O consumidor paga taxas de juros mais caras da América Latina (quase 300% ao ano); o Imposto de Renda é um dos mais altos do planeta; o IPVA (emplacamento de veículos) é o mais escorchante e não se sabe para aonde vai o dinheiro; as taxas de telefones são as mais elevadas; e o custo de vida e refeições em São Paulo bate recordes entre as principais capitais do mundo.
Por tudo isso, um americano chegou a gozar com um jornalista brasileiro de que somos ricos e eles são (EUA) os pobres. Afinal, já somos a sexta maior economia. Faltou, entretanto, ele apontar as aberrações como a de que pagamos no ano passado 1,5 trilhão de reais de impostos (aumento de 17% em relação a 2010), mas o PIB (Produto Interno Bruto) só deu 3%. O país pagou 240 bilhões de reais em 2011 com os serviços da dívida.
Ricos com uma desigualdade social alarmante onde em termos de desenvolvimento humano, entre mais de 100 países, o Brasil ficou na 84ª posição. Na educação o Brasil ocupa a 88ª posto na desqualificação. Como disse o senador Cristovam Buarque, fazendo um paralelo com o futebol, a escola do rico é redonda, enquanto a do pobre é quadrada.
De acordo com o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), 43,7% dos brasileiros têm dívidas e 36,6% não têm como pagar, mas mesmo assim, esse grupo continua a comprar, seduzidos pelo consumismo. A captação nas cadernetas de poupança caiu 63% no ano passado em relação a 2010.
Além de “ovinos” somos otimistas. Esse grupo, mesmo endividado, continua acreditar que o crédito vai melhorar. É isso aí, o governo permanece empurrando o consumidor para sustentar e bancar a produção. É a elevação do consumo a qualquer custo à revelia da capacidade produtiva, acordando o monstro da inflação de 6,5%.
O nosso PIB é o mais baixo da América do Sul e entre os Brics (Brasil, Rússia, Índia e África do Sul), chamados emergentes ou subdesenvolvidos mesmo. Para citar um exemplo mais próximo, da população de Salvador, 33% vivem na miséria. Existe estado pior ainda que é o Maranhão.
Mesmo assim, somos ricos e tudo vai bem. Ora, o superávit nas exportações bateram recorde, não importando que a pauta ainda se concentre nos produtos primários. Nossa capacidade de agregar tecnologia ainda é ridícula. Prevalece o monopólio das grandes corporações, inclusive na área da comunicação, mas entram montes de dólares no país.
Dizem por aí que somos ricos e acreditamos nisso. O Bolsa Família cresce em recursos para manter milhões na pobreza. Somos ricos, mas o dinheiro não sai para socorrer as vítimas das enchentes no Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais, sem contar as secas no Sul. Não fizeram prevenção; não tiraram as pessoas nos morros e ninguém é culpado por nada.
Os governadores se calaram diante do privilégio dado pelo Ministério da Integração Nacional a Pernambuco (o ministro cara de pau é de lá). Eles estão mais para defender seus interesses dentro do poder. Os desabrigados que se danem e morram nas lamas dos deslizamentos de terras e nas correntezas das águas.
Além da falta de educação, saúde digna e segurança, não temos oposição. Falta crítica ao capitalismo. O PT que antes fazia isso, há muito tempo embarcou no vagão luxuoso do capital.
Olha o que dizia a Organização POLOP (Política Operária) em 1967: O monopólio exercido pela burguesia, pelo seu poder econômico, da mídia e do voto de cabresto, permitiu sempre às classes dominantes eleger um Congresso dócil aos seus interesses e hostil às aspirações dos trabalhadores e das massas mais pobres. Não é somente o legislativo, o executivo e o judiciário viraram as costas para o povo pobre no país rico.
Mas, os ingredientes desse sanduíche vão mudar para proteínas menos gordurosas e de baixo teor calórico. A receita está ficando superada, e muitos já estão querendo outro sabor. Está acontecendo em várias partes do mundo, só o Brasil ainda não percebeu isso.
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
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