De um lado um país com uma taxa de escolarização menor que a do Paraguai e Bolívia, e com um atendimento precário na saúde onde pobres padecem nos corredores da morte dos hospitais. Do outro um país cujas previsões de economistas e agências de avaliações o colocam como candidato a ser a 6ª maior potencia econômica do planeta.
Pipocam escândalos de corrupção por todos os lados, e os brasileiros já se acostumaram a viver num tiroteio cerrado de roubalheiras e de desrespeito aos seus direitos. Como os que recebem suas benesses por fazerem parte do poder, também nos sentimos satisfeitos com o resto que nos dão.
Aceitamos de bom grado as desigualdades abissais do sistema e até concordamos, humildemente, que sempre foi assim e não há como mudar o que aí está. Dá para dormir com um barulho desses? Oh quanta contradição!
Tem muita gente que entende que as desigualdades e as injustiças sociais estão apenas na cor da pele e aí tudo vira racismo e preconceito quando não se concorda com certas “políticas ditas de reparação” que só fazem dividir e elevar ainda mais as injustiças. Não tiram dos bolsos deles. Fazem média com o chapéu surrado dos outros.
Se o cara é pau-de-arara, ou já foi; tem uma pele menos clara não se pode falar nada contra essa pessoa. Tem que se concordar com tudo que ela diz e faz, senão você será vítima de xingamentos rancorosos e depreciativos .
Agora mesmo o prefeito de Salvador foi taxado de racista só porque vetou um projeto dos vereadores de abrir cotas nos concursos públicos para negros. É proibido pensar o contrário e expressar idéias. Quem sempre foram os conservadores neste país? Pior é que sempre acreditamos na “bondade” deles.
Enquanto isso, quanto ao baixo nível de escolaridade do Brasil que ocupa a 84ª posição no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) todos nós estamos satisfeitos já que não existe indignação.
A maior expressão de indignação e protesto do brasileiro é quando seu time perde. Aí ele berra de raiva, esbraveja e, se for possível, quebra estádios; esmurra os jogadores e mata os árbitros.
De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), nesse ranking o Brasil fica atrás de dez países da América Latina, e na região, abaixo do Chile e da Argentina.
A taxa de escolaridade do nosso país é de apenas 7,2 anos. A de alfabetização de adultos no Brasil é inferior à da Bolívia. A escolarização em universidades fica aquém da do Paraguai. A mortalidade entre adultos supera a de Colômbia e México.
Simplesmente uma vergonha nacional, se bem que a Renda Nacional Bruta per capita de US$10.162 não é tão baixa. O Brasil é um caso para se analisado num divã. Muita coisa está errada nessa nossa gestão política, e isso não é só de agora.
Será que vamos mesmo conseguir ser a 6ª maior potência econômica e entrar no roll dos países mais desenvolvidos mantendo o mesmo nível baixo de escolaridade e cometendo as piores desigualdades e injustiças sociais? E a corrupção e a impunidade desenfreada vão continuar nesse ritmo?
Será um caso raríssimo para estudos psicanalíticos de comportamento. O que nos faz satisfeitos com esta situação é a submissão histórica que nos impuseram desde os tempos coloniais onde sempre imperou um tipo de coronelismo escravizante, espoliando os mais pobres, sem escrúpulos.
Com o tempo foi se perpetuando a mentalidade de que os desmandos de hoje são justificáveis porque há muito tempo e em governos passados eles já existiam e eram praticados. Aí, a corrupção se tornou um ato normal de quem está hoje no poder.
Agora mesmo, o deputado federal pelo PC do B, Daniel Almeida, propôs investigar os convênio irregulares e viciados de propinas das ONGs bandidas do Governo de FHC. Certamente vão achar muitas sujeiras. E aí, as de hoje serão justificáveis?
Ora, as “esquerdas” antes de assumirem o poder não pregavam mudanças e seriedade com a coisa pública? Não eram para dar exemplo? Não deveriam ter investigado há muito tempo e condenado com cadeia os corruptos do passado?
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi incorporou o conselho “casco grosso” de Lula e já disse que nem bala o derruba porque é forte e gordo. Bravatas de sempre! Como ministro não sabia o que vinha acontecendo na sua pasta? Seu criador Leonel Brizola deve a esta altura estar se revirando no túmulo ou no além onde estiver.
A faxina tem que começar por Brasília e não adianta mudar ministro se o sistema corrupto continua. Brasília está amaldiçoada. Todo governo carrega uma ficha suja, a começar pelo governador do Distrito Federal.
Se os brasileiros estão satisfeitos, existem os satisfeitos dos satisfeitos como as centrais sindicais que recebem até dinheiro do Fundo de Amparo ao Trabalhador e se solidarizam com o ministro. Os estudantes da UNE pegaram os R$30 milhões do povo e gastaram em congressos e encontros.
Enquanto isso, nosso povo continua penando nos corredores da morte dos hospitais. Os poderosos vão para o Sírio Libanês. Eles não colocam seus filhos nas escolas públicas. Quem diz isto é visto como maldito e merece ser linchado em praça pública. Oh quanta mentira! Oh quanta hipocrisia!
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário