Comprar virou mesmo uma obrigação em final de ano no país que já é a sexta maior economia do planeta e também uma das mais desiguais em termos de distribuição de renda e com índice de qualidade de vida pior que a de nossos vizinhos da Argentina, Uruguai, Chile e Paraguai. Nem é preciso destacar a contradição nisso tudo.
O ministro da Fazenda diz que em 10 ou 20 anos vamos ter o mesmo padrão de vida de países europeus. Não está sendo otimista demais? Nesse ritmo de roubalheiras nos três poderes e na falta de prioridade para a educação e para a saúde está difícil chegar lá nesse tempo.
Termina mais um ano e o ensino continua precário. O bolo cresce, e só uma pequena parte é dividida em cotas e em algumas políticas pontuais de inclusão. O povo se ilude e é arrastado para mais uma eleição. Fábulas de dinheiro (uma parte é roubada) vão ser destinadas para as obras da Copa de 2014 e às Olimpíadas de 2016. Mais concentração de renda na mão de poucos. Sobra pouco para a outra parte.
As pesquisas do IBGE dão conta de que 11 milhões de brasileiros vivem em favelas e invasões (aglomerados subnormais). Na Bahia, quase um milhão, dos quais 800 mil na capital onde existem 249 favelas. A região metropolitana de Salvador é a segunda mais favelizada, justamente onde está mais concentrado o capital em alianças diretas com as “esquerdas”.
A Bahia é um dos estados mais pobres do país, sendo superado pelo Maranhão do coronel Sarney. Salvador está na sujeira e cercada de cancelas por todos os lados. Os deputados nos fazem de bestas e otários. Quando foi para privatizar as estradas não saíram em defesa dos usuários que já pagam impostos pesados para a manutenção e melhoria delas.
Agora, para aparecerem bem na imagem entraram com ações na justiça contra o aumento das tarifas da concessionária ViaBahia. Só de IPVA paga-se quase um bilhão de reais por ano, e olha que hoje não é somente rico que tem carro, sem contar os custos dos fretes que incidem sobre os mortais consumidores de alimentos e outros produtos que rodam nas rodovias.
Mas, no Brasil, tudo virou normal e ninguém questiona nada, como os atrasos nos vôos aéreos; a falta de pontualidade em reuniões e eventos; a cerimônia de entrega de chaves de imóveis sem as unidades estarem concluídas; a inauguração de hospitais sem equipamentos, médicos e estrutura; e por aí vai.
As comissões de ética se esvaziaram e as corregedorias das instituições judiciárias só servem para acobertar os “malfeitos” dos colegas de toga. As câmaras flagram os corruptos e ainda chamam, com todo cuidado, os caras de suspeitos. Até o mapeamento das bacias hidrográficas vai ser agora feito por entidades privadas. São as raposas cuidando dos galinheiros.
O que temos hoje é uma democracia pequeno-burguesa que reivindica igualdade em termos abstratos. Onde está a conquista das liberdades e a independência para os trabalhadores e para as massas em geral?
A não ser interesses específicos, não temos uma forma de luta, nem legal, nem ilegal. O proletariado tornou-se simples apêndice da “democracia oficial” ao ser arrastado para uma organização partidária que negou suas propostas originais e se aliou à elite que sempre explorou a força do trabalho. A classe que não questiona o poder político da burguesia fica sob a tutela dele.
Só podemos desejar um feliz Ano Novo quando se acabar com essa cultura da corrupção no país e for decretado “tolerância zero para os malfeitos”. Quando os ministérios deixaram de ser os 40 feudos de porteira-fechada dos políticos fisiologistas. Quando o executivo, o legislativo e o judiciário tomarem vergonha na cara.
Feliz Ano Novo só quando os governantes priorizarem de uma vez a educação e não mais haver lamentos, lágrimas e choros nas portas dos hospitais; nem crianças nas ruas pedindo esmolas e fumando crack; nem moradores de praças comendo lixo e dormindo ao relento.
Como vamos desejar um feliz Ano Novo diante de tantas injustiças sociais e desrespeitos aos direitos dos cidadãos? Como vamos desejar feliz Ano Novo diante de milhões de brasileiros vivendo em estado de extrema pobreza? Se um bilhão passa fome e vive em miséria no mundo?
Enquanto isso, os cientistas franco-suíços brincam de descobrir a partícula de Deus no tal ”Bóson de Higgs”. Os americanos gastam trilhões de dólares nas guerras sangrentas e o capitalismo estoura foguetes nas praias e balneários luxuosos para distrair os turistas endinheirados.
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
ATRELADOS AO PODER
Final de ano nas ruas mais parece uma “operação de guerra” onde todos correm apressados para comprar e armazenar diante de uma previsível catástrofe de escassez de produtos. Mas, calma, não é nada disso. É apenas o Natal onde o “Papai Noel” roubou a cena do Menino Jesus. Esse só se vê escondido em presépios nas igrejas e algumas casas mais católicas.
Não quero ser “espírito de porco” e melar as festas. A economia vai bem e pode-se comprar até um carro, ou fazer uma farrinha no final de semana. Por que se indignar com a cruel situação na saúde? Uma mulher chora sua dor na televisão porque seu marido teve um enfarto na frente de um hospital e não foi socorrido a tempo de salvar sua vida.
Nos corredores sujos dos hospitais, ratos e baratas passeiam enquanto se faz um parto ou se dá um socorro a um paciente com quadro clínico precário. Posso estar sendo mórbido nesse período natalino e de Ano Novo, mas é a pura verdade. É isso aí, os ricos e poderosos vão para o Sírio Libanês. Já os pobres mortais não sabem qual destino. Sou mesmo atrevido.
Todas às vezes na história do Brasil que o aparelho sindical se atrelou ao Governo, a sociedade ficou marginalizada sem forças para reivindicar seus direitos constitucionais. Aí, aumentou o aparato das injustiças perpetradas pela burguesia e pela elite reacionária. Estão todos atrelados aos cargos e às benesses do poder.
O que temos hoje no proletariado (não se pronuncia mais esse termo, mas trabalhador ou colaborador) são meras reivindicações econômicas dentro da luta política. As categorias mais fracas (caso do fechamento das fábricas da Azaléia/Vulcabrás em Itapetinga) estão abandonadas. No avanço do capitalismo, os sindicatos ficaram no meio do caminho.
Em 1963 a POLOP (Política Operária) criticava, em seu segundo Congresso, o domínio dos sindicatos pelo Ministério do Trabalho; pedia a abolição do Fundo Sindical; e fim do reconhecimento e dissolução das entidades proletárias pelo Ministério.
A luta era pela formação de sindicatos independentes. No entanto, até hoje continuam amarrados ao MT, mesmo depois da ditadura militar. Hoje as centrais, como o “Paulinho da Força Sindical” consentem essa dependência facciosa ao capital e até brigam ferozmente pela fatia no bolo do Imposto Único e Obrigatório.
É por essas e outras que propagam por aí que a idéias de Marx estão desatualizadas e velhas. Não se fala mais nisso. Dizem que as coisas mudaram, e ficam por aí. É mais cômodo ser atrelado ao poder, e o coletivo que se dane. Quem não se deixa cooptar pela mediocridade é execrado. Isso acontece hoje em todos os meios, inclusive na arte e na cultura. De olho nos cargos vendem até a alma, preferindo a mediocridade ao talento.
O Jader Barbalho, o ficha suja, volta ao Senado e é recebido em seu estado, no Pará, com confetes e muita festa por uma multidão. Do Conselho Nacional de Justiça tira-se todo poder de investigar e punir os magistrados bandidos escondidos atrás das togas. As ouvidorias corporativistas vão fazer esse papel. Acredite se quiser.
Se o Brasil fosse um país sério e o sistema político não estivesse falido, seria exigida conduta ilibada para se exercer um cargo público, principalmente de ministro, não importando se sua traquinagem e trambicagem foram praticadas no setor privado antes de assumir sua função.
A educação é calça curta, mas assim é bom porque os políticos sempre vão estar livres das cabeças pensantes para se indignarem com os malfeitos e com a corrupção. É por isso que sempre ouço por aí que as coisas estão melhorando. É só fazer algumas políticas pontuais de inclusão social e tudo fica atrelado. Nada a reclamar. Somos mesmo pobres de espírito. Contentamos-nos com o pouco quando merecemos muito mais respeito.
Não quero ser “espírito de porco” e melar as festas. A economia vai bem e pode-se comprar até um carro, ou fazer uma farrinha no final de semana. Por que se indignar com a cruel situação na saúde? Uma mulher chora sua dor na televisão porque seu marido teve um enfarto na frente de um hospital e não foi socorrido a tempo de salvar sua vida.
Nos corredores sujos dos hospitais, ratos e baratas passeiam enquanto se faz um parto ou se dá um socorro a um paciente com quadro clínico precário. Posso estar sendo mórbido nesse período natalino e de Ano Novo, mas é a pura verdade. É isso aí, os ricos e poderosos vão para o Sírio Libanês. Já os pobres mortais não sabem qual destino. Sou mesmo atrevido.
Todas às vezes na história do Brasil que o aparelho sindical se atrelou ao Governo, a sociedade ficou marginalizada sem forças para reivindicar seus direitos constitucionais. Aí, aumentou o aparato das injustiças perpetradas pela burguesia e pela elite reacionária. Estão todos atrelados aos cargos e às benesses do poder.
O que temos hoje no proletariado (não se pronuncia mais esse termo, mas trabalhador ou colaborador) são meras reivindicações econômicas dentro da luta política. As categorias mais fracas (caso do fechamento das fábricas da Azaléia/Vulcabrás em Itapetinga) estão abandonadas. No avanço do capitalismo, os sindicatos ficaram no meio do caminho.
Em 1963 a POLOP (Política Operária) criticava, em seu segundo Congresso, o domínio dos sindicatos pelo Ministério do Trabalho; pedia a abolição do Fundo Sindical; e fim do reconhecimento e dissolução das entidades proletárias pelo Ministério.
A luta era pela formação de sindicatos independentes. No entanto, até hoje continuam amarrados ao MT, mesmo depois da ditadura militar. Hoje as centrais, como o “Paulinho da Força Sindical” consentem essa dependência facciosa ao capital e até brigam ferozmente pela fatia no bolo do Imposto Único e Obrigatório.
É por essas e outras que propagam por aí que a idéias de Marx estão desatualizadas e velhas. Não se fala mais nisso. Dizem que as coisas mudaram, e ficam por aí. É mais cômodo ser atrelado ao poder, e o coletivo que se dane. Quem não se deixa cooptar pela mediocridade é execrado. Isso acontece hoje em todos os meios, inclusive na arte e na cultura. De olho nos cargos vendem até a alma, preferindo a mediocridade ao talento.
O Jader Barbalho, o ficha suja, volta ao Senado e é recebido em seu estado, no Pará, com confetes e muita festa por uma multidão. Do Conselho Nacional de Justiça tira-se todo poder de investigar e punir os magistrados bandidos escondidos atrás das togas. As ouvidorias corporativistas vão fazer esse papel. Acredite se quiser.
Se o Brasil fosse um país sério e o sistema político não estivesse falido, seria exigida conduta ilibada para se exercer um cargo público, principalmente de ministro, não importando se sua traquinagem e trambicagem foram praticadas no setor privado antes de assumir sua função.
A educação é calça curta, mas assim é bom porque os políticos sempre vão estar livres das cabeças pensantes para se indignarem com os malfeitos e com a corrupção. É por isso que sempre ouço por aí que as coisas estão melhorando. É só fazer algumas políticas pontuais de inclusão social e tudo fica atrelado. Nada a reclamar. Somos mesmo pobres de espírito. Contentamos-nos com o pouco quando merecemos muito mais respeito.
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
TEATRO DAS ENTREVISTAS
Confesso que não estou muito disposto para escrever hoje. Pode ser a síndrome de final de ano que nos deixa um tanto abatido com essas tais gastanças e presentes. Gente correndo como louco por todos os lados com pacotes e sacolas nas mãos. Vitrines decoradas e luzes piscando. Vazio que bate no peito, ou na alma, pela repetição constante de “Boas Festas” e muita comida.
Você pode nem acreditar e ser contra esse sentimento, mas muita gente por aí entra em depressão e pede logo para a carruagem passar, se possível bem distante. É tempo de falar em solidariedade e ajuda, mas vem outro ano (não acho nada de novo) e se esquece dos excluídos, dos famintos, das injustiças sociais e dos desgarrados pelo mundo. As pessoas retornam para seus casulos da individualidade. Só pensam em competição e no ter.
Oi aí eu mudando de assunto! Dia desses estava refletindo sobre os “teatrinhos das entrevistas” para se conseguir um emprego. Os departamentos de recursos humanos e os homens responsáveis por contratações ensinam, nos mínimos detalhes, (tem até uma cartilha) como o indivíduo deve se comportar diante de um entrevistador.
Tem até a técnica do olhar e do aperto de mão. Não pode piscar muito as sobrancelhas, e sentar-se bem sem cruzar as pernas são as formas corretas. A roupa, nem se fala. Tem que ser combinando, e nem pensar de se apresentar com cabelo um pouco grande. É uma técnica burguesa toda especial da “linda aparência”. Tem outras regras e sutilizas que as pessoas devem decorar na ponta da língua. É o endeusamento da etiqueta acima de tudo.
Aí o candidato passa um tempão diante de um espelho, empostando a voz e fazendo macaquices as mais variadas. Ele é obrigado a mudar totalmente sua personalidade e até a maneira de caminhar, pelo menos até ganhar a vaga pretendida. Tem que ficar todo “metido” como se diz por aí.
Dentro da empresa ou do órgão, depois de todas essas formalidades, o funcionário passa verdadeiramente a revelar sua personalidade. Com o tempo começa a relaxar e chega a ir ao trabalho com qualquer roupa, cabelos sem pentear, e fala com o chefe e seus colegas totalmente diferente de quando se apresentou na entrevista.
Tem gente que até se veste escandalosamente. Teve um caso recente de uma recepcionista negra de um determinado colégio que estava indo ao trabalho com um vestido que chamava a atenção para seus quadris, de tão apertado que era. Seus cabelos não estavam condizentes para sua função.
Foi só a coordenadora chamar a atenção dos seus trajes, para a funcionária apelar de que a diretoria estava praticando racismo, preconceito e discriminação. Só faço uma pergunta: Será que ela se apresentaria assim em sua primeira entrevista para emprego? Claro que não. Iria decorar todo receituário, sem contestar.
Só estou tocando no assunto para dizer como essa sociedade burguesa é nojenta, hipócrita e superficial; feita de papel que se dissolve logo nos primeiros pingos d´água. Constrói uma aparência que se desfaz em pouco tempo. O conteúdo, a qualidade, a competência e a personalidade não deveriam estar acima dessas baboseiras? Não quer dizer com isso que o pretendente ao emprego apareça na entrevista nu, com palavrões e outros modos inadequados.
Pulando para outra questão que nunca deixo de falar, e entendo que deveria estar presente no nosso dia-a-dia, volto a tratar dos casos de corrupção, ou malfeitos, como queira a presidente.
Sobre este assunto, lembrei das palavras do Procurador da República, Vladimir Aras em entrevista à imprensa, ao dizer que a indignação do povo em relação à corrupção não consegue levar gente às ruas quanto levaria um trio elétrico. O pior é que quando se fala nisso numa roda, alguém dá uma cutucada do lado: Que cara mais chato!
Recentemente a caminhada do samba arrastou 600 mil pessoas pelas ruas de Salvador. Imagina agora o carnaval e as partidas de futebol! É muita energia para pouca causa! Pena que os estudantes e os trabalhadores ficaram no meio do caminho, enquanto avançou a barbárie capitalista. Mas isso já é outra história. Corra que eles estão atrás de nós!
No Governo, a figura da vez é o ministro Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, blindado pela presidência amiga. Fico a pensar que esses caras são os “gênios da raça”. Com apenas poucas consultorias ganham milhões de clientes anônimos. Olha o caso de Palocci!
O homem da vez está na cúpula do poder (pense na outra coisa), e passa de boca uma informação privilegiada. Recebe pelo serviço (não precisa ser em seu escritório) R$400, R$500 mil. É que o QI do povo é baixo demais e só têm burros e idiotas nessa terra. Essa imprensa é mesmo golpista. É tudo coisa da elite. Lá vai a caravana dos sabidos!
Você pode nem acreditar e ser contra esse sentimento, mas muita gente por aí entra em depressão e pede logo para a carruagem passar, se possível bem distante. É tempo de falar em solidariedade e ajuda, mas vem outro ano (não acho nada de novo) e se esquece dos excluídos, dos famintos, das injustiças sociais e dos desgarrados pelo mundo. As pessoas retornam para seus casulos da individualidade. Só pensam em competição e no ter.
Oi aí eu mudando de assunto! Dia desses estava refletindo sobre os “teatrinhos das entrevistas” para se conseguir um emprego. Os departamentos de recursos humanos e os homens responsáveis por contratações ensinam, nos mínimos detalhes, (tem até uma cartilha) como o indivíduo deve se comportar diante de um entrevistador.
Tem até a técnica do olhar e do aperto de mão. Não pode piscar muito as sobrancelhas, e sentar-se bem sem cruzar as pernas são as formas corretas. A roupa, nem se fala. Tem que ser combinando, e nem pensar de se apresentar com cabelo um pouco grande. É uma técnica burguesa toda especial da “linda aparência”. Tem outras regras e sutilizas que as pessoas devem decorar na ponta da língua. É o endeusamento da etiqueta acima de tudo.
Aí o candidato passa um tempão diante de um espelho, empostando a voz e fazendo macaquices as mais variadas. Ele é obrigado a mudar totalmente sua personalidade e até a maneira de caminhar, pelo menos até ganhar a vaga pretendida. Tem que ficar todo “metido” como se diz por aí.
Dentro da empresa ou do órgão, depois de todas essas formalidades, o funcionário passa verdadeiramente a revelar sua personalidade. Com o tempo começa a relaxar e chega a ir ao trabalho com qualquer roupa, cabelos sem pentear, e fala com o chefe e seus colegas totalmente diferente de quando se apresentou na entrevista.
Tem gente que até se veste escandalosamente. Teve um caso recente de uma recepcionista negra de um determinado colégio que estava indo ao trabalho com um vestido que chamava a atenção para seus quadris, de tão apertado que era. Seus cabelos não estavam condizentes para sua função.
Foi só a coordenadora chamar a atenção dos seus trajes, para a funcionária apelar de que a diretoria estava praticando racismo, preconceito e discriminação. Só faço uma pergunta: Será que ela se apresentaria assim em sua primeira entrevista para emprego? Claro que não. Iria decorar todo receituário, sem contestar.
Só estou tocando no assunto para dizer como essa sociedade burguesa é nojenta, hipócrita e superficial; feita de papel que se dissolve logo nos primeiros pingos d´água. Constrói uma aparência que se desfaz em pouco tempo. O conteúdo, a qualidade, a competência e a personalidade não deveriam estar acima dessas baboseiras? Não quer dizer com isso que o pretendente ao emprego apareça na entrevista nu, com palavrões e outros modos inadequados.
Pulando para outra questão que nunca deixo de falar, e entendo que deveria estar presente no nosso dia-a-dia, volto a tratar dos casos de corrupção, ou malfeitos, como queira a presidente.
Sobre este assunto, lembrei das palavras do Procurador da República, Vladimir Aras em entrevista à imprensa, ao dizer que a indignação do povo em relação à corrupção não consegue levar gente às ruas quanto levaria um trio elétrico. O pior é que quando se fala nisso numa roda, alguém dá uma cutucada do lado: Que cara mais chato!
Recentemente a caminhada do samba arrastou 600 mil pessoas pelas ruas de Salvador. Imagina agora o carnaval e as partidas de futebol! É muita energia para pouca causa! Pena que os estudantes e os trabalhadores ficaram no meio do caminho, enquanto avançou a barbárie capitalista. Mas isso já é outra história. Corra que eles estão atrás de nós!
No Governo, a figura da vez é o ministro Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, blindado pela presidência amiga. Fico a pensar que esses caras são os “gênios da raça”. Com apenas poucas consultorias ganham milhões de clientes anônimos. Olha o caso de Palocci!
O homem da vez está na cúpula do poder (pense na outra coisa), e passa de boca uma informação privilegiada. Recebe pelo serviço (não precisa ser em seu escritório) R$400, R$500 mil. É que o QI do povo é baixo demais e só têm burros e idiotas nessa terra. Essa imprensa é mesmo golpista. É tudo coisa da elite. Lá vai a caravana dos sabidos!
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
"SOU VOCÊ AMANHÃ"
Só para variar, vou me atrever aqui a falar um pouco sobre o futebol na Bahia, correndo o risco de apanhar dos torcedores do Vitória e do Bahia. É uma vergonha. Cada um “goza” com o outro, mas ambos deixam a desejar em termos de desempenho no campeonato brasileiro. Quando começa a temporada um deve dizer para o outro: Eu sou você amanhã.
