Mesmo os brasileiros sendo acomodados, passivos e sofredores, é difícil deixar de “berrar” contra os corruptos malfeitores, agora tratados por dona Dilma de “malfeitos”, para não ferir seus aliados e comprometer a “governabilidade”.
Nos últimos tempos, fala-se muito sobre a “necessidade” da mulher assumir o poder e ter cargos de comandos no país. A questão não é ser mulher ou homem, negro ou branco. O primordial que se deve levar em conta é se a pessoa tem caráter e ética. Estas duas coisas e mais a seriedade com a coisa pública não têm distinção de sexo e cor. Está na formação de cada pessoa.
Considero provinciana e medíocre essa discussão de que temos que eleger uma mulher ou colocar ela lá no cargo porque ainda predomina o sexo masculino. O que temos que analisar é se a pessoa tem competência e está preparada moralmente para nos representar. Vamos indicar uma mulher só porque ela é mulher e precisa de mais espaço? Não contam os atributos e qualificações? O que precisamos é de gente honesta.
Assim como os homens, temos mulheres prefeitas e deputadas cometendo desmandos, desvios e atos de corrupção, aliás, “malfeitos” como taxou nossa presidente. Por falar nisso, não estou aqui me referindo, especificamente, sobre a presidente, mas de uma maneira geral dentro do conceito que se gerou ultimamente.
O problema maior está no sistema político montado onde foram se criando as brechas para a corrupção em todos os níveis, principalmente o eleitoral e a forma de governar e legislar. A partir daí, todos os outros setores foram sendo contaminados, como o judiciário onde tem mesmo “bandidos de toga”.
Foi uma mulher que falou isso, mas podia também ter sido o homem. Que diferença faz. Quando parte de uma mulher se enaltece mais. Isso já não constitui num grande preconceito? Nós brasileiros ainda estamos numa discussão colonialista, vazia e retrógrada quando temos problemas mais graves para discutir e resolver.
Ainda consideramos o negro e o índio como “coitadinhos”, e a mulher como sexo frágil que precisa ser amparada. Não se pode colocar alguém lá de qualquer jeito no poder. O que precisa haver é uma seleção de qualidades, não importando o sexo.
O que temos que cobrar e protestar é que o povo pare de ser humilhado pelos detentores do poder que não estão nem aí para os direitos humanos. Há muito tempo somos humilhados nas filas dos hospitais, nos bancos, nos fóruns, nas repartições públicas em geral, nas marcações de exames de saúde e nos cadastramentos das esmolas do Bolsa Família.
Somos humilhados com uma educação de péssima qualidade, e humilhados pelos políticos que roubam e os governantes que preferem ouvir os empresários e banqueiros aos trabalhadores.
Somos humilhados pelas câmaras municipais que decidem aumentar o número de vereadores e ainda nos engabelam dizendo que vamos ter mais representatividade. Somos humilhados pelos parlamentares que absolvem uma deputada que foi flagrada recebendo propina.
Somos humilhados quando duas empresas estatais da Bahia patrocinam, com o dinheiro do povo, o show musical do arrogante músico João Gilberto, apresentado só para ricos. Somos humilhados pelo “mensalão” e pelo Caixa 2 de Lula.
Somos humilhados por um governo no qual demos o voto de confiança de que iria haver mudança de comportamento para que o povo não mais fosse humilhado. “Fazer o quê? – Respondeu um senhor já idoso numa longa fila de espera numa dessas lotéricas da cidade, quando abordei o descaso dos políticos e governantes para com os sofridos brasileiros.
É uma resposta de quem não tem mais esperança. É a cara do Brasil que desistiu de lutar. É o Brasil acomodado e sem perspectivas de melhora. O brasileiro apenas sobrevive debaixo da humilhação.
Somos humilhados todos os dias por essa corja de impostores, gazeteiros e vigaristas que prometem e depois se aliam ao bruto e estúpido sistema que só faz esmagar.
E por sermos humilhados todos os dias, muitos terminam seguindo as pegadas dos inescrupulosos e procuram levar vantagem em tudo, humilhando os humilhados para levar a melhor. Vemos muito isso no cotidiano da vida quando um “espertinho” fura uma fila, ou usa um “idoso amigo” para pagar suas contas. São inúmeros os exemplos de safadezas.
Aprendemos tanto com os malfeitores e corruptos que fazemos o mesmo, passando por cima dos nossos semelhantes que já vivem humilhados. Temos questões mais graves para discutirmos do que essa de mulher ou homem no poder. Outra coisa errada é a concepção de que roubar pouco não é problema. Está na cultura de que os trambiques podem ser feitos. Todos querem um naco do oportunismo.
Ser ou não ser mulher, ser ou não ser homem, não importa. O que importa mesmo é se a pessoa vai ter consciência política de defender os humilhados brasileiros e trabalhar com ética, condenando o corporativismo e se rebelando contra esse perverso sistema.
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
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