segunda-feira, 28 de junho de 2010

SÃO JOÃO E FUTEBOL


Andei por aí viajando e atarefado, mas sempre pensando em retornar e aterrissar no meu aeroporto para trocarmos umas idéias. As festas juninas e essa Copa do Mundo de Futebol de poucos craques e muitos pernas-de-pau me deixaram meio zonzo e fora do ar. A gente, muitas vezes, com esse mundo confuso, perde a noção e acaba saindo do caminho.

Primeiro queria dizer que a Prefeitura de Vitória da Conquista está acertando a mão na festa junina, realizando um São João cultural e autêntico, com a visão de preservar as tradições. O Arraial da Conquista, o palco “Pé de Serra do Periperi” com apresentações de forrozeiros cantando as canções da terra, sem letras de apelações, e o Memorial do São João na Casa Regis Pacheco indicaram que esse é o caminho do resgate da festa para que Conquista seja uma atração de visitantes neste período.

É bom ver isso do poder executivo local quando a maior parte das prefeituras vem descaracterizando o São João, misturado ao trio elétrico, ao axé music e outros ritmos com bandas que não têm nada a ver com a tradicional festa nordestina. Sempre defendi e disse que Conquista podia e pode fazer uma festa forte para atrair outros municípios da região, da Bahia e até do Brasil.

Levantar essa cultura que está se perdendo é elogiável e esperamos que no próximo ano seja melhor ainda como o grupo “Para o Ano Sai Mió”, abrindo espaços também para atrações de fora que cantam o verdadeiro São João no ritmo do xote, do xaxado e do baião ao som do triângulo, da zabumba e da sanfona. Não a esse São João da Calcinha Preta e de outros conjuntos que enfeiam a nossa cantoria com gritos, guitarras e letras vazias.

Não é somente a música do Jackson do Pandeiro, do Gonzagão e de outros seguidores que precisa ser resgatada. Também as comidas, as bebidas típicos e os costumes têm que ser preservados dessa contaminação consumista e da alienação geral que invadiram o território da cultura popular implantada desde os tempos coloniais.

O Memorial do São João na Casa Regis Pacheco fez essa leitura para despertar nas pessoas, principalmente nos jovens, de que a festa junina precisa ser protegida do arrastão dos donos de bandas e trios que só visam o lucro e não estão nem aí para a tradição junina. O Arraial da Conquista, mostrando os elementos nordestinos, e o São João “Pé de Serra do Periperi” no palco da Praça Barão do Rio Branco deixaram a mensagem de que se pode fazer uma boa festa, vivenciando as raízes da nossa gente.

Ainda existem mais espaços para se investir e explorar, inclusive em atrações de fora dentro da linha da festa. Minha observação é que se tome o cuidado quanto a pontualidade das apresentações. Outra questão a se pensar é quanto o intervalo entre as bandas. Um buraco muito grande entre uma apresentação e outra deixa as pessoas impacientes e muitos terminam indo embora. A apresentação de Targino Godim, por exemplo, demorou quase 30 minutos para afinar seus instrumentos. A música não pode parar e isso pode ser preenchido com outro palco menor.

E por falar em espaço é bom que a Prefeitura inclua no seu planejamento para o próximo ano mais sanitários públicos higienizados para atender a demanda da população. A divulgação da festa nas diversas modalidades da mídia na região e na Bahia é muito importante para atrair mais visitantes e até evitar que os moradores viagem neste período para outros locais.

O policiamento deve estar presente e constante, mas não precisa fazer exibições em praça pública como aconteceu no último domingo com a revista exagerada de jovens e até crianças que se encontravam na festa. Crianças não podem ser constrangidas em público como ocorreu em revistas ostensivas, chamando a atenção de muita gente curiosa que parecia mais se deleitar com a ação, inclusive tirando fotos. O policial tem que ser orientado a realizar seu serviço com moderação.

Quanto ao futebol, essa Copa do Mundo é insosa. O ufanismo alucinante deixa o brasileiro sem senso crítico para analisar com mais critério o nível da seleção. Para o brasileiro, as mãos de Thierry, da França, e de Maradona, na Copa do México, são imperdoáveis e desonestas, mas o braço de Luiz Fabiano é considerado correto.

Não entendo como numa Copa sem muitos craques, os cronistas esportivos ficam torcendo para que as melhores seleções e os melhores jogadores saiam de cena! Essa atitude só pode ser compreendida como falta de confiança na seleção brasileira, ou como anti-futebol. Ninguém liga mais para o futebol arte e espetáculo. O bom futebol merece ser aplaudido e elogiado, mas nos contentamos com os pernas-de-pau.

