segunda-feira, 31 de outubro de 2011

VENDENDO ILUSÕES

Só porque temos uma casa, um carro e um emprego achamos que somos felizes e livres. Consideramos o bastante para justificar e dar sentido, às vezes, à nossa existência. Preferimos nos enganar. Os corruptos rifam nosso dinheiro, mas vão pagar no fogo do Inferno de Dante. Vendem ilusões para os eleitores, ensinando uma falsa lição.

O capitalismo nos enche de ilusões nas vitrines dos shoppings nos empurrando ao consumismo em nome de uma igualdade que não existe. Mesmo assim, fazemos das “tripas coração” para não ficarmos de fora da festa, acreditando nos apelos das propagandas. O Natal está chegando e já começou a temporada do “limpa nome” nas lojas para sujar logo depois. Botam em nossas cabeças de que comprar é preciso.

Desde menino que escuto que o Brasil é um país do futuro e continua assim nos empanturrando de números estatísticos que nos fazem crer que somos uma potência, mesmo convivendo com as calamidades da saúde, da educação e da pobreza, sem falar na violência do dia-a-dia. Berramos nas torcidas pelo nosso time de futebol, mas silenciamos diante das mazelas e das falcatruas.

Venderam-nos a ilusão de que Salvador iria sediar a abertura da Copa de 2014 e jogos da seleção. Dizem-nos agora que vamos ter um time cabeça-de-chave. Em Conquista propalam que a cidade vai ser subsede e tem gente até achando que vai ter jogos no “Lomantão”. Mesmo que receba uma seleção da África ou da Ásia, o que vamos ganhar com isso?

Depois de tanto jurar mudanças na política e na condução do país, o PT perdeu a virgindade e se misturou aos farelos em troca de um poder. Todos partidos falam em nome do social e pregam o ser humano em primeiro lugar, só que seus donos não abrem mão de seus privilégios e tudo fazem para não renovar a forma arcaica e atrasada de fazer política.

O Governo faz uma faxina superficial das sujeiras, apenas trocando nomes, deixando o feudo nas mãos das alianças, e ainda acreditamos que a presidente está acabando com os “malfeitos”. Continuam nos vendendo ilusões como na interiorização da cultura e no tombamento de obras e expressões artísticas populares. Acreditamos que temos uma política cultural.

As faculdades particulares abrem um monte de cursos de graduação e pós-graduação sem qualificação, incutindo nos jovens um futuro melhor no mercado de trabalho. Só depois caem na real que foram iludidos com o conto do diploma. A sociedade continua desprotegida e não sabemos para quem apelar. As operadoras telefônicas e outras de prestação de serviços públicos nos deixam como babacas esperando no outro lado da linha.

Contam uma mentira de que as ONGs (Organizações Não Governamentais) não têm fins lucrativos. Estão mais para Organizações Nutridas pelos Governos. Dá para acreditar? Muitas delas são verdadeiras arapucas para pegar dinheiro fácil dos convênios. Alimentam-se das tetas do Governo. Fizeram-nos também acreditar nelas.

O Estado faz campanhas de prevenção à saúde como agora está planejando contra o câncer de laringe descoberto no ex-presidente Lula. Aí, iludido o paciente vai ao posto de saúde, só que não encontra vaga para uma consulta, e quando consegue é para seis meses depois ou um ano. Assim acontece com outras campanhas contra o câncer de próstata e doenças coronárias.

Aliás, somos enganados o tempo todo e em tantas coisas que nem nos incomodamos mais com isso. Parece que gostamos de ser enganados. Os mercadores de ilusões estão nos estatutos, nos códigos, nas leis e em outras normas e regras que inventam aos montes para nos dizer que está tudo bem.

Agora querem outra vez nos ensinar que aumentar o número de vereadores nas câmaras nos vai fazer bem para a “representação popular”. Que não vão aumentar os gastos e que vão ficar bem comportadinhos em suas cadeiras como meninos obedientes. Viciaram em nos vender ilusões.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

NOSSO ESPAÇO CULTURAL

O gancho do assunto era outro, mas resolvi mudar depois de mais uma semana de cantorias, cantatas e discussões com amigos e amigas no meu simples e modesto “cafofo”, ou aliás, Nosso Espaço Cultural divertido e instrutivo, na rua “G”, 296, do Jardim Guanabara, ou bairro Felícia, como queiram.