O Bahia, por exemplo, se salvou nos últimos momentos do rebaixamento e no final entrou no rabo da Sulamericana. A torcida fez festa e carnaval como se tivesse ganhado o campeonato. Já se acostumou em se contentar com o pouco, e não brigar para que o time não sofra tanto na disputa nacional.
No próximo ano começa tudo de novo. Logo no início, torcedores, diretoria, corpo técnico e até a mídia esportiva começam com uma calculadora numa mão e com o secador na outra para secar o adversário. Os apresentadores de programas esportivos mais parecem animadores de torcidas. Comentário mesmo de futebol, pouca coisa. Nada de críticas.
No Vitória não é diferente. Fica com aquele time arrastado, secando todo o tempo os adversários e, no final, o cálculo não fecha para a primeira divisão. As contratações de jogadores pelos representantes baianos para a competição são malfeitas, com atletas de fora que já estão cansados e quase nada rendem.
Predomina no futebol baiano o “cartolismo” de 30 anos atrás. As gestões são tão anacrônicas que nem funcionam mais para o campeonato baiano que é muito fraco, com times do interior desprovidos de estrutura. Quando termina a temporada, renovam-se as esperanças de mudanças de times fortes. É aquela mesma lengalenga de sempre.
As torcidas acreditam, e quando tudo começa é aquele sofrimento do início ao fim. Os juízes são sempre culpados e até alegam que a bola não quer entrar no gol. É fácil de resolver. Cada um entra com sua bola debaixo do braço, aquela certa para entrar.
Quando Salvador tinha seis times (sempre fui torcedor do Galícia), com os cartolas que de certa forma ainda estão lá, o Bahia e o Vitória faziam de tudo nos bastidores para massacrar o Ipiranga, Botafogo e o Leônico, interferindo nas decisões dos apitos dos árbitros. Agora sofrem na pele o que faziam antes.
Conseguiram acabar de vez com os adversários. Há muitos anos que a capital só tem Bahia e Vitória, brigando entre eles para ver quem sofre mais. É verdade que também faltou competência e organização dos outros, mas acompanhei as pressões para derrubar um time menor quando despontava como campeão.
Em 1967, por exemplo, melaram a vitória do Galícia que só conseguiu ser campeão em 68 e, mesmo assim, sendo vítima de tramóias dos cartolas. Bem, não adianta chorar pelo leite derramado, mas no presente, o futebol baiano é uma vergonha. Ao invés de formar uma base com jogadores locais, preferem fazer contratações caras que não dão resultados. Aliás, dão para os bolsos deles, donos dos times.
Mudando de assunto, até que enfim Carlos Lupi se tocou e deixou o Ministério do Trabalho. Saiu com o troféu de maior cínico da história brasileira. Conseguiu superar Paulo Maluf e deixar comprovado que corrupção virou status. O caso dele parece com aquele do amante que é torturado lentamente pela amante até a morte.
Li um dia desses o comentário de um articulista que enumero os predicados de José Ribamar, o Sarney do Senado. Dizia ele que Sarney é aproveitador, caíque, coronel, oportunista, cúmplice da ditadura, fisiologista, imoral e especialista em atos secretos. Agora está querendo mudar sua imagem contratando um marqueteiro. É muita cara de pau.
As corregedorias das instituições, como do Judiciário, não corrigem. Colaboram com a corrupção, protegendo a bandidagem através do corporativismo. Quem constatou isso foi o próprio Ministro da Justiça. As corregedorias fazem o conluio dos malfeitos. Verdadeiramente, o modelo político está falido.
Em quatro anos, segundo dados do IBGE, a taxa de homicídios entre jovens de 12 a 17 anos aumentou 361,62%. Em 2004, a taxa por 100 mil habitantes era de 8,6%, passando para 31,1% em 2009. Os jovens negros são as maiores vítimas. Sobre isso, os estudiosos afirmam que existe um processo sistemático de genocídio da juventude negra. Deixa a entender que existe uma política intencional de matança e execução dos negros. Se é isso mesmo, é muito grave.
O Bahia, por exemplo, se salvou nos últimos momentos do rebaixamento e no final entrou no rabo da Sulamericana. A torcida fez festa e carnaval como se tivesse ganhado o campeonato. Já se acostumou em se contentar com o pouco, e não brigar para que o time não sofra tanto na disputa nacional.
No próximo ano começa tudo de novo. Logo no início, torcedores, diretoria, corpo técnico e até a mídia esportiva começam com uma calculadora numa mão e com o secador na outra para secar o adversário. Os apresentadores de programas esportivos mais parecem animadores de torcidas. Comentário mesmo de futebol, pouca coisa. Nada de críticas.
No Vitória não é diferente. Fica com aquele time arrastado, secando todo o tempo os adversários e, no final, o cálculo não fecha para a primeira divisão. As contratações de jogadores pelos representantes baianos para a competição são malfeitas, com atletas de fora que já estão cansados e quase nada rendem.
Predomina no futebol baiano o “cartolismo” de 30 anos atrás. As gestões são tão anacrônicas que nem funcionam mais para o campeonato baiano que é muito fraco, com times do interior desprovidos de estrutura. Quando termina a temporada, renovam-se as esperanças de mudanças de times fortes. É aquela mesma lengalenga de sempre.
As torcidas acreditam, e quando tudo começa é aquele sofrimento do início ao fim. Os juízes são sempre culpados e até alegam que a bola não quer entrar no gol. É fácil de resolver. Cada um entra com sua bola debaixo do braço, aquela certa para entrar.
Quando Salvador tinha seis times (sempre fui torcedor do Galícia), com os cartolas que de certa forma ainda estão lá, o Bahia e o Vitória faziam de tudo nos bastidores para massacrar o Ipiranga, Botafogo e o Leônico, interferindo nas decisões dos apitos dos árbitros. Agora sofrem na pele o que faziam antes.
Conseguiram acabar de vez com os adversários. Há muitos anos que a capital só tem Bahia e Vitória, brigando entre eles para ver quem sofre mais. É verdade que também faltou competência e organização dos outros, mas acompanhei as pressões para derrubar um time menor quando despontava como campeão.
Em 1967, por exemplo, melaram a vitória do Galícia que só conseguiu ser campeão em 68 e, mesmo assim, sendo vítima de tramóias dos cartolas. Bem, não adianta chorar pelo leite derramado, mas no presente, o futebol baiano é uma vergonha. Ao invés de formar uma base com jogadores locais, preferem fazer contratações caras que não dão resultados. Aliás, dão para os bolsos deles, donos dos times.
Mudando de assunto, até que enfim Carlos Lupi se tocou e deixou o Ministério do Trabalho. Saiu com o troféu de maior cínico da história brasileira. Conseguiu superar Paulo Maluf e deixar comprovado que corrupção virou status. O caso dele parece com aquele do amante que é torturado lentamente pela amante até a morte.
Li um dia desses o comentário de um articulista que enumero os predicados de José Ribamar, o Sarney do Senado. Dizia ele que Sarney é aproveitador, caíque, coronel, oportunista, cúmplice da ditadura, fisiologista, imoral e especialista em atos secretos. Agora está querendo mudar sua imagem contratando um marqueteiro. É muita cara de pau.
As corregedorias das instituições, como do Judiciário, não corrigem. Colaboram com a corrupção, protegendo a bandidagem através do corporativismo. Quem constatou isso foi o próprio Ministro da Justiça. As corregedorias fazem o conluio dos malfeitos. Verdadeiramente, o modelo político está falido.
Em quatro anos, segundo dados do IBGE, a taxa de homicídios entre jovens de 12 a 17 anos aumentou 361,62%. Em 2004, a taxa por 100 mil habitantes era de 8,6%, passando para 31,1% em 2009. Os jovens negros são as maiores vítimas. Sobre isso, os estudiosos afirmam que existe um processo sistemático de genocídio da juventude negra. Deixa a entender que existe uma política intencional de matança e execução dos negros. Se é isso mesmo, é muito grave.
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
VAMOS ÀS COMPRAS
É a roda do consumismo. Os lojistas de Salvador promoveram o Feirão do Nome Limpo, no Centro de Convenções. No primeiro dia apareceram nas longas filas mais de 15 mil. E não era para comprar feijão e arroz, mas produtos supérfluos. O negócio agora é comprar, se endividar, não pagar e depois limpar o nome. É o incentivo à malandragem. Não vale a pena ser bom pagador.
Os comerciantes, na ânsia de vender mais, ofereceram descontos de até 50% do valor das dívidas e de 100% nos juros e multas por atraso nos pagamentos. Quem limpa o nome ainda concorre a prêmios de até R$50 mil. É uma prova de que os preços são escorchantes, mas ninguém quer ficar de fora. O Procon dá até dicas de como sair do vermelho. Todos às compras como no estouro da boiada.
Vale tudo para aumentar o consumismo e, consequentemente, elevar a produção industrial e emporcalhar o meio ambiente. Quem prega a desconstrução, definitivamente está navegando num mar de utopias. Não existe mais voltas para a catástrofe ambiental. No Brasil são quase dois celulares por pessoa e milhões de aparelhos jogados no lixo.
Parece exagero mais não é. Os defensores das grandes corporações empresariais do planeta já levantaram a bandeira do discurso de que essa de aquecimento global é uma balela. Nas festas de final de ano o que importa é comprar e comprar. Virou uma obrigação comprar. Imperdoável aquele que não entrar numa loja para adquirir um presente de Natal. É ingrato, grosso e anti-social.
E por falar em Natal, a festa voltou a ser profana como nos tempos Celtas. As pessoas são empurradas pela mídia e pelas propagandas a fazer festanças com muita comida e presentes, mesmo que não tenham condições. As confraternizações cristãs do nascimento em homenagem ao menino Jesus cederam lugar ao consumismo desenfreado.
Muita gastança e vazio interior como depois de uma forte ressaca de muita bebedeira e prazer material. Por falta de humanismo e calor humano, a festa passou a ser triste e depressiva. O comprar e dar um presente contam mais que um forte abraço de amor. Mais que um carinho.
Nesse turbilhão de consumismo exagerado, milhões ficam de fora da festa da mesa farta cheia de presentes descartáveis. Restam a eles as doações que chegam para alguns como prêmios de consolo de final de ano. Esse “espírito de solidariedade” parece emergir como forma de se desculpar da superficialidade. Será que esse gesto sela nossa parte no “contrato” para o reino dos céus?
SOMOS RICOS?
Todos os brasileiros são ricos e não sabem. Afinal de contas, pagamos as maiores taxas de impostos do planeta, beirando os 38% do PIB (Produto Interno Bruto), sem falar no IPVA mais alto. São Paulo é a cidade mais cara. Os parlamentares são os mais bem pagos, sem falar nas mordomias. O judiciário constrói palacetes e faz ternos que custam mais de mil reais.
Dizem que a economia vai muito bem, mas muita gente morre nos corredores dos hospitais por falta de atendimento. Nos brejões do Nordeste temos situação de pobreza comparada com países da África como a Somália e o Congo. No sul existem faixas que são verdadeiros pedaços da Bélgica e da Holanda.
Mas, o fundador da Microsoft, Bill Gates, não sabe disso e sugere que o Brasil aumente suas doações a países pobres. Igual a ele, muitos lá do exterior conhecem superficialmente a realidade do país. Vão na onda da propaganda de uma sexta potência econômica.
Bill Gates quer que o Brasil separe uma parte do orçamento para ajuda externa, uma vez que o país está rico com enormes reservas petrolíferas. Com isso teve até gente sugerindo que o governo brasileiro estenda o Bolsa Família às nações africanas.
Pela idéia, podemos até inverter as posições e adotar Portugal como colônia. Mandaremos dinheiro para Itália, Espanha, Grécia e Irlanda. É um motivo de muito orgulho como disseram os fisiologistas do PMDB. Por que eles não mandam as fortunas deles tiradas de nossos bolsos? Querem mesmo dar esmolas com o chapéu dos outros.
Tudo isso é uma grande piada com nossas caras, enquanto os Estados Unidos gastam quase três bilhões de dólares com programas espaciais para visitar Plutão. Na terra um bilhão passa fome e miséria. Bill Gates chega a sugerir que o Brasil dedique 0,7% do seu PIB à ajuda externa, o equivalente a 12 bilhões de dólares por ano.
Muitos batem palmas e se sentem orgulhosos, mesmo convivendo lado a lado com os deficientes serviços públicos, como na saúde e na educação. Afinal, somos resignados e não indignados. Multidões lotam os estádios de futebol e 600 mil comparecem na “Caminhada do samba”.
Quanta energia desperdiçada, quando devia ser utilizada para combater a corrupção e os desmandos na política, como das primeiras-damas! Somos ricos e não sabemos, mas de comodismo e falta de ação para brigar pelos nossos direitos que foram roubados há muito tempo. Preferimos de bom tom pagar caro pelos serviços privatizados a lutar pelo o que é nosso de direito. Estão aí os pedágios nas estradas e agora os cartórios que não mentem.
Os comerciantes, na ânsia de vender mais, ofereceram descontos de até 50% do valor das dívidas e de 100% nos juros e multas por atraso nos pagamentos. Quem limpa o nome ainda concorre a prêmios de até R$50 mil. É uma prova de que os preços são escorchantes, mas ninguém quer ficar de fora. O Procon dá até dicas de como sair do vermelho. Todos às compras como no estouro da boiada.
Vale tudo para aumentar o consumismo e, consequentemente, elevar a produção industrial e emporcalhar o meio ambiente. Quem prega a desconstrução, definitivamente está navegando num mar de utopias. Não existe mais voltas para a catástrofe ambiental. No Brasil são quase dois celulares por pessoa e milhões de aparelhos jogados no lixo.
Parece exagero mais não é. Os defensores das grandes corporações empresariais do planeta já levantaram a bandeira do discurso de que essa de aquecimento global é uma balela. Nas festas de final de ano o que importa é comprar e comprar. Virou uma obrigação comprar. Imperdoável aquele que não entrar numa loja para adquirir um presente de Natal. É ingrato, grosso e anti-social.
E por falar em Natal, a festa voltou a ser profana como nos tempos Celtas. As pessoas são empurradas pela mídia e pelas propagandas a fazer festanças com muita comida e presentes, mesmo que não tenham condições. As confraternizações cristãs do nascimento em homenagem ao menino Jesus cederam lugar ao consumismo desenfreado.
Muita gastança e vazio interior como depois de uma forte ressaca de muita bebedeira e prazer material. Por falta de humanismo e calor humano, a festa passou a ser triste e depressiva. O comprar e dar um presente contam mais que um forte abraço de amor. Mais que um carinho.
Nesse turbilhão de consumismo exagerado, milhões ficam de fora da festa da mesa farta cheia de presentes descartáveis. Restam a eles as doações que chegam para alguns como prêmios de consolo de final de ano. Esse “espírito de solidariedade” parece emergir como forma de se desculpar da superficialidade. Será que esse gesto sela nossa parte no “contrato” para o reino dos céus?
SOMOS RICOS?
Todos os brasileiros são ricos e não sabem. Afinal de contas, pagamos as maiores taxas de impostos do planeta, beirando os 38% do PIB (Produto Interno Bruto), sem falar no IPVA mais alto. São Paulo é a cidade mais cara. Os parlamentares são os mais bem pagos, sem falar nas mordomias. O judiciário constrói palacetes e faz ternos que custam mais de mil reais.
Dizem que a economia vai muito bem, mas muita gente morre nos corredores dos hospitais por falta de atendimento. Nos brejões do Nordeste temos situação de pobreza comparada com países da África como a Somália e o Congo. No sul existem faixas que são verdadeiros pedaços da Bélgica e da Holanda.
Mas, o fundador da Microsoft, Bill Gates, não sabe disso e sugere que o Brasil aumente suas doações a países pobres. Igual a ele, muitos lá do exterior conhecem superficialmente a realidade do país. Vão na onda da propaganda de uma sexta potência econômica.
Bill Gates quer que o Brasil separe uma parte do orçamento para ajuda externa, uma vez que o país está rico com enormes reservas petrolíferas. Com isso teve até gente sugerindo que o governo brasileiro estenda o Bolsa Família às nações africanas.
Pela idéia, podemos até inverter as posições e adotar Portugal como colônia. Mandaremos dinheiro para Itália, Espanha, Grécia e Irlanda. É um motivo de muito orgulho como disseram os fisiologistas do PMDB. Por que eles não mandam as fortunas deles tiradas de nossos bolsos? Querem mesmo dar esmolas com o chapéu dos outros.
Tudo isso é uma grande piada com nossas caras, enquanto os Estados Unidos gastam quase três bilhões de dólares com programas espaciais para visitar Plutão. Na terra um bilhão passa fome e miséria. Bill Gates chega a sugerir que o Brasil dedique 0,7% do seu PIB à ajuda externa, o equivalente a 12 bilhões de dólares por ano.
Muitos batem palmas e se sentem orgulhosos, mesmo convivendo lado a lado com os deficientes serviços públicos, como na saúde e na educação. Afinal, somos resignados e não indignados. Multidões lotam os estádios de futebol e 600 mil comparecem na “Caminhada do samba”.
Quanta energia desperdiçada, quando devia ser utilizada para combater a corrupção e os desmandos na política, como das primeiras-damas! Somos ricos e não sabemos, mas de comodismo e falta de ação para brigar pelos nossos direitos que foram roubados há muito tempo. Preferimos de bom tom pagar caro pelos serviços privatizados a lutar pelo o que é nosso de direito. Estão aí os pedágios nas estradas e agora os cartórios que não mentem.
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
A COR DA PELE
Quem escreve tem sempre uns “diabinhos” ao pé-do-ouvido, tentando se intrometer para mudar o rumo da história. Querem entrar no enredo como personagens. O título não era propriamente este, mas invadiu minha tela e lá ficou, talvez por causa de dois primorosos e corajosos artigos do advogado, poeta e compositor Walter Queiroz e do antropólogo Luiz Mott publicados no jornal A Tarde no final de semana.
Os dois falaram praticamente do mesmo assunto, desmistificando conceitos afroascendentes que estão querendo impor na Bahia. Enquanto o planeta “pega fogo” com “occupy wall street”, os movimentos árabes e dos indignados na Europa, ficamos aqui discutindo a cor da pele.
Sem rodeios, Walter disse que, talvez por mero oportunismo político, endeusam-se na Bahia os afroascendentes como uma categoria étnica apartada dos demais baianos. Acrescentaria, na minha modesta visão, de que só existe uma etnia, a etnia brasileira numa junção do africano, do indígena e do colonizador europeu, incluindo aí uma ponta dos mouros.
Afirmou ainda Walter que a reverência ao continente africano não deve subestimar a participação aborígene na nossa formação, assim como não se pode negar o sangue colonizador. Para ele, causa espanto o conceito turismo étnico, se são três povos em um.
Apesar da tragédia que foi a escravidão, já é tempo de superar as lamúrias que atrasam um novo acordo social onde não haja mais lugar para privilégios e cotas de reparação. Que elas sejam para todos baianos pobres, de todas as cores e tribos. Segundo o poeta, tentar africanizar a Bahia é um desserviço à identidade e a originalidade de um povo genial.
Na mesma linha, Luiz Mott diz que um dos mitos mais danosos à construção de uma verdadeira democracia racial é o racionalismo, isto é, a tentativa de colocar o racismo como culpado de todas as mazelas dos afro-brasileiros. Cotas não só para negros, mas para todos os segmentos mais discriminados da sociedade. Complementaria de que devemos sim, cobrar uma política séria de qualificação dos serviços públicos para todos.
Da forma como certos movimentos negros se posicionam, está se encaminhando para uma frente perigosa de separação de cor, e não é isso que se quer. Sem essa de cor de pele. Vamos premiar a capacidade e o mérito. Na semana passada, um antropólogo chamou de discriminação a atitude de um padre por não dar comunhão aos participantes da missa de sétimo dia em homenagem a uma mãe de santo.
Ora, cada religião tem seus ritos com suas normas as quais devem ser obedecidas por aqueles que deles participam, como acontece no próprio candomblé. Existem certos rituais na liturgia que iniciantes não têm acesso e ninguém diz nada e não se condena. Muito me admira um antropólogo não saber disso. Qualquer ato hoje já é logo considerado como discriminação e preconceito. No princípio católico qualquer casal separado, por exemplo, não pode receber a comunhão, como também quem não for batizado na Igreja.
Um “diabinho” continua aqui buzinando no meu ouvido e querendo também entrar na história. Está falando aqui de que não queremos uma direita reacionária no país. Queremos que a “esquerda” do poder mude todos os fisiológicos e oportunistas adesistas que aí estão nos tripudiando.