Não me entusiasma e não tenho muita coisa para falar desta Copa. No Brasil, cada vez mais o povo está contaminado e esquece dos problemas maiores do país. É uma alienação geral e tudo virou festa. Não dá para entender que no dia do jogo da seleção o Brasil pare e todas as empresas fechem suas portas para acompanhar uma partida. Mesmo na época da ditadura com toda propaganda ufanista dos generais não se via isso.

Ninguém está ligando para o estrago na economia, e a grande maioria só que saber da festança com muita farra regada a bebidas, chegando até a violência no trânsito com mortes. Todo esse quadro demonstra um vazio de conhecimento e um alto nível de fanatismo. Torcer é uma coisa compreensível, mas não precisa ser tão exagerado. A mídia muito contribui para este quadro tão ufanista e cego. A seleção do Chile é uma manteiga só.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

SE FOSSE COMO NO FUTEBOL!


Ah, se o povo brasileiro se interessasse, discutisse e entendesse de política como acontece com o futebol! Pelo menos que fosse a metade já se poderia dizer que temos um bom nível de politização. Ah, se exigisse uma educação de qualidade como se faz com o futebol do técnico Dunga! Ah, se brigasse pela melhoria da saúde como se irrita quando os jogadores da seleção não jogam um bom futebol! Ah, se protestasse contra a corrupção como se faz quando seu time joga mal!

Mas, tudo isso fica no “se fosse igual”, “se a empolgação fosse a mesma”, ou pelo menos parecido. Faça um seminário sobre futebol e você terá o auditório superlotado. Todos vão querer falar, dar palpite, sugestões e apontar defeitos e erros. As soluções para melhoria brotam, e jorram as idéias. Vai sobrar inspiração, e você vai ver que todos entendem do assunto. Ninguém quer ficar de fora das rodadas de discussão.

Quem sabe um dia não cheguemos lá! É bom sonhar e torcer para que a política, a educação, a saúde e outros temas essenciais ao bem-estar da população sejam discutidos e cobrados com a mesma ênfase. É tempo de Copa do Mundo e todos estão unidos num só pensamento, numa só energia positiva para que o Brasil seja campeão, seja hexa e traga o caneco lá da África do Sul. Se não der verto, ai de Dunga e de seus companheiros!

Como dizia o escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues, “somos o país das chuteiras”, e até derrubamos sua teoria de “complexo de vira-lata” que existia antes. Agora somos respeitados quando a seleção entra em campo e os adversários tremem as pernas. Nada de inferioridade! Sentimos orgulho da camisa verde-amarela e só queremos uma partida com goleada. Nada de empate ou 1 x 0.

Ah, se tivéssemos o mesmo orgulho com a política e com os nossos políticos no campo da seriedade e da ética! Se tivéssemos uma educação de qualidade e uma saúde de bom atendimento para nos orgulhar! Se tivéssemos segurança para todos! Infelizmente, a preocupação com esses itens não é a mesma como no futebol.

A esta altura do campeonato, já tem milhões por aí rezando para Santo Antônio, São João, São Pedro e para Todos os Santos para que o Brasil seja mais uma vez campeão. Coitados dos santos que já têm tantas coisas para resolver! Esses devotos não têm pena de seus santos? Dá um tempo!

Se o Brasil ganhar a Copa, vamos ter mais 11 heróis que serão recebidos pelo presidente da República; desfilarão de carros abertos pelas principais avenidas das capitais; e até serão utilizados pelos políticos para se elegerem. Vai ter jogador sendo chamado para se candidatar e serão mostrados como exemplos de vida para a Nação.

Como o assunto é mesmo futebol e ninguém quer saber de outra coisa até o final da Copa, ou até o final do ano, vamos trocar umas idéias sobre esse torneio mundial que teve início em 1930. Eu também entendo de futebol, pois já joguei na seleção de Amargosa e só não me profissionalizei porque na época era menor de idade e meu pai detestava esse esporte. Além do mais, era seminarista. Não precisam amaldiçoar meu pai porque ele já faleceu. Não sou técnico, mas também me atrevo a dar meu parecer, com certa autoridade.

Desde menino acompanho as Copas, isto é, desde 1958 quando o Brasil foi campeão na Suécia. De lá para cá já se foram 14 Copas. Em 58 tinha 11 anos e já escutava alguma coisa sobre a vitória e as diabruras de Pelé, Garrincha, Didi, Zagalo e outros em campo. Em 62, de Garrincha e de Amarildo, quando já jogava no Santos, do Seminário de Amargosa, passei a me interessar bem mais.