Não queria falar sobre estes encontros sabáticos, pelo menos por enquanto, mas estou sendo forçado em razão da dimensão que estas “reuniões” informais tomaram, com amadurecimento contínuo de idéias brotadas das cabeças iluminadas dos frequentadores da noite. A coisa ficou séria.

Portanto, peço permissão e licença dos companheiros e companheiras para adiantar algumas considerações sobre o Nosso Espaço Cultural, e digo, nosso porque não mais me pertence o pequeno acervo que nos acolhe todos os finais de semana, com livros e obras de grandes autores, objetos artesanais, coleções de vinis, filmes em DVDs, fotografias, chapéus e outras quinquilharias populares.

A idéia nasceu do “Vinho e Vinil” que há dois anos vem sendo realizado com o propósito de resgatar a boa música dos discos chamados de “bolachões” dos anos 60 e 70, e de um bom “bate-papo” regado ao vinho. No primeiro estiveram José Carlos, Genivan, o cantor e compositor Mano di Souza, José Silva, José Carlos D´Almeida (sempre presentes) e outros convidados.

No segundo “Vinho e Vinil” (julho deste ano), o amigo Mano Di Souza arrastou seus filhos e esposa, acompanhados da cantora Marta Moreno quando fizemos uma noite musical com total espontaneidade que agradou a todos. Convidamos mais intelectuais e artistas, mas devido as obrigações pessoais não puderam comparecer. Mais uma vez as presenças dos fotógrafos José Silva e D´Almeida.

A partir de julho os encontros continuaram nos finais de semana, mesmo sendo, às vezes, a dois, como ocorreram entre eu e D´Almeida. O mais importante é que a intenção de criar um Espaço Cultural não morreu. Persistimos chamando as pessoas a comparecerem.

Aí apareceu o Augusto Queiroz, assessor de Comunicação da Embasa e nova personalidade da cidade que se integrou ao pequeno grupo para dar uma força, e que força. Juntou-se à irmandade o cantor, compositor e ambientalista André Cairo, para solar na sua viola belas músicas derramadas de poesias e protestos.

Para encantar mais ainda as noites temperadas de muitas conversas e ricas de informações, estiveram sempre presentes as amigas Nadir e Camila com seus sorrisos de meninas. Mais inspiração e mais sugestões se afloraram, sempre caminhando para consolidar o Nosso Espaço Cultural, num plano normal como as coisas devem ser feitas democraticamente.

Recebemos também a visita, mais uma vez ilustre, do companheiro Genivan, acompanhado de sua esposa. Debatemos muitos assuntos, especialmente a forma de concretização de mais um Espaço Cultural em Conquista, voltado para a comunidade e às pessoas interessadas em cultivar o conhecimento.

No último sábado (dia 22) tivemos a honra de receber o menestrel compositor, cantor e pintor, Roberto Bach (pode ser Mozart) que nos privilegiou com um som que os ouvidos adoram escutar. Irreverente com suas tiradas e espírito crítico, Roberto somou-se ao grupo a convite de Nadir e Augusto. Só tenho que agradecer a todos.

Não foi só isso, além da presença marcante de Camila, com as honras da casa pela minha querida Vandilza, o encontro cultural também contou com a voz e o som de Mano de Souza “doidão”. Foi mais uma noite memorável. Cada um traz seu vinho (pode ser outra bebida) e colabora no tira-gosto, que não pode faltar.

Vamos deixar de papo e tratar do que mais interessa que é a criação do Nosso Espaço Cultural que, como disse antes, não pertence só a mim. O projeto ainda está embrionário, mas vai prevalecer a vontade democrática do grupo para que se torne realidade.

Para tanto, convidamos mais gente para se juntar a essa empreitada cultural, inclusive com o apoio imprescindível de órgãos públicos e entidades do segmento. Um alô ao nosso amigo Miguel Felício e demais.

Não dá mais para voltar atrás. Agora somos todos responsáveis. O objetivo é unir num só espaço a expressão de várias linguagens artísticas, da cultura acadêmica à popular, principalmente.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

BANDIDA SAFADA!

