terça-feira, 1 de maio de 2012

OS "PÉS GRANDES" DO "DELTA"

O “Longa Cachoeira” derrama suas águas até a embocadura do “Delta”, ramificado de “torres” por todos os lados. “Cachorro Louco”, “Mão Grande” e “Cabeça de Monstros” estão sempre na espreita para atacar o reino desprotegido, rico em fortunas incalculáveis. A tática é fazer alianças com outros bichos menores e dividir a caça entre eles. O povo desse reino só quer saber de festa e não está nem aí para os predadores. Gosta de ser comido e até aprendeu a devorar carne humana. Canibais! Se esbalda nos shows que seus chefes dão em homenagem ao “seu dia”, por passar um ano inteiro carregando pedras para edificar seus palácios. Os súditos dançam eufóricos ao som dos ritmos de pagodes e sertanejos. Nos outros reinos, só protestos contra os “Pés Grandes”. É apenas o trecho de um conto de ficção de uma terra imaginária onde sua gente, há séculos, insiste em chamar de paraíso. Dramático para uns, romântico e surrealista para outros. Muitos vêm de outros recantos longínquos para conhecer e se divertir com essa gente diferente do outro mundo. Único lugar de gente resignada com o sofrimento que, humildemente, diz amém aos maltratos. Esse povo adora mesmo é assistir a um “espetáculo” no “Circo dos Adestrados”, com ilusionistas que fazem trapaças com dinheiro público, trapezistas engravatados de ternos de luxo e motoqueiros do “Globo da Morte” que combinam roubar tudo pelos celulares. Bonito mesmo são as “torres” iluminadas do alto e os domadores de “feras” estranhas, que acalmam os “bichos” apenas abrindo uma mala cheia de papel. De longe sentem o cheiro. Umas raposas e uns lobos, disfarçados de cordeiros, não param de uivar. O bom mesmo é que no final do “espetáculo” todos recebem um pedacinho de uma pizza feia, distribuída pelos malabaristas. A platéia já treinada, sempre faz o papel de “palhaço”. Eles riem da “barriga doer” com a performance do público. Sempre tem uma cena inusitada que passa despercebida, inclusive de uma turma que faz a cobertura dos eventos. Dessa vez, apareceu no palco um animal engomadinho com uma pastinha na mão, escrito “Delta” em seu verso. Não estava em grego. Era uma pasta em papelão em plena era das mídias eletrônicas. Nela, como foi dito, estava toda estória de uma capitania que prosperou fazendo obras suspeitas para o reino. O “bicho gordo”, chamado de “testa de ferro”, ou capataz, foi encarregado de entregar a pasta para um dos chefes do reinado. Tudo um disfarce para despistar os rastros do “Pés Grandes”. Aplausos para a encenação da “pasta mágica”! Tudo saiu conforme o combinado. As máquinas filmaram tudo direitinho. Ouvi dizer que ela contém receitas de como transformar lama em ouro. Mais uma vez, aplausos da platéia que adora ser iludida. Coisa séria leva vaias. O “Longo Cachoeira”, que não é nada bobo, mandou sua bicharada montar armadilhas para pegar “os peles vermelhas” e depois cobrar pelos resgates. É, mas o grande chefe cacique de “língua afiada” dos “peles vermelhas” deu ordem para reunir seus homens numa cúpula de iniciais enigmáticas para derrubar a tribo inimiga. Muito esperto! O grupo recebeu o código de CPI. Deve ser alguma coisa como Comunidade de Poderosos Imortais. Coisa secreta, de bode chifrudo da meia-noite. O acerto é atacar sem ser atacado, sem sair do roteiro dos ensaios, e com estratégias e limites programados. Chefe branco não é besta não! O final do “espetáculo” já é conhecido, mas tem muito espectador na expectativa de surpresas no embate. Uns até falam em limpeza da área, para acabar de vez com os “Mãos Grandes” e os “Pés Grandes”. Apostam em novo divisor das águas da cachoeira, ou coisa assim, mas tudo deve mesmo é terminar em acordo e aperto de mãos. O grande cacique só quer, na verdade, desviar a atenção dos “malfeitos” do passado. Ninguém lembra mais de nada mesmo! Hoje tem “espetáculo”? Tem, sim senhor!

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