Há séculos, e em todos os instantes de suas vidas, os brasileiros são enganados e, pacientemente, se conformam com todo tipo de judiação e humilhação. Não são somente os políticos corruptos que nos fazem de otários e cordeiros. Trazemos na ponta da língua a resposta: fazer o quê?
É um povo que tudo suporta e tudo aceita calado, mesmo sabendo que está sendo levado para o sacrifício da morte. Obedecemos a ordem do patrão para pegar o chicote que nos vai surrar. O desrespeito vem da crença de que não haverá reação, por mais afronta que seja.
Veja o caso mais recente da privatização dos cartórios. A princípio nos disseram que os serviços iriam melhorar, com mais agilidade no atendimento e conforto para os usuários. Passaram-se três meses da medida, e o que vimos em Vitória da Conquista foi a abertura de arapucas, sem nenhuma estrutura.
Depois de tanto tempo ainda têm a cara de pau de pedir paciência à população até o sistema de adaptar. Além dos aumentos extorsivos, de mais de 100%, a privatização alugou salas apertadas (até debaixo de escadas de prédios) e as filas continuam irritantes e estressantes.
Pelo menos em Conquista não houve informatização total dos processos e, em muitos casos, os funcionários têm que folhear papéis no “dedão”. Devido à total falta de preparo, o “novo sistema” (não houve nada de novo) obrigou de todos a abertura de nova firma, com a cobrança de R$3,00.
Na semana passada senti na pele o calvário para reconhecer a firma de um documento meu. Depois de três horas de espera, paguei os R$3,00 para abertura de nova firma, mais R$4,00 para reconhecer. Cadeiras duras e apertadas num estreito de uma sala, sem nenhum aviso de prioridade aos idosos. Eles não temem mais a reação do povo.
A situação continua caótica, e a nossa imprensa, que deveria ser a voz defensora dos cidadãos, denunciando e criticando esses absurdos, infelizmente, quase nada fala, cala-se. Como se não bastasse o tempo de espera, o usuário ainda tem que aturar os “documentos por fora”, furando sua vez.
Definitivamente, o povo neste país é tratado como gado, como dizia Geraldo Vandré na sua canção “Disparada”. O filósofo Marcuse dizia que o primeiro passo para um escravo conquistar sua liberdade é ele tomar consciência de que é um escravo. Só a educação de qualidade liberta.
Outro assunto que me traz aqui, aliás, existem muitos outros, como os fantasmas do Congresso Nacional, das assembléias e das câmaras de vereadores, é a nova moda da UFC (Ultimate Fighting Championship), que coloca nos ringues verdadeiros “brutucus” musculosos, chupando sangue uns dos outros.
São cenas primitivas de “porradas” e pancadarias que já deixaram muitos com sequelas graves, levando outros a perderem a vida. Faz lembrar os gladiadores romanos dos tempos do imperador Nero. A propaganda televisiva se espalhou por todo país, e jovens estão caindo nessa arena de brutalidades e violência, com apoio dos pais, tudo por uma fama e dinheiro. É a bola da vez. Ainda dizem que somos civilizados.
Estamos vivendo numa era onde os cérebros estão cada vez mais “murchos e mirrados” por falta de exercícios mentais, enquanto os corpos ganham músculos deformados e as bundas abundam com fartura e fortuna. É a decadência do ser humano. Já em épocas passadas, os mais velhos diziam que “é o fim do mundo”.
Outra estupidez que temos que engolir a seco é a tal “verba indenizatória” (nunca entendi esse verbete político) dos parlamentares que criam fantasmas nos legislativos com o uso do dinheiro público. A Assembléia Legislativa calou-se com o caso do deputado estadual Carlos Roberto. Só tu?
È mais uma aberração e “um ponta pé no traseiro” do eleitor. Há muito tempo que a moralização foi desmoralizada. Como qualquer outro servidor, parlamentar tinha que ter seu salário, e mais nada. Criaram uma fábrica de monstros de fazer fantasmas, desvirtuando a função do legislador. A verba indenizatória é uma máquina de fazer votos.
As máfias italianas, japonesas e russas precisam fazer um estágio no Brasil, para tomar umas aulas com o bicheiro “Carlinhos Cachoeira” e seus comparsas. El Capone do tempo da “lei seca” dos Estados Unidos é um bom moço comportado diante dos nossos briosos mafiosos.
Contam que os vídeos do diretor dos Correios e do chefe de Gabinete da Casa Civil, recebendo subornos, há mais de cinco anos, foram feitos a mando do próprio “Cachoeira”, para incriminar o ministro José Dirceu que negou ao hoje senador Demóstenes Torres uma pretensão de cargo no Ministério da Justiça. Agora o PT estaria cobrando a dívida. Bestas somos nós, descartáveis eleitores. Vamos pra frente que atrás vem mais gente com instinto canibal.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário