Do baú dos meus vinis encontrei esses versos do menestrel Juca Chaves de há mais de 30 anos que continuam atuais. Na música “Honestidade” ele diz: A honestidade, há muito já sumiu/As conseqüências, vêm sempre depois/Por isso todo dia, para alegria do Brasil/ Morre um ladrão e nascem dois”. Em outro verso canta: O governo tira o que o povo sonha/Quanta mentira, quanta vergonha. O saldo da Constituinte foi a corrupção legalizada/ Para bem da nossa pátria amada.
A corrupção não deixa que pessoas comprometidas e conscientes escrevam coisas boas e positivas como a de que o Brasil tem uma saúde e uma educação de qualidade. Seria bom, mas esse enunciado não passa de uma grande mentira. O que vemos nos hospitais é uma perversidade cometida contra o povo. É uma matança diária e ninguém é criminalizado.
Foi feito um cálculo de que de janeiro a agosto deste ano, aproximadamente seis mil pacientes morreram nas emergências dos quatro principais hospitais do Rio de Janeiro. Isso é mais que as mortes de soldados americanos no Iraque, entre 2003 a 2011.
Deveria haver um boletim de ocorrência nas portas dos hospitais brasileiros para notificar todas as mortes por negligência médica e falta de atendimento. Uma rede nacional de televisão focou suas câmaras nos corredores e nas instalações dos hospitais, mostrando os horrores das pessoas sofrendo de dores, e outras já em estado terminal.
As cenas mais parecem com o Inferno de Dante e devem ser proibidas para menores de 18 anos. Verdadeiramente, esse não é o meu país. Ninguém é culpado. Cada um só quer seguir seu caminho. Como vou ter orgulho de ser brasileiro?
Muito choro e ranger de dentes, e o Governo simplesmente diz que não tem recursos para a saúde. Aponta como saída a criação de mais um imposto para aumentar a carga tributária que já representa 34% do PIB.
Dinheiro tem até de sobra, mas criminosamente toda dinheirama é utilizada para sustentar as mordomias do poder corrompido e corroído. Vamos começar pelo Executivo. O governo tem ministérios a perder de vista.
Dizem que são 37 para satisfazer seus aliados e a tal “governabilidade”. Tem ministério da pesca, dos portos, da igualdade racial e outros nomes compridos. É um loteamento vergonhoso. As secretarias têm status de ministérios com centenas e milhares de cargos.
Por acaso o Governo está disposto a cortar estes ministérios para 10 ou 15, enxugando seu orçamento para sobrar dinheiro para a saúde e para a educação? De cargos comissionados são mais de 20 mil, enquanto o Governo de Barack Obama, dos Estados Unidos, tem 2.500. A maior parte está com o PT, para sustentar a máquina do partido e, consequentemente, o poder.
Só para resumir, o legislativo tem 513 deputados e mais 81 senadores com altas mordomias e salários de marajás aumentados por eles mesmos. Por acaso eles querem fazer uma reforma política séria que reduza pela metade esses representantes? Qual a utilidade do Senado? E as escandalosas verbas de indenização? Querem fazer cortes?
Do lado do judiciário, as mordomias e os altos salários são vergonhosos, enquanto o povo doente morre nos corredores dos hospitais. Cada poder levanta obras suntuosas e faraônicas, acarpetadas com tecidos da Pérsia e ladrilhadas com azulejos da melhor qualidade.
Agora mesmo na Bahia, a Assembléia Legislativa ergueu mais um anexo que custou R$29 milhões e está passando a conta para o Governo do Estado. Aliás, para o povo pagar. Seus gabinetes são luxuosos, bem mais que nos países ricos que não fazem essa farra com o dinheiro do contribuinte.
Portanto, o Brasil é um país rico que tem muito dinheiro. Se fosse bem aplicado e não houvesse essa roubalheira toda, dava muito bem para oferecer uma saúde de qualidade para todos, e não esse inferno dos horrores. E as fraudes hospitalares?
Não só os políticos viraram as costas para a população. Os estudantes e os sindicatos que já foram as categorias de maior resistência nas lutas por liberdade e justiça, não estão nem aí. Estão também montados na nossa grana e cooptados com o poder.
As centrais sindicais, por exemplo, brigam como gângsteres ao estilo do velho faroeste americano por mais um filiado, para arrecadar mais dinheiro para seu saco, através, principalmente, da contribuição sindical obrigatória. É uma espoliação contra o operário, mas ninguém reclama.
Os dirigentes das principais centrais agem na base da força, utilizando capangas e seguranças para fechar sindicatos e derrubar presidentes que não estejam aliados às suas entidades. Quando mais filiado, mas dinheiro, mais mordomia e mais cargos comissionados. Não é preciso prestar contas aos tribunais.
Existem no país oito centrais que brigam entre si, mas não protestam, nem se manifestam contra as mazelas da saúde e da educação. Os métodos mais violentos de banditismo são travados pela CUT e a Força Sindical, mas guerreiam também a UGT-União Geral dos Trabalhadores, a NCST-Nova Central Sindical dos Trabalhadores, a CTB-Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, a CGTB-Central Geral dos Trabalhadores do Brasil, CSP-Conlutas e a Intersindical.
Para que tanta central? Só do imposto sindical a CUT fica com quase R$27 milhões todo ano. Estão lutando pelos direitos coletivos da população? Estão se manifestando nas ruas contra a corrupção e os desmandos? Fazem muita festa com shows musicais e distribuição de prêmios no Primeiro de Maio. O Estado é um grande elefante que se movimenta lentamente, mas tem uma tromba que devasta florestas.
domingo, 25 de setembro de 2011
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