Vamos abordar aqui diversos assuntos que acontecem em nossas vidas e no dia-a-dia do Brasil. São absurdos que dão lugar a outros e logo terminam sendo esquecidos. Pelo visto, não é somente a Bahia que tem o “privilégio” de ser a terra dos absurdos como exclamou estarrecido o ex-governador Otávio Mangabeira.
Para começar, diria que no Brasil temos o sagrado direito à propriedade privada, mas não existe o sagrado direito à dignidade da pessoa humana, a não ser no papel, manchado de tramas escusas. Basta citar a invasão ao bairro Pinheirinho, em São Paulo, onde os moradores foram literalmente esmagados pela máquina público-privada.
Numa praia do litoral paulista, um garoto de 13 anos pilota um Jet Ski, perde o controle, e acaba atingindo uma criança que morre no local. Os pais somem, mas aparece um advogado para dar uma versão cínica e fajuta da tragédia, dando a entender (somos todos burros) que o único culpado foi o Jet Ski que resolveu sair sozinho do barco para dar um passeio. Fez uma ligação em si mesmo e avisou: “Vou ali e volto já”.
Como a coisa ficou tão escancarada, só depois com o depoimento de testemunhas, foi que o advogado mudou de “tática” e instruiu o menino a contar a verdade de que ele estava pilotando, mas não aponta o responsável, ou responsáveis. Assim, o garoto agiu por conta própria porque os pais e os adultos que estavam com ele não aparecem na peça. O menor leva a culpa e os pais se safam. E tome impunidade e injustiça. O resto já se sabe no que vai dar. É o mesmo tipo de pai que dá bebida alcoólica para o filho e acha tudo bonito.
Baderna no julgamento das escolas de samba de São Paulo. Um estúpido com uma camisa e um bracelete de uma escola dá uma “voadeira” na mesa do júri, pega os papéis das notas e rasga tudo. A diretoria da entidade diz que não sabe como o cara entrou no recinto, tampouco que era membro do grupo. O agressor fez tudo por conta própria. Ninguém planejou a confusão. As versões são as mais estapafúrdias.
No dia 2 de fevereiro passado, no Rio de Janeiro ou São Paulo (o local não importa muito), Vitor Suarez Cunha foi defender um mendigo que estava apanhando de uns animais com cara de humanos e foi barbaramente espancado. O rapaz baixou no hospital e nenhuma entidade de defesa dos direitos humanos se pronunciou ou apareceu por lá para apoiar a ação de Vitor. Nem um representante do governo se manifestou. Solidariedade está em extinção.
Queimaram mais mendigos (lembram do índio Galdino) em Brasília. Tudo perpetrado por jovens de cujos pais sempre devem ter recebido cobertura para os malfeitos. Será mais um crime impune, como o do índio Galdino. Dizem que os criminosos daquele ato macabro se formaram e hoje estão “atuando muito bem” em suas profissões. A sociedade cala e espera outro absurdo acontecer.
Temos muito mais absurdos e passaria o resto da minha vida relatando-os. Em todos eles, as “autoridades” sempre dizem o mesmo: “Vamos investigar com profundidade e punir os culpados”. Conversa pra boi dormir. Passa o tempo e tudo cai no esquecimento. Vivemos no paraíso da impunidade.
Saindo de uma ponta a outra, aqui na Bahia a Secretaria de Cultura do Estado abriu um concurso para selecionar representantes territoriais de cultura (êta nome bonito!), cujo edital dava vantagens a militantes políticos e sindicalistas (mais de mil reais de salário). O governador achou um absurdo, e o secretário, Albino Rubim, saiu com esta: Existe vício na política, mas não é só no PT. Está em todos os partidos. Faz lembrar Lula sobre o Caixa 2 das campanhas eleitorais. Boa justificativa! Este esquema está enraizado há muito tempo em todos os setores do governo. É a cota política, sem levar em conta o mérito e a competência.
E por falar em cultura, um produtor da área disse que a atual gestão permanece ancorada na análise conceitual do fenômeno cultural e esqueceu-se do fazer cultura. Continuamos tentando descobrir o sexo dos anjos. Inventaram o território cultural. O que virá depois?
Nenhuma chiada quanto a privatização dos aeroportos. A classe trabalhadora e os estudantes ficaram calados. Fosse antes, havia quebra-quebra. Nesta privatização, 49% dos aeroportos ficaram sob controle da estatal (Infraero), preservando a permanência dos quadros sindicalistas nas diretorias e nos conselhos. Está aí a explicação para a satisfação da militância, sem reação ideológica.
Querem mais um absurdo nosso de cada dia? No ano passado, os gastos em comemorações do governo federal atingiram R$54 milhões, 19,5% a mais que no ano anterior (R$45,4 milhões). Em cinco anos o crescimento é de 314%, bem longe da inflação.
Para 2012, o Tribunal Superior Eleitoral divulgou que os 29 partidos existentes (haja partido) receberão R$286,2 milhões para manter suas estruturas. Em 2011, a dotação foi de R$265 milhões. Só o PT abocanhou R$44 milhões, seguido do PMDB com R$33 milhões; o PSDB com R$30 milhões; e o DEM ficou em quarto, com R$19 milhões. E ainda dizem que no Brasil os partidos não são financiados com dinheiro público.
Os R$286 milhões do fundo partidário acrescentados aos R$851 milhões em descontos de impostos dados às emissoras de rádio e televisão em 2010 (serão R$606 milhões em 2012) somam R$1,13 bilhão. Como disse a colunista Dora Kramer, a militância cega resulta na perda da independência mental. É o estado onde não se tem mais liberdade de dizer as coisas como elas são.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
"CAPITÃES DE AREIA" !
Maravilhoso, lindo, esplêndido, contagiante, empolgante, show emocionante e perfeito! São muitos adjetivos para pouca objetividade dos narradores e “comentaristas” da rede Globo sobre as Escolas de Samba do Rio de Janeiro. A impressão que se tem é que todas vão ser campeãs. Fala-se o óbvio. “Olha as baianas rodando, que lindo”! Para qualquer Escola, todos os enredos são fáceis de cantar.
O pior aconteceu quando entrou a Portela, a primeira Escola a desfilar na Sapucaí. Na Comissão de Frente colocaram a legenda “Capitães de Areia” para fazer referência a um dos livros do escritor baiano Jorge Amado. Esperei que fosse feita a correção, mas até o final, lá se foi repetindo “Capitães de Areia”. Jorge Amado deve ter se revirado do além e dito: Nunca escrevi este livro. Que horror!
No encerramento, o próprio responsável pela montagem da Comissão deu uma entrevista e mandou essa: Jorge Amado foi generoso quando escreveu “Capitães de Areia”. Generoso como? Lamentável cena, testemunha de que o moço também cometeu um grande equívoco de interpretação sobre a obra.
Na verdade, o título do livro é “Capitães da Areia”, que conta a história de meninos “moleques” que viviam soltos nas ruas e perambulavam pelas areias das praias da Cidade Baixa, dormindo num velho trapiche. Não sabia que Jorge Amado também era escultor de capitães feitos de areia. Podia até ser de areia, isto se o autor estivesse se referindo a um determinado lugar, o que não foi o caso.
Tratando-se de uma grande rede de televisão, com maior audiência de público, entende-se que seus repórteres e comunicadores devam ter maior qualificação para passar uma informação correta. Quanto maior o veículo, maior a responsabilidade jornalística. Por sua vez, o erro básico deveria ter sido corrigido imediatamente. Era o que se esperava.
Muito ôba, ôba e enrolação, sem contar as informações desencontradas sobre o escritor. Não se ouviu uma crítica mais abalizada sobre os desfiles das escolas de samba. Aliás, não temos mais críticos neste país, só aplausos e elogios, seja na literatura, no teatro, na música, nas artes plásticas ou até mesmo nos esportes. Existe uma pobreza no Brasil em termos de analise crítica, isto em todos os segmentos.
