Foi só as bases aliadas rosnarem e o chefe emitir um alerta, para a presidente Dilma cair fora da faxina contra a corrupção, em nome de uma “governabilidade” que só a eles interessa. A apuração no Ministério dos Transportes apontou um rombo de mais de R$600 milhões, mas sem identificar os responsáveis. Deve ter sido obra de fantasmas do além que apareceram na calada da noite com suas máscaras monstruosas e surrupiaram nosso dinheirinho. Coisa de filme de terror.
O cala boca ao PR - Partido Republicano (coisa pública só deles) foi justamente não citar nomes, caso contrário, como ameaçaram seus caciques, iriam se rebelar e votar contra o Governo. O anúncio da saída deles da base foi de mitirinha, enquanto assentava a poeira. No Ministério da Agricultura, do PMDB, só o afastamento do ministro, e não se fala mais nisso. No Turismo, sob a batuta de Sarney, que constrói pontes e estradas, sem turismo, a incompetência fica. Tudo como dantes na casa de Abrantes.
No Ministério das Cidades, e tome ministérios no povo, o Mário Negromonte, que já não tem bom passado, gritou que com tantas denúncias, ia haver derramamento de sangue. É coisa mesmo de quadrilhas, de gangues e bandos armados assaltando nossos cofres. A tal da reforma política prometida há mais de 20 anos, desde os tempos de Itamar Franco e Fernando Henrique, sempre é adiada. Agora só em 2014. E nós, os bestalhados, continuamos a votar. Só servimos mesmo para isso.
A nação continua atolada na corrupção, e dona Dilma agora só quer saber de fazer a “faxina da miséria”. Não vai bulir em casa de vespeiro, conforme orientação do seu chefe que nega o mensalão, que nada sabe e nada viu. Os ratos deram um ultimado para que dona Dilma recolhesse sua vassoura. A deputada Jaqueline Roriz foi salva pelos “companheiros” do rabo preso.
Eis, então, que surge uma luz da indignação no fundo do túnel com a passeata contra a corrupção em Brasília, no dia 7 de setembro, quando reuniu mais de 25 mil pessoas. Em São Paulo deu 200, e no Rio de Janeiro, uns 50 gatos pingados. A esperança é que essa luz não se apague, mas que esse facho venha iluminar todo Brasil. Na terra do axé e do pagode, ninguém quis saber de nada. A UNE e os sindicatos preferem o amém da cooptação. O mal está dando de goleada no bem.
Durante a semana passada, a mídia nacional se voltou ao espetáculo das Torres Gêmeas de Nova Yorque, transformando os Estados Unidos numa pobre vítima, sem culpa das atrocidades que já fizeram pelo mundo. Depois dos atentados, os EUA não são mais os mesmo com sua unilateralidade, mas continuam prepotentes e arrogantes, mostrando suas garras cortadas. Vivem hoje assustados, atormentados, traumatizados e em crise econômica, numa sociedade vigiada por câmaras. Só nas guerras do Afeganistão e no Iraque já torraram cerca de 4 trilhões de dólares.
A nossa imprensa tupiniquim e ainda colonial se curva diante de notinhas atrasadas sobre o Brasil, vindas de mídias dos Estados Unidos e da Europa. As notas fora da realidade e feitas em redação são creditadas em manchetes como se fossem novidades por aqui. As que são divulgadas no exterior sobre nós têm mais valor que as nossas. Têm bem mais repercussão. Pobre de nossa cultura!
Todos os veículos concentraram suas baterias nos atentados de Nova Yorque, no 11 de setembro de 2001, sem ao menos fazer menção ao ataque orquestrado pela CIA contra Salvador Alende, em Santiago do Chile, em mesma data, em 1973, apoiando o ditador Pinochet. Os Estados Unidos nunca foram julgados pelos crimes contra a humanidade.
As matérias passaram, simplesmente, uma imagem da luta do bem, os Estados Unidos, contra o mal, os mulçumanos fanáticos “terroristas sanguinários”. Nisso venceu Busch, mas Bin Laden saiu vitorioso ao desestruturar psicologicamente os americanos que sempre apoiaram as ditaduras. Os atentados têm muito mais elementos políticos que religiosos.
Em impacto, jornalisticamente, os atentados às Torres Gêmeas apagaram todas as atrocidades e malvadezas cometidas pelos Estados Unidos desde as primeiras décadas do século XX. Sem entrar na questão da justificativa, não foi mostrado o outro lado da moeda terrorista do Estado que invadiu a Guatemala e inoculou doenças venéreas e sífilis em pessoas, para pesquisar a fabricação de antibióticos.
O que gerou essa ira do outro lado “terrorista”, ou de resistência dos mais fracos, aprisionada durante todos esses anos? Sem falar nas teorias conspiratórias de explosões montadas nas duas Torres, a imagem que se passa é que os Estados Unidos têm todo direito de continuar suas matanças no Iraque, no Paquistão e no Afeganistão, em nome de sua “democracia capitalista ocidental”. E o passado tenebroso das invasões no Vietnã, El Salvador, Nicarágua, Cuba, Filipinas, Coréia, países africanos e tantas outras nações pobres? Quem sempre espalhou o terror?
A mídia esqueceu da fome que seca as crianças, jovens e adultos nos países do Chifre da África, deixando suas peles rachadas pregadas aos ossos. Corpos esqueléticos e olhos afundados nos crânios dão uma aparência de seres extraterrestres. As nações ricas e poderosas estão em suas festas consumistas e nada têm a ver com isso.
Os donos da festa estão mais preocupados em não perder uma fatia do consumismo supérfluo, para deixar os ricos mais ricos, e os pobres mais pobres. A linguagem parece ser retrógada e atrasada, mas não é. Estamos em pleno século XXI e mais distantes da civilização humana. O homem é o contraditório dele mesmo quando faz a inversão daquilo que deveria ser a vida.
domingo, 11 de setembro de 2011
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