A arrogância e a prepotência estão entranhadas no seio do jornalismo brasileiro, especialmente da parte daqueles “representantes” mais antigos que se acham estrelas e se sentem donos da verdade.
Que cara é esse que diz que toda imprensa no Brasil é medíocre, particularmente os jornais; que não se aprende nada nas escolas de jornalismo; e que somente a Carta Capital sabe escrever; lidar com o vernáculo; não omite e nem mente? É muita presunção.
Esse cara é o diretor-redator da revista Carta Capital, Mino Carta, que é aplaudido e tido como o Papa do jornalismo brasileiro. Na terra de cego... É o cara convidado para palestras nas próprias escolas de Jornalismo e que enche auditórios de estudantes.
É o mesmo cara que chama as estudantes de Comunicação da UFBA simplesmente de meninas que fazem perguntas bobas e burras sobre censura de imprensa no Brasil. Para ele, nunca houve censura, a não ser para os veículos mais corajosos, e todos batem palmas e concordam.
É o cara que trabalhou na Veja, mas hoje diz que o veículo é um desastre e vulgar, onde existe um bando de facínoras. É o cara admirado que diz que o jornal Folha de São Paulo é partidário, mas não admite que a Carta Capital também é quando ele mesmo afirma que apóia o PT porque acha um bom governo. Só ele tem a verdade?
Segundo ele, a imprensa brasileira dá medo, menos a Carta Capital. Mesmo assim, tem alguns pontos em que concordo com a “sumidade” em sua entrevista que deu ao jornal A Tarde quando da sua visita a Salvador para mais uma palestra, para os estudantes de Jornalismo.
Não é uma ironia? A impressão que passa é que os estudantes são masoquistas e acolhem de braços abertos quem nega a importância do Diploma e da formação acadêmica.
Concordo quando se refere ao conservadorismo na imprensa. Não concordo com o apóio declarado ao PT (seja o partido que for), alegando simplesmente que a importância é moral. E como fica o seu leitor? Imprensa não tem que declarar apoio a candidato nenhum.
Se existe imparcialidade falsa como afirma, aí é outra coisa para ser discutida. Não concordo, sr. Mino Carta, em chamar o antropólogo Roberto Da Mata de burro e hipócrita quando disse que a esquerda ao subir ao poder passou a fazer a mesma coisa da direita.. Até concordo com o cara de que a esquerda no Brasil não existe.
Não dá para generalizar de que todo jornalismo no Brasil é medíocre, menos a Carta Capital “que sabe escrever bem”. Até concordo que a burguesia aristocrata é medíocre, bem como, boa parte da mídia.
Concordo de que a Internet está afastando as pessoas do convívio humano e que a maioria está mais atrás de besteiras. Concordo também de que a Internet é um instrumento nas mãos dos covardes que ofendem os outros e se escondem através de codinomes.
Sr. Mino Carta, o ensino universitário, como o todo da educação no Brasil, é deficitário, mas isso não significa dizer que nada se aprende nas escolas de Jornalismo. Pare de esculhambar, por onde passa, com o Diploma de Jornalismo e declarar que não serve para nada. Tudo bem que o jornalista precisa ler muito, mas isso somente não basta.
Cada um tem o direito de contestar, apontar falhas e criticar, mas não pode simplesmente descaracterizar, radicalizar e menosprezar a formação acadêmica de uma profissão que requer conhecimento, conteúdo e ética. Não é apenas dizer que nada se aprende nas escolas. Será que ele pensa que é Deus?
Infelizmente, são essas pessoas as primeiras a serem lembradas pelas escolas de Jornalismo para proferir uma palestra quando se organiza um Seminário de Comunicação. Precisamos aprender a nos respeitar e a valorizarmos bem mais a profissão que exercemos, defendendo com toda garra a obrigatoriedade do Diploma como existe para o Direito, a Medicina, Engenharia e para outras tantas atividades. Mais respeito, sr. Mino!
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