Como na escolha de cargos políticos, os textos dos enredos, em grande parte, não são selecionados por mérito e conteúdo, mas por apadrinhamento com os donos das escolas, na maioria bicheiros contraventores. Daí se exala a superficialidade e a falta de aprofundamento do tema proposto. A premiação requer uma guerra de foice nos bastidores. É uma máfia.
Não sou crítico de Escola de Samba, mesmo porque entendo pouca coisa, mas queria, como todos os telespectadores, ouvir mais objetividade. Os enredos da Portela e da Leopoldinense passaram uma imagem estereotipada da Bahia onde só existem festas, candomblé e sincretismo religioso. Fez-se apenas uma caricatura que não passa uma boa imagem do Estado lá fora. A Bahia tem muito mais para se mostrar, principalmente suas belezas e o potencial econômico.
Na homenagem a Jorge Amado, além do pecado de “Capitães de Areia”, a “Leopoldinense” mostrou praticamente a mesma coisa do lado festeiro da Bahia, desenhado pelo escritor, e pouco se falou sobre a vida do autor e o enfoque social e político, configurado em seus livros. O texto parecia mais uma cópia da outra.
Passou-se uma mensagem de que Jorge Amado fez uma apologia ao carnaval no seu primeiro livro “O País do Carnaval”, em 1931. Não foi bem assim. Na sua primeira fase como comunista, ele quis dizer que a festa só trazia miséria, com todas suas contradições. Os jovens, que já não têm o hábito de ler, engolem informações erradas e incompletas.
Em Salvador, seus organizadores e artistas passaram na abertura da festa um caldo de cultura no carnaval, mas os ingredientes da receita foram os mesmos. Por dentro, o bolo continuou com o mesmo gosto excludente e separatista. As principais bandas de trios saíram um dia sem cordas, sob o patrocínio polpudo da Petrobrás, que é uma empresa construída e mantida pelo povo.
Foi apenas uma forma de tapiar os foliões “pipocas” para dizer que o carnaval de Salvador voltou à sua forma participativa e tradicional de antes. Que nada! A exclusão permanece rolando forte, com os camarotes de luxo do alto e o povão aplaudindo lá em baixo. É “A Casa Grande e a Senzala”.
A mesmice continua concentrada nos trios elétricos de Ivete Sangalo, Bel Marques, Daniel Mercury, Carlinhos Braw, Cláudia Leite e Durval Lelis. É só ligar um canal qualquer e lá está a mesmice do axé, do pagode e do arrocha, com raras performances de forró e da música popular brasileira com boas letras para se escutar. Mais de 90% são lixo. Salvador teve até a propaganda do xixi. Que beleza!
O Governo do Estado investiu R$60 milhões, sem contar o dinheiro municipal, numa festa onde quem ganha grana mesmo são os ricos donos de hotéis, agências de turismo, de publicidade e artistas “famosos” que comandam trios ensurdecedores há muitos anos. Só fazem receber.
É o carnaval para turista ver porque adora coisa exótica. Passaram uma “garapa” e disseram que organizaram um carnaval cultural neste ano, só porque prestaram homenagem a Jorge Amado. Como diz o ditado popular: “Me engana que eu gosto”
O pior aconteceu quando entrou a Portela, a primeira Escola a desfilar na Sapucaí. Na Comissão de Frente colocaram a legenda “Capitães de Areia” para fazer referência a um dos livros do escritor baiano Jorge Amado. Esperei que fosse feita a correção, mas até o final, lá se foi repetindo “Capitães de Areia”. Jorge Amado deve ter se revirado do além e dito: Nunca escrevi este livro. Que horror!
No encerramento, o próprio responsável pela montagem da Comissão deu uma entrevista e mandou essa: Jorge Amado foi generoso quando escreveu “Capitães de Areia”. Generoso como? Lamentável cena, testemunha de que o moço também cometeu um grande equívoco de interpretação sobre a obra.
Na verdade, o título do livro é “Capitães da Areia”, que conta a história de meninos “moleques” que viviam soltos nas ruas e perambulavam pelas areias das praias da Cidade Baixa, dormindo num velho trapiche. Não sabia que Jorge Amado também era escultor de capitães feitos de areia. Podia até ser de areia, isto se o autor estivesse se referindo a um determinado lugar, o que não foi o caso.
Tratando-se de uma grande rede de televisão, com maior audiência de público, entende-se que seus repórteres e comunicadores devam ter maior qualificação para passar uma informação correta. Quanto maior o veículo, maior a responsabilidade jornalística. Por sua vez, o erro básico deveria ter sido corrigido imediatamente. Era o que se esperava.
Muito ôba, ôba e enrolação, sem contar as informações desencontradas sobre o escritor. Não se ouviu uma crítica mais abalizada sobre os desfiles das escolas de samba. Aliás, não temos mais críticos neste país, só aplausos e elogios, seja na literatura, no teatro, na música, nas artes plásticas ou até mesmo nos esportes. Existe uma pobreza no Brasil em termos de analise crítica, isto em todos os segmentos.
Como na escolha de cargos políticos, os textos dos enredos, em grande parte, não são selecionados por mérito e conteúdo, mas por apadrinhamento com os donos das escolas, na maioria bicheiros contraventores. Daí se exala a superficialidade e a falta de aprofundamento do tema proposto. A premiação requer uma guerra de foice nos bastidores. É uma máfia.
Não sou crítico de Escola de Samba, mesmo porque entendo pouca coisa, mas queria, como todos os telespectadores, ouvir mais objetividade. Os enredos da Portela e da Leopoldinense passaram uma imagem estereotipada da Bahia onde só existem festas, candomblé e sincretismo religioso. Fez-se apenas uma caricatura que não passa uma boa imagem do Estado lá fora. A Bahia tem muito mais para se mostrar, principalmente suas belezas e o potencial econômico.
Na homenagem a Jorge Amado, além do pecado de “Capitães de Areia”, a “Leopoldinense” mostrou praticamente a mesma coisa do lado festeiro da Bahia, desenhado pelo escritor, e pouco se falou sobre a vida do autor e o enfoque social e político, configurado em seus livros. O texto parecia mais uma cópia da outra.
Passou-se uma mensagem de que Jorge Amado fez uma apologia ao carnaval no seu primeiro livro “O País do Carnaval”, em 1931. Não foi bem assim. Na sua primeira fase como comunista, ele quis dizer que a festa só trazia miséria, com todas suas contradições. Os jovens, que já não têm o hábito de ler, engolem informações erradas e incompletas.
Em Salvador, seus organizadores e artistas passaram na abertura da festa um caldo de cultura no carnaval, mas os ingredientes da receita foram os mesmos. Por dentro, o bolo continuou com o mesmo gosto excludente e separatista. As principais bandas de trios saíram um dia sem cordas, sob o patrocínio polpudo da Petrobrás, que é uma empresa construída e mantida pelo povo.
Foi apenas uma forma de tapiar os foliões “pipocas” para dizer que o carnaval de Salvador voltou à sua forma participativa e tradicional de antes. Que nada! A exclusão permanece rolando forte, com os camarotes de luxo do alto e o povão aplaudindo lá em baixo. É “A Casa Grande e a Senzala”.
A mesmice continua concentrada nos trios elétricos de Ivete Sangalo, Bel Marques, Daniel Mercury, Carlinhos Braw, Cláudia Leite e Durval Lelis. É só ligar um canal qualquer e lá está a mesmice do axé, do pagode e do arrocha, com raras performances de forró e da música popular brasileira com boas letras para se escutar. Mais de 90% são lixo. Salvador teve até a propaganda do xixi. Que beleza!
