Um país que ainda se arrasta com uma enorme dívida social para com o seu povo, principalmente na educação e na saúde, e apresenta um dos maiores índices de desigualdade do mundo, embora tenha avançado alguns pontinhos na renda, tem se arvorado a manter um status aparente de gente grande no clube dos países, os quais já têm uma estrutura bem mais avançada para tocar seus projetos, com confiabilidade.
Sem uma gestão confiável, competente e séria, pois as necessidades básicas do povo são relegadas a último plano, quando não armengadas pelas promessas populistas, o Brasil termina fazendo gambiarras e passando uma imagem negativa no cenário internacional.
Um dos exemplos mais recentes aconteceu com a Estação Antártica Comandante Ferraz que não resistiu às gambiarras, por falta de investimentos e até mesmo na concepção tecnológica do projeto, e pegou fogo, sacrificando a vida de duas pessoas. Há quase 30 anos entrou no clube seleto do Tratado Antártico, e o povo se sentiu orgulhoso.
Não estou questionando aqui a importância tecnológica e científica que o projeto proporciona para o conhecimento das transformações climáticas e ambientais da terra e do universo como um todo.
O que me deixa mais intrigado é que a impressão que passa, neste caso, é que ao país o que importa acima de tudo é fazer parte do Tratado, mesmo sem a devida estrutura garantidora da segurança e dos resultados do projeto. É só pura vaidade? Só participar, por participar? Complexo de inferioridade, para não ficar para trás dos outros?
É nisso que dá quando não se tem uma gestão séria, desde o cuidado básico no sentido de antes se construir o desenvolvimento social de que tanto o povo brasileiro precisa. Mesmo com o Bolsa Família e as chamadas “políticas públicas de inclusão”, o Brasil ainda estampa bolsões de pobreza e miséria, sem falar na concentração de renda que não para de bombar. A vida com qualidade não deveria estar acima de tudo?
Muita gente já deve ter se esquecido do que ocorreu há nove anos no Centro de Lançamento de Foguetes de Alcântara, no Maranhão, quando tudo explodiu no incêndio, matando, se não me engano, mais de dez brasileiros. Não se fala mais no assunto. Agora inventamos fazer a Copa e as Olimpíadas.
As gambiarras brasileiras estão por toda parte em nosso território, com desperdícios, desvios de dinheiro, corrupção e falcatruas. Nossos governantes levantam obras que ficam no meio do caminho, e outras tantas irregulares por falta de competência dos dirigentes, e safadeza mesmo.
Bem perto de nós está o metrô de Salvador, o mais curto do mundo, que há 12 anos ainda não foi concluído, e serve de piada na boca do povo. É mais uma obra que desprestigia o Brasil lá fora. Ali, em Itabuna, começaram um Centro de Convenções e os serviços estão parados há sete anos. Por essas e outras é que o nosso país não é confiável, nem é levado a sério no exterior. Não existem culpados pelos desmandos.
Sem primeiro cuidar da nossa casa, oferecendo vida digna e de qualidade à sua população, conforme reza a Constituição, o governo brasileiro e a classe dominante burguesa, que só visa seus interesses, tudo fizeram para sediar a Copa Mundial de Futebol de 2014 e as Olimpíadas de 2016. O povo, que pouco pensa, aplaudiu, com “orgulho”.
Não tardou e as críticas começaram a pipocar por todos os lados, até que um membro da Fifa disse que os organizadores mereciam “levar um ponta pé no traseiro”. Os “responsáveis” espumaram de raiva, mas sem moral, porque estão viciados em fazer gambiarras e não dá em nada. Imediatamente aprovaram uma Lei Geral da Copa onde nos submetemos aos caprichos da Fifa. Que humilhação!
Deveria haver uma norma internacional, determinando em seu primeiro artigo, que um país para sediar um evento mundial teria que apresentar um currículo, comprovando que fez o dever de casa, ou seja, o seu povo goza de uma boa educação e uma saúde de qualidade.
É nisso que dá entrar na festa dos ricos só para aparecer e ganhar status, voto e popularidade. Depois eles nos deixam envergonhados com suas trapalhadas e falta de competência. Como já estão habituados a não assumir os compromissos internos, fazem o mesmo no âmbito externo e deixam o país com uma péssima imagem lá fora. Só querem tirar proveito e manter o poder, dando circo, futebol e carnaval.
segunda-feira, 12 de março de 2012
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