Está bradando que Carlos Lupi, do Trabalho, mentiu várias vezes e superou Maluf no cinismo. Que ele é um desqualificado e que a presidente Dilma tenha a humildade de reconhecer as denúncias da mídia e o demita, para o bem da nação. Não é momento para queda de braço com a imprensa.
O “diabinho” está acusando que o Ministério do Trabalho virou um balcão de negócios das centrais sindicais, para abocanhar os dois bilhões de reais todos os anos do imposto obrigatório dos trabalhadores. É uma guerra de foice a facão (tem até morte) para ver quem mais cadastra sindicatos.
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) está soltando um punhado de dados onde constatam que, apesar de melhoras, as desigualdades sociais no Brasil são alarmantes, principalmente na Bahia e Maranhão que ocupam os índices maios negativos de pobreza, analfabetismo, educação, saneamento e saúde.
No entanto, sempre ouvimos dos governantes (não é de hoje) anúncios de obras e mais obras, além de números fantasiosos de crescimento e desenvolvimento. Que estatísticas são essas? Ocorre que a melhora social chega minguada, numa proporção bem menor que o aumento da fatia do bolo que fica com os mais endinheirados. É o bolo do sistema de Delfim Neto que persiste. Pensam que a fatia do Bolsa Família vai acabar com a desigualdade.
Os partidos políticos sempre disseram em seus programas eleitorais que estão trabalhando pela melhora da educação e da saúde, mas só vemos mazelas e desigualdades. Se trabalham tanto, por que os resultados não melhoram as camadas mais desfavorecidas como devia? È porque estão trabalhando para seus bolsos.
Mostram as estatísticas do IBGE que os 10% mais ricos têm renda média mensal 39 vezes maior do que os 10% mais pobres. É a cara do sistema capitalista despudorado e depravado. É o 1% contra os 99% dos clamores do Occupy Wall Street.
Em 2000, 62,2% dos domicílios tinham acesso à rede de esgoto e fossa séptica. Em 2010, esse percentual ainda é de 67,1%. Coisa mais terrível é no Nordeste onde somente 45,2% têm rede de esgoto. A melhora da qual os governantes e políticos tanto falam é vergonhosa em relação ao pico da concentração de renda. Há anos que essa cantoria vem atormentando nossos ouvidos.
Os dois falaram praticamente do mesmo assunto, desmistificando conceitos afroascendentes que estão querendo impor na Bahia. Enquanto o planeta “pega fogo” com “occupy wall street”, os movimentos árabes e dos indignados na Europa, ficamos aqui discutindo a cor da pele.
Sem rodeios, Walter disse que, talvez por mero oportunismo político, endeusam-se na Bahia os afroascendentes como uma categoria étnica apartada dos demais baianos. Acrescentaria, na minha modesta visão, de que só existe uma etnia, a etnia brasileira numa junção do africano, do indígena e do colonizador europeu, incluindo aí uma ponta dos mouros.
Afirmou ainda Walter que a reverência ao continente africano não deve subestimar a participação aborígene na nossa formação, assim como não se pode negar o sangue colonizador. Para ele, causa espanto o conceito turismo étnico, se são três povos em um.
Apesar da tragédia que foi a escravidão, já é tempo de superar as lamúrias que atrasam um novo acordo social onde não haja mais lugar para privilégios e cotas de reparação. Que elas sejam para todos baianos pobres, de todas as cores e tribos. Segundo o poeta, tentar africanizar a Bahia é um desserviço à identidade e a originalidade de um povo genial.
Na mesma linha, Luiz Mott diz que um dos mitos mais danosos à construção de uma verdadeira democracia racial é o racionalismo, isto é, a tentativa de colocar o racismo como culpado de todas as mazelas dos afro-brasileiros. Cotas não só para negros, mas para todos os segmentos mais discriminados da sociedade. Complementaria de que devemos sim, cobrar uma política séria de qualificação dos serviços públicos para todos.
Da forma como certos movimentos negros se posicionam, está se encaminhando para uma frente perigosa de separação de cor, e não é isso que se quer. Sem essa de cor de pele. Vamos premiar a capacidade e o mérito. Na semana passada, um antropólogo chamou de discriminação a atitude de um padre por não dar comunhão aos participantes da missa de sétimo dia em homenagem a uma mãe de santo.
Ora, cada religião tem seus ritos com suas normas as quais devem ser obedecidas por aqueles que deles participam, como acontece no próprio candomblé. Existem certos rituais na liturgia que iniciantes não têm acesso e ninguém diz nada e não se condena. Muito me admira um antropólogo não saber disso. Qualquer ato hoje já é logo considerado como discriminação e preconceito. No princípio católico qualquer casal separado, por exemplo, não pode receber a comunhão, como também quem não for batizado na Igreja.
Um “diabinho” continua aqui buzinando no meu ouvido e querendo também entrar na história. Está falando aqui de que não queremos uma direita reacionária no país. Queremos que a “esquerda” do poder mude todos os fisiológicos e oportunistas adesistas que aí estão nos tripudiando.
Está bradando que Carlos Lupi, do Trabalho, mentiu várias vezes e superou Maluf no cinismo. Que ele é um desqualificado e que a presidente Dilma tenha a humildade de reconhecer as denúncias da mídia e o demita, para o bem da nação. Não é momento para queda de braço com a imprensa.
O “diabinho” está acusando que o Ministério do Trabalho virou um balcão de negócios das centrais sindicais, para abocanhar os dois bilhões de reais todos os anos do imposto obrigatório dos trabalhadores. É uma guerra de foice a facão (tem até morte) para ver quem mais cadastra sindicatos.
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) está soltando um punhado de dados onde constatam que, apesar de melhoras, as desigualdades sociais no Brasil são alarmantes, principalmente na Bahia e Maranhão que ocupam os índices maios negativos de pobreza, analfabetismo, educação, saneamento e saúde.
No entanto, sempre ouvimos dos governantes (não é de hoje) anúncios de obras e mais obras, além de números fantasiosos de crescimento e desenvolvimento. Que estatísticas são essas? Ocorre que a melhora social chega minguada, numa proporção bem menor que o aumento da fatia do bolo que fica com os mais endinheirados. É o bolo do sistema de Delfim Neto que persiste. Pensam que a fatia do Bolsa Família vai acabar com a desigualdade.
Os partidos políticos sempre disseram em seus programas eleitorais que estão trabalhando pela melhora da educação e da saúde, mas só vemos mazelas e desigualdades. Se trabalham tanto, por que os resultados não melhoram as camadas mais desfavorecidas como devia? È porque estão trabalhando para seus bolsos.
Mostram as estatísticas do IBGE que os 10% mais ricos têm renda média mensal 39 vezes maior do que os 10% mais pobres. É a cara do sistema capitalista despudorado e depravado. É o 1% contra os 99% dos clamores do Occupy Wall Street.
Em 2000, 62,2% dos domicílios tinham acesso à rede de esgoto e fossa séptica. Em 2010, esse percentual ainda é de 67,1%. Coisa mais terrível é no Nordeste onde somente 45,2% têm rede de esgoto. A melhora da qual os governantes e políticos tanto falam é vergonhosa em relação ao pico da concentração de renda. Há anos que essa cantoria vem atormentando nossos ouvidos.
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
"HERÓIS" E CAFAJESTES
O comportamento enviesado da vida política e social dos brasileiros está recheado de uma boa matéria-prima para escritores, colunistas, cineastas e artistas em geral. Basta observar o cotidiano das pessoas que cada vez mais se fecham no individualismo egocentrista. Se estiver bom para ele, que se danem os outros.
Infelizmente, em nosso país quando alguém pratica um ato de honestidade é logo considerado como herói. Se a pessoa encontra uma carteira ou bolsa com dinheiro e devolve ao dono, logo sua imagem sai na televisão com direito ao sucesso de 15 segundos.
Quem faz mais heróis neste país é a mídia, especialmente a televisiva, para montar seus espetáculos. Aconteceu recentemente na prisão do traficante “Nem”, da favela da Rocinha, no Rio de Janeiro. Foi só um tenente recusar a oferta de um milhão de reais para liberar o bandido e logo correram para transformar o militar num grande herói.
A mídia não foi muito adiante e ficou sem graça porque o oficial descartou o título, ou a comenda, dizendo que tinha simplesmente cumprido sua obrigação para que seus filhos lhe olhassem como exemplo. Num país tão escasso de honestidade, fazer o certo virou coisa rara e foco para imagens que roubam a cena principal.
No caso da Rocinha, a invasão das tropas federais e estaduais era a notícia jornalística mais importante, se bem que a matéria poderia ter sido mais aprofundada e explorada, como a reação de muitos favelados que não gostaram da ocupação porque vão deixar de receber as cestas básicas e o auxílio pecuniário dos bandidos.
É uma questão para ser discutida e refletida. Não foi mostrado que alí, há anos, o chefe dos traficantes mandava descarregar toda semana um caminhão de verduras e frutas para os moradores; distribuía cestas básicas; e ajudava manter as creches. E agora como vamos ficar sem esses benefícios? O Governo vai fazer isso? Foram interrogações feitas por muita gente.
Faltou a mídia analisar esse lado perverso e cruel de dominação do poder paralelo, em decorrência de muitos anos de abandono dos governos. Por falta de uma saída através da escolaridade e de outros meios de libertação da miséria, o brasileiro se acostumou e se acomodou ao vício de assistencialismo. Rende-se ao primeiro que lhe oferece um prato de comida pronto. Fica escravo do dono da comida.
Faltou a mídia dizer que muitos se recusaram a deixar sua casas com temor de que soldados entrassem e levassem seus pertences como já ocorreu em outras invasões. É o outro lado cafajeste. Como reconquistar a confiança com outros serviços de melhora que não sejam as cestas básicas?
Vivendo por muito tempo sob o domínio dos traficantes, muita gente ainda não confia na proteção da polícia e prefere o outro lado. Normal seria que a honestidade não tivesse se tornado caso de heroísmo. Este é um assunto para ser debatido pela sociologia dos abandonados.
O cafajestismo não está só nos políticos que roubam, ficam impunes e ainda são eleitos para cargos públicos no executivo e no legislativo. De tanto ser passado para trás desde os tempos coloniais, o brasileiro incorporou o lado cafajeste e cínico. Acha que também tem o direito de ser safado.
Agora mesmo o Governo está querendo empregar o desempregado para reduzir os custos do seguro-desemprego. Acontece que as pessoas nessa situação não querem. Preferem o seguro e arranjar um bico por fora. Outros passam o tempo desocupados, curtindo a grana.
De tanto ver os maus exemplos, os que estão na camada mais baixa também entendem que têm o direito de serem astutos, aproveitadores, oportunistas e cafajestes. Aí o ambiente geral fica deteriorado e podre. Tudo fede. Quando aparece um que se recusa a aceitar algum tipo de desonestidade se torna herói na mídia.
Fica difícil mudar a mentalidade dessa gente quando se vê ministros do Governo mentindo e praticando suas maiores cafajestadas para se dar bem. Agora mesmo o Carlos Lupi, do Trabalho, tudo faz para não deixar a cadeira. Faz até declaração de amor em público à presidenta. É desaforado e cafajeste como disse Ricardo Noblat em sua coluna. Não se incomoda com o ridículo.
O Brasil é o único país do planeta onde um ministro é demitido e depois é elogiado na passagem de seu cargo para outro correligionário de partido. Fazem coro e choram. Precisamos fazer um campeonato de cafajestadas porque de heroísmos não dá para fechar mais que dois ou três times.
Para as “esquerdas” do poder, as denúncias de corrupção não passam de golpe das elites. Quem é a elite hoje? Os banqueiros e os empresários estão contentes. Os sindicatos e os estudantes também. A oposição, praticamente não existe.
Infelizmente, em nosso país quando alguém pratica um ato de honestidade é logo considerado como herói. Se a pessoa encontra uma carteira ou bolsa com dinheiro e devolve ao dono, logo sua imagem sai na televisão com direito ao sucesso de 15 segundos.
Quem faz mais heróis neste país é a mídia, especialmente a televisiva, para montar seus espetáculos. Aconteceu recentemente na prisão do traficante “Nem”, da favela da Rocinha, no Rio de Janeiro. Foi só um tenente recusar a oferta de um milhão de reais para liberar o bandido e logo correram para transformar o militar num grande herói.
A mídia não foi muito adiante e ficou sem graça porque o oficial descartou o título, ou a comenda, dizendo que tinha simplesmente cumprido sua obrigação para que seus filhos lhe olhassem como exemplo. Num país tão escasso de honestidade, fazer o certo virou coisa rara e foco para imagens que roubam a cena principal.
No caso da Rocinha, a invasão das tropas federais e estaduais era a notícia jornalística mais importante, se bem que a matéria poderia ter sido mais aprofundada e explorada, como a reação de muitos favelados que não gostaram da ocupação porque vão deixar de receber as cestas básicas e o auxílio pecuniário dos bandidos.
É uma questão para ser discutida e refletida. Não foi mostrado que alí, há anos, o chefe dos traficantes mandava descarregar toda semana um caminhão de verduras e frutas para os moradores; distribuía cestas básicas; e ajudava manter as creches. E agora como vamos ficar sem esses benefícios? O Governo vai fazer isso? Foram interrogações feitas por muita gente.
Faltou a mídia analisar esse lado perverso e cruel de dominação do poder paralelo, em decorrência de muitos anos de abandono dos governos. Por falta de uma saída através da escolaridade e de outros meios de libertação da miséria, o brasileiro se acostumou e se acomodou ao vício de assistencialismo. Rende-se ao primeiro que lhe oferece um prato de comida pronto. Fica escravo do dono da comida.
Faltou a mídia dizer que muitos se recusaram a deixar sua casas com temor de que soldados entrassem e levassem seus pertences como já ocorreu em outras invasões. É o outro lado cafajeste. Como reconquistar a confiança com outros serviços de melhora que não sejam as cestas básicas?
Vivendo por muito tempo sob o domínio dos traficantes, muita gente ainda não confia na proteção da polícia e prefere o outro lado. Normal seria que a honestidade não tivesse se tornado caso de heroísmo. Este é um assunto para ser debatido pela sociologia dos abandonados.
O cafajestismo não está só nos políticos que roubam, ficam impunes e ainda são eleitos para cargos públicos no executivo e no legislativo. De tanto ser passado para trás desde os tempos coloniais, o brasileiro incorporou o lado cafajeste e cínico. Acha que também tem o direito de ser safado.
Agora mesmo o Governo está querendo empregar o desempregado para reduzir os custos do seguro-desemprego. Acontece que as pessoas nessa situação não querem. Preferem o seguro e arranjar um bico por fora. Outros passam o tempo desocupados, curtindo a grana.
De tanto ver os maus exemplos, os que estão na camada mais baixa também entendem que têm o direito de serem astutos, aproveitadores, oportunistas e cafajestes. Aí o ambiente geral fica deteriorado e podre. Tudo fede. Quando aparece um que se recusa a aceitar algum tipo de desonestidade se torna herói na mídia.
Fica difícil mudar a mentalidade dessa gente quando se vê ministros do Governo mentindo e praticando suas maiores cafajestadas para se dar bem. Agora mesmo o Carlos Lupi, do Trabalho, tudo faz para não deixar a cadeira. Faz até declaração de amor em público à presidenta. É desaforado e cafajeste como disse Ricardo Noblat em sua coluna. Não se incomoda com o ridículo.
O Brasil é o único país do planeta onde um ministro é demitido e depois é elogiado na passagem de seu cargo para outro correligionário de partido. Fazem coro e choram. Precisamos fazer um campeonato de cafajestadas porque de heroísmos não dá para fechar mais que dois ou três times.
Para as “esquerdas” do poder, as denúncias de corrupção não passam de golpe das elites. Quem é a elite hoje? Os banqueiros e os empresários estão contentes. Os sindicatos e os estudantes também. A oposição, praticamente não existe.
terça-feira, 8 de novembro de 2011
OS SATISFEITOS
De um lado um país com uma taxa de escolarização menor que a do Paraguai e Bolívia, e com um atendimento precário na saúde onde pobres padecem nos corredores da morte dos hospitais. Do outro um país cujas previsões de economistas e agências de avaliações o colocam como candidato a ser a 6ª maior potencia econômica do planeta.
Pipocam escândalos de corrupção por todos os lados, e os brasileiros já se acostumaram a viver num tiroteio cerrado de roubalheiras e de desrespeito aos seus direitos. Como os que recebem suas benesses por fazerem parte do poder, também nos sentimos satisfeitos com o resto que nos dão.
Aceitamos de bom grado as desigualdades abissais do sistema e até concordamos, humildemente, que sempre foi assim e não há como mudar o que aí está. Dá para dormir com um barulho desses? Oh quanta contradição!
Tem muita gente que entende que as desigualdades e as injustiças sociais estão apenas na cor da pele e aí tudo vira racismo e preconceito quando não se concorda com certas “políticas ditas de reparação” que só fazem dividir e elevar ainda mais as injustiças. Não tiram dos bolsos deles. Fazem média com o chapéu surrado dos outros.
Se o cara é pau-de-arara, ou já foi; tem uma pele menos clara não se pode falar nada contra essa pessoa. Tem que se concordar com tudo que ela diz e faz, senão você será vítima de xingamentos rancorosos e depreciativos .
Agora mesmo o prefeito de Salvador foi taxado de racista só porque vetou um projeto dos vereadores de abrir cotas nos concursos públicos para negros. É proibido pensar o contrário e expressar idéias. Quem sempre foram os conservadores neste país? Pior é que sempre acreditamos na “bondade” deles.
Enquanto isso, quanto ao baixo nível de escolaridade do Brasil que ocupa a 84ª posição no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) todos nós estamos satisfeitos já que não existe indignação.
A maior expressão de indignação e protesto do brasileiro é quando seu time perde. Aí ele berra de raiva, esbraveja e, se for possível, quebra estádios; esmurra os jogadores e mata os árbitros.
De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), nesse ranking o Brasil fica atrás de dez países da América Latina, e na região, abaixo do Chile e da Argentina.
A taxa de escolaridade do nosso país é de apenas 7,2 anos. A de alfabetização de adultos no Brasil é inferior à da Bolívia. A escolarização em universidades fica aquém da do Paraguai. A mortalidade entre adultos supera a de Colômbia e México.
Simplesmente uma vergonha nacional, se bem que a Renda Nacional Bruta per capita de US$10.162 não é tão baixa. O Brasil é um caso para se analisado num divã. Muita coisa está errada nessa nossa gestão política, e isso não é só de agora.
Será que vamos mesmo conseguir ser a 6ª maior potência econômica e entrar no roll dos países mais desenvolvidos mantendo o mesmo nível baixo de escolaridade e cometendo as piores desigualdades e injustiças sociais? E a corrupção e a impunidade desenfreada vão continuar nesse ritmo?
Será um caso raríssimo para estudos psicanalíticos de comportamento. O que nos faz satisfeitos com esta situação é a submissão histórica que nos impuseram desde os tempos coloniais onde sempre imperou um tipo de coronelismo escravizante, espoliando os mais pobres, sem escrúpulos.
Com o tempo foi se perpetuando a mentalidade de que os desmandos de hoje são justificáveis porque há muito tempo e em governos passados eles já existiam e eram praticados. Aí, a corrupção se tornou um ato normal de quem está hoje no poder.
Agora mesmo, o deputado federal pelo PC do B, Daniel Almeida, propôs investigar os convênio irregulares e viciados de propinas das ONGs bandidas do Governo de FHC. Certamente vão achar muitas sujeiras. E aí, as de hoje serão justificáveis?
Ora, as “esquerdas” antes de assumirem o poder não pregavam mudanças e seriedade com a coisa pública? Não eram para dar exemplo? Não deveriam ter investigado há muito tempo e condenado com cadeia os corruptos do passado?
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi incorporou o conselho “casco grosso” de Lula e já disse que nem bala o derruba porque é forte e gordo. Bravatas de sempre! Como ministro não sabia o que vinha acontecendo na sua pasta? Seu criador Leonel Brizola deve a esta altura estar se revirando no túmulo ou no além onde estiver.
A faxina tem que começar por Brasília e não adianta mudar ministro se o sistema corrupto continua. Brasília está amaldiçoada. Todo governo carrega uma ficha suja, a começar pelo governador do Distrito Federal.
Se os brasileiros estão satisfeitos, existem os satisfeitos dos satisfeitos como as centrais sindicais que recebem até dinheiro do Fundo de Amparo ao Trabalhador e se solidarizam com o ministro. Os estudantes da UNE pegaram os R$30 milhões do povo e gastaram em congressos e encontros.
Enquanto isso, nosso povo continua penando nos corredores da morte dos hospitais. Os poderosos vão para o Sírio Libanês. Eles não colocam seus filhos nas escolas públicas. Quem diz isto é visto como maldito e merece ser linchado em praça pública. Oh quanta mentira! Oh quanta hipocrisia!