O Governo do Estado investiu R$60 milhões, sem contar o dinheiro municipal, numa festa onde quem ganha grana mesmo são os ricos donos de hotéis, agências de turismo, de publicidade e artistas “famosos” que comandam trios ensurdecedores há muitos anos. Só fazem receber.
É o carnaval para turista ver porque adora coisa exótica. Passaram uma “garapa” e disseram que organizaram um carnaval cultural neste ano, só porque prestaram homenagem a Jorge Amado. Como diz o ditado popular: “Me engana que eu gosto”
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
NO TEMPO DA CHIBATA
A questão da polícia militar para que a sociedade também seja beneficiada no quesito segurança e olhe a corporação com simpatia, não se resolve simplesmente com aumento salarial e gratificações. O problema é bem mais histórico e carece de uma reforma profunda em sua estrutura a qual o staff não quer nem saber de falar nisso.
A sua rígida estrutura interna de punição, que leva o nome de disciplina e hierarquia, lembra mais o tempo da chibata que os marinheiros eram submetidos como castigo, resultando na “Revolta da Chibata”, em 1910, no governo do marechal Hermes da Fonseca. Por apanhar tanto, o marinheiro João Cândido, conhecido hoje como o “Almirante Negro”, liderou o movimento contra a chibatada.
Naquela época, o marinheiro não podia se casar e era submetido a outras humilhações degradantes. Posso estar falando besteira por não ser especialista no assunto, mas a hierarquia militar está arcaica e termina refletindo na sociedade que recebe um tratamento desumano como se todos fossem bandidos.
Na corporação militar, o comando ainda usa o medo para impor respeito, quando se pode muito bem, com disciplina e hierarquia, impor respeito, sem medo. Hoje, não é mais admissível que os pais baixem a porrada em seus filhos como forma de disciplina. Até a palmada foi proibida.
O policial que não cumprimenta um oficial, como reza a cartilha, leva “esporro” e é punido com severa advertência, além de ser humilhado diante de todos. As coisas podem ter melhorado, mas a rigidez continua severa em detrimento do bom relacionamento e do respeito mútuo. A seleção, sem o chamado “pistolão”, mesmo com concurso, é que tem que ser rigorosa.
Fala-se pouco da desmilitarização, tornando o policial mais humano, e muito de aumento salarial como se esse ganho a mais fosse resolver o problema de desvio de conduta. A questão é mais de formação e seleção das pessoas. Prepara-se estupidez que é repassada para o cidadão.
O militar de mau caráter não vai se tornar um bom exemplo só porque passou a ganhar mais. Se o cara já é uma marginal, tanto faz receber R$2.000,00 como R$10.000,0 por mês, ele vai continuar sendo corrupto, cobrando propinas e praticando bandidagens. É como o “bandido de toga” que já é bem pago pelo contribuinte.
Quando falo em reforma, refiro-me também ao treinamento militar, na sua maior parte voltado para defesa pessoal (aprendizagem de golpes e manejo de armas), e pouca coisa de conhecimento sobre relações e direitos humanos.
Na sua formação, o soldado aprende mais como bater no cidadão e tratá-lo com brutalidade e medo como se todos fossem bandidos. Geralmente ele desconta no civil o que recebeu de repreensão do seu comando na forma de estupidez. Nem é preciso que o comandante mande o subalterno esbofetear o civil. Na rua ele age como se fosse o comandante que lhe humilhou, e tome pancadaria e agressão.
Da forma como está, a polícia militar é vista como força bruta para reprimir os pobres que não têm condições financeiras para se defender. A raiz de todo o mal dessa truculência está aonde? Vem dos tempos coloniais do coronelismo onde a chibata resolvia tudo.
Alguma coisa está errada em sua estrutura, mas as autoridades e os comandos não querem enxergar. Preferem que o mal continue penalizando a sociedade que recebe a bordoada e ainda vive debaixo da chibata. Hoje, o cidadão tem medo do bandido e também da polícia militar. O medo faz com que ele mantenha distância, com raras exceções.
Outra deformação dentro das corporações é o corporativismo que deixa impunes os militares que agem como bandidos, ao ponto do governo reconhecer que as corregedorias são coniventes com os criminosos e marginais que agiram com arrastões, queima de ônibus e assassinatos durante a greve de 12 dias.
Ninguém fala mais da Chacina do Alto da Conquista que deixou um rastro de barbárie. Agiram como carrascos, executando sumariamente jovens por conta própria. A justiça calou-se, e a própria sociedade desorganizada também, justificando que todos eram bandidos e mereciam ser eliminados. Não está oficializada, mas existe pena de morte no Brasil, sem julgamento e sem sentença, pior que nos Estados Unidos.
Compactuamos também com a violência e com essa deformação da verdadeira função da polícia militar. Tudo isso porque o Estado é falho em sua missão de proteger e dar segurança ao povo. O sistema está todo podre e deformado. Não adianta só aumentar o contingente policial, dar melhores salários e colocar mais carros e armas nas mãos do militar se ele não tiver uma boa formação humana.
Portanto, o cerne da questão não é o aumento salarial. Não adianta dar uma robusta remuneração ao soldado se ele continua recebendo uma formação disciplinar arcaica e de medo dentro dos batalhões e dos quartéis. Não é com simples aumento salarial que o militar vai passar a respeitar os direitos humanos e tratar bem o cidadão.
Em seus discursos, os comandantes e as autoridades falam de uma instituição centenária que tem prestado grandes serviços à nação, mas não refletem e analisam que essa corporação precisa se alinhar e se renovar aos novos tempos, para melhor servir à sociedade que a mantém com tantos sacrifícios. O policial precisa ser respeitado para respeitar, não com chibata.
A sua rígida estrutura interna de punição, que leva o nome de disciplina e hierarquia, lembra mais o tempo da chibata que os marinheiros eram submetidos como castigo, resultando na “Revolta da Chibata”, em 1910, no governo do marechal Hermes da Fonseca. Por apanhar tanto, o marinheiro João Cândido, conhecido hoje como o “Almirante Negro”, liderou o movimento contra a chibatada.
Naquela época, o marinheiro não podia se casar e era submetido a outras humilhações degradantes. Posso estar falando besteira por não ser especialista no assunto, mas a hierarquia militar está arcaica e termina refletindo na sociedade que recebe um tratamento desumano como se todos fossem bandidos.
Na corporação militar, o comando ainda usa o medo para impor respeito, quando se pode muito bem, com disciplina e hierarquia, impor respeito, sem medo. Hoje, não é mais admissível que os pais baixem a porrada em seus filhos como forma de disciplina. Até a palmada foi proibida.
O policial que não cumprimenta um oficial, como reza a cartilha, leva “esporro” e é punido com severa advertência, além de ser humilhado diante de todos. As coisas podem ter melhorado, mas a rigidez continua severa em detrimento do bom relacionamento e do respeito mútuo. A seleção, sem o chamado “pistolão”, mesmo com concurso, é que tem que ser rigorosa.
Fala-se pouco da desmilitarização, tornando o policial mais humano, e muito de aumento salarial como se esse ganho a mais fosse resolver o problema de desvio de conduta. A questão é mais de formação e seleção das pessoas. Prepara-se estupidez que é repassada para o cidadão.
O militar de mau caráter não vai se tornar um bom exemplo só porque passou a ganhar mais. Se o cara já é uma marginal, tanto faz receber R$2.000,00 como R$10.000,0 por mês, ele vai continuar sendo corrupto, cobrando propinas e praticando bandidagens. É como o “bandido de toga” que já é bem pago pelo contribuinte.