Com os movimentos começando a mostrar a cara (ainda que de forma tímida) em várias capitais do país contra a corrupção no governo, no legislativo e no judiciário, os mesmo que querem que permaneça a roubalheira estão dizendo que são grupos de mauricinhos e patricinhas, coisa da elite.

Que seja, e que venham também os esmolambados, esfarrapados, descamisados, os riquinhos e as riquinhas, os heteros e os homos, os negros e brancos, intelectuais e artistas de todas as linguagens porque a bandida da corrupção está em todo lugar e não tem vergonha de entrar em surrupiar nosso dinheiro.

A indignação não deve ter cor nem classe. As centrais sindicais deveriam sim se envergonhar. Preferem ficar de fora e dar as costas ao povo. A UNE (União Nacional dos Estudantes) também não se engajou nas manifestações como fez historicamente na década de 60 em defesa da democracia e de uma boa educação. São as bandidas cooptadas.

Apareceu um “articulista” por aí querendo se aparecer, dizendo que a corrupção e os supersalários dos deputados e senadores são coisas secundárias. O mais grave, na sua concepção, são os altos juros cobrados pelos banqueiros, verdadeiros espoliadores da nação.

É uma brincadeira! Eles também estão no rol dos corruptos, como os empreiteiros que fazem “doações” para os políticos para depois receberem o triplo em troca, na base dos superfaturamentos, sem contar as comissões pagas para terceiros.
Devemos lutar contra toda essa cambada de “malfeitores” que praticam assaltos à luz dia. O número de deputados e vereadores (querem aumentar mais ainda) com seus supersalários é outra afronta num país com baixos índices na qualidade da educação e da saúde, sem contar a grande dívida social.

Não me venham com essa de querer dizer que as críticas contra a corrupção nos ministérios e entre os políticos são coisas de uma “mídia golpista e mafiosa”. Dá para entender que a mídia tem seus defeitos e interesses, e não é nada independente e isenta. No entanto, a corrupção está aí escancarada para todo mundo ver. Ir contra é um dever.

Aliás, a bandida está presente em todo lugar, não somente entre os políticos e governantes. A bandida contaminou as ONGs que recebem um “montão” de dinheiro dos governos e embolsam a grana, sem nada fazer em benefício do povo. Está nas filas e nas ruas quando alguém procura atravessar os outros para levar vantagem em tudo.

A bandida é tão safada que foi dar plantão no judiciário, vendendo sentenças. Está nas repartições públicas recebendo propinas. Está no trânsito apagando multas dos motoristas, invadindo sinais e dando “roubadinhas”. Está nas salas de aula quando professores fazem de conta que ensinam. Está nos alunos que copiam trabalhos na Internet.

A bandida não dá trégua, nem tira férias. Contaminou tanto que virou uma espécie de cultura brasileira e esconjura quem não seguir seu rastro, ou não estiver ao seu lado. A bandida jogou a honestidade na vala comum entre os renegados e marginalizados.

É preciso, pois, um bom combate com mais e mais gente nas ruas e praças para enfrentar a bandida que virou uma fera indomável e insaciável. Virou uma vampira que se habituou com a luz do dia. Ela nem liga mais e faz questão de que a chamem de bandida, ou de bandido, como queiram.

Por falar nisso, o ministro dos Esportes, Orlando Silva, do PC do B (quem diria!) foi chamado de bandido que também chamou o outro de bandido. Que bandalheira! Que vergonha! O ministro ofendido nem ao menos disse que processaria seu desafeto por calúnia. A ratazana continua roendo a roupa de Roma. Batem boca, mas depois se reconciliam.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

"PÃO REQUENTADO"

Alguém me passou uma gripe braba, daquelas do tipo “Sarney”, ou “faxina dos malfeitos”. Para não ficar mais irritado e emburrado, não vou falar de corrupção, mas alguma coisa ali e acolá, só para variar.

Para começar, podemos refletir sobre o “pão requentado” das notícias das emissoras de televisão. A nossa mídia tradicional, anterior ao surgimento da internet, acompanhou, de certa forma, a evolução tecnológica virtual, mas estacionou no conteúdo e na qualidade.