Pipocam escândalos de corrupção por todos os lados, e os brasileiros já se acostumaram a viver num tiroteio cerrado de roubalheiras e de desrespeito aos seus direitos. Como os que recebem suas benesses por fazerem parte do poder, também nos sentimos satisfeitos com o resto que nos dão.
Aceitamos de bom grado as desigualdades abissais do sistema e até concordamos, humildemente, que sempre foi assim e não há como mudar o que aí está. Dá para dormir com um barulho desses? Oh quanta contradição!
Tem muita gente que entende que as desigualdades e as injustiças sociais estão apenas na cor da pele e aí tudo vira racismo e preconceito quando não se concorda com certas “políticas ditas de reparação” que só fazem dividir e elevar ainda mais as injustiças. Não tiram dos bolsos deles. Fazem média com o chapéu surrado dos outros.
Se o cara é pau-de-arara, ou já foi; tem uma pele menos clara não se pode falar nada contra essa pessoa. Tem que se concordar com tudo que ela diz e faz, senão você será vítima de xingamentos rancorosos e depreciativos .
Agora mesmo o prefeito de Salvador foi taxado de racista só porque vetou um projeto dos vereadores de abrir cotas nos concursos públicos para negros. É proibido pensar o contrário e expressar idéias. Quem sempre foram os conservadores neste país? Pior é que sempre acreditamos na “bondade” deles.
Enquanto isso, quanto ao baixo nível de escolaridade do Brasil que ocupa a 84ª posição no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) todos nós estamos satisfeitos já que não existe indignação.
A maior expressão de indignação e protesto do brasileiro é quando seu time perde. Aí ele berra de raiva, esbraveja e, se for possível, quebra estádios; esmurra os jogadores e mata os árbitros.
De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), nesse ranking o Brasil fica atrás de dez países da América Latina, e na região, abaixo do Chile e da Argentina.
A taxa de escolaridade do nosso país é de apenas 7,2 anos. A de alfabetização de adultos no Brasil é inferior à da Bolívia. A escolarização em universidades fica aquém da do Paraguai. A mortalidade entre adultos supera a de Colômbia e México.
Simplesmente uma vergonha nacional, se bem que a Renda Nacional Bruta per capita de US$10.162 não é tão baixa. O Brasil é um caso para se analisado num divã. Muita coisa está errada nessa nossa gestão política, e isso não é só de agora.
Será que vamos mesmo conseguir ser a 6ª maior potência econômica e entrar no roll dos países mais desenvolvidos mantendo o mesmo nível baixo de escolaridade e cometendo as piores desigualdades e injustiças sociais? E a corrupção e a impunidade desenfreada vão continuar nesse ritmo?
Será um caso raríssimo para estudos psicanalíticos de comportamento. O que nos faz satisfeitos com esta situação é a submissão histórica que nos impuseram desde os tempos coloniais onde sempre imperou um tipo de coronelismo escravizante, espoliando os mais pobres, sem escrúpulos.
Com o tempo foi se perpetuando a mentalidade de que os desmandos de hoje são justificáveis porque há muito tempo e em governos passados eles já existiam e eram praticados. Aí, a corrupção se tornou um ato normal de quem está hoje no poder.
Agora mesmo, o deputado federal pelo PC do B, Daniel Almeida, propôs investigar os convênio irregulares e viciados de propinas das ONGs bandidas do Governo de FHC. Certamente vão achar muitas sujeiras. E aí, as de hoje serão justificáveis?
Ora, as “esquerdas” antes de assumirem o poder não pregavam mudanças e seriedade com a coisa pública? Não eram para dar exemplo? Não deveriam ter investigado há muito tempo e condenado com cadeia os corruptos do passado?
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi incorporou o conselho “casco grosso” de Lula e já disse que nem bala o derruba porque é forte e gordo. Bravatas de sempre! Como ministro não sabia o que vinha acontecendo na sua pasta? Seu criador Leonel Brizola deve a esta altura estar se revirando no túmulo ou no além onde estiver.
A faxina tem que começar por Brasília e não adianta mudar ministro se o sistema corrupto continua. Brasília está amaldiçoada. Todo governo carrega uma ficha suja, a começar pelo governador do Distrito Federal.
Se os brasileiros estão satisfeitos, existem os satisfeitos dos satisfeitos como as centrais sindicais que recebem até dinheiro do Fundo de Amparo ao Trabalhador e se solidarizam com o ministro. Os estudantes da UNE pegaram os R$30 milhões do povo e gastaram em congressos e encontros.
Enquanto isso, nosso povo continua penando nos corredores da morte dos hospitais. Os poderosos vão para o Sírio Libanês. Eles não colocam seus filhos nas escolas públicas. Quem diz isto é visto como maldito e merece ser linchado em praça pública. Oh quanta mentira! Oh quanta hipocrisia!
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
VENDENDO ILUSÕES
Só porque temos uma casa, um carro e um emprego achamos que somos felizes e livres. Consideramos o bastante para justificar e dar sentido, às vezes, à nossa existência. Preferimos nos enganar. Os corruptos rifam nosso dinheiro, mas vão pagar no fogo do Inferno de Dante. Vendem ilusões para os eleitores, ensinando uma falsa lição.
O capitalismo nos enche de ilusões nas vitrines dos shoppings nos empurrando ao consumismo em nome de uma igualdade que não existe. Mesmo assim, fazemos das “tripas coração” para não ficarmos de fora da festa, acreditando nos apelos das propagandas. O Natal está chegando e já começou a temporada do “limpa nome” nas lojas para sujar logo depois. Botam em nossas cabeças de que comprar é preciso.
Desde menino que escuto que o Brasil é um país do futuro e continua assim nos empanturrando de números estatísticos que nos fazem crer que somos uma potência, mesmo convivendo com as calamidades da saúde, da educação e da pobreza, sem falar na violência do dia-a-dia. Berramos nas torcidas pelo nosso time de futebol, mas silenciamos diante das mazelas e das falcatruas.
Venderam-nos a ilusão de que Salvador iria sediar a abertura da Copa de 2014 e jogos da seleção. Dizem-nos agora que vamos ter um time cabeça-de-chave. Em Conquista propalam que a cidade vai ser subsede e tem gente até achando que vai ter jogos no “Lomantão”. Mesmo que receba uma seleção da África ou da Ásia, o que vamos ganhar com isso?
Depois de tanto jurar mudanças na política e na condução do país, o PT perdeu a virgindade e se misturou aos farelos em troca de um poder. Todos partidos falam em nome do social e pregam o ser humano em primeiro lugar, só que seus donos não abrem mão de seus privilégios e tudo fazem para não renovar a forma arcaica e atrasada de fazer política.
O Governo faz uma faxina superficial das sujeiras, apenas trocando nomes, deixando o feudo nas mãos das alianças, e ainda acreditamos que a presidente está acabando com os “malfeitos”. Continuam nos vendendo ilusões como na interiorização da cultura e no tombamento de obras e expressões artísticas populares. Acreditamos que temos uma política cultural.
As faculdades particulares abrem um monte de cursos de graduação e pós-graduação sem qualificação, incutindo nos jovens um futuro melhor no mercado de trabalho. Só depois caem na real que foram iludidos com o conto do diploma. A sociedade continua desprotegida e não sabemos para quem apelar. As operadoras telefônicas e outras de prestação de serviços públicos nos deixam como babacas esperando no outro lado da linha.
Contam uma mentira de que as ONGs (Organizações Não Governamentais) não têm fins lucrativos. Estão mais para Organizações Nutridas pelos Governos. Dá para acreditar? Muitas delas são verdadeiras arapucas para pegar dinheiro fácil dos convênios. Alimentam-se das tetas do Governo. Fizeram-nos também acreditar nelas.
O Estado faz campanhas de prevenção à saúde como agora está planejando contra o câncer de laringe descoberto no ex-presidente Lula. Aí, iludido o paciente vai ao posto de saúde, só que não encontra vaga para uma consulta, e quando consegue é para seis meses depois ou um ano. Assim acontece com outras campanhas contra o câncer de próstata e doenças coronárias.
Aliás, somos enganados o tempo todo e em tantas coisas que nem nos incomodamos mais com isso. Parece que gostamos de ser enganados. Os mercadores de ilusões estão nos estatutos, nos códigos, nas leis e em outras normas e regras que inventam aos montes para nos dizer que está tudo bem.
Agora querem outra vez nos ensinar que aumentar o número de vereadores nas câmaras nos vai fazer bem para a “representação popular”. Que não vão aumentar os gastos e que vão ficar bem comportadinhos em suas cadeiras como meninos obedientes. Viciaram em nos vender ilusões.
O capitalismo nos enche de ilusões nas vitrines dos shoppings nos empurrando ao consumismo em nome de uma igualdade que não existe. Mesmo assim, fazemos das “tripas coração” para não ficarmos de fora da festa, acreditando nos apelos das propagandas. O Natal está chegando e já começou a temporada do “limpa nome” nas lojas para sujar logo depois. Botam em nossas cabeças de que comprar é preciso.
Desde menino que escuto que o Brasil é um país do futuro e continua assim nos empanturrando de números estatísticos que nos fazem crer que somos uma potência, mesmo convivendo com as calamidades da saúde, da educação e da pobreza, sem falar na violência do dia-a-dia. Berramos nas torcidas pelo nosso time de futebol, mas silenciamos diante das mazelas e das falcatruas.
Venderam-nos a ilusão de que Salvador iria sediar a abertura da Copa de 2014 e jogos da seleção. Dizem-nos agora que vamos ter um time cabeça-de-chave. Em Conquista propalam que a cidade vai ser subsede e tem gente até achando que vai ter jogos no “Lomantão”. Mesmo que receba uma seleção da África ou da Ásia, o que vamos ganhar com isso?
Depois de tanto jurar mudanças na política e na condução do país, o PT perdeu a virgindade e se misturou aos farelos em troca de um poder. Todos partidos falam em nome do social e pregam o ser humano em primeiro lugar, só que seus donos não abrem mão de seus privilégios e tudo fazem para não renovar a forma arcaica e atrasada de fazer política.
O Governo faz uma faxina superficial das sujeiras, apenas trocando nomes, deixando o feudo nas mãos das alianças, e ainda acreditamos que a presidente está acabando com os “malfeitos”. Continuam nos vendendo ilusões como na interiorização da cultura e no tombamento de obras e expressões artísticas populares. Acreditamos que temos uma política cultural.
As faculdades particulares abrem um monte de cursos de graduação e pós-graduação sem qualificação, incutindo nos jovens um futuro melhor no mercado de trabalho. Só depois caem na real que foram iludidos com o conto do diploma. A sociedade continua desprotegida e não sabemos para quem apelar. As operadoras telefônicas e outras de prestação de serviços públicos nos deixam como babacas esperando no outro lado da linha.
Contam uma mentira de que as ONGs (Organizações Não Governamentais) não têm fins lucrativos. Estão mais para Organizações Nutridas pelos Governos. Dá para acreditar? Muitas delas são verdadeiras arapucas para pegar dinheiro fácil dos convênios. Alimentam-se das tetas do Governo. Fizeram-nos também acreditar nelas.
O Estado faz campanhas de prevenção à saúde como agora está planejando contra o câncer de laringe descoberto no ex-presidente Lula. Aí, iludido o paciente vai ao posto de saúde, só que não encontra vaga para uma consulta, e quando consegue é para seis meses depois ou um ano. Assim acontece com outras campanhas contra o câncer de próstata e doenças coronárias.
Aliás, somos enganados o tempo todo e em tantas coisas que nem nos incomodamos mais com isso. Parece que gostamos de ser enganados. Os mercadores de ilusões estão nos estatutos, nos códigos, nas leis e em outras normas e regras que inventam aos montes para nos dizer que está tudo bem.
Agora querem outra vez nos ensinar que aumentar o número de vereadores nas câmaras nos vai fazer bem para a “representação popular”. Que não vão aumentar os gastos e que vão ficar bem comportadinhos em suas cadeiras como meninos obedientes. Viciaram em nos vender ilusões.
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
NOSSO ESPAÇO CULTURAL
O gancho do assunto era outro, mas resolvi mudar depois de mais uma semana de cantorias, cantatas e discussões com amigos e amigas no meu simples e modesto “cafofo”, ou aliás, Nosso Espaço Cultural divertido e instrutivo, na rua “G”, 296, do Jardim Guanabara, ou bairro Felícia, como queiram.
Não queria falar sobre estes encontros sabáticos, pelo menos por enquanto, mas estou sendo forçado em razão da dimensão que estas “reuniões” informais tomaram, com amadurecimento contínuo de idéias brotadas das cabeças iluminadas dos frequentadores da noite. A coisa ficou séria.
Portanto, peço permissão e licença dos companheiros e companheiras para adiantar algumas considerações sobre o Nosso Espaço Cultural, e digo, nosso porque não mais me pertence o pequeno acervo que nos acolhe todos os finais de semana, com livros e obras de grandes autores, objetos artesanais, coleções de vinis, filmes em DVDs, fotografias, chapéus e outras quinquilharias populares.
A idéia nasceu do “Vinho e Vinil” que há dois anos vem sendo realizado com o propósito de resgatar a boa música dos discos chamados de “bolachões” dos anos 60 e 70, e de um bom “bate-papo” regado ao vinho. No primeiro estiveram José Carlos, Genivan, o cantor e compositor Mano di Souza, José Silva, José Carlos D´Almeida (sempre presentes) e outros convidados.
No segundo “Vinho e Vinil” (julho deste ano), o amigo Mano Di Souza arrastou seus filhos e esposa, acompanhados da cantora Marta Moreno quando fizemos uma noite musical com total espontaneidade que agradou a todos. Convidamos mais intelectuais e artistas, mas devido as obrigações pessoais não puderam comparecer. Mais uma vez as presenças dos fotógrafos José Silva e D´Almeida.
A partir de julho os encontros continuaram nos finais de semana, mesmo sendo, às vezes, a dois, como ocorreram entre eu e D´Almeida. O mais importante é que a intenção de criar um Espaço Cultural não morreu. Persistimos chamando as pessoas a comparecerem.
Aí apareceu o Augusto Queiroz, assessor de Comunicação da Embasa e nova personalidade da cidade que se integrou ao pequeno grupo para dar uma força, e que força. Juntou-se à irmandade o cantor, compositor e ambientalista André Cairo, para solar na sua viola belas músicas derramadas de poesias e protestos.
Para encantar mais ainda as noites temperadas de muitas conversas e ricas de informações, estiveram sempre presentes as amigas Nadir e Camila com seus sorrisos de meninas. Mais inspiração e mais sugestões se afloraram, sempre caminhando para consolidar o Nosso Espaço Cultural, num plano normal como as coisas devem ser feitas democraticamente.
Recebemos também a visita, mais uma vez ilustre, do companheiro Genivan, acompanhado de sua esposa. Debatemos muitos assuntos, especialmente a forma de concretização de mais um Espaço Cultural em Conquista, voltado para a comunidade e às pessoas interessadas em cultivar o conhecimento.
No último sábado (dia 22) tivemos a honra de receber o menestrel compositor, cantor e pintor, Roberto Bach (pode ser Mozart) que nos privilegiou com um som que os ouvidos adoram escutar. Irreverente com suas tiradas e espírito crítico, Roberto somou-se ao grupo a convite de Nadir e Augusto. Só tenho que agradecer a todos.
Não foi só isso, além da presença marcante de Camila, com as honras da casa pela minha querida Vandilza, o encontro cultural também contou com a voz e o som de Mano de Souza “doidão”. Foi mais uma noite memorável. Cada um traz seu vinho (pode ser outra bebida) e colabora no tira-gosto, que não pode faltar.
Vamos deixar de papo e tratar do que mais interessa que é a criação do Nosso Espaço Cultural que, como disse antes, não pertence só a mim. O projeto ainda está embrionário, mas vai prevalecer a vontade democrática do grupo para que se torne realidade.
Para tanto, convidamos mais gente para se juntar a essa empreitada cultural, inclusive com o apoio imprescindível de órgãos públicos e entidades do segmento. Um alô ao nosso amigo Miguel Felício e demais.
Não dá mais para voltar atrás. Agora somos todos responsáveis. O objetivo é unir num só espaço a expressão de várias linguagens artísticas, da cultura acadêmica à popular, principalmente.
Não queria falar sobre estes encontros sabáticos, pelo menos por enquanto, mas estou sendo forçado em razão da dimensão que estas “reuniões” informais tomaram, com amadurecimento contínuo de idéias brotadas das cabeças iluminadas dos frequentadores da noite. A coisa ficou séria.
Portanto, peço permissão e licença dos companheiros e companheiras para adiantar algumas considerações sobre o Nosso Espaço Cultural, e digo, nosso porque não mais me pertence o pequeno acervo que nos acolhe todos os finais de semana, com livros e obras de grandes autores, objetos artesanais, coleções de vinis, filmes em DVDs, fotografias, chapéus e outras quinquilharias populares.
A idéia nasceu do “Vinho e Vinil” que há dois anos vem sendo realizado com o propósito de resgatar a boa música dos discos chamados de “bolachões” dos anos 60 e 70, e de um bom “bate-papo” regado ao vinho. No primeiro estiveram José Carlos, Genivan, o cantor e compositor Mano di Souza, José Silva, José Carlos D´Almeida (sempre presentes) e outros convidados.
No segundo “Vinho e Vinil” (julho deste ano), o amigo Mano Di Souza arrastou seus filhos e esposa, acompanhados da cantora Marta Moreno quando fizemos uma noite musical com total espontaneidade que agradou a todos. Convidamos mais intelectuais e artistas, mas devido as obrigações pessoais não puderam comparecer. Mais uma vez as presenças dos fotógrafos José Silva e D´Almeida.
A partir de julho os encontros continuaram nos finais de semana, mesmo sendo, às vezes, a dois, como ocorreram entre eu e D´Almeida. O mais importante é que a intenção de criar um Espaço Cultural não morreu. Persistimos chamando as pessoas a comparecerem.
Aí apareceu o Augusto Queiroz, assessor de Comunicação da Embasa e nova personalidade da cidade que se integrou ao pequeno grupo para dar uma força, e que força. Juntou-se à irmandade o cantor, compositor e ambientalista André Cairo, para solar na sua viola belas músicas derramadas de poesias e protestos.
Para encantar mais ainda as noites temperadas de muitas conversas e ricas de informações, estiveram sempre presentes as amigas Nadir e Camila com seus sorrisos de meninas. Mais inspiração e mais sugestões se afloraram, sempre caminhando para consolidar o Nosso Espaço Cultural, num plano normal como as coisas devem ser feitas democraticamente.
Recebemos também a visita, mais uma vez ilustre, do companheiro Genivan, acompanhado de sua esposa. Debatemos muitos assuntos, especialmente a forma de concretização de mais um Espaço Cultural em Conquista, voltado para a comunidade e às pessoas interessadas em cultivar o conhecimento.
No último sábado (dia 22) tivemos a honra de receber o menestrel compositor, cantor e pintor, Roberto Bach (pode ser Mozart) que nos privilegiou com um som que os ouvidos adoram escutar. Irreverente com suas tiradas e espírito crítico, Roberto somou-se ao grupo a convite de Nadir e Augusto. Só tenho que agradecer a todos.
Não foi só isso, além da presença marcante de Camila, com as honras da casa pela minha querida Vandilza, o encontro cultural também contou com a voz e o som de Mano de Souza “doidão”. Foi mais uma noite memorável. Cada um traz seu vinho (pode ser outra bebida) e colabora no tira-gosto, que não pode faltar.
Vamos deixar de papo e tratar do que mais interessa que é a criação do Nosso Espaço Cultural que, como disse antes, não pertence só a mim. O projeto ainda está embrionário, mas vai prevalecer a vontade democrática do grupo para que se torne realidade.
Para tanto, convidamos mais gente para se juntar a essa empreitada cultural, inclusive com o apoio imprescindível de órgãos públicos e entidades do segmento. Um alô ao nosso amigo Miguel Felício e demais.
Não dá mais para voltar atrás. Agora somos todos responsáveis. O objetivo é unir num só espaço a expressão de várias linguagens artísticas, da cultura acadêmica à popular, principalmente.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
BANDIDA SAFADA!
Com os movimentos começando a mostrar a cara (ainda que de forma tímida) em várias capitais do país contra a corrupção no governo, no legislativo e no judiciário, os mesmo que querem que permaneça a roubalheira estão dizendo que são grupos de mauricinhos e patricinhas, coisa da elite.
Que seja, e que venham também os esmolambados, esfarrapados, descamisados, os riquinhos e as riquinhas, os heteros e os homos, os negros e brancos, intelectuais e artistas de todas as linguagens porque a bandida da corrupção está em todo lugar e não tem vergonha de entrar em surrupiar nosso dinheiro.
A indignação não deve ter cor nem classe. As centrais sindicais deveriam sim se envergonhar. Preferem ficar de fora e dar as costas ao povo. A UNE (União Nacional dos Estudantes) também não se engajou nas manifestações como fez historicamente na década de 60 em defesa da democracia e de uma boa educação. São as bandidas cooptadas.