Quando falo em reforma, refiro-me também ao treinamento militar, na sua maior parte voltado para defesa pessoal (aprendizagem de golpes e manejo de armas), e pouca coisa de conhecimento sobre relações e direitos humanos.
Na sua formação, o soldado aprende mais como bater no cidadão e tratá-lo com brutalidade e medo como se todos fossem bandidos. Geralmente ele desconta no civil o que recebeu de repreensão do seu comando na forma de estupidez. Nem é preciso que o comandante mande o subalterno esbofetear o civil. Na rua ele age como se fosse o comandante que lhe humilhou, e tome pancadaria e agressão.
Da forma como está, a polícia militar é vista como força bruta para reprimir os pobres que não têm condições financeiras para se defender. A raiz de todo o mal dessa truculência está aonde? Vem dos tempos coloniais do coronelismo onde a chibata resolvia tudo.
Alguma coisa está errada em sua estrutura, mas as autoridades e os comandos não querem enxergar. Preferem que o mal continue penalizando a sociedade que recebe a bordoada e ainda vive debaixo da chibata. Hoje, o cidadão tem medo do bandido e também da polícia militar. O medo faz com que ele mantenha distância, com raras exceções.
Outra deformação dentro das corporações é o corporativismo que deixa impunes os militares que agem como bandidos, ao ponto do governo reconhecer que as corregedorias são coniventes com os criminosos e marginais que agiram com arrastões, queima de ônibus e assassinatos durante a greve de 12 dias.
Ninguém fala mais da Chacina do Alto da Conquista que deixou um rastro de barbárie. Agiram como carrascos, executando sumariamente jovens por conta própria. A justiça calou-se, e a própria sociedade desorganizada também, justificando que todos eram bandidos e mereciam ser eliminados. Não está oficializada, mas existe pena de morte no Brasil, sem julgamento e sem sentença, pior que nos Estados Unidos.
Compactuamos também com a violência e com essa deformação da verdadeira função da polícia militar. Tudo isso porque o Estado é falho em sua missão de proteger e dar segurança ao povo. O sistema está todo podre e deformado. Não adianta só aumentar o contingente policial, dar melhores salários e colocar mais carros e armas nas mãos do militar se ele não tiver uma boa formação humana.
Portanto, o cerne da questão não é o aumento salarial. Não adianta dar uma robusta remuneração ao soldado se ele continua recebendo uma formação disciplinar arcaica e de medo dentro dos batalhões e dos quartéis. Não é com simples aumento salarial que o militar vai passar a respeitar os direitos humanos e tratar bem o cidadão.
Em seus discursos, os comandantes e as autoridades falam de uma instituição centenária que tem prestado grandes serviços à nação, mas não refletem e analisam que essa corporação precisa se alinhar e se renovar aos novos tempos, para melhor servir à sociedade que a mantém com tantos sacrifícios. O policial precisa ser respeitado para respeitar, não com chibata.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
TÁTICAS DE TERROR
Será que os marginais bandidos estão mesmo apoiando a greve dos policiais militares, ao ponto de queimarem e atravessarem ônibus nas ruas e avenidas? Quem agora está fazendo a bandidagem através das táticas de terror? Ladrões e assaltantes têm interresse de publicar panfletos mandando fechar lojas comerciais? Não seria contra seus propósitos, de justamente aproveitarem a total falta de segurança pública com as casas abertas? Loja fechada dificulta e não rende assalto.
Fico aqui pensando e filosofando com meus botões. As perguntas e respostas a essas questões não são colocadas pela mídia para esclarecer à população quem está, na verdade, atrás dessas táticas usadas por traficantes e criminosos para desafiar o Estado, ou diretamente contra a própria polícia quando está de serviço.
A luta armada clandestina de esquerda também utilizou esse método para combater a ditadura militar, por motivos nobres. Pelo visto aprenderam muito bem a lição e as estratégias. É o mesmo modus operandi dos marginais para pressionar o governo, só que sempre é o povo quem paga em ambos os casos.
Não queria voltar ao assunto, mas fico incomodado com a imprensa que não vai além do registro dos fatos. Posso até estar enganado quanto as minhas interpretações, mas é o que fica no ar no meio de toda essa baderna. Sinto nisso tudo a falta de um jornalismo mais investigativo que diga para o povo o que na verdade está acontecendo e desmascare essa farsa. Que não deixe dúvidas no ar e faça uma cobertura mais aprofundada dos fatos, com mais objetividade.
Outro fato é que o motim dos policiais militares feriu princípios constitucionais, e a “oposição política” ficou em silêncio. Aliás, estamos vivendo no país a lamentável falta de oposição, a qual serve para proporcionar equilíbrio em qualquer sistema que se diz democrático, quando bem feita com sabedoria e seriedade.
Como já disse aqui, o PT apoiou, em 2001, esse mesmo tipo de greve. Quem ficou contra o movimento militar naquela época foi classificado de conservador de direita. Qual a resposta que nos dão agora? É diferente, ou as coisas mudaram? Como assim?
Repito também que com os civis em greve a coisa seria bem diferente. A pancadaria teria sido generalizada e os grevistas já teriam sido expulsos da Assembléia Legislativa na base do pau e na bala, com gás de pimenta e lacrimogêneo.
No caso dos militares, a força nacional de segurança está em torno da Assembléia para dar segurança aos grevistas e houve até festa de aniversário do general do Exército que já avisou que não vai haver confronto. Fossem os civis lá dentro, o general ia comemorar seu aniversário arrebentando de uma vez com o movimento. Depois era só festa.
Observo nisso tudo um quadro de ironia e contradição. Agora os militares estampam cartazes pedindo o não derramamento de sangue. A única coisa que ocorreu de mais violento foi o fato de alguns militares terem sido atingidos por tiros de bala de borracha que o povo em manifestações sempre leva dos militares. Sentiram na pele as balas de borracha.
No mais, o Estado não conseguiu cumprir 12 mandados de prisão expedidos pela justiça. Quando se trata de civil, os líderes são presos imediatamente de forma agressiva, e se houver reação leva tiro. A resposta sempre é: “Estamos simplesmente cumprindo ordem judicial”
É bom que as pessoas se lembrem do caso mais recente da expulsão dos moradores do bairro Pinheirinho, em São Paulo. A tropa de militares entrou destruindo tudo pela frente com a maior truculência, não poupando crianças, mulheres e idosos. O comando respondeu que tudo foi feito para cumprir a ordem judicial. Aí eles são ágeis na força bruta. Agora é só camaradagem.
Se houvesse consciência da situação em que vivemos, e isto é muito difícil de acontecer, bem que os militares poderiam expressar seu descontentamento por não terem suas reivindicações atendidas, não cumprindo ordens parta descer o porrete em civis em greve. Seria também uma forma de reivindicar. Mas, o povo que se dane e só serve para saco de pancada.
Aproveitando aqui o gancho, como se diz no jargão jornalístico, por que até hoje policiais em serviço têm que “pedir” a donos de lanchonetes e restaurantes para liberar comida, se o governo diz que oferece tiques refeições e auxílio-alimentação?
Na beira de estrada essa cena é bem rotineira, como presenciei recentemente num restaurante indo para Juazeiro, na Bahia. Tarde à noite desce um grupo armado da Caesg num estabelecimento deste gênero só para merendar. O chefe dirige-se ao gerente e solicita a liberação grátis, no que é prontamente atendido, é claro.
Não seria, nesse caso, uma obrigação do Estado fornecer o alimento e até mesmo ser proibido esse tipo de procedimento, para não criar constrangimento ao dono da casa comercial? Conversei com o gerente e ele disse que se não fizer isso não tem a devida segurança dos homens. Depois do lanche, os policiais entraram no carro e ganharam a estrada.
