Ainda estamos na fase da discussão das cores e do sexo e longe de avaliarmos o terreno da competência, da ética, da moral, da coerência política e da justiça. Ainda não superamos nosso complexo medieval.
Sinto como se estivéssemos atrasados 500 anos quando aqui nestas terras desembarcaram os degradados trazendo os fantasmas da inquisição e um bando de aproveitadores, corruptores e corrompidos.
Não dá mais para ficar ouvindo e lendo os arrotos “intelectuais” e complexos sobre cores negras, pretas, brancas, pardas, mamelucas, indígenas, morenas, amarelas e tantas outras.
Estamos ainda naquele nível ralo de nos orgulharmos quando um negro ou uma mulher assume um cargo importante nessa República arcaica de 122 anos que não tem nada de coisa pública.
Não me interessa e não me importa se é uma mulher, gente de cor ou homossexual que vai gerir, governar a prefeitura o estado ou o país. O que conta é se tem competência, honradez e senso de justiça social. Se a pessoa é íntegra ou se é ética.
Estão aí os idiotas de plantão e os cegos de espírito para atacar com tridente aqueles que se atreverem a criticar o comportamento e o trabalho de uma mulher ou uma “pessoa de cor” no cargo de comando dos nossos destinos. È só fazer um comentário contra para logo taxar o crítico de preconceituoso, machista e racista.
Isso demonstra o baixo nível de raciocínio e instrução. É mais uma prova do nosso atraso e que não superamos ainda o passado de opressão. Insistimos em ressuscitar os fantasmas quando deveríamos combatê-los através do prisma da competência. Sem essa de vou votar porque é uma mulher, porque é uma pessoa de origem pobre, ou negra. É o cúmulo da burrice e da alienação política.
Não me importa se é mulher ou homem, negro ou branco. Tanto faz. O que conta é se a pessoa é preparada e honesta. Como colocam o debate, por exemplo, o mais importante é ter uma mulher como presidenta, ou um negro como governador ou prefeito, quando o que mais deve ser levado em consideração é se esta pessoa está à altura do cargo que vai exercer.
Com tantas idiotices e baboseiras por aí, muitas vezes tenho rogado para ir logo para outra dimensão. A mídia que temos é a maior culpada por tudo isso e usa seus espaços para vender ilusões e abrir divisões.
É uma mídia vampiresca que se alimenta dos espetáculos macabros, ao invés de instruir e informar com critério e conteúdo. Numa sociedade alienada e, ao mesmo tempo, oprimida pelo politicamente correto, nos enche de Harry Potter e de Crepúsculos. Se não escrevo o nome correto estou lascado no conceito.
Para encher mais ainda seu cofre capitalista, essa mídia que temos só se preocupa em nos entupir de lixo consumista. Agora mesmo, como em todos os anos, em matérias repetidas de sempre, a ordem é limpar o nome num SPC; comprar novamente e tornar a sujar para no próximo entrar na fila e fazer nova limpeza. A impressão que se tem é que a vida só se resume nisso. Quem não comprar um presente de Natal está ferrado e condenado.
Temos uma sociedade vítima desse gavião faminto porque a ela não foi dada uma educação de qualidade para discernir o certo do errado, e não continuar apegada a cores e a sexos. Temos uma sociedade tragada pela competição como objetivo único de vida.
Recentemente, por vários dias, a mídia subiu aos morros do Rio de Janeiro para exibir espetáculos de armas e tanques, com direito a bandeira brasileira hasteada como se o exército estivesse tomando outro país e anexando ao território brasileiro. Não se fala mais nisso. A imprensa está farejando outro espetáculo.
Pouco se falou sobre a omissão do Estado por muitos anos. Quantos bairros favelados do Rio vivem na miséria sem a presença de políticas públicas do Estado? E os verdadeiros chefes do tráfico são aqueles que vivem nos morros usufruindo de mordomias e controlando as comunidades? E como os bandidos fugiram? E a banda podre da polícia que não é mais uma minoria insignificante como dizem? A quem interessou fazer praticar pânico no asfalto com a queima de veículos, sem vítimas. Estamos sem respostas. Quem vai nos dar?
Mais uma vez, a mídia preferiu o espetáculo, manipulando o povo que vê atos de heroísmo em tudo quando não é mais que obrigação tardia e incompleta do Estado. A segurança é um artigo raro que fabrica heróis e mocinhos.
Preferimos ficar por aqui, discutindo cores e sexos; acirrando divisões com movimentos de cunho separatista; e se empanturrando no consumismo, sem enxergar os verdadeiros valores humanos. Temos hoje uma grande camada que ouve e consente dizendo amém a tudo, e uma pequena poderosa que dita as “normas” e “conceitos”. Preferimos o caminho mais fácil e acomodado.
Nenhum comentário:
Postar um comentário