Portanto, também posso dizer que na minha análise, a melhor seleção e a mais completa foi a de 1970, e a mais feia a de 1994 com Dunga. A de 50 foi de lágrimas. A de 58 deixamos de ser vira-latas. A de 62 foi só vibração. A de 78, se não fosse o Peru e a Argentina. A de 86 foi a esperança que ficou no caminho. A decepção foi a de 98. A de 2002 estava desacreditada. A de 2010 tem a cara de Dunga e Parreira, mas não acredito que seja campeã. Não precisam me trucidar, mas me arrisco sabendo que estou dando pitaco na paixão do brasileiro.

Estou acompanhando todos os jogos e até o momento não me empolguei, a não ser um pouco mais com a Alemanha que saiu daquele futebol marrento e sonolento. O que mais venho observando é a escassez de craques, daí os resultados apertados e sem espetáculo. Nos últimos anos sentimos a grande escassez de craques como temos escassez de líderes no mundo e no Brasil para nos conduzir.

Entendo que o futebol não pode se resumir apenas em gols e vitórias. Para mim tem que ter espetáculo para ser arte. Até agora não vi espetáculo e o futebol molecagem como dos meninos que ficaram na Vila Belmiro e do próprio Ronaldinho Gaúcho. Para mim tem que ganhar e mostrar dribles, criação e poesia. Hoje, sinto falta disso tudo. Hoje é raça e preparo físico, misturados com uma técnica quase que padronizada de um mesmo ritmo e de um mesmo compasso de passes errados.

Como no futebol, o brasileiro também deveria exigir empenho e craques na política, na educação, na saúde e na segurança pública, principalmente. Ah, como seria bom se existisse uma torcida forte contra a corrupção e contra os políticos safados! Ah, se existisse uma marcação dura para melhoria da educação e da saúde no país como existe para que a seleção ganhe todas e erga o troféu!

domingo, 6 de junho de 2010

PAPOS DE BOTEQUINS E OUTROS


O cara chega ao bar, pede uma cerveja e pergunta para a garçonete:
- Como é mesmo esse feriado de Corpus Christi? Explica aí, é coisa de finado, não é?
É, pode até ser, depende da interpretação. O finado Cristo morreu na cruz para salvar a humanidade dos pecados, inclusive da ignorância. Pelo visto, não adiantou nada.

Já saiu por aí indagando às pessoas nas ruas, principalmente estudantes, sobre o significado do 2 de Julho, do 21 de abril, do 15 de Novembro, ou outras datas históricas do país? As respostas são as mais absurdas e cômicas, para não dizer que são tristes e lamentáveis. Feriado é feriado, não importa...

E por falar em feriado, o nosso país bate recorde. A maioria nem quer saber do que se trata. E os dias religiosos. Aliás, só da Igreja Católica. E o Brasil não é um Estado laico? Já imaginou se no dia 12 de outubro todos brasileiros fossem obrigados a ir à Igreja prestar uma homenagem à sua padroeira Nossa Senhora Aparecida? E na Semana Santa? É época de muita comelança e de embriaguez. A violência aumenta, sobretudo nas estradas. Um escritor francês dizia que enquanto Cristo tomba, a humanidade cambaleia. E cadê a Santa, perguntou um bêbado para o outro.

Nessa época de Copa do Mundo, como não poderia deixar de ser, o papo que mais rola nos bares e botequins é sobre a seleção de Dunga e sua teimosia em contrariar a escalação dos torcedores, deixando aqui os Meninos da Vila e o Ronaldinho Gaúcho lá.

Nesse assunto todo mundo é técnico e tem os mais especializados que dedicam suas 24 horas a saber tudo de jogadores. Eles se acham o máximo. Tem o torcedor que se mata e está disposto a tudo, como ficar 24 horas numa fila, faça chuva ou faça sol, para comprar um ingresso. Não importa se aquele dinheiro era para comprar o leite dos filhos. Não conte com ele para um movimento contra a corrupção, ou a favor da melhoria de sua vida.

Já observou o monte de besteiras que os nossos jogadores soltam nas entrevistas coletivas? É de fazer pena. É uma vergonha para a nossa Nação. Comparam a bola com mulher de malandro, com “patricinha” e coisa parecida. Perdoai, Senhor, porque eles não sabem o que falam!. Pelo amor de Deus, não façam perguntas de cunho político, social ou econômico.

Os gostos musicais deles variam entre pagode e sertanejo. Não mais que isso. Não sabem ler e escrever, mas ganham fabulosos salários e são ídolos e heróis. É a inversão tremenda de valores. Jogador de futebol no Brasil é a cara da nossa educação. Com fama e dinheiro, muitos deles começam a fazer bobagens e até apologia ao tráfico de drogas.