Uma rede passou quase uma semana “requentando” a notícia de um senhor do interior que teve sua casa arrombada por um ladrão que levou todos seus móveis. Depois de um apelo emocional numa rádio, o ladrão devolveu seus objetos.

Outras redes de televisão não se cansam de “apelar”, mostrando corpos despedaçados no asfalto, ou violando os direitos civis ao passar imagens de casos da fraqueza humana, explorando, sem postura, o sentimento alheio.

As novelas, por sua vez, deseducam colocando crianças com roupas sensuais e se rebolando, incentivando o sexo precoce. Numa delas, uma atriz faz o papel de uma funkeira que faz pouco caso dos estudos.

É ou não é um mau exemplo para os jovens em idade escolar? Mas, muita gente por aí vai achar que esteja sendo conservador. Numa cena, colocam um celular no ouvido de uma criança recém nascida para ouvir a mãe que está distante. O povo continua sendo tratado como gado.

Mudando de assunto, só para variar, O PT que um dia criticou a instalação da Ford no Rio Grande do Sul e sua vinda para a Bahia, agora está a bajular a JAC Motors para montar sua fábrica automobilística em Camaçari, dando inúmeros incentivos tributários que deveriam ser arrecadados em benefício da nossa sofrida educação e saúde.

Tudo por um punhado de empregos e uma “tonelada” de votos. Tome mais carros nas ruas e estradas sem estruturas para receber mais veículos que só fazem poluir e poluir. Destruíram nossas ferrovias para abrir rodovias, para agradar as multinacionais estrangeiras. O sistema é bruto.

O modelo capitalista continua o mesmo velho e retrógrado, arruinando a qualidade de vida das populações, quando deveríamos pensar no desconstruir para melhorar o ambiente e tornar o mundo mais humano e saudável. E é JAC pra lá, e JAC pra cá.

Sem essa, meus amigos, de que a Constituição em vigor é cidadã. Ela virou sim, uma sesmaria corporativista e remendada por todos os lados. Os partidos se tornaram ajuntamento de interesses.

Veja agora o PSD que tem seu DNA na antiga UDN (União Democrática Nacional), conspiradora de Carlos Lacerda, e na ARENA (Aliança Renovadora Nacional) dos tempos da ditadura. Tem ainda a genética do DEM e do PFL de ACM (Antônio Carlos Magalhães).

O “novo” PSD só fez trocar o “S” do final e colocá-lo no meio da sigla. É mais um saco de gatos para arrebanhar votos, com vista a ter mais um assento no banquete do poder. Definitivamente, política no Brasil é não ter vergonha, não ter ética.

Para finalizar (não estou aguentando mais), odeio ir às compras, como o simples entrar numa loja para adquirir uma camisa, ou um sapato. O consumismo tornou a vida mais fútil e banal. Estou com os manifestantes de Nova Iorque que gritam contra esse perverso capitalismo escravizante de modelo neoliberal.

Como a linguagem está se “evoluindo” na internet, logo, logo vamos escrever sem usar o alfabeto. Tudo vai ser na base dos símbolos e das figuras. Muita gente já não sabe mais escrever com lápis e caneta no papel.

Pessoas pobres são aquelas que se apegam ao fútil e se empanturram de banalidades. “Vamos embora que esperar é não saber...” como dizia a canção do poeta.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

SER MULHER NÃO É TUDO

Mesmo os brasileiros sendo acomodados, passivos e sofredores, é difícil deixar de “berrar” contra os corruptos malfeitores, agora tratados por dona Dilma de “malfeitos”, para não ferir seus aliados e comprometer a “governabilidade”.

Nos últimos tempos, fala-se muito sobre a “necessidade” da mulher assumir o poder e ter cargos de comandos no país. A questão não é ser mulher ou homem, negro ou branco. O primordial que se deve levar em conta é se a pessoa tem caráter e ética. Estas duas coisas e mais a seriedade com a coisa pública não têm distinção de sexo e cor. Está na formação de cada pessoa.