Fico aqui pensando e filosofando com meus botões. As perguntas e respostas a essas questões não são colocadas pela mídia para esclarecer à população quem está, na verdade, atrás dessas táticas usadas por traficantes e criminosos para desafiar o Estado, ou diretamente contra a própria polícia quando está de serviço.
A luta armada clandestina de esquerda também utilizou esse método para combater a ditadura militar, por motivos nobres. Pelo visto aprenderam muito bem a lição e as estratégias. É o mesmo modus operandi dos marginais para pressionar o governo, só que sempre é o povo quem paga em ambos os casos.
Não queria voltar ao assunto, mas fico incomodado com a imprensa que não vai além do registro dos fatos. Posso até estar enganado quanto as minhas interpretações, mas é o que fica no ar no meio de toda essa baderna. Sinto nisso tudo a falta de um jornalismo mais investigativo que diga para o povo o que na verdade está acontecendo e desmascare essa farsa. Que não deixe dúvidas no ar e faça uma cobertura mais aprofundada dos fatos, com mais objetividade.
Outro fato é que o motim dos policiais militares feriu princípios constitucionais, e a “oposição política” ficou em silêncio. Aliás, estamos vivendo no país a lamentável falta de oposição, a qual serve para proporcionar equilíbrio em qualquer sistema que se diz democrático, quando bem feita com sabedoria e seriedade.
Como já disse aqui, o PT apoiou, em 2001, esse mesmo tipo de greve. Quem ficou contra o movimento militar naquela época foi classificado de conservador de direita. Qual a resposta que nos dão agora? É diferente, ou as coisas mudaram? Como assim?
Repito também que com os civis em greve a coisa seria bem diferente. A pancadaria teria sido generalizada e os grevistas já teriam sido expulsos da Assembléia Legislativa na base do pau e na bala, com gás de pimenta e lacrimogêneo.
No caso dos militares, a força nacional de segurança está em torno da Assembléia para dar segurança aos grevistas e houve até festa de aniversário do general do Exército que já avisou que não vai haver confronto. Fossem os civis lá dentro, o general ia comemorar seu aniversário arrebentando de uma vez com o movimento. Depois era só festa.
Observo nisso tudo um quadro de ironia e contradição. Agora os militares estampam cartazes pedindo o não derramamento de sangue. A única coisa que ocorreu de mais violento foi o fato de alguns militares terem sido atingidos por tiros de bala de borracha que o povo em manifestações sempre leva dos militares. Sentiram na pele as balas de borracha.
No mais, o Estado não conseguiu cumprir 12 mandados de prisão expedidos pela justiça. Quando se trata de civil, os líderes são presos imediatamente de forma agressiva, e se houver reação leva tiro. A resposta sempre é: “Estamos simplesmente cumprindo ordem judicial”
É bom que as pessoas se lembrem do caso mais recente da expulsão dos moradores do bairro Pinheirinho, em São Paulo. A tropa de militares entrou destruindo tudo pela frente com a maior truculência, não poupando crianças, mulheres e idosos. O comando respondeu que tudo foi feito para cumprir a ordem judicial. Aí eles são ágeis na força bruta. Agora é só camaradagem.
Se houvesse consciência da situação em que vivemos, e isto é muito difícil de acontecer, bem que os militares poderiam expressar seu descontentamento por não terem suas reivindicações atendidas, não cumprindo ordens parta descer o porrete em civis em greve. Seria também uma forma de reivindicar. Mas, o povo que se dane e só serve para saco de pancada.
Aproveitando aqui o gancho, como se diz no jargão jornalístico, por que até hoje policiais em serviço têm que “pedir” a donos de lanchonetes e restaurantes para liberar comida, se o governo diz que oferece tiques refeições e auxílio-alimentação?
Na beira de estrada essa cena é bem rotineira, como presenciei recentemente num restaurante indo para Juazeiro, na Bahia. Tarde à noite desce um grupo armado da Caesg num estabelecimento deste gênero só para merendar. O chefe dirige-se ao gerente e solicita a liberação grátis, no que é prontamente atendido, é claro.
Não seria, nesse caso, uma obrigação do Estado fornecer o alimento e até mesmo ser proibido esse tipo de procedimento, para não criar constrangimento ao dono da casa comercial? Conversei com o gerente e ele disse que se não fizer isso não tem a devida segurança dos homens. Depois do lanche, os policiais entraram no carro e ganharam a estrada.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
OH, QUANTA CONTRADIÇÃO!
“Dois pesos e duas medidas”. Assim pode ser considerada a greve dos policiais militares se comparada com os movimentos dos civis trabalhadores por melhores salários e reivindicações outras. Aliás, neste nosso país, se formos listar as contradições não existem espaços para enumerá-las.
Se o civil faz uma greve e obstrui uma rua ou avenida, é recebido pelas tropas da polícia militar na base da porrada e do cassetete, sem dó e sem compaixão. Já o militar pode, mesmo agredindo a Constituição, fechar ruas, praticar atos de vandalismo e invadir câmaras de vereadores e a Assembléia Legislativa do Estado, além de colocar como escudos humanos as crianças e mulheres, inclusive grávidas.
Se os civis tivessem invadido a Assembléia Legislativa já teriam sido imediatamente expulsos à força e na base da violência, com gás lacrimogêneo e na pancadaria. Somente depois, com sempre acontece, ia se falar em abertura de inquérito para apurar os excessos cometidos.
Como é greve da polícia militar, o governo não consegue nem cumprir mandados de prisão da justiça contra os cabeças da baderna. Não sou contra as manifestações de greve de nenhuma classe trabalhista. Sou totalmente contra a essa injustiça e a essa diferenciação de tratamento.
Desde os tempos coloniais, os civis sempre foram amordaçados, reprimidos e torturados em seus direitos, como ocorreu na última ditadura militar que espancou, matou e cometeu todos os tipos de atrocidades, em nome de uma “segurança nacional”. Cidadão civil de bem aqui é saco de pancada. Se reivindicar apanha na hora e ainda é considerado como criminoso que desobedeceu a lei.
Agora temos que nos submeter a esta humilhação e aturar um Estado impotente e incompetente que deveria ter como responsabilidade o dever e a obrigação de oferecer segurança ao cidadão. Para que serve essa tal força de segurança nacional se não consegue cumprir ordens de prisão, nem desocupar uma casa legislativa?
Outra grande e infame contradição que nos agride é que essa mesma greve, em 2001, foi apoiada pelo PT e PC do B, cujos partidos em coalizão “governam” hoje a Bahia. Estão sendo agora vítimas do próprio veneno que injetou na veia de governos passados. Em nome da coerência, esse governo que aí está deveria então apoiar a greve e atender as reivindicações. Agora não pode, como fez o governo passado.
O pior de tudo é que o próprio povo civil, que em greve é proibido fechar ruas e ocupar prédios públicos, é o mais atingido, correndo em pânico de um lado para o outro e se trancando em suas casas, como ocorreu nesta segunda-feira em Vitória da Conquista. Somos encurralados por todos os lados como no estouro do gado.
Até quando vão continuar nos fazendo de idiotas e nos tratando como massas de manobras que só servem para votar e depois são descartáveis? Aliás, somos tão descartáveis quantos as sacolas, copos plásticos e outros objetos de consumo que depois são jogados no lixo.
As autoridades e as classes dominantes do poder continuam mantendo seus seguranças contra a falta de segurança, enquanto o povo corre desesperado nas cidades, e ônibus são queimados. Será que vivemos mesmo numa democracia, ou numa ditadura burguesa onde os mais fracos são massacrados em seus direitos?
Essa tal “força nacional” de mais de três mil homens não conseguiu afastar o medo e restabelecer a ordem. Mas, se fossem civis em greve que tivessem feito isso, aí sim, o pau já tinha “comido” no lombo dos responsáveis pelos tumultos. Quem é o Estado? E para quem governa?
