15 de Novembro, ou outras datas históricas do país? As respostas são as mais absurdas e cômicas, para não dizer que são tristes e lamentáveis. Feriado é feriado, não importa...
E por falar em feriado, o nosso país bate recorde. A maioria nem quer saber do que se trata. E os dias religiosos. Aliás, só da Igreja Católica. E o Brasil não é um Estado laico? Já imaginou se no dia 12 de outubro todos brasileiros fossem obrigados a ir à Igreja prestar uma homenagem à sua padroeira Nossa Senhora Aparecida? E na Semana Santa? É época de muita comelança e de embriaguez. A violência aumenta, sobretudo nas estradas. Um escritor francês dizia que enquanto Cristo tomba, a humanidade cambaleia. E cadê a Santa, perguntou um bêbado para o outro.
Nessa época de Copa do Mundo, como não poderia deixar de ser, o papo que mais rola nos bares e botequins é sobre a seleção de Dunga e sua teimosia em contrariar a escalação dos torcedores, deixando aqui os Meninos da Vila e o Ronaldinho Gaúcho lá.
Nesse assunto todo mundo é técnico e tem os mais especializados que dedicam suas 24 horas a saber tudo de jogadores. Eles se acham o máximo. Tem o torcedor que se mata e está disposto a tudo, como ficar 24 horas numa fila, faça chuva ou faça sol, para comprar um ingresso. Não importa se aquele dinheiro era para comprar o leite dos filhos. Não conte com ele para um movimento contra a corrupção, ou a favor da melhoria de sua vida.
Já observou o monte de besteiras que os nossos jogadores soltam nas entrevistas coletivas? É de fazer pena. É uma vergonha para a nossa Nação. Comparam a bola com mulher de malandro, com “patricinha” e coisa parecida. Perdoai, Senhor, porque eles não sabem o que falam!. Pelo amor de Deus, não façam perguntas de cunho político, social ou econômico.
Os gostos musicais deles variam entre pagode e sertanejo. Não mais que isso. Não sabem ler e escrever, mas ganham fabulosos salários e são ídolos e heróis. É a inversão tremenda de valores. Jogador de futebol no Brasil é a cara da nossa educação. Com fama e dinheiro, muitos deles começam a fazer bobagens e até apologia ao tráfico de drogas.
O cara sacou R$60 mil para o traficante comprar tudo de cestas básicas. É muita cesta. O moço é caridoso. Também, aprendeu com quem? Estamos no país da cesta básica. E o torcedor no bar dizia para o outro que o dinheiro era dele e podia fazer o que bem quisesse. Nada demais. Seu apoio era incondicional.
E vem aí a febre dos pais botarem seus filhos numa escolhinha de futebol para que eles aprendam a ser craques. O menino toma gosto e logo deixa os estudos. Entra num time médio e acredita que vai virar craque e ganhar muito dinheiro. Só que o tempo passa e ele não vai além de um jogador medíocre. No final, nem futebol, nem o ensino. A desilusão chegar tarde demais. Quanto ao resto, todos sabem o que acontece.
O cara foi chegando ao botequim e falou logo para o companheiro: O Lula estava comandando um barco que ia para a Faixa de Gaza e foi barrado pelos israelenses. O cara é demais! Também ninguém sabe por onde ele anda! E o FHC foi quem levou a fama.
- Agora vai dar certo e a violência não vai ter mais vez! Como assim cara! - Perguntou o malandro para outro. Ué, agora já temos o Comando da Paz, em Salvador, que está acabando com o Primeiro Comando da Capital. É loucura, meu camarada!
Noutro dia desses estava numa banca de revistas e um senhor de idade lascava com a nossa frágil democracia, dizendo ser uma baderna total. Até aí dava para aturar. Enquanto escolhia umas revistas, escutava calado, fazendo de conta que nada ouvia.
A conversa sobre política fluía e estava ficando animada com outro senhor. Tudo indicava que eles estavam se conhecendo naquele momento, mas se interagiam muito bem nas idéias.
O senhor de idade que estava metendo o cassete na democracia se empolgou demais e soltou aquela pedrada:
- Na ditadura a coisa era bem melhor porque se tinha ordem – disse o senhor de cabelos grisalhos - reforçando sua máxima:
- E olha que eu acompanhei e vivi aquela época. O dono da banca de revista olhou para mim e piscou o olho, como se dissesse: Melhor ficar calado. Foi difícil me controlar, mas é duro ainda ter que ouvir essa blasfêmia. Quem sabe não foi um dedo duro da ditadura!
Misturando democracia, ditadura e eleição, o outro ao lado ensinava que o certo nessas eleições era votar nos novos, para mudar a situação. Essa pregação não é nova, mas faltou a ele refletir que isso já foi feito, só que os novos eleitos logo se coligaram com a velharia e começaram a montar seus esquemas de patifarias. É o sistema que é bruto, meu camarada.
Paguei logo a conta e sai com pressa porque num papo desse tipo, melhor ficar em silêncio e se afastar. O nosso SUS não tem nenhuma estrutura para atender um enfartado. Você acredita que o Brasil vai ser um país desenvolvido e potência sem educação de qualidade?
terça-feira, 1 de junho de 2010
O SISTEMA E A PALMADA
A questão não é ser otimista ou pessimista, de direita ou de esquerda, conservador ou avançado, moralista ou liberal. A questão é de senso crítico, conhecimento, de racionalidade e de interpretação politizada sobre o nosso sistema que está todo podre e se ruindo com deformações e pingueiras por todos os lados. Sobre a palmada, falo mais na frente.