Considero provinciana e medíocre essa discussão de que temos que eleger uma mulher ou colocar ela lá no cargo porque ainda predomina o sexo masculino. O que temos que analisar é se a pessoa tem competência e está preparada moralmente para nos representar. Vamos indicar uma mulher só porque ela é mulher e precisa de mais espaço? Não contam os atributos e qualificações? O que precisamos é de gente honesta.

Assim como os homens, temos mulheres prefeitas e deputadas cometendo desmandos, desvios e atos de corrupção, aliás, “malfeitos” como taxou nossa presidente. Por falar nisso, não estou aqui me referindo, especificamente, sobre a presidente, mas de uma maneira geral dentro do conceito que se gerou ultimamente.

O problema maior está no sistema político montado onde foram se criando as brechas para a corrupção em todos os níveis, principalmente o eleitoral e a forma de governar e legislar. A partir daí, todos os outros setores foram sendo contaminados, como o judiciário onde tem mesmo “bandidos de toga”.

Foi uma mulher que falou isso, mas podia também ter sido o homem. Que diferença faz. Quando parte de uma mulher se enaltece mais. Isso já não constitui num grande preconceito? Nós brasileiros ainda estamos numa discussão colonialista, vazia e retrógrada quando temos problemas mais graves para discutir e resolver.

Ainda consideramos o negro e o índio como “coitadinhos”, e a mulher como sexo frágil que precisa ser amparada. Não se pode colocar alguém lá de qualquer jeito no poder. O que precisa haver é uma seleção de qualidades, não importando o sexo.

O que temos que cobrar e protestar é que o povo pare de ser humilhado pelos detentores do poder que não estão nem aí para os direitos humanos. Há muito tempo somos humilhados nas filas dos hospitais, nos bancos, nos fóruns, nas repartições públicas em geral, nas marcações de exames de saúde e nos cadastramentos das esmolas do Bolsa Família.

Somos humilhados com uma educação de péssima qualidade, e humilhados pelos políticos que roubam e os governantes que preferem ouvir os empresários e banqueiros aos trabalhadores.

Somos humilhados pelas câmaras municipais que decidem aumentar o número de vereadores e ainda nos engabelam dizendo que vamos ter mais representatividade. Somos humilhados pelos parlamentares que absolvem uma deputada que foi flagrada recebendo propina.

Somos humilhados quando duas empresas estatais da Bahia patrocinam, com o dinheiro do povo, o show musical do arrogante músico João Gilberto, apresentado só para ricos. Somos humilhados pelo “mensalão” e pelo Caixa 2 de Lula.

Somos humilhados por um governo no qual demos o voto de confiança de que iria haver mudança de comportamento para que o povo não mais fosse humilhado. “Fazer o quê? – Respondeu um senhor já idoso numa longa fila de espera numa dessas lotéricas da cidade, quando abordei o descaso dos políticos e governantes para com os sofridos brasileiros.

É uma resposta de quem não tem mais esperança. É a cara do Brasil que desistiu de lutar. É o Brasil acomodado e sem perspectivas de melhora. O brasileiro apenas sobrevive debaixo da humilhação.

Somos humilhados todos os dias por essa corja de impostores, gazeteiros e vigaristas que prometem e depois se aliam ao bruto e estúpido sistema que só faz esmagar.

E por sermos humilhados todos os dias, muitos terminam seguindo as pegadas dos inescrupulosos e procuram levar vantagem em tudo, humilhando os humilhados para levar a melhor. Vemos muito isso no cotidiano da vida quando um “espertinho” fura uma fila, ou usa um “idoso amigo” para pagar suas contas. São inúmeros os exemplos de safadezas.

Aprendemos tanto com os malfeitores e corruptos que fazemos o mesmo, passando por cima dos nossos semelhantes que já vivem humilhados. Temos questões mais graves para discutirmos do que essa de mulher ou homem no poder. Outra coisa errada é a concepção de que roubar pouco não é problema. Está na cultura de que os trambiques podem ser feitos. Todos querem um naco do oportunismo.

Ser ou não ser mulher, ser ou não ser homem, não importa. O que importa mesmo é se a pessoa vai ter consciência política de defender os humilhados brasileiros e trabalhar com ética, condenando o corporativismo e se rebelando contra esse perverso sistema.