Existe alguma diferença ou semelhança entre os arrastões dos marginais, que fecham estabelecimentos comerciais e privam as pessoas de saírem às ruas, e a greve dos policiais militares? O civil vive acossado por todos os lados, sofrendo todos os tipos de pressão e ameaças, e ainda acha que vive num país maravilhoso, só porque consome umas bugigangas inúteis.
Nosso sistema está repleto de outras contradições e porcarias com as quais nos acomodamos a conviver e a engolir todos os dias. Afinal, já fazem parte de nossas vidas. A mídia não aprofunda a questão e se contenta com o sensacionalismo e a narrar o pânico e o medo. Nos acovardamos diante das agressões mais terríveis e nada fazemos para mudar.
O Big Brother Brasil Brega (BBBB), por exemplo, faz com que o povo esqueça das mazelas e cada um dá seu palpite como se fosse uma opinião de alta importância para a vida do país. Sair na imagem já é uma glória. Na Bahia acontece fraude nas eleições do Tribunal Regional Eleitoral que vai apurar as eleições municipais neste ano.
E tome contradições. No Grupo dos 20, o Brasil é o segundo país mais desigual de todos e o primeiro na América do Sul. Os EUA facilitam os vistos para entrada de brasileiros e chineses, de olho no dinheiro dos pobres. Como somos manipulados?
Nos países com sistema universal de assistência à saúde (França, Alemanha, Inglaterra, Itália), o gasto do Estado chega a 60% contra 40% do setor privado (tem país com até 80%). No Brasil os investimentos do governo representam 45% contra 55% do particular. Será que vamos esperar que os mortos se levantem de seus túmulos para defender e lutar pelos vivos?
Salvador virou literalmente um lixo, inclusive em termos culturais, mas todo mundo cai na folia e os energúmenos ainda dizem que é o maior carnaval do mundo. Além das estradas com cancelas, o PT agora (era contra) parte para a privatização dos aeroportos e ninguém levanta uma crítica. Oh, quanta contradição!
Se o civil faz uma greve e obstrui uma rua ou avenida, é recebido pelas tropas da polícia militar na base da porrada e do cassetete, sem dó e sem compaixão. Já o militar pode, mesmo agredindo a Constituição, fechar ruas, praticar atos de vandalismo e invadir câmaras de vereadores e a Assembléia Legislativa do Estado, além de colocar como escudos humanos as crianças e mulheres, inclusive grávidas.
Se os civis tivessem invadido a Assembléia Legislativa já teriam sido imediatamente expulsos à força e na base da violência, com gás lacrimogêneo e na pancadaria. Somente depois, com sempre acontece, ia se falar em abertura de inquérito para apurar os excessos cometidos.
Como é greve da polícia militar, o governo não consegue nem cumprir mandados de prisão da justiça contra os cabeças da baderna. Não sou contra as manifestações de greve de nenhuma classe trabalhista. Sou totalmente contra a essa injustiça e a essa diferenciação de tratamento.
Desde os tempos coloniais, os civis sempre foram amordaçados, reprimidos e torturados em seus direitos, como ocorreu na última ditadura militar que espancou, matou e cometeu todos os tipos de atrocidades, em nome de uma “segurança nacional”. Cidadão civil de bem aqui é saco de pancada. Se reivindicar apanha na hora e ainda é considerado como criminoso que desobedeceu a lei.
Agora temos que nos submeter a esta humilhação e aturar um Estado impotente e incompetente que deveria ter como responsabilidade o dever e a obrigação de oferecer segurança ao cidadão. Para que serve essa tal força de segurança nacional se não consegue cumprir ordens de prisão, nem desocupar uma casa legislativa?
Outra grande e infame contradição que nos agride é que essa mesma greve, em 2001, foi apoiada pelo PT e PC do B, cujos partidos em coalizão “governam” hoje a Bahia. Estão sendo agora vítimas do próprio veneno que injetou na veia de governos passados. Em nome da coerência, esse governo que aí está deveria então apoiar a greve e atender as reivindicações. Agora não pode, como fez o governo passado.
O pior de tudo é que o próprio povo civil, que em greve é proibido fechar ruas e ocupar prédios públicos, é o mais atingido, correndo em pânico de um lado para o outro e se trancando em suas casas, como ocorreu nesta segunda-feira em Vitória da Conquista. Somos encurralados por todos os lados como no estouro do gado.
Até quando vão continuar nos fazendo de idiotas e nos tratando como massas de manobras que só servem para votar e depois são descartáveis? Aliás, somos tão descartáveis quantos as sacolas, copos plásticos e outros objetos de consumo que depois são jogados no lixo.
As autoridades e as classes dominantes do poder continuam mantendo seus seguranças contra a falta de segurança, enquanto o povo corre desesperado nas cidades, e ônibus são queimados. Será que vivemos mesmo numa democracia, ou numa ditadura burguesa onde os mais fracos são massacrados em seus direitos?
Essa tal “força nacional” de mais de três mil homens não conseguiu afastar o medo e restabelecer a ordem. Mas, se fossem civis em greve que tivessem feito isso, aí sim, o pau já tinha “comido” no lombo dos responsáveis pelos tumultos. Quem é o Estado? E para quem governa?
Existe alguma diferença ou semelhança entre os arrastões dos marginais, que fecham estabelecimentos comerciais e privam as pessoas de saírem às ruas, e a greve dos policiais militares? O civil vive acossado por todos os lados, sofrendo todos os tipos de pressão e ameaças, e ainda acha que vive num país maravilhoso, só porque consome umas bugigangas inúteis.
Nosso sistema está repleto de outras contradições e porcarias com as quais nos acomodamos a conviver e a engolir todos os dias. Afinal, já fazem parte de nossas vidas. A mídia não aprofunda a questão e se contenta com o sensacionalismo e a narrar o pânico e o medo. Nos acovardamos diante das agressões mais terríveis e nada fazemos para mudar.
O Big Brother Brasil Brega (BBBB), por exemplo, faz com que o povo esqueça das mazelas e cada um dá seu palpite como se fosse uma opinião de alta importância para a vida do país. Sair na imagem já é uma glória. Na Bahia acontece fraude nas eleições do Tribunal Regional Eleitoral que vai apurar as eleições municipais neste ano.
E tome contradições. No Grupo dos 20, o Brasil é o segundo país mais desigual de todos e o primeiro na América do Sul. Os EUA facilitam os vistos para entrada de brasileiros e chineses, de olho no dinheiro dos pobres. Como somos manipulados?
Nos países com sistema universal de assistência à saúde (França, Alemanha, Inglaterra, Itália), o gasto do Estado chega a 60% contra 40% do setor privado (tem país com até 80%). No Brasil os investimentos do governo representam 45% contra 55% do particular. Será que vamos esperar que os mortos se levantem de seus túmulos para defender e lutar pelos vivos?
Salvador virou literalmente um lixo, inclusive em termos culturais, mas todo mundo cai na folia e os energúmenos ainda dizem que é o maior carnaval do mundo. Além das estradas com cancelas, o PT agora (era contra) parte para a privatização dos aeroportos e ninguém levanta uma crítica. Oh, quanta contradição!
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
O VALOR DA HISTÓRIA
Benjamin Nunes Pereira*
História, não é nada mais nada menos do que uma ciência que nos permite conhecer o nosso passado, entender bem o nosso presente, para que possamos transformá-lo em um futuro melhor. A História se interessa por todas as atividades do homem, por tudo aquilo que os homens em grupo fazem durante suas vidas. Assim sendo, a História é o estudo do homem em processo de constante transformação. O que deixa bem claro que todos os homens têm valor para a História.
