Benjamin Nunes Pereira*
História, não é nada mais nada menos do que uma ciência que nos permite conhecer o nosso passado, entender bem o nosso presente, para que possamos transformá-lo em um futuro melhor. A História se interessa por todas as atividades do homem, por tudo aquilo que os homens em grupo fazem durante suas vidas. Assim sendo, a História é o estudo do homem em processo de constante transformação. O que deixa bem claro que todos os homens têm valor para a História.
A palavra “História” é de origem grega, que significa investigação, informação. Ela surge no século VI antes de Cristo. Para nós, homens do Ocidente, a história, como hoje a entendemos, que se iniciou na região mediterrânea, ou seja, nas regiões do Oriente, próximo da costa norte africana e da Europa Ocidental.
A importância da História, desde seu inicio foi a de fornecer à sociedade uma explicação de suas origens (ou seja, uma explicação genética). A História se coloca hoje em dia cada vez mais próxima às outras áreas do conhecimento que estudam o homem, assim como a sociologia, a antropologia, a psicologia, a demografia entre outras. Cada uma dessas áreas tem seu enfoque específico, uma visão mais ampla e mais completa, entretanto, exige a cooperação entre as diversas áreas. Isso tem sido tentado pelos estudiosos com maior ou menor êxito, no chamado trabalho interdisciplinar, pois inclui diferentes disciplinas. Ela procura especificamente ver as transformações pelas quais passaram as sociedades humanas. A transformação é a essência da história; quem olhar para trás, na história de sua própria vida, compreenderá isso facilmente. Nós mudamos constantemente; isso é válido para o individuo e também é válido para a sociedade. Nada permanece igual e é através do tempo que se percebem as mudanças.
Eis por que se diz que o tempo é a dimensão de análise da história. O tempo histórico através do qual se analisam os acontecimentos não correspondem ao tempo cronológico que vivemos e que é definido pelos relógios e calendários. No tempo histórico podemos perceber mudanças que parecem rápidas, como os acontecimentos cotidianos: por exemplo, em um golpe de Estado, cujo desenrolar acompanhamos pelos jornais. Vemos também transformações lentas, como no campo dos valores morais, o machismo, por exemplo, é um valor que impera na maior parte das sociedades que a história estuda, a ponto de se poder dizer que a história que está escrita mostra um processo praticamente só conduzido pelos homens. No Ocidente, aproximadamente de um século para cá surge um questionamento mais constante desse valor milenar. Isso se dá em grande parte devido a uma participação maior da mulher no processo de produção à medida que as mulheres saem da esfera exclusiva do lar e começam a refletir na realidade.
A caminhada que a humanidade fez explica muito sobre a própria humanidade, assim como o que uma pessoa faz explica muito sobre ela. É a caminhada da humanidade que damos o nome de processo histórico. Desde que existem sobre a terra, os homens estão em relação com a natureza (para produzir sua vida) e com os outros homens. Dessa interação é que resultam os fatos, os acontecimentos, os fenômenos que constituem o processo histórico. Desde que existem sobre a terra, os homens estão em relação com a natureza (para produzirem sua vida) e com os outros homens. Dessa interação é que resultam os fatos, os acontecimentos, os fenômenos que constituem o processo histórico.
Na realidade dificilmente o historiador pode tratar ao mesmo tempo, de toda a humanidade. Ao escrever a história, em geral ele se ocupa especificamente de uma determinada realidade concreta situada no tempo e no espaço. Estudam-se uma tribo, como por exemplo, o povo judeu, antes do nascimento de Cristo; a formação do Império Macedônico, a civilização greco-romana, o surgimento da França, entre outros acontecimentos. Mas, a meta de formulação de uma história – síntese (uma explicação global de todo o processo histórico) não deve ser afastada, embora muitos historiadores acreditassem ser ela uma utopia.