O cara sacou R$60 mil para o traficante comprar tudo de cestas básicas. É muita cesta. O moço é caridoso. Também, aprendeu com quem? Estamos no país da cesta básica. E o torcedor no bar dizia para o outro que o dinheiro era dele e podia fazer o que bem quisesse. Nada demais. Seu apoio era incondicional.

E vem aí a febre dos pais botarem seus filhos numa escolhinha de futebol para que eles aprendam a ser craques. O menino toma gosto e logo deixa os estudos. Entra num time médio e acredita que vai virar craque e ganhar muito dinheiro. Só que o tempo passa e ele não vai além de um jogador medíocre. No final, nem futebol, nem o ensino. A desilusão chegar tarde demais. Quanto ao resto, todos sabem o que acontece.

O cara foi chegando ao botequim e falou logo para o companheiro: O Lula estava comandando um barco que ia para a Faixa de Gaza e foi barrado pelos israelenses. O cara é demais! Também ninguém sabe por onde ele anda! E o FHC foi quem levou a fama.

- Agora vai dar certo e a violência não vai ter mais vez! Como assim cara! - Perguntou o malandro para outro. Ué, agora já temos o Comando da Paz, em Salvador, que está acabando com o Primeiro Comando da Capital. É loucura, meu camarada!

Noutro dia desses estava numa banca de revistas e um senhor de idade lascava com a nossa frágil democracia, dizendo ser uma baderna total. Até aí dava para aturar. Enquanto escolhia umas revistas, escutava calado, fazendo de conta que nada ouvia.

A conversa sobre política fluía e estava ficando animada com outro senhor. Tudo indicava que eles estavam se conhecendo naquele momento, mas se interagiam muito bem nas idéias.

O senhor de idade que estava metendo o cassete na democracia se empolgou demais e soltou aquela pedrada:

- Na ditadura a coisa era bem melhor porque se tinha ordem – disse o senhor de cabelos grisalhos - reforçando sua máxima:

- E olha que eu acompanhei e vivi aquela época. O dono da banca de revista olhou para mim e piscou o olho, como se dissesse: Melhor ficar calado. Foi difícil me controlar, mas é duro ainda ter que ouvir essa blasfêmia. Quem sabe não foi um dedo duro da ditadura!

Misturando democracia, ditadura e eleição, o outro ao lado ensinava que o certo nessas eleições era votar nos novos, para mudar a situação. Essa pregação não é nova, mas faltou a ele refletir que isso já foi feito, só que os novos eleitos logo se coligaram com a velharia e começaram a montar seus esquemas de patifarias. É o sistema que é bruto, meu camarada.

Paguei logo a conta e sai com pressa porque num papo desse tipo, melhor ficar em silêncio e se afastar. O nosso SUS não tem nenhuma estrutura para atender um enfartado. Você acredita que o Brasil vai ser um país desenvolvido e potência sem educação de qualidade?

terça-feira, 1 de junho de 2010

O SISTEMA E A PALMADA


A questão não é ser otimista ou pessimista, de direita ou de esquerda, conservador ou avançado, moralista ou liberal. A questão é de senso crítico, conhecimento, de racionalidade e de interpretação politizada sobre o nosso sistema que está todo podre e se ruindo com deformações e pingueiras por todos os lados. Sobre a palmada, falo mais na frente.

Trata-se de uma análise histórica desde os tempos coloniais, passando pela opressão do coronelismo até os dias atuais onde a oligarquia política continua manipulando as classes pobres e analfabetas que não conseguem decifrar as manobras do poder e ainda são usadas como massas de manobra. Pode até ser um chavão antigo, mas é a verdade.

Como diria no popular, o buraco é mais embaixo, meu camarada. Para entender toda essa engrenagem do sistema é preciso se debruçar nas pegadas das armadilhas e das falsas demagogias políticas de igualdade e inclusão social. Crescimento econômico não significa distribuição de renda e redução das desigualdades sociais.

Sem educação de qualidade, a máquina vai continuar travada e a grande maioria a viver na ilusão maquiada dos fatos, sem discernir e distinguir direito as cores. Todos lá de cima estão alinhados ao sistema porque dependem dele para a sobrevivência.

O poder atual, por exemplo, usa a expansão do ensino superior como uma das bandeiras de suas campanhas. Ninguém pode ser contra a interiorização das universidades. Ocorre que, só para citar a Bahia, esse projeto foi feito sem critério e planejamento. Foi montado para atender interesses políticos e pessoais.

As salas estão cheias de estudantes, mas ninguém analisa friamente e conscientemente o perfil desses alunos. A maioria não tem base cultural para os estudos acadêmicos e profissionais. E tome cursos e mais cursos de diversas áreas. Muitos fazem para obter um passaporte para o mercado, só que saem despreparados e não conseguem atender as exigências de qualificação.

O negócio é fechar os olhos e fazer de conta que todos estão tendo ensino de qualidade. As nossas universidades do interior vivem constantemente em crises, mas estão sempre criando novos cursos. Por sua vez, a deterioração já vem do ensino fundamental e médio que é de péssima qualidade. A sociedade é posta de lado nas discussões.

O Brasil apresenta certo crescimento econômico, mas com baixo nível na educação. Assim, o país jamais vai alcançar o desenvolvimento de que tanto se fala para ser tornar uma potencia. A não ser no papel ou na ilusão manipulada pelos políticos. As novas gerações já estão pagando um alto preço.

Sem educação eficiente, crescerá o desemprego e a violência. As grandes empresas estão com dificuldade de contratar pessoal qualificado e estão buscando gente no exterior. O engodo e o populismo estão criando um bando de mentes atrofiadas no Brasil, mas quem está de fora vê tudo como um milagre e uma maravilha. Basta analisar o sistema de cotas nas universidades, as quais são mais raciais e discriminatórias. Estão longe de serem sociais e de inclusão.

Para ingressar na universidade, a nota exigida para o cotista é dez vezes mais baixa do que para os não cotistas. Os negros, os indígenas, os que estudaram nas escolas públicas não merecem essa dura penalização futura. Mais uma vez, o poder prefere jogar a sujeira para debaixo do tapete. Mas este é um assunto longo para ser desecado.

São inúmeras as situações onde os brasileiros são enganados com políticas mentirosas que vão repercutir negativamente no futuro. Quanto a insegurança e a violência que reinam neste paraíso de belas praias e paisagens são outros ingredientes indigestos que nos fazem engolir e até nos voltamos uns contra os outros.

Já analisou que neste Brasil oligárquico sempre é pobre matando pobre! Os jagunços matavam os pobres a mando dos coronéis e dos senhores de escravos. A maioria da população de Salvador é de cor negra e de pobres como é formado o corpo policial que espanca, tortura e mata os mais pobres.

Na chacina de Conquista passaram por cima da lei; invadiram os casebres da Serra; e executaram 11 pessoas. A própria polícia contestou as investigações do Ministério Público. Os segmentos da sociedade se calaram, apoiando uma ação que eles entendem ser a mais correta forma de combater a violência. As camadas mais pobres e sem instrução chegam a concordar que a polícia tem que matar mesmo. Já que todos são inocentes e estavam no cumprimento do dever, só resta concluir que não houve chacina nenhuma. Será que invadiriam se fossem mansões?

Nas ruas, os cidadãos são desrespeitados brutalmente e muitos trabalhadores espancados até a morte. Os governantes enchem nossas cabeças de esperanças, prometendo mais armamento; comprar mais viaturas; e colocar mais homens como se tudo isso fosse a solução do problema. Não importa se o sistema continua arcaico com homens despreparados, sem formação humana para tratar bem o contribuinte dos impostos. Assim é mais fácil e rende mais votos nas eleições. Continuamos sendo iludidos e massacrados. A maioria concorda e apóia.

A esta altura, o leitor deve estar perguntando: E a PALMADA? Ah! Esta é um projeto de um parlamentar do Rio Grande do Sul para punir os pais que derem uma palmada nos filhos, inclusive obrigando-os a freqüentarem um psicólogo para devido tratamento mental.

Talvez se nossos governantes e políticos tivessem tomado umas palmadas quando crianças, hoje não estariam roubando, enrolando e cometendo desatinos contra a coisa pública, nem fazendo populismo barato. Talvez levassem a política com seriedade e priorizassem a educação. Talvez nosso sistema fosse mais humano e igualitário. Talvez nem fosse necessário se ter um Estatuto da Criança e do Adolescente que se diz moderno, mas que na prática não funciona como deveria. Criam um Conselho Tutelar sem estrutura e se faz uma eleição numa cidade de 300 mil habitantes onde só três mil votaram A isso se chama participação popular. Vivemos no faz de conta.

Já falei demais, mas tinha muito mais coisa para citar no campo da ironia e da contradição como o voto obrigatório onde políticos explicam que é uma forma de aperfeiçoamento da democracia. E ainda dizem por aí que o brasileiro já aprendeu a votar. Conversa mole para boi dormir. No mais, podem me xingar e jogar as pedras.