A palavra “História” é de origem grega, que significa investigação, informação. Ela surge no século VI antes de Cristo. Para nós, homens do Ocidente, a história, como hoje a entendemos, que se iniciou na região mediterrânea, ou seja, nas regiões do Oriente, próximo da costa norte africana e da Europa Ocidental.
A importância da História, desde seu inicio foi a de fornecer à sociedade uma explicação de suas origens (ou seja, uma explicação genética). A História se coloca hoje em dia cada vez mais próxima às outras áreas do conhecimento que estudam o homem, assim como a sociologia, a antropologia, a psicologia, a demografia entre outras. Cada uma dessas áreas tem seu enfoque específico, uma visão mais ampla e mais completa, entretanto, exige a cooperação entre as diversas áreas. Isso tem sido tentado pelos estudiosos com maior ou menor êxito, no chamado trabalho interdisciplinar, pois inclui diferentes disciplinas. Ela procura especificamente ver as transformações pelas quais passaram as sociedades humanas. A transformação é a essência da história; quem olhar para trás, na história de sua própria vida, compreenderá isso facilmente. Nós mudamos constantemente; isso é válido para o individuo e também é válido para a sociedade. Nada permanece igual e é através do tempo que se percebem as mudanças.
Eis por que se diz que o tempo é a dimensão de análise da história. O tempo histórico através do qual se analisam os acontecimentos não correspondem ao tempo cronológico que vivemos e que é definido pelos relógios e calendários. No tempo histórico podemos perceber mudanças que parecem rápidas, como os acontecimentos cotidianos: por exemplo, em um golpe de Estado, cujo desenrolar acompanhamos pelos jornais. Vemos também transformações lentas, como no campo dos valores morais, o machismo, por exemplo, é um valor que impera na maior parte das sociedades que a história estuda, a ponto de se poder dizer que a história que está escrita mostra um processo praticamente só conduzido pelos homens. No Ocidente, aproximadamente de um século para cá surge um questionamento mais constante desse valor milenar. Isso se dá em grande parte devido a uma participação maior da mulher no processo de produção à medida que as mulheres saem da esfera exclusiva do lar e começam a refletir na realidade.
A caminhada que a humanidade fez explica muito sobre a própria humanidade, assim como o que uma pessoa faz explica muito sobre ela. É a caminhada da humanidade que damos o nome de processo histórico. Desde que existem sobre a terra, os homens estão em relação com a natureza (para produzir sua vida) e com os outros homens. Dessa interação é que resultam os fatos, os acontecimentos, os fenômenos que constituem o processo histórico. Desde que existem sobre a terra, os homens estão em relação com a natureza (para produzirem sua vida) e com os outros homens. Dessa interação é que resultam os fatos, os acontecimentos, os fenômenos que constituem o processo histórico.
Na realidade dificilmente o historiador pode tratar ao mesmo tempo, de toda a humanidade. Ao escrever a história, em geral ele se ocupa especificamente de uma determinada realidade concreta situada no tempo e no espaço. Estudam-se uma tribo, como por exemplo, o povo judeu, antes do nascimento de Cristo; a formação do Império Macedônico, a civilização greco-romana, o surgimento da França, entre outros acontecimentos. Mas, a meta de formulação de uma história – síntese (uma explicação global de todo o processo histórico) não deve ser afastada, embora muitos historiadores acreditassem ser ela uma utopia.
O homem é um ser finito, temporal e histórico. Ele tem consciência de sua historicidade, isto é, de seu caráter eminentemente histórico. O homem vive em um determinado período de tempo, em um espaço físico concreto; nesse tempo e nesse lugar ele age sempre em relação à natureza, aos outros homens. É esse o seu caráter histórico. Tudo o que se relaciona com o homem tem sua história; para descobri-la, o historiador vai perguntando: O quê? Quando? Onde? Por quê? e Para quê?
Todos nós percebemos por experiência, a ligação básica implícita dentro da idéia geral do tempo: passado – presente – futuro. Para a história, o tempo só interessa nessa perspectiva tripla. O que é preciso fazer é uma história que mesmo estudando o passado mais remoto, faça-o para explicar a realidade presente. Fazer luma história do presente, mas sobre indagações e problemas contemporâneos ao historiador. É preciso conhecer o presente e, em história nós o fazemos, sobretudo através do passado remoto ou bem próximo. Quando se analisa um passado que nos parece remoto, então seu estudo é feito com indagações, com perguntas que nos interessam hoje, para avaliar a significação desse passado e sua relação conosco. O passado nos interessa, hoje pela sua permanência no mundo atual. A história vista como estudo do passado parece hoje para todos um ponto pacífico. Mas a história também é aceita como o estudo do passado em função de um presente desde os historiadores gregos.
A ligação da história com o futuro, porém, é bem mais sutil: não se pode falar em história do futuro. Qualquer colocação nesse sentido é mera especulação. Pode-se falar em tendências, probabilidades históricas, mas não mais do que isso. Fazê-lo seria impor um esquema pré-fixado de como as coisas se devem passar, o que é impossível. A partir de um diagnóstico do presente, ela pode ajudar a delinear ações futuras. O historiador examina sempre uma determinada realidade, que se passou concretamente em um tempo determinado e em um lugar preciso. Sua primeira tarefa é situar no tempo e no espaço que ele quer estudar exemplo: a Inglaterra no início do capitalismo, os descobrimentos portugueses dos séculos XV e XVI, a revolta dos estudantes parisienses em 1968. Cada realidade histórica é única, não se repetindo nunca de forma igual.
Só se pode conhecer uma realidade do passado através do que ficou registrado e documentado para a posteridade. Todos os registros da presença do homem são chamados “fontes históricas”. A maior parte da documentação utilizada em história é escrita, a ponto de se considerar impropriamente, como “tempos históricos” aqueles tempos que se iniciam com a invenção e a difusão da escrita. Na verdade, isso não é correto. O homem tem história desde que ele existe na terra, mesmo que ela não esteja devidamente documentada para as gerações que vieram depois. O importante e essencial é que o trabalho do historiador se fundamente numa pesquisa dos fatos reais, comprovados concretamente. Em geral é mais comum, sobretudo em realidade históricas mais próximas de nós, que os vestígios dessas realidades sejam inúmeros e que o trabalho do historiador se inicie por uma seleção desses dados. Essa seleção é feita em função dos dados do passado que lhe pareçam mais significativos.
A diversidade dos testemunhos do passado é muito grande. Tudo quanto se diz ou se escreve, tudo quanto se produz e se fabrica pode ser um documento histórico. Uma coisa é certa, a história, como todas as formas de conhecimento, está sempre se reformulando, buscando os caminhos novos e próprios. Em suma, para nada nos servirá a História, se dela não tomarmos as lições que nos oferece. Revendo o passado, estudando os tempos que se foram tornarmos capazes de entender o presente e projetar o futuro.
REFERÊNCIAS:
BARBOSA, Leila Maria A. e MANGABEIRA, Wilma C. A Incrível História dos Homens e suas Relações Sociais, 4ª Ed. Petrópolis, RJ. Vozes, 1981.
BORGES. Vavy P. O que é história. 15ª São Paulo, Ed. Brasiliense, 1990.
*Benjamin Nunes Pereira é licenciado em História, pós-graduado em Antropologia com ênfase na cultura afro-brasileira, pela UESB/Jequié, pós-graduado em Programação e Orçamento Público, pela UFBA, bancário, dirigente sindical dos bancários e membro da Academia Conquistense de Letra de Vitória da Conquista da Bahia.
História, não é nada mais nada menos do que uma ciência que nos permite conhecer o nosso passado, entender bem o nosso presente, para que possamos transformá-lo em um futuro melhor. A História se interessa por todas as atividades do homem, por tudo aquilo que os homens em grupo fazem durante suas vidas. Assim sendo, a História é o estudo do homem em processo de constante transformação. O que deixa bem claro que todos os homens têm valor para a História.