Apareceu um “articulista” por aí querendo se aparecer, dizendo que a corrupção e os supersalários dos deputados e senadores são coisas secundárias. O mais grave, na sua concepção, são os altos juros cobrados pelos banqueiros, verdadeiros espoliadores da nação.
É uma brincadeira! Eles também estão no rol dos corruptos, como os empreiteiros que fazem “doações” para os políticos para depois receberem o triplo em troca, na base dos superfaturamentos, sem contar as comissões pagas para terceiros.
Devemos lutar contra toda essa cambada de “malfeitores” que praticam assaltos à luz dia. O número de deputados e vereadores (querem aumentar mais ainda) com seus supersalários é outra afronta num país com baixos índices na qualidade da educação e da saúde, sem contar a grande dívida social.
Não me venham com essa de querer dizer que as críticas contra a corrupção nos ministérios e entre os políticos são coisas de uma “mídia golpista e mafiosa”. Dá para entender que a mídia tem seus defeitos e interesses, e não é nada independente e isenta. No entanto, a corrupção está aí escancarada para todo mundo ver. Ir contra é um dever.
Aliás, a bandida está presente em todo lugar, não somente entre os políticos e governantes. A bandida contaminou as ONGs que recebem um “montão” de dinheiro dos governos e embolsam a grana, sem nada fazer em benefício do povo. Está nas filas e nas ruas quando alguém procura atravessar os outros para levar vantagem em tudo.
A bandida é tão safada que foi dar plantão no judiciário, vendendo sentenças. Está nas repartições públicas recebendo propinas. Está no trânsito apagando multas dos motoristas, invadindo sinais e dando “roubadinhas”. Está nas salas de aula quando professores fazem de conta que ensinam. Está nos alunos que copiam trabalhos na Internet.
A bandida não dá trégua, nem tira férias. Contaminou tanto que virou uma espécie de cultura brasileira e esconjura quem não seguir seu rastro, ou não estiver ao seu lado. A bandida jogou a honestidade na vala comum entre os renegados e marginalizados.
É preciso, pois, um bom combate com mais e mais gente nas ruas e praças para enfrentar a bandida que virou uma fera indomável e insaciável. Virou uma vampira que se habituou com a luz do dia. Ela nem liga mais e faz questão de que a chamem de bandida, ou de bandido, como queiram.
Por falar nisso, o ministro dos Esportes, Orlando Silva, do PC do B (quem diria!) foi chamado de bandido que também chamou o outro de bandido. Que bandalheira! Que vergonha! O ministro ofendido nem ao menos disse que processaria seu desafeto por calúnia. A ratazana continua roendo a roupa de Roma. Batem boca, mas depois se reconciliam.
Que seja, e que venham também os esmolambados, esfarrapados, descamisados, os riquinhos e as riquinhas, os heteros e os homos, os negros e brancos, intelectuais e artistas de todas as linguagens porque a bandida da corrupção está em todo lugar e não tem vergonha de entrar em surrupiar nosso dinheiro.
A indignação não deve ter cor nem classe. As centrais sindicais deveriam sim se envergonhar. Preferem ficar de fora e dar as costas ao povo. A UNE (União Nacional dos Estudantes) também não se engajou nas manifestações como fez historicamente na década de 60 em defesa da democracia e de uma boa educação. São as bandidas cooptadas.
Apareceu um “articulista” por aí querendo se aparecer, dizendo que a corrupção e os supersalários dos deputados e senadores são coisas secundárias. O mais grave, na sua concepção, são os altos juros cobrados pelos banqueiros, verdadeiros espoliadores da nação.
É uma brincadeira! Eles também estão no rol dos corruptos, como os empreiteiros que fazem “doações” para os políticos para depois receberem o triplo em troca, na base dos superfaturamentos, sem contar as comissões pagas para terceiros.
Devemos lutar contra toda essa cambada de “malfeitores” que praticam assaltos à luz dia. O número de deputados e vereadores (querem aumentar mais ainda) com seus supersalários é outra afronta num país com baixos índices na qualidade da educação e da saúde, sem contar a grande dívida social.
Não me venham com essa de querer dizer que as críticas contra a corrupção nos ministérios e entre os políticos são coisas de uma “mídia golpista e mafiosa”. Dá para entender que a mídia tem seus defeitos e interesses, e não é nada independente e isenta. No entanto, a corrupção está aí escancarada para todo mundo ver. Ir contra é um dever.
Aliás, a bandida está presente em todo lugar, não somente entre os políticos e governantes. A bandida contaminou as ONGs que recebem um “montão” de dinheiro dos governos e embolsam a grana, sem nada fazer em benefício do povo. Está nas filas e nas ruas quando alguém procura atravessar os outros para levar vantagem em tudo.
A bandida é tão safada que foi dar plantão no judiciário, vendendo sentenças. Está nas repartições públicas recebendo propinas. Está no trânsito apagando multas dos motoristas, invadindo sinais e dando “roubadinhas”. Está nas salas de aula quando professores fazem de conta que ensinam. Está nos alunos que copiam trabalhos na Internet.
A bandida não dá trégua, nem tira férias. Contaminou tanto que virou uma espécie de cultura brasileira e esconjura quem não seguir seu rastro, ou não estiver ao seu lado. A bandida jogou a honestidade na vala comum entre os renegados e marginalizados.
É preciso, pois, um bom combate com mais e mais gente nas ruas e praças para enfrentar a bandida que virou uma fera indomável e insaciável. Virou uma vampira que se habituou com a luz do dia. Ela nem liga mais e faz questão de que a chamem de bandida, ou de bandido, como queiram.
Por falar nisso, o ministro dos Esportes, Orlando Silva, do PC do B (quem diria!) foi chamado de bandido que também chamou o outro de bandido. Que bandalheira! Que vergonha! O ministro ofendido nem ao menos disse que processaria seu desafeto por calúnia. A ratazana continua roendo a roupa de Roma. Batem boca, mas depois se reconciliam.
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
"PÃO REQUENTADO"
Alguém me passou uma gripe braba, daquelas do tipo “Sarney”, ou “faxina dos malfeitos”. Para não ficar mais irritado e emburrado, não vou falar de corrupção, mas alguma coisa ali e acolá, só para variar.
Para começar, podemos refletir sobre o “pão requentado” das notícias das emissoras de televisão. A nossa mídia tradicional, anterior ao surgimento da internet, acompanhou, de certa forma, a evolução tecnológica virtual, mas estacionou no conteúdo e na qualidade.
Uma rede passou quase uma semana “requentando” a notícia de um senhor do interior que teve sua casa arrombada por um ladrão que levou todos seus móveis. Depois de um apelo emocional numa rádio, o ladrão devolveu seus objetos.
Outras redes de televisão não se cansam de “apelar”, mostrando corpos despedaçados no asfalto, ou violando os direitos civis ao passar imagens de casos da fraqueza humana, explorando, sem postura, o sentimento alheio.
As novelas, por sua vez, deseducam colocando crianças com roupas sensuais e se rebolando, incentivando o sexo precoce. Numa delas, uma atriz faz o papel de uma funkeira que faz pouco caso dos estudos.
É ou não é um mau exemplo para os jovens em idade escolar? Mas, muita gente por aí vai achar que esteja sendo conservador. Numa cena, colocam um celular no ouvido de uma criança recém nascida para ouvir a mãe que está distante. O povo continua sendo tratado como gado.
Mudando de assunto, só para variar, O PT que um dia criticou a instalação da Ford no Rio Grande do Sul e sua vinda para a Bahia, agora está a bajular a JAC Motors para montar sua fábrica automobilística em Camaçari, dando inúmeros incentivos tributários que deveriam ser arrecadados em benefício da nossa sofrida educação e saúde.
Tudo por um punhado de empregos e uma “tonelada” de votos. Tome mais carros nas ruas e estradas sem estruturas para receber mais veículos que só fazem poluir e poluir. Destruíram nossas ferrovias para abrir rodovias, para agradar as multinacionais estrangeiras. O sistema é bruto.
O modelo capitalista continua o mesmo velho e retrógrado, arruinando a qualidade de vida das populações, quando deveríamos pensar no desconstruir para melhorar o ambiente e tornar o mundo mais humano e saudável. E é JAC pra lá, e JAC pra cá.
Sem essa, meus amigos, de que a Constituição em vigor é cidadã. Ela virou sim, uma sesmaria corporativista e remendada por todos os lados. Os partidos se tornaram ajuntamento de interesses.
Veja agora o PSD que tem seu DNA na antiga UDN (União Democrática Nacional), conspiradora de Carlos Lacerda, e na ARENA (Aliança Renovadora Nacional) dos tempos da ditadura. Tem ainda a genética do DEM e do PFL de ACM (Antônio Carlos Magalhães).
O “novo” PSD só fez trocar o “S” do final e colocá-lo no meio da sigla. É mais um saco de gatos para arrebanhar votos, com vista a ter mais um assento no banquete do poder. Definitivamente, política no Brasil é não ter vergonha, não ter ética.
Para finalizar (não estou aguentando mais), odeio ir às compras, como o simples entrar numa loja para adquirir uma camisa, ou um sapato. O consumismo tornou a vida mais fútil e banal. Estou com os manifestantes de Nova Iorque que gritam contra esse perverso capitalismo escravizante de modelo neoliberal.
Como a linguagem está se “evoluindo” na internet, logo, logo vamos escrever sem usar o alfabeto. Tudo vai ser na base dos símbolos e das figuras. Muita gente já não sabe mais escrever com lápis e caneta no papel.
Pessoas pobres são aquelas que se apegam ao fútil e se empanturram de banalidades. “Vamos embora que esperar é não saber...” como dizia a canção do poeta.
Para começar, podemos refletir sobre o “pão requentado” das notícias das emissoras de televisão. A nossa mídia tradicional, anterior ao surgimento da internet, acompanhou, de certa forma, a evolução tecnológica virtual, mas estacionou no conteúdo e na qualidade.
Uma rede passou quase uma semana “requentando” a notícia de um senhor do interior que teve sua casa arrombada por um ladrão que levou todos seus móveis. Depois de um apelo emocional numa rádio, o ladrão devolveu seus objetos.
Outras redes de televisão não se cansam de “apelar”, mostrando corpos despedaçados no asfalto, ou violando os direitos civis ao passar imagens de casos da fraqueza humana, explorando, sem postura, o sentimento alheio.
As novelas, por sua vez, deseducam colocando crianças com roupas sensuais e se rebolando, incentivando o sexo precoce. Numa delas, uma atriz faz o papel de uma funkeira que faz pouco caso dos estudos.
É ou não é um mau exemplo para os jovens em idade escolar? Mas, muita gente por aí vai achar que esteja sendo conservador. Numa cena, colocam um celular no ouvido de uma criança recém nascida para ouvir a mãe que está distante. O povo continua sendo tratado como gado.
Mudando de assunto, só para variar, O PT que um dia criticou a instalação da Ford no Rio Grande do Sul e sua vinda para a Bahia, agora está a bajular a JAC Motors para montar sua fábrica automobilística em Camaçari, dando inúmeros incentivos tributários que deveriam ser arrecadados em benefício da nossa sofrida educação e saúde.
Tudo por um punhado de empregos e uma “tonelada” de votos. Tome mais carros nas ruas e estradas sem estruturas para receber mais veículos que só fazem poluir e poluir. Destruíram nossas ferrovias para abrir rodovias, para agradar as multinacionais estrangeiras. O sistema é bruto.
O modelo capitalista continua o mesmo velho e retrógrado, arruinando a qualidade de vida das populações, quando deveríamos pensar no desconstruir para melhorar o ambiente e tornar o mundo mais humano e saudável. E é JAC pra lá, e JAC pra cá.
Sem essa, meus amigos, de que a Constituição em vigor é cidadã. Ela virou sim, uma sesmaria corporativista e remendada por todos os lados. Os partidos se tornaram ajuntamento de interesses.
Veja agora o PSD que tem seu DNA na antiga UDN (União Democrática Nacional), conspiradora de Carlos Lacerda, e na ARENA (Aliança Renovadora Nacional) dos tempos da ditadura. Tem ainda a genética do DEM e do PFL de ACM (Antônio Carlos Magalhães).
O “novo” PSD só fez trocar o “S” do final e colocá-lo no meio da sigla. É mais um saco de gatos para arrebanhar votos, com vista a ter mais um assento no banquete do poder. Definitivamente, política no Brasil é não ter vergonha, não ter ética.
Para finalizar (não estou aguentando mais), odeio ir às compras, como o simples entrar numa loja para adquirir uma camisa, ou um sapato. O consumismo tornou a vida mais fútil e banal. Estou com os manifestantes de Nova Iorque que gritam contra esse perverso capitalismo escravizante de modelo neoliberal.
Como a linguagem está se “evoluindo” na internet, logo, logo vamos escrever sem usar o alfabeto. Tudo vai ser na base dos símbolos e das figuras. Muita gente já não sabe mais escrever com lápis e caneta no papel.
Pessoas pobres são aquelas que se apegam ao fútil e se empanturram de banalidades. “Vamos embora que esperar é não saber...” como dizia a canção do poeta.
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
SER MULHER NÃO É TUDO
Mesmo os brasileiros sendo acomodados, passivos e sofredores, é difícil deixar de “berrar” contra os corruptos malfeitores, agora tratados por dona Dilma de “malfeitos”, para não ferir seus aliados e comprometer a “governabilidade”.
Nos últimos tempos, fala-se muito sobre a “necessidade” da mulher assumir o poder e ter cargos de comandos no país. A questão não é ser mulher ou homem, negro ou branco. O primordial que se deve levar em conta é se a pessoa tem caráter e ética. Estas duas coisas e mais a seriedade com a coisa pública não têm distinção de sexo e cor. Está na formação de cada pessoa.
Considero provinciana e medíocre essa discussão de que temos que eleger uma mulher ou colocar ela lá no cargo porque ainda predomina o sexo masculino. O que temos que analisar é se a pessoa tem competência e está preparada moralmente para nos representar. Vamos indicar uma mulher só porque ela é mulher e precisa de mais espaço? Não contam os atributos e qualificações? O que precisamos é de gente honesta.
Assim como os homens, temos mulheres prefeitas e deputadas cometendo desmandos, desvios e atos de corrupção, aliás, “malfeitos” como taxou nossa presidente. Por falar nisso, não estou aqui me referindo, especificamente, sobre a presidente, mas de uma maneira geral dentro do conceito que se gerou ultimamente.
O problema maior está no sistema político montado onde foram se criando as brechas para a corrupção em todos os níveis, principalmente o eleitoral e a forma de governar e legislar. A partir daí, todos os outros setores foram sendo contaminados, como o judiciário onde tem mesmo “bandidos de toga”.
Foi uma mulher que falou isso, mas podia também ter sido o homem. Que diferença faz. Quando parte de uma mulher se enaltece mais. Isso já não constitui num grande preconceito? Nós brasileiros ainda estamos numa discussão colonialista, vazia e retrógrada quando temos problemas mais graves para discutir e resolver.
Ainda consideramos o negro e o índio como “coitadinhos”, e a mulher como sexo frágil que precisa ser amparada. Não se pode colocar alguém lá de qualquer jeito no poder. O que precisa haver é uma seleção de qualidades, não importando o sexo.
O que temos que cobrar e protestar é que o povo pare de ser humilhado pelos detentores do poder que não estão nem aí para os direitos humanos. Há muito tempo somos humilhados nas filas dos hospitais, nos bancos, nos fóruns, nas repartições públicas em geral, nas marcações de exames de saúde e nos cadastramentos das esmolas do Bolsa Família.
Somos humilhados com uma educação de péssima qualidade, e humilhados pelos políticos que roubam e os governantes que preferem ouvir os empresários e banqueiros aos trabalhadores.
Somos humilhados pelas câmaras municipais que decidem aumentar o número de vereadores e ainda nos engabelam dizendo que vamos ter mais representatividade. Somos humilhados pelos parlamentares que absolvem uma deputada que foi flagrada recebendo propina.
Somos humilhados quando duas empresas estatais da Bahia patrocinam, com o dinheiro do povo, o show musical do arrogante músico João Gilberto, apresentado só para ricos. Somos humilhados pelo “mensalão” e pelo Caixa 2 de Lula.
Somos humilhados por um governo no qual demos o voto de confiança de que iria haver mudança de comportamento para que o povo não mais fosse humilhado. “Fazer o quê? – Respondeu um senhor já idoso numa longa fila de espera numa dessas lotéricas da cidade, quando abordei o descaso dos políticos e governantes para com os sofridos brasileiros.
É uma resposta de quem não tem mais esperança. É a cara do Brasil que desistiu de lutar. É o Brasil acomodado e sem perspectivas de melhora. O brasileiro apenas sobrevive debaixo da humilhação.
Somos humilhados todos os dias por essa corja de impostores, gazeteiros e vigaristas que prometem e depois se aliam ao bruto e estúpido sistema que só faz esmagar.
E por sermos humilhados todos os dias, muitos terminam seguindo as pegadas dos inescrupulosos e procuram levar vantagem em tudo, humilhando os humilhados para levar a melhor. Vemos muito isso no cotidiano da vida quando um “espertinho” fura uma fila, ou usa um “idoso amigo” para pagar suas contas. São inúmeros os exemplos de safadezas.
Aprendemos tanto com os malfeitores e corruptos que fazemos o mesmo, passando por cima dos nossos semelhantes que já vivem humilhados. Temos questões mais graves para discutirmos do que essa de mulher ou homem no poder. Outra coisa errada é a concepção de que roubar pouco não é problema. Está na cultura de que os trambiques podem ser feitos. Todos querem um naco do oportunismo.
Ser ou não ser mulher, ser ou não ser homem, não importa. O que importa mesmo é se a pessoa vai ter consciência política de defender os humilhados brasileiros e trabalhar com ética, condenando o corporativismo e se rebelando contra esse perverso sistema.
Nos últimos tempos, fala-se muito sobre a “necessidade” da mulher assumir o poder e ter cargos de comandos no país. A questão não é ser mulher ou homem, negro ou branco. O primordial que se deve levar em conta é se a pessoa tem caráter e ética. Estas duas coisas e mais a seriedade com a coisa pública não têm distinção de sexo e cor. Está na formação de cada pessoa.
Considero provinciana e medíocre essa discussão de que temos que eleger uma mulher ou colocar ela lá no cargo porque ainda predomina o sexo masculino. O que temos que analisar é se a pessoa tem competência e está preparada moralmente para nos representar. Vamos indicar uma mulher só porque ela é mulher e precisa de mais espaço? Não contam os atributos e qualificações? O que precisamos é de gente honesta.
Assim como os homens, temos mulheres prefeitas e deputadas cometendo desmandos, desvios e atos de corrupção, aliás, “malfeitos” como taxou nossa presidente. Por falar nisso, não estou aqui me referindo, especificamente, sobre a presidente, mas de uma maneira geral dentro do conceito que se gerou ultimamente.
O problema maior está no sistema político montado onde foram se criando as brechas para a corrupção em todos os níveis, principalmente o eleitoral e a forma de governar e legislar. A partir daí, todos os outros setores foram sendo contaminados, como o judiciário onde tem mesmo “bandidos de toga”.
Foi uma mulher que falou isso, mas podia também ter sido o homem. Que diferença faz. Quando parte de uma mulher se enaltece mais. Isso já não constitui num grande preconceito? Nós brasileiros ainda estamos numa discussão colonialista, vazia e retrógrada quando temos problemas mais graves para discutir e resolver.
Ainda consideramos o negro e o índio como “coitadinhos”, e a mulher como sexo frágil que precisa ser amparada. Não se pode colocar alguém lá de qualquer jeito no poder. O que precisa haver é uma seleção de qualidades, não importando o sexo.
O que temos que cobrar e protestar é que o povo pare de ser humilhado pelos detentores do poder que não estão nem aí para os direitos humanos. Há muito tempo somos humilhados nas filas dos hospitais, nos bancos, nos fóruns, nas repartições públicas em geral, nas marcações de exames de saúde e nos cadastramentos das esmolas do Bolsa Família.
Somos humilhados com uma educação de péssima qualidade, e humilhados pelos políticos que roubam e os governantes que preferem ouvir os empresários e banqueiros aos trabalhadores.
Somos humilhados pelas câmaras municipais que decidem aumentar o número de vereadores e ainda nos engabelam dizendo que vamos ter mais representatividade. Somos humilhados pelos parlamentares que absolvem uma deputada que foi flagrada recebendo propina.
Somos humilhados quando duas empresas estatais da Bahia patrocinam, com o dinheiro do povo, o show musical do arrogante músico João Gilberto, apresentado só para ricos. Somos humilhados pelo “mensalão” e pelo Caixa 2 de Lula.