Trata-se de uma análise histórica desde os tempos coloniais, passando pela opressão do coronelismo até os dias atuais onde a oligarquia política continua manipulando as classes pobres e analfabetas que não conseguem decifrar as manobras do poder e ainda são usadas como massas de manobra. Pode até ser um chavão antigo, mas é a verdade.
Como diria no popular, o buraco é mais embaixo, meu camarada. Para entender toda essa engrenagem do sistema é preciso se debruçar nas pegadas das armadilhas e das falsas demagogias políticas de igualdade e inclusão social. Crescimento econômico não significa distribuição de renda e redução das desigualdades sociais.
Sem educação de qualidade, a máquina vai continuar travada e a grande maioria a viver na ilusão maquiada dos fatos, sem discernir e distinguir direito as cores. Todos lá de cima estão alinhados ao sistema porque dependem dele para a sobrevivência.
O poder atual, por exemplo, usa a expansão do ensino superior como uma das bandeiras de suas campanhas. Ninguém pode ser contra a interiorização das universidades. Ocorre que, só para citar a Bahia, esse projeto foi feito sem critério e planejamento. Foi montado para atender interesses políticos e pessoais.
As salas estão cheias de estudantes, mas ninguém analisa friamente e conscientemente o perfil desses alunos. A maioria não tem base cultural para os estudos acadêmicos e profissionais. E tome cursos e mais cursos de diversas áreas. Muitos fazem para obter um passaporte para o mercado, só que saem despreparados e não conseguem atender as exigências de qualificação.
O negócio é fechar os olhos e fazer de conta que todos estão tendo ensino de qualidade. As nossas universidades do interior vivem constantemente em crises, mas estão sempre criando novos cursos. Por sua vez, a deterioração já vem do ensino fundamental e médio que é de péssima qualidade. A sociedade é posta de lado nas discussões.
O Brasil apresenta certo crescimento econômico, mas com baixo nível na educação. Assim, o país jamais vai alcançar o desenvolvimento de que tanto se fala para ser tornar uma potencia. A não ser no papel ou na ilusão manipulada pelos políticos. As novas gerações já estão pagando um alto preço.
Sem educação eficiente, crescerá o desemprego e a violência. As grandes empresas estão com dificuldade de contratar pessoal qualificado e estão buscando gente no exterior. O engodo e o populismo estão criando um bando de mentes atrofiadas no Brasil, mas quem está de fora vê tudo como um milagre e uma maravilha. Basta analisar o sistema de cotas nas universidades, as quais são mais raciais e discriminatórias. Estão longe de serem sociais e de inclusão.
Para ingressar na universidade, a nota exigida para o cotista é dez vezes mais baixa do que para os não cotistas. Os negros, os indígenas, os que estudaram nas escolas públicas não merecem essa dura penalização futura. Mais uma vez, o poder prefere jogar a sujeira para debaixo do tapete. Mas este é um assunto longo para ser desecado.
São inúmeras as situações onde os brasileiros são enganados com políticas mentirosas que vão repercutir negativamente no futuro. Quanto a insegurança e a violência que reinam neste paraíso de belas praias e paisagens são outros ingredientes indigestos que nos fazem engolir e até nos voltamos uns contra os outros.
Já analisou que neste Brasil oligárquico sempre é pobre matando pobre! Os jagunços matavam os pobres a mando dos coronéis e dos senhores de escravos. A maioria da população de Salvador é de cor negra e de pobres como é formado o corpo policial que espanca, tortura e mata os mais pobres.
Na chacina de Conquista passaram por cima da lei; invadiram os casebres da Serra; e executaram 11 pessoas. A própria polícia contestou as investigações do Ministério Público. Os segmentos da sociedade se calaram, apoiando uma ação que eles entendem ser a mais correta forma de combater a violência. As camadas mais pobres e sem instrução chegam a concordar que a polícia tem que matar mesmo. Já que todos são inocentes e estavam no cumprimento do dever, só resta concluir que não houve chacina nenhuma. Será que invadiriam se fossem mansões?
Nas ruas, os cidadãos são desrespeitados brutalmente e muitos trabalhadores espancados até a morte. Os governantes enchem nossas cabeças de esperanças, prometendo mais armamento; comprar mais viaturas; e colocar mais homens como se tudo isso fosse a solução do problema. Não importa se o sistema continua arcaico com homens despreparados, sem formação humana para tratar bem o contribuinte dos impostos. Assim é mais fácil e rende mais votos nas eleições. Continuamos sendo iludidos e massacrados. A maioria concorda e apóia.
A esta altura, o leitor deve estar perguntando: E a PALMADA? Ah! Esta é um projeto de um parlamentar do Rio Grande do Sul para punir os pais que derem uma palmada nos filhos, inclusive obrigando-os a freqüentarem um psicólogo para devido tratamento mental.
Talvez se nossos governantes e políticos tivessem tomado umas palmadas quando crianças, hoje não estariam roubando, enrolando e cometendo desatinos contra a coisa pública, nem fazendo populismo barato. Talvez levassem a política com seriedade e priorizassem a educação. Talvez nosso sistema fosse mais humano e igualitário. Talvez nem fosse necessário se ter um Estatuto da Criança e do Adolescente que se diz moderno, mas que na prática não funciona como deveria. Criam um Conselho Tutelar sem estrutura e se faz uma eleição numa cidade de 300 mil habitantes onde só três mil votaram A isso se chama participação popular. Vivemos no faz de conta.
Já falei demais, mas tinha muito mais coisa para citar no campo da ironia e da contradição como o voto obrigatório onde políticos explicam que é uma forma de aperfeiçoamento da democracia. E ainda dizem por aí que o brasileiro já aprendeu a votar. Conversa mole para boi dormir. No mais, podem me xingar e jogar as pedras.
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