Quando as enchentes e os deslizamentos de terras matam e deixam milhares de desabrigados, o Governo corre e monta uma Força Tarefa para "socorrer" as vítimas. Anuncia em seguida milhões de reais para obras de prevenção, recuperação e contenção. Libera um dinheirinho "cala-boca" para pagar uma luguel num cubículo. Quando o temporal das águas passa, a verba desaparece no caminho dos corruptos e saqueadores dos cofres públicos.
Aí o tempo passa e ninguém fala mais nisso. A mídia esquece as tragédias e o povo cordeiro, ou ovino, não protesta e continua sofrendo nos lugares destruídos como ocorreu na região serrana do Rio de Janeiro no ano passado. No outro ano vem as chuvas e tudo começa novamente como na tradicional "indústria da seca" que enche as urnas de votos de favores, ou de cabresto. Aí aparece outra Força Tarefa.
Assim, o crescimento econômico nunca vai diminuir as desigualdades sociais no país da sexta maior potência econômica do planeta que ficou na 84a posição entre ps 187 países avaliados pelo Programa das Nações Unidades para o Desenvolvimento, atrás do Chile (44a), Argentina (45a), Uruguai (48a) e Cuba, a pequena ilha, na 51a posição. Nem é preciso dizer que é uma vergonha.
De acordo com a pesquisa "Presença do Estado no Brasil", o Norte e Nordeste têm menos profissionais de saúde qualificados e menos médicos por mil habitantes que a média brasileira.
A Bahia é destaque por ser o estado em que são pagos maior número de benfícios sociais, como o programa Bolsa Família, por exemplo. São 1,7 milhão de famílias beneficiadas, mais de meio milhão a mais que o estado de São Paulo.
O Maranhão tem 1,3 médicos que atendem ao SUS por mil habitantes. Já o Rio Grande do Sul tem 4,1. Parece que o RGS tem mais problemas de saúde que o Maranhão.
As desigualdades são ainda mais gritantes no que se refere à taxa de frequência de crianças e jovens no ensino Fundamental e Médio. Quanto a qualificação de professores, no Norte, 51% deles do Fundamental têm formação superior. No Sul, o percentual é de 82%.
E tome discurso de estatísticas oficiais mentirosas de que tudo vai muito bem. Até quando vão abusar da nossa paciência, oh Catilina?
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
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