Somos humilhados por um governo no qual demos o voto de confiança de que iria haver mudança de comportamento para que o povo não mais fosse humilhado. “Fazer o quê? – Respondeu um senhor já idoso numa longa fila de espera numa dessas lotéricas da cidade, quando abordei o descaso dos políticos e governantes para com os sofridos brasileiros.
É uma resposta de quem não tem mais esperança. É a cara do Brasil que desistiu de lutar. É o Brasil acomodado e sem perspectivas de melhora. O brasileiro apenas sobrevive debaixo da humilhação.
Somos humilhados todos os dias por essa corja de impostores, gazeteiros e vigaristas que prometem e depois se aliam ao bruto e estúpido sistema que só faz esmagar.
E por sermos humilhados todos os dias, muitos terminam seguindo as pegadas dos inescrupulosos e procuram levar vantagem em tudo, humilhando os humilhados para levar a melhor. Vemos muito isso no cotidiano da vida quando um “espertinho” fura uma fila, ou usa um “idoso amigo” para pagar suas contas. São inúmeros os exemplos de safadezas.
Aprendemos tanto com os malfeitores e corruptos que fazemos o mesmo, passando por cima dos nossos semelhantes que já vivem humilhados. Temos questões mais graves para discutirmos do que essa de mulher ou homem no poder. Outra coisa errada é a concepção de que roubar pouco não é problema. Está na cultura de que os trambiques podem ser feitos. Todos querem um naco do oportunismo.
Ser ou não ser mulher, ser ou não ser homem, não importa. O que importa mesmo é se a pessoa vai ter consciência política de defender os humilhados brasileiros e trabalhar com ética, condenando o corporativismo e se rebelando contra esse perverso sistema.
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
PRIVATIZAÇÃO DO AEROPORTO DE CONQUISTA
Tinha um partido político que fazia um escarcéu danado quando os governos passados falam em privatização de bens, empresas e patrimônio público. Agora considera certo fazer o que antes era tido como errado.
O Governo do Estado privatizou as estradas em torno de Salvador e permitiu à iniciativa privada instalar cancelas em todos os pontos de acesso à capital. O partido do poder não diz nada. É uma escorcha escandalosa contra o contribuinte que alienado e sem conscientização política paga e consente.
Colocaram cinco porteiras de pedágios na BR-116 (Rio-Bahia) de Salvador até Vitória da Conquista. O povo paga e ainda acha bom. O novo aeroporto de Vitória da Conquista, orçado em R$30 milhões (vai ser muito mais que isso com os tais aditivos), depois de pronto vai ser privatizado. Não existe mais crítica ao capitalismo porque quem fazia agora está na nau capital.
Vão ser privatizados também os aeroportos de Feira de Santana, Lençóis, Teixeira de Freitas e Ilhéus. Os principais aeroportos do Brasil vão ser privatizados e já se fala nos Correios. Tinha um partido que não podia ouvir falar em privatização que botava sua tropa nas ruas.
Na campanha eleitoral passada, o partido acusou a “oposição” de querer privatizar o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e a Petrobras. Fizeram um estardalhaço danado para confundir o eleitor. Será que agora o partido viraria a mesa se o Governo anunciasse essas privatizações.
Agora não é mais traição e demonstração de incompetência administrativa. Elegemos os governos para que eles cuidem dos nossos bens e não passem para o capital privado. Para que, então, tantos cargos no Governo ganhando os tubos?
Nesta semana, a Comissão de Justiça da Câmara dos Deputados aprovou, em três minutos de sessão, mais de 100 projetos, com a presença de apenas dois deputados. O presidente da Câmara, Marco Maia, do PT, disse ser normal e que tudo foi feito dentro da normal regimental. Agora é correto que se faça tal excrescência. Antes não era. Somos mesmo uns idiotas.
A Câmara de Salvador, por unanimidade, aprovou aumento de 41 para 43 vereadores, e a mesa diretora ainda afirma que não vai elevar custos para o legislativo. É muito dinheiro rolando e sobrando. Pode-se dizer hoje que ainda existe político sério? Todos concordaram, meu amigo!
A reforma política do PT só serve para o partido do poder que defende financiamento da campanha pública (já existe há muito tempo). Isso não passa de um álibi para a o “Mensalão do Caixa 2”. Querem criar um fundo partidário com dinheiro do orçamento de pessoas físicas e jurídicas.
No esquema proposto, R$1 bilhão sairia do orçamento, R$300 milhões do fundo e mais R$800 milhões da renúncia fiscal das emissoras de televisão. A partilha desse montante de mais de R$2 milhões favoreceria o PT e o PMDB, é claro.
É muita grana, meu camarada! Alguém aí pensou na saúde e na educação? Tinha um partido um dia que se importava com essa calamidade pública. Que morram os imbecis miseráveis das portas dos hospitais. Para um coitado morto, nascem mais dois.
A corregedora do Conselho Nacional de Justiça, como aquela pessoa que está com um problema engasgado na garganta e precisa botar para fora para se aliviar, desabafou que na magistratura existem muitos bandidos atrás da toga.
O presidente do Conselho retrucou, com veemência, de que não existe banditismo, mas desvios, argumentando que houve equívoco e um excesso de destempero por parte da denunciante. Bandido só nos morros. É coisa para assaltante, ladrão e traficante.
Para os togados e donos do poder, o nome correto, fino e apropriado é desvio, assim falou o senhor patrão. Subordinado é para ficar calado. O que era errado agora é certo, e não se fala mais nisso. Nulo neles, minha gente.
O Governo do Estado privatizou as estradas em torno de Salvador e permitiu à iniciativa privada instalar cancelas em todos os pontos de acesso à capital. O partido do poder não diz nada. É uma escorcha escandalosa contra o contribuinte que alienado e sem conscientização política paga e consente.
Colocaram cinco porteiras de pedágios na BR-116 (Rio-Bahia) de Salvador até Vitória da Conquista. O povo paga e ainda acha bom. O novo aeroporto de Vitória da Conquista, orçado em R$30 milhões (vai ser muito mais que isso com os tais aditivos), depois de pronto vai ser privatizado. Não existe mais crítica ao capitalismo porque quem fazia agora está na nau capital.
Vão ser privatizados também os aeroportos de Feira de Santana, Lençóis, Teixeira de Freitas e Ilhéus. Os principais aeroportos do Brasil vão ser privatizados e já se fala nos Correios. Tinha um partido que não podia ouvir falar em privatização que botava sua tropa nas ruas.
Na campanha eleitoral passada, o partido acusou a “oposição” de querer privatizar o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e a Petrobras. Fizeram um estardalhaço danado para confundir o eleitor. Será que agora o partido viraria a mesa se o Governo anunciasse essas privatizações.
Agora não é mais traição e demonstração de incompetência administrativa. Elegemos os governos para que eles cuidem dos nossos bens e não passem para o capital privado. Para que, então, tantos cargos no Governo ganhando os tubos?
Nesta semana, a Comissão de Justiça da Câmara dos Deputados aprovou, em três minutos de sessão, mais de 100 projetos, com a presença de apenas dois deputados. O presidente da Câmara, Marco Maia, do PT, disse ser normal e que tudo foi feito dentro da normal regimental. Agora é correto que se faça tal excrescência. Antes não era. Somos mesmo uns idiotas.
A Câmara de Salvador, por unanimidade, aprovou aumento de 41 para 43 vereadores, e a mesa diretora ainda afirma que não vai elevar custos para o legislativo. É muito dinheiro rolando e sobrando. Pode-se dizer hoje que ainda existe político sério? Todos concordaram, meu amigo!
A reforma política do PT só serve para o partido do poder que defende financiamento da campanha pública (já existe há muito tempo). Isso não passa de um álibi para a o “Mensalão do Caixa 2”. Querem criar um fundo partidário com dinheiro do orçamento de pessoas físicas e jurídicas.
No esquema proposto, R$1 bilhão sairia do orçamento, R$300 milhões do fundo e mais R$800 milhões da renúncia fiscal das emissoras de televisão. A partilha desse montante de mais de R$2 milhões favoreceria o PT e o PMDB, é claro.
É muita grana, meu camarada! Alguém aí pensou na saúde e na educação? Tinha um partido um dia que se importava com essa calamidade pública. Que morram os imbecis miseráveis das portas dos hospitais. Para um coitado morto, nascem mais dois.
A corregedora do Conselho Nacional de Justiça, como aquela pessoa que está com um problema engasgado na garganta e precisa botar para fora para se aliviar, desabafou que na magistratura existem muitos bandidos atrás da toga.
O presidente do Conselho retrucou, com veemência, de que não existe banditismo, mas desvios, argumentando que houve equívoco e um excesso de destempero por parte da denunciante. Bandido só nos morros. É coisa para assaltante, ladrão e traficante.
Para os togados e donos do poder, o nome correto, fino e apropriado é desvio, assim falou o senhor patrão. Subordinado é para ficar calado. O que era errado agora é certo, e não se fala mais nisso. Nulo neles, minha gente.
domingo, 25 de setembro de 2011
PERVERSIDADE, DINHEIRO E PODER
Do baú dos meus vinis encontrei esses versos do menestrel Juca Chaves de há mais de 30 anos que continuam atuais. Na música “Honestidade” ele diz: A honestidade, há muito já sumiu/As conseqüências, vêm sempre depois/Por isso todo dia, para alegria do Brasil/ Morre um ladrão e nascem dois”. Em outro verso canta: O governo tira o que o povo sonha/Quanta mentira, quanta vergonha. O saldo da Constituinte foi a corrupção legalizada/ Para bem da nossa pátria amada.
A corrupção não deixa que pessoas comprometidas e conscientes escrevam coisas boas e positivas como a de que o Brasil tem uma saúde e uma educação de qualidade. Seria bom, mas esse enunciado não passa de uma grande mentira. O que vemos nos hospitais é uma perversidade cometida contra o povo. É uma matança diária e ninguém é criminalizado.
Foi feito um cálculo de que de janeiro a agosto deste ano, aproximadamente seis mil pacientes morreram nas emergências dos quatro principais hospitais do Rio de Janeiro. Isso é mais que as mortes de soldados americanos no Iraque, entre 2003 a 2011.
Deveria haver um boletim de ocorrência nas portas dos hospitais brasileiros para notificar todas as mortes por negligência médica e falta de atendimento. Uma rede nacional de televisão focou suas câmaras nos corredores e nas instalações dos hospitais, mostrando os horrores das pessoas sofrendo de dores, e outras já em estado terminal.
As cenas mais parecem com o Inferno de Dante e devem ser proibidas para menores de 18 anos. Verdadeiramente, esse não é o meu país. Ninguém é culpado. Cada um só quer seguir seu caminho. Como vou ter orgulho de ser brasileiro?
Muito choro e ranger de dentes, e o Governo simplesmente diz que não tem recursos para a saúde. Aponta como saída a criação de mais um imposto para aumentar a carga tributária que já representa 34% do PIB.
Dinheiro tem até de sobra, mas criminosamente toda dinheirama é utilizada para sustentar as mordomias do poder corrompido e corroído. Vamos começar pelo Executivo. O governo tem ministérios a perder de vista.
Dizem que são 37 para satisfazer seus aliados e a tal “governabilidade”. Tem ministério da pesca, dos portos, da igualdade racial e outros nomes compridos. É um loteamento vergonhoso. As secretarias têm status de ministérios com centenas e milhares de cargos.
Por acaso o Governo está disposto a cortar estes ministérios para 10 ou 15, enxugando seu orçamento para sobrar dinheiro para a saúde e para a educação? De cargos comissionados são mais de 20 mil, enquanto o Governo de Barack Obama, dos Estados Unidos, tem 2.500. A maior parte está com o PT, para sustentar a máquina do partido e, consequentemente, o poder.
Só para resumir, o legislativo tem 513 deputados e mais 81 senadores com altas mordomias e salários de marajás aumentados por eles mesmos. Por acaso eles querem fazer uma reforma política séria que reduza pela metade esses representantes? Qual a utilidade do Senado? E as escandalosas verbas de indenização? Querem fazer cortes?
Do lado do judiciário, as mordomias e os altos salários são vergonhosos, enquanto o povo doente morre nos corredores dos hospitais. Cada poder levanta obras suntuosas e faraônicas, acarpetadas com tecidos da Pérsia e ladrilhadas com azulejos da melhor qualidade.
Agora mesmo na Bahia, a Assembléia Legislativa ergueu mais um anexo que custou R$29 milhões e está passando a conta para o Governo do Estado. Aliás, para o povo pagar. Seus gabinetes são luxuosos, bem mais que nos países ricos que não fazem essa farra com o dinheiro do contribuinte.
Portanto, o Brasil é um país rico que tem muito dinheiro. Se fosse bem aplicado e não houvesse essa roubalheira toda, dava muito bem para oferecer uma saúde de qualidade para todos, e não esse inferno dos horrores. E as fraudes hospitalares?
Não só os políticos viraram as costas para a população. Os estudantes e os sindicatos que já foram as categorias de maior resistência nas lutas por liberdade e justiça, não estão nem aí. Estão também montados na nossa grana e cooptados com o poder.
As centrais sindicais, por exemplo, brigam como gângsteres ao estilo do velho faroeste americano por mais um filiado, para arrecadar mais dinheiro para seu saco, através, principalmente, da contribuição sindical obrigatória. É uma espoliação contra o operário, mas ninguém reclama.
Os dirigentes das principais centrais agem na base da força, utilizando capangas e seguranças para fechar sindicatos e derrubar presidentes que não estejam aliados às suas entidades. Quando mais filiado, mas dinheiro, mais mordomia e mais cargos comissionados. Não é preciso prestar contas aos tribunais.
Existem no país oito centrais que brigam entre si, mas não protestam, nem se manifestam contra as mazelas da saúde e da educação. Os métodos mais violentos de banditismo são travados pela CUT e a Força Sindical, mas guerreiam também a UGT-União Geral dos Trabalhadores, a NCST-Nova Central Sindical dos Trabalhadores, a CTB-Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, a CGTB-Central Geral dos Trabalhadores do Brasil, CSP-Conlutas e a Intersindical.
Para que tanta central? Só do imposto sindical a CUT fica com quase R$27 milhões todo ano. Estão lutando pelos direitos coletivos da população? Estão se manifestando nas ruas contra a corrupção e os desmandos? Fazem muita festa com shows musicais e distribuição de prêmios no Primeiro de Maio. O Estado é um grande elefante que se movimenta lentamente, mas tem uma tromba que devasta florestas.
A corrupção não deixa que pessoas comprometidas e conscientes escrevam coisas boas e positivas como a de que o Brasil tem uma saúde e uma educação de qualidade. Seria bom, mas esse enunciado não passa de uma grande mentira. O que vemos nos hospitais é uma perversidade cometida contra o povo. É uma matança diária e ninguém é criminalizado.
Foi feito um cálculo de que de janeiro a agosto deste ano, aproximadamente seis mil pacientes morreram nas emergências dos quatro principais hospitais do Rio de Janeiro. Isso é mais que as mortes de soldados americanos no Iraque, entre 2003 a 2011.
Deveria haver um boletim de ocorrência nas portas dos hospitais brasileiros para notificar todas as mortes por negligência médica e falta de atendimento. Uma rede nacional de televisão focou suas câmaras nos corredores e nas instalações dos hospitais, mostrando os horrores das pessoas sofrendo de dores, e outras já em estado terminal.
As cenas mais parecem com o Inferno de Dante e devem ser proibidas para menores de 18 anos. Verdadeiramente, esse não é o meu país. Ninguém é culpado. Cada um só quer seguir seu caminho. Como vou ter orgulho de ser brasileiro?
Muito choro e ranger de dentes, e o Governo simplesmente diz que não tem recursos para a saúde. Aponta como saída a criação de mais um imposto para aumentar a carga tributária que já representa 34% do PIB.
Dinheiro tem até de sobra, mas criminosamente toda dinheirama é utilizada para sustentar as mordomias do poder corrompido e corroído. Vamos começar pelo Executivo. O governo tem ministérios a perder de vista.
Dizem que são 37 para satisfazer seus aliados e a tal “governabilidade”. Tem ministério da pesca, dos portos, da igualdade racial e outros nomes compridos. É um loteamento vergonhoso. As secretarias têm status de ministérios com centenas e milhares de cargos.
Por acaso o Governo está disposto a cortar estes ministérios para 10 ou 15, enxugando seu orçamento para sobrar dinheiro para a saúde e para a educação? De cargos comissionados são mais de 20 mil, enquanto o Governo de Barack Obama, dos Estados Unidos, tem 2.500. A maior parte está com o PT, para sustentar a máquina do partido e, consequentemente, o poder.
Só para resumir, o legislativo tem 513 deputados e mais 81 senadores com altas mordomias e salários de marajás aumentados por eles mesmos. Por acaso eles querem fazer uma reforma política séria que reduza pela metade esses representantes? Qual a utilidade do Senado? E as escandalosas verbas de indenização? Querem fazer cortes?
Do lado do judiciário, as mordomias e os altos salários são vergonhosos, enquanto o povo doente morre nos corredores dos hospitais. Cada poder levanta obras suntuosas e faraônicas, acarpetadas com tecidos da Pérsia e ladrilhadas com azulejos da melhor qualidade.
Agora mesmo na Bahia, a Assembléia Legislativa ergueu mais um anexo que custou R$29 milhões e está passando a conta para o Governo do Estado. Aliás, para o povo pagar. Seus gabinetes são luxuosos, bem mais que nos países ricos que não fazem essa farra com o dinheiro do contribuinte.
Portanto, o Brasil é um país rico que tem muito dinheiro. Se fosse bem aplicado e não houvesse essa roubalheira toda, dava muito bem para oferecer uma saúde de qualidade para todos, e não esse inferno dos horrores. E as fraudes hospitalares?
Não só os políticos viraram as costas para a população. Os estudantes e os sindicatos que já foram as categorias de maior resistência nas lutas por liberdade e justiça, não estão nem aí. Estão também montados na nossa grana e cooptados com o poder.
As centrais sindicais, por exemplo, brigam como gângsteres ao estilo do velho faroeste americano por mais um filiado, para arrecadar mais dinheiro para seu saco, através, principalmente, da contribuição sindical obrigatória. É uma espoliação contra o operário, mas ninguém reclama.
Os dirigentes das principais centrais agem na base da força, utilizando capangas e seguranças para fechar sindicatos e derrubar presidentes que não estejam aliados às suas entidades. Quando mais filiado, mas dinheiro, mais mordomia e mais cargos comissionados. Não é preciso prestar contas aos tribunais.
Existem no país oito centrais que brigam entre si, mas não protestam, nem se manifestam contra as mazelas da saúde e da educação. Os métodos mais violentos de banditismo são travados pela CUT e a Força Sindical, mas guerreiam também a UGT-União Geral dos Trabalhadores, a NCST-Nova Central Sindical dos Trabalhadores, a CTB-Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, a CGTB-Central Geral dos Trabalhadores do Brasil, CSP-Conlutas e a Intersindical.
Para que tanta central? Só do imposto sindical a CUT fica com quase R$27 milhões todo ano. Estão lutando pelos direitos coletivos da população? Estão se manifestando nas ruas contra a corrupção e os desmandos? Fazem muita festa com shows musicais e distribuição de prêmios no Primeiro de Maio. O Estado é um grande elefante que se movimenta lentamente, mas tem uma tromba que devasta florestas.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
AS COTAS E O ESTELIONATO
Jamais perder a capacidade de indignação. É o ensinamento do escritor francês, Stéphane Hessel, de 93 anos, que lutou na resistência de seu país contra os nazistas. Escreveu um pequeno livro “Indignez-vous” que se tornou um best-seller. Para ele, a indiferença é a pior das atitudes.
No Brasil, cercado de corrupção por todos os lados, patrocinada pelos ministérios do Governo (existem ministérios a perder de vista) e por parlamentares, temos sobra demais para nos indignarmos como estão fazendo os árabes e outros países cujas populações demonstram suas descrenças em seus governantes.
Embora tardias, aqui começam a surgir as primeiras reações nas ruas e praças, como aconteceu no dia 7 de setembro. Movimentos prometem elevar o tom da indignação através de atos marcados para hoje (dia 20) no Rio de Janeiro e outras capitais.
Salvador ainda está em silêncio como a UNE (União Nacional dos Estudantes) e os sindicatos. Uma vergonha nacional. Conquista que sempre foi uma cidade ativista e pensante também precisa fazer a sua manifestação contra a corrupção.
Em qualquer assunto, costumo abrir falando da corrupção. Confesso que se tornou um hábito. Acho que é uma questão que deve se abordada em qualquer situação do cotidiano. No entanto, o tema mesmo é sobre as cotas estabelecidas nas universidades e agora estendidas para os concursos públicos.