O homem é um ser finito, temporal e histórico. Ele tem consciência de sua historicidade, isto é, de seu caráter eminentemente histórico. O homem vive em um determinado período de tempo, em um espaço físico concreto; nesse tempo e nesse lugar ele age sempre em relação à natureza, aos outros homens. É esse o seu caráter histórico. Tudo o que se relaciona com o homem tem sua história; para descobri-la, o historiador vai perguntando: O quê? Quando? Onde? Por quê? e Para quê?
Todos nós percebemos por experiência, a ligação básica implícita dentro da idéia geral do tempo: passado – presente – futuro. Para a história, o tempo só interessa nessa perspectiva tripla. O que é preciso fazer é uma história que mesmo estudando o passado mais remoto, faça-o para explicar a realidade presente. Fazer luma história do presente, mas sobre indagações e problemas contemporâneos ao historiador. É preciso conhecer o presente e, em história nós o fazemos, sobretudo através do passado remoto ou bem próximo. Quando se analisa um passado que nos parece remoto, então seu estudo é feito com indagações, com perguntas que nos interessam hoje, para avaliar a significação desse passado e sua relação conosco. O passado nos interessa, hoje pela sua permanência no mundo atual. A história vista como estudo do passado parece hoje para todos um ponto pacífico. Mas a história também é aceita como o estudo do passado em função de um presente desde os historiadores gregos.
A ligação da história com o futuro, porém, é bem mais sutil: não se pode falar em história do futuro. Qualquer colocação nesse sentido é mera especulação. Pode-se falar em tendências, probabilidades históricas, mas não mais do que isso. Fazê-lo seria impor um esquema pré-fixado de como as coisas se devem passar, o que é impossível. A partir de um diagnóstico do presente, ela pode ajudar a delinear ações futuras. O historiador examina sempre uma determinada realidade, que se passou concretamente em um tempo determinado e em um lugar preciso. Sua primeira tarefa é situar no tempo e no espaço que ele quer estudar exemplo: a Inglaterra no início do capitalismo, os descobrimentos portugueses dos séculos XV e XVI, a revolta dos estudantes parisienses em 1968. Cada realidade histórica é única, não se repetindo nunca de forma igual.
Só se pode conhecer uma realidade do passado através do que ficou registrado e documentado para a posteridade. Todos os registros da presença do homem são chamados “fontes históricas”. A maior parte da documentação utilizada em história é escrita, a ponto de se considerar impropriamente, como “tempos históricos” aqueles tempos que se iniciam com a invenção e a difusão da escrita. Na verdade, isso não é correto. O homem tem história desde que ele existe na terra, mesmo que ela não esteja devidamente documentada para as gerações que vieram depois. O importante e essencial é que o trabalho do historiador se fundamente numa pesquisa dos fatos reais, comprovados concretamente. Em geral é mais comum, sobretudo em realidade históricas mais próximas de nós, que os vestígios dessas realidades sejam inúmeros e que o trabalho do historiador se inicie por uma seleção desses dados. Essa seleção é feita em função dos dados do passado que lhe pareçam mais significativos.
A diversidade dos testemunhos do passado é muito grande. Tudo quanto se diz ou se escreve, tudo quanto se produz e se fabrica pode ser um documento histórico. Uma coisa é certa, a história, como todas as formas de conhecimento, está sempre se reformulando, buscando os caminhos novos e próprios. Em suma, para nada nos servirá a História, se dela não tomarmos as lições que nos oferece. Revendo o passado, estudando os tempos que se foram tornarmos capazes de entender o presente e projetar o futuro.
REFERÊNCIAS:
BARBOSA, Leila Maria A. e MANGABEIRA, Wilma C. A Incrível História dos Homens e suas Relações Sociais, 4ª Ed. Petrópolis, RJ. Vozes, 1981.
BORGES. Vavy P. O que é história. 15ª São Paulo, Ed. Brasiliense, 1990.
*Benjamin Nunes Pereira é licenciado em História, pós-graduado em Antropologia com ênfase na cultura afro-brasileira, pela UESB/Jequié, pós-graduado em Programação e Orçamento Público, pela UFBA, bancário, dirigente sindical dos bancários e membro da Academia Conquistense de Letra de Vitória da Conquista da Bahia.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
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