A palavra “História” é de origem grega, que significa investigação, informação. Ela surge no século VI antes de Cristo. Para nós, homens do Ocidente, a história, como hoje a entendemos, que se iniciou na região mediterrânea, ou seja, nas regiões do Oriente, próximo da costa norte africana e da Europa Ocidental.
A importância da História, desde seu inicio foi a de fornecer à sociedade uma explicação de suas origens (ou seja, uma explicação genética). A História se coloca hoje em dia cada vez mais próxima às outras áreas do conhecimento que estudam o homem, assim como a sociologia, a antropologia, a psicologia, a demografia entre outras. Cada uma dessas áreas tem seu enfoque específico, uma visão mais ampla e mais completa, entretanto, exige a cooperação entre as diversas áreas. Isso tem sido tentado pelos estudiosos com maior ou menor êxito, no chamado trabalho interdisciplinar, pois inclui diferentes disciplinas. Ela procura especificamente ver as transformações pelas quais passaram as sociedades humanas. A transformação é a essência da história; quem olhar para trás, na história de sua própria vida, compreenderá isso facilmente. Nós mudamos constantemente; isso é válido para o individuo e também é válido para a sociedade. Nada permanece igual e é através do tempo que se percebem as mudanças.
Eis por que se diz que o tempo é a dimensão de análise da história. O tempo histórico através do qual se analisam os acontecimentos não correspondem ao tempo cronológico que vivemos e que é definido pelos relógios e calendários. No tempo histórico podemos perceber mudanças que parecem rápidas, como os acontecimentos cotidianos: por exemplo, em um golpe de Estado, cujo desenrolar acompanhamos pelos jornais. Vemos também transformações lentas, como no campo dos valores morais, o machismo, por exemplo, é um valor que impera na maior parte das sociedades que a história estuda, a ponto de se poder dizer que a história que está escrita mostra um processo praticamente só conduzido pelos homens. No Ocidente, aproximadamente de um século para cá surge um questionamento mais constante desse valor milenar. Isso se dá em grande parte devido a uma participação maior da mulher no processo de produção à medida que as mulheres saem da esfera exclusiva do lar e começam a refletir na realidade.
A caminhada que a humanidade fez explica muito sobre a própria humanidade, assim como o que uma pessoa faz explica muito sobre ela. É a caminhada da humanidade que damos o nome de processo histórico. Desde que existem sobre a terra, os homens estão em relação com a natureza (para produzir sua vida) e com os outros homens. Dessa interação é que resultam os fatos, os acontecimentos, os fenômenos que constituem o processo histórico. Desde que existem sobre a terra, os homens estão em relação com a natureza (para produzirem sua vida) e com os outros homens. Dessa interação é que resultam os fatos, os acontecimentos, os fenômenos que constituem o processo histórico.
Na realidade dificilmente o historiador pode tratar ao mesmo tempo, de toda a humanidade. Ao escrever a história, em geral ele se ocupa especificamente de uma determinada realidade concreta situada no tempo e no espaço. Estudam-se uma tribo, como por exemplo, o povo judeu, antes do nascimento de Cristo; a formação do Império Macedônico, a civilização greco-romana, o surgimento da França, entre outros acontecimentos. Mas, a meta de formulação de uma história – síntese (uma explicação global de todo o processo histórico) não deve ser afastada, embora muitos historiadores acreditassem ser ela uma utopia.
O homem é um ser finito, temporal e histórico. Ele tem consciência de sua historicidade, isto é, de seu caráter eminentemente histórico. O homem vive em um determinado período de tempo, em um espaço físico concreto; nesse tempo e nesse lugar ele age sempre em relação à natureza, aos outros homens. É esse o seu caráter histórico. Tudo o que se relaciona com o homem tem sua história; para descobri-la, o historiador vai perguntando: O quê? Quando? Onde? Por quê? e Para quê?
Todos nós percebemos por experiência, a ligação básica implícita dentro da idéia geral do tempo: passado – presente – futuro. Para a história, o tempo só interessa nessa perspectiva tripla. O que é preciso fazer é uma história que mesmo estudando o passado mais remoto, faça-o para explicar a realidade presente. Fazer luma história do presente, mas sobre indagações e problemas contemporâneos ao historiador. É preciso conhecer o presente e, em história nós o fazemos, sobretudo através do passado remoto ou bem próximo. Quando se analisa um passado que nos parece remoto, então seu estudo é feito com indagações, com perguntas que nos interessam hoje, para avaliar a significação desse passado e sua relação conosco. O passado nos interessa, hoje pela sua permanência no mundo atual. A história vista como estudo do passado parece hoje para todos um ponto pacífico. Mas a história também é aceita como o estudo do passado em função de um presente desde os historiadores gregos.
A ligação da história com o futuro, porém, é bem mais sutil: não se pode falar em história do futuro. Qualquer colocação nesse sentido é mera especulação. Pode-se falar em tendências, probabilidades históricas, mas não mais do que isso. Fazê-lo seria impor um esquema pré-fixado de como as coisas se devem passar, o que é impossível. A partir de um diagnóstico do presente, ela pode ajudar a delinear ações futuras. O historiador examina sempre uma determinada realidade, que se passou concretamente em um tempo determinado e em um lugar preciso. Sua primeira tarefa é situar no tempo e no espaço que ele quer estudar exemplo: a Inglaterra no início do capitalismo, os descobrimentos portugueses dos séculos XV e XVI, a revolta dos estudantes parisienses em 1968. Cada realidade histórica é única, não se repetindo nunca de forma igual.
Só se pode conhecer uma realidade do passado através do que ficou registrado e documentado para a posteridade. Todos os registros da presença do homem são chamados “fontes históricas”. A maior parte da documentação utilizada em história é escrita, a ponto de se considerar impropriamente, como “tempos históricos” aqueles tempos que se iniciam com a invenção e a difusão da escrita. Na verdade, isso não é correto. O homem tem história desde que ele existe na terra, mesmo que ela não esteja devidamente documentada para as gerações que vieram depois. O importante e essencial é que o trabalho do historiador se fundamente numa pesquisa dos fatos reais, comprovados concretamente. Em geral é mais comum, sobretudo em realidade históricas mais próximas de nós, que os vestígios dessas realidades sejam inúmeros e que o trabalho do historiador se inicie por uma seleção desses dados. Essa seleção é feita em função dos dados do passado que lhe pareçam mais significativos.
A diversidade dos testemunhos do passado é muito grande. Tudo quanto se diz ou se escreve, tudo quanto se produz e se fabrica pode ser um documento histórico. Uma coisa é certa, a história, como todas as formas de conhecimento, está sempre se reformulando, buscando os caminhos novos e próprios. Em suma, para nada nos servirá a História, se dela não tomarmos as lições que nos oferece. Revendo o passado, estudando os tempos que se foram tornarmos capazes de entender o presente e projetar o futuro.
REFERÊNCIAS:
BARBOSA, Leila Maria A. e MANGABEIRA, Wilma C. A Incrível História dos Homens e suas Relações Sociais, 4ª Ed. Petrópolis, RJ. Vozes, 1981.
BORGES. Vavy P. O que é história. 15ª São Paulo, Ed. Brasiliense, 1990.
*Benjamin Nunes Pereira é licenciado em História, pós-graduado em Antropologia com ênfase na cultura afro-brasileira, pela UESB/Jequié, pós-graduado em Programação e Orçamento Público, pela UFBA, bancário, dirigente sindical dos bancários e membro da Academia Conquistense de Letra de Vitória da Conquista da Bahia.
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