É um assunto polêmico e sei que lá vem pancadaria por todos os lados, do tipo conservador, elitista, retrógrado e coisas mais. Quando se escreve não se deve temer colocar a cara a tapa. Para isso, tem que se ter personalidade para se falar o que pensa, embora muitos joguem pedras, mesmo “defendendo” mentirosamente a liberdade de expressão.
Todos os argumentos dos cotistas são insustentáveis e cheios de contradição. Por isso são raivosos contra os que se posicionam de forma contrária. Falam de reparação da escravidão que aconteceu em séculos passados e da qual somos culpados. Como assim culpados? Essa de pequeno-burguês já é muito manjada.
Se vamos falar de reparação, o país tem uma dívida enorme para com todos os pobres, sem distinção de cores, que estão há mais de 500 anos sendo explorados pelo sistema perverso do capitalismo coronelista. O açoite não é a única marca pesada numa escravidão.
A criação de cotas é mais um oportunismo eleitoreiro enganoso para fazer com que se esqueça da baixa qualidade da educação. Estamos todos nós sendo vítimas de um estelionato no ensino. Vai adiantar alguma coisa impor cotas raciais nas universidades com uma educação precária e vergonhosa? Todos vão sair do mesmo jeito, sem aprender o que deveria.
Como estão postas, as cotas só fazem dividir, segregar e discriminar os negros que têm a mesma capacidade de aprender tanto quanto os brancos pobres que sofrem da mesma maneira para terem acesso ao mercado de trabalho.
Além do mais, num país miscigenado como o Brasil quase todos são afrodescendentes com mistura européia. Na hora da cota, uma parte é negra e a outra é branca, o que é falso. Na discussão social, no entanto, todos são misturados. Não é uma grande falsidade ideológica? A cota passou a distinguir a cor. Então, o que sou? Nem eu sei mais. Pode variar.
Não vejo cotistas lutando por uma educação de qualidade. Vi um dizendo que não dava para esperar 20 anos para que o ensino melhorasse no país. Digo pois, que seria de melhor valia que se brigasse todos juntos por uma causa justa para as futuras gerações de negros, brancos, morenos ou pardos, do que ter uma cota temporária com péssima educação.
Não aguento mais ouvir esse negócio segregacionista de negros e brancos numa sociedade tão injusta onde todos os pobres espoliados, sem distinção de cores, deveriam estar unidos contra os patrões para cobrar igualdade social. Somos todos vítimas do estelionato educacional.
Argumentam por aí que os negros que tiveram acesso às cotas estão conseguindo um nível melhor de aproveitamento nas universidades do que aqueles que não foram beneficiados. Se e é assim, para que, então, mais cotas para os concursos públicos? Não contraditório? Não passa de mais uma peça eleitoreira. Além do mais, se todos vieram dessas escolas públicas, não pode existir esse negócio de melhor aproveitamento, com raras exceções.
Todos estão sendo iludidos, mais uma vez, por esse discurso demagógico dos políticos que sempre tiveram medo de um povo de nível mais elevado. Eles preferem, sem distinção de partidos, uma geração de medíocres para poder manipular. Já disseram que o sistema é cruel.
Todos deveriam sim, estar empunhando a bandeira contra a corrupção e em defesa da igualdade para todos. O que mais dói neste país é o apartheid social. Todos os pobres estão no mesmo barco. Sinto sinais fortes de ódio e racismo, o que não é nada bom. Dia desses li uma cobrança do MEC só porque teria aprovado um livro onde tinha mais fotos de brancos que de negros. Aonde vamos chegar? Ouvi alguém dizer certa feita que esse discurso do politicamente correto é vazio como pneu furado.
Para finalizar, seria bom que nos debruçássemos no nível do último exame do Enem. Das 100 melhores escolas do país, somente 13 são públicas. Dos colégios públicos participantes, 96% tiraram nota inferior à média brasileira (511,21 pontos) nas provas objetivas.
Das escolas com alto índice de participação, (mais de 75% dos alunos), apenas um estabelecimento público figura entre os 20 de comprovada excelência. Mais uma vez se comprovou a perda de substância do ensino público em relação à escola particular, com graves reflexos na notória dificuldade de acesso das classes mais pobres à educação.
Oito em cada dez escolas públicas ficaram abaixo da média no último exame do Enem. Das 20 escolas com maiores médias, 18 são privadas. Todas as 20 piores são públicas, assim como as 100 unidades com notas mais baixas. Entre as mil escolas com piores médias, 995 são públicas.
Isso é ou não é um estelionato na educação? Não adianta estabelecer cotas, se o estudante vai sair, de qualquer forma, despreparado e incapaz de enfrentar a vida na sociedade como cidadão consciente para reivindicar seus direitos. Estamos todos nós, cotistas ou não, sendo enganados e passados para trás. É o conto das cotas.
O sistema pode até induzir a família negra de classe média, em situação financeira melhor, a colocar seus filhos em escolas públicas para garantir lá na frente uma cota para entrar na universidade. Será que já não está acontecendo isso. Não posso afirmar comm categoria porque não existem provas.
No Brasil, cercado de corrupção por todos os lados, patrocinada pelos ministérios do Governo (existem ministérios a perder de vista) e por parlamentares, temos sobra demais para nos indignarmos como estão fazendo os árabes e outros países cujas populações demonstram suas descrenças em seus governantes.
Embora tardias, aqui começam a surgir as primeiras reações nas ruas e praças, como aconteceu no dia 7 de setembro. Movimentos prometem elevar o tom da indignação através de atos marcados para hoje (dia 20) no Rio de Janeiro e outras capitais.
Salvador ainda está em silêncio como a UNE (União Nacional dos Estudantes) e os sindicatos. Uma vergonha nacional. Conquista que sempre foi uma cidade ativista e pensante também precisa fazer a sua manifestação contra a corrupção.
Em qualquer assunto, costumo abrir falando da corrupção. Confesso que se tornou um hábito. Acho que é uma questão que deve se abordada em qualquer situação do cotidiano. No entanto, o tema mesmo é sobre as cotas estabelecidas nas universidades e agora estendidas para os concursos públicos.
É um assunto polêmico e sei que lá vem pancadaria por todos os lados, do tipo conservador, elitista, retrógrado e coisas mais. Quando se escreve não se deve temer colocar a cara a tapa. Para isso, tem que se ter personalidade para se falar o que pensa, embora muitos joguem pedras, mesmo “defendendo” mentirosamente a liberdade de expressão.
Todos os argumentos dos cotistas são insustentáveis e cheios de contradição. Por isso são raivosos contra os que se posicionam de forma contrária. Falam de reparação da escravidão que aconteceu em séculos passados e da qual somos culpados. Como assim culpados? Essa de pequeno-burguês já é muito manjada.
Se vamos falar de reparação, o país tem uma dívida enorme para com todos os pobres, sem distinção de cores, que estão há mais de 500 anos sendo explorados pelo sistema perverso do capitalismo coronelista. O açoite não é a única marca pesada numa escravidão.
A criação de cotas é mais um oportunismo eleitoreiro enganoso para fazer com que se esqueça da baixa qualidade da educação. Estamos todos nós sendo vítimas de um estelionato no ensino. Vai adiantar alguma coisa impor cotas raciais nas universidades com uma educação precária e vergonhosa? Todos vão sair do mesmo jeito, sem aprender o que deveria.
Como estão postas, as cotas só fazem dividir, segregar e discriminar os negros que têm a mesma capacidade de aprender tanto quanto os brancos pobres que sofrem da mesma maneira para terem acesso ao mercado de trabalho.
Além do mais, num país miscigenado como o Brasil quase todos são afrodescendentes com mistura européia. Na hora da cota, uma parte é negra e a outra é branca, o que é falso. Na discussão social, no entanto, todos são misturados. Não é uma grande falsidade ideológica? A cota passou a distinguir a cor. Então, o que sou? Nem eu sei mais. Pode variar.
Não vejo cotistas lutando por uma educação de qualidade. Vi um dizendo que não dava para esperar 20 anos para que o ensino melhorasse no país. Digo pois, que seria de melhor valia que se brigasse todos juntos por uma causa justa para as futuras gerações de negros, brancos, morenos ou pardos, do que ter uma cota temporária com péssima educação.
Não aguento mais ouvir esse negócio segregacionista de negros e brancos numa sociedade tão injusta onde todos os pobres espoliados, sem distinção de cores, deveriam estar unidos contra os patrões para cobrar igualdade social. Somos todos vítimas do estelionato educacional.
Argumentam por aí que os negros que tiveram acesso às cotas estão conseguindo um nível melhor de aproveitamento nas universidades do que aqueles que não foram beneficiados. Se e é assim, para que, então, mais cotas para os concursos públicos? Não contraditório? Não passa de mais uma peça eleitoreira. Além do mais, se todos vieram dessas escolas públicas, não pode existir esse negócio de melhor aproveitamento, com raras exceções.
Todos estão sendo iludidos, mais uma vez, por esse discurso demagógico dos políticos que sempre tiveram medo de um povo de nível mais elevado. Eles preferem, sem distinção de partidos, uma geração de medíocres para poder manipular. Já disseram que o sistema é cruel.
Todos deveriam sim, estar empunhando a bandeira contra a corrupção e em defesa da igualdade para todos. O que mais dói neste país é o apartheid social. Todos os pobres estão no mesmo barco. Sinto sinais fortes de ódio e racismo, o que não é nada bom. Dia desses li uma cobrança do MEC só porque teria aprovado um livro onde tinha mais fotos de brancos que de negros. Aonde vamos chegar? Ouvi alguém dizer certa feita que esse discurso do politicamente correto é vazio como pneu furado.
Para finalizar, seria bom que nos debruçássemos no nível do último exame do Enem. Das 100 melhores escolas do país, somente 13 são públicas. Dos colégios públicos participantes, 96% tiraram nota inferior à média brasileira (511,21 pontos) nas provas objetivas.
Das escolas com alto índice de participação, (mais de 75% dos alunos), apenas um estabelecimento público figura entre os 20 de comprovada excelência. Mais uma vez se comprovou a perda de substância do ensino público em relação à escola particular, com graves reflexos na notória dificuldade de acesso das classes mais pobres à educação.
Oito em cada dez escolas públicas ficaram abaixo da média no último exame do Enem. Das 20 escolas com maiores médias, 18 são privadas. Todas as 20 piores são públicas, assim como as 100 unidades com notas mais baixas. Entre as mil escolas com piores médias, 995 são públicas.
Isso é ou não é um estelionato na educação? Não adianta estabelecer cotas, se o estudante vai sair, de qualquer forma, despreparado e incapaz de enfrentar a vida na sociedade como cidadão consciente para reivindicar seus direitos. Estamos todos nós, cotistas ou não, sendo enganados e passados para trás. É o conto das cotas.
O sistema pode até induzir a família negra de classe média, em situação financeira melhor, a colocar seus filhos em escolas públicas para garantir lá na frente uma cota para entrar na universidade. Será que já não está acontecendo isso. Não posso afirmar comm categoria porque não existem provas.
domingo, 11 de setembro de 2011
A FAXINA E AS TORRES
Foi só as bases aliadas rosnarem e o chefe emitir um alerta, para a presidente Dilma cair fora da faxina contra a corrupção, em nome de uma “governabilidade” que só a eles interessa. A apuração no Ministério dos Transportes apontou um rombo de mais de R$600 milhões, mas sem identificar os responsáveis. Deve ter sido obra de fantasmas do além que apareceram na calada da noite com suas máscaras monstruosas e surrupiaram nosso dinheirinho. Coisa de filme de terror.
O cala boca ao PR - Partido Republicano (coisa pública só deles) foi justamente não citar nomes, caso contrário, como ameaçaram seus caciques, iriam se rebelar e votar contra o Governo. O anúncio da saída deles da base foi de mitirinha, enquanto assentava a poeira. No Ministério da Agricultura, do PMDB, só o afastamento do ministro, e não se fala mais nisso. No Turismo, sob a batuta de Sarney, que constrói pontes e estradas, sem turismo, a incompetência fica. Tudo como dantes na casa de Abrantes.
No Ministério das Cidades, e tome ministérios no povo, o Mário Negromonte, que já não tem bom passado, gritou que com tantas denúncias, ia haver derramamento de sangue. É coisa mesmo de quadrilhas, de gangues e bandos armados assaltando nossos cofres. A tal da reforma política prometida há mais de 20 anos, desde os tempos de Itamar Franco e Fernando Henrique, sempre é adiada. Agora só em 2014. E nós, os bestalhados, continuamos a votar. Só servimos mesmo para isso.
A nação continua atolada na corrupção, e dona Dilma agora só quer saber de fazer a “faxina da miséria”. Não vai bulir em casa de vespeiro, conforme orientação do seu chefe que nega o mensalão, que nada sabe e nada viu. Os ratos deram um ultimado para que dona Dilma recolhesse sua vassoura. A deputada Jaqueline Roriz foi salva pelos “companheiros” do rabo preso.
Eis, então, que surge uma luz da indignação no fundo do túnel com a passeata contra a corrupção em Brasília, no dia 7 de setembro, quando reuniu mais de 25 mil pessoas. Em São Paulo deu 200, e no Rio de Janeiro, uns 50 gatos pingados. A esperança é que essa luz não se apague, mas que esse facho venha iluminar todo Brasil. Na terra do axé e do pagode, ninguém quis saber de nada. A UNE e os sindicatos preferem o amém da cooptação. O mal está dando de goleada no bem.
Durante a semana passada, a mídia nacional se voltou ao espetáculo das Torres Gêmeas de Nova Yorque, transformando os Estados Unidos numa pobre vítima, sem culpa das atrocidades que já fizeram pelo mundo. Depois dos atentados, os EUA não são mais os mesmo com sua unilateralidade, mas continuam prepotentes e arrogantes, mostrando suas garras cortadas. Vivem hoje assustados, atormentados, traumatizados e em crise econômica, numa sociedade vigiada por câmaras. Só nas guerras do Afeganistão e no Iraque já torraram cerca de 4 trilhões de dólares.
A nossa imprensa tupiniquim e ainda colonial se curva diante de notinhas atrasadas sobre o Brasil, vindas de mídias dos Estados Unidos e da Europa. As notas fora da realidade e feitas em redação são creditadas em manchetes como se fossem novidades por aqui. As que são divulgadas no exterior sobre nós têm mais valor que as nossas. Têm bem mais repercussão. Pobre de nossa cultura!
Todos os veículos concentraram suas baterias nos atentados de Nova Yorque, no 11 de setembro de 2001, sem ao menos fazer menção ao ataque orquestrado pela CIA contra Salvador Alende, em Santiago do Chile, em mesma data, em 1973, apoiando o ditador Pinochet. Os Estados Unidos nunca foram julgados pelos crimes contra a humanidade.
As matérias passaram, simplesmente, uma imagem da luta do bem, os Estados Unidos, contra o mal, os mulçumanos fanáticos “terroristas sanguinários”. Nisso venceu Busch, mas Bin Laden saiu vitorioso ao desestruturar psicologicamente os americanos que sempre apoiaram as ditaduras. Os atentados têm muito mais elementos políticos que religiosos.
Em impacto, jornalisticamente, os atentados às Torres Gêmeas apagaram todas as atrocidades e malvadezas cometidas pelos Estados Unidos desde as primeiras décadas do século XX. Sem entrar na questão da justificativa, não foi mostrado o outro lado da moeda terrorista do Estado que invadiu a Guatemala e inoculou doenças venéreas e sífilis em pessoas, para pesquisar a fabricação de antibióticos.
O que gerou essa ira do outro lado “terrorista”, ou de resistência dos mais fracos, aprisionada durante todos esses anos? Sem falar nas teorias conspiratórias de explosões montadas nas duas Torres, a imagem que se passa é que os Estados Unidos têm todo direito de continuar suas matanças no Iraque, no Paquistão e no Afeganistão, em nome de sua “democracia capitalista ocidental”. E o passado tenebroso das invasões no Vietnã, El Salvador, Nicarágua, Cuba, Filipinas, Coréia, países africanos e tantas outras nações pobres? Quem sempre espalhou o terror?
A mídia esqueceu da fome que seca as crianças, jovens e adultos nos países do Chifre da África, deixando suas peles rachadas pregadas aos ossos. Corpos esqueléticos e olhos afundados nos crânios dão uma aparência de seres extraterrestres. As nações ricas e poderosas estão em suas festas consumistas e nada têm a ver com isso.
Os donos da festa estão mais preocupados em não perder uma fatia do consumismo supérfluo, para deixar os ricos mais ricos, e os pobres mais pobres. A linguagem parece ser retrógada e atrasada, mas não é. Estamos em pleno século XXI e mais distantes da civilização humana. O homem é o contraditório dele mesmo quando faz a inversão daquilo que deveria ser a vida.
O cala boca ao PR - Partido Republicano (coisa pública só deles) foi justamente não citar nomes, caso contrário, como ameaçaram seus caciques, iriam se rebelar e votar contra o Governo. O anúncio da saída deles da base foi de mitirinha, enquanto assentava a poeira. No Ministério da Agricultura, do PMDB, só o afastamento do ministro, e não se fala mais nisso. No Turismo, sob a batuta de Sarney, que constrói pontes e estradas, sem turismo, a incompetência fica. Tudo como dantes na casa de Abrantes.
No Ministério das Cidades, e tome ministérios no povo, o Mário Negromonte, que já não tem bom passado, gritou que com tantas denúncias, ia haver derramamento de sangue. É coisa mesmo de quadrilhas, de gangues e bandos armados assaltando nossos cofres. A tal da reforma política prometida há mais de 20 anos, desde os tempos de Itamar Franco e Fernando Henrique, sempre é adiada. Agora só em 2014. E nós, os bestalhados, continuamos a votar. Só servimos mesmo para isso.
A nação continua atolada na corrupção, e dona Dilma agora só quer saber de fazer a “faxina da miséria”. Não vai bulir em casa de vespeiro, conforme orientação do seu chefe que nega o mensalão, que nada sabe e nada viu. Os ratos deram um ultimado para que dona Dilma recolhesse sua vassoura. A deputada Jaqueline Roriz foi salva pelos “companheiros” do rabo preso.
Eis, então, que surge uma luz da indignação no fundo do túnel com a passeata contra a corrupção em Brasília, no dia 7 de setembro, quando reuniu mais de 25 mil pessoas. Em São Paulo deu 200, e no Rio de Janeiro, uns 50 gatos pingados. A esperança é que essa luz não se apague, mas que esse facho venha iluminar todo Brasil. Na terra do axé e do pagode, ninguém quis saber de nada. A UNE e os sindicatos preferem o amém da cooptação. O mal está dando de goleada no bem.
Durante a semana passada, a mídia nacional se voltou ao espetáculo das Torres Gêmeas de Nova Yorque, transformando os Estados Unidos numa pobre vítima, sem culpa das atrocidades que já fizeram pelo mundo. Depois dos atentados, os EUA não são mais os mesmo com sua unilateralidade, mas continuam prepotentes e arrogantes, mostrando suas garras cortadas. Vivem hoje assustados, atormentados, traumatizados e em crise econômica, numa sociedade vigiada por câmaras. Só nas guerras do Afeganistão e no Iraque já torraram cerca de 4 trilhões de dólares.
A nossa imprensa tupiniquim e ainda colonial se curva diante de notinhas atrasadas sobre o Brasil, vindas de mídias dos Estados Unidos e da Europa. As notas fora da realidade e feitas em redação são creditadas em manchetes como se fossem novidades por aqui. As que são divulgadas no exterior sobre nós têm mais valor que as nossas. Têm bem mais repercussão. Pobre de nossa cultura!
Todos os veículos concentraram suas baterias nos atentados de Nova Yorque, no 11 de setembro de 2001, sem ao menos fazer menção ao ataque orquestrado pela CIA contra Salvador Alende, em Santiago do Chile, em mesma data, em 1973, apoiando o ditador Pinochet. Os Estados Unidos nunca foram julgados pelos crimes contra a humanidade.
As matérias passaram, simplesmente, uma imagem da luta do bem, os Estados Unidos, contra o mal, os mulçumanos fanáticos “terroristas sanguinários”. Nisso venceu Busch, mas Bin Laden saiu vitorioso ao desestruturar psicologicamente os americanos que sempre apoiaram as ditaduras. Os atentados têm muito mais elementos políticos que religiosos.
Em impacto, jornalisticamente, os atentados às Torres Gêmeas apagaram todas as atrocidades e malvadezas cometidas pelos Estados Unidos desde as primeiras décadas do século XX. Sem entrar na questão da justificativa, não foi mostrado o outro lado da moeda terrorista do Estado que invadiu a Guatemala e inoculou doenças venéreas e sífilis em pessoas, para pesquisar a fabricação de antibióticos.
O que gerou essa ira do outro lado “terrorista”, ou de resistência dos mais fracos, aprisionada durante todos esses anos? Sem falar nas teorias conspiratórias de explosões montadas nas duas Torres, a imagem que se passa é que os Estados Unidos têm todo direito de continuar suas matanças no Iraque, no Paquistão e no Afeganistão, em nome de sua “democracia capitalista ocidental”. E o passado tenebroso das invasões no Vietnã, El Salvador, Nicarágua, Cuba, Filipinas, Coréia, países africanos e tantas outras nações pobres? Quem sempre espalhou o terror?
A mídia esqueceu da fome que seca as crianças, jovens e adultos nos países do Chifre da África, deixando suas peles rachadas pregadas aos ossos. Corpos esqueléticos e olhos afundados nos crânios dão uma aparência de seres extraterrestres. As nações ricas e poderosas estão em suas festas consumistas e nada têm a ver com isso.
Os donos da festa estão mais preocupados em não perder uma fatia do consumismo supérfluo, para deixar os ricos mais ricos, e os pobres mais pobres. A linguagem parece ser retrógada e atrasada, mas não é. Estamos em pleno século XXI e mais distantes da civilização humana. O homem é o contraditório dele mesmo quando faz a inversão daquilo que deveria ser a vida.
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
O PACIENTE DA CENTRAL
O paciente, como o próprio nome já diz, é paciente, mas tudo tem seu limite de paciência. Tem necessitado que suporta, chora e lamenta, mas outros se revoltam diante de tanta carga de humilhação.
O paciente que sofre de problemas gástricos e já fez tratamento de Hepatite “C” recebe uma requisição, no dia 20 de maio, do seu médico do SUS para realizar uma Colonoscopia. Tem mais de 60 anos e precisa passar por esse procedimento.
Como não tem condições financeiras para bancar um exame desse porte numa clínica particular, se dirige, no mesmo dia, ao Sistema da Central de Marcação da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista. O funcionário anota seu telefone e orienta que espere em casa um comunicado.
Depois de três meses, no dia 24 de agosto, uma atendente liga para que ele se apresente à Central para marcar o exame. O paciente chega às 9 horas e só é atendido às 11horas. O funcionário passa as instruções e marca o procedimento para o dia 5 de setembro, com o Dr, Egmar Nogueira, no Hospital Esaú Matos.
Até ai, tudo bem, apesar do tempo e do sacrifício de espera para fazer a marcação, numa sala quente e desconfortável. O desgaste valeu a pena. Vou, finalmente, fazer meu exame no dia 5 de setembro, às 13 horas –comemora.
Mas, no dia 26 de agosto, aquela mesmo atendente liga para o paciente, dizendo que ele tem que retornar à Central de Marcação para remarcar o procedimento. O médico desmarcou o atendimento, sem muitas explicações. Começo aí o desrespeito total e a falta de consideração.
Mais uma vez, no mesmo dia 26, lá vai o paciente à Central. Chega às 13 horas (orientação da atendente para ser agilizado) e só é recebido às 16 horas. Três horas penando na sala calorenta e desconfortável. Muita agonia. Pensa em desistir, mas aguenta a humilhação da espera e do tratamento.
Às 16 horas, o funcionário lhe chama e passa, novamente, as instruções. O procedimento desta vez foi marcado para o dia 8 de setembro, por volta das 9 horas, com o médico Lafontaine Cunha Santana, ainda no Esaú Matos. Na ficha, o profissional solicitante não é mais o mesmo da requisição anterior do dia 20 de maio.
Bem, agora não tem mais volta, pensa o coitado do paciente, já estressado e revoltado com tanta humilhação e desprezo. Mesmo assim, apesar do sufoco, sai aliviado na certeza que dessa vez vai fazer seu tão esperado e disputado exame.
Que nada. No dia 30 de agosto toca o telefone. Pelo número, o paciente reconhece que é a atendente da Central de Marcação. Identifica-se e recebe mais uma aviso de que ele vai ser obrigado a se apresentar outra vez à Central para fazer a remarcação da remarcação. O Dr. Lafontaine resolve mudar o dia do procedimento.
Não dá mais para suportar. A paciência do paciente se esgotou. Reclama; diz desaforos; quer explicações e argumentos “convincentes”. Como não é culpada, a funcionária manda que o paciente procure o médico para saber o real motivo de ter mudado a data do exame, mais uma vez.
Nessa hora, toda a ira e desabafo do paciente devem ser perdoados. Não dá mais para prosseguir, desiste de fazer a Colonoscopia pedida pelo seu médico que lhe assiste e o acompanha no tratamento há anos.
Ora, se o paciente enfrentou uma batalha para marcar um exame e foi, por várias vezes, interceptado no seu intento, como ele vai ter acesso ao médico para pedir explicações quanto ao desrespeito? A obrigação é do sistema em se organizar e se planejar para que tais fatos não ocorram. A obrigação é da Secretaria da Saúde impedir que um exame seja remarcado tantas vezes.
Para finalizar, o paciente otário e besta que paga impostos para ter um tratamento digno de ser humano, sou eu mesmo, que luto para sobreviver com uma pequena aposentadoria que está sumindo com os reajustes do salário mínimo, depois de tantos anos de trabalho e sofrimento, dando sangue para este país.
Se mais tarde for acometido de um problema grave de saúde porque não consegui fazer um exame de Colonoscopia numa unidade pública do SUS, a culpa é da administração pública da Central de Marcação e da Secretaria de Saúde do Município.
É o meu grito de revolta em nome de todos pacientes de Conquista, da Bahia e de todo Brasil que sofrem barbaridades nas filas de espera para realizar um procedimento de saúde a que todos os cidadãos têm direito pela Constituição.
Em Salvador, duas mil pessoas formaram a fila dos desvalidos diante do Hospital Ana Nery para rogar por um exame. O responsável culpou o sistema digital que não funcionou, mas a culpa é mesmo do sistema político. Em Belém, no Pará, uma senhora tem o parto numa viatura do Corpo de Bombeiros por falta de atendimento. Estava na frente do hospital e perdeu seus bebês gêmeos.
Só para citar esses casos. Nesse país, nos acostumamos a marchar como soldadinhos de chumbo. “Vamos embora que esperar é não saber. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. É do grande cancioneiro Geraldo Vandré.
domingo, 28 de agosto de 2011
CENÁRIO DE GUERRA NA SAÚDE
Não custa nada lembrar quando o Lula após a fundação do PT e nas suas primeiras campanhas para presidente da República esbravejava contra a família Sarney, donatária da Capitania Hereditária do Maranhão. Taxava Sarney de burguês, conservador, coronel, além de xingamentos com palavrões de todo tipo contra esta figura que continua sugando o sangue do povo como vampiro, agora com aval de Lula e sua gente.
Lula e o PT fizeram um pacto com o diabo para subir ao poder. O chefe passou oito anos no Governo fazendo campanha política, agradando a elite toda poderosa, mas fazendo um agrado aos pobres com sua Bolsa Família e algumas políticas enganosas de ascensão social, que ele não é nada tolo. Cooptou a UNE (União Nacional dos Estudantes) e as centrais sindicais, dando montes de dinheiro sem precisar prestar contas aos tribunais.
Saiu por aí viajando pelo mundo a fora, visitando ditadores, espalhando para os quatro cantos que o Brasil era outro e que a qualidade de vida do povo havia melhorado. Governantes e jornalistas acreditaram e até hoje pintam um país que não é a realidade, só porque conseguiu um pouco avançar no crescimento econômico e conter a inflação, projetos estes herdados do seu antecessor.
Fico sempre indagando para mim mesmo (talvez seja burro demais) que país é esse que fala em ser a 5ª maior economia do mundo onde seus cidadãos morrem todos os dias nos corredores dos hospitais, que mais parecem cenário de guerra? Terra arrasada de doentes por todos os lados.
Que país é esse que diz ter uma economia sólida que favoreceu o acesso ao consumo às classes pobres e apresenta um dos piores índices na qualidade de ensino na América Latina, para não falar em outros países?
Que país é esse que tem mais celulares que habitantes e convive calado diante de uma corrupção devastadora em sua casa, cheia de ratazanas que metem a mão nos cofres públicos e ficam impunes?
Que país é esse que bate recorde na arrecadação de impostos todos os meses, mas não tem recursos para qualificação da educação e deixa seus filhos morrerem nas portas dos hospitais por falta de atendimento e leitos? Os médicos culpam o sistema e os governantes ficam em silêncio.
É realmente culpa desse sistema que está aí podre, corrupto, sem moral e sem ética. É a herança maldita de Lula que nada vê e nada sabe, e passou todo tempo chamando a mídia de golpista, no caso específico do mensalão.
Que país é esse que o custo de um deputado por mês é um dos mais caros do mundo (cerca de 150 mil reais) e deixa uma senhora ter um parto dentro de um carro do Corpo de Bombeiros na porta de um hospital, resultando na morte dos bebês gêmeos?
Que país é esse que vai sediar Copa do Mundo e Olimpíadas onde morre mais gente no trânsito e pessoas assassinadas pela bandidagem que em qualquer guerra no mundo todos os anos? O cidadão vive trancado e quando sai à rua não sabe se volta.
Que país é esse que tem superávit primário para pagar juros da dívida e é elogiado lá fora por suas estatísticas econômicas, mas deixa crianças “estudarem” debaixo de uma árvore ou numa casa de taipa imunda?
Que país é esse que ostenta poder e quer uma cadeira permanente no Conselho da ONU, mas não tem dinheiro para ampliar a rede hospitalar e oferecer saúde digna e respeitável ao seu povo sofrido e violado em seus direitos todos os dias?
Que país é esse onde as leis foram feitas para livrar os ricos e corruptos das cadeias e prender os pobres com algemas, forçando ainda a exposição de suas fotos na mídia? As leis aqui não são iguais para todos, e tampouco somos iguais como dizem por aí.
Está lotado o navio dos cooptados com estudantes, cotistas discriminados, MST, centrais sindicais, partidos aliados que só querem tirar proveito, empresários, e até intelectuais e artistas que preferiram o silêncio. Está aí respondida a indagação do jornalista espanhol Juan Arias que quis saber por que o povo brasileiro não expressa sua indignação diante de tanta desgraça.
Que país é esse cheio de ministérios que mais roubam que fazem, e a presidente quer fazer uma faxina da miséria sem antes fazer uma faxina da corrupção, para sobrar recursos para a saúde e para a educação? Dizem por aí que um dia um ministro entrou em seu gabinete e a presidente perguntou: Você é mesmo de que ministério? Qual mesmo seu nome? Teve que conferir a extensa lista.
Que país é esse onde o presidente do Senado, seu Sarney, usa um helicóptero socorrista da polícia militar para ir passear em sua ilha no Maranhão (não estava em missão oficial), deixando um pobre acidentado na espera? Como disse o senador Pedro Simon, o homem é o próprio Papa e está acima do bem e do mal.
domingo, 21 de agosto de 2011
AS BASES CORRUPTAS
Mais uma vez Vitória da Conquista fica de fora de projetos fundamentais para o desenvolvimento do município e da região. Barreiras, no oeste, e Itabuna, no sul, foram as cidades escolhidas para sediar unidades da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Conquista já tem um campus na área da saúde e poderia muito bem ter sido incluída no pacote, com a vantagem de já contar com um núcleo.
Faltou representação das bases aliadas, ou não houve bases técnicas para Conquista entrar na relação? Mas, não é somente na área educacional. Empreendimentos empresariais no setor industrial passam longe e se instalam em outras regiões. Estamos sem representatividade de peso para reivindicar, ou nossa infraestrutura deixa a desejar para receber projetos de médio e grande porte?
Enquanto isso, ficamos horas e horas discutindo uma agenda para a Copa de 2014 que não vai resultar em coisa grandiosa, mesmo que para aqui se disponha a vir uma seleção da África ou da Ásia, sem muita expressão. Para ser direto, acho uma perda de tempo quando temos assuntos bem mais importantes para debater. Vamos deixar a vaidade de lado.
Cadê o projeto do Shopping a Céu Aberto? Cadê a instalação da zona turística “Caminhos do Sudoeste”. O próprio aeroporto ainda não saiu do papel. A questão da água é outro problema, sem falar na melhoria dos transportes públicos e alternativas para o tráfego da cidade que já está travado.
Sobre as novas unidades da UFBA, a Bahia sempre foi injustiçada e carente em termos de ensino público federal de nível superior. Até hoje, a Bahia é o Estado com o pior índice de vagas em universidades federais por mil habitantes. Apenas de 13% dos 213 mil estudantes universitários estão nessas instituições públicas. Tudo isso graças à nossa arcaica e retrógrada política coronelista.
Bem, queria falar mesmo das bases aliadas de Brasília que estão emburradas com a presidente porque ela tentou fazer uma “faxina” da corrupção. Podem me chamar de pessimista, mas, para mim o Brasil é um caso perdido, a não ser que apareça algum líder estadista sério para mudar este sistema deplorável e explorador.
Não se enganem, a presidente não vai muito longe na sua empreitada. A bandidagem vai continuar. As ratazanas estão por todos os lados. A base do PMDB, por exemplo, é onde está o maior foco de roubalheira. A presidente que passa carões em ministros já fala em “faxina da miséria”. Para fazer isso, primeiro ela tem que realizar a “faxina da corrupção”.
As bases não gostaram de ver seus “camaradas” de quadrilha sendo algemados. Ficaram indignados e enfurecidos. Na “Operação Alquimia”, na Bahia, a Polícia Federal já não mostrou mais os bandidos, e os nomes foram ocultados. Censura na mídia, censura no povo. Sobrou para uma favelada em São Paulo que foi presa com truculência. O povo que se dane. Só serve mesmo para votar.
“Eu estou feliz pelos indianos que estão unidos por uma causa que mudará nossas vidas para sempre – comemorou o professor, de 68 anos, K.C.Malhotra. Para endurecer as leis contra a corrupção, o povo se levantou e foi às ruas protestar. Foi só um ativista ameaçar de fazer greve de fome para uma população de 70 mil se concentrar ao monumento “Porta da Índia”, em frente ao Parlamento.
Estudantes uniformizados (cadê os daqui?), empregados de escritório, desempregados, jovens e idosos agitaram suas bandeiras em defesa da moralidade. No Brasil, as bases aliadas engessaram a nação. Eles querem emendas e cargos para se perpetuarem no poder e poder fazer suas maracutaias.
Eu, professor indiano, não posso dizer o mesmo do meu país. Sinto inveja. Estou triste com tamanha falta de vergonha na cara. Estou decepcionado e desiludido. Os políticos da base tiraram nosso direito de ser feliz. Gozam de mordomias e benesses às nossas custas. Curtem com nossa cara. Traíram suas ideologias e, às vezes, se juntam para dar umas migalhas aos pobres. Um cala boco, para disfarçar.
Senhora presidente, não é dando um prato de comida a quem tem fome que o país vai ser feliz, e sua gente ter orgulho de seus representantes. Antes, senhora presidente, tem que se fazer a limpeza dos corruptos e tirar todos os ratos da nossa casa. Mesmo passando fome, os miseráveis são honestos e querem o que lhes pertence por direito, sem bondade e sem caridade. As bases nos negam até um palmo de chão para o enterro.
domingo, 14 de agosto de 2011
PAPÉIS PODRES E GANÂNCIA
A vida dos terráqueos capitalistas gira em torno dos papéis podres que inventaram para saciar a usura da corrida do ouro. Quando os papéis das ações das Bolsas de Valores caem é aquele vexame na economia, e muita gente entra em depressão e até se suicida. São os verdadeiros deuses sagrados criados pelo sistema capitalista.
Como já previa Karl Marx, é incrível como o capitalismo tem capacidade para se endinheirar, concentrando renda e, ao mesmo tempo, conviver com as crises que são sempre cíclicas. Seus gestores injetam mais dinheiro extraído dos seus súditos e reciclam os papéis, recuperando seus valores. Eles apelam para mais consumismo como tábua de salvação. Aí vem a inflação e tudo degenera. Nada de cortar as benesses deles para manter o poder.
Dessa vez, foi só tirar um “A” do crédito dos Estados Unidos para ruir todo castelo de papéis. Há quem questione que o Império esteja caindo, mas especialistas do sistema acreditam que eles ainda têm muito fogo para queimar, a começar pelo seu poderio armamentista e seu patrimônio científico e tecnológico angariado através do conhecimento de outras nações.
Na semana que passamos procurei registrar outros absurdos e contradições vividos pela nossa frágil e superficial humanidade do ter. Vou me reportar, especialmente, aos fatos ocorridos em nosso país. Para não variar, vamos começar pelos políticos e os donos de Brasília que fazem as trovoadas e as tempestades.
O troféu da corrupção foi passado para outro competidor. Os escândalos agora são no Ministério do Turismo. Ninguém fala mais em Palocci e do Ministério dos Transportes. Ladrões também são organizados e unidos. Vozes de indignação caíram de pau porque os homens foram algemados e expostos. Coitadinhos deles, não mereciam isso.
Do outro lado, quando bandidos comuns são presos, os policiais agarram-os pelos cabelos e mandam a mídia fazer suas imagens. Os direitos só para os engravatados de ternos. Os políticos ficaram furiosos e querem agora que a presidente libere suas emendas parlamentares, fontes das corrupções.
As bases ameaçam sabotar os projetos do Governo se não forem liberadas as emendas. Como eles pensam no povo! A grande maioria avalia o nível de relacionamento com o executivo tomando como parâmetro as negociatas de trocas, na base do toma lá, dá cá. São essas as “bases”.
Em forma de procissão, caras tristes e chorosas, o povo, vestido de branco, faz suas passeatas pela paz, enquanto lá em cima sonegam nosso direito de segurança. Essas passeatas pedem paz para quem? Para os bandidos? Falta nesses movimentos o espírito de combate à corrupção, exigindo seriedade das autoridades irresponsáveis. Precisamos ir às ruas para protestar, com espírito de luta e revolta, para cobrar o que é nosso.
Em Salvador nove operários morrem na construção civil e ninguém é responsável. Os donos do prédio mandam um advogado como porta-voz e os fiscais correm para apontar as falhas que eles já deviam ter corrigido se não fizessem vistas grossas. É mais um fruto azedo da ganância e da usura do capitalismo que só ver o ser humano como objeto para extrair seus lucros. Diante deles (empresários) não existe contabilidade humana, só de cifrões. Cortam até gastos na segurança para superfaturar.
Ainda em Salvador, duas adolescentes burguesas entram num Shopping e furtam produtos caros em lojas sofisticadas. São tratadas como coitadinhas, e uma vendedora fica com pena. “Tão lindinhas e branquinhas”! Aonde vamos chegar com isso? Fossem pobres, feias e lascadas eram logo chamadas de marginais que mereciam cadeia e porrada.
Não, as meninas “bonitinhas” nem foram apresentadas à Casa do Menor Infrator e nem suas iniciais saíram na imprensa. A Justiça escolheu como pena alternativa a prestação de serviços numa comunidade beneficente. Ficamos o tempo discutindo preconceito racial quando o maior é o social. Brigamos entre nós, com xingamentos, enquanto eles riem da nossa cara.
Quem anda muito em shoppings é bom observar que estes estabelecimentos estão sempre cheios de jovens estudantes passeando, sem nada fazer, a qualquer hora do dia e da noite. Não estudam? Os jovens de hoje fazem tudo, menos estudar, isto porque nossa educação é de “boa qualidade”.
Enquanto isso no Chile, onde o ensino é bem melhor que no Brasil, os estudantes vão para as ruas brigar por melhorias no nível da educação. No Brasil, a UNE, cooptada pelo governo, fica calada. Todo mundo está satisfeito com o que tem. Parece até que temos a melhor educação do mundo.
A escolha do sistema modal de transporte de Salvador é uma verdadeira lambança dos políticos para captar votos. O povo que se dane. De um lado os donos de ônibus que financiam as campanhas políticas, do outro lado as empreiteiras poderosas que fazem também o mesmo. Estão de olho na “butique” nossa. Ora se separam, ora se juntam quando o bolo é fatiado.
É uma tremenda picaretagem para se armarem para as próximas eleições. Os donos dos transportes chegaram a oferecer R$600 milhões para bancar os serviços. Sabem que logo vão ter R$600 bilhões de retorno. Depois da safadeza, os governantes ainda têm a cara limpa de anunciar que vão fazer audiências públicas para discutir o que lês já decidiram. É assim que eles tratam nosso povo. E todo mundo engole e tome voto neles.
Para não ficar só aqui, no Rio de Janeiro, em Niterói, uma juíza é morta por bandidos policias do extermínio com 21 tiros. No Brasil, quem é sério é marcado e excluído da sociedade. A juíza prendia os corruptos e exterminadores, e estava sem proteção.
Enquanto isso, as ratazanas continuam roubando nosso queijo e destruindo nossa casa. Eles proliferam, mas o Lula pede moderação à sua afilhada presidente na perseguição aos roedores. Afinal, aprendemos muito bem sua lição. Não ouvimos, nem estamos vendo nada, quanto mais ratos no assoalho